"O maior inimigo da autoridade é o desprezo e a maneira mais segura de solapá-la é o riso." (Hannah Arendt 1906-1975)

quarta-feira, 1 de março de 2017

A TEORIA DA ESPIRAL DO SILÊNCIO


Elisabeth Noelle-Neumann (1916 – 2010)

Por Gabriella Porto

O termo “espiral do silêncio” foi amoedado pela filósofa e política alemã Elisabeth Noelle-Neumann, com o objetivo de explicar a razão pela qual as pessoas permanecem, em muitos casos, silenciosas quando têm a quase sempre falsa sensação de que a suas opiniões e filosofias, visão de mundo, concepção do mundo, ou sua ideia geral da organização do cosmos de acordo com as descobertas científicas ou até mesmo o seu conjunto de intuições estão em minoria.

A teoria começou a ser estudada na década de 60, com base nas pesquisas sobre efeitos dos meios de comunicação em massa sobre a população. O modelo do conceito de "espiral do silêncio" de Noelle-Neumann baseia-se em três premissas:

As pessoas têm uma intuição ou um sexto-sentido que lhes permite saber qual a tendência da opinião pública, mesmo sem ter acesso a sondagens;

As pessoas têm medo de serem isoladas socialmente, e sabem qual o tipo de comportamento que poderá contribuir para esse isolamento social, tendendo a evitá-lo;

As pessoas apresentam reticências ou até medo em expressar as suas opiniões minoritárias, por terem receio de sofrer o isolamento da sociedade ou do círculo social próximo. Quanto mais uma pessoa acredita que a sua opinião sobre um determinado assunto está mais próxima da opinião pública julgada majoritária, maior probabilidade existe que essa pessoa expresse a sua opinião em público. Então, e se a opinião pública mudar, essa pessoa reconhecerá que a sua opinião não coincide já com a opinião da maioria, e por isso terá menos vontade de expressá-la publicamente. À medida que a distância entre a opinião dessa pessoa e a opinião pública aumenta, aumenta também a probabilidade de essa pessoa se calar e de se autocensurar. Os meios de comunicação de massa são um fator essencial de estabelecimento da “espiral do silêncio”, na medida em que formatam a opinião pública. Perante uma opinião pública formatada, as pessoas que não concordam com a mundividência politicamente correta, emanada da comunicação social, entram em “espiral do silêncio” muitas vezes constituindo uma “maioria silenciosa”. Daí o termo.

O resultado é um processo em espiral que incita os indivíduos a perceberem as mudanças de opinião e a segui-las até que uma opinião se estabeleça como atitude prevalecente, enquanto as outras opiniões são rejeitadas ou evitadas por quase todos. Nessa teoria o importante são as opiniões dominantes, e estas tendem a se refletir nos meios. Sobre essa teoria é importante lembrar que existe um isolamento dos indivíduos no silêncio, quando estes têm opiniões diferentes das veiculadas pela mídia. A Teoria do Espiral do Silêncio ajuda a entender como a mídia funciona em relação à opinião pública e silencia suas ideias, através de três mecanismos pelos quais a teoria influencia a mídia sobre o público: Acumulação, que se refere ao excesso de exposição de determinados temas na mídia; a consonância, que se refere à forma semelhante como as notícias são produzidas e veiculadas e finalmente a Ubiqüidade, que se refere à presença da mídia em todos os lugares.

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