Ataque Aberto

"O maior inimigo da autoridade é o desprezo e a maneira mais segura de solapá-la é o riso." (Hannah Arendt 1906-1975)

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2020

ON SHYNESS



ON SHYNESS

(Milton Pires)

Estas linhas que eu escrevi
na tentativa vã de recuperar
tua lembrança são investidas
fúteis…

São tão somente a esperança
de voltar àqueles momentos
de medonha timidez entre nós
em que, sorrindo, desviávamos
devagar nossos olhares como os
amantes que se soltam aos poucos

...Eram o silêncio e o medo
que nos comandavam…

Sobretudo o medo, este medo
terrível de magoar um ao outro
e perder aquilo que tínhamos
inventado de forma tão terna,
tão combinada em silêncio, tão
carinhosa que a simples ideia de
tornar-se real e dotada de forma
física nos apavorava…

Eu recordo, até hoje, cada
palavra que eu não te disse…

Penso em tudo que poderia ter
escutado baixinho sussurrado
pelos teus lábios de mulher
apaixonada por mim…

Um dia, em outra vida,
nós dois vamos nos ver
outra vez…

Esperarei por ti lá,
meu amor…

Adeus!

Fevereiro de 2020.

Previsão Sul – Temporais no RS

Previsão Sul – Temporais no RS:



Boletim de previsão do tempo contendo informações sobre previsão, temperatura mínima e máxima prevista, além de destaques relevantes dos últimos dias.

17 de Fevereiro de 1600: Giordano Bruno é queimado vivo no Campo de' Fiori em Roma, acusado de heresia.

17 de Fevereiro de 1600: Giordano Bruno é queimado vivo no Campo de' Fiori em Roma, acusado de heresia.:

No dia 17 de Fevereiro de 1600, Giordano Bruno foi queimado vivo no Campo de Fiori, em Roma, onde é relembrado desde 1899 com um monumento.

Ao contrário de Galileu Galilei, Bruno negou-se a refutar a teoria do astrónomo alemão Johannes Kepler (1571–1630) de que a Terra girava em torno do Sol. Além disso, por ser padre e teólogo, as suas heresias e dúvidas, em relação à Santíssima Trindade, por exemplo, partiam de dentro da Igreja e foram interpretadas como um acto de insubordinação ao papa.
Nascido numa família da nobreza de Nola (próximo ao Vesúvio) em 1548, inicialmente chamava-se Fellipo Bruno. Aos 13 anos, começou a estudar Humanidades, Lógica e Dialéctica em Nápoles, no mesmo convento em que São Tomás de Aquino vivera e ensinara.
Em 1565, aos 17 anos, recebeu o hábito de dominicano, ocasião em que mudou o nome para Giordano. Ordenado sacerdote em 1572, continuou os seus estudos de Teologia no convento, concluindo-os em 1575.
A sua vida académica foi marcada pela fuga constante das autoridades eclesiásticas. Leccionou em Nápoles, Roma, Génova, Turim, Veneza, Pádua e Londres, antes de se mudar para Paris em 1584. Passou o período de 1586 a 1591 em Praga e nas cidades alemãs de Marburg, Wittenberg, Frankfurt e Helmstedt, onde escreveu a que é considerada sua principal obra: Sobre a associação de imagens, os signos e as ideias.
Apesar das advertências de amigos, voltou para a Itália em 1591, convicto de que na liberal Veneza não cairia nas garras da Inquisição. Mas logo foi preso e levado para Roma, onde passou os seus últimos anos na prisão.
Giordano Bruno teria caído numa armadilha ao retornar a Itália. Na Feira do Livro de Frankfurt de 1590, uma dupla de livreiros ao serviço do nobre veneziano Giovanni Mocenigo, tê-lo-ia convidado a ir para Veneza ensinar Mnemotécnica, a arte de desenvolver a memória, na qual era um perito. Pouco depois do seu regresso, desentendeu-se com Mocenigo, que o trancou num quarto e chamou os agentes da Inquisição.
Encarcerado na prisão de San Castello no dia 26 de Maio de 1592, o seu julgamento começou em Veneza, foi transferido para Roma em 1593 e chegou à fase final na primavera europeia de 1599. Durante os sete anos do processo romano, Bruno negou qualquer interesse particular em questões teológicas e reafirmou o carácter filosófico das suas especulações.
Essa defesa não satisfez os inquisidores, que pediram uma retratação incondicional de suas teorias. Como se mantivesse irredutível, foi condenado devido à sua doutrina teológica de que Jesus Cristo era apenas um mágico de habilidade incomum, que o Espírito Santo era a alma do mundo e que o demónio seria salvo um dia.
Ao ouvir sua sentença, a 8 de Fevereiro de 1600, teria dito aos juízes: "Vocês pronunciam esta sentença contra mim com um medo maior do que eu sinto ao recebê-la".
A Congregação do Santo Ofício, presidida pelo papa Clemente VIII (1592–1605), ainda concedeu ao "herege impertinente e pertinaz" oito dias de clemência para um eventual arrependimento.
A capitulação de Bruno teria um forte efeito propagandístico num ano da "graça" como o de 1600. Mas ele preferiu enfrentar a pena de morte a renegar as suas ideias. Os seus trabalhos foram publicados no Índex em Agosto de 1603 e só foram liberados pela censura do Vaticano em 1948.
Segundo os historiadores, Giordano Bruno prestou uma contribuição intelectual decisiva para acabar de vez com a Idade Média. Morto aos 52 anos, tornou-se um mártir do livre pensamento. Ele foi vítima da intolerância religiosa típica da chamada Contrarreforma, a batalha travada pela Igreja Católica contra a Igreja Reformada.
O martírio de Giordano Bruno em 1600, seguido do julgamento de Galileu Galilei em 1616, abriu um fosso de desconfiança entre a ciência e a religião.
Fontes: DW
wikipedia (imagens)







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Retrato de Giordano Bruno


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O Julgamento de Giordano Bruno pela Inquisição, obra de  Ettore Ferrari

Monumento em homenagem a Giordano Bruno


domingo, 16 de fevereiro de 2020

Previsão Sul – Diminuição da instabilidade

Previsão Sul – Diminuição da instabilidade:



Boletim de previsão do tempo contendo informações sobre previsão, temperatura mínima e máxima prevista, além de destaques relevantes dos últimos dias.

16 de Fevereiro de 1899: O Presidente da França, Félix Faure, morre nos braços da amante

16 de Fevereiro de 1899: O Presidente da França, Félix Faure, morre nos braços da amante:

No dia 16 de Fevereiro de 1899, o presidente da França, Félix Faure, com 58 anos, sofre uma crise de apoplexia e morre nos braços da sua amante num dos aposentos do Palácio do Eliseu. Os comunicados oficiais publicados na ocasião transformam  a sua morte numa terrível agonia e não mencionam a presença de Marguerite Steinheil, que ficaria célebre. Os colunistas sociais diriam que ele ficou mais famoso pela sua morte que pela sua vida. 


Em 1897, em Chamonix, estação de inverno na Suíça, Faure conhece Marguerite Steinheil, então esposa do pintor Adolphe Steinheil, ao qual havia sido confiada uma missão oficial. Era um pretexto para o presidente frequentar o chalé onde o casal vivia, em Paris. Pouco depois, Marguerite tornou-se a amante de Félix Faure, encontrando-se com ele regularmente no "salão azul" do palácio presidencial. 


No dia em que morreria, Faure telefonara para Marguerite e pedira que ela fosse ao seu encontro ao final da tarde. Minutos após a chegada, os empregados do palácio ouviram toques de campainha violentos. Ao chegarem em socorro, encontram o presidente estendido sobre um divã, enquanto Marguerite ajustava as suas roupas em desalinho. Félix Faure morreria horas depois. 


Na verdade, o presidente teve congestão cerebral, mas os rumores eram de que Faure tinha morrido nos braços de Marguerite. No dia seguinte, o Journal du Peuple estampava que ele havia morrido por "ter-se excedido no sacrifício a Vénus" - ou seja, um esforço excessivo durante o acto sexual. A maledicência popular dava detalhes. O presidente chegara ao orgasmo devido a uma felação feita pela amante, o que teria sido fatal. 


Conta-se que o policia mandado ao Eliseu foi logo perguntando ao chegar: "O presidente manteve a consciência o tempo todo?", ao que uma empregada do palácio teria respondido "Não, ela saiu por uma porta secreta". Em francês, "connaissance" é tanto "consciência", de estar consciente, como também uma "conhecida". 


Marguerite Steinheil passou a ser apelidada de "Pompa Fúnebre" (um trocadilho com pompe, de "cerimónia" e de "sucção"). Os humoristas da época diziam: "Queria ser César e não passou de Pompeu" - de pompée, alusão tanto ao gosto do presidente pelo fausto que gostavam de satirizar ,quanto à felação que teria provocado a sua morte. Esta frase foi igualmente atribuída a Georges Clemenceau, que sempre a negou. No entanto, teria dito, após a morte do presidente "Ao  reduzir-se à nulidade, deve ter-se sentido em casa". Félix Faure está enterrado no cemitério de Père Lachaise, em Paris. 


Diz-se também que teria sido envenenado pelos defensores de Dreyfus, tese retomada por Edouard Drumont em seu jornal La Libre Parole, onde afirma que um remédio envenenado foi colocado entre os medicamentos que o presidente tomava. 
Fontes: Opera Mundi
wikipedia(imagens)




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Félix Faure



sábado, 15 de fevereiro de 2020

ALONE


ALONE


(Milton Pires)

Eu sou uma pessoa profundamente
sozinha, coisa que desde já não significa
ser solitário. Pessoas sozinhas precisam
da solidão, pessoas solitárias querem
companhia e não conseguem...

Ouço vozes de parentes que se foram,
penso às vezes em coisas que aconteceram
em 1978 e sonho que sou um Urso Polar

...À noite, quando som algum se escuta
mais na Porto Alegre que dorme, quando
a insônia se torna a ânsia pura que espera
pelo dia que vai nascer, eu escuto bem
baixinho a voz de Nossa Senhora que me
diz que tudo está bem, que eu tenho alguém
sempre velando por mim aqui e no outro
mundo, que ninguém nunca está sempre
só se acredita em Deus…

O sono me toma de leve, meus
olhos vão pesando mais e mais
na luz do dia que entra no quarto
...durmo aos pouquinhos

Amanhece…

fevereiro de 2020.

Após fracasso em contratar brasileiros, Bolsonaro vai readmitir cubanos no “Mais Médicos”

Após fracasso em contratar brasileiros, Bolsonaro vai readmitir cubanos no “Mais Médicos”:

Após desmerecer a atuação de profissionais cubanos no programa Mais Médicos, Jair Bolsonaro deve lançar nos próximos dias um edital para a readmissão de médicos da ilha que ficaram no Brasil.

A readmissão se dá após uma série de tentativas fracassadas de ocupar com profissionais brasileiros os postos ocupados pelos cubanos, geralmente em cidades do interior ou em locais de difícil acesso, como em tribos indígenas.

Segundo reportagem do El País, o objetivo é atrair cerca de 1.800 profissionais com contrato de permanência de dois anos. Eles não precisarão ter feito o Revalida — exame que permite a validação no Brasil de diplomas obtidos no exterior.

Atualmente, segundo dados do Ministério da Saúde, existem 757 vagas de médicos ociosas por conta da constante desistência de substitutos nos municípios mais vulneráveis.

O edital pretende estabelecer que os médicos cubanos recebam a bolsa integral, de R$ 12 mil, e será direcionado especificamente para os profissionais que trabalhavam no brasil quando o projeto foi encerrado e que tenham permanecido no país ao menos até o dia primeiro de agosto de 2019, como naturalizado, residente ou com pedido de refúgio.

“Não tem edital de concorrência. Todos os 1.800 médicos cubanos que atendem a esses critérios serão chamados”, disse Erno Harzheim, secretário de Atenção Primária à Saúde.

Previsão Sul – Instabilidade aumenta na Região

Previsão Sul – Instabilidade aumenta na Região:



Boletim de previsão do tempo contendo informações sobre previsão, temperatura mínima e máxima prevista, além de destaques relevantes dos últimos dias.

Dresden, 75 anos: o massacre alemão de que não é bom falar.

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No dia 14 de fevereiro de 1945, já havia uns 30 mil alemães incinerados vivos em Dresden. Ou 50 mil? Até hoje não se sabe o número certo.

Outros tantos ainda iam morrer no dia seguinte.

De 13 a 15 daquele mês, a cidade histórica seria literalmente derrubada pelas bombas e os incêndios subsequentes. Foram 2.400 toneladas de explosivos e 1.200 de bombas incendiárias.

A perversidade monstruosa, quando não inútil, da Alemanha nazista continua a provocar repúdio e horror.

Com os 75 anos do fim da II Guerra, e suas diversas cerimônias comemorativas, inclusive a libertação dos campos de extermínio, da barbárie nazista, com a intransponível contradição de ter sido cometida por uma país altissimamente civilizado e culto, as feridas são inevitavelmente reabertas.

Mais difícil e moralmente complicado é tratar do que talvez tenha sido a mais brutal ação das forças aliadas cometida na Europa.

Dresden é uma chaga na consciência dos que não aceitam respostas fáceis.

E como é fácil encontrar argumentos, se não fáceis, dignos de consideração: o inimigo era o nazismo, a Alemanha tinha iniciado a hedionda “guerra total”, sem diferenciar entre combatentes e civis. 

Stálin exigia os bombardeios, já que o desembarque aliado pela França ainda estava apenas nos planos, para “amaciar” os alemães diante do inexorável avanço do Exército Vermelho, que culminaria com a queda de Berlim, em 2 de maio daquele ano.

Isso tinha sido decidido apenas semanas antes, na conferência de Ialta, entre Franklin Roosevelt, Winston Churchill e o próprio Stálin.

Apenas cinco anos antes, era a Alemanha a agressora de civis inocentes. Faltava só a Inglaterra para ter o domínio total da Europa. Chegou perto disso. 

Entre setembro de 1940 e maio de 1941, fábricas, indústrias, instalações militares e alvos que deveriam ser preservados, incluindo o Parlamento e patrimônios culturais como a catedral de Coventry, foram bombardeados.

Cerca de 40 mil pessoas morreram na Blitz.

Por causa disso, prevaleceu a versão de que Churchill autorizou o bombardeio de Dresden – primeiro foram os ingleses, depois os americanos – como uma espécie de vingança.

É uma explicação simplista para os horrores da guerra. Resumidamente, segundo o historiador Chris Harmon, Chuchill não era muito inclinado ao bombardeio em massa de áreas civis, “mas começou a entender sua tétrica necessidade depois de ver como os ataques aéreos alemães devastaram Varsóvia e Roterdã”.

Harmon escreveu um livro sobre o tema, intitulado Nós Somos Feras?.

As feras estavam soltas, dentro do complicado quadro acima resumido, na Operação Trovoada. Os heróicos pilotos da Royal Air Force, os mocinhos, os ases do lado bom da força, fizeram o que se esperava deles.

Uma das descrições mais torturantes foi feita por um inglês, um prisioneiro de guerra chamado Victor Gregg.

Em 13 de fevereiro, em sua cela num campo de trabalhos forçados ao lado de Dresden, ele viu “o dia virar noite”. Os traçadores e depois as bombas de fósforo começaram a cair. Uma parede da prisão desmoronou, Gregg tentou fugir. 

Os sobreviventes estavam fazendo a mesma coisa. A cidade estava coalhada de corpos humanos, muitos “encolhidos” para menos de 1 metro pelo calor. Abaixo de 3 anos, as crianças haviam simplesmente evaporado. Era como uma Hiroshima sem a parte nuclear.

Ao todo, 6,5 quilômetros quadrados da área central da linda cidade alemã foram destruídos, prédios com estruturas de madeira simplesmente desmoronando. As pessoas eram incineradas vivas.

Em muitos abrigos antiaéreos transformados em câmaras de morte, o calor infernal deixou apenas ossos, trapos de roupas e camadas líquidas de gordura derretida de corpos humanos.

Convocado, sob ameaça de arma, a entrar para uma equipe de resgate alemã, Victor Gregg continuou a ver cenas dantescas.

“O horror gravado a fogo na minha memória, impossível de ser apagado. Até hoje me desperta à noite”, relatou Gregg – 100 anos completados em outubro.

Os alemães não votaram em Hitler, apoiaram em grande maioria a guerra, ignoraram o genocídio dos judeus, celebraram o domínio torturante sobre tantos países europeus? Não mereciam isso tudo? Não foram eles que provocaram isso para si mesmos?

É dever moral de todos nós, mesmo 75 anos, responder.

Curiosamente, em especial na Inglaterra, políticos da direita tradicional argumentam até hoje em favor do bombardeio de Dresden. 

Vencer o nazismo era tão mais importante do que tudo, mais até que as considerações morais básicas, que nenhum recurso podia ser evitado (Dresden, evidentemente, não foi a única cidade alemã reduzida a ruínas).

Na Alemanha, a direita mais à direita chama Dresden de Holocausto alemão.

É uma expressão pesada, até ofensiva aos judeus que defendem o caráter único, sem parâmetros, do genocídio industrial conduzido pelos nazistas. Em hebraico, Shoá.

As pilhas e mais pilhas de corpos deformados levados para a incineração depois do grande fogo que caiu do céu em fevereiro de 1945 evocam, quase insanamente, as vítimas dos campos de extermínio.

Talvez o que aconteceu em Dresden possa ser chamado apenas de holocausto, com minúscula. 

Mas aconteceu e não pode ser ignorado, mesmo que isso provoque constrangimento e questionamentos morais. Nem 75 anos depois.

15 de Fevereiro de 1564: Nasce em Pisa, Galileu Galilei

15 de Fevereiro de 1564: Nasce em Pisa, Galileu Galilei:

A vida e a obra de Galileu constituem elementos de importância central para a compreensão da revolução científica que mudou o pensamento ocidental no período pós-Reforma. 
Galileu nasce em Pisa, em 15 de Fevereiro de 1564, como o mais velho de sete irmãos. O seu pai, músico e comerciante de lã, queria que o filho estudasse medicina, mas o menino diz ao pai que pretendia ser monge. Aos 11 anos, Galileu é enviado para um mosteiro jesuíta. Depois, no entanto, volta atrás e, aos 17, ingressa na Universidade de Pisa para estudar medicina. 
Aos 20, dentro de uma catedral, Galileu nota que o archote que descia do tecto por uma longa corrente balançava sem parar. Curioso para saber quanto tempo o archote levava para ir e vir, ele usa o próprio pulso para medir o tempo. Ali, descobre algo de que ninguém se havia dado conta: o período de cada balanço era exactamente o mesmo. A lei do pêndulo, que seria usada para regular relógios, faz Galileu tornar-se imediatamente famoso. 
Com excepção da matemática, Galileu aborrecia-se com o currículo da universidade. O pai, longe de se mostrar encantado com o progresso do filho, uma vez que os rendimentos de um matemático eram aproximadamente os mesmos de um músico, insiste que ele complete os estudos de medicina. Pouco adianta, pois Galileu abandona a Universidade de Pisa sem se formar. 
Para garantir o sustento, passa a dar aulas particulares. A sua grande ambição, porém, era ser professor de matemática numa grande universidade. Mas, embora Galileu se mostrasse simplesmente brilhante na disciplina, ofendia muita gente da área, que acabava por escolher outros candidatos.
Ironicamente, é uma conferência sobre literatura que muda o destino de Galileu. A Academia de Florença debatia sobre uma controvérsia que já durava 100 anos: “onde se localizava e qual eram a forma e as dimensões do Inferno de Dante”. Galileu queria enfrentar seriamente a questão, mas do ponto de vista de um cientista. Extrapolando o texto de Dante, no trecho em que afirma que “a face do gigante Nimrod era tão comprida e tão ampla quanto a cúpula da basílica de São Pedro, em Roma”, Galileu deduz que o próprio Lúcifer tinha o braço 2 mil vezes mais comprido que o braço normal. A plateia fica impressionada e demora pouco para Galileu ser indicado para a mesma Universidade de Pisa de onde saíra sem diploma. 


Na época, travava-se um debate sobre uma das leis de Aristóteles sobre a natureza: objectos mais pesados caíam com maior rapidez que objectos mais leves. As teses de Aristóteles eram tomadas como dogmas. Diz a lenda que Galileu decidiu comprová-la. Precisava lançar os objectos de uma grande altura. Uma construção perfeita para esse fim estava à mão – a Torre de Pisa, de 54 metros de altura. Galileu sobe até o topo carregando uma variedade de pedras de diversos tamanhos e pesos. Solta-as aos pares, bem diferenciadas, e todas elas chegam ao solo ao mesmo tempo. A demonstração é testemunhada por uma multidão de estudantes e professores. Aristóteles estava errado. 


Apesar de Galileu ser um cristão fervoroso tinha um temperamento conflituoso e viveu numa época atribulada, em que a Igreja Católica endurecia a vigilância sobre a doutrina para enfrentar as derrotas sofridas na Reforma Protestante. O seu conflito pessoal com a autoridade religiosa tornou dramática a extensão e a profundidade da mudança de abordagem da natureza. 


O Papa Urbano VIII percebe a aceitação generalizada do modelo heliocêntrico e convoca Galileu a Roma para ser julgado. Após um julgamento longo e atribulado, o cientista é condenado à prisão por tempo indefinido e a rejeitar publicamente as suas ideias. Os livros de Galileu são incluídos no Index, censurados e proibidos, mas foram publicados nos Países Baixos, onde o protestantismo prevalecia, livre da censura do Santo Ofício. Galileu havia escolhido justamente a Holanda para executar a experiência com o telescópio que construíra. Conta-se que, ao sair do tribunal, teria dito a frase célebre: "Eppure se muove!" (No entanto, ela move-se), referindo-se à Terra. Galileu consegue comutar a pena de prisão para confinamento, primeiro no palácio do embaixador da Toscana em Roma, depois na casa do arcebispo Piccolomini em Siena e, mais tarde, na sua própria casa de campo, em Arcetri, na Itália, onde morre. 


Hoje, o nome de Galileu Galileu está indissoluvelmente associado a uma profunda mudança no equilíbrio entre a filosofia especulativa, a matemática e a evidência experimental no estudo dos fenómenos naturais, no início do século XVII. O período coberto pelas suas publicações científicas começa com o anúncio das suas primeiras descobertas astronómicas com o telescópio, em 1610, e encerra-se com a primeira tentativa sistemática de estender o tratamento matemático da física, indo da estática para a cinemática e para a resistência de materiais, em 1638. 


Em 12 de Setembro de 1982, o papa João Paulo II, ao visitar a Universidade de Pádua, revogou as acusações de heresia da Santa Inquisição e reabilitou postumamente Galileu Galilei. 
Fontes: Opera Mundi

wikipedia (imagens)
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Galileu frente ao tribunal da inquisição romana, pintura de Cristiano Banti
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Galileu Galilei por Justus Sustermans
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Galileu mostra ao Doge de Venezao uso do telescópio - Giuseppe Bertini

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2020

Previsão Sul – Nova frente fria influencia a Região

Previsão Sul – Nova frente fria influencia a Região:



Boletim de previsão do tempo contendo informações sobre previsão, temperatura mínima e máxima prevista, além de destaques relevantes dos últimos dias.

14 de Fevereiro de 269: São Valentim é torturado e executado em Roma

14 de Fevereiro de 269: São Valentim é torturado e executado em Roma:

No dia 14 de Fevereiro de 269 d.C., Valentim, um padre romano da época do império de Cláudio II, é executado. Sob o governo de Cláudio, o Cruel, Roma estava envolvida em muitas campanhas sangrentas e impopulares. O imperador tinha de manter um poderoso exército, mas estava a enfrentar dificuldades no alistamento de soldados para as suas unidades.

Cláudio acreditava que os homens romanos não se mostravam dispostos a unir-se ao Exército devido às fortes ligações que mantinham com as suas mulheres e famílias.

Para livrar-se do problema, Cláudio proibiu todos os casamentos e relacionamentos em Roma. Valentim, dando-se conta da injustiça de tal decreto, desafiou o imperador e continuou a celebrar, em segredo, casamentos.

Quando os “delitos” de Valentim foram descobertos, Cláudio ordenou que fosse condenado à morte. Valentim foi preso e espancado até à morte e, depois, decapitado.

A lenda conta também que, enquanto estava preso, São Valentim deixou uma nota de despedida para a filha do carcereiro, com quem havia feito amizade, e assinou “Do seu Valentim”. Pelos seus serviços e coragem, Valentim foi sagrado santo após sua morte.

Na verdade, a exacta origem e identidade de São Valentim é pouco clara. De acordo com a Enciclopédia Católica, “pelo menos três diferentes santos com o nome Valentim, todos eles mártires, são mencionados nos mais antigos martirológios com a mesma data, a de 14 de Fevereiro." O primeiro era um padre de Roma, o segundo, um bispo de Interamna, e o terceiro, um mártir numa província romana da África.



As lendas variam sobre a forma como o nome do mártir passou a ser relacionado com o romance entre duas pessoas.
A data da sua morte pode-se ter confundido com a Festa de Lupercália, um festival pagão do amor. Nessas ocasiões, o nome de jovens mulheres era colocado numa caixa, posteriormente sorteado e, logo em seguida, tirado pelos homens com os quais casariam.

Em 496 d.C., o papa Gelásio decidiu pôr fim à Festa de Lupercália e decretou que a data de 14 de Fevereiro deveria ser celebrada como o Dia de São Valentim.

Fontes: Opera Mundi
wikipedia (imagens)
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São Valentim e seus discípulos

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S. Valentim recebe um rosário da Virgem Maria

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2020

O problema da esquerda radical chic

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Patrícia Fernandes, para o Observador:

Nos Estados Unidos, a eleição de Donald Trump fez renascer o interesse por obras filosóficas que pareciam adivinhar esse acontecimento, para muitos, incompreensível. Uma dessas obras foi Achieving our Country: leftist thought in twentieth-century America, publicada em 1998 pelo filósofo norte-americano Richard Rorty. Nela, Rorty contrapõe a New Left, nascida nos anos 70 na academia norte-americana sob influências pós-estruturalistas e pós-modernistas, à Old Left do período anterior. O que distingue a Nova Esquerda é o facto de fazer uma crítica radical ao sistema político e à sociedade tal qual existe: percecionando toda a realidade como resultado de um modelo político-económico inadmissível, recusa-se a participar num jogo que considera viciado. O argumento de Rorty é o de que, ao assumir uma postura de mera espectadora, esta esquerda se tornou responsável pela deterioração das condições de vida das classes mais baixas nos EUA, designadamente pela crescente desigualdade social que caracterizou as últimas décadas. O resultado seria uma grave crise social que conduziria ao surgimento de uma figura populista e autoritária.

Duas décadas mais tarde, e após a vitória de Trump, Mark Lilla tornou-se uma das figuras mais controversas do intelectualismo de esquerda ao apontar a responsabilidade daquela eleição à deriva identitária do Partido Democrata. Em De esquerda, agora e sempre (2017), Lilla defende que os democratas têm perdido a luta política e as sucessivas eleições por estarem radicalmente distantes dos seus eleitores. Mergulhados nas múltiplas questões pós-materialistas e identitárias, a New Left deixou o terreno livre para os republicanos, que continuaram a falar para os norte-americanos comuns.

Na verdade, os dois autores retomam uma crítica antiga e que parece consubstanciar um problema da esquerda intelectual – vanguardista e ativista. Ambos ecoam aquela que é, provavelmente, a mais famosa crítica da esquerda a partir do seu interior e que consta da segunda parte de O Caminho para Wigan Pier, de George Orwell (1937). O livro começa com uma descrição realista e perturbadora das condições de vida das classes pobres das cidades industriais de Inglaterra, mas a segunda parte contém uma crítica devastadora dirigida aos intelectuais socialistas:

«Veja-se qualquer socialista burguês. Veja-se o camarada X, membro do Partido Comunista da Grã-Bretanha e autor de O Marxismo explicado aos bebés. Acontece que o camarada X estudou em Eton. Estaria disposto a morrer nas barricadas, pelo menos em teoria, mas reparem que ainda deixa desabotoado o último botão do colete. Idealiza o proletariado mas é impressionante verificar até que ponto os seus modos são diferentes do proletário. (…) Conheci muitos socialistas burgueses, ouvi-os discursar durante horas contra a sua classe e, no entanto, nunca, mas nunca, encontrei um que tivesse adotado as maneiras dos proletários à mesa. E contudo, no fim de contas, o que os impede? Por que razão um homem que está convencido de que o proletariado reúne todas as virtudes se dá ao trabalho de comer a sopa sem fazer barulho com a boca? Só pode ser por, bem no íntimo, pensar que as maneiras dos proletários são repulsivas.»

Oitenta anos volvidos, a leitura de Orwell carece de uma atualização de termos, polémicas e obsessões da esquerda – mas a espinha dorsal do argumento mantém-se: há uma vítima que é explorada por um opressor (antes uma exploração económica, hoje uma exploração estrutural e cheia de micro-agressões) e que precisa de salvação. Mas este discurso moralista assenta numa construção abstrata e idealizada da realidade – a vítima não tem, nem pode ter consistência real. E isto porque as pessoas reais não são, nem pensam como os intelectuais de esquerda gostariam. Na verdade, as pessoas reais têm uma linguagem, preocupações e ansiedades inaceitáveis. Riem-se de piadas inadmissíveis, temem irrazoavelmente o desconhecido e as ameaças do progresso, agarram-se às suas tradições e valores inaceitáveis. São geralmente deploráveis, racistas, xenófobas, ignorantes. E, ainda por cima, teimam em não entender o que os intelectuais lhes explicam, ousando, por exemplo, votar pela saída do Reino Unido da União Europeia. É por essa razão que um país que elegeu Barack Obama por duas vezes é, afinal, racista e que uma população que durante anos votou PT é, no fundo, fascista.

Os intelectuais de vanguarda acusam os eleitores – mas a verdade talvez seja mais simples: esta esquerda é incapaz de se relacionar com as pessoas comuns. No seu exercício de sobre-intelectualização, não usa a linguagem das pessoas comuns, não compreende as preocupações das pessoas comuns, não aceita as ansiedades das pessoas comuns e julga com superioridade moral todos os que vivem de forma diferente, em especial quando esse modo de viver é herança das tradições locais e rurais.

Em Portugal, onde tudo acontece mais tarde, só agora estamos a perceber este afastamento, agravado pela distância que vai de Lisboa ao país real e da bolha da representação aos valores democráticos. Este esquerdismo ativista, cada vez mais urbanizado e envolvido nas suas lutas progressistas, parece cada vez mais longe das preocupações comuns dos portugueses. Estes preocupam-se com insegurança, injustiça, corrupção, hospitais que não funcionam, má alocação dos seus impostos, o futuro dos seus filhos. Os radicais chics, para usar a expressão de Pacheco Pereira, estão concentrados em agendas avançadas, culpabilizações ocidentais, redescrição da história, julgamentos anacrónicos e censuras linguísticas. O resultado é o espaço abrir-se a novas direitas e, sobretudo, a figuras que não hesitam em ecoar aquilo que os portugueses comuns dizem – não julgando as suas opiniões, não criticando a sua linguagem, não pretendendo mudar os seus hábitos alimentares, nem ridicularizando os seus medos.

A verdade é que esquerda e direita são conceitos intelectualizados. A maioria da população não quer saber se as ideias são de esquerda ou de direita. A maioria das pessoas quer sentir que a sua voz é ouvida e que a sua vontade é representada – foi isso que a democracia lhes prometeu e é isso que esperam dela. O que é muito diferente de intelectuais ativistas pretenderem impor à comunidade o novo mundo melhorado que idealizaram nas suas cabeças.

AVISO SOBRE "BRINCADEIRA" PERIGOSA ENTRE AS CRIANÇAS.

Eu até pensei que a coisa de três crianças pularem e duas passarem uma rasteira naquela que está no meio para que ela tenha traumatismo craniano tinha sido inventada no Brasil. Fiquei "decepcionado" ao ver que já existe no Mundo todo e que não foram crianças psicopatas que assistem videocassetadas do Faustão" que inventaram isso. Todo domingo, no final de tarde, o Brasil inteiro ri de pessoas se machucando no Faustão. Como alguma sociedade de especialidade médica pode combater trauma cervical ou craniano num país de merda, numa espelunca como é o Brasil? Cada vez que as 3 crianças fazem isso parece que estou vendo as mulheres de maiô que dançam no Faustão rindo e batendo palmas lá atrás.

Previsão Sul – Sol e calor na Região

Previsão Sul – Sol e calor na Região:



Boletim de previsão do tempo contendo informações sobre previsão, temperatura mínima e máxima prevista, além de destaques relevantes dos últimos dias.

13 de Fevereiro de 1917: Mata Hari é presa em Paris

13 de Fevereiro de 1917: Mata Hari é presa em Paris:

A certidão de nascimento: Margueretha Gertruida Zelle; nome artístico: Mata Hari. No dia 13 de Fevereiro de 1917, a famosa e exótica dançarina holandesa é presa num hotel na avenida Champs-Élisées, em Paris, acusada pelos serviços secretos franceses de espionagem durante a I Guerra Mundial.

Mata Hari era filha de um empresário holandês e de uma descendente de javaneses – provável origem da sua beleza exótica. Casou com um funcionário da Companhia das Índias Orientais, Rudolph McLeod.

Admirou-se com a cultura oriental quando morou na Indonésia, mas o seu casamento ia de mal a pior: McLeod era alcoólico, tinha acessos de fúria e mantinha um caso com uma concubina.

Divorciada, Margaretha decidiu viver independentemente em Paris após McLeod não pagar pensões e ela ser forçada a entregar-lhe a filha. O outro filho havia morrido no Oriente, vítima de sífilis contraída dos pais – ou, segundo boatos, de envenenamento de uma criada.
Assim, passou a exercer a profissão de dançarina na capital francesa. Era 1903, tinha 26 anos de idade, e percebeu que que os parisienses da Belle Époque adoravam ver espetáculos com alusões estéticas à distante cultura oriental. Assim nascia Mata Hari, que afirmava ter sido criada num templo sagrado indiano e recebido aulas de antigas danças do país de uma sacerdotisa, quem havia mudado o seu nome para a tradução de “visão do amanhecer”.
Obteve popularidade em toda a Europa, principalmente por dançar e posar quase inteiramente nua diante do público. Cortesã e bailarina, Mata Hari coleccionou vários militares e figuras políticas francesas e alemãs como amantes.
Na década de 1910, imitadores haviam aparecido e críticos diziam que o seu sucesso se devia ao exibicionismo barato e falta de talento artístico. A sua carreira como dançarina entrava em declínio e já se iniciava a I Guerra Mundial.
As movimentações daquela mulher que esbanjava relacionamentos amorosos começaram a levantar suspeitas. As circunstâncias da sua prisão não são consensuais – assim como, aliás, muitos factos de sua vida.
Algumas fontes afirmam que a França exigiu que ela servisse como espia a partir de casos premeditados com oficiais alemães em Espanha. Por fim, mostrou-se inabilidosa, com informações pouco relevantes. Outras afirmam que os franceses interceptaram mensagens de rádio entre alemães em que eram descritas as actividades de um espião alemão, com codinome H21. A partir das informações, os franceses teriam identificado a sigla como Mata Hari.
                                                                                                                                   
Após ser presa no hotel Elisée Palace e interrogada, Mata Hari  foi acusada de servir como espia da Alemanha (ou como agente duplo, dependendo da história). Ela teria escrito várias cartas ao cônsul holandês em Paris, clamando a sua inocência e dizendo que as  suas conexões internacionais eram fruto do seu trabalho como dançarina.

Por um lado, a autora da biografia Femme fatale, Pat Shipman, defende que Mata Hari nunca foi agente duplo e que foi usada para bode expiatório para distrair a opinião pública das grandes perdas sofridas pelo exército francês. Por outro, detalhados documentos alemães comprovariam a entrada de Mata Hari como agente na Alemanha e na Espanha e confirmariam o nome de código H21.

As circunstâncias das suas alegadas actividades de espionagem durante a Guerra eram – e permanecem ainda – pouco claras. De qualquer modo, em 25 de Julho de 1917, Mata Hari foi julgada por um tribunal militar e sentenciada à pena de morte.

O seu processo foi tendencioso, cheio de falhas e montado sobre evidências circunstanciais. Não ficou provado que nenhuma informação relevante ou secreta tivesse sido passada para os exércitos inimigos da França, mas nem ela nem o seu advogado tão pouco conseguiram sustentar a defesa.
Tendo o presidente francês negado o apelo final de clemência, um pelotão de fuzilamento francês executou-a  em 15 de Outubro do mesmo ano em Vincennes, nos arredores de Paris. Mata Hari não foi amarrada e recusou-se a vendar os olhos, recebendo as balas de cabeça erguida, segundo relato de Henry Wales, jornalista britânico que cobriu a execução.

Ainda que envolta em vários mitos e incertezas sobre a sua história, Mata Hari permanece como uma das figuras com mais glamour do sombrio mundo da espionagem, símbolo da ousadia feminina e arquétipo de mulher espião.
Fontes:Opera Mundi
wikipedia(imagens)
File:Mata-Hari 1910.jpg
Mata Hari em 1910
File:Mata Hari on the day of her arrest 13-2-1917.jpg
Mata Hari no dia da sua prisão

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2020

Gláuber ofende novamente Moro, recebe resposta e perde a linha com acusação de que a mãe é “bandida” (veja o vídeo)

Gláuber ofende novamente Moro, recebe resposta e perde a linha com acusação de que a mãe é “bandida” (veja o vídeo): Um desqualificado.O deputado Gláuber Braga (PSOL) não passa disso.Sujeito indecoroso e sem a mínima compostura para exercer um mandato parlamentar.O ‘pilantra’ se aproveita de sua imunidade para ofend...


Anexos originais:


VAGABUNDO do Psol ofende Moro dentro da Câmara

Deputado desqualificado do Psol ofende Moro dentro da Câmara:

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O cretino deputado do PSOL, Glauber Braga, ofendeu gravemente o ministro Sérgio Moro, esta manhã, durante audiência na Câmara. Ele chamou o ministro de "capaganga da milícia da família Bolsonaro". O deputado é um bandido comum. Moro trata-o como "desqualificado". O caso é de cassação pura e simples de mandato, mas a Câmara já não vale mais nada e por isto nada fará.

Não é função do Estado dizer como devemos viver

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João Pereira Coutinho:

Pergunta seca: por que é que é de direita?

Resposta seca: porque não sou de esquerda. Porque não acredito na bondade intrínseca da natureza humana. Porque não creio que os homens nasçam livres e, como dizia Rousseau, se encontrem por aí aprisionados. Creio, aliás, no oposto: os homens nascem aprisionados na sua agressividade instintiva e é a sociedade que os civiliza, refina e liberta. E não existe liberdade sem lei, ou seja, sem uma autoridade politicamente constituída e democraticamente eleita. E, também ela, limitada pela lei. De preferência, bem limitada: capaz de exercer as suas funções soberanas mas sem interferir nas escolhas individuais e legítimas dos indivíduos.

Qual é o papel do Estado, nesse quadro?

Não é função do Estado dizer-me como viver; é função do Estado permitir-me viver em segurança e paz. Por minha conta e risco. Como é evidente, sei que isto soa estranho em Portugal: um país onde a pobreza mental e material obriga qualquer um a olhar para o Estado como certas tribos primitivas olhavam para os seus deuses de pedra e bambu. De forma reverente, messiânica. E isto tanto se encontra à esquerda como à direita. Por outro lado, e de forma mais caseira, sou de direita – ou, se preferir, não sou de esquerda – porque não tenho tempo nem paciência para cultivar complexos ideológicos de nenhuma espécie. Nasci depois do 25 de Abril.

Quer dizer, nasceu em liberdade, não nasceu num regime ditatorial.

Não fiz parte da ditadura nem defendi nenhuma ditadura de sentido contrário. Salazar, tal como Cunhal, são-me igualmente repulsivos. Mas é necessário entender que Salazar não nasceu do vácuo nem permaneceu por milagre; nasceu da nossa pobreza material e da nossa balbúrdia republicana – exactamente os motivos pelos quais permanece na memória dos nostálgicos: porque a pobreza e a balbúrdia persistem. E, se permaneceu no poder, não foi pelo uso totalitário da repressão e do medo, como na Alemanha ou em Itália. Foi porque o país continua a ser intrinsecamente cobarde e iliberal. A aura de Cunhal, mesmo à direita, explica-se pelas mesmíssimas razões. Fosse Portugal um país mais cioso da democracia pluralista e da liberdade individual e jamais Salazar ou Cunhal teriam a expressão que tiveram e têm.

P.S. do blogueiro: Portugal e Brasil, tudo a ver.

Uma história moral: o legado de Gertrude Himmelfarb.

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Artigo de Luiz Bueno, Estado da Arte

No dia 30 de dezembro de 2019, recebemos a notícia da morte da grande historiadora norte-americana Gertrude Himmelfarb, aos 97 anos. Uma pensadora, pesquisadora, escritora de grande estatura intelectual e moral, que deixa um grande legado na forma de muitos livros e artigos publicados, alguns inclusive já traduzidos no Brasil.

Durante os últimos três semestres, tivemos a honra de dedicar as atividades do Núcleo de Filosofia Política do Laboratório de Política, Comportamento e Mídia – Labô, da PUC-SP, ao pensamento de Himmelfarb. Sua obra se mostrou extremamente valiosa para compreender aspectos da vida cultural e política brasileira na atualidade.

Himmelfarb era de Nova Iorque, onde nasceu em 08 de agosto de 1922. Vinha de uma família judia de condição humilde que sobrevivia a partir do trabalho do pai, um fabricante de artigos de vidro. Em seus estudos no Brooklin College, obteve uma tripla formação: em história, filosofia e economia além de se graduar no Jewish Theological Seminary. Assim como vários de seus contemporâneos, na sua juventude ela se envolveu com o movimento trotskista novaiorquino. Em uma das reuniões do movimento, ela conheceu aquele que seria seu futuro marido, Irvin Kristol, um grande intelectual norte-americano, responsável por aquilo que ficou conhecido como o neoconservadorismo, uma vertente de pensadores de várias formações, a maioria oriundos do descontentamento e decepção com o marxismo, principalmente com a experiência da Segunda Guerra Mundial e com as notícias do que ocorria na União Soviética. O casal Kristol foi um dos principais alicerces do novo movimento, tanto no plano intelectual quanto no moral. Nos círculos mais íntimos, Gertrude Himmelfarb era conhecida como Bea Kristol.

A obra de Himmelfarb se constrói a partir de um núcleo central de reflexão que a acompanha em suas pesquisas como historiadora: a questão moral. Seus estudos em história a levaram ao doutorado sobre Lord Acton e, com isso, ao período vitoriano britânico, no qual veio a se tornar uma especialista de renome internacional. A partir de seus estudos, emergiu uma nova percepção deste período da história britânica, que constrastava radicalmente com a crítica e a ótica negativa impostas pelos intelectuais e ativistas do grupo de Bloomsbury, como Virginia Woolf e John Maynard Keynes.

Na visão de Himmelfarb, o período vitoriano tinha como característica a centralidade do aspecto moral na vida social britânica e isto fez com que, por exemplo, o envolvimento com o combate à pobreza no século XIX se desse como ação oriunda diretamente dos vários segmentos da sociedade britânica, independentemente das ações de governo que foram adotadas. O esforço vitoriano partia de uma decisão moral, não de uma adesão a uma política governamental amoral e técnica, e visava também provocar a reação e o envolvimento moral das populações atendidas. Por estas e outras razões, Himmelfarb apresentou uma perspectiva do período vitoriano que apontava a prática daquilo que ela destacou como o aspecto mais significativo do movimento chamado por ela de Iluminismo Britânico: a prioridade das “virtudes sociais” às estruturas argumentativas do racionalismo francês revolucionário. 

A propósito, uma das obras responsáveis pelo reconhecimento internacional de Himmelfarb como historiadora, pesquisadora e pensadora, é o livro Os Caminhos para a Modernidade, publicado no Brasil pela editora É Realizações. Nessa obra, Himmelfarb se propõe a estabelecer de vez a noção de que o Iluminismo não foi um fenômeno único e que deveria ser referido no plural, não no singular. Para tanto, ela apresenta três versões diferentes de movimentos filosóficos e políticos que recaem sob esse único nome: os iluminismos francês, britânico e americano. Dentre essas três vertentes, a que teve maior sucesso em se associar ao termo foi o iluminismo francês, porém, Himmelfarb se propõe a tarefa de provar que o Iluminismo britânico não é apenas anterior no tempo, mas que teria sido o iniciador do Iluminismo, precedendo aquilo que veio a ocorrer na França. O Iluminismo francês se caracterizaria por um confiança absoluta no poder da razão, estabelecendo a ideologia que conduziria à Revolução Francesa a partir daquilo que acreditava ser a verdade racional que deveria produzir a profunda transformação da França pela radical ruptura com o “antigo regime”. Daí a forma tão violenta e radical que a Revolução Francesa adotou e os resultados catastróficos que produziu. Uma “ideologia da razão”: assim Himmelfarb se refere à versão francesa.

Por outro lado, é nos filósofos morais britânicos que ela vai encontrar a prioridade nos vínculos sociais fundamentais e na prática destes, os quais, como fundamento do pensamento britânico, vão constituir a marca da genialidade do Iluminismo britânico, sua precedência ao francês e americano, e sua ênfase nestas “virtudes sociais”. Se, para os Iluministas britânicos, a racionalidade era importante, e a empreitada do conhecimento era louvável — eles produziram a Enciclopédia Britânica –, ela não era mais importante do que os sentimentos morais que eram a base e fundamento da sociedade, da história, da cultura britânicas, sobre as quais se assentavam valores máximos como a liberdade individual junto com a ordem social. Tal ideia de liberdade vai ser o elemento mais importante da versão americana do Iluminismo, caracterizado por Himmelfarb como uma “política da liberdade”. 

Himmelfarb perscrutou atentamente a estrutura moral da sociedade americana e com a argúcia e fineza de sua inteligência e erudição, mostrou como a história recente dos EUA aponta claramente para uma íntima relação entre as novas formas de política que emergiram no início do século XX e que se consolidaram no período pós-guerra. Estas novas formas, marcadas pelo pensamento e prática política dos “liberals” –a versão americana do pensamento progressista–, influenciaram as políticas governamentais que produziram, entre outros efeitos, o paulatino desmonte da ordem moral e o contínuo expurgo da prática das virtudes sociais nos EUA desde a segunda metade do século XX até os nossos dias.

A sua discussão dos efeitos da pós-modernidade aponta exatamente para o relativismo moral e epistemológico, que se manifestaram na filosofia, na política, nas artes, portanto, na cultura em geral. Essas discussões podem ser observadas em grandes obras suas como The De-Moralisation of Society, One Nation, Two Cultures e também em The Idea of Poverty: England in the Early Industrial Age, assim como na sequência a este último título, Poverty and Compassion: The Moral Imagination of the Late Victorians. No Brasil, além do estudo sobre os Iluminismos, temos disponíveis também os excelentes A Imaginação Moral e Ao Sondar o Abismo: Pensamentos Intempestivos sobre Cultura e Sociedade, ambos editados também pela É Realizações. Muitos de seus livros foram desenvolvimento de artigos publicados na revista Commentary, da qual foi uma colaboradora constante.

Na Introdução de seu livro Ao Sondar o Abismo, Himmelfarb dá uma definição de si mesma que sintetiza muito bem sua perspectiva intelectual e moral: “Talvez este livro devesse ser chamado de ‘Confissões de uma pedante incorrigível’, pois é dedicado à proposição de que existem coisas como verdade e realidade e de que há uma ligação entre elas, como há uma conexão entre sensibilidade estética e imaginação moral, entre cultura e sociedade.” A coragem e a firmeza em estabelecer sua posição crítica ao relativismo moral e epistemológico, a agudeza em trazer de volta ao debate público a noção de imaginação moral - conceito derivado de Edmund Burke e afirmado pelo amigo Lionel Trilling - e seu compromisso com as noções de verdade e realidade, mostram a têmpera moral e intelectual de Himmelfarb.

Por se tratar de uma autora dessa grandeza e com um tão importante legado intelectual, pretendemos dedicar alguns artigos neste espaço para abordar obras e ideias de Gertrude Himmelfarb para que o público brasileiro possa tomar contato com seu pensamento, compreender algumas de suas preocupações centrais e, assim, ao assimilar alguns de seus mais importantes conceitos, possa também aplicá-los na análise da nossa própria realidade.

Luiz Bueno é Bacharel e Mestre em Filosofia e Doutor em Ciências da Religião. Professor de Filosofia na FAAP. É autor do livro "Gertrude Himmelfarb: Modernidade, Iluminismo e as Virtudes Sociais", publicado pela É Realizações.

A frivolidade da justiça criminal no Reino Unido

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Theodore Dalrymple, para a Gazeta:

O sistema de justiça criminal britânico mais uma vez expôs sua frivolidade complicada e cerimoniosa. Essa frivolidade tem consequências sérias não apenas por seus efeitos imediatos na taxa de criminalidade do Reino Unido mas também porque ela põe em dúvida a legitimidade do Estado, cujo principal dever é manter a ordem a fim de garantir a segurança dos cidadãos que vivem dentro da lei.

Um jovem chamado Sudesh Amman foi solto da prisão depois de cumprir uma sentença de 3 anos e 4 meses por distribuir panfletos jihadistas. No Reino Unido, essa progressão de pena é automática, o que transforma todos os juízes em mentirosos. Porque quando um juiz diz “eu o condeno a três anos de prisão” o que ele está realmente dizendo é “Eu o condeno a 18 meses de prisão” – e ele sabe muito bem disso.

A única coisa que pode ser dita em favor de Amman é que ele não negou nem disfarçou sua intenção de cometer um ato terrorista depois de deixar a prisão. As autoridades sabiam muito bem disso. Na verdade, ele foi colocado sob vigilância policial intensa logo depois de solto.

Portanto, quando ele atacou pedestres numa rua do sul de Londres com uma faca, ferindo duas pessoas, uma delas gravemente, dois dias depois de ganhar a liberdade, a polícia estava de prontidão para matá-lo antes que ele causasse mais estragos.

Com uma mira certeira, a imprensa fez a pergunta errada: “O terrorista era conhecido”, disse o Guardian. “Como ele pôde ter sido solto?” Essa pergunta, claro, culpa implicitamente a política por não ter feito o inerentemente impossível – já que nenhum nível de vigilância que não a prisão ou o acompanhamento constante seria capaz de proteger totalmente o cidadão de um homem determinado a empunhar uma faca.

A pergunta equivocada pretende, em resumo, impedir que se perceba o absurdo do sistema de justiça criminal do Reino Unido depois de décadas servindo aos interesses dos progressistas penais. Porque a forma de se lidar com Amman foi diferente da usada no caso de todos os criminosos reincidentes ou violentos. E, por pior que a violência do terrorismo seja, o cidadão britânico tem muito mais chance de ser vítima de um crime violento comum do que de terrorismo.

Assim, o anúncio feito pelo primeiro-ministro Boris Johnson de que as leis quanto à condenação de terroristas serão endurecidas, embora acertado em si, merece ser recebido com um entusiasmo contido. Apesar de ser a medida certa, ela não basta. Na verdade, ao se ater ao que continua sendo um problema incomum e ignorar um problema mais rotineiro, a medida talvez seja um desserviço.

Mas será difícil aplicar o bom sendo à justiça criminal do Reino Unido, porque nela o sentimentalismo já contaminou as mentes da intelligentsia e da elite em geral. O pai do último homem assassinado por um terrorista recentemente solto da prisão – o que aconteceu há poucas semanas – disse que ele esperava que a morte do filho não fosse usada como argumento para se aplicar sentenças mais duras contra terroristas. É para rir ou para chorar?

Theodore Dalrymple é editor colaborador do City Journal, ocupa a cadeira Dietrich Weismann no Instituto Manhattan e é autor de vários livros.
© 2020 City Journal. Publicado com permissão. Original em inglês.

Previsão Sul – Risco de chuva forte em SC

Previsão Sul – Risco de chuva forte em SC:



Boletim de previsão do tempo contendo informações sobre previsão, temperatura mínima e máxima prevista, além de destaques relevantes dos últimos dias.

12 de Fevereiro de 1804: Morre o filósofo Immanuel Kant, autor de "Crítica da Razão Pura"

12 de Fevereiro de 1804: Morre o filósofo Immanuel Kant, autor de "Crítica da Razão Pura":

Filósofo alemão, natural de Konigsberg (então capital da Prússia Oriental, hoje Kaliningrado, na Rússia), nasceu em 1724 e faleceu em 1804. Um dos pensadores mais influentes da modernidade, notabilizou-se, entre outros, pelas suas três Críticas à Razão; pela proposta em que considerou o tempo e o espaço apriorísticos do sujeito sensível; e pela publicação, em 1755, da obraHistória Geral da Natureza e Teoria do Céu, na qual apresentou a teoria nebular que tenta explicar como se terá formado o sistema solar. Segundo Kant - mais tarde, em 1796, o filósofo francês Pierre Simon, marquês de Laplace, adiantaria uma hipótese semelhante - inicialmente teria existido, em vez do atual sistema solar, uma enorme nuvem difusa, girando lentamente, formada por gás e poeira. Esta conceção, conhecida por hipótese de Kant-Laplace, acabou por constituir o fundamento das teorias mais modernas sobre a formação do sistema solar.
Atento aos recentes êxitos da física que, com os trabalhos de Newton, se conseguira afirmar como uma disciplina dotada de um grau de cientificidade próximo do da matemática e da lógica, Kant procurou conferir à filosofia uma dignidade semelhante, restaurando-lhe a credibilidade, pela superação das posições antitéticas do dogmatismo racionalista e do empirismo cético através de uma investigação crítica dos métodos da metafísica, entendida como ciência unificadora da multiplicidade empírica. 
Para ultrapassar o antagonismo das abordagens racionalista e empirista do conhecimento, Kant radicou a sua posição no que veio a designar como «revolução copernicana» no domínio da metafísica: seguindo os passos de Copérnico - que «não podendo prosseguir na explicação dos movimentos celestes enquanto admitia que toda a multidão de estrelas se movia em torno do espectador, tentou ver se não daria melhor resultado fazer antes girar o espectador e deixar os astros imóveis» -, propõe que o conhecimento «deixe de se guiar pela natureza dos objetos», passando, pelo contrário, a ser o objeto regulado pelas faculdades cognitivas do sujeito, o que significa ver no conhecimento não uma mera aptidão passiva, mas uma atividade construtiva regida por leis próprias.
Com o objetivo de esclarecer os contornos em que poderá ser admissível qualquer autonomia para a razão, irá proceder, na Crítica da Razão Pura, à investigação dos limites desta no seu uso puro (i. é, a priori, ou seja, independentemente de qualquer recurso à experiência), recorrendo a uma abordagem transcendental do processo de conhecimento - ocupando-se, portanto, «menos dos objetos que do nosso modo de os conhecer, na medida em que este deve ser possível a priori».
Partindo da distinção entre juízos analíticos - juízos universais e necessários nos quais o predicado se encontra contido nas determinações do sujeito, pelo que nada lhe acrescenta -, juízos sintéticos - aqueles em que o predicado acrescenta uma nova determinação ao sujeito, embora a sua origem empírica os destitua de universalidade - e juízos sintéticos a priori - os que, fundamentando-se numa síntese a priori (não empírica), permitem acrescentar novas determinações ao sujeito sem, no entanto, deixarem de ser universais e necessários -, conclui que só os últimos asseguram um autêntico progresso do saber e que neles reside o princípio de possibilidade de todo o conhecimento científico. Desta forma conseguiu reduzir o âmbito do problema da razão pura à pergunta: «como são possíveis os juízos sintéticos a priori?»
No entanto, os juízos, produzidos pelo entendimento, operam sobre conteúdos que, enquanto seres humanos, só podemos intuir através da sensibilidade, única faculdade capaz de gerar em nós representações e que, por isso, deverá ser considerada como fonte inicial do conhecimento (dos dados fenoménicos).
É na Crítica da Razão Pura (1781 e 1787) que Kant irá esclarecer em que medida estão presentes, quer na sensibilidade quer no entendimento, os elementos a priori que podem transmitir a universalidade e a necessidade aos juízos sintéticos (e, por extensão, ao conhecimento em geral):
- na «Estética transcendental», respeitante à sensibilidade, considera que o espaço e o tempo não são dados da experiência nem conceitos nem se encontram de alguma maneira nas coisas: são formas a priori da sensibilidadeque, não correspondendo a nenhuma propriedade dos fenómenos (puras representações), lhes definem, antes, o horizonte de possibilidade no interior do qual são ordenados.
- na «Analítica dos conceitos», primeira parte da «Lógica transcendental», procede à enumeração dos elementos a priori do entendimento que permitem aos objetos serem pensados. Baseando-se na análise das formas tradicionais do juízo, elabora a tabela das categorias puras do entendimento, conceitos fundamentais ordenadores e unificadores dos dados da sensibilidade, agrupadas em quatro grandes rubricas - categorias da quantidade (unidade, pluralidade e totalidade), da qualidade (realidade, negação e limitação), da relação (inerência e subsistência; causalidade e dependência; e comunidade ou ação recíproca) e da modalidade (possibilidade e impossibilidade; existência e não existência; e necessidade e contingência).
- a «Analítica dos princípios» (doutrina da faculdade de julgar), segunda parte da «Lógica transcendental», debruça-se inicialmente sobre os elementos mediadores que permitem subsumir os fenómenos às categorias, os «esquemas», que se subordinam ao tempo, condição da diversidade e daconexão das representações no sentido interno, e termina com a definição dos princípios que estruturam o campo de toda a experiência possível - e, consequentemente, de toda a ciência -, concluindo que as normas que definem o funcionamento da sensibilidade e do entendimento são as mesmas que regulam o âmbito da experiência possível: só podem ser consideradas comoobjeto de conhecimento as representações com origem nas intuições sensíveis - cuja atividade apenas se refere ao fenómeno, dado percetivo, não acedendo de forma alguma à coisa em si, ou númeno -, subsumidas em conceitos pelo entendimento que, por sua vez, perde toda a operacionalidade quando procura referir-se a dados não originários da sensibilidade - pelo que é também incapaz de nos fazer aceder a qualquer realidade de tipo numénico. Desse modo, Kant afasta a possibilidade de constituir como ciência a metafísica tradicional que visa aceder ao conhecimento da realidade numénica, colocando-a definitivamente numa área de incognoscibilidade.
- a «Dialética transcendental», terceira e última parte da «Lógica transcendental», critica o uso da razão, faculdade de conhecer por conceitos, ao proceder, por disposição natural, a uma extensão ilegítima do conceito e do juízo ao campo do transcendente, ultrapassando as condições da experiência possível (analisando os paralogismos - raciocínios erróneos que partem da admissão da substancialidade da alma -, as antinomias - aporias que resultam da aplicação ao mundo numénico de princípios unicamente válidos na ordem do pensar -, e o ideal da razão pura - onde demonstra a falacidade das provas da existência de Deus, que partem da admissão da existência como um predicado real, quando se trata, de facto de um predicado transcendental). Enquanto faculdade que opera a síntese suprema do conhecimento, a razão terá no entanto, também, de se orientar por princípios a priori, que Kant designa comoideias reguladoras (ou transcendentais): Deus, alma e mundo, entendidas doravante não como entidades transcendentes mas como valores teleológicos apontando para a necessidade de um aperfeiçoamento constante do conhecimento, visando a unidade crescente deste.
As restrições impostas na Crítica da Razão Pura à metafísica teórica e ao conhecimento estritamente intelectual das realidades numénicas, devido ao carácter finito da razão humana, impuseram a transferência para a ordem prática dos esforços atinentes ao esclarecimento do conteúdo transcendente dos objetos supremos do conhecimento. A especificidade dos fins essenciais da razão humana só poderá, então, ser devidamente dilucidada à luz de uma Crítica da Razão Prática (1788), na qual se responde à questão de saber como é possível a obrigação moral, ou seja, de que forma pode a razão determinar a vontade, ou ainda, aonde se pode descobrir um fundamento para a liberdade,que não encontrara um lugar satisfatório na primeira crítica.
Para Kant, que procura determinar, agora no domínio da ética, a natureza «a priorística» e absoluta da ação da vontade, não interessa o resultado da ação ou o fim visado por ela (que são de ordem empírica), mas apenas o uso da vontadeem conformidade com o dever, que se apresenta sob forma de um imperativo categórico que exprime uma obrigação incondicionada, sem móbil material - «age de tal forma que a máxima da tua vontade possa valer simultaneamente como princípio de uma lei universal». A liberdade consistirá, portanto, nessa capacidade de autodeterminação da razão, capacidade de se auto-impor uma submissão ao dever por ela mesma gerado. A boa vontade, comportando uma restrição ao amor de si (egoísta) como fundamento da ação, levará a uma segunda formulação do imperativo categórico: «age de tal forma que trates sempre a humanidade - quer na tua pessoa, quer na de qualquer outro - como um fim em si e nunca como um meio».
Porém, do enunciar do fundamento da ação ética, advém o que Kant designa como antinomia da razão prática: o simples respeito da lei moral não implica, por si só, a felicidade. Daí conclui que o soberano bem, que conjuga o respeito pela norma ética e a felicidade individual, só pode ser assegurado pelopostulado da existência de Deus. Analogamente, partindo da consideração segundo a qual no mundo sensível jamais será possível para o ser humano a plena convergência entre a vontade e a lei moral, que supõe um processo indefinido de aperfeiçoamento, encontra uma base para firmar o postulado da imortalidade da alma.
Numa tentativa de conjugar o disposto nas duas críticas, que haviam cindido o ser humano em dois planos opostos, o da natureza e o da liberdade, Kant passará à análise da mediação entre ambos na Crítica da Faculdade de Julgar(1790). A faculdade de julgar, capaz de operar a transição entre o particular e o geral e mediadora entre a sensibilidade e a razão, é igualmente interpretada como mediadora entre a faculdade de conhecer e a faculdade de desejar, sendo definida pelo princípio da finalidade, correspondendo-lhe os sentimentos de prazer e desprazer. Nela há a distinguir juízo estético, subjetivo, e juízo teleológico, objetivo. O primeiro refere-se ao belo e ao sublime, respeitando àquilo que agrada de forma desinteressada, necessária e universal, o segundo versa a aplicação da finalidade no mundo natural, atribuindo-lhe uma função essencialmente heurística. Mais uma vez, foi preocupação de Kant demonstrar como, também neste caso, aos princípios reguladores do conhecimento (a finalidade) não pode ser atribuído qualquer valor constitutivo da realidade.
Pensador audacioso e dotado de um espírito analítico fora do comum, deixou marcas indeléveis na teoria do conhecimento. Ao fundar o sistema da filosofia transcendental, lançou as bases do idealismo alemão no qual há que radicar a génese de grande parte das problemáticas filosóficas contemporâneas.
Entre as obras do período crítico é de salientar:
Kritik der reinen Vernunft (Crítica da Razão Pura), 1781 e 1787 (2.ª ed.)
Prolegomena zu einer jeden künftigen Metaphysik, die als Wissenschaft wird auftreten können (Prolegómenos a Toda a Metafísica Futura que Possa Apresentar-se como Ciência), 1783
Kritik der praktischen Vernunft (Crítica da Razão Prática), 1788
Kritik der Urteilskraft (Crítica da Faculdade de Julgar), 1790
Zum ewigen Frieden (Para a paz perpétua), 1795
Die Metaphysik der Sitten/Rechtslehre/Tugendlehre (A Metafísica dos Costumes/Doutrina do Direito/Doutrina das Virtudes), 1797
Fontes: Infopédia
wikipedia (imagens)



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