"O maior inimigo da autoridade é o desprezo e a maneira mais segura de solapá-la é o riso." (Hannah Arendt 1906-1975)

terça-feira, 16 de setembro de 2014

CONVERSA DE VIZINHAS

Milton Pires

Ontem, entre tantas notícias sobre casamento gay, torcedores racistas e leões sequestrados, a imprensa trouxe uma dessas novidades que não deixam de constituir uma das ironias da vida: aumentam espantosamente os números dos casos de assaltos (ou, como os jornalistas amestrados gostam de dizer, da “violência”) dentro dos campi das universidades brasileiras. Fico me perguntando como os professores de História, Filosofia, Sociologia...enfim, de tudo isso que chamamos de “área das humanas” explicariam o fato para seus alunos atacados depois das aulas...fico imaginando as interpretações politicamente corretas sobre os “excluídos” e sobre a inevitabilidade da “redistribuição de renda” na sociedade e não deixo de me divertir com a carinha de surpresa dos âncoras dos principais jornais. Acima de tudo é preciso esconder o fato de que a polícia civil não pode dar início a procedimento investigatório dentro de uma universidade federal, não é mesmo? Antes de qualquer coisa é necessário lembrar que policiais militares estão proibidos de atuar dentro dessas áreas em perseguição aos bandidos, não estão?
Certa vez eu escrevi que as universidades surgiram para fazer com que um “monte de gente” que entrava nela pensando igual saísse de lá pensando diferente e lembrei ainda que hoje ocorre o oposto...que a academia brasileira controlada pelo PT é uma máquina de lavagem mental, de correção política e de desconstrução dos valores que permitiram que ela mesma, universidade, houvesse surgido. Chegamos agora a fase final, a ironia suprema de ver “a questão da violência” como dizem os cretinos da imprensa invadir a universidade...a mesma universidade que ensina seus filhos que ela, violência, é a “parteira da revolução”, que faz festas regadas à drogas e rituais satânicos, que costura os órgãos genitais dos estudantes e os ensina a invadir reitorias, que aceita alunos por critérios de cor da pele e com dinheiro público sustenta os “núcleos de pesquisa” e as “performances” sobre diversidade de gênero. Deus me livre de ter um filho estudando História numa universidade federal! Proteja-me, oh Senhor, de ver minha filha como aluna de uma faculdade de filosofia! Melhor sabê-los vítimas de um assalto, de um arrastão ou de uma agressão leve no estacionamento desses verdadeiros antros de corrupção...dessas verdadeiras máquinas de desvio de dinheiro público e de justificativa moral para todas as barbaridades que os vagabundos petistas vem fazendo com nosso país desde 2003.
Droga, meus amigos, é aquilo que os professores petistas vendem aos nossos filhos nas aulas da UFRGS, USP e UFMG...Violência é o que se perpetra na UNB ou na UFRJ quando se ensina médicos a se tornarem revolucionários..quando se transforma todo futuro juiz num ativista político e cada engenheiro num mero contador de dinheiro para o Diretório Central do partido mais imundo que já governou o Brasil.
Em 1987, foi criado pela USP o chamado NEV (Núcleo de Estudos da Violência) que afirma na sua página na internet possuir como metas principais “a realização de investigações científicas sobre a violação de direitos humanos no Brasil e a construção da democracia e, para isso, busca compor um grupo interdisciplinar de pesquisadores e docentes que desenvolvam trabalhos e reflexões sobre as diversas violações de direitos humanos no país. Atualmente a equipe é formada por pesquisadores das áreas de ciências sociais, direito, história, psicologia, saúde pública e literatura.”
Evidentemente criado no espírito do fim da Ditadura Militar, jamais alguém imaginaria naquela época que os assaltos e roubos dentro da própria universidade pudessem ser objeto de pesquisa acadêmica. Pois bem, agora podem! Nunca foi tão fácil publicar sobre isso sem ser preciso deslocar-se dentro das grandes cidades...sem entrar nas favelas como estudante de medicina da mesma forma que eu mesmo fiz aqui em Porto Alegre num exercício de demagogia, de culpa e de perda de tempo. Na minha época a universidade precisava “sair detrás dos muros”..nós precisávamos ter “contato com a realidade” e assim o fizemos: levamos para “realidade” a nossa interpretação da sua pobreza..visitamos a violência e lhe oferecemos a justificativa da libertação..nós a analisamos, nós a compreendemos e, como revolucionários, perdoamos...nada mais justo, portanto do que uma visita de retribuição em que a violência venha nos encontrar dentro da própria universidade e, numa conversa de comadres, nos contar como está passando. Assaltos em estacionamentos e trabalhos “de campo” com viciados em crack são pois manifestações diferentes do mesmo fenômeno: a Universidade se marginalizou e os bandidos se tornaram doutores – missão cumprida pelos vagabundos petistas: o diálogo entre violência e universidade é apenas uma Conversa de Vizinhas.

À memória do meu querido avô, Milton Clóvis Pires,
que morreu sem ter conseguido entrar na Universidade.

Porto Alegre, 16 de setembro de 2014.

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