"O maior inimigo da autoridade é o desprezo e a maneira mais segura de solapá-la é o riso." (Hannah Arendt 1906-1975)

terça-feira, 29 de agosto de 2017

A TRAGÉDIA DA INFÂNCIA E ADOLESCÊNCIA NA PYONGYANG DOS PAMPAS - Professora cria projeto para "empoderar" meninas em escola pública de Porto Alegre

Um breve comentário antes de começarem a leitura - Observem que esta escola é ESTADUAL. Em outras palavras: ela é PÚBLICA e mantida com o dinheiro da população do Rio Grande do Sul. Outro fato: a Secretaria Estadual de Educação é RESPONSÁVEL por isso que está acontecendo lá dentro !

Professora cria projeto para "empoderar" meninas em escola pública de Porto Alegre:

Professora cria projeto para
"Em terra de chapinha, quem tem cacho é rainha" e "eu não posso ser a mulher da sua vida porque já sou a mulher da minha" são algumas das frases que estampam as paredes de uma sala de aula da Escola Estadual de Ensino Fundamental Ildefonso Gomes, no bairro Santana, em Porto Alegre. No local, meninas entre 12 e 16 anos reúnem-se com três professoras para debater temas pouco frequentes na rotina das instituições de ensino, como gênero, raça e feminismo.

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O projeto, chamado de "Poder do Crespo e o Empoderamento", surgiu em 2016 após a professora de Educação Física Luciana Dornelles Ramos perceber que a maioria das alunas negras sentia vergonha de mostrar os cabelos, sempre presos com elástico. A educadora de 32 anos, que descobriu o que é racismo aos quatro, decidiu que precisava fazer algo.

— A ideia foi trabalhar o respeito à diversidade através da discussão da temática do cabelo crespo. Como é um cabelo que ainda sofre muito preconceito, a partir disso começamos a discutir todas as diversidades que existem no nosso País e no mundo. Porque somos todos diferentes, mas lindos do nosso jeito — afirma a educadora.

Professora Luciana (esq.) com grupo de alunas do projeto Foto: Angela Chagas / Rádio Gaúcha

A direção da escola cedeu uma sala de aula, que não era utilizada, para o projeto. As atividades ocorrem normalmente à tarde, no turno inverso ao das aulas. No começo eram 12 meninas, a maioria negra. Duas concluíram o Ensino Fundamental no ano passado, mas seguem envolvidas com o grupo, que agora ganha mais 10 integrantes, entre eles dois meninos.

Uma página no Facebook — chamada de "Empoderadas IG" (de Ildefonso Gomes) — também foi criada para ampliar as discussões do colégio. Segundo a professora Luciana, muita coisa mudou neste último ano.

— A minha maior preocupação é que eu via muita apatia nos alunos. Hoje eu vejo que as meninas se mobilizam, que elas sabem que podem fazer acontecer. E essa diferença vai ser muito importante na vida delas, esse amor próprio, essa força de vontade para quebrar barreiras, conquistar um diploma, coisas que eu não via elas quererem antes.

O elástico que sempre prendia os cabelos não é mais usado, nem a chapinha para alisar os cachos. Elas aprenderam a gostar do volume do crespo. Usam batom escuro, calça jeans justa e com recortes nas pernas, a nova modinha entre as gurias. No começo do mês participaram até de um desfile de moda no centro de Porto Alegre. Mas não é só na aparência a mudança.

A professora de matemática Ana Mesquita é uma entusiasta do trabalho liderado por Luciana. Segundo ela, as notas das meninas melhoraram muito neste um ano. Elas estão mais confiantes, dedicadas e aprenderam a se ajudar.

— Eu percebo uma autoestima melhorada, inclusive para os estudos. A postura diante das aulas mudou muito, elas estão mais comprometidas, mais envolvidas com a disciplina. Nunca tinha visto nada igual — diz a educadora, que dá aulas no Idelfonso Gomes há 20 anos.

Cartazes na sala do projeto Foto: Angela Chagas / Rádio Gaúcha

Uma das inspirações do grupo é a escritora nigeriana Chimamanda Adichie. O livro "Para Educar Crianças Feministas", que propõe a ruptura do preconceito a partir da educação de novas gerações, foi lido em grupo.

A estudante Thamires Cardoso, aluna do oitavo ano, diz que aprendeu a lutar por respeito.

— O machismo existe na escola, em qualquer lugar. Trabalhar sobre isso ajuda a sermos mais empoderadas, a lutar pelos nossos direitos, pelo respeito.

Nesta segunda-feira (27), a professora Luciana e mais duas educadores que participam do projeto, Tainá Albuquerque e Thainah Mena Barreto, farão uma palestra em outra escola da Capital. O objetivo é levar as ações do projeto para demais instituições de ensino e mobilizar o maior número de pessoas contra o preconceito, pela valorização da diferença e pelo respeito.

  1. Nossa premissa feminista é: eu tenho valor. […] A segunda ferramenta é uma pergunta: a gente pode inverter X e ter os mesmos resultados? (p. 12)
  2. Seja uma pessoa completa. A maternidade é uma dádiva maravilhosa, mas não seja definida apenas pela maternidade. Seja uma pessoa completa. (p. 14)
  3. Por favor, não acredite na ideia de que maternidade e trabalho são mutuamente excludentes. (p. 16)
  4. Façam juntos. […] Às vezes, as mães, tão condicionadas a ser tudo e a fazer tudo, são cúmplices na redução do papel dos pais. (p. 18)
  5. Ao dizermos que os pais estão “ajudando”, o que sugerimos é que cuidar dos filhos é um território materno, onde os pais se aventuram corajosamente a entrar. Não é. (p. 20)
  6. Ensine a ela que “papéis de gênero” são totalmente absurdos. Nunca lhe diga para fazer ou deixar de fazer alguma coisa “porque você é menina”. “Porque você é menina” nunca é razão para nada. Jamais. (p. 21)
  7. Se não empregarmos a camisa de força do gênero nas crianças pequenas, daremos a elas espaço para alcançar todo o seu potencial. (p. 26)
  8. Cuidado com o perigo do Feminismo Leve.[…] Ou você acredita na plena igualdade entre homens e mulheres, ou não. (p. 29)
  9. Uma triste verdade: nosso mundo está cheio de homens e mulheres que não gostam de mulheres poderosas. (p. 33)
  10. Ensine-a a ler. […] Os livros vão ajudá-la a entender e questionar o mundo, vão ajudá-la a se expressar, vão ajudá-la em tudo o que ela quiser ser. (p. 34)


  1. Ensine-a a questionar a linguagem. A linguagem é o repositório de nossos preconceitos, de nossas crenças, de nossos pressupostos. (p. 35)
  2. Tente não usar demais palavras como “misoginia” e “patriarcado” […]. Nós, feministas, às vezes usamos muitos jargões, e o jargão pode ser abstrato demais. Não se limite a rotular alguma coisa de misógina – explique a ela por que aquilo é misógino e como poderia deixar de ser. (p. 36)
  3. Nunca fale do casamento como uma realização. […] Um casamento pode ser feliz ou infeliz, mas não é uma realização. Condicionamos as meninas a aspirarem ao matrimônio e não fazemos o mesmo com os meninos. (p. 40)
  4. Quantos homens você acha que se disporiam a mudar de sobrenome ao se casar? (p. 45)
  5. Ensine-a a não se preocupar em agradar. […] a questão é ser ela mesma, em sua plena personalidade, honesta e consciente da igualdade humana das outras pessoas. (p. 48)
  6. Temos um mundo cheio de mulheres que não conseguem respirar livremente porque estão condicionadas demais a assumir formas que agradem aos outros. (p. 49)
  7. Dê a ela um senso de identidade. […] Esteja atenta também em lhe mostrar a constante beleza e a capacidade de resistência dos africanos e dos negros. (p. 52)
  8. Esteja atenta às atividades e à aparência dela. […] Não pense que criá-la como feminista significa obrigá-la a rejeitar a feminilidade. (p. 54 – 55)
  9. Nunca, jamais associe a aparência […] à moral. Nunca lhe diga que uma saia curta é “indecente”. (p. 56)
  10. Ensine-a a questionar o uso seletivo da biologia como “razão” para normas sociais em nossa cultura. (p. 61)
  11. Converse com ela sobre sexo, e desde cedo. Provavelmente será um pouco constrangedor, mas é necessário. (p.64)
  12. Diga-lhe que o corpo dela pertence a ela e somente a ela, e que nunca deve sentir a necessidade de dizer “sim” a algo que não quer ou a algo que se sente pressionada a fazer. (p. 65)
  13. E, por falar em vergonha, nunca associe sexualidade e vergonha. Ou nudez e vergonha. Nunca transforme a “virgindade” em foco central. (p. 68)
  14. Ensine-lhe que NÃO é papel do homem prover. Num relacionamento sadio, prover é papel de quem tem condições de prover. (p. 74)
  15. Ao lhe ensinar opressão, tome cuidado para não transformar os oprimidos em santos. A santidade não é pré-requisito da dignidade. Pessoas más e desonestas continuam seres humanos e continuam a merecer dignidade. (p. 74)
  16. Ensine-lhe sobre a diferença. Torne a diferença algo comum. Torne a diferença normal. […] Ao lhe ensinar sobre a diferença, você a prepara para sobreviver num mundo diversificado. Ela precisa saber e entender que as pessoas percorrem caminhos diferentes no mundo e que esses caminhos, desde que não prejudiquem as outras pessoas, são válidos e ela deve respeitá-los (p. 76 – 77)
* Esse produto foi um brinde, porém, as informações contidas nesse post expressam as ideias da autora.

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