"O maior inimigo da autoridade é o desprezo e a maneira mais segura de solapá-la é o riso." (Hannah Arendt 1906-1975)

terça-feira, 29 de agosto de 2017

29 de Agosto de 1842: O Tratado de Nanquim encerra a primeira Guerra do Ópio entre chineses e britânicos

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Assinatura do Tratado de Nanquim

29 de Agosto de 1842: O Tratado de Nanquim encerra a primeira Guerra do Ópio entre chineses e britânicos:

No dia 29 de Agosto de 1842, o Tratado de Nanquim pôs fim à primeira Guerra do Ópio entre a China e a Grã - Bretanha. Algumas décadas antes, em 1793, o grande imperador Qianlong havia rejeitado as tentativas britânicas de aumentar o comércio com o Império do Meio.
Os mercadores da Companhia Inglesa das Índias Orientais e o governo de Londres receberam muito mal a indisposição do imperador em encontrá-los. Não deixaram de difundir fortemente em toda a Europa o desprezo que lhes inspirava essa China, outrora tão elogiada, hoje arcaica, imóvel, voltada para si mesma.
O seu despeito era ainda maior visto que continuavam a comprar à China o chá que os britânicos consumiam bastante, bem como muitos outros produtos de luxo – porcelanas, pedrarias e sedas.
Para tentar equilibrar uma balança comercial pesadamente deficitária, a Companhia das Índias pôs em acção um “comércio triangular” tão pouco recomendável quanto era o tráfico de escravos. A companhia desenvolveu nas Índias a cultura do pavot – toda planta papaverácea do género Papaver, agrupando diversas espécies que produzem flores indo da papoila (Papaver rhoeas) ao pavot a ópio (Papaver somniferum) — e de modo totalmente ilegal, inicia os chineses no consumo do ópio.
As vendas ilegais de ópio na China passaram de 100 toneladas para 2.000 toneladas em 1838.
Em 1839, o novo governador de Cantão, exasperado, manda apreender e queimar 20 mil caixas de ópio. Em resposta, os ingleses bombardeiam Cantão enquanto uma esquadra sobe o rio Yangzi Jiang  obrigando o imperador Daoguang a capitular.
Esta “diplomacia através dos canhões” desembocou no Tratado de Nanquim pelo qual os vencedores ganharam o direito de comercializar livremente em cinco portos chineses. A Grã - Bretanha obtém, a ilha de Hong Kong na foz do rio das Pérolas e a riquíssima região de Cantão.
Cúmulo da humilhação, o imperador teve de conceder um privilégio de extra-territorialidade aos britânicos e pagar-lhes 21 milhões de libras esterlinas. Os franceses e norte-americanos apressaram-se em exigir vantagens equivalentes.
A humilhação sofrida pelos chineses com o Tratado de Nanquim está na origem dos levantamentos populares contra a dinastia manchu dos Qing, o mais notável deles a insurreição de Taiping.

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