"O maior inimigo da autoridade é o desprezo e a maneira mais segura de solapá-la é o riso." (Hannah Arendt 1906-1975)

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

JUNHO DE 2014 - "Consultora" do Ministério da Saúde é presa pela PF por corrupção em MS

Uma consultora terceirizada do Ministério da Saúde foi presa em flagrante nesta segunda-feira (16) pela PF (Polícia Federal) em Campo Grande recebendo propina de R$ 100 mil para "acelerar" a liberação de R$ 2,6 milhões para um hospital na capital do Mato Grosso do Sul.Roberlayne Patrícia Alves, 28, atua há três anos na função e foi indiciada por corrupção passiva e lavagem de dinheiro.
A imprensa não teve acesso à detida, apenas a uma advogada, que não se pronunciou sobre o caso. Já o Ministério da Saúde, por meio de comunicado, confirmou que Roberlayne era de uma empresa terceirizada, que já havia sido demitida e que uma sindicância foi aberta.

Investigação

De acordo com a PF, o diretor do Hospital de Câncer Alfredo Abrão, Carlos Coimbra, foi a Brasília levar documentos na primeira quinzena de maio para a liberação do recurso, já livre para o repasse por meio de emendas parlamentares.

O hospital tinha direito a duas remessas: R$ 1 milhão para equipar o hospital e outra no valor de R$ 1,6 milhão para a compra de um aparelho de radioterapia, conhecido como acelerador linear.

Pela primeira liberação a consultora quis R$ 50 mil e, pela segunda, mais R$ 100 mil. O diretor do hospital retornou para Campo Grande e relatou o caso ao Ministério Público Estado, depois à PF.

No dia 21 de maio, a Justiça Federal determinou a quebra dos sigilos bancário e telefônica da consultora. Já combinado com a polícia, o diretor do hospital depositou R$ 50 mil na conta indicada por Roberlayne. O dinheiro caiu na conta do pai de um ex-namorado da consultora. O dinheiro, que segundo o diretor ainda não foi recuperado, saiu de sua própria conta, não do hospital.

Depois dessa operação, segundo a PF, o diretor disse à consultora que pagaria o restante da propina - R$ 100 mil - em Campo Grande. Na segunda-feira, perto das 22h, a prestadora de serviço do Ministério de Saúde chegou à cidade e foi direto para o hospital. A PF já havia preparado a sala com escutas e aparelhos de filmagem.

Enquanto diretor e consultora conversavam, policiais monitoravam o diálogo de um cômodo ao lado. Carlos Coimbra preencheu sete cheques no valor total de R$ 100 mil e entregou a Roberlayne, instante que os policiais entraram e a prenderam em flagrante.

De acordo com a delegada da PF Kelly Trindade a consultora disse que não tinha parceiros no esquema. Para extorquir o diretor ela afirmou que sabia de uma senha que dava poderes para apressar a liberação do dinheiro.
 
Até terça-feira (17) à noite, Roberlayne permanecia presa numa das celas da superintendência da PF em Campo Grande, mas a última informação é de que seria conduzida até o presídio feminino da cidade.

O hospital Alfredo Abrão, coordenado pela Fundação Carmem Prudente cuida de ao menos 200 pacientes com câncer diariamente e foi alvo de outra operação da PF, a Sangue Frio, que descobriu que a ex-diretoria cobrava do SUS (Sistema Único de Saúde) até por atendimento de pacientes já mortos.
COMENTÁRIO DO EDITOR - Pois é..nesse caso ninguém fala mais, né ??

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