"O maior inimigo da autoridade é o desprezo e a maneira mais segura de solapá-la é o riso." (Hannah Arendt 1906-1975)

terça-feira, 21 de março de 2017

Blairo Maggi teve a PF na Próprio MINISTÉRIO e agora Acusa a Polícia de ser "Idiota" e de fabricar "Fantasias"


Ministro da Agricultura vê “fantasias” e “idiotices” da PF em conclusões da Carne 
Fraca
Blairo Maggi diz que a Polícia Federal demonstrou falta de conhecimento sobre as regras que regem o setor ao condenar, por exemplo, o uso de ácido ascórbico na mistura de alimentos, de papelão em lotes de frango e de carne de cabeça de porco

POR CONGRESSO EM FOCO

20/03/2017 07:56 


José Cruz/ABr

Blairo Maggi na entrevista coletiva em que criticou a "narrativa" da Polícia Federal sobre as irregularidades constatadas na Operação Carne Fraca



O Ministério da Agricultura atacou a forma com que a Polícia Federal divulgou as apurações da Operação Carne Fraca, que investiga esquema de pagamento de propina e liberação de produtos irregulares. Em entrevista coletiva no domingo (19), o ministro Blairo Maggi elevou o tom das críticas ao trabalho da PF após participar de reunião com o presidente Michel Temer e outros integrantes do governo para discutir os efeitos da operação.

Para Blairo, a “narrativa” da Polícia Federal ao divulgar as ações da Carne Fraca está cheia de “fantasias” e “idiotices”. A partir de agora, segundo ele, o ministério e a PF vão atuar juntos nas investigações. “Em função da narrativa é que se criou grande parte dos problemas que temos hoje”, afirmou.

O ministro disse que a PF demonstrou falta de conhecimento sobre as regras que regem o setor ao condenar, por exemplo, o uso de ácido ascórbico na mistura de alimentos, de papelão em lotes de frango e de carne de cabeça de porco.

“Essa questão do papelão, está claro no áudio que estão se falando de embalagens e não falando de misturar papelão na carne. Senão é uma idiotice, uma insanidade, para dizer a verdade. As empresas brasileiras investiram alguns milhões, milhões e milhões de dólares dos seus mercados, há mais de dez anos, para consolidar mercado, e aí você pega uma empresa que é exportadora e vai dizer que misturou papelão na carne? Pelo amor de Deus. Não dá para aceitar esse tipo de situação”, disse.

Blairo afirmou que “está escrito no regulamento” que a carne de cabeça de porco pode ser utilizada em embutidos, diferentemente do que informou a PF. Ele disse, ainda, que o ácido ascórbico, divulgado como cancerígeno, “é vitamina C e pode ser utilizado em processos”.

“A narrativa nos leva até a criar fantasias. Não estou dizendo que não tenha sentido a investigação. Com toda certeza tem. Quando estamos falando ‘fiquem tranquilos’ é porque a gente conhece a maior parte do nosso sistema, 99% dos produtores de alimentos fazem as coisas transparentes, fazem as coisas certas”, declarou o ministro.

Mercado

O ministro demonstrou preocupação com os efeitos negativos para a produção brasileira de carnes. No ano passado as exportações de frango e carne bovina somaram US$ 10,3 bilhões. O Brasil responde atualmente por 7% do mercado mundial de carnes. Ele afirmou que serão divulgados, nesta segunda-feira (20), o nome e dos dados das empresas citadas nas investigações e para quais países elas exportaram nos últimos dois meses. De acordo com o ministro, seis dos 21 frigoríficos investigados pela Carne Fraca exportaram produtos nos últimos 60 dias. As informações foram solicitadas pela China e pela União Europeia.

“Acho absolutamente natural que os países façam isso, estaremos prontos a responder a todos os países que se manifestarem. Temos que ser o mais transparentes possíveis nesse processo, dando as informações, de imediato, para que não restem dúvidas sobre a lisura do processo que o Brasil tem”. Blairo ainda anunciou aperto na fiscalização de 21 frigoríficos suspeitos e prometeu identificar os lotes vendidos por essas unidades.

“Carne Fraca”: PF fez busca e apreensão no gabinete de Blairo Maggi 


18 DE MARÇO DE 2017

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Imprensa ignorou a informação; ministro tirou licença de dez dias na quinta, um dia antes da maior operação da história da Polícia Federal



Por Alceu Luís Castilho

Mapa. Sigla do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Esplanada dos Ministérios, Bloco D, 8º Andar, sala 847, Brasilia/DF. Esse é o 19º endereço de uma lista de 71 alvos de busca e apreensão da Operação Carne Fraca, a maior da história da Polícia Federal, deflagrada ontem em sete Unidades da Federação, por decisão da 14º Vara da Justiça Federal, de Curitiba. Trata-se de uma das salas do Gabinete do Ministro (GM/Mapa) Blairo Maggi.

A informação está disponível na lista de prisões (temporária ou preventiva), conduções coercitivas e de diligências de buscas e apreensão divulgada ontem pela própria PF. Mas passou despercebida pela imprensa. O 71º e último item da lista de buscas e apreensão é o Mapa, sem endereço detalhado. Apesar da dupla menção, os jornais não publicaram notícias sobre a visita dos agentes ao ministério. Apenas registraram em imagens a presença no prédio (como fez a Folha), sem informar que o alvo era o gabinete.

Mas a sala 847 aparece especificamente no item 19. Nela trabalham alguns assessores do ministro. Entre eles os que trabalham na Assessoria Parlamentar (Aspar/GM), na Divisão de Relacionamento Político e Informações (DRPI/Aspar/GM) e na Divisão de Acompanhamento do Processo Legislativo (DAPL/Aspar/GM). A PF não informou o alvo exato. O chefe de gabinete, Coaraci Nogueira de Castilho, trabalha na sala 805. Maggi, na sala 806. No mesmo andar.

UMA LICENÇA PROVIDENCIAL


Maggi em Cuiabá, na noite de quinta-feira, um dia antes da Operação Carne Fraca (Foto: Gcom-MT/Mayke Toscano)

Blairo Maggi pediu licença de dez dias na quinta-feira, um dia antes da operação. Alegou que precisava cuidar de assuntos particulares, como fazer visitas a suas fazendas – o ministro é um dos maiores produtores de soja e milho do mundo. Na noite desse dia 16 de março ele estava no Palácio Paiaguás, em Cuiabá, na cerimônia de lançamento dos programas Criança Feliz, da União, e Pró-Família, do governo estadual, o anfitrião do evento.

A licença do ministério foi anunciada nessa mesma noite, às 20h40, pelo próprio ministro, em sua página no Facebook:

“Boa noite amigos! Depois de uma semana muito produtiva, aproveito para esclarecer que na semana seguinte estarei de licença para tratar de assuntos particulares. O período já havia sido reservado para uma viagem internacional ao Canadá e EUA, com representantes do setor pesqueiro, e portanto, não havia compromissos oficiais agendados no Brasil. Como todos sabem, essa semana a secretaria da pesca foi para outro ministério, assim sendo, apenas mantive o afastamento para realizar tarefas intransferíveis como atualizar meus documentos pessoais e encerrar minha mudança. Se sobrar tempo ainda irei visitar as fazendas. O Mapa estará sob responsabilidade do Secretário Executivo Eumar Novacki, que por diversas vezes já esteve como ministro interino e seguirá com as mudanças que estamos propondo na Pasta, acreditando nos benefícios para o Brasil. O período desse afastamento será descontado das férias. Abraço a todos”.

A nota oficial do ministro sobre a operação da PF, divulgada ontem, confirma a duração de dez dias da licença, que ele decidiu suspender:

“Diante dos fatos narrados na Operação Carne Fraca, cuja investigação começou há mais de dois anos, decidi cancelar minha licença de 10 dias do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). O que as apurações da Polícia Federal indicam é um crime contra a população brasileira, que merece ser punido com todo o rigor.

Neste momento, toda a atenção é necessária para separarmos o joio do trigo. Muitas ações já foram implementadas para corrigir distorções e combater a corrupção e os desvios de conduta, e novas medidas serão tomadas. Estou coordenando as ações, já determinei o afastamento imediato de todos os envolvidos e a instauração de procedimentos administrativos. Todo apoio será dado à PF nas apurações. Minha determinação é tolerância zero com atos irregulares no Mapa”.

O juiz federal que autorizou a Operação Carne Fraca, Marcos Josegrei da Silva, disse em sua decisão que o envolvimento do Ministério da Agricultura é “estarrecedor”: “(O ministério) foi tomado de assalto – em ambos os sentidos da palavra – por um grupo de indivíduos que traem reiteradamente a obrigação de efetivamente servir à coletividade”.

As atenções em Brasília – e na imprensa -, porém, estão mais voltadas para o ministro da Justiça, Osmar Serraglio. Escutas da PF mostram que ele conversou no ano passado com o acusado de chefiar o esquema de propina nas fiscalizações sanitárias, Daniel Gonçalves Filho, a quem chamava de “grande chefe”. Segundo a Folha, o Palácio do Planalto teme que Serraglio seja alvo de novas denúncias.

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