"O maior inimigo da autoridade é o desprezo e a maneira mais segura de solapá-la é o riso." (Hannah Arendt 1906-1975)

sábado, 15 de novembro de 2014

BREVE HISTÓRIA DA REPÚBLICA.



Milton Pires

Era uma vez um país muito grande e muito burro. Estava cheio de um monte de gente pobre dominada por pouca gente rica. Havia acordo entre os ricos para sempre roubarem dos pobres, mas nunca roubarem um dos outros. Um dia, um cidadão pobre formou um partido. Nesse partido estavam trabalhadores pobres e estudantes ricos que pensavam que tinham pena dos pobres. Tanto os pobres quanto os estudantes não gostavam de estudar nem de trabalhar, mas colocavam a culpa nos ricos que lhes davam empregos e pagavam seus estudos. O partido cresceu e tomou o controle do país passando a roubar dos pobres, dos ricos, de si mesmo e de todo mundo que cruzasse o seu caminho. Assim o partido ficaria rico e, em nome da igualdade, todos ficariam pobres. Tudo estava indo bem até que o país, que até então só era grande e burro, começou a ficar perigoso para seus vizinhos porque parte do dinheiro roubado começou a financiar gente que gosta de explodir coisas e vender substâncias estranhas para cheirar. Isso fez com que esse vizinho, que era muito grande, inteligente e forte, resolvesse protestar quando dinheiro desviado de uma gigantesca empresa do país grande e burro começou a ser usado para fazer coisas erradas dentro do país grande e inteligente. O país grande e inteligente começou então a dizer para pessoas dentro do país grande e burro revelarem coisas que já eram conhecidas há muito tempo no exterior. Iniciou-se então uma campanha no país grandão e burro. O governo tinha que sofrer impeachment ou ser derrubado porque a situação era a seguinte: um monte de gente rica estava ficando pobre, um monte de gente pobre continuava pobre e um minoria especial de gente pobre estava ficando rica. O partido que governava o país grande e burro ficou com raiva: reclamou da “pobreza” do pensamento dos ricos e se assustou com a riqueza do pensamento dos pobres. Disse então que ninguém estava acima da lei e começou a orgulhar-se de investigar a si mesmo: pagou gente para correr nua, financiou festas com sutura de órgãos genitais, oficinas de masturbação e exposições de “arte moderna” que só eram apreciadas pelo psiquiatras dos artistas.
O povo do país grande e burro foi para ruas protestar e colocou na internet imagens para o povo do país grande e inteligente. No início não funcionou, mas quando as pessoas de lá começaram a ver que por causa da gigantesca empresa do país pobre as empresas delas ficariam menores a raiva explodiu e assim começaram as manifestações na internet do país grande e inteligente que provocaram as manifestações de rua no país grande e burro.
Isso foi crescendo, crescendo..foi ficando incontrolável..até que chegou a fase do “sai ou não sai”. O povo do país grande e burro achava possível tirar o partido que matava prefeitos da mesma maneira que tirou um presidente que comprava Fiat Elba, mas a coisa aí era mais complicada porque dessa vez havia vizinhos pequenos mas inteligentes que eram amigos do partido que governava o país grande e burro. Esse vizinho mandou gente que sabia lutar para dentro do país grande e burro. Eles vieram disfarçados de médicos mas mataram tanta gente que ficou logo evidente que eram grandes soldados. O país grande e pobre quis então chamar os seus soldados para atuarem como médicos contra os médicos de outro país que estavam agindo como soldados. Também isso não foi fácil: os soldados do país grande e burro ficavam o tempo inteiro com medo de ter sua floresta invadida pelo país grande e rico sem ver que já estava entrando lá gente que gosta de explodir coisas e vender substâncias para cheirar.
Se me perguntarem, meus amigos, qual o fim dessa história, respondo que não sei..pelo simples fato de que ela não terminou ainda. É uma obra inacabada e os personagens somos todos nós..Deus nos ajude ..


 15 de novembro de 2014 – Dia da Proclamação República

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