"O maior inimigo da autoridade é o desprezo e a maneira mais segura de solapá-la é o riso." (Hannah Arendt 1906-1975)

sexta-feira, 25 de agosto de 2017

25 de Agosto de 1944: Paris é libertada da ocupação nazi

Crowds of French patriots line the Champs Elysees-edit2.jpg25 de Agosto de 1944: Paris é libertada da ocupação nazi:

No dia 25 de Agosto de 1944, após mais de quatro anos de ocupação nazi, Paris foi libertada pela 2ª Divisão Blindada francesa e pela 4ª Divisão de Infantaria dos Estados Unidos. 

O general Leclerc recebeu em Paris, diante da estação de comboios de Montparnasse, a rendição das tropas alemãs. Desembarcado na Normandia, ao comando da 2ª Divisão Blindada, dois meses antes, ele foi o primeiro francês da resistência a entrar na capital pela Porta de Orleães. O general Von Choltitz, comandante das tropas alemãs, havia empreendido duas semanas antes a evacuação da cidade na previsão da chegada dos Aliados. No dia seguinte, o general De Gaulle  instalou-se no Ministério da Guerra na qualidade de chefe do governo provisório. 

A resistência alemã foi débil, pois o general Dietrich von Choltitz desafiou uma ordem de Hitler de fazer explodir os marcos históricos de Paris e destruir a cidade pelo fogo. Choltitz assinou a rendição formal na tarde daquele dia e em 26 de Agosto, Charles De Gaulle, o comandante dos Franceses Livres, liderou uma alegre marcha de libertação ao longo da avenida Champs Elysées. 

Paris havia caído nas mãos da Alemanha nazi no dia 14 de Junho de 1940, um mês após a Wehrmacht ter invadido a França. Oito dias depois a França assinou um armistício com os alemães e um Estado francês "fantoche" foi montado em Vichy. O general De Gaulle e os Franceses Livres, no entanto, continuaram a resistir e a Resistência  espalhou-se na França ocupada para enfrentar o governo nazi e o de Vichy. 

A 2ª Divisão Blindada francesa havia sido formada em Londres no final de 1943 com o propósito expresso de liderar a libertação de Paris durante a invasão aliada da França. Em Agosto de 1944, a divisão chegou à Normandia sob o comando do general Jacques-Philippe Leclerc e subordinada ao 3º Exército norte-americano sob o comando do general George Patton. Em 18 de Agosto, as forças aliadas já se aproximavam de Paris. Os trabalhadores na cidade entraram em greve enquanto os combatentes ‘maquis’ da Resistência emergiam dos seus esconderijos e começaram a atacar as forças e as fortificações alemãs. 

Em 21 de Agosto, Eisenhower encontra-se com De Gaulle e conta-lhe dos seus planos de evitar entrar em Paris. De Gaulle insta-o a reconsiderar a decisão, assegurando-lhe que Paris poderia ser tomada sem maiores dificuldades. O general francês inclusive alertou-o de que a poderosa facção comunista da Resistência poderia ser bem-sucedida em libertar Paris, ameaçando, dessa forma, o estabelecimento de um governo democrático. De Gaulle polidamente adiantou a Eisenhower que se não desse ordem de avançar sobre Paris, a 2ª Divisão do general Leclerc o faria por sua conta. 

Em 22 de Agosto, Eisenhower concorda em proceder à libertação de Paris. No dia seguinte, a 2ª Divisão avançou sobre a cidade pelo norte e a 4ª Diivisão de Infantaria norte-americana pelo sul. 

Enquanto isso, em Paris, as forças do general Dietrich von Choltitz combatiam a Resistência e completavam as suas defesas em torno da cidade. Hitler ordenou que Paris fosse defendida até ao último homem e exigiu que a cidade não caísse nas mãos dos Aliados a não ser uma “cidade completamente devastada e em ruínas”. Choltitz, consciente dos seus deveres, começou a instalar explosivos sob as pontes de Paris e em muitos dos seus marcos, mas desobedeceu a ordem de começar a destruição. Não queria entrar para a História como o homem que destruiu a cidade mais celebrada da Europa. 

A 2ª Divisão Blindada avançou debaixo da artilharia inimiga, sofrendo pesadas baixas, mas em 24 de Agosto conseguiu atravessar o rio Sena e alcançar os subúrbios de Paris. Ali, os soldados foram saudados entusiasticamente pelos habitantes que deles se acercavam lançando flores, dando beijos e ofertando vinho. No fim da tarde daquele dia, Leclerc tomou conhecimento de que a 4ª Divisão de Infantaria norte-americana decidiu adiantar-se a ele na tomada de Paris. Ordenou então às suas exaustas tropas que marchassem num redobrado esforço. Pouco antes da meia-noite de 24 de Agosto. Leclerc chega ao Hôtel de Ville no coração de Paris. 

A resistência alemã  desvaneceu-se durante a noite. Mais de 20 mil soldados renderam-se ou fugiram e os que se dispuseram a lutar foram prontamente suplantados. Na manhã de 25 de Agosto, a 2ª Divisão já dominava claramente a metade ocidental de Paris enquanto a 4ª Divisão de Infantaria fazia o mesmo na região oriental. Paris estava libertada. 

No começo da tarde, Choltitz foi preso no seu quartel-general pelas tropas francesas. Logo depois, assinou a capitulação cedendo o controlo da cidade ao governo provisório de De Gaulle. Ele próprio chegaria à cidade mais tarde quando a noite caia. Em 26 de Agosto, De Gaulle e Leclerc comandariam uma marcha triunfal de libertação pela avenida Champs Elysees. 

De Gaulle encabeçou dois sucessivos governos provisórios até 1946, quando renunciou por desacordos constitucionais. De 1958 a 1969, foi presidente francês sob a chamada Quinta República. 
Fontes: Opera Mundi
wikipedia (imagens)

Tropas francesas desfilam pela Champs-Élysées logo após a libertação da cidade



Nenhum comentário:

Postar um comentário

Sua mensagem será avaliada pelos Editores do Ataque Aberto. Obrigado pela sua colaboração.