"O maior inimigo da autoridade é o desprezo e a maneira mais segura de solapá-la é o riso." (Hannah Arendt 1906-1975)

sexta-feira, 31 de março de 2017

SILÊNCIO ENSURDECEDOR


Há cinquenta e três anos, estávamos no “olho-do-furacão”. Como esquecer os dias de tensão vividos, como jovem Tenente, na então 6ª Companhia de Polícia do Exercito, situada na Praça do Portão da cidade de Porto Alegre/RS. Nela, LAMARCA, colega de turma, iniciou um inventário de crimes e traições, aos companheiros, ao Exército e ao Brasil, auxiliando, em dezembro daquele ano, a fuga de um militar da aeronáutica, recolhido preso à disposição da Justiça Militar . Na época, o inquérito policial não apurou a traição. Hoje, não há dúvida.

As estridentes sirenes dos “Choques”, abrindo espaços nos velozes deslocamentos para receber no aeroporto o presidente JOÃO GOULART, que se deslocava de ( Brasília/Rio) para Porto Alegre, na frustrada tentativa de manter-se no poder, ainda soam nos nossos ouvidos. Seu carbonário cunhado, LEONEL BRIZOLA, sem sucesso, tentava reeditar a Cadeia da Legalidade de 1961, sugerindo, até, que praças assassinassem seus superiores “ golpistas”. 

Testemunha da derradeira reunião ocorrida na residência do então Comandante do III Exército, General LADÁRIO PEREIRA TELES, o Capitão Comandante da Companhia, RAUL JOSÉ RIBEIRO informou que GOULART, depois de atritar-se com o belicoso cunhado, resolvera não resistir, homiziando-se no vizinho Uruguai. Era a vitória do movimento cívico-militar, sem reação. 

Sobre essa importante quadra da vida nacional, um silêncio constrangedor; constata-se que um pacto, tacitamente acordado, por editores e jornalistas engajados, é cumprido religiosamente pela imprensa do país. Os sucessos do movimento moralizador que colocou o país na senda do desenvolvimento e da ordem com o apoio maciço da sociedade brasileira, propositalmente esquecidos. Hoje, a história vem sendo contada pelos vencidos de ontem, que continuam, ao que parece, adeptos do credo maldito. Só vale falar mal, denegrir e desdenhar, o movimento cívico-militar de 1964.

O planejado ESQUECIMENTO não surpreende; afinal, não faz muito tempo, a principal Rede de informação do país, a GLOBO, apologista da benéfica intervenção militar na alvorada do movimento ( basta ler o editorial do dia), veio a público desculpar-se pelo EQUÍVOCO cometido. Quanta hipocrisia :“Vão-se os anéis, mas ficam os dedos”. E, também, as impressões digitais.

Como velho soldado que viveu as incertezas e angústias daquele momento, obrigo-me a relembrar o histórico e salvador movimento que reuniu expressiva participação dos brasileiros conscientes sobre os perigos que nos rondavam. A vizinha Colômbia é o exemplo vivo: até hoje convive com embaraços para exterminar a nefasta atuação das FARC. Obrigo-me, portanto, a relembrar hoje, a memória dos companheiros mortos, que perderam suas vidas lutando contra fanáticos e terroristas para impedir que, aqui, fosse implantado um regime semelhante ao que, hoje, infelicita a pobre Venezuela. 

Esperamos que pelo menos nos quartéis e estabelecimentos de ensino militares, alunos, cadetes, soldados, praças e jovens oficiais, recebam de seus chefes, através de palestras, as informações verdadeiras . Seria um sonho esperar que universitários brasileiros, doutrinados, na maioria, por seus professores marxistas, essas mesmas informações. 

Esse SILÊNCIO que ensurdece e constrange quem viveu aqueles dias, não pode, por omissão indesculpável, por interesses menores ou por medo de represálias, ser ouvido dentro dos muros das inexpugnáveis cidadelas do castro. 

Porto Alegre, 31 de março de 2017

CARLOS AUGUSTO FERNANDES DOS SANTOS- militar reformado

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