"O maior inimigo da autoridade é o desprezo e a maneira mais segura de solapá-la é o riso." (Hannah Arendt 1906-1975)

quinta-feira, 1 de junho de 2017

José Dirceu - As Ruas e as Urnas e a RESPOSTA de um CONDENADO a OUTRO


01 de Junho, 2017 - 15:00 ( Brasília )

Texto publicado na Folha de São Paulo, em 01 Junho 2017.

José Dirceu

Foi deputado estadual e federal pelo PT e ministro
da Casa Civil (governo Lula).
Foi condenado em primeira instância na Lava Jato a 32 anos de prisão

Folha de São Paulo 01 Junho 2017
Em visita recente, o produtor Luiz Carlos Barreto lembrou-me de que o filme "Terra em Transe", clássico de Glauber Rocha, completa meio século. Não pude deixar de comentar que, novamente, o Brasil está em transe.

A única solução razoável, antes como agora, é uma catarse, uma revolução política, econômica, social e cultural. Não é possível um acordo com quem rasgou o pacto constitucional de 1988 e atropelou a soberania popular.

Os golpistas e seus avalistas, ao derrubarem um governo legal e legítimo no intuito de revogar direitos e conquistas históricas do povo brasileiro, puxaram a faca e cometeram crime de alta traição à democracia.

Romperam o fio da história e colocaram em risco nossa soberania. Querem nos reduzir, de novo, à linha auxiliar do império.

A coalizão golpista deu origem a um governo abarrotado de históricos corruptos. Nada disso, porém, importa aos falsos santarrões que incensam a Operação Lava Jato, desde que os usurpadores fossem úteis para a aplicação de reformas que destruíssem o legado petista, a herança trabalhista e os êxitos do último processo constituinte.

Olhando e revisitando a história de nosso país, sabemos o que está em jogo: o desmonte do recente e precário Estado de bem-estar social, previsto na Constituição de 1988 e implementado durante as administrações de Lula e Dilma Rousseff.

Assalta-se a renda do trabalho para garantir o pagamento de juros exorbitantes, a ampliação da taxa de lucro das grandes corporações e a retomada dos fundos públicos pelas camadas mais ricas.

Os golpistas não hesitaram em sabotar o governo Dilma. Decretaram verdadeiro apagão nos investimentos e créditos, ampliando a recessão, levando pânico aos cidadãos e paralisando o país.

Tratou-se de um vale-tudo para recuperar o comando do Estado e impor uma agenda rejeitada pelos eleitores desde 2002.

Não se vacilou em pisotear as regras democráticas e forjar um arremedo de regime policial, no qual se opera a serviço de objetivos político-ideológicos.

O Brasil precisa de liberdade para decidir seu futuro, com eleições diretas, um novo governo popular e a convocação de Constituinte soberana. É vital romper a camisa de força do rentismo e da concentração de riqueza, reformar os sistemas financeiro e tributário. Só assim viabilizaremos o desenvolvimento econômico, social e cultural.

Essa tarefa é histórica e pressupõe superar os limites comprovados dos governos petistas -apesar dos avanços reformistas, ainda não transformamos as estruturas de nossa sociedade e do poder político.

Não há espaço para conciliação. É necessário, para o bem-estar social do país, dar fim à armadilha de uma falsa harmonia nacional e um ludibrioso salvacionismo contra a corrupção.

O horizonte das forças populares e de esquerda deve ir além das próximas eleições presidenciais, agora ou no próximo ano. Podemos até vencer, mas sem ilusões: sob quaisquer circunstâncias, nosso norte é o avanço no rumo de uma revolução política e social, democrática.

A meta é lutar, resistir e preparar um governo de amplas reformas. Sob a proteção de um novo pacto constitucional, originário das urnas, se a casa-grande voltar ao leito da democracia. Pela força rebelde das ruas, se nossas elites continuarem de costas para a nação.

RESPOSTA DE UM EDITOR CONDENADO A OUTRO CONDENADO.


Sr. José Dirceu, escrevo-lhe na condição em que o senhor e sua Organização Criminosa disfarçada de Partido Político me colocaram: escrevo como condenado. 

Condenado a ser brasileiro, condenado a viver, pelo menos por enquanto, com minha esposa e filhos no país que o senhor e sua malta, sua gangue, sua quadrilha de vagabundos, sua escória de facínoras, que lamentavelmente escaparam da morte nos anos 60, conseguiram destruir. 

Seu texto não merece refutação no mérito: basta que se permaneça na forma. Aliás, digo eu, é condição suficiente e necessária que nos limitemos à mera existência do próprio texto, ao fato de que o senhor tenha obtido, junto a um dos maiores e mais nojentos jornais do país, espaço para divulgação de sua visão fanática, de seu conceito pútrido, fétido, daquilo que chama de "Democracia" - democracia esta que, para o senhor e todos os revolucionários, longe de ser um fim em si mesma, jamais passou de um meio, de um caminho para que o Brasil se transformasse numa pequena China ou numa grande Cuba. 

Matando, assaltando e roubando, mentindo para absolutamente todos que da sua vida fizeram parte, o senhor em determinada etapa, desistiu da luta armada e, como Hitler a partir de 1924, passou a investir numa longa jornada de tomada legal do Poder no Brasil. 

É preciso não ter nascido nem vivido neste mesmo Brasil, nos últimos cinquenta anos, para não admitir que o senhor teve sucesso: nos anos 80 fui eu mesmo um petista! Seu partido corrupto reuniu padres comunistas, sindicalistas assassinos e analfabetos com uma Universidade tomada pelas drogas e conseguiu levar ao Poder um vagabundo alcoólatra, informante do DOPS e acostumado a seduzir viúvas de colegas mortos.

Para que se perpetuasse no Governo, seu fantoche não teve dúvida alguma em agir como os personagens do filme do Gláuber (que o senhor, aliás, parece apreciar de uma forma muito peculiar) e, num esquema chefiado pelo senhor, orientou a compra do Congresso Nacional no escândalo que ficou conhecido como mensalão e, mais tarde, o levou à cadeia. 

Tendo sido derrotado no caminho da Lei, o senhor quer agora convocar o que resta disso que chama de "Partido" para luta armada. 

Quer fazer o caminho inverso: na década de 70 e início dos 80 o risco de morte era muito grande e o senhor, como bom covarde, seguiu Gramsci e partiu para destruição da cultura. Agora a cultura está destruída, o senhor e seu partido controlam a cúpula do Exército e os Ministros do STF restando apenas uma Operação da Polícia Federal e uma parte do Ministério Público lhe criando problemas - é a hora de voltar-se para Mao Zedong e a Guerra Popular Revolucionária, não é mesmo ? 

Quem não lhe conhece, Sr.José Dirceu, não consegue imaginar que "Estado de Direito e Democracia" pouco mais significam para um petista do que um "conceito operacional", uma "ferramenta de trabalho"...um "peça" cuja função é fazer aquilo que o Partido precisa em nome da Revolução ! 

Se a Justiça atende ao interesse revolucionário; cumpra-se o que manda o juiz. Caso contrário; para o inferno com a Constituição e com as decisões judiciais (sejam elas de um juiz do interior do Acre ou de um Ministro do STF)

Li, com todo cuidado, o texto que o senhor escreveu: em muitos leitores seu texto despertou raiva ou desprezo... e, em certos psicopatas, surgiu inclusive uma certa inveja. 

Garanto que dentre todos os leitores poucos levaram suas ameaças a sério - não é meu caso. Estrategicamente o senhor é desprezível mas taticamente é um inimigo terrível. 

Orgulhe-se! Eu prometo (junto com muitos outros brasileiros) ser um INIMIGO que, com o tempo, o senhor vai reconhecer como formidável ! 

Milton Pires
Médico
Porto Alegre

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