"O maior inimigo da autoridade é o desprezo e a maneira mais segura de solapá-la é o riso." (Hannah Arendt 1906-1975)

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

MARGINAIS DO MENSALÃO ENVOLVIDOS NA PETROBRAS

Youssef diz que José Dirceu e Palocci sabiam da propina na Petrobras.

Doleiro relatou em delação premiada que ex-dirigente petista usou jatinho do lobista Julio Camargo.

Youssef diz que José Dirceu e Palocci sabiam da propina na Petrobras | Foto: Montagem sobre fotos de Evaristo Sa e Antônio Cruz / AFP / ABr / CP Memória

Youssef diz que José Dirceu e Palocci sabiam da propina na Petrobras | Foto: Montagem sobre fotos de Evaristo Sa e Antônio Cruz / AFP / ABr / CP Memória
Em depoimento à Polícia Federal, o doleiro Alberto Youssef disse que PP, PT e o ex-diretor de Serviços da Petrobras Renato Duque receberam dinheiro de um dos investigados na Operação Lava Jato. As declarações prestadas em outubro do ano passado foram divulgadas após decisão do juiz federal Sergio Moro de retirar o sigilo dos depoimentos dados em acordo de delação premiada. Conforme Youssef, o lobista Julio Camargo possuía ligações com o PT, notadamente com José Dirceu e Antonio Palocci.

Segundo o doleiro, o lobista tinha uma pessoa que era responsável pela contabilidade das propinas operadas por ele na Petrobras, em nome de empreiteiras do cartel. Trata-se de Franco Clemente Pinto. "Franco é homem de confiança de Julio Camargo e o responsável pela contabilidade de pagamentos ilícitos a título de propina e caixa 2", afirmou Youssef. Segundo o doleiro, Franco armazenava toda movimentação de propina em um "pen drive" acessado com senha.

"Eram utilizadas siglas em tal contabilidade ilícita", explicou o doleiro. "A de José Dirce era 'Bob'." Youssef diz ter visto várias vezes o registro de contabilidade. O doleiro afirmou não saber sobre valores que teriam sido repassados a Dirceu, mas contou que o ex-ministro, depois de deixar o governo Luiz Inácio Lula da Silva, utilizou o jato Citation Excel que pertence a Camargo. "Não sabe dizer quantas vezes o avião foi utilizado por José Dirceu e nem a razão do uso. Mas pode afirmar que Julio Camargo e José Dirceu são amigos", registraram os investigadores da Lava Jato no termo de delação 11 do doleiro. Os advogados que defendem Dirceu e Palocci foram procurados, mas ainda não se manifestaram.

Permanecem sob sigilo as partes dos depoimentos que envolvem autoridades protegidas por foro privilegiado. Youssef disse que entregou dinheiro em dois escritórios do consultor Júlio Camargo, em São Paulo e no Rio de Janeiro, após trazer para o Brasil valores enviados por Camargo ao exterior. De acordo com o doleiro, antes de repassar o dinheiro ao consultor, "retinha o percentual devido ao PP", a Paulo Roberto Costa e a João Claudio Genu, ex-assessor do PP]".

SegundoYoussef, o dinheiro entregue no escritório de Camargo em São Paulo "servia para pagamentos da Camargo Corrêa e Mitsui Toyo ao Partido dos Trabalhadores, sendo que as pessoas indicadas para efetivar os pagamentos à época eram João Vaccari e José Dirceu."  Para justificar as acusações, o doleiro disse ter "convicção de que os valores eram destinados ao Partido dos Trabalhadores e à diretoria de Serviços da Petrobras, na pessoa de Renato Duque". Ele disse que a entrega de dinheiro nos escritórios de Camargo ocorreu entre meados de 2005 a meados de 2012. O valor operado foi R$ 27 milhões.

Sobre as entregas no escritório de Júlio Camargo no Rio, Youssef afirmou que eram "pagamentos devidos ao Renato Duque e, provavelmente, a outros empregados da diretoria de Engenharia e Serviços, referente a comissionamentos das obras feitas pela Camargo Corrêa e a Mitsui Yoyo". Segundo o doleiro, um dos funcionários era Pedro Barusco, que também fez acordo de delação premiada.

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