"O maior inimigo da autoridade é o desprezo e a maneira mais segura de solapá-la é o riso." (Hannah Arendt 1906-1975)

sexta-feira, 6 de outubro de 2017

06 de Outubro de 1908:O império austro-húngaro anexa a Bósnia e a Herzegovina

06 de Outubro de 1908:O império austro-húngaro anexa a Bósnia e a Herzegovina:

No dia 6 de Outubro de 1908, o império Austro-húngaro anuncia a anexação da Bósnia e da Herzegovina, duas províncias na região dos Balcãs na Europa Meridional, anteriormente sob o controlo do Império Otomano.

Embora a Bósnia e Herzegovina estivessem ainda em 1908 nominalmente sob o controlo do sultão otomano, o império austro-húngaro vinha administrando essas províncias desde o Congresso de Berlim de 1878, quando as grandes potências da Europa concederam à monarquia dual o direito de ocupá-las, ainda que elas permanecessem legalmente vinculadas à Turquia.

Apesar das províncias estarem a ser cobiçadas por muitos, com efeito, somente a Áustria-Hungria manifestou abertamente esse desejo. A decisão que havia sido tomada em Berlim foi na verdade uma medida temporária destinada a preservar o delicado equilíbrio de poder na Europa. Para tornar as coisas ainda mais complicadas, a população maioritariamente eslava das duas províncias tinha as suas próprias ambições nacionalistas, visto que os seus vizinhos eslavos da Sérvia ansiavam por anexá-las a fim de levar adiante as suas ambições pan-eslávicas.

Quando o Comité de União e Progresso – os assim chamados Jovens Turcos – comandou a rebelião que tomou o poder no Império Otomano em 1908, o barão Aloys von Aerenthal, ministro dos Negócios Estrangeiros do Império Austro-húngaro, vislumbrou a oportunidade de confirmar o seu domínio dos Balcãs. À parte a debilidade do sultão, a Rússia, a grande rival da monarquia austro-húngaro na luta pelo poder nos Balcãs também balançava, após a derrota na guerra russo-japonesa e a revolução interna de 1905.

O anúncio da anexação pela Áustria-Hungria da Bósnia e Herzegovina rompe o frágil equilíbrio de poder nos Balcãs, irritando a Sérvia e os nacionalistas eslavos em toda a Europa. Embora a enfraquecida Rússia tivesse, humilhantemente, de se submeter, a sua política externa ainda via as acções da Áustria-Hungria como abertamente agressivas e ameaçadoras, a despeito das garantias de Aerenthal de que não tinha planos de tomar a Macedónia, outra disputada província do antigo Império Otomano. A resposta da Rússia teve o condão de excitar o sentimento pró-Rússia e anti-Áustria na Sérvia e outras províncias balcânicas, provocando temores em Viena do expansionismo eslavo na região.
Em Janeiro de 1909, no auge da crise Bósnia-Herzogovina, Franz Conrad von Hotzendorff, chefe do Estado Maior do exército austríaco, procurou Helmuth von Moltke, seu colega alemão da mesma hierarquia, para lhe perguntar o que faria a Alemanha se a Áustria invadisse a Sérvia e isto provocasse a intervenção de Moscovo. Significativamente, Moltke respondeu que, a despeito da natureza meramente defensiva da aliança germano-austríaca concluída em 1879, a Alemanha apoiaria o Império Austro-Húngaro, ainda que fosse este o agressor no conflito, e declararia guerra não somente à Rússia mas também à França, poderoso aliado russo no ocidente.
No Verão de 1914, ocorreria exactamente isto, quando a disputa pelo poder nos tumultuosos e instáveis Balcãs se transformou num devastador conflito internacional, conhecido à época como a Grande Guerra e, mais tarde, como a Primeira Guerra Mundial.



Fontes: Opera Mundi
wikipedia (imagens)
800px-Storming_of_the_castle_of_Sarajevo
As forças do Império Austro - Hungaro em Saraievo
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Alois Lexa von Aehrenthal, ministro dos Negócios Estrangeiros do Império Austro - Húngaro


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