"O maior inimigo da autoridade é o desprezo e a maneira mais segura de solapá-la é o riso." (Hannah Arendt 1906-1975)

quarta-feira, 31 de julho de 2013

Rosane de Oliveira: "Greve não ajuda a causa dos médicos"


Rosane de Oliveira
Os dois dias de greve dos médicos podem ser importantes para chamar a atenção das autoridades, mas dificilmente conseguirão atrair a simpatia da população, especialmente dos usuários do Sistema Único de Saúde, que clamam por melhores serviços e penam por meses, às vezes anos, para conseguir uma consulta especializada.Quer dizer que deveríamos esperar para obter apoio da população é? É isso que a "senhora" propõem? Uma greve politicamente correta?Como explicar a um paciente que sua consulta ou procedimento eletivo foi suspenso porque os profissionais paralisaram as atividades em protesto contra a intenção do governo de contratar estrangeiros para cidades onde os brasileiros não querem trabalhar? Explicaremos isso sem mentir como tu estás fazendo. Primeiro porque não se trata de uma greve, mas sim de uma paralisção. Segundo, não somos "contra a vinda de médicos estrangeiros" - isso é a TUA versão! Há várias outras coisas em pauta. Quanto aos estrangeiros - que revalidem seu diploma e depois venham.
Os médicos têm razão quando reclamam da falta de estrutura das unidades básicas de saúde, da carência de recursos nos hospitais, da insegurança nas periferias das grandes cidades, do marasmo de viver em uma pequena cidade do Interior. Será a greve o melhor caminho para melhorar esse quadro? "Marasmo" de viver no interior? "Marasmo", sua picareta da RBS? Nós somos responsáveis por vidas; tu por vender jornais para o teu patrão. Tenha vergonha na cara antes de escrever asneiras.
Quem precisa dos serviços de saúde e vive nesses lugares inseguros ou remotos exige uma resposta do governo. Por isso, a maioria dos prefeitos aderiu ao programa Mais Médicos. Como o número de profissionais dispostos a trabalhar 40 horas por semana em troca de uma bolsa de R$ 10 mil mensais ficou abaixo da necessidade, o governo terá de recorrer aos estrangeiros. A greve só reforça nos usuários a percepção de que faltam médicos – e que é melhor um estrangeiro do que nada. Mentira outra vez. Tu não és porta-voz do Brasil. Sabes que existem médicos suficientes, que não existem as mínimas condições de trabalho nem de garantia de estabilidade no emprego.  
A demanda dos médicos por um plano de carreira semelhante ao de juízes, promotores e defensores públicos é legítima. Afinal, é infinitamente mais difícil entrar em um curso de Medicina do que em um de Direito. Já que não fizeste o curso de Direito ou Medicina, mas sim de Jornalismo, deverias te calar e não escrever sobre profissões que não conheces! O curso de Medicina é mais longo (e mais caro nas faculdades privadas). Só os concursos são mais fáceis do que para as “carreiras jurídicas”, justamente porque os baixos salários atraem poucos médicos. Outra bobagem inventada por ti - comparar os concursos de duas profissões diferentes. O problema é como pagar vencimentos que variam de R$ 17 mil a R$ 24 mil para um exército de médicos com dedicação exclusiva ao setor público. Essa conta não pode ser ignorada com o discurso de que tudo se resolve com vontade política.

2 comentários:

  1. Prezado Doc Milton Pires, buenas!

    Essa jornalista expõe sua devoção à imbecilidade partidária, utilizando-se de um jornalismo psicótico, que deseja conduzir uma sociedade no rastro de uma idiotia coletiva.
    "(...) é como um cérebro vadio, que aceita como verdade a indomável opção pelo nada.
    Um DELÍRIO POLÍTICO, caracterizado por um estado crepuscular frenético no qual o sujeito sonha de olhos abertos, projetando sobre a coletividade um falso ideal que não é outra coisa senão a tentativa de moldar tudo e todos à imagem e semelhança de sua própria perda do senso comum. Neste quadro, é completa a irredutibilidade da convicção delirante a qualquer tentativa de dissuasão. O sujeito constrói a sua visão do mundo a partir dos destroços de si próprio, e nestes casos não há psicotrópicos ou remédio de tarja preta que dê jeito, pois o problema não é clínico. É espiritual, noético. O alucinado amansa, é claro, porque medicamento atua sobre o sistema nervoso central, mas continua sem manter contato com a realidade dos valores que conformam a sua humana condição.(...)".(Sidney Silveira, in Mídia Sem Máscara; excerto do artigo "O cérebro vadio das vadias: a indomável opção pelo nada").
    Artigo dedicado às recentes manifestações das Marchas das Vadias, circo mambembe encenado na praia de Copacabana, por ocasião da visita do Papa ao Brasil.
    Encerro, citando outro pensamento do autor, no preâmbulo da referida matéria: " as marchas das vadias são um dentre tantos retratos de que, no Brasil atual, delírios megalômanos, pretensiosos e de maligna puerilidade ganharam voz 'política'."
    A investida petralha contra os médicos brasileiros enquadra-se nesse delírio megalômano, pretensioso e maligno.
    Enfim, no meu entendimento, Rosane Oliveira é uma jornalista só no diploma, a serviço do eixo do mal.
    Belo contraponto, Doc.

    Gaudêncio Sette Luas.

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  2. Exatamente, Gaudêncio ! Muito obrigado...
    Grande abraço,

    MP

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