"O maior inimigo da autoridade é o desprezo e a maneira mais segura de solapá-la é o riso." (Hannah Arendt 1906-1975)

quarta-feira, 17 de maio de 2017

Fachin derruba sigilo sobre operador de propinas da Odebrecht, que confirma repasses à marqueteira de Dilma

Fachin derruba sigilo sobre operador de propinas da Odebrecht, que confirma repasses à marqueteira de Dilma:





Roberto Stuckert
Ex-executivo confirma versão de Mônica Moura sobre conhecimento da ex-presidente aos pagamentos de propina pela Odebrecht no exterior
 


O ministro Edson Fachin, relator da Operação Lava Jato no Supremo Tribunal Federal, retirou a sigilo da delação do ex-executivo da Odebrecht Fernando Migliaccio. O acordo foi assinado há pouco mais de um ano, quando Migliaccio estava na Suíça, onde foi preso. A delação de Migliaccio reafirma o que tem dito os demais executivos da Odebrecht e também o casal de marqueteiros João Santana e Mônica Moura sobre o fato de a ex-presidente Dilma Rousseff ter conhecimento de pagamento de propina por meio da empreiteira.

Leia a íntegra da delação (Petição 6533)

De acordo com ele, Dilma foi informada de pagamentos de propina fora do país. Na  delação, o ex-executivo conta que a Odebrecht havia feito pagamentos à Mônica Moura no exterior e que esse pagamento foi informado à então presidente pela própria marqueteira.

“Ao receber a informação sobre os depósitos realizados na conta de Mônica Moura no exterior, Mônica Moura afirmou: ‘Então vou avisar a presidente, pois agora tem como chegar na gente’”, disse Migliaccio, que também afirmou que, semanas depois, a publicitária o informou que “havia avisado ‘a moça’ (referindo-se à ex-residente) sobre os pagamentos realizados no exterior pela Odebrecht”.

Recomendação de Marcelo Odebrecht

Na época em que foi preso, em fevereiro de 2016, Migliaccio disse que estava fora do país por orientação do ex-presidente da empreiteira Marcelo Odebrecht, que pediu a todos os executivos ligados ao departamento de Operações Estruturadas, o conhecido departamento da propina, que permanecessem fora do país diante do avanço da Lava Jato.

De acordo com a delação, “em meados de 2014, pouco antes de julho, houve a decisão definitiva de Marcelo Odebrecht para que todas as pessoas envolvidas no Setor de Operações Estruturadas saíssem do Brasil”. No entanto, ele afirmou que, apesar disso, o setor de propinas continuou a funcionar normalmente. O executivo era considerado o operador das empresas offshores da Odebrecht – entidades sem funcionários ou estrutura física, sediadas em paraísos fiscais, que a empresa usava para movimentar valores destinados ao pagamento de propina.

Migliaccio trabalhou no departamento de propinas da Odebrecht entre os anos de 2008 e 2014. Em seu depoimento, o ex-executivo afirma ter movimentado algo em torno de R$ 2 bilhões. Ele confirmou ainda o que disse o ex-presidente da empreiteira Marcelo Odebrecht e os demais executivos que firmaram acordo de colaboração premiada.

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