terça-feira, 16 de setembro de 2014

CONVERSA DE VIZINHAS

Milton Pires

Ontem, entre tantas notícias sobre casamento gay, torcedores racistas e leões sequestrados, a imprensa trouxe uma dessas novidades que não deixam de constituir uma das ironias da vida: aumentam espantosamente os números dos casos de assaltos (ou, como os jornalistas amestrados gostam de dizer, da “violência”) dentro dos campi das universidades brasileiras. Fico me perguntando como os professores de História, Filosofia, Sociologia...enfim, de tudo isso que chamamos de “área das humanas” explicariam o fato para seus alunos atacados depois das aulas...fico imaginando as interpretações politicamente corretas sobre os “excluídos” e sobre a inevitabilidade da “redistribuição de renda” na sociedade e não deixo de me divertir com a carinha de surpresa dos âncoras dos principais jornais. Acima de tudo é preciso esconder o fato de que a polícia civil não pode dar início a procedimento investigatório dentro de uma universidade federal, não é mesmo? Antes de qualquer coisa é necessário lembrar que policiais militares estão proibidos de atuar dentro dessas áreas em perseguição aos bandidos, não estão?
Certa vez eu escrevi que as universidades surgiram para fazer com que um “monte de gente” que entrava nela pensando igual saísse de lá pensando diferente e lembrei ainda que hoje ocorre o oposto...que a academia brasileira controlada pelo PT é uma máquina de lavagem mental, de correção política e de desconstrução dos valores que permitiram que ela mesma, universidade, houvesse surgido. Chegamos agora a fase final, a ironia suprema de ver “a questão da violência” como dizem os cretinos da imprensa invadir a universidade...a mesma universidade que ensina seus filhos que ela, violência, é a “parteira da revolução”, que faz festas regadas à drogas e rituais satânicos, que costura os órgãos genitais dos estudantes e os ensina a invadir reitorias, que aceita alunos por critérios de cor da pele e com dinheiro público sustenta os “núcleos de pesquisa” e as “performances” sobre diversidade de gênero. Deus me livre de ter um filho estudando História numa universidade federal! Proteja-me, oh Senhor, de ver minha filha como aluna de uma faculdade de filosofia! Melhor sabê-los vítimas de um assalto, de um arrastão ou de uma agressão leve no estacionamento desses verdadeiros antros de corrupção...dessas verdadeiras máquinas de desvio de dinheiro público e de justificativa moral para todas as barbaridades que os vagabundos petistas vem fazendo com nosso país desde 2003.
Droga, meus amigos, é aquilo que os professores petistas vendem aos nossos filhos nas aulas da UFRGS, USP e UFMG...Violência é o que se perpetra na UNB ou na UFRJ quando se ensina médicos a se tornarem revolucionários..quando se transforma todo futuro juiz num ativista político e cada engenheiro num mero contador de dinheiro para o Diretório Central do partido mais imundo que já governou o Brasil.
Em 1987, foi criado pela USP o chamado NEV (Núcleo de Estudos da Violência) que afirma na sua página na internet possuir como metas principais “a realização de investigações científicas sobre a violação de direitos humanos no Brasil e a construção da democracia e, para isso, busca compor um grupo interdisciplinar de pesquisadores e docentes que desenvolvam trabalhos e reflexões sobre as diversas violações de direitos humanos no país. Atualmente a equipe é formada por pesquisadores das áreas de ciências sociais, direito, história, psicologia, saúde pública e literatura.”
Evidentemente criado no espírito do fim da Ditadura Militar, jamais alguém imaginaria naquela época que os assaltos e roubos dentro da própria universidade pudessem ser objeto de pesquisa acadêmica. Pois bem, agora podem! Nunca foi tão fácil publicar sobre isso sem ser preciso deslocar-se dentro das grandes cidades...sem entrar nas favelas como estudante de medicina da mesma forma que eu mesmo fiz aqui em Porto Alegre num exercício de demagogia, de culpa e de perda de tempo. Na minha época a universidade precisava “sair detrás dos muros”..nós precisávamos ter “contato com a realidade” e assim o fizemos: levamos para “realidade” a nossa interpretação da sua pobreza..visitamos a violência e lhe oferecemos a justificativa da libertação..nós a analisamos, nós a compreendemos e, como revolucionários, perdoamos...nada mais justo, portanto do que uma visita de retribuição em que a violência venha nos encontrar dentro da própria universidade e, numa conversa de comadres, nos contar como está passando. Assaltos em estacionamentos e trabalhos “de campo” com viciados em crack são pois manifestações diferentes do mesmo fenômeno: a Universidade se marginalizou e os bandidos se tornaram doutores – missão cumprida pelos vagabundos petistas: o diálogo entre violência e universidade é apenas uma Conversa de Vizinhas.

À memória do meu querido avô, Milton Clóvis Pires,
que morreu sem ter conseguido entrar na Universidade.

Porto Alegre, 16 de setembro de 2014.

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

HORA DE LEVAREM O TROCO.


Milton Pires

Parabéns a todos jornalistas, comentaristas, blogueiros..radialistas, apresentadores de TV..enfim a toda escória que forma mais de noventa por cento da imprensa brasileira...essa imprensa engajada, essa imprensa “sintonizada” que quer um “mundo melhor”.uma “sociedade mais democrática”..essa ralé a serviço da revolução cultural e dos vagabundos petistas que governam o Brasil: vocês, mais uma vez, conseguiram – na madrugada de hoje, foi incendiada aqui em Porto Alegre, parte da casa da torcedora gremista Patrícia Moreira...isso mesmo: aquela que cometeu o “crime hediondo” de chamar o goleiro do Santos de “macaco”
Minha dúvida agora é a seguinte, seus desgraçados: o que deve ocupar a primeira página? O incêndio da casa da Patrícia ou o incêndio do CTGay em Santana do Livramento? Quem “nós vamos colocar” como foto? A Patrícia chorando ou a juíza Carine Labres enrolada numa bandeira do movimento LGBT? Oh vida, oh dor...Oh, dúvida cruel, não é mesmo, vagabundos?
Façam o seguinte: saiam agora das redações da Zero Hora, da Folha de São Paulo, enfim...de todas essas imundícies em que vocês trabalham ignorando olimpicamente a ligação do PT com o narcotráfico, dirijam-se aos seu “lofts” ou seja lá como chamam isso onde vivem, acendam um incenso, coloquem um CD do Caetano, abram o notebook da Apple que vocês compraram e escrevam, tomando um copo de vinho, a manchete de amanhã. Eu escreverei a minha sobre vocês!
Vocês, sua legião de vagabundos gayzistas, naziciclistas, vegetarianistas e abortistas do Foro de São Paulo são a vergonha da nação brasileira! Eu sinto nojo de viver no mesmo país que vocês e venho, faz tempo, numa campanha para que ninguém mais assine os jornais onde vocês trabalham, seus picaretas. Eu os declaro como sendo “inimigos do povo” - expressão stalinista que vocês conhecem tão bem quanto eu e usada para perseguir, prender e torturar pessoas da mesma maneira que vocês conseguiram fazer com a torcedora do Grêmio. Sabemos eu e vocês, seus vagabundos, que enquanto ela não for agredida, morta, ou “suicidada” vocês não vão estar satisfeitos, não é?
Tenho peno de vocês: os sintomas de abstinência à cocaína são terríveis e o partido que fornece essa imundície para que vocês consigam escrever está para ser corrido do poder. Vai ser necessária uma rápida aliança entre os esquizofrênicos das florestas e a turma do PCC para garantir que as redações da imprensa brasileira continuem funcionando e vocês, vagabundos, tenham “combustível” para atravessar a noite.
Bandidos e vagabundos petistas que infestam a imprensa, recentemente os chefes de vocês no Partido Religião lançaram uma espécie de “lista negra” dos jornalistas não alinhados aos crimes que vocês cometem, não lançaram? Pois bem: digo a vocês que os elegi inimigos de todos os que querem derrubar o PT do poder no Brasil e que vocês serão por mim tratados como verdadeiros vagabundos petistas que são. Declaro iniciada a guerra total à imprensa do Brasil até que todos, sem restar nenhum, vocês sejam varridos dos seus empregos de desinformação e contrainformação do movimento revolucionário. A liberdade começa pela informação – a informação nos foi tirada pelo PT e vocês são colaboradores desses assassinos. Chegou a hora de levarem o troco.

Porto Alegre, 12 de setembro de 2014.  

Colégio Andrews, do Rio, está de parabéns! Demitiu um pregador antissemita disfarçado de professor. É assim que se faz! Chega de escolas com partido!

Colégio Andrews, do Rio, está de parabéns! Demitiu um pregador antissemita disfarçado de professor. É assim que se faz! Chega de escolas com partido!




O colégio Andrews é um dos mais tradicionais — no melhor sentido da palavra (existirá um ruim?) do Rio de Janeiro. Está com a família Flexa Ribeiro há 100 anos, desde a sua fundação. Nesta quarta, o inacreditável aconteceu. Um professor de geografia (!) do oitavo ano — a antiga sétima série, e isso quer dizer que estamos falando de alunos de 13 anos! — aplicou uma prova em que se podia ler esta questão:

Vemos, como vocês podem notar, o desenho de um soldado nazista humilhando um judeu. Ao lado, um soldado israelense humilha um palestino. Bastava a imagem para constatar que, para o professor, as duas situações são equivalentes — o que já é de uma notável delinquência intelectual. Observem: isso não é matéria de opinião, mas matéria de fato. Comparar os territórios palestinos a campos de concentração é coisa de vagabundos morais. Não consta, para ser raso, que os judeus tivessem mísseis à sua disposição em Auschwitz ou em Treblinka.
O “mestre”, no entanto, achou que o desenho não era suficiente e, para não deixar a menor dúvida sobre o que pretendia, escreveu em letras garrafais: “Chegaram invadindo, tomando terras, assassinando… Quem será pior? Nazistas ou judeus”. Destaque-se que o senhor professor não tomou nem mesmo cuidado de escrever “israelenses”, que é uma nacionalidade. Ele escolheu a palavra “judeus”, que é uma etnia, equiparando-os a nazistas — que é uma escolha política —, que tinham como pressuposto o extermínio de… judeus.
Trata-se de uma assertiva obviamente criminosa, do mais escancarado antissemitismo. Talvez ele próprio não se dê conta do crime porque o ataque ao Estado de Israel é apenas uma das expressões do esquerdismo mais rasteiro. Boa parte dos idiotas que repetem ladainhas contra o país nem sabe do que fala.
O professor não quer, é evidente, que o aluno expresse “uma” opinião, mas que dê a “sua” — do professor! — opinião. Vejam a questão: “Conforme é sabido, os judeus foram perseguidos por Hitler. Atualmente, um determinado povo é tido como vítima dos israelenses, tendo de viver em assentamentos controlados por Israel.
a) explique o que é sionismo e a diáspora;
b) que povo mais sofre os impactos da ação de Israel?
c) qual a importância do território no conflito entre judeus e esse povo que mais sofre os impactos acima?”
Imagino o que esse sujeito andou a dizer a estudantes de 13 anos! Pra começo de conversa, os “assentamentos” não são controlados por Israel. Isso é só mais uma mentira escandalosa. Os judeus não foram apenas “perseguidos” — empreendeu-se uma ação de extermínio de um povo. O estúpido deve ignorar que a organização que mais matou palestinos até hoje foi o Exército da… Jordânia, que é árabe, no chamado “Setembro Negro”. Yasser Arafat chegou a falar em 20 mil mortos. Dá-se de barato que foram pelo menos 10 mil.
Os parabéns
Falei há pouco com Pedro Flexa Ribeiro, diretor-geral do Andrews. Ele me informa que o professor foi demitido nesta manhã. E eu parabenizo a escola não porque tenha demitido um professor favorável aos palestinos e crítico de Israel, mas porque ele não ministrava aulas. Fazia é proselitismo mixuruca, criminoso.
Pedro Flexa Ribeiro é inequívoco: “Trata-se de um episódio lamentável! A gente não se reconhece nisso. É indefensável, insustentável! A questão, de saída, foi anulada, e estamos estudando a possibilidade de anular toda a prova”. No site da escola há um pedido formal de desculpas.
É assim que se faz! Escola não é partido político. Escola não é grupo de militância. Escola não é lugar para proselitismo ideológico. Escola não é seita.
Não sei o nome do professor e, confesso, nem procurei saber para ficar mais à vontade para escrever. Não seria difícil chegar a esse gigante. O que me interessa não é personalizar o debate e tentar provar que ele está errado. O ponto é outro.
Chegou a hora de dar um basta a essa partidarização das chamadas disciplinas da área de “humanas”. Livros didáticos, não raro, são mais boçais do que panfletos de partidos. Não duvido que, fôssemos chegar ao fundo das vinculações ideológicas desses monstros intelectuais, chegaríamos àqueles que acham que uma boa forma de manifestar o seu ponto de vista é sair quebrando tudo por aí.
Há uma enorme diferença entre formar alunos críticos, preparados para entender a complexidade do mundo, e querer transformá-los em militantes políticos. Muitos jovens leem este blog — eles comparecem às muitas dezenas aos lançamentos dos meus livros. Deixo aqui um recado, quase uma convocação: não aceitem passivamente a partidarização das aulas. Professor que se confunde com pregador é, de fato, um vigarista.
A prova, reitero, foi aplicada a alunos de 13 anos. Um deles fotografou a indignidade e, felizmente, o debate saiu dos muros do colégio. Ele é de interesse geral. Que as direções das outras escolas tenham a clareza e a coragem demonstrada pelo comando do Andrews nesse caso. E noto, para arremate dos males, que esses emissários da extrema esquerda — é o que são — disfarçados de professores de história e geografia quase nunca escolhem dar aula em escolas públicas. Buscam os melhores colégios particulares para que possam pregar luta de classes ou antissemitismo, mas com o salário de um bom burguês.
Pedro Flexa Ribeiro dignificou a sua função. O lugar desse professor é a rua. E o lugar de sua questão é a lata de lixo moral.
Por Reinaldo Azevedo

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

LIBERAÇÃO DA MACONHA


ESTADO LAICO E ESTADO LÉSBICO – INCENDIANDO O CTGay


Milton Pires

Depois da saída do Grêmio da Copa do Brasil por causa da torcedora que chamou o goleiro do Santos de “macaco”, o Rio Grande do Sul volta hoje às manchetes – incendiaram o CTG (Centro de Tradições Gaúchas) em que duas lésbicas se casariam: conseguimos! Novamente vamos ser, para todo Brasil, o teatrinho da correção política...do ativismo judiciário e do pensamente “engajado”.
A notícia está na primeira capa do principal jornal: “Homofobia!” “Incendiaram o CTG do Casamento Gay!.” Que nojo, meus amigos, que coisa asquerosa conviver com uma imprensa assim..com uma ralé de imbecis que deveria estar, 25 horas por dia, divulgando o genocídio no Brasil, os mortos nessas imundícies que são os hospitais brasileiros e as tentativas de golpe de estado pelo Partido-Religião marionete do Foro de São Paulo.
Quem agora está lendo deve estar se perguntando: “não entendi..ele é contra ou a favor do casamento gay?” “Ele defende que sejam ou não incendiados os CTG's ??” Ora, por favor! Tenham (para não escrever aqui outra coisa) a santa paciência! Não tenho (e nem vocês deveriam ter) tempo para escrever sobre isso. Deixo o tema para os “colunistas” de Zero Hora...Alguns tiveram inclusive a audácia de, considerando que hoje é dia 11 de setembro, comparar as motivações dos incendiários do galpãozinho com a dos terroristas que atacaram as Torres Gêmeas. Em certo sentido esse tipo de colunista tem razão: a histeria, a necessidade de ser politicamente correto da parte dele e do seu jornaleco é tanta que as ideologias se tornam parecidas e só faltou terem escrito: “do incêndio do CTG ao ataque de 11 de setembro é só uma questão de proporções”...Uma figurinha carimbada da New Left do jornalismo dos pampas disparou - “é impossível ignorar o simbolismo da data. Os tolos incendiários de Santana do Livramento, fundamentalistas a seu modo, talvez acreditassem que estavam defendendo alguma coisa - uma tradição histórica em boa parte inventada ou aquela vaga sensação de pertencimento que parece justificar uma existência vazia de outros significados -, mas estavam apenas manifestando o próprio desespero diante de um mundo complexo em que parecem não encontrar lugar ou sentido” e eu, Milton Pires, quase precisei de uma caixa de lenços de papel inteira de tanto que chorei (de rir) ao ler uma asneira dessas...
Deixo a questão do casamento gay de lado e afasto também discorrer sobre o crime de incendiar coisas, mas uma “coisa” não vou deixar a passar: a manifestação da Doutora (juíza de Direito) Carine Labres na imprensa pedindo “ajuda da população” para reconstruir o CTG em tempo record afim de que, nesse sábado, seja realizado como estava previsto o casamento gay naquele local.
Vou direto ao ponto: um juiz que, fazendo uso da sua condição profissional, invoca por meio da imprensa a mobilização da sociedade em nome de uma causa polêmica (tão polêmica que terminou em crime) deveria deixar de exercer a magistratura ! Sua vocação é a Política; não o Direito. Pouco importa o tema em questão – não pode fazê-lo por que deve (ou deveria) colocar-se acima e não como parte daquilo sobre o que pretende arbitrar. Pergunto eu o seguinte: se não é verdade o que acabei de escrever, por que não poderia o juiz ou juíza que, após ter condenado através de sentença a torcedora do Grêmio, iniciar campanha pela imprensa para que eles se encontrem e se abracem na televisão? Ninguém percebe a diferença entre aplicar justiça e fazer ativismo judicial? Ninguém vê o perigo de se substituir, aos poucos, toda Ordem Constitucional pelo número de curtidas no Facebook ou pelo número de jornais vendidos com essa atitude de “Sininho do Judiciário” que a tal magistrada adotou ?
Meus amigos, dia após dia, ano após ano...tudo que é formal, tudo que está escrito e que pode ser previsto está em declínio. Ninguém acredita em verdade alguma..só no eventual “consenso democrático dentro da sociedade” (seja lá o que uma besteira dessas signifique) e é esse tipo de coisa, esse tipo de relativismo, o terreno fértil para o Decreto 8243. Gostaria de saber, caso pensem que sou mais um “teórico da conspiração”, se a Dra. Carine Labres convocaria júri popular em Santana do Livramento para decidir a sentença dos incendiários com a mesma presteza que convocou a sociedade para reconstruir o CTGay – o CTG do casamento gay. Enquanto fico esperando resposta não posso deixar de perceber a gigantesca diferença entre minha opinião e a dela sobre isso que chamamos de “Estado” - Eu sou a favor do Estado Laico. Ela; do Estado Lésbico.

Porto Alegre, 11 de setembro de 2014.  

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

A DERRUBADA DO GOVERNO CIVIL


Milton Pires

O último hangout entre o Professor Olavo de Carvalho e o músico Lobão foi, na minha opinião, o mais claro aviso daquilo que se aproxima dos brasileiros depois das eleições de outubro. As eleições, que inevitavelmente se encaminham para um segundo turno entre Dilma e Marina, são ilegais. Vou repetir: ilegais. A razão é simples: serão disputadas entre dois candidatos que fazem parte da maior organização criminosa da História da América Latina: O Foro de São Paulo.
O Foro de São Paulo foi criado em 1990 em função do queda do Muro de Berlim, do fim da URSS, e da necessidade daquele projeto de poder encontrar um lugar para continuidade do seu delírio. Não cabe aqui entrar em detalhes sobre a constituição e funcionamento dele. Olavo de Carvalho, Graça Salgueiro, Heitor de Paola..enfim tantos que vem escrevendo muito antes e melhor do que eu já o fizeram de maneira perfeita – não há mais o que dizer. Cabe apenas ficar perplexo com o “silêncio ensurdecedor” da grande mídia amestrada pelo PT quanto a sua própria existência.
Meus amigos, não pode haver eleições! Elas serão simplesmente uma disputa interna dentro do próprio Foro. Sai o submundo do sindicalismo e do crime organizado para entrar a ecoteologia...a escatologia fanática de uma pessoa que esteve 23 anos dentro do próprio PT e comunga até hoje com a maioria dos seus princípios.
Nada mais resta do que, uma vez mais, apelar inutilmente para isso que ainda chamamos de Forças Armadas (FFAA)...para essa Marinha envolvida com escândalos de enriquecimento do seu comandante, para essa Força Aérea que transporta amantes de presidentes e políticos que fazem implante de cabelo e para esse Exército que, nas fronteiras do Brasil, não tem munição para uma hora de guerra e precisa pescar nos rios da Amazônia para ter o que comer. A intervenção constitucional da parte deles não é um direito nem uma possibilidade; é uma obrigação e um ato de sobrevivência. Eu já escrevi antes que as FFAA vão passar fome...que vão ser, pouco a pouco, dizimadas pelo governo revolucionário e que elas não tem outra escolha a não ser a intervenção. Não se trata, portanto, de ser ou não a favor de um regime militar...de “derrubar a democracia” ou voltar no tempo. Nós não estamos mais numa democracia e quanto mais tempo levarmos para nos dar conta disso mais perigosas e difíceis serão as soluções. O partido que nos governa é, ele mesmo, golpista pois provado ficou que tentou por duas vezes a derrubada total do Estado de Direito com a compra de todo Congresso..de ministros, de governadores, senadores..enfim – de todo governo da nação – seu plano deu certo: levaram o Brasil a uma eleição geral em que o governo concorre consigo mesmo. Ninguém vê que a esquerda tem dois candidatos? Ninguém vê que eles vencerão de qualquer maneira ? Que não há necessidade, sequer, de fraudar urnas eletrônicas ?? Com Dilma ou com Marina eles vão vencer: não há escolha !
Lembrem-se todos vocês que alto preço haveremos de pagar pela intervenção das FFAA. O mundo inteiro olhará para o Brasil de cara feia mas isso não é nada perto das consequências de deixar as coisas seguirem seu próprio rumo...Nós caminhamos em direção à Venezuela..Nós seremos, meus amigos, uma mistura de Venezuela com Argentina comandada por ONGS e rezando para o New York Times, George Soros e Angelina Jolie. Nosso novo hino será escrito pelo U2!
Circula pelas redes sociais a notícia de que dia 15 de setembro encerra o prazo dado por militares através de um ofício encaminhado ao Ministério Público Federal na Procuradoria Regional de Campo Grande (MS) sob número 00015868/2014 para que seja reconhecida, constitucionalmente, a posse do General de Exército Enzo Martins Peri na Presidência da República. Tudo indica que o protocolo é verdadeiro (na verdade pouco interessa se é verdadeiro ou não) e que talvez seja essa a última chance de derrubada do Governo Civil.

Porto Alegre, 10 de setembro de 2014.


segunda-feira, 8 de setembro de 2014

SOBRECARGA DE INFORMAÇÃO E A TEORIA GERAL DO ESCÂNDALO

Milton Pires

Richard Saul Wurman é um arquiteto e designer gráfico norte-americano que, em 1976, cunhou a expressão “arquiteto de informações” em resposta à gigantesca quantidade de dados gerada na sociedade contemporânea e que nos é apresentada com pouco cuidado e nenhuma ordem. Em 2001, um grande jornal brasileiro trouxe uma interessante matéria chamando a “Síndrome do Excesso de Informação” de “mal do século”. Convém, inicialmente, dizer que nenhuma categoria diagnóstica existe em psiquiatria que corresponda a essa definição. De uma maneira geral é possível reconhecer na pessoa que sofre (ou supostamente sofreria) de tal síndrome aquilo que se pode, aí sim, chamar “transtorno de ansiedade generalizada” - quadro muito bem conhecido e tratado nessa especialidade médica.
Mesmo que nós não possamos aceitar, pelo menos ainda, uma definição da “Síndrome do Excesso de Informação” como doença vale observar como as pessoas, de fato, buscam cada vez mais acesso à internet e às redes sociais numa velocidade que supera em muito a capacidade de usar..a chance de elaborar e até mesmo organizar de maneira útil aquilo que o computador lhes fornece. No Brasil, os escândalos da vida política se sucedem numa velocidade tal que é praticamente impossível tomar pleno conhecimento, gravar nomes e fatos (por exemplo de uma operação da Polícia Federal) de algum deles: outro vai surgir imediatamente...outra nome; outra operação – mais informação chegando enquanto aquela que “estava lá” precisa ser “apagada”. "Quanto mais sabemos, menos seguros nos sentimos. É a sensação de que o mundo está girando a muitas rotações a mais do que nós mesmos", dizem os especialistas.
Não lembramos, pois, do voo da Malaysia Airlines que desapareceu em março no Oceano Índico pois é mais recente a derrubada de um avião da mesma companhia sobre a Ucrânia. Não podemos mais pensar em Rosemary Noronha, Marcos Valério e no Mensalão: agora é a vez da PETROBRÁS.
Eu não sei, nem poderia saber, qual deveria ser a solução sobre esse problema de “memória”..como poderia a sociedade brasileira “expandir seu HD” ou melhorar a “velocidade do seu computador” mas apelo (ou pelo menos vou tentar apelar) aqui para uma lição deixada pelo filósofo alemão Eric Voegelin que procurou recolocar o problema da ciência política para além da análise de superfície das leis, instituições, sistemas eleitorais e partidos políticos. Para o filósofo, a metodologia para o estudo destes temas contemplava tão somente aspectos de um positivismo histórico cujo objetivo seria a autointerpretação de mecânicas comportamentais de uma sociedade, mas nada falariam a respeito dos “valores” que embasassem a ação do homem no mundo. Nesse sentido, eu sustento que Voegelin talvez pudesse oferecer, às supostas vítimas da “síndrome do excesso de informação” um eficaz modo de ordenar numa escala moral aquilo que até nossas mentes chega numa velocidade assustadora e se relaciona aos escândalos da vida política brasileira.
De uma maneira geral, eu diria que é possível conectar tudo que é “delatado” ..tudo que é “revelado” e “investigado” como manifestações diferentes de um só fenômeno histórico: aquele que diz respeito ao advento de um único partido político que veio para subtrair a própria possibilidade de ordenamento moral que Voegelin se propôs dar à vida em sociedade e à ciência política.
Num sentido muito geral e resumido, eu encerraria sugerindo àqueles que não querem sofre com o “excesso de informações” que pudessem ao mesmo tempo “unificar” e num certo sentido “esquecer”...que pudessem, diria eu numa linguagem de informática, “condensar para ocupar menos espaço”, todas as últimas notícias sobre aquilo que o PT fez com o Brasil desde 2003..Eu tentaria, se fosse possível, reunir todas as “novidades” e hipóteses delas resultantes numa só ..Imagino que seria uma maneira de resolver a doença da Sobrecarga de Informações com a Teoria Geral do Escândalo.

Para o pai...que me ensinou a pensar...

Porto Alegre, 8 de setembro de 2014