"O maior inimigo da autoridade é o desprezo e a maneira mais segura de solapá-la é o riso." (Hannah Arendt 1906-1975)

domingo, 9 de abril de 2017

Prefácio do livro “Araguaia sem Máscaras”

Prefácio do livro “Araguaia sem Máscaras”:



Geno%25C3%25ADno%2B-%2BGuerrilheiro%2Bno
Genoíno - Guerrilheiro no Araguaia 

Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos I. S. Azambuja




A Guerrilha do Araguaia foi, na verdade, uma tentativa do Partido Comunista do Brasil de conduzir a “Guerra Popular” para realizar a tomada do Poder e implantar o socialismo marxista no Brasil; a “luta prolongada, do campo para a cidade”, modelo da Revolução de Mao-Tsetung na China.    
    
A opção pela “via chinesa” nasceu da dissidência dos fundadores do PC do B ao romperem com o Partidão – PCB – que, obediente a Moscou, aceitou a “via pacífica para o socialismo” preconizada por Nikita Kruchev, crítico e acusador de Stalin.  O PC do B permaneceu adepto da violência armada e buscou a alternativa stalinista na China Popular.  Para lá mandou vários militantes para receberem treinamento de guerrilha.
    
A decisão de instalar uma área de guerrilha no Brasil foi tomada antes da eclosão do movimento político-militar de l964. Depois de considerar algumas alternativas, o Partido decidiu pelo sul do Pará, na região compreendida pela Transamazônica ao Norte e o Rio Araguaia a Leste, com rala população de posseiros e extrativistas.
    
Os primeiros militantes foram introduzidos na área no início de 1966 e, pouco depois e acidentalmente, as autoridades militares tomaram conhecimento do projeto. A contra-insurreição surpreendeu os revolucionários ainda em fase de implantação da guerrilha, despreparados e mal armados.  Cerca de 80 veteranos do Partido e jovens aliciados nas cidades, rapazes e moças, foram levados para “área tática” para lutarem “contra a ditadura militar e pelo ideal da democracia”. Destes, uns 54 acabaram morrendo em confronto com as forças legais; os outros foram presos ou desertaram.  Exatamente esta é a história, a verdadeira história que o Autor conta em detalhes em seu Livro.
 
O assunto é recorrente. Vários outros autores, com diferentes opiniões e perspectivas têm escrito, geralmente com enfoque limitado ou preso a certos aspectos particulares dos acontecimentos.
    
Azambuja escreveu com uma visão histórica, partindo dos antecedentes, passando pela experiência guerrilheira do Partido Comunista do Brasil, chegando à autocrítica dos derrotados. Reuniu também informações detalhadas que servirão de referência para a pesquisa do historiador do futuro.  Seu Livro é para ser lido, é claro, mas também para ser posto nas Bibliotecas abertas, disponível para pesquisadores e estudiosos da História.

Ao final deste precioso Livro, o leitor poderá facilmente chegar a duas conclusões intuitivas sobre a “Guerrilha do Araguaia”:
    
A primeira, a de que não é verdade que ela tenha sido uma alternativa de luta contra a ditadura militar com o objetivo de restaurar a Democracia.  Como deixa claro o Autor, desde sempre o objetivo do Partido era a implantação do socialismo marxista no Brasil; o partido era e ainda é comunista.  Sua denominação continua a ser a mesma. Com ou sem ditadura militar, o projeto revolucionário encontraria um pretexto para tomar o Poder.  Não para restabelecer a democracia, mas para impor o socialismo totalitário.
    
A segunda conclusão, as Forças Armadas, profissionalmente competentes e aparelhadas, foram capazes de derrotar decisivamente a insana tentativa guerrilheira antes que ela tivesse  evoluído para o estágio de “Exército Popular de Libertação”.  Se não houvesse sido derrotada, talvez hoje tivéssemos em nosso território uma “área liberada” e uma guerra interna eternizada como na Colômbia, onde as FARC narcoguerrilheiras, também maoístas, aterrorizam o país há mais de 40 anos. 
                                                          
G
eneral Sergio Augusto de Avelar Coutinho

Carlos I. S. Azambuja é Historiador.


Nenhum comentário:

Postar um comentário

Sua mensagem será avaliada pelos Editores do Ataque Aberto. Obrigado pela sua colaboração.