"O maior inimigo da autoridade é o desprezo e a maneira mais segura de solapá-la é o riso." (Hannah Arendt 1906-1975)

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

17 de Fevereiro de 1600: Giordano Bruno é queimado vivo no Campo de' Fiori em Roma, acusado de heresia.

17 de Fevereiro de 1600: Giordano Bruno é queimado vivo no Campo de' Fiori em Roma, acusado de heresia.: No dia 17 de Fevereiro de 1600, Giordano Bruno foi queimado vivo no Campo de Fiori, em Roma, onde é relembrado desde 1899 com um monumento.



Ao contrário de Galileu Galilei, Bruno negou-se a refutar a teoria do astrónomo alemão Johannes Kepler (1571–1630) de que a Terra girava em torno do Sol. Além disso, por ser padre e teólogo, as suas heresias e dúvidas, em relação à Santíssima Trindade, por exemplo, partiam de dentro da Igreja e foram interpretadas como um acto de insubordinação ao papa.
Nascido numa família da nobreza de Nola (próximo ao Vesúvio) em 1548, inicialmente chamava-se Fellipo Bruno. Aos 13 anos, começou a estudar Humanidades, Lógica e Dialéctica em Nápoles, no mesmo convento em que São Tomás de Aquino vivera e ensinara.
Em 1565, aos 17 anos, recebeu o hábito de dominicano, ocasião em que mudou o nome para Giordano. Ordenado sacerdote em 1572, continuou os seus estudos de Teologia no convento, concluindo-os em 1575.
A sua vida académica foi marcada pela fuga constante das autoridades eclesiásticas. Leccionou em Nápoles, Roma, Génova, Turim, Veneza, Pádua e Londres, antes de se mudar para Paris em 1584. Passou o período de 1586 a 1591 em Praga e nas cidades alemãs de Marburg, Wittenberg, Frankfurt e Helmstedt, onde escreveu a que é considerada sua principal obra: Sobre a associação de imagens, os signos e as ideias.
Apesar das advertências de amigos, voltou para a Itália em 1591, convicto de que na liberal Veneza não cairia nas garras da Inquisição. Mas logo foi preso e levado para Roma, onde passou os seus últimos anos na prisão.
Giordano Bruno teria caído numa armadilha ao retornar a Itália. Na Feira do Livro de Frankfurt de 1590, uma dupla de livreiros ao serviço do nobre veneziano Giovanni Mocenigo, tê-lo-ia convidado a ir para Veneza ensinar Mnemotécnica, a arte de desenvolver a memória, na qual era um perito. Pouco depois do seu regresso, desentendeu-se com Mocenigo, que o trancou num quarto e chamou os agentes da Inquisição.
Encarcerado na prisão de San Castello no dia 26 de Maio de 1592, o seu julgamento começou em Veneza, foi transferido para Roma em 1593 e chegou à fase final na primavera europeia de 1599. Durante os sete anos do processo romano, Bruno negou qualquer interesse particular em questões teológicas e reafirmou o carácter filosófico das suas especulações.
Essa defesa não satisfez os inquisidores, que pediram uma retratação incondicional de suas teorias. Como se mantivesse irredutível, foi condenado devido à sua doutrina teológica de que Jesus Cristo era apenas um mágico de habilidade incomum, que o Espírito Santo era a alma do mundo e que o demónio seria salvo um dia.
Ao ouvir sua sentença, a 8 de Fevereiro de 1600, teria dito aos juízes: "Vocês pronunciam esta sentença contra mim com um medo maior do que eu sinto ao recebê-la".
A Congregação do Santo Ofício, presidida pelo papa Clemente VIII (1592–1605), ainda concedeu ao "herege impertinente e pertinaz" oito dias de clemência para um eventual arrependimento.
A capitulação de Bruno teria um forte efeito propagandístico num ano da "graça" como o de 1600. Mas ele preferiu enfrentar a pena de morte a renegar as suas ideias. Os seus trabalhos foram publicados no Índex em Agosto de 1603 e só foram liberados pela censura do Vaticano em 1948.
Segundo os historiadores, Giordano Bruno prestou uma contribuição intelectual decisiva para acabar de vez com a Idade Média. Morto aos 52 anos, tornou-se um mártir do livre pensamento. Ele foi vítima da intolerância religiosa típica da chamada Contrarreforma, a batalha travada pela Igreja Católica contra a Igreja Reformada.
O martírio de Giordano Bruno em 1600, seguido do julgamento de GalileouGalilei em 1616, abriu um fosso de desconfiança entre a ciência e a religião.
Fontes: DW
wikipedia (imagens)





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Retrato de Giordano Bruno


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O Julgamento de Giordano Bruno pela Inquisição, obra de  Ettore Ferrari


Monumento em homenagem a Giordano Bruno



Um comentário:

  1. 1600

    Giordano Bruno é queimado vivo em Roma, condenado por heresia. Ele havia ousado definir o Universo como infinito e admitido a hipótese da existência de formas de vida fora da Terra. Era demais para a Igreja. Depois de 8 anos de processo, durante os quais lhe são arrancadas confissões, sob tortura, ele é condenado à morte como “herege obstinado e ímpio”. Ele se defende tentando mostrar que as suas idéias não estão em contradição com as doutrinas cristãs, mas em vão. Ele foi queimado vivo, em público, em Roma, no Campo dei Fiori. Tiveram o cuidado de lhe CORTAR A LÍNGUA antes de o enviar ao local da execução, para evitar todo o risco de que as suas palavras emocionassem a multidão que veio assistir ao espetáculo.

    É interessante notar que, no caso de Galileu, a Igreja Católica expressou o seu arrependimento no fim do séc. XX, com a sua reabilitação em 1992, mas nunca se arrependeu da execução de Bruno. Pelo contrário, ela se opôs com veemência à instalação duma estátua de Giordano Bruno, em 1889. Em 1929, o papa pediu a Mussolini para que destruísse essa estátua, antes de canonizar e depois nomear “Doutor da Igreja” o cardeal Roberto Bellarmino, acusador de Giordano Bruno.

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