"O maior inimigo da autoridade é o desprezo e a maneira mais segura de solapá-la é o riso." (Hannah Arendt 1906-1975)

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

DEFESA DE CERVERÓ COLOCA OS POLÍTICOS NO CENTRO DA INVESTIGAÇÃO DO PETROLÃO

SÃO PAULO - A defesa do doleiro Alberto Youssef pediu a nulidade das escutas telefônicas que embasam a Operação Lava-Jato, a reunião de todas as ações penais num único processo, por serem fatos interligados, e afirmou que políticos e agentes públicos foram os maiores responsáveis pelo esquema que desviou fabulosas quantias dos cofres da Petrobras. O advogado Antonio Figueiredo Basto, que defende o doleiro, reuniu num organograma todas as obras e pagamentos de propinas feitos pelas cinco empreiteiras já denunciadas pela força-tarefa do Ministério Público Federal. De acordo com o documento, as obras somaram R$ 34,7 bilhões e apenas a propina da diretoria de Abastecimento, que passava por Alberto Youssef e Paulo Roberto Costa, atinge R$ 244 milhões.
Segundo a defesa, o “conluio entre políticos e empreiteiras” ocorreu sem a participação de Youssef. “Não é preciso grandes malabarismos intelectuais para reconhecer que o domínio da organização criminosa estava nas mãos de agentes políticos... “, diz o documento.
Os advogados dizem que a participação de Youssef foi “subsidiária às ordens de agentes políticos e públicos”, que foram os maiores responsáveis pelo esquema que desviou fabulosas quantias dos cofres da Petrobras com objetivo de manter um projeto de poder bem definido: vontade de submeter partidos, corromper ideias e subverter a ordem constitucional. Afirmam ainda que este projeto não é novo e “restou provado” no julgamento do Mensalão. A diferença entre Mensalão e Lava-Jato, acrescentam, é que o caso atual é “superlativo quer pelo requinte dos malfeitos quer pela audácia e desmedida ganância dos agentes políticos”.
Os advogados afirmam que a condição de réu colaborador da Justiça não impede Youssef de se defender e que a delação, que foi feita de forma espontânea, voluntária e sem qualquer tipo de coação, não é motivo de “desonra”. Dizem que os demais acusados e investigados “agem como crianças que desejam uma coisa, mas não suas consequências” ao pedir a anulação do acordo de delação. Para eles, cientes do poderio econômico, eles ameaçam o Judiciário com um troco: “Hoje condenado, amanhã faço a lei”.
Para a defesa de Youssef, os demais acusados tentam desviar o foco da investigação e fazer crer que a “imoralidade não está na trapaça, na afanação do dinheiro público, afinal tudo é permitido se não for descoberto, mas na colaboração com a justiça”.
Os advogados pedem a nulidade da escuta com base na continuidade dela por mais de um período, sem que houvesse um fato concreto a investigar. Para eles, a falta de clareza do objeto a ser investigado, com o encontro de fatos fortuitos, torna as escutas da Polícia Federais ilegais, o que deve levar todas as demais provas colhidas durante a Lava-Jato a serem também ilegais.
Os advogados pedem ainda a anulação dos despachos do juiz Sérgio Moro, da 13ª Vara Federal de Curitiba, que marcou as audiências de testemunhas de acusação para o início de fevereiro, porque foi o documento foi assinado antes da apresentação da resposta da defesa. Pedem ainda que os documentos sejam ordenados na ação penal, uma vez que estão espalhados nas várias que estão em andamento na Justiça Federal do Paraná e tiveram como base a Operação Lava Jato.

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