"O maior inimigo da autoridade é o desprezo e a maneira mais segura de solapá-la é o riso." (Hannah Arendt 1906-1975)

quarta-feira, 18 de maio de 2016

PETRALHAS DO GRUPO HOSPITALAR CONCEIÇÃO FAZEM A SUA "CAMINHADA FINAL" DEFENDENDO O ABANDONO DOS DOENTES MENTAIS.

18.05.2016
SAÚDE MENTAL

GHC participa do Dia Nacional da Luta Antimanicomial
Em alusão a data, Centros de Atenção Psicossocial da instituição apresentaram peças de teatro e participam da feira comunitária organizada pela RAPS


Cerca de 400 pessoas, entre elas gestores e trabalhadores do Grupo Hospitalar Conceição (GHC), participaram, nesta quarta-feira, 18 de maio, da 1ª Caminhada da Rede de Atenção Psicossocial de Porto Alegre. O percurso foi da Esquina Democrática até a Rua Sarmento Leite, na praça Professor Saint-Pastous, onde mais tarde ocorreu oficinas de música, meditação, ginástica e terapia, além de rodas de conversa sobre saúde mental e novos modelos de cuidado. Uma feira comunitária também fez parte da programação, comercializando produtos feitos em atividades terapêuticas e de geração de renda.

O evento marcou o Dia Nacional da Luta Antimanicomial e do Enfrentamento à Violência e Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes e foi promovido pela Secretaria Municipal da Saúde em parceria com a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), com o objetivo de tratar temas delicados da saúde de uma forma lúdica, que cative a sociedade.

A diretora-superintendente do GHC, Sandra Fagundes, que foi coordenadora de Saúde Mental do Estado de 1987 a 1991, compareceu ao evento e lembrou os avanços da Reforma Psiquiátrica nos últimos anos, como a criação dos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), do Fórum de Saúde Mental e das leis Estadual e Nacional de Reforma psiquiátrica, que hoje são ferramentas importantes aos trabalhadores implicados ética, política e tecnicamente com o cuidado com a saúde mental dos pacientes.

Durante a caminhada, manifestantes expressaram por meio de placas e cantos a necessidade da Reforma Psiquiátrica. “A luta antimanicomial é uma maneira de dar direitos às pessoas, de dar voz e também ouvidos qualificados a quem precisa”, afirma Fernanda Francisca da Silva, que participa da Comissão do Conselho Regional de Psicologia. Para ela, é imprescindível que os pacientes sejam entendidos dentro de suas singularidades e tratados com amor e participação familiar e comunitária. Já a assistente social Vanessa Herman, residente da Escola de Saúde Pública, acredita que todo cidadão tem direito de ser livre e ter acesso a uma saúde pública com dignidade e humanidade, sem ficar preso contra sua vontade.

Segundo a assessora da diretoria do GHC Károl Cabral, a instituição reafirma o compromisso do SUS com a saúde mental, no sentido de colocar a serviço do município, especialmente a Zona Norte, serviços específicos nessa área. Há CAPS voltados à população infantil (CAPSi), a dependentes de álcool e drogas (CAPS AD III), que atende 24 horas, possibilitando um atendimento integral e contínuo a usuários em estado de crise ou pré-crise, além do CAPS II Adulto. Também há um Consultório de Rua que atende pessoas em estado de vulnerabilidade social e 12 postos de saúde, contando com 39 equipes de estratégia de saúde da família, que atendem de forma contínua e integral populações locais.


Creditos:
Lorenzo Leuck

NOTA DO EDITOR DO ATAQUE ABERTO - Deus me livre de ter o Sindicato Médico do RS como referência, mas para responder a esta IMUNDÍCIE do Grupo Hospitalar Conceição até matéria feita por eles (antigos companheiros dos marginais do GHC) serve. Nenhum destes VAGABUNDOS comunistas do "movimento antimanicomial" aceitaria ver um familiar seu em surto psicótico ser atendido numa imundície chamada Pronto Atendimento Cruzeiro do Sul e lutaria com "unhas e dentes" para que ele fosse internado, não é mesmo??? Foi esta mesma QUADRILHA que destruiu o Hospital São Pedro aqui em Porto Alegre e continua fazendo a mesma coisa em todo Brasil !!!

Com poucos psiquiatras, leitos e tratamentos, não há saúde mental no SUS

Pacientes no chão do superlotado plantão do PACS
Pacientes no chão do superlotado plantão do PACS
O caos nas políticas públicas para a saúde mental, com falta de leitos específicos e consultas com especialistas, pode ser calculado pela constante superlotação nas emergências psiquiátricas e suas salas de prontuários. Centenas de caixas se acumulam sem passar por digitalização, e algumas pastas de pacientes contêm outras centenas de papéis, mostrando as idas e vindas ao local. Uma prova da falta de resolutividade no tratamento psiquiátrico.
Prontuários se acumulam sem digitalização ou resolutividade
Prontuários se acumulam sem digitalização ou resolutividade
Em Porto Alegre, a psiquiatria já esteve entre as especialidades com maior fila de espera na saúde pública. Com apenas 35 médicos para todas as subespecialidades (adulto, pediátrica, dependência química), há um ano o jornal Zero Hora denunciou que pacientes estavam sendo encaminhados para médicos particulares nos postos da cidade. Na época, segundo a Secretaria Municipal de Saúde, a fila de espera pelo especialista somava 4 mil pessoas. O Sindicato Médico buscou repetidas vezes a informação atual com a pasta, mas não obteve retorno.

Prevenir na atenção primária

“Infelizmente as pessoas ficam muito tempo esperando pelas consultas. Poderia se resolver um grande número de casos na atenção primária, com prevenção nos primeiros atendimentos. Mas deveria haver maior número de profissionais. Tratar saúde mental é relativamente simples, basta a presença de psiquiatras, ou mesmo a supervisão junto a outros médicos, na atenção básica, encaminhando os pacientes a tratamento em continuidade, em princípio, ambulatorial. Só casos mais graves, em estado psicótico, deveriam ser internados em clínicas psiquiátricas”, avalia o psiquiatra Bruno Costa, diretor do SIMERS.
Bruno Costa
Bruno Costa
Ainda assim, a principal dificuldade se dá após a primeira consulta: dar a continuidade adequada ao tratamento. Se for constatada gravidade, o paciente pode ser encaminhado a uma equipe de saúde mental, disponível em oito postos da capital, para atendimento individual ou em grupo, ou para um Centro de Atenção Psicossocial (CAPS). Mas esses tratamentos ocorrem por tempo determinado, depois o paciente retorna ao início da fila, num ciclo muitas vezes sem fim, ou vai parar, em crise, nos dois plantões psiquiátricos da cidade: Pronto Atendimento Cruzeiro do Sul (PACS) ou Centro de Saúde IAPI.
“Não existe continuidade, há um tempo demasiadamente grande entre um consulta e outra e elas não costumam ser com o mesmo médico. O paciente precisa se abrir, muitas vezes sobre temas difíceis, dos quais já tem resistência a falar, com uma pessoa diferente toda a vez. Isso é um fator para o abandono do tratamento. Quando uma doença não tem tratamento, ela se agrava. Na saúde mental, isso tem consequências graves à própria vida do paciente e à vida em sociedade. Podem ser pessoas que vão acabar gerando verdadeiras tragédias e problemas sociais”, alerta Costa. “É preciso que esse paciente tenha acompanhamento, pois ele precisa de assistência maior na fase aguda da doença.”
Roberta Grudtner
Roberta Grudtner
Para a também psiquiatra e diretora do SIMERS Roberta Grudtner, a estrutura atual para a saúde mental não é eficiente. “Os CAPS AD (Álcool e Drogas) sequer exigem psiquiatras. Existe uma resistência em encaminhar o doente para hospital psiquiátrico, e leitos em hospital geral são abertos, não servem para quem está em risco. Os consultórios de rua, que poderiam ser porta de entrada para o sistema de saúde, também não funcionam, pois faltam psiquiatras e sobra preconceito”, pontua.

Flagrantes de superlotação

A principal dificuldade enfrentada nas emergências em saúde mental é a falta de oferta de leitos psiquiátricos na rede pública, o que represa no pronto-atendimento. Embora Porto Alegre conte com um hospital psiquiátrico, o São Pedro, ele recebe prioritariamente pacientes do interior, por ser de gestão estadual. “Não existe uma integração de gestão adequada”, decreta Bruno Costa.
Poltrona vira leito no plantão do IAPI
Poltrona vira leito no plantão do IAPI
Neste ano, apenas em janeiro, o SIMERS já constatou superlotação tanto no Postão da Cruzeiroquanto do IAPI. O presidente do Sindicato, Paulo de Argollo Mendes, anunciou que vai responsabilizar criminalmente o prefeito da capital, José Fortunati, por permitir essa situação enquanto o Hospital Parque Belém está com quase todos seus 250 leitos desocupados, inclusive para a saúde mental. “Constatamos um desrespeito aos direitos humanos, com as pessoas amontoadas por falta de leitos hospitalares para serem encaminhadas. Além disso, verificamos que há problemas com o transporte da Central de Regulação, pois alguns pacientes já conseguiram vagas, mas não conseguem ser transferidos”, disse o presidente do SIMERS após observar pacientes no chão do PACS e deitados em poltronas no IAPI.
Argollo denuncia descaso do município com a saúde mental
Argollo denuncia descaso do município com a saúde mental

Realidade nacional

A falta de uma política eficaz para o tratamento psiquiátrico não é exclusividade de Porto Alegre, nem prejudica apenas a vida do doente. As dificuldades se espalham por todo o Brasil e levam sofrimento a todos ao redor do paciente. Amigos e parentes ficam apreensivos, aguardando uma nova crise para conseguirem receber a atenção do SUS. Alguns casos terminam em tragédia, como a morte do menino indígena de 2 anos, no final de 2015, na rodoviária de Imbituba (SC). O acusado pelo crime é um jovem desajustado de 23 anos, rejeitado pelos pais e obcecado por temas mórbidos, que tentava uma consulta com psiquiatra na rede pública após já ter passado por atendimento em CAPS.
Germano Bonow
Germano Bonow
“Nos últimos anos, foram fechados 90 mil leitos psiquiátricos no País. Hoje, são pouco mais de 30 mil. Enquanto isso, a população cresceu o equivalente a uma Argentina, em 40 milhões. Será que colocamos à disposição da nossa população os vários métodos alternativos necessários – como residência terapêutica e CAPS?”, questiona o diretor do Sindicato Germano Bonow. A resposta é o agravamento do problema, indo na contramão, inclusive, da crescente epidemia de crack. Boa parte dos pacientes que represam nas emergências é de dependentes químicos.

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