Ataque Aberto

"O maior inimigo da autoridade é o desprezo e a maneira mais segura de solapá-la é o riso." (Hannah Arendt 1906-1975)

domingo, 25 de agosto de 2019

REVISTA VEJA - Humorista crítico a Bolsonaro sai escoltado pela PM de ato no Rio

Humorista crítico a Bolsonaro sai escoltado pela PM de ato no Rio:

O humorista Marcelo Madureira teve de sair escoltado pela Polícia Militar de um ato organizado pelo Movimento Vem Pra Rua na praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, por fazer críticas ao governo Jair Bolsonaro.

Do alto de um carro de som, ele foi alvo de gritos de “fora” e “desce, teu carro é outro” por parte de manifestantes vestidos de verde amarelo e com camisetas que estampavam os rostos do presidente da República e do ministro da Justiça, Sergio Moro.

“Não tenho medo de vaias. Votei no Bolsonaro e vou criticar todas as vezes que for necessário. Como justificar uma aliança do Jair Bolsonaro com o Gilmar Mendes para acabar com a Operação Lava Jato? É isso que está acontecendo”, disse Madureira antes de ter o microfone cortado.

Os organizadores apelaram ao público para “não dividir o movimento”. Pouco depois, Madureira desceu do carro de sol e foi escoltado por policiais até um táxi, recebendo vaias de alguns e os parabéns de outros. “É uma minoria de pessoas que não sabem viver em um regime democrático. O governo está fazendo coisa errada”, disse.

Liderando manifestações em mais de 60 cidades contra a Lei do Abuso de Autoridade neste domingo, o Movimento Vem Pra Rua, de apoio à Lava Jato, escolheu a casa do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), como um dos dois pontos de concentração no Rio. Ele é visto pelo movimento como o comandante de uma manobra que levou à aprovação “a toque de caixa e de madrugada” do projeto no último dia 14.

Por volta das 10h30, aproximadamente 80 pessoas se concentraram na porta do prédio de Maia, na praia de São Conrado, aos gritos de “Fora Maia” e “Veta Bolsonaro”. Também levavam cartazes e faixas com inscrições como “Rodrigo Maia Inimigo da Lava Jato” e “Botafogo apoia a corrupção”, em referência ao suposto codinome atribuído a Maia em planilha da Odebrecht.4 ago 2019 - 15h08
O texto aprovado na Câmara define os crimes de abuso de autoridade cometidos por servidores públicos, militares, membros dos poderes Legislativo, Executivo, Judiciário, do Ministério Público e dos tribunais ou conselhos de contas. A proposta lista uma série de ações que poderão ser consideradas crimes, com penas previstas que vão de prisão de três meses até 4 anos, dependendo do delito, além de perda do cargo e inabilitação por até cinco anos para os reincidentes.

Na ocasião, Maia disse que o texto aprovado é o mais justo, por abranger todos os Poderes: “O texto é o mais amplo, onde todos os poderes respondem a partir da lei”, destacou.

“É uma lei que não está protegendo o cidadão comum, mas os bandidos da velha política. Vetar tudo seria o recado de que ele [Bolsonaro] não vai retroceder na luta contra a corrupção”, disse a coordenadora do Vem Pra Rua no Rio, Adriana Balthazar, para quem Maia é considerado um traidor.

O presidente Jair Bolsonaro vem sofrendo pressão de políticos, entidades de classe e até de Moro para barrar a lei. A medida é vista como uma reação do mundo político à Operação Lava Jato, pois permitiria criminalizar condutas que têm sido comuns em investigações no país. Na quinta-feira, 22, a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, pediu ao presidente que vete o texto.

Os atos do Vem Pra Rua também pedem que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, encaminhe para discussão os pedidos de impeachment de Dias Toffoli, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), a manutenção da prisão do ex-presidente Lula e a indicação de Deltan Dallagnol para procurador-geral da república.

Os manifestantes criticaram a retirada do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) do Ministério da Justiça. Por medida provisória, o órgão foi transferido para o Banco Central, teve o seu nome alterado para Unidade de Inteligência Financeira e sofreu mudanças na composição, permitindo o recrutamento de integrantes de fora do serviço público, o que poderá abrir o órgão para indicações políticas.

Em São Conrado, uma repórter do jornal Estado de S.Paulo foi, por duas vezes, abordada de forma ameaçadora por manifestantes. Não houve agressão física.

POLÍBIO BRAGA - Grupo de sindicalistas, grileiros, produtores e comerciantes usou whatsapp para convocar "dia do fogo" no Pará

Grupo de sindicalistas, grileiros, produtores e comerciantes usou whatsapp para convocar "dia do fogo" no Pará:

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A revista Globo Rural, que é da Rede Globo, informou neste domingo que a polícia investiga ação de sindicalistas, grileiros, produtores rurais e comerciantes, incendiários, grupo com pelo menos 70 pessoas, que  participaram de grupo de mensagens; no dia 10 de agosto, promovendo a realização de grande número de focos de incêndios na Amazônia. A reportagem foi atualizada as 11h59min.

OS DEFENSORES FANÁTICOS DO GOVERNO BOLSONARO.


ANTAGONISTA - Marcelo Madureira sai escoltado pela PM de ato em Copacabana


Marcelo Madureira sai escoltado pela PM de ato em Copacabana:

Marcelo Madureira teve de sair escoltado pela PM da manifestação em Copacabana por fazer críticas ao governo de Jair Bolsonaro.

Segundo o Estadão, os organizadores do ato tiveram que pedir aos manifestantes para “não dividir o movimento”.

“Não tenho medo de vaias. Votei no Bolsonaro e vou criticar todas as vezes que for necessário. Como justificar uma aliança do Jair Bolsonaro com o Gilmar Mendes para acabar com a Operação Lava Jato? É isso que está acontecendo”, disse Madureira antes de o microfone ser cortado.

Leia este conteúdo na integra em: Marcelo Madureira sai escoltado pela PM de ato em Copacabana

Papa diz que incêndios na Amazônia ameaçam “pulmão vital do planeta”


Papa diz que incêndios na Amazônia ameaçam “pulmão vital do planeta”:

O papa Francisco disse neste domingo, 25, estar preocupado com os incêndios que devastam a floresta amazônica. Ele chamou a atenção para a importância do ecossistema ao rezar diante de uma multidão de fiéis que se reuniram na Praça São Pedro, no Vaticano.

“Estamos preocupados com os grandes incêndios que se desenvolveram na Amazônia. Esse pulmão florestal é vital para o nosso planeta”, afirmou o pontífice argentino durante a tradicional oração do Angelus.

O papa, que fará uma grande conferência mundial sobre a Amazônia neste ano, convidou os 1,3 bilhão de católicos de todo o mundo a “rezar para que, graças ao empenho de todos, esses incêndios sejam extintos o mais rápido possível”.

Francisco se reuniu em maio com o líder indígena Raoni, que viajou à Europa para advertir sobre o desmatamento da Amazônia. O líder da etnia Kayapó procurava levantar um milhão de euros para proteger a reserva do Xingu, no Brasil.
Em sua encíclica “Laudato si”, de maio de 2015, o papa apresentou um texto com forte tom social sobre a ecologia, em que denunciou a exploração da floresta amazônica por “enormes interesses econômicos internacionais”.

Neste ano, o pontífice visitou Puerto Maldonado, um vilarejo no sudeste do Peru cercado pela floresta amazônica, para onde milhares de indígenas peruanos, brasileiros e bolivianos haviam convergido. Na ocasião, ele criticou “a forte pressão de grandes interesses econômicos que cobiçam o petróleo, o gás, a madeira, o ouro, as monoculturas agroindustriais”.

Para o papa, esta primeira viagem à Amazônia foi o pontapé para os preparativos da Assembleia Mundial dos Bispos (sínodo) em outubro próximo, dedicada a essa floresta que ocupa 43% do território da América do Sul e onde vivem quase três milhões de indígenas.

Antes da oração do Angelus, Francisco também instou os fiéis a “lutar contra todas as formas de injustiça” e “levar uma vida humilde e boa, uma vida de fé que se traduz em ação concreta”.


The Roman Baths in Bath- A Deep Dive into Britains Ancient History

The Roman Baths in Bath- A Deep Dive into Britains Ancient History:



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Bath, the famous spa town in Somerset England, has attracted people from near and far for centuries to its healing springs and baths. Today the city is known for its beautiful Georgian architecture and as the destination for the wealthy elite of the 18th and 19th centuries CE. The rich and powerful visited the beautiful city to drink the warm, strange tasting water, but the use of the hot spring...

25 de Agosto de 1900: Morre o filósofo alemão Friedrich Nietzsche

25 de Agosto de 1900: Morre o filósofo alemão Friedrich Nietzsche:

Um dos filósofos emblemáticos dos finais século XIX, nasceu a 15 de outubro de 1844, em Röcken, e morreu a 25 de agosto de 1900, atacado pela demência, em Weimar. As suas reflexões caracterizam-se por uma violenta crítica aos valores da cultura ocidental.

Com efeito, para Nietzsche, a decadência do Ocidente começou quando o discurso filosófico, depois de Sócrates, veio afastar a síntese que se realizara na tragédia grega, substituindo a harmonia apolíneo/dionisíaco (representando a ambivalência da essência humana, dividida entre a desmesura passional e a medida racional) por um discurso das aparências, enganador e ilusório, que transforma a realidade autêntica em metáforas ocas. Esse processo de desvitalização encontrará o apogeu com a afirmação da moral judaico-cristã, «moral de escravos», reflexo de uma maquinação hipócrita de indivíduos débeis, ignóbeis e vis numa tentativa de enfraquecer e dominar pela astúcia os valorosos.

A crítica nietzschiana acaba mesmo por abranger os fundamentos da razão, considerando que o erro e o devaneio estão na base dos processos cognitivos e que a fé na ciência, como qualquer fé em verdades absolutas, não passa de uma quimera.

Não se limitando, porém, à denúncia de um estado de espírito dominado pela submissão a valores ancestrais, impotentes para criar algo de novo e propagando a obediência e a servidão como princípios supremos, ao proclamar a «morte de Deus» e a abolição de qualquer tutela, Nietzsche passa ao anúncio de uma nova era centrada na exaltação da vontade de poder, apanágio do homem verdadeiramente livre, o super-homem, que não conhece outros ditames além dos que ele próprio fixa. No entanto, o super-homem não é unicamente dominado pelo egoísmo, cabendo-lhe dirigir a «massa», anónima e ignorante, para um estádio superior em que os valores vitais, a alegria e a espontaneidade permitam a reafirmação do instinto criador da humanidade.

Pensador paradoxal, associa ao super-homem a consciência do eterno retorno, procurando, talvez, exprimir o aspeto cíclico dos movimentos históricos ou a impossibilidade de, alguma vez, ser atingido um grau supremo de perfeição no devir do Homem.

Expressando-se de forma aforística e mantendo todas as suas afirmações no limiar da inteligibilidade imediata, Nietzsche foi um filósofo ímpar, tão inovador como polémico: ao exaltar, em detrimento da razão, a faculdade da vontade como núcleo da essência humana e verdadeiro motor do devir e colocando-se numa posição de profundo ceticismo face aos fundamentos da ética e da moral, abalou profundamente os pilares do racionalismo, sendo por isso considerado como um dos «filósofos da suspeita» (ao lado de Marx e Freud), na esteira da «crise da razão» que marcou profundamente a filosofia no século XX.

Entre as suas obras são de destacar:

A Origem da Tragédia (1872), Humano, Demasiado Humano (1878), Aurora (1881), A Gaia Ciência (1882), Assim Falou Zaratustra (1883-85), Para além do Bem e do Mal (1886), A Vontade de Poder (1886, editado em 1906), A Genealogia da Moral (1887), Ecce Homo (1888), O Anticristo (1888).
Fontes:Friedrich Nietzsche. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2013.
wikipedia (Imagens)


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Friedrich Nietzsche em 1882


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Friedrich Nietzsche em 1861

sábado, 24 de agosto de 2019

Heróis da Liberdade: homenagem a Nelson Rodrigues.

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João Luiz Mauad, 

Hoje é aniversário de outro dos meus ‘Heróis da liberdade’. Nelson Rodrigues nasceu em Recife, no dia 23 de agosto de 1912 e morreu no Rio de Janeiro, onde passou a maior parte da vida, em 21 de dezembro de 1980. Nelson é considerado por muitos o maior dramaturgo brasileiro, mas destacou-se também como jornalista, romancista, folhetinista e cronista dos costumes e do futebol brasileiro. Escreveu 17 peças, centenas de contos e nove romances. Além disso, fanático torcedor do Fluminense, foi um dos maiores cronistas esportivos de todos os tempos. Como jornalista, trabalhou em todos os grandes jornais do Rio. Impressionava pela capacidade de criar histórias fantásticas sobre os fatos mais corriqueiros. Para alguns, um conservador asqueroso que o Brasil deveria colocar no paredão de fuzilamento; para outros, simplesmente um gênio.

“A liberdade é mais importante do que o pão.”

“Nada mais cretino e mais cretinizante do que a paixão política. É a única paixão sem grandeza, a única que é capaz de imbecilizar o homem.”

Eu sou um anticomunista que se declara anticomunista. Geralmente, o anticomunista diz que não é. Mas eu sou e confesso. E por quê? Porque a experiência comunista inventou a antipessoa, o anti-homem. Conhecíamos o canalha, o mentiroso. Mas, todos os pulhas de todos os tempos e de todos os idiomas, ainda assim, homens. O comunismo, porém, inventou alguém que não é homem. Para o comunista, o que nós chamamos de dignidade é um preconceito burguês.

Diz o dr. Alceu que a Revolução Russa é “o maior acontecimento do século”. Como se engana o velho mestre! O “maior acontecimento do século” é o fracasso dessa mesma revolução.

O dr. Alceu fala a toda hora na marcha irreversível para o socialismo. Afirma que a Revolução Russa também é irreversível. Em primeiro lugar, acho admirável a simplicidade com que o mestre administra a História, sem dar satisfações a ninguém, e muito menos à própria História. Não lhe faria mal nenhum um pouco mais de modéstia. De mais a mais, quem lhe disse que a Revolução Russa é irreversível?

Outrora, o remador de Bem-Hur era um escravo, mas furioso. Remava as 24 horas por dia, porque não havia outro remédio e por causa das chicotadas. Mas, se pudesse, botaria formicida no café dos tiranos. Em nosso tempo, o socialismo inventou outra forma de escravidão: — a escravidão consentida e até agradecida.

O padre de passeata é hoje, uma ordem tão definida, tão caracterizada como a dos beneditinos, dos franciscanos, dos dominicanos e qualquer outra. E está a serviço do ódio.

O tempo das passeatas acabou, mas o padre de passeata continua, inexpugnável no seu terno da Ducal e vibrando, como um estandarte, um Cristo também de passeata.

No Brasil, só se é intelectual, artista, cineasta, arquiteto, ciclista ou mata-mosquito com a aquiescência, com o aval das esquerdas.

Não há ninguém mais bobo do que um esquerdista sincero. Ele não sabe nada. Apenas aceita o que meia dúzia de imbecis lhe dão para dizer.

Na velha Rússia, dizia um possesso dostoievskiano: — “Se Deus não existe tudo é permitido”. Hoje, a coisa não se coloca em termos sobrenaturais. Não mais. Tudo agora é permitido se houver uma ideologia.

Antigamente, o silêncio era dos imbecis; hoje, são os melhores que emudecem. O grito, a ênfase, o gesto, o punho cerrado, estão com os idiotas de ambos os sexos.

Eu amo a juventude como tal. O que eu abomino é o jovem idiota, o jovem inepto, que escreve nas paredes “É proibido proibir” e carrega cartazes de Lenin, Mao, Guevara e Fidel, autores de proibições mais brutais.

Com o tempo e o uso, todas as palavras se degradam. Por exemplo: — liberdade. Outrora nobilíssima, passou por todas as objeções. Os regimes mais canalhas nascem e prosperam em nome da liberdade.

Ainda ontem dizia o Otto Lara Resende: — “O cinema é uma maneira fácil de ser intelectual sem ler e sem pensar”. Mas não só o cinema dá uma carteirinha de intelectual profundo. Também o socialismo. Sim, o socialismo é outra maneira facílima de ser intelectual sem ligar duas idéias.

[Até o século XIX] o idiota era apenas o idiota e como tal se comportava. E o primeiro a saber-se idiota era o próprio idiota. Não tinha ilusões. Julgando-se um inepto nato e hereditário, jamais se atreveu a mover uma palha, ou tirar um cadeira do lugar. Em 50, 100 ou 200 mil anos, nunca um idiota ousou questionar os valores da vida. Simplesmente, não pensava. Os “melhores” pensavam por ele, sentiam por ele, decidiam por ele. Deve-se a Marx o formidável despertar dos idiotas. Estes descobriram que são em maior número e sentiram a embriaguez da onipotência numérica. E, então, aquele sujeito que, há 500 mil anos, limitava-se a babar na gravata, passou a existir socialmente, economicamente, politicamente, culturalmente etc. houve, em toda parte, a explosão triunfal dos idiotas.

Outrora, os melhores pensavam pelos idiotas; hoje, os idiotas pensam pelos melhores. Criou-se uma situação realmente trágica: — ou o sujeito se submete ao idiota ou o idiota o extermina.

Como a nossa burguesia é marxista! E não só a alta burguesia. Por toda parte só esbarramos, só tropeçamos em marxistas. Um turista que por aqui passasse havia de anotar em seu caderninho: — “O Brasil tem 100 milhões de marxistas”.

Hoje, o não-marxista sente-se marginalizado, uma espécie de leproso político, ideológico, cultural etc etc. Só um herói, ou um santo, ou um louco, ousaria confessar publicamente: — “Meus senhores e minhas senhoras, eu não sou marxista, nunca fui marxista. E mais: — considero os marxistas de minhas relações uns débeis mentais de babar na gravata”.

No Brasil, o marxismo adquiriu uma forma difusa, volatizada, atmosférica. É-se marxista sem estudar, sem pensar, sem ler, sem escrever, apenas respirando.

Marx roubou-nos a vida eterna, a minha e a do Otto Lara Resende. Pois exigimos que ele nos devolva a nossa alma imortal.

As cartas de Marx mostram que ele era imperialista, colonialista, racista, genocida, que queria a destruição dos povos miseráveis e “sem história”, os quais chama de “piolhentos”, de “anões”, de “suínos” e que não mereciam existir. Esse é o Marx de verdade, não o da nossa fantasia, não o do nosso delírio, mas o sem retoque, o Marx tragicamente autêntico.

A Rússia, a China e Cuba são nações que assassinaram todas as liberdades, todos os direitos humanos, que desumanizaram o homem e o transformaram no anti-homem, na antipessoa. A história socialista é um gigantesco mural de sangue e excremento.

Tão parecidos, Stalin e Hitler, tão gêmeos, tão construídos de ódio. Ninguém mais Stalin do que Hitler, ninguém mais Hitler do que Stalin.

Vocês se lembram da fotografia de Stalin e Ribbentropp assinando o pacto nazi-comunista. Ninguém pode esquecer o riso recíproco e obsceno. Se faltou alguém em Nuremberg — foi Stalin.

Havia, aqui, por toda parte, “amantes espirituais de Stalin”. Eram jornalistas, intelectuais, poetas, romancistas. Outros punham nas paredes retratos de Stalin. Era uma pederastia idealizada, utópica e fotográfica.

Em muitos casos, a raiva contra o subdesenvolvimento é profissional. Uns morrem de fome, outros vivem dela, com generosa abundância.

O povo é um débil mental. Digo isso sem nenhuma crueldade. Foi sempre assim e assim será, eternamente.

A ideologia que “absolve e justifica os canalhas” é apenas o ópio dos intelectuais.

Se o homem, de uma maneira geral, tem vocação para a escravidão, o jovem tem uma vocação ainda maior. O jovem, justamente por ser mais agressivo e ter uma potencialidade mais generosa, é muito suscetível ao totalitarismo. A vocação do jovem para o totalitarismo, para a intolerância é enorme. Eu recomendo aos jovens: envelheçam depressa, deixem de ser jovens o mais depressa possível, isto é um azar, uma infelicidade.

O mundo só se tornou viável porque antigamente as nossas leis, a nossa moral, a nossa conduta eram regidas pelos melhores. Agora a gente tem a impressão de que são os canalhas que estão fazendo a nossa vida, os nossos costumes, as nossas ideias. Ou são os canalhas, ou são os imbecis, e eu não sei dizer o que é pior. Porque você sabe que são milhões de imbecis para dez sujeitos formidáveis.

“As feministas querem reduzir a mulher a um macho mal-acabado.”

“Toda unanimidade é burra. Quem pensa com a unanimidade não precisa pensar.”

“O brasileiro não está preparado para ser o maior do mundo em coisa nenhuma. Ser o maior do mundo em qualquer coisa, mesmo em cuspe à distância, implica uma grave, pesada e sufocante responsabilidade.”

“Sou reacionário. Minha reação é contra tudo que não presta.”

“Subdesenvolvimento não se improvisa; é obra de séculos”

“Invejo a burrice, porque é eterna.”

“Toda a unanimidade é burra”

“O dinheiro compra até o amor verdadeiro.”

“No Brasil, quem não é canalha na véspera é canalha no dia seguinte.”

“Geralmente, o puxa-saco dá um marido e tanto.”

“Os defeitos existem dentro de nós, ativos e militantes, mas inconfessos…”

“Em nosso século, o grande homem pode ser ao mesmo tempo, uma besta!”

“Existem situações em que até os idiotas perdem a modéstia.”

“A Igreja está ameaçada pelos padres de passeata, pelas freiras de minissaia e pelos cristãos sem Cristo.”

“Só o inimigo não trai nunca.”

“Não se apresse em perdoar. A misericórdia também corrompe.”

“Criou-se uma situação realmente trágica: ou o sujeito se submete ao idiota ou o idiota o extermina.”

“O brasileiro, quando não é canalha na véspera, é canalha no dia seguinte.”

“O brasileiro é um feriado.”

“A companhia de um paulista é a pior forma de solidão.”

“O mineiro só é solidário no câncer.”

“Só os profetas enxergam o óbvio.”

“O jovem tem todos os defeitos do adulto e mais um: – o da imaturidade.”

“O homem só é feliz pelo supérfluo. No comunismo, só se tem o essencial. Que coisa abominável e ridícula!”

“Nós, da imprensa, somos uns criminosos do adjetivo. Com a mais eufórica das irresponsabilidades, chamamos de ilustre, de insigne, de formidável, qualquer borra-botas.”

“Quando os amigos deixam de jantar com os amigos, é porque o país está maduro para a carnificina.”

“A grande vaia é mil vezes mais forte, mais poderosa, mais nobre do que a grande apoteose. Os admiradores corrompem.”

“Desconfio muito dos veementes. Via de regra, o sujeito que esbraveja está a um milímetro do erro e da obtusidade.”

“No Brasil é a imprensa que descobre os crimes!”

“Qualquer indivíduo é mais importante do que a Via Láctea.”

“Só acredito nas pessoas que ainda se ruborizam”

“Hoje é muito difícil não ser canalha. Todas as pressões trabalham para o nosso aviltamento pessoal e coletivo.”

“Se todos conhecessem a intimidade sexual uns dos outros, ninguém cumprimentaria ninguém.”

“A mais tola das virtudes é a idade. Que significa ter quinze, dezessete, dezoito ou vinte anos? Há pulhas, há imbecis, há santos, há gênios de todas as idades.”

“Enquanto um sábio negro não puder ser nosso embaixador em Paris,nós seremos o pré Brasil.”

“Toda autocrítica tem a imodéstia de um necrológio redigido pelo próprio defunto”

“Perfeição é coisa de menininha, tocadora de piano.”

A burrice é diferente da ignorância. A ignorância é o desconhecimento dos fatos e das possibilidades. A burrice é uma força da natureza.

“Não acredito em honestidade sem acidez, sem dieta e sem úlcera.”

“O homem não nasceu para ser grande. Um mínimo de grandeza já o desumaniza. Por exemplo: um ministro. Não é nada, dirão. Mas o fato de ser ministro já o empalha. É como se ele tivesse algodão por dentro, e não entranhas vivas.”

“Chegou às redações a notícia da minha morte. E os bons colegas trataram de fazer a notícia. Se é verdade o que de mim disseram os necrológios, com a generosa abundância de todos os necrológios, sou de fato um bom sujeito.”

“Bolsonaro decidiu inviabilizar a presença de Moro no governo”

“Bolsonaro decidiu inviabilizar a presença de Moro no governo”:

“O abalo da relação entre Jair Bolsonaro e Sergio Moro começou a crescer há quase um quase um mês”, diz O Globo.

“Mais precisamente, na tarde de 28 de julho, quando Moro foi ao presidente do STF, Dias Toffoli, pedir que ele fizesse uma revisão da decisão em que restringiu o compartilhamento de relatórios do antigo Coaf.

Desde que soube do pedido de Moro a Toffoli, Bolsonaro decidiu inviabilizar a presença do ministro no governo”.

Para o presidente da República, o pacto com o STF – e a blindagem de seu filho – é muito mais importante do que a Lava Jato.

A Crusoé desta semana tem uma reportagem detalhada sobre o assunto (leia aqui).

Leia este conteúdo na integra em: “Bolsonaro decidiu inviabilizar a presença de Moro no governo”

24 de Agosto de 1899: Nasce Jorge Luís Borges, escritor argentino, autor de "Aleph", "História Universal da Infâmia", "Ficções", "O Livro da Areia".

24 de Agosto de 1899: Nasce Jorge Luís Borges, escritor argentino, autor de "Aleph", "História Universal da Infâmia", "Ficções", "O Livro da Areia".:

Poeta, ensaísta e escritor de contos argentino, nasceu a 24 de agosto de 1899 em Buenos Aires, na Argentina e morreu a 14 de junho de 1986 em Genebra, na Suíça. Levou ao estabelecimento do Movimento Extremista da América do Sul. 

Borges cresceu no Distrito de Palermo, sede de alguns dos seus trabalhos. A sua família notabilizou-se na História da Argentina e, sendo de ascendência britânica, aprendeu primeiro o inglês e só mais tarde o espanhol. Os primeiros livros que leu foram os da biblioteca do pai e incluíam The adventures of Huckleberry Finn, os romances de H. G. Wells, The Thousand and One Nights e Don Quixote, todos escritos em inglês.

Em 1914, com o eclodir da I Guerra Mundial, Borges foi levado pela família para Genebra, aprendendo o francês e o alemão. Em 1921 voltou para Buenos Aires, redescobriu a sua cidade natal e reconstruiu, em poemas, o seu passado e o seu presente. Publicou o primeiro livro de poemas, Fervor de Buenos Aires, em 1923. Foi autor de vários ensaios, poemas e contos, fundou três jornais literários e publicou Carriego, em 1930. 

A fase que se seguiria na vida do escritor viria a ser marcada pela ficção. Escreveu a História Universal de la infamia em 1935. Para ganhar a vida, em 1938, aceitou um cargo na biblioteca de Buenos Aires. Viria a lembrar-se deste período como "de nove anos de infelicidade".

Nos oito anos seguintes publicou as suas melhores histórias fantásticas, reunidas na obra Ficções, escrita em 1944, e um volume de traduções inglesas intitulado El Aleph and other Stories.

Com a ditadura de Juan Perón, que passou a tomar conta dos destinos do país em 1946, Borges foi despedido do cargo que exercia por expressar o seu apoio aos aliados na Segunda Guerra Mundial. Com a ajuda de amigos, publicou em 1952 uma coleção de ensaios, Otras inquisiciones (1937-52). Quando Perón foi deposto, em 1955, Borges tornou-se diretor da Biblioteca Nacional e foi também professor de inglês e de literatura americana na Universidade de Buenos Aires. 

Borges explorou temas metafísicos nos seus primeiros trabalhos. Em 1960 escreveu El hacedor e El libro de los seres imaginários, em 1967. Mais tarde, em 1970, escreveu El informe de Brodie, onde adotou um estilo mais realista. A obra El libro de arena, publicada em 1955, marcou o retorno aos temas fantásticos.

Depois de 1961, altura em que Borges e Samuel Beckett partilharam o prestigioso prémio Formentor, as narrativas e os poemas de Borges foram reconhecidos como clássicos da literatura mundial.

Fontes: Infopédia

wukipedia (imagens)


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Jorge Luis Borges, 1951

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sexta-feira, 23 de agosto de 2019

ANTAGONISTA - Gilmar elogia Bolsonaro


Gilmar elogia Bolsonaro:

Gilmar Mendes, em entrevista à Reuters, elogiou a iniciativa de Jair Bolsonaro em determinar trocas no comando do Coaf, Receita e PF...

Questionado se o presidente estaria fazendo uma espécie de freio de arrumação nesses órgãos, ele respondeu:

“Tenho a impressão que sim.”

E acrescentou:

“É natural que, em algum momento, o sistema político chamasse atenção e reagisse em relação a isso. A Lava Jato tinha virado uma espécie de Santíssima Trindade: ela investigava, ela julgava, ela condenava, ela fazia a lei. E o Brasil é um país muito complexo. Quem teve essa ilusão é um pouco simplista ou simplória. Não dá para achar que vai se manietar as instituições por muito tempo.”

Leia este conteúdo na integra em: Gilmar elogia Bolsonaro

Relativismo pós-moderno: quando a narratividade substitui a objetividade.

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Luiz Bueno 


Uma excelente notícia para o Brasil: a editora É Realizações está lançando mais um livro da eminente historiadora norte-americana Gertrude Himmelfarb. Desta vez, trata-se do livro On Looking Into the Abyss: untimely thoughts on culture and society que sai no Brasil com o título Ao Sondar o Abismo – Pensamentos intempestivos sobre cultura e sociedade. 

Himmelfarb faz uma análise crítica de vários aspectos da produção intelectual, acadêmica e cultural contemporânea e procura avaliar o quanto esta produção sofreu o impacto e os efeitos da mentalidade e atitude pós-moderna e os seus possíveis efeitos sobre a sociedade.

A cultura, a filosofia, a literatura e a história. Estes e outros temas são abordados pela autora tendo como fio condutor de sua análise um conceito que ela obtém do crítico literário e seu amigo, Lionel Trilling. Um conceito tão fundamental que ela o considera o alicerce destes seus textos: o realismo moral. Este conceito é uma forma aplicada de um outro ainda mais amplo e anterior, que remonta ao grande pensador e figura política britânica do final do século XVIII, Edmund Burke. 

Este conceito, Burke o funda quando faz a sua tão acurada crítica à revolução francesa, na obra que o consagrou definitivamente como grande intelectual, Reflexões Sobre a Revolução na França (Edipro). Em uma síntese muito breve, a imaginação moral, segundo Burke, é aquilo que nos capacita a ver o valor de um ser humano para além de sua materialidade como ser vivo; é a capacidade de produzir a imagem, o sentimento e até mesmo a ideia de que aquilo que realmente importa em nossa vida está para além do simples fenômeno, está no campo interno do sentimento e do intelecto, mas também está na história, na tradição, na cultura acumulada nos séculos. A vida de um indivíduo e de um povo possuem um valor que ultrapassa a sua presença empírica. As artes, a inteligência, a moral, a dignidade humana, a bondade, o heroísmo, a honestidade, a graça, a própria noção de civilização, são aspectos perceptíveis apenas na presença da imaginação moral.

Himmelfarb afirma que Trilling lhe proporcionou a noção derivada que é o realismo moral, significando o exercício da capacidade intelectual de explorar a riqueza e os perigos inerentes à nossa inclinação a achar que, ao agir a partir destas ideias, estamos fazendo o bem. Trilling pensa, por essa razão, que a literatura é uma das grandes ferramentas para este exercício. Daí a conexão que ele faz entre literatura e política.

Na sua obra, o realismo moral de Trilling é a ideia central que Himmelfarb utiliza para avaliar vários segmentos da produção intelectual contemporânea. Adotando a perspectiva de Trilling, ela explora este duplo aspecto que a reflexão realista moral revela, permitindo-lhe entender o quanto a sociedade é afetada pelos resultados das ideias e atitudes geradas pela intelectualidade, especialmente aquela que se assume pós-moderna. Nos vários capítulos do livro, a ênfase é colocada pela autora no aspecto dos riscos morais decorrentes deste pensamento pós-moderno.

A ideia de sondar ou olhar diretamente o abismo estando na sua borda, obtida de Trilling, é uma alegoria que remete à atitude pós-moderna de assumir uma postura extremamente relativista e niilista e a consequente “arrogância intelectual e empobrecimento espiritual de algumas das últimas tendências da crítica literária, da filosofia e da história”. Esta atitude não vem sem ser seguida de seus perigosos efeitos. Destes, vamos neste momento tomar a preocupação que Himmelfarb expressa quanto à história. Esta reflexão, esperamos, pode ajudar a entender a dificuldade presente em lidarmos com noções tão fundamentais não só para a produção acadêmica, mas também a jornalística, que são o fato, a objetividade e mesmo a verdade. E para tratar destas ideias em seu sentido preciso e originário, estes termos são usados por ela sem as famigeradas aspas, exatamente para não recair no relativismo pós-moderno que critica. 

Himmelfarb diz que o risco de que a desconstrução da História produza o revisionismo que nega a realidade do Holocausto surge em cena, de forma similar, na filosofia e na crítica literária, através da ideia de que “não há realidade, apenas a linguagem: não há filosofia, mas tão somente jogos mentais; não há moralidade, mas somente retórica e estética”.

Mas, este estágio se torna ainda mais radical pois, como a autora aponta, “O pós-modernismo (…), (n)a filosofia, é a negação da imutabilidade da linguagem, de qualquer correspondência entre linguagem e realidade – na verdade, de qualquer realidade ‘essencial’ e, portanto, de qualquer verdade imediata acerca da realidade”.

Uma tal ideia, quanto atinge a História, produz um efeito análogo. A história modernista, diz Himmelfarb, não desejava uma verdade imutável sobre o passado. Ela era capaz de ser relativista sem perder o vínculo com a realidade, ela era “cética com relação à verdade absoluta, mas não com relação a verdades parciais, contingentes, incrementais”. Já o historiador pós-moderno, por supor que não há verdade absoluta, também pensa que não podem existir verdades parciais, contingentes. Para o historiador pós-moderno, seria necessário abandonar de vez qualquer ilusão de verdade, dada a sua inutilidade.

A história crítica se fundava na busca dos indícios fundamentados, na pesquisa das fontes primárias, na verificação da autenticidade dos documentos, sua metodologia se baseava neste “cânone dos indícios”. O historiador sabia que não poderia supor uma verdade única e definitiva sobre os fatos históricos e por isso, humildemente, tentava uma aproximação contínua e cada vez maior ao dado histórico bruto, sabendo ser ele sempre instável e fugidio, mas não se rendendo a estas dificuldades. Estas, diz a autora, fizeram com que a profissão criasse mecanismos de freios e contrapesos projetadas para compensar as dificuldades e deficiências tanto do historiador quanto do relato histórico.

Porém, diz ela, “onde o modernismo tolera o relativismo, o pós-modernismo o celebra”. A rejeição de toda verdade é, para o pós-modernista, uma espécie de libertação da exigência e da obrigação de manter certa objetividade. É desta atitude pós-moderna que vem o relaxamento quanto à imparcialidade. A parcialidade do historiador começa a ser vista como virtude pelos pós-modernos. A história cada vez menos se prende ao fato e cada vez mais se aproxima da linguagem. A história vai sendo pensada cada vez menos como relato objetivo e cada vez mais como narrativa. Toda história é composta por nada mais do que “criações retóricas, literárias e estéticas do historiador”. Tomando Nietzsche como uma espécie de patrono da perspectiva individual, e os desconstrucionistas como os gurus dessa nova subjetividade, os historiadores puderam, enfim, libertar-se da tirania do fato e dar vazão a sua capacidade de elaborar experiências estéticas, narratividades, fruto da sua “imaginação histórica”, de sua “criação imaginativa”, podendo, assim, ir muito além de documentos e fatos. O “fetiche do fato” estaria, finalmente, superado.

Então, se as narrativas históricas são elaborações e artifícios históricos, “modos de enredamento”, se não há “fatos” aos quais ser fiel, não se pode esperar extrair deles nenhuma “verdade” (agora, as aspas dominam a cena), não há, sequer, um método que seja o preferido na escrita da narrativa histórica.

Bem, segundo a preocupação expressada por Himmelfarb, um dos efeitos dessa atitude é a eliminação da factualidade do Holocausto, por exemplo. Se é difícil para os novos historiadores fazerem a distinção entre fato e ficção, pois agora o que impera é a história ficcional (que não é a mesma coisa que ficção histórica), não é de se admirar que acontecimentos e pessoas sejam transformadas em textos, que o passado seja despojado de qualquer realidade objetiva e que se turve a distinção entre história e ficção. Se isto é assim, onde ficam as milhões de vítimas do Holocausto? A qualquer fato ou povo a que se aplique esta perspectiva, o efeito será a desumanização das pessoas. O relativismo cultural, associado a esta perspectiva, que particulariza os povos e suas histórias, elimina a possibilidade de se pensar uma história comum à humanidade. A trivialização da história apenas faz com que esta perca sua coerência e, como consequência, perca todo o seu significado.

Estas considerações sobre esta nova concepção de história que Himmelfarb faz neste livro, servem como elementos para que se possa compreender a situação corrente em que termos como pós-verdade ou fake news invadem o espaço público, os meios de comunicação, as redes sociais, as salas de aula. Este fenômeno, ou ao menos esta situação presente, não decorre apenas das novas tecnologias e a facilidade que elas oferecem para se inventar narrativas, de se deturpar fatos, de se criar notícias sem base real. Esta situação já vinha sendo produzida na medida mesma em que o compromisso com a verdade, com o dado objetivo, com o fato, com a imparcialidade, foi sendo trocado pela liberdade da criação, pela moda ideológica da experiência subjetiva, pela preferência da criatividade em detrimento da realidade.

No final, o efeito perverso é sempre a desumanização das pessoas. Quanto mais literário é o olhar sobre a história, menos pungente é o sofrimento das pessoas no passado, mais distantes ficam elas à medida em que se convertem em “texto”, em “narrativas”.

Na Introdução ao seu livro, Himmelfarb nos deixa esta sua impressão, que talvez apresente com precisão sua reflexão, como um chamado à consciência e à responsabilidade, especialmente daqueles que se dedicam à produção de conhecimento e de informação, em um tempo em que muitos acadêmicos e jornalistas estão mais focados em criar e dominar narrativas do que propriamente investigar e descrever a realidade:

“Talvez este livro devesse ser chamado de ‘Confissões de uma pedante incorrigível’, pois é dedicado à proposição de que existem coisas como verdade e realidade e de que há uma ligação entre elas, como há uma conexão entre sensibilidade estética e imaginação moral, entre cultura e sociedade. Todos repetimos, da boca para fora, o adágio ‘ideias têm consequências’, mas somente in extremis o levamos a sério, quando as ideias de Stálin ou de Hitler se transformam em realidades como gulags e campos de concentração. A premissa deste livro é a de que bem antes de tais situações terríveis existe um relacionamento íntimo e difuso entre o que acontece em nossas escolas e universidades, nas comunidades intelectuais e artísticas, e o que acontece na sociedade e na política”. (Estado da Arte).

Luiz Bueno é Doutor em Ciências da Religião pela PUC-SP. Professor de Filosofia na FAAP.
Coordenador do Núcleo de Filosofia Política do Laboratório de Política, Comportamento e Mídia-LABÔ da FUNDASP/PUC-SP.

AVISO - O cabo Gilmar e o soldado Toffoli

O cabo Gilmar e o soldado Toffoli:

Em sua coluna na Crusoé, Diogo Mainardi diz que as próximas semanas serão decisivas para o país...Em sua coluna na Crusoé, Diogo Mainardi diz que as próximas semanas serão decisivas para o país.

Em jogo, a possível soltura de Lula e o futuro da Lava Jato.

Leia um trecho:

“O cabo Gilmar Mendes e o soldado Dias Toffoli, com o apoio do Congresso Nacional e da imprensa verdevaldiana, preparam agora o golpe final: a soltura de Lula. No melhor cenário, Lula será solto por meio de uma chicana qualquer. Ele nunca mais voltará para a cadeia, porque o STF, depois de soltá-lo, deve impedir o encarceramento de criminosos condenados em segundo grau. Mesmo assim, a Lava Jato ainda poderá sobreviver por algum tempinho. No pior cenário, o processo do tríplex será anulado, e a Lava Jato será exterminada, como a Castelo de Areia.”

Leia este conteúdo na integra em: O cabo Gilmar e o soldado Toffoli

MANIFESTO DOS JUÍZES, PROMOTORES, POLICIAIS FEDERAIS E AUDITORES CONTRA LEI DE "ABUSO DE AUTORIDADE"


À SOCIEDADE E AOS CIDADÃOS,

As associações das carreiras da Magistratura e do Ministério Público, as associações e sindicatos dos Delegados das Polícias Federal e Civil, e dos Auditores Fiscais nacionais, estadual e do município de São Paulo, todos agentes responsáveis pelo Sistema de Justiça e de Segurança Pública, vêm a público ALERTAR A SOCIEDADE BRASILEIRA e externar o seu REPÚDIO ao Projeto de Lei nº 7.596/2017, encaminhado à sanção Presidencial. 

A aprovação do texto no plenário da Câmara, por meio de votação simbólica e após requerimento de urgência, configura um claro desrespeito não apenas ao debate democrático, mas também ao diálogo com a comunidade jurídica, que se propõe a sanar os equívocos contidos na nova proposta de legislação, como os tipos penais vagos e ambíguos. 

Apoiamos todas as inciativas que proporcionem o aprimoramento e a modernização da legislação, desde que assegurem os direitos humanos e fundamentais. Infelizmente, esta não é a hipótese do Projeto de Lei nº 7.596/2017, equivocadamente intitulado “Abuso de Autoridade”. Uma vez sancionado, o Projeto de Lei nº 7.596/2017 caminhará na contramão do que vem sendo feito no combate à criminalidade, contrariando a escolha feita pelo povo brasileiro nas últimas eleições. Criará, ainda, um ambiente fértil para injustiças, perseguições, desigualdades, inseguranças e impunidades ao criminalizar atos inerentes e indispensáveis ao exercício das funções dos integrantes das carreiras de Estado que fiscalizam, investigam, oferecem denúncias e julgam. Por via transversa, favorecerá os interesses de corruptos, de organizações criminosas e de outros delinquentes

A legislação brasileira já possui dispositivos de combate ao abuso de autoridade e a sociedade precisa saber da eficiência das Corregedorias de todo o país que atuam na apuração de eventuais excessos dos agentes públicos. O mais, é inconformismo a ser manifestado por meio da via recursal, que amplamente está prevista na legislação. Testemunhamos, nos últimos tempos, significativos resultados no combate à corrupção e aos crimes de colarinho branco por todo o Brasil, os quais moldaram a esperança em um país melhor. Para que continuemos avançando, os agentes dos sistemas de Justiça e de segurança precisam ter suas funções garantidas, o que é possível apenas com amplo respaldo do Estado e da sociedade. 

Portanto, em nome da segurança jurídica e da democracia, reforçamos o pedido de veto ao PL 7596/17 ao presidente da República, Jair Bolsonaro.

São Paulo, 22 de agosto de 2019

AMB (Associação dos Magistrados Brasileiros)

Apamagis (Associação Paulista de Magistrados)

Ajufe (Associação dos Juízes Federais do Brasil)

Ajufesp (Associação de Juízes Federais de São Paulo e Mato Grosso do Sul)

Anamatra (Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho)

Amatra-2 (Associação dos Magistrados de Justiça do Trabalho da 2ª Região)

Amatra XV (Associação dos Magistrados de Justiça do Trabalho da 15ª Região)

Conamp (Associação Nacional dos Membros do Ministério Público)

ANPR (Associação Nacional dos Procuradores da República)

ANPT (Associação Nacional dos Procuradores do Trabalho)

ANMPM (Associação Nacional do Ministério Público Militar)

APMP (Associação Paulista do Ministério Público)

ADPF (Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal)

SINDPF-SP (Sindicato dos Delegados de Polícia Federal do Estado de São Paulo)

ADPESP (Associação dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo)

SINDPESP (Sindicato dos delegados de Polícia do Estado de São Paulo)

Unafisco Nacional (Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil)

AFRESP (Associação dos Agentes Fiscais de Rendas do Estado de São Paulo)

SINDAF-SP (Sindicato dos Auditores-Fiscais Tributários do Município de São Paulo)

REVISTA VEJA - BNDES: Delação de Palocci detalha esquema mundial de roubalheira do PT

BNDES: Delação de Palocci detalha esquema mundial de roubalheira do PT:

Homologada recentemente pela Justiça Federal e com detalhes antecipados pela coluna Radar, de VEJA, a delação de Antonio Palocci, ex-ministro da Fazenda e da Casa Civil nos governos Lula e Dilma, traz no capítulo 21 uma descrição completa do esquema de roubalheira internacional montado pelo PT para obras realizadas em países como Gana, Venezuela, Cuba e Angola. Lula fazia os acertos com as autoridades estrangeiras e mandava a conta para o BNDES. Em troca dos juros camaradas do banco e do acesso aos mercados de fora, as empreiteiras superfaturavam o trabalho para poder irrigar o caixa petista com o pagamento de propinas. Antes da assinatura dos contratos já se sabia que muitos dos governos amigos não pagariam a conta. E como essa fatura tem sido quitada até hoje? Com o seu, o meu, o nosso dinheiro. Alguns projetos nem foram finalizados. Ficaram no lucro as construtoras e, é claro, o PT.

Segundo pessoas que tiveram acesso à delação e foram entrevistadas por VEJA, embora careça de provas, o testemunho de Palocci contém as peças que faltavam no quebra-cabeça da pilhagem nas obras internacionais do BNDES, abrindo essa parte da caixa-­preta do banco. Ele mesmo uma peça importante no esquema, intermediando conversas com as construtoras envolvidas, o ex-ministro conta como as ordens de Lula chegavam, qual era a exata divisão do butim entre as empreiteiras e o porcentual de propina cobrado em cada projeto. Todas essas informações permaneciam inéditas, assim como a soma da roubalheira. Somente nesse pacote de contratos no exterior firmados entre 2010 e 2014, as empreiteiras nacionais faturaram mais de 10 bilhões de reais e pagaram propinas ao PT no valor total de 489 milhões de reais.

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O CAMINHO DO COFRE – Estrada da Andrade Gutierrez, em Gana, e detalhe do documento de liberação: a obra rendeu ao PT cerca de 10 milhões de reaisReprodução

O esquema no BNDES era complexo e, diferentemente do que ocorria no mensalão e no petrolão, sua operação ficava restrita à alta cúpula do partido. Tudo começava com uma visita de Lula a um mandatário amigo, como o angolano José Eduardo dos Santos ou o ganês John Kufuor. O petista e os presidentes companheiros fechavam um compromisso de ajuda financeira e, ato contínuo, representantes do famoso clube das empreiteiras — Odebrecht, Queiroz Galvão, Andrade Gutierrez, OAS — visitavam os gabinetes dessas autoridades no exterior por meio de missões organizadas pelo Itamaraty e fechavam projetos a ser financiados pelo BNDES. O presidente do banco — primeiro Guido Mantega, depois Luciano Coutinho — aprovava o repasse da verba. Na sequência as construtoras entravam com processo a fim de obter os seguros necessários para tocar os trabalhos por meio do Fundo de Garantia à Exportação (FGE), os quais eram aprovados prontamente pelos ministros da Camex. As empreiteiras, então, pagavam ao PT e às autoridades dos países onde haviam conseguido o projeto. Parte do esquema já tinha sido revelado pelas delações de Marcelo Odebrecht e Otávio Marques de Azevedo, da Andrade Gutierrez.

Do total de 489 milhões de reais em propinas pagas à alta cúpula petista entre 2009, no fim do segundo mandato de Lula, e 2014, ano em que culminou a reeleição de Dilma Rousseff, 364 milhões vieram da Odebrecht. Mais 100 milhões de reais saíram dos contratos da Andrade Gutierrez, que pagava um “pedágio” de 1% em cada um deles. A Queiroz Galvão tinha um acordo diferente: superfaturava em 10% suas obras, que renderam 25 milhões de reais ao esquema petista. Nunca na história deste país havia se montado uma estrutura tão grande e complexa para arrecadar propinas com obras no exterior com a ajuda do BNDES.

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CALOTE – Fachada do Aeroporto de Nacala, em Moçambique: o país africano ainda não pagou a obra feita pela OdebrechtVEJA

A pedra fundamental da roubalheira foi lançada em 15 de dezembro de 2009, quando quatro ministros, um secretário e dois assessores especiais sentaram-se à mesa da sala contígua ao gabinete de Miguel Jorge, então chefe da pasta do Desenvolvimento. Além de Jorge, que comandava a Camex, estavam presentes os ministros Paulo Bernardo (Planejamento), Antônio Patriota (Itamaraty) e Reinhold Stephanes (Agricultura); o secretário Nelson Machado (Fazenda); e os assessores Laudemir Müller (Desenvolvimento Agrário) e Sheila Ribeiro (Casa Civil). Na tarde daquela terça-feira, os oito aprovariam financiamentos estapafúrdios para Odebrecht, Andrade Gutierrez e Queiroz Galvão em quatro países: Cuba, Gana, Moçambique e Nicarágua. O custo dos projetos discutidos naquele dia somava 1,2 bilhão de dólares — em valores atualizados, aproximadamente 4,8 bilhões de reais. Todos renderam depois propinas ao PT e nenhum deles possuía justificativa técnica para ser aprovado.

Para Gana, país que quatro anos antes fora visitado por Lula e agraciado com uma linha de crédito no BNDES, foi aprovado o financiamento de 250 milhões de dólares para uma hidrelétrica que, um mês depois, soube-se que era impossível construir. A área de alagamento da barragem ultrapassaria a fronteira com o vizinho Togo, que não havia sido consultado. O contratempo não atrapalhou os planos de ninguém. Alguns meses depois, a obra foi simplesmente substituída por uma estrada de terra de 100 quilômetros, com o custo reduzido em exíguos 10 milhões de dólares. Ou seja, o negócio custou apenas 4% do valor de uma usina. A roubalheira era descarada e desafiava a lógica.

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VERGONHA – Rio Grande de Matagalpa, na Nicarágua, obra financiada pelo BNDES devido à intervenção do governo (no detalhe do documento oficial): a hidrelétrica que deveria ser feita ali pela Queiroz Galvão nunca saiu do papel.

Como isso foi aprovado? A Andrade Gutierrez justificou o alto valor com dois tópicos: “benefícios e despesas indiretas”, o que correspondia a 33% do total, e “contingências e custos comerciais”, o equivalente a 7%. O corpo técnico do BNDES questionou a empresa sobre o que, exatamente, significavam as duas rubricas. A desculpa apresentada — e prontamente aceita pelos ministros da Camex — foi que os custos eram “compatíveis com as dificuldades com que as empresas estrangeiras podem se defrontar na operação em um novo mercado”. Na verdade, todas as reuniões e trocas de memorandos não passavam de jogo de cena. Já se sabia desde o começo que o negócio deveria ser autorizado, por mais absurdo que fosse. A prioridade, agora se confirma, era encher o caixa do PT.

A Odebrecht conseguiu aprovar um aditivo de 128 milhões de dólares para a construção da zona de desenvolvimento ao redor do célebre Porto de Mariel, em Cuba, e mais 300 milhões de dólares para duas obras em Moçambique: o Aeroporto de Nacala (entregue em 2014) e o Porto da Beira (que jamais saiu do papel). A hidrelétrica Tumarín, um projeto da Queiroz Galvão que contaria com a participação da Eletrobras para a construção na Nicarágua — uma promessa pessoal de Lula ao presidente Daniel Ortega —, não se materializou. O problema é que nem o regulamento do BNDES (por falta de garantias) nem a Eletrobras (por se tratar de um investimento no exterior) permitiam a empreitada, avaliada em 512 milhões de dólares. Mas um recado da Casa Civil, à época chefiada por Dilma Rousseff, destravou o negócio: “A Presidência da República tem todo o interesse nesse empreendimento”.

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CARTÃO-POSTAL – Porto de Mariel, em Cuba: obras na ilha integraram pacote de propinas da Odebrecht fechado com LulaAFP

Digitais da negociata foram detectadas pela primeira vez por uma investigação iniciada nos Estados Unidos, onde a Eletrobras teve a transação de seus papéis na bolsa de Nova York interrompida justamente por suspeita de fraude. A empresa perdeu mais de 600 milhões de reais devido aos esquemas criminosos em que se envolveu. Para se livrar do imbróglio, a companhia precisou contratar, ao custo de mais de 400 milhões de reais, o escritório Hogan Lovells, que detectou mais de 200 milhões de reais em propinas — só na construção-fantasma de Tumarín foram 25 milhões de reais.

Mas por que esses financiamentos eram liberados na Camex, e não dentro do próprio BNDES? A explicação: quem aprova ou reprova a liberação de verbas do banco a projetos internacionais é o Comitê de Financiamento e Garantia das Exportações (Cofig), formado por representantes técnicos e políticos. No entanto, as regras do órgão dizem que a aprovação dos repasses precisa ser unânime, e seus integrantes, quando deparavam com projetos, digamos, suspeitos, jogavam os processos para a Camex. Nas trinta atas obtidas por VEJA com exclusividade, que cobrem as reuniões entre 2007 e 2011, nenhum financiamento foi recusado.

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NO ESQUEMA – Guido Mantega e Antonio Palocci: a roubalheira era comandada pela alta cúpula do governo petistaReuters

O caso mais famoso envolve um dos grandes filões internacionais da Odebrecht: Angola. O país, que era comandado por José Eduardo dos Santos desde 1979, absorvia 19% de todas as exportações de engenharia feitas pelo Brasil até 2009 — um valor que já superava 1 bilhão de dólares. A Odebrecht era dona de 85% dessa carteira — e queria mais. O Cofig teimava em dizer que Angola não dispunha mais de crédito perante o Brasil, pois o país estava inadimplente com o BNDES. Lula não queria saber. Ele receberia o ditador angolano em Brasília e pretendia, no final do encontro, anunciar a extensão da linha de crédito. Em agosto de 2010, há a aprovação de mais 200 milhões de dólares em crédito para o país africano, e Lula recebeu um forte abraço de seu amigo.

O apetite da Odebrecht era tão grande que já incomodava Palocci. Apesar de ser ele o arrecadador oficial da campanha de Dilma Rousseff, foi Paulo Bernardo, ministro do Planejamento de Lula, quem procurou Marcelo Odebrecht em 2011 para cobrar os 64 milhões de reais devidos pelo negócio realizado com Angola. Palocci se dizia cansado de ver a Odebrecht monopolizar os contratos naquele país e havia prometido a outras construtoras pedaços maiores do bolo de obras angolanas. Palocci, na verdade, não sabia que essa batalha estava perdida. Nos últimos dias de dezembro de 2010, quando Lula já se retirava do Palácio do Planalto, Emílio Odebrecht recebeu do filho, Marcelo, uma pauta com assuntos para tratar com o presidente. Emílio deveria abordar diversos contratos e discutir a continuidade do apoio à empreiteira. Emílio garantiu que seria mantida a “amizade”. Naquela mesma noite, fechou o acordo de 300 milhões de reais para as eleições de Dilma. A maior parte via caixa dois. As propinas internacionais, como se sabe agora, foram importantes para tornar essa amizade mais sólida — e lucrativa.

Publicado em VEJA de 28 de agosto de 2019, edição nº 2649


quinta-feira, 22 de agosto de 2019

A Lei – Frédéric Bastiat


A Lei – Frédéric Bastiat:

Por que a instituição que faz cumprir a lei não obedece a lei? Por que a lei permite que o estado pratique atividades que são consideradas ilegais para os indivíduos?

Estas são algumas das mais intrigantes questões em filosofia político-econômica. Particularmente, a questão da lei que viola a moral é central para a compreensão da filosofia estatista. Bastiat, nesta obra de 1850, discute a crucial questão de como determinar se determinada lei é injusta. Também define as situações em que o estado passa a comportar-se como contraventor.

Bastiat discute profundamente, e com grande capacidade de síntese, estas e outras questões neste texto que poderia ter sido escrito nos dias de hoje. O ensaio é eterno pois se aplica sempre que o estado decide obedecer leis diferentes daquelas que os indivíduos devem obedecer.

POLÍBIO BRAGA - Magistrados, Procuradores, Delegados e Auditores Fiscais fazem ato público e pedem #VetaBolsonaro


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Magistrados, Procuradores, Delegados e Auditores Fiscais fazem ato público e pedem #VetaBolsonaro

As associações das carreiras da Magistratura e do MP, mais as associações e sindicatos dos Delegados das Polícias Federal e Civil, e dos Auditores Fiscais nacionais, estadual e do Município de São Paulo, lançaram o manifesto a seguir, tudo em ato público realizado em SP. O manifesto ataca duramente o Congresso e quer que Bolsonaro vete por completo a Lei de Abuso de Autoridade. Diz o manifesto: 

- Testemunhamos, nos últimos tempos, significativos resultados no combate à corrupção e aos crimes de colarinho branco por todo o Brasil, os quais moldaram a esperança em um país melhor. Para que continuemos avançando, os agentes dos sistemas de Justiça e de segurança precisam ter suas funções garantidas, o que é possível apenas com amplo respaldo do Estado e da sociedade. CLIQUE AQUI para ler o manifesto e saber quem o assinou.

ANTAGONISTA - Aliados aconselham que Moro deixe o governo

Aliados aconselham que Moro deixe o governo:

A fritura a que Sergio Moro tem sido submetido por Jair Bolsonaro já faz com que aliados do ministro da Justiça sugiram que ele deixe o cargo, diz Bela Megale em O Globo...

Mas, por enquanto, o ex-juiz da Lava Jato não dá sinais de que pretenda abandonar o posto. No Ministério da Justiça, a ordem do chefe é olhar para a frente e tocar os projetos.

Leia este conteúdo na integra em: Aliados aconselham que Moro deixe o governo

SÉRGIO MORO RECEBE HOJE SENADORES QUE PEDEM VETO TOTAL AO PROJETO DE "ABUSO DE AUTORIDADE".

"Nós, Senadores da República, subscrevemos este manifesto com o objetivo de conclamar o Presidente da República, Jair Bolsonaro, para que vete integralmente o Projeto de Lei nº 7596/2019, que define as situações que configuram abuso de autoridade, o qual foi aprovado pela Câmara dos Deputados no dia 14/08/2019. Entendemos que o projeto poderá impor sérios riscos a diversas investigações, principalmente àquelas relacionadas ao combate à corrupção", diz o manifesto.

A lista de signatários tem, até agora, tem 33 senadores — o equivalente a 40% do Senado:

1. Eduardo Girão (Podemos)
2. Styvenson Valentim (Podemos)
3. Oriovisto Guimarães (Podemos)
4. Leila Barros (PSB)
5. Flávio Arns (Rede)
6. Lasier Martins (Podemos)
7. Alvaro Dias (Podemos)
8. Alessandro Vieira (Cidadania)
9. Esperidião Amin (PP)
10. Marcos do Val (Podemos)
11. Jorge Kajuru (Patriota)
12. Carlos Viana (PSD)
13. Mailza Gomes (PP)
14. Major Olímpio (PSL)
15. Sérgio Petecão (PSD)
16. Juíza Selma (PSL)
17. Soraya Thronicke (PSL)
18. Arolde de Oliveira (PSD)
19. Plínio Valério (PSDB)
20. Rodrigo Cunha (PSDB)
21. Luis Carlos Heinze (PP)
22. Romário (Podemos)
23. Jorginho Mello (PL)
24. Reguffe (sem partido)
25. Elmano Férrer (Podemos)
26. Izalci Lucas (PSDB)
27. Fabiano Contarato (Rede)
28. Zequinha Marinho (PSC)
29. Lucas Barreto (PSD)
30. Mara Gabrilli (PSDB)
31. Simone Tebet (MDB)
32. Randolfe Rodrigues (Rede)
33. Rose de Freitas (Podemos)

ANTAGONISTA - Bolsonaro diz que pode trocar diretor da PF: “Eu que indico, e não o Sergio Moro”



Bolsonaro diz que pode trocar diretor da PF: “Eu que indico, e não o Sergio Moro”:

Jair Bolsonaro disse que pode trocar o diretor da PF, Maurício Valeixo:

"Se eu trocar hoje, qual o problema?... Se eu trocar hoje, qual o problema? Está na lei. Eu que indico, e não o Sergio Moro. E ponto final. Qual o problema se eu trocar hoje ele? Me responda.”

Ele disse também:

“É decisão minha, a hora que eu achar correto. Se é para não ter interferência, o diretor anterior, que é o que estava lá com o Temer, tinha que ser mantido. Ou a PF agora é algo independente? A PF orgulha a todos nós, e a renovação é salutar, é saudável.”

Maurício Valeixo, um dos grandes responsáveis pela Lava Jato, é mais uma vítima da guinada toffolista de Jair Bolsonaro.

Leia este conteúdo na integra em: Bolsonaro diz que pode trocar diretor da PF: “Eu que indico, e não o Sergio Moro”

ANTAGONISTA - Bolsonaro: “Valeixo é subordinado a mim, não ao ministro”


Bolsonaro: “Valeixo é subordinado a mim, não ao ministro”:

Jair Bolsonaro, no caso do diretor da PF, fez questão de humilhar publicamente Maurício Valeixo e, sobretudo, Sergio Moro...

“O Valeixo pode querer sair hoje. Não depende da vontade dele. E outra, ele é subordinado a mim, não ao ministro. Deixo bem claro isso aí. Eu é que indico.”

Leia este conteúdo na integra em: Bolsonaro: “Valeixo é subordinado a mim, não ao ministro”

AMB - ENTIDADES MÉDICAS E FRENTE PARLAMENTAR DA MEDICINA VÃO AO MINISTÉRIO PÚBLICO CONTRA TELECONSULTA


Preocupados com a saúde dos pacientes e com a segurança jurídica dos médicos brasileiros, a Associação Médica Brasileira (AMB), a Frente Parlamentar da Medicina, e demais entidades médicas, protocolaram no Ministério Público em Brasília, nesta quarta-feira (14/08), representação contra os planos de saúde que vem praticando a Teleconsulta.
Os representantes das entidades médicas e o presidente da Frente Parlamentar da Medicina (FPmed), Deputado Federal Hiran Gonçalves (PP-RR), e os deputados federais Soraya Manato (PSL-ES), Luiz Antonio Teixeira Junior (PP-RJ), Zacharias Calil (DEM-GO), se reuniram com o Subprocurador Geral da República, Augusto Aras, para explicar sobre a utilização temerária, sem o devido amparo legal, de aplicativos de comunicação para a realização de consultas a distância.
“Isso abre perigosas possibilidades de burlas à Lei do Ato Médico, que tem por principal objetivo zelar e garantir um atendimento eficiente e digno ao cidadão brasileiro. AMB é totalmente contrária e considera arriscada e irresponsável a utilização de ineficientes mecanismos artificiais para substituir a relação médico/paciente, principalmente nas fases iniciais de diagnóstico. Isso não é telemedicina. Isso não representa melhorias reais na qualidade da medicina. E, pior, coloca os pacientes em situação de vulnerabilidade, pois sacrifica o exame clínico presencial, parte fundamental de uma consulta médica. A AMB defende a presença de médicos nas duas pontas em processos de interconsulta”, explica o presidente da AMB, Lincoln Lopes Ferreira.
O presidente da Frente Parlamentar da Medicina, Hiran Gonçalves, diz que o tema Teleconsulta ainda precisa de regulamentação e de um marco legal. “Nós pactuamos com o Subprocurador Augusto Aras, que é da área dos Direitos do Consumidor, que a partir de uma regulamentação do Conselho Federal que deve acontecer a partir das eleições que estão acontecendo lá, nós vamos tentar construir um novo marco regulatório e submetê-lo previamente ao Ministério Público Federal, principalmente no sentido de aperfeiçoar o texto e evitar futuras judicializações”, declarou o deputado.
Em 11 de julho deste ano, a AMB já havia feito denúncia à ANS – Agência Nacional de Saúde Suplementar contra os planos de saúde pela realização irregular de consultas a distância. A AMB entende que a incorporação de novas tecnologias à medicina é um caminho sem volta e que pode ser muito positivo, desde que disciplinado por diretrizes responsáveis com foco no fortalecimento da relação médico/paciente e para auxiliar a vencer os desafios atuais da medicina. A AMB não abre mão da preservação da adequada relação médico/paciente, ponto fulcral da boa medicina.
Foto: Benné Mendonça.