"O maior inimigo da autoridade é o desprezo e a maneira mais segura de solapá-la é o riso." (Hannah Arendt 1906-1975)

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

PONTO DE FUSÃO



Milton Pires

Fui dormir hoje às 4 horas da manhã: atravessei a noite e a madrugada assistindo pela TV o Congresso Brasileiro aprovar a Lei que permite retirar as impressões digitais da presidente Dilma de um crime que ela mesma cometeu – a violação da Lei de Responsabilidade Fiscal.
Tenho visto aumentar cada vez mais o número de pessoas indignadas nas ruas e redes sociais com tudo que o PT já fez. Mataram prefeitos, compraram deputados, quebraram uma das maiores estatais do mundo, roubaram as eleições do PSDB e agora instituíram a propina em Diário Oficial quando liberaram milhões para os congressistas que aprovassem o PLN 56.
Aumenta cada vez mais, principalmente nas redes, a discussão entre os que querem o Impeachment de Dilma e os que só encontram na Intervenção Militar Constitucional das Forças Armadas a saída para o caos no Brasil. Tudo estaria bem não fossem os fatos graves que aconteceram nas duas últimas manifestações quando lideranças que pediam o impeachment parecem ter criado uma espécie de hábito: expulsar aqueles que querem intervenção com gritos e ofensas proferidas dos megafones e dos carros de som. Afirmam que são “oportunistas”..que são “gente do PT infiltrada” ou pessoas que estão fazendo “tudo que o PT quer que apareça na imprensa”.
Ontem, em pleno discurso no Congresso Nacional, o Senador Lindbergh Farias mandou um claro recado para esses que representam as primeiras formas de “vida de oposição ao PT no Brasil” - Lindbergh disse que os intervencionistas são “fascistas” e aqueles que querem o impeachment da presidente são “primos de fascistas”. Claro está que, para o PT, os dois movimentos devem ser eliminados, não é?
Faço aqui duas considerações históricas sobre intervenção e impeachment. Digo, sobre a primeira hipótese, que todo Comando do Estado Maior das Forças Armadas está nas mãos do PT, que é corrupto e que não quer nem ouvir falar em intervenção militar. Afirmo que não estamos em 64 quando os militares “escolheram intervir”. Estamos em 2014; não vai haver escolha. Não existe isso de “na hora H dar aumento aos generais, de comprar caças, ou submarinos nucleares”..Enquanto eu escrevo essas linhas, algum soldado do pelotão de fronteira da Amazônia teve que pescar a própria comida e não adianta romantizar pensando que isso faz parte do seu treinamento. Não faz! A guarnição está sem comida! Amanhã, sexta-feira, em todo Brasil várias unidades militares vão funcionar em meio expediente. Não há comida no rancho para o almoço da tropa.
Essa é, portanto, a primeira grande diferença. A segunda é que os comandantes das forças armadas, mesmo considerando a hierarquia e a disciplina, não representam o que pensam a tropa e os oficiais intermediários. Excluída portanto a hipótese da intervenção partir desses oficiais generais que estão aí. Ela virá de patentes mais baixas no contexto do caos que mais cedo ou mais tarde vai tomar conta do Brasil.
Naquilo que se refere ao impeachment digo de saída que parte-se de um erro gravíssimo: considera-se o PT um partido que, no governo, há de se curvar à lei, ou seja, uma vez aprovado o impeachment, ele sai do poder como saiu Collor de Melo em 92. Aqui outra grande diferença – não estamos em 92 e o PT não é Collor. O PT não dá a mínima para Lei e para o Estado de Direito. Ele é uma organização criminosa associada ao narcotráfico que usa da Constituição se ela lhe serve. Caso contrário; rasga a Carta Maior da nação sem problema algum. O impeachment, e a própria vitória da oposição ontem no Congresso, teriam mais chances se Aécio Neves, depois de ter tido sua vitória roubada, estivesse nas ruas – de preferência em São Paulo – desde o dia 15 de novembro. Ele teve 51 milhões de votos mas não parece disposto a representar a sociedade numa derrubada do PT através do impeachment.
Depois de considerações tão pessimistas, alguém pode perguntar: qual seu objetivo com o artigo? Respondo em uma frase só: impedir confusão nas ruas entre dois grupos que querem o FIM do PT no Brasil. Peço mais uma vez que não se expulsem das manifestações aqueles que falam em intervenção. Se o fizerem; não estarei junto. Ou vamos todos às ruas dispostos a berrar que queremos o PT fora do Governo de QUALQUER MANEIRA, ou não vamos!
Meus amigos, mais uma vez eu escrevo que caminhamos todos, dia após dia, em direção ao caos. Acredito que estão surgindo as condições do impeachment, acredito que ele virá e acredito ainda que a resposta do PT há de convencer toda nação de que ele precisará ser corrido do governo pela força das armas. Não é hora de atacar quem fala em intervenção militar..não é hora sequer de pensar que o comando das Forças Armadas fala em nome da tropa. Ele fala em nome do PT !
Mais cedo ou mais tarde quem quer impeachment e quem quer intervenção vai, em função do caos, se unir.....Será o momento do Ponto de Fusão..

Porto Alegre, 4 de dezembro de 2014. 

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