"O maior inimigo da autoridade é o desprezo e a maneira mais segura de solapá-la é o riso." (Hannah Arendt 1906-1975)

quinta-feira, 30 de abril de 2015

Carta do Trabalhador ao Partido que Não Trabalha.


Milton Pires

No dia primeiro de maio de 1886, em Chicago, Estados Unidos, um grupo de sindicalistas, reformadores, anarquistas, socialistas e aquilo que hoje a história chama de “trabalhadores comuns” tomou as ruas da cidade. O movimento não era local nem regional. Em todo país lutava-se, entre outras coisas (mas principalmente) por uma jornada diária de trabalho de 8 horas. Três dias depois, na chamada Haymarket Square da mesma cidade, eclodiu um conflito entre operários e policiais que faria a confusão de ontem em Curitiba parecer bobagem.
É curioso observar, como através do tempo, muda-se o significado da História e dos seus fatos principais conforme a vontade de quem faz o discurso. Dia do Trabalhador hoje, no Brasil, passou a significar algo muito diferente daquilo que se pedia em 1886. A distância é tão grande que até mesmo a definição do evento menciona (como vocês viram acima) a presença de “trabalhadores comuns” entre os manifestantes de Chicago, não é?
Eu fico aqui pensando: quem seriam hoje, no Brasil, esses trabalhadores “comuns” e me atrevo, eu mesmo, a responder – trabalhadores “comuns” no nosso país são 99,9% dos brasileiros ! São a maioria gigantesca da nossa população que amanhã, se Deus quiser, NÃO vai estar nas ruas misturada com a ralé da esquerda brasileira...são os médicos que vão estar atendendo em emergências imundas do SUS, são policiais que vão estar trocando tiros com traficantes que trouxeram para o nosso país a cocaína das FARC, são professores que vivem com salário de fome e não cobrem o rosto para invadir a Assembleia Legislativa em Curitiba ! Eles, junto com milhões de operários, caminhoneiros, lavradores, faxineiras, garis...eles e tantos outros que começaram, desde crianças, a ajudar a sustentar suas famílias JAMAIS precisaram de sindicalistas alcoólatras, de guerrilheiras que assaltam bancos nem de padres comunistas para saber quais são, em primeiro lugar, os deveres de um trabalhador e, em decorrência deles, quais os direitos que lhes são devidos.
Não sou “getulista”. Não tenho idade para ter visto o Governo dele. Não o tenho como ídolo nem como vilão mas conheço história – foi com ele, e mais ninguém, que se construiu a luta pelos direitos dos trabalhadores nessa Nação. Getúlio Vargas pode ser acusado de qualquer coisa; menos de ter sido “comunista”. Causa nojo ver o PT apresentar-se como um partido dos “trabalhadores”. Causa espécie ver essa elite que compra deputados, que mata prefeitos, que destrói a PETROBRAS, que corrompe a nossa infância dizer-se representante daqueles que construíram e que sustentam esse país.
Soube que amanhã Dilma não vai discursar em cadeia nacional de televisão. Que ironia ! Uma presidente inventada por um sindicalista quase analfabeto, uma “combatente pela democracia” (como ela gosta de se dizer) dos anos 60 e 70 ter tanto medo de um panelaço nacional que precise limitar-se às redes sociais para dirigir-se ao Brasil. A solução que ofereço aqui é simples: dirija-se aos trabalhadores cubanos, presidente Dilma! Foi dinheiro gerado pelos brasileiros que a senhora entregou, através de empréstimos que até agora tem seus termos mantidos em segredo, para eles reformarem seus portos e aeroportos ! Cumprimente os trabalhadores da Bolívia – país cuja dívida a senhora e seus asseclas perdoaram ! Fale ao povo do Território Palestino – seu ex-ministro e traidor da profissão médica, Alexandre Padilha, empenhou-se em construir centros de tratamento e diagnóstico lá enquanto nossos pacientes morrem no chão ! Se a senhora e seus comparsas disserem que assim escrevo por pertencer a uma elite, que assim a ataco por “ser médico”, lembre-se que foram vocês petralhas que passaram a nos chamar de “trabalhadores da saúde” como todos os outros ! Encerro, pois, dizendo que aqui não é o médico nem o cidadão que a vocês se dirige agora – é o pagador de impostos, é mais um “trabalhador” brasileiro que nesse primeiro de maio tem, como a gigantesca maioria da nossa sociedade, o mesmo orgulho de ser trabalhador e, graças a escória do Partido de vocês, cada vez mais VERGONHA de ser brasileiro ! Quando a História se referir aos petistas, poderá dizer que fizeram qualquer coisa; menos trabalhar de verdade !

Porto Alegre, 30 de abril de 2015. 

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