"O maior inimigo da autoridade é o desprezo e a maneira mais segura de solapá-la é o riso." (Hannah Arendt 1906-1975)

sexta-feira, 17 de março de 2017

Carnes podres e uso de produtos cancerígenos: o que a PF encontrou na operação contra frigoríficos

Carnes podres e uso de produtos cancerígenos: o que a PF encontrou na operação contra frigoríficos:

Carnes podres e uso de produtos cancerígenos: o que a PF encontrou na operação contra frigoríficos
Carne vencida, com excesso de água, armazenada em temperaturas inadequadas, sem inspeção e com uso de produtos cancerígenos em doses altas com objetivo de ocultar as características que deveriam impedir o consumo. Essa é a conclusão a que chegou a investigação de quase dois anos da Polícia Federal, que levou à realização da maior operação da história da corporação nesta sexta-feira, batizada de Carne Fraca.

Na mira da PF, estão gigantes do setor de carnes no país, como a BRF Brasil, dona das marcas Sadia e Perdigão, e a JBS, dona da Friboi e da Seara. Todas as empresas investigadas cometeram ao menos uma das irregularidades apontadas acima envolvendo produtos vendidos no mercado brasileiro e também exportadas para outros países.

"A conclusão a que se chega é a de que a menor das preocupações que possuem é a de inspecionar a adequação aos parâmetros de qualidade dos produtos que depois serão consumidos por brasileiros e, nos casos de exportação, por estrangeiros", apontou o juiz federal Marcos Josegrei da Silva.

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Segundo a Folha de S. Paulo , entre os produtos usados por alguns frigoríficos para maquiar a carne podre está o ácido ascórbico (vitamina C), cujo efeito é a melhora da cor e o aspecto de alimentos impróprios.

O portal G1 divulgou quehá casos ainda mais inusitados, como a colocação de papelão em lotesde frango e de carne de cabeça de porco na linguiça.

Diretores e donos das empresas estariam envolvidos diretamente nas fraudes, que contavam com a ajuda de servidores do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), no Paraná, Goiás e Minas Gerais, que facilitavam a produção de produtos adulterados, emitindo certificados sanitários sem fiscalização.

Através de monitoramento telefônico, a PF descobriu que os servidores envolvidos pediram benefícios de todos os tipos: desde propinas em dinheiro, como pagamento de R$ 300 mil para campanha eleitoral, até pedidos de caixas de carnes, frango, pizzas, ração para animais e embutidos, além também de favores, como a obtenção gratuita de botas e roupas de trabalho, apoio para familiar fazer teste em escola de futebol e viagens.

"Dedo", "luva" e "documento" eram alguns dos termos usados pelos fiscais agropecuários para o pedido de propina.

A investigação apontou que, inclusive, um executivo da BRF tinha acesso ao login e à senha do sistema de processos administrativos do Mapa, que é de uso exclusivo dos servidores.

Há situações em que a contratação de fiscais, via convênio com outros entes públicos, era feita de maneira oculta pela própria empresa. Em um diálogo interceptado,um fiscal do Mapa chega a afirmar que o salário oficial registrado nesses casos era "apenas uma formalidade", pois o que importaria mesmo era a parte alcançada diretamente pela empresa em que ele exerceria suas funções.

— Parece realismo mágico. Infelizmente, não é — escreveu na sentença o juiz.

Segundo a Receita Federal, vários dos servidores públicos investigados, além de ocultarem recebimentos, aumentaram seus patrimônios desproporcionalmente em suas declarações de bens e incompatíveis com as rendas declaradas.

Dentre as estratrégias usadas para mascarar os ganhos, estão subdeclaração de valores nas compras de imóveis, distribuição de rendimentos de empresas inexistentes ou sem atividade operacional, a montagem de uma rede de franquias de fast-food em nome de testas-de-ferro e a aquisição de imóveis em nome de terceiros.

A OPERAÇÃO

Considerada a maior operação já realizada pela PF na história, cerca de 1,1 mil policiais federais cumprem 309 mandados judiciais, incluindo 27 de prisão preventiva, 11 de prisão temporária, 77 de condução coercitiva e 194 de busca e apreensão nas casas e nos locais de trabalho dos investigados.


Os mandados judiciais foram expedidos pela 4ª Vara da Justiça Federal de Curitiba e são cumpridos no Rio Grande do Sul, Distrito Federal, Paraná, em Santa Catarina, São Paulo, Minas Gerais e Goiás.

Anexos originais:
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