"O maior inimigo da autoridade é o desprezo e a maneira mais segura de solapá-la é o riso." (Hannah Arendt 1906-1975)

segunda-feira, 12 de junho de 2017

Análise da obra: " As bodas de Canã", de Paolo Veronese


Fotografia: 008.jpg Paolo Veronese
Análise da obra: " As bodas de Canã", de Paolo Veronese:

A obra As Bodas de Caná, é uma pintura a óleo de grandes dimensões (666 cm  × 990 cm) do pintor italiano Paolo Caliari, mais conhecido por Veronese (nasceu em Verona). Está exposta no Museu do Louvre, em Paris, e é a maior pintura na colecção do museu. Esta obra tem como tema a transformação da água em vinho, episódio do Evangelho de S. João. No relato bíblico, Jesus e os seus discípulos são convidados para um casamento e, quando o vinho acaba, Jesus transforma a água em vinho milagrosamente. A obra de Veronese é constituída por cerca de 130 personagens, e mostra um sumptuoso banquete. Foi encomendada em 1562 pelo Mosteiro Beneditino de San Giorgio Maggiore em Veneza e teve a sua conclusão em 1563, quinze meses depois. Esteve pendurada no refeitório do mosteiro durante 235 anos, até ser saqueada durante as invasões napoleónicas em 1797 e levada para Paris. Durante a viagem o quadro foi cortado em dois e costurado de novo em Paris. A pintura não foi devolvida nos tratados de conciliação pós-napoleónica que restituiu algumas obras de arte saqueadas.
 Nesta obra estão presentes pessoas com vestes coloridas e exóticas, e também servos, anões, animais de estimação, etc. À primeira vista parece reinar uma grande confusão visual, até que os olhos acostumam-se à tela, podendo maravilhar-se diante dos mínimos detalhes que não escaparam ao pincel do artista. A obra apresenta uma bela vista panorâmica, onde se descortinam palácios, campanários e varandas, tendo ao fundo um céu azul com nuvens brancas.
A festa de casamento é celebrada numa praça pública, ladeada por imensas colunas com capitéis dóricos e coríntios. Em primeiro plano está uma imensa mesa em forma de U, onde se encontram os convidados. Em segundo plano,  está uma varanda alta, por onde passam os servos, transportando pratos e bandejas, tendo acesso à mesa do banquete através de duas escadas laterais. Na parte central do primeiro plano, Jesus Cristo, ladeado pela sua mãe e discípulos, preside à mesa. Ele  ocupa o centro da mesa e o centro da tela. Uma auréola indicando a sua divindade distingue-o, juntamente com Maria, dos demais convidados. Também estão representados na pintura os monges beneditinos, clientes do pintor, luxuosamente vestidos. Um grupo de músicos ocupa a parte central do quadro. Veronese mistura personagens bíblicos com pessoas da época. Inclusive, segundo boatos surgidos no século XVIII, o próprio artista encontra-se representado na obra, vestido de branco e tocando uma viola de gamba. Ainda segundo essa mesma lenda, Ticiano seria o homem de vermelho a tocar um violoncelo, ali também se encontrando Tintoretto e Bassano. Ou seja, os “quatro grandes” artistas da pintura de Veneza aparecem no papel de músicos. Como é comum às obras do pintor, ali também se encontram cães, pássaros e um gato.
Um quadro do tamanho deste exigia muitas pessoas para ajudar o pintor. Além dos seus aprendizes e pintores anónimos, Veronese também contou com a ajuda de um sobrinho e do seu irmão Benedetto Caliari. Este último serviu também de modelo, sendo ele o homem sumptuosamente vestido que levanta uma taça de vinho e o examina. Os convidados presentes na celebração não parecem perceber a transformação da água em vinho, preocupados em comer e divertir-se. Apenas alguns, poucos, parecem dar conta do milagre, pois o lado espiritual é suplantado pelo terreno. Chama a atenção o grupo de ajudantes na varanda, a cortar a carne, acção que também simboliza o sacrifício do cordeiro. Cada convidado tem acesso, individualmente, a garfo, faca e guardanapo. Uma das damas, à esquerda, limpa os dentes com um palito de ouro. Os marmelos, servidos como sobremesa, simbolizam o casamento. Na sua pintura, Veronese faz uso de vários pigmentos vindos do Oriente, como vermelhos fortes, lápis-lazúli e diversos tons de amarelo-laranja. Com o tempo, as cores foram- se apagando, mas através de um restauro, que durou três anos, elas foram recuperadas.
wiipédia (imagens)
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Detalhe da obra

Suleiman_in_Veronese_The_Wedding_at_Cana

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