"O maior inimigo da autoridade é o desprezo e a maneira mais segura de solapá-la é o riso." (Hannah Arendt 1906-1975)

quarta-feira, 26 de junho de 2013

RACIONALIZAÇÕES – O PAÍS QUE NÃO SE CONHECE


Racionalização - Processo de justificar, pelo raciocínio, um comportamento qualquer depois de realizado, atribuindo-se-lhe outros motivos que não os reais.
Por não poder conceber os motivos reais por trás do comportamento de seu amado, a moça promove uma racionalização, ao afirmar veementemente: "Ele não ligou porque está trabalhando até tarde".
Comecei o texto assim, com um “copiar e colar” de um tal de dicionário informal da internet, para dizer que é exatamente isso que a imprensa brasileira começou a fazer agora com as manifestações. É impressionante ver que se criou um certo tipo de “narrador de manifestação” - alguém que começa com “como é bonito ver as pessoas exercendo seus direitos” e termina com “são uns poucos vândalos que estragam esse momento democrático atirando pedras nos policiais”..
Pelo amor de Deus, até quando vai esse tipo de comentário imbecil? Até quando esses “gênios” da Globo News, Band e outras “empresas de comunicação” vão continuar com a idéia de que estão transmitindo algo que tenha regras? Não é preciso ser um especialista para entender um mínimo daquilo que se chama de “psicologia de multidão” - uma ciência que para LBB, a Legião Brasileira de Bobalhões, deve ser nova. Entendessem um mínimo a respeito daquilo que falam e chegariam à conclusão de que um movimento assim não é um desfile de escola de samba, que ele não tem inicio, meio e fim, e que o comportamento de todas, isso mesmo seus idiotas, de todas as pessoas é imprevisível! Multidões não são times de futebol, não podem ser “analisadas” ao vivo pelo Galvão Bueno, e não existem “destaques” nelas para se analisar. A violência intrínseca de 120.000 pessoas nas ruas de São Paulo consiste exatamente em 120.000 pessoas nas ruas de São Paulo! Não interessa o que elas vão fazer nem se a motivação é justa. Não interessa nem ao leitor saber aqui se sou contra ou não ao direito das pessoas se manifestarem. 120.000 pessoas caminhando pelo meio da rua numa cidade do tamanho de São Paulo ou qualquer outra grande capital brasileira é, em si, algo perigoso e violento por natureza. Qualquer um que já esteve em algo assim sabe que as pessoas mais corajosas e fortes tornam-se covardes e fogem da polícia ao mesmo tempo que mocinhas de colégio se transformam em demônios – fiz um cursinho de psicologia pela internet nesse final de semana e aprendi isso - legal, né?
Enquanto a “ficha não cair” e o próprio Brasil não apreender sequer a interpretar o que está sentindo não há mérito algum em “psicólogos de televisão” serem contra ou a favor daquilo que está acontecendo. Já disse em texto anterior o que penso estar ocorrendo, já disse que sou fanaticamente contra, apontei quem são os responsáveis, e defini quais seus objetivos. Hoje a idéia foi outra – mostrar que a imprensa do “país tropical e abençoado por Deus” não sabe nem como narrar os fatos e mistura um sentimento de “Festa da Democracia” + “desfile de escola de samba” + “catástrofe natural” numa prova evidente de racionalização e numa “manifestação”, se me permitem o trocadilho, mais do que clara de que o país não se conhece...
para Heitor, Tio Cajo e Eunice

Porto Alegre, 26 de junho de 2013

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Sua mensagem será avaliada pelos Editores do Ataque Aberto. Obrigado pela sua colaboração.