"O maior inimigo da autoridade é o desprezo e a maneira mais segura de solapá-la é o riso." (Hannah Arendt 1906-1975)

quinta-feira, 13 de julho de 2017

INVESTIGADO POR FRAUDE EM LICITAÇÃO E MINISTRO DA SAÚDE 'Médico tem que parar de fingir que trabalha'

















NATÁLIA CANCIAN

GUSTAVO URIBE

DE BRASÍLIA 13/07/2017 12h28


O ministro da Saúde, Ricardo Barros, defendeu nesta quinta-feira (13) a adoção de biometria e de um "padrão de produtividade" para fiscalizar o trabalho de profissionais que atuam no SUS, em especial os médicos.

"Vamos parar de fingir que pagamos o médico e o médico tem que parar de fingir que trabalha", disse. "A biometria do funcionário vai permitir que essas pessoas cumpram o contrato [de seu horário de trabalho]", afirmou.



Segundo o ministro, é preciso também estabelecer metas de desempenho para que as prefeituras possam fiscalizar o trabalho dos médicos, como tempo destinado às consultas, por exemplo. "Vamos estabelecer metas de desempenho, e quem estiver abaixo do seu desempenho, vai ser chamado a aumentar sua produtividade."

Ele cita o exemplo da OMS (Organização Mundial de Saúde), que prevê cada consulta dure cerca de 15 minutos. "Hoje o médico vai lá, faz quatro horas de concurso e marca 16 consultas. Ele vai lá, faz 5 minutos de consulta e vai embora. Queremos o médico o tempo que concursou", disse.

Gabriel Alves/Folhapress

O Ministro da Saúde Ricardo Barros em discussão sobre Saúde e Biotecnologia

Em uma declaração polêmica, Barros afirmou ainda que muitos pacientes buscam diretamente o pronto-socorro dos hospitais porque médicos não cumprem a carga horária contratada nas unidades básicas de saúde, que deveriam responder pelo primeiro atendimento.

"O grande problema de saúde é que não conseguimos fazer com que o médico fique 4h na unidade de saúde. A pessoa que tem problema vai diretamente no hospital, porque lá ele sabe que vai estar o médico", disse.

Essa não é a primeira crítica do ministro ao trabalho dos médicos. Nos últimos meses, o ministro entrou em atrito com entidades como o CFM (Conselho Federal de Medicina) após afirmar que os médicos brasileiros não mostram disposição para o trabalho.

A declaração ocorreu durante evento para anunciar o repasse de R$ 1,7 bilhão a Estados e municípios para ações na atenção básica em saúde e oferta de transporte para pacientes.

Segundo Barros, o valor tem base na economia de recursos gerados no último ano, de R$ 3,5 bilhões. Do total, R$ 771,2 milhões devem ser destinados a programas da atenção básica, como equipes do programa Saúde na Família e agentes comunitários de saúde.

O restante deve ser destinado à renovação da frota do Samu e compra de novas ambulâncias para fazer o transporte de pacientes nos municípios.

No anúncio, Barros apresentou um balanço da gestão à frente da pasta e repetiu anúncios já divulgados, em uma tentativa de reforçar uma agenda positiva em meio à crise que atinge o governo do presidente Michel Temer.

"Quero saudar nosso presidente Michel Temer e agradecer por ter optado pelo reconhecimento e não pela popularidade", afirmou no início da cerimônia.

Durante o evento, Barros também voltou a fazer críticas à judicialização da saúde e à Constituição, que afirma que a saúde é direito de todos e dever do Estado.

Para o ministro, é preciso definir a capacidade do poder público em atender às demandas. "O SUS é tudo que está disponível no SUS para todos", afirmou.
Médico Brasileiro "fingindo" que atendia 
paciente no chão em em Teresina, no Piauí

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