"O maior inimigo da autoridade é o desprezo e a maneira mais segura de solapá-la é o riso." (Hannah Arendt 1906-1975)

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

TERRORISTA ITALIANO, CESARE BATTISTI, PEDE REMÉDIO AO SUS NO BRASIL

Acusado de terrorismo italiano vive perto de nós: Battisti mora em Rio Preto
Reportagem revela que Cesare Battisti se casou e leva vida pacata em bairro. Ele pediu remédio ao SUS
Publicado em: 22 de fevereiro de 2017 às 13:40



(Allan de Abreu , colaborou Vinicius Marques- Diário da Região)

Qualificado de terrorista pelo governo italiano, Cesare Battisti, 62 anos, mora em Rio Preto. Ele e a mulher Priscila, rio-pretense, mudaram-se para a cidade há pouco menos de um mês para que o ex-militante comunista, condenado à prisão perpétua por quatro assassinatos na Itália nos anos 70, faça um tratamento contra a hepatite C.Battisti tem passado por consultas periódicas na Unidade Básica de Saúde (UBS) do Jardim Americano. Ele deseja conseguir, via SUS, tratamento à base de três medicamentos: sofosbuvir, daclatasvir e simeprevir.

O problema é o alto custo do tratamento completo, de três meses, avaliado em R$ 330 mil. Por ironia, Battisti, a mulher e o filho de três anos moram em uma casa simples a pouco mais de cem metros da delegacia da Polícia Federal, no bairro Jardim Municipal. A mesma PF que o prendeu duas vezes, a última em 2015. Na garagem do imóvel alugado fica estacionado o veículo do casal, um Chevrolet Prisma, em nome de Battisti, com placa de Embu das Artes, na Grande SP, cidade onde o italiano morava antes de se mudar para Rio Preto.

Segundo os vizinhos, o casal leva uma vida discreta. Priscila trabalha fora e Battisti fica a maior parte do tempo dentro de casa. Só costuma sair para levar e buscar o filho pequeno em uma creche a poucas quadras de distância. “Eles não falam com ninguém, são muito na deles”, diz um morador próximo. Battisti viveu por dez anos em união estável com outra brasileira, Joice Lima, no litoral paulista. Eles se casaram em 2015, em cerimônia discreta. Mas, em maio do ano passado, um exame de DNA confirmou um filho do italiano com a rio-pretense Priscila.

A reportagem solicitou uma entrevista a Battisti. Mas, segundo sua atual mulher, ele não quer falar. “Ele não pode dar declarações, principalmente sobre política”, disse Priscila. O motivo do silêncio pode estar na Justiça. Em março de 2015, quando morava em Embu das Artes, o ex-militante chegou a ser preso pela PF após a juíza Adverci Rates Mendes de Abreu, do Distrito Federal anular o ato de permanência de Battisti no Brasil e decretar sua deportação para a França, seu último país.

Após quatro dias na prisão, o italiano foi solto graças a um habeas corpus, e desde então aguarda o julgamento do recurso em liberdade. A decisão da juíza não conflita com a do Supremo Tribunal Federal (STF), que em 2009 acatou pedido de extradição feito pelo governo italiano - no ano seguinte, porém, o então presidente Lula negou a extradição, e Battisti segue no Brasil. “A extradição difere da deportação.

A primeira depende de uma requisição do país de origem, tramita necessariamente na Justiça e, no caso de Battisti, está encerrada, enquanto a segunda é uma decisão administrativa contra estrangeiros que vivem irregularmente no País”, explica George Augusto Niaradi, presidente da Comissão de Relações Internacionais da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) em São Paulo. O fato de Battisti ter um filho brasileiro não influencia em uma possível deportação, segundo Niaradi. Mas, uma vez no exterior, Battisti pode solicitar o reingresso no País, com base no conceito jurídico de reunião familiar.

Battisti vive no Brasil há 13 anos

Pode-se dizer tudo de Cesare Battisti, menos que teve uma vida monótona. Nascido em uma pequena cidade próxima a Roma, Battisti militou no Partido Comunista Italiano já na juventude. Na década de 70, no entanto, mergulhou na luta armada da organização Proletários Armados do Comunismo (PAC). Em 1978 e 79, a organização assassinou quatro italianos, entre eles um policial, um agente penitenciário e um militante do fascismo. No fim de 1979, Battisti foi preso por roubo e participação em grupo armado, mas fugiu da cadeia dois anos depois e se refugiou na França.

Alguns anos mais tarde, integrantes do PAC fizeram delação premiada e apontaram o envolvimento direto de Battisti nos quatro homicídios. Mesmo foragido, o ex-militante foi condenado à prisão perpétua, com restrição ao banho de sol - ele sempre negou participação nesses crimes. Em 2004, a Justiça da França determinou a extradição de Battisti, mas à época ele já não estava mais no país. Havia fugido para o Brasil, onde passou a viver na clandestinidade até ser preso, três anos mais tarde, pela Polícia Federal no Rio de Janeiro.

Foram três anos na Penitenciária da Papuda, em Brasília, à espera de julgamento, pelo STF, do pedido de extradição enviado pelo governo italiano. O Supremo concordou com a extradição, mas o então presidente Lula, a quem caberia a última palavra, vetou a medida. A decisão foi duramente criticada pelo governo e pela imprensa do país europeu. Battisti é autor de três livros publicados no Brasil, entre eles “Minha fuga sem fim.”

FONTE DA MATÉRIA VOTUPORANGA TUDODIÁRIO DA REGIÃO

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