"O maior inimigo da autoridade é o desprezo e a maneira mais segura de solapá-la é o riso." (Hannah Arendt 1906-1975)

quarta-feira, 14 de junho de 2017

14 de Junho de 1966: Abolição do Índex


Ficheiro:Index Librorum Prohibitorum 1.jpg

14 de Junho de 1966: Abolição do Índex:

Índex, Index Librorum Prohibitorum ou Índice dos Livros Proibidos data de 1571 e era uma relação formal das obras interditas àqueles que professavam a fé católica, sendo vedada a leitura, tradução, detenção, empréstimo ou venda dos mesmos. Inicialmente, o incumprimento destes preceitos implicava sanções canónicas (como, por exemplo, a excomunhão), mas a partir do Concílio do Vaticano II (1962 – 1965) e da declaração Dignitatis humanae os livros constantes nesta lista passaram apenas a ser de leitura desaconselhada, não se inscrevendo qualquer um a partir dessa data.
Considerados prejudiciais aos costumes cristãos e à fé, desde o início do Cristianismo se exerciam censuras sobre obras consideradas inadequadas à fé. Foi, no entanto, com o advento da imprensa que se agravou o problema para a Igreja, uma vez que se podiam fazer cópias mais facilmente e o acesso às mesmas se facilitava. O papa Pio V criou então a Congregação do Índex (que contava com um conjunto de dezoito bispos), que mais tarde se integrou no sacro colégio pontifício do Santo Ofício e que elaborou um primeiro índice, publicado em 1564 e alvo de diversas reimpressões. Pio V optou por constituir sete anos depois uma Congregação similar, com a finalidade de criar uma outra lista, mais completa e atualizada. Finalmente, o pontífice Leão XIII ordenou a fatura do último Índex (que tinha acumulado alguns milhares de obras) já no dealbar do século XX, mais concretamente no ano de 1900. Em 1948 fez-se a trigésima segunda e última edição deste índice, devida à Congregação do Santo Ofício que em 1917 substituíra a Congregação do Índex. Foi a partir de 1966 que o papa Paulo VI ordenou a interrupção da inserção de mais obras nesta lista, que conteve escritos censurados de Simone de Beauvoir, Balzac, George Sand, Locke, Pascal e Jean Paul Sartre. O Índex  foi abolido a 14 de junho de 1966 pelo Papa Paulo VI sendo anunciado formalmente em 15 de junho de 1966 no jornal do Vaticano, L'Osservatore Romano, através de um documento chamado de "Notificação" escrito no dia anterior.
Índex. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2013. 
wikipedia (Imagens)

Livro contendo a lista do Index Librorum Prohibitorum (Veneza1564)

Ficheiro:Frans Hals - Portret van René Descartes.jpg

René Descartes foi um dos mais notáveis autores a ir para o Index

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Sua mensagem será avaliada pelos Editores do Ataque Aberto. Obrigado pela sua colaboração.