Ataque Aberto

"O maior inimigo da autoridade é o desprezo e a maneira mais segura de solapá-la é o riso." (Hannah Arendt 1906-1975)

segunda-feira, 3 de agosto de 2020

O AMOR E O TEMPO.


O Amor e o Tempo.

(Milton Pires) 

Se é verdade que eu hesitava
no escolher das coisas quando
ainda não te tinha, é porque eu
não te tinha ainda como uma
coisa viva, um outro “eu” que
eu sabia faltar no triste eu que
existia em mim...

As águas do lago parado e a árvore
caída nele, depois da tempestade de
76, são a representação do próprio
“tempo menino” recomeçando num
furacão adulto que eu me tornei ao
te fazer mulher...

Nas noites frias do triste inverno,
ocaso de qualquer vida que busca
então Descanso Eterno, teu sorriso
é sempre, mesmo agora, sentado ao
teu lado nestas noites chuvosas, em
que morre o fogo numa lareira velha,
a quase presença de uma “tu menina” 

Teu olhar me diz “vem pra cama”
e traduzido metafisicamente ele
chega dizendo no meu coração: 

“Não há o Tempo
quando se ama…”

(para Ana Laura..onde ela estiver) 

Porto Alegre, 3 de agosto de 2020.

As “Entidades Médicas”


Milton Pires.


Durante o Regime Militar, um médico recém-formado era um cara que tinha um Volkswagen Fusca 1300, uma caneta Cross e um apartamento financiado pelo BHH.

Durante o Regime dos Vagabundos Petistas, um médico recém-formado entrava no Hospital com brinco numa só orelha, uma mochila amarela nas costas, uma camiseta do Mickey e morava com os pais.

Durante o Regime deste Psicopata Genocida Fascista e Miliciano Evangélico, um médico é aluno de um louco da Virgínia, ainda mora com os pais e apoia remédio falso para cura da COVID19.

Mas durante este período todo sempre existiram as “entidades médicas”, os Conselhos, Sindicatos, Associações, Sociedades de Especialidades…

Foram ELAS, foram SEMPRE estas entidades médicas, que fizeram vista grossa para abertura criminosa de Faculdades de Medicina durante o Regime Militar, para vinda de FALSOS médicos cubanos durante o Regime dos Vagabundos Petistas e, agora, para o uso de um FALSO remédio para “cura” da COVID19 durante o Regime dos Milicianos Evangélicos Fascistas.

As “entidades médicas” fizeram, e vão SEMPRE continuar fazendo isso, por interesse de “estar bem com o Poder”, de se locupletarem, de se amasiarem, de serem servis...ao Poder, ao bom e velho Poder…ao Estamento Burocrático do Raymundo Faoro.

Não interessa se são Generais ou Vagabundos Petistas no Poder, as “entidades médicas” sempre vão querer um bom relacionamento com eles…e vão abandonar, como sempre fizeram, os médicos e os pacientes do Brasil à própria sorte. Eles que se virem.

Só isso. Mais nada.

Porto Alegre, 3 de agosto de 2020.

A função da crítica

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Artigo do escritor Mario Vargas Llosa para o El País:

Descobri Edmund Wilson em 1966, quando me mudei de Paris para viver em Londres. As aulas no Queen Mary College, primeiro, e depois no King’s College não me tomavam muito tempo e eu podia passar várias tardes por semana lendo no belíssimo Reading Room da British Library, na época ainda dentro do Museu Britânico. Havia dois críticos que era indispensável ler todos os domingos: Cyril Connolly, autor de Enemies of promise (Inimigos da promessa), e The unquiet grave (O túmulo inquieto), cuja coluna às vezes versava sobre literatura, mas mais frequentemente sobre pintura e política, e as críticas teatrais de Kenneth Tynan, uma maravilha de graça, ideias, insolências e cultura em geral. O caso de Tynan é muito apropriado para alertar sobre o puritanismo da Grã-Bretanha de então (naqueles mesmos anos desapareceu). Tynan era imensamente popular até que se soube que era masoquista e que, de acordo com uma garota sádica, tinham arranjado um quartinho no centro de Londres onde uma ou duas vezes por semana ela o açoitava (e também trazia arnica, imagino). Que o fizessem não tinha tanta importância; que se soubesse era outra coisa. Tynan desapareceu dos jornais depois do sucesso de Oh! Calcutta! (ele dizia que era uma tradução inglesa do francês: Oh! Quel cul tu as!) e se deixou de falar sobre ele. Partiu para os Estados Unidos, onde morreu, esquecido por todos. Mas suas inesquecíveis críticas teatrais ainda estão aí, à espera de um editor audaz que as publique.

Edmund Wilson continua sendo famoso e, espero, lido, porque foi o maior crítico literário de antes e depois da Segunda Guerra Mundial, e não apenas nos Estados Unidos. Acabei de reler pela terceira vez seu To the Finland station (Rumo à estação Finlândia) e voltei a ficar maravilhado com a elegância de sua prosa e sua enorme cultura e inteligência neste livro que relata a ideia socialista e as loucuras e feitos que engendrou, desde que Michelet, em uma nota de rodapé, descobre Vico e começa a aprender italiano, até a chegada de Lênin à estação Finlândia, em São Petersburgo, para dirigir a Revolução Russa.

Existem dois tipos de crítica. Uma universitária, que está mais próxima da filologia, e trata, entre outras coisas, do indispensável estabelecimento das obras originais como foram escritas, e a crítica de jornais e revistas sobre a produção editorial recente, que põe ordem e lança luzes sobre esse bosque confuso e múltiplo que é a oferta editorial, na qual nós, leitores, andamos sempre um pouco perdidos. Ambas estão de capa caída em nosso tempo, e não por falta de críticos, mas de leitores, que assistem a muita televisão e leem poucos livros, e por isso andam muito confusos nesta época em que o entretenimento está matando as ideias, e portanto os livros, e destacam-se os filmes, as séries e as redes sociais, onde prevalecem as imagens.

Edmund Wilson, que nasceu em 1895 e morreu em 1972, estudou em Princeton, onde foi colega e amigo de Scott Fitzgerald, mas sempre se negou a ser professor universitário e fazer esse tipo de crítica erudita que apenas os colegas leem e às vezes nem mesmo eles. Sua praia era o grande público, que atingia com suas extraordinárias crônicas semanais, primeiro na The New Republic, depois na The New Yorker e finalmente na The New York Review of Books. Depois costumava reuni-las em livros que nunca perdiam atualidade. E não se pense que escrevia apenas sobre os modernos. Eu recordo como um de seus melhores ensaios o longo estudo que dedicou a Dickens. Sua prodigiosa capacidade de aprender idiomas, vivos e mortos, era tal que, quando a The New Yorker o encarregou de escrever sobre os manuscritos do Mar Morto, pediu algumas semanas de licença para aprender hebraico clássico. E lembro-me de ter lido nas páginas do extinto Evergreen sua polêmica com Nabokov sobre a tradução que este tinha feito de Eugênio Onêguin, o romance em versos de Pushkin, que tratava principalmente das enteléquias e segredos da língua russa.

Quem descobriu a chamada “geração perdida” de grandes romancistas norte-americanos em que figuravam Dos Passos, Hemingway, o soberbo Faulkner e Scott Fitzgerald? Foi Edmund Wilson, que em seus artigos e ensaios foi promovendo e decifrando os grandes achados e as novas técnicas e maneiras de narrar do gênio literário norte-americano, sem deixar de mencionar que tinham sido aqueles que aproveitaram as lições do Ulisses de Joyce melhor do que ninguém.

Os grandes críticos acompanharam sempre as grandes revoluções literárias e, por exemplo, na América Latina, o chamado boom do romance não teria existido sem críticos como os uruguaios Ángel Rama e Emir Rodríguez Monegal, o peruano José Miguel Oviedo e vários outros. Não surpreende, portanto, que na França Sainte-Beuve e na Rússia Vissarion Belinski tenham acompanhado o período mais criativo e ambicioso de suas revoluções literárias e lhes dessem ordem e hierarquias. A função da crítica não é apenas descobrir o talento individual de certos poetas, romancistas e dramaturgos; é também detectar as relações entre essas fabulações literárias e a realidade social e política que expressam transformando-a, o que há nelas de revelação e descoberta e, é claro, de queixa e de protesto.

Estou convencido de que a boa literatura é sempre subversiva, como o estavam os inquisidores e censores que proibiram durante os três séculos coloniais que se publicassem romances nas colônias hispano-americanas, sob o pretexto de que esses livros disparatados —pensavam nos romances de cavalaria— podiam fazer com que os índios acreditassem que aquilo era a vida, a realidade e, portanto, desconcertar e prejudicar a evangelização. É claro que houve muito contrabando de romances e deve ter sido formidável, naqueles tempos, ler aqueles romances proibidos. Mas, se o contrabando permitiu a leitura de romances, a proibição foi rigorosamente aplicada no que diz respeito à publicação. Durante os três séculos coloniais, nenhum romance foi publicado na América Latina. O primeiro, El Periquillo Sarniento, saiu no México apenas em 1816, durante a guerra de independência.

Aqueles inquisidores e censores que acreditavam que os romances eram subversivos tinham razão, mas não em proibi-los. Eles expressam sempre um descontentamento, a ilusão de uma realidade diferente, por boas ou más razões. O marquês de Sade, por exemplo, detestava o mundo como era em seu tempo porque não permitia que pervertidos como ele saciassem seus gostos, e seus longos discursos, tão aborrecidos, o que pedem é uma liberdade irrestrita para a luxúria e a violência contra o próximo. O que os bons romances não aceitam é a realidade como ela é. E nesse sentido são os motores permanentes da mudança social. Uma sociedade de bons leitores é, portanto, mais difícil de manipular e enganar pelos poderes deste mundo. Isso não está claro nas democracias, porque a liberdade parece diminuir ou anular o poder subversivo dos romances; mas quando a liberdade desaparece os romances se tornam uma arma de combate, uma força clandestina que vai contra o status quo, socavando-o de maneira discreta e múltipla, apesar dos sistemas de censura muito rígidos que tentam impedi-lo. A poesia e o teatro nem sempre são veículos para esse descontentamento secreto que sempre encontra uma via de escape no romance, ou seja, são mais flexíveis à adaptação ao meio, ao conformismo e à resignação. Tudo isso deve ser apontado e explicado pelos bons críticos, como Edmund Wilson fez ao longo de sua vida.

A pandemia na obra literária e epistolar de Goethe

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Ensaio do professor Marcos Mazzari para o Estado da Arte:

Entre os críticos que vislumbraram uma surpreendente atualidade no Fausto goethiano, publicado em 1808 (Primeira Parte) e 1833 (Segunda Parte), está Marshal Berman, que no primeiro capítulo de seu livro All that is solid melts into air (1982) aborda a “Tragédia do Desenvolvimento”, configurada no último ato do drama, à luz da moderna sociedade industrial dos Estados Unidos. Doze anos depois, o sociólogo Iring Fetscher, no posfácio a um livro também publicado nos Estados Unidos, formulava de maneira lapidar: “Talvez somente hoje, por intermédio da crise ecológica da sociedade industrial, possamos avaliar todo o realismo e extensão da perspicácia de Goethe”.

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Detalhe do retrato de Goethe em 1828, de Stieler.
Essa formulação decorre de acuradíssima percepção ecológica da “Tragédia do Desenvolvimento”, que encerra a trajetória terrena de Fausto. Em idade centenária e atuando agora como grande empreendedor desenvolvimentista, Fausto exprime pouco antes da morte o temor de que a irrupção de uma epidemia possa aniquilar a sociedade que vem sendo construída a ferro e fogo sob a superintendência de Mefistófeles: infiltrações no denso sistema hidráulico que criou os fundamentos para essa nova civilização tecnológica ameaçam converter em pântanos mefíticos os espaços já conquistados ao mar e arroteados.

Enquanto escrevia essas cenas — um apogeu da Literatura Mundial — o octogenário Goethe acompanhava os desdobramentos de um terrível surto de cólera no norte da Alemanha, ao qual também o filósofo Hegel sucumbira inesperadamente. Goethe se inteirava da situação em Berlim mediante cartas enviadas por seu amigo Carl Friedrich Zelter, músico e diretor da Academia de Canto berlinense.

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Carl Friedrich Zelter
No dia 10 de junho de 1831, este lhe escrevia num tom em que o humor se esforçava em amenizar a apreensão geral:
“Agora o principal tema de todas as conversações é cholera morbus. Crianças e idosos estão infectados. Ontem uns meninos que saíam da escola passaram debaixo da minha janela. Um deles perguntou: ‘Do que vamos brincar?’ ‘Vamos brincar de cholera morbus’, disse um outro. […] Que eles não fiquem doentes, para que possam continuar se matando uns aos outros”.
As cartas subsequentes vão atualizando os dados sobre a epidemia. Em 11 de setembro, por exemplo, Zelter relata a morte de dois membros da Academia de Canto e a carta de 16 de novembro se abre com as palavras:
“Neste momento estão baixando à terra o bom Hegel, que anteontem [numa segunda-feira] morreu repentinamente; ainda na sexta-feira ele esteve em minha casa e no dia seguinte fez ainda suas preleções. É meu dever acompanhar o morto, mas acontece que eu tenho a Academia e, além disso, estou resfriado. Minha casa [a Academia de Canto] recebe regularmente toda semana cerca de 400 pessoas e se me acontece alguma coisa, minha instituição sofrerá as consequências e sobre mim recairá a acusação de ter transmitido o mal, tanto mais em vista do fato de que eu, a contrapelo da regra geral, não fumigo nem desinfeto o ambiente, o que já é considerado suficientemente inapropriado”.
As notícias fúnebres continuam se acumulando (uma das cartas relata o sepultamento da filha mais nova do filósofo Moses Mendelssohn, que Zelter conhecera através de seu aluno Felix Mendelssohn Bartoldy). Contudo, no dia 19 de fevereiro de 1832 ele pode finalmente enviar a Weimar a tão aguardada notícia “Hoje se celebra em todas as igrejas Ação de Graças pela libertação da terrível enfermidade. Em nome de Deus!”

Por morar numa cidade bem mais acima do nível do mar do que Berlim, Goethe se acreditava menos vulnerável ao “monstro que ama os pântanos” (e que, a seu ver, não subiria facilmente as montanhas); nem por isso, todavia, deixou de tomar todas as precauções, inclusive as psicológicas. Numa carta de 4 de outubro de 1831, o Weimariano tece considerações sobre um livro de poemas de um autor ao qual não negava talento, “mas durante a leitura me vi num estado tão miserável que rapidamente me desvencilhei do livrinho, já que com o avanço da cólera a gente deve se proteger com máximo rigor de todas as potências deprimentes”. Se nesta carta a doença é nomeada diretamente, em outras o epistológrafo prefere empregar metáforas, a exemplo da acima citada, ou “hóspede indesejável”, ou ainda “monstro invisível”, como na recomendação que envia em 9 de setembro ao jovem compositor Felix Mendelssohn, que se encontrava então em Munique: “O que os teus familiares estão dizendo, isso eu não sei; mas eu te aconselharia a permanecer por mais um tempo no sul. Pois o pavor diante desse insidioso monstro invisível, quando não alucina as pessoas, deixa-as desorientadas. Se a gente não consegue se isolar completamente, fica-se a todo momento exposto à contaminação”.

Cerca de três décadas antes, Goethe já fizera essa mesma recomendação de social distancing (em sentido figurado, porém) num soneto que ironizava a “epidemia” dessa forma lírica oriunda da Itália de Dante e Petrarca. A primeira estrofe do poema “Nêmesis” (divindade grega da vingança, que pune aqui o antigo inimigo da forma “soneto”) diz:
“Quando entre o povo grassa a peste atroz, / Devemos isolar-nos por prudência. / Também eu, por hesitação e ausência, / Me livrei de muita praga feroz” (tradução de João Barrento).
Em sentido metafórico, a “pandemia” subjaz também ao ciclo de novelas — o primeiro na tradição da literatura alemã — “Conversações de emigrantes alemães” (Unterhaltungen deutscher Ausgewanderten, 1794). O Decamerão de Boccaccio, que Goethe conhecia desde a infância, forneceu o modelo para esse ciclo, com a diferença de que a “epidemia” que leva os alemães à fuga (e também ao “refúgio” em histórias narradas em perspectiva novelística) não é a peste, mas sim a perseguição política, sobrevinda com a ocupação da margem esquerda do rio Reno pelas tropas francesas.

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O Decamerão, em ilustração de Watherhouse, 1916.
Nos anos e décadas seguintes, com o avanço acelerado da moderna sociedade capitalista, Goethe passou a enxergar com crescente acuidade a disseminação de uma “epidemia” de consequências devastadoras, à qual sucumbiriam todos os alicerces do mundo em que se processou lenta e organicamente sua vasta “formação” (Bildung). Essa percepção se articulou com insuperável pregnância em cartas escritas nos últimos anos de vida, mas também em obras de velhice, como o romance Os anos de peregrinação de Wilhelm Meister e o Fausto II. Numa carta que envia a Zelter em junho de 1825, Goethe comenta inicialmente tendências musicais contemporâneas, passando em seguida a discorrer sobre tendências sociais às quais ele empresta o adjetivo “ultra”:
“Mas tudo agora, caríssimo, é ultra, tudo se transcende ininterruptamente, em pensamento e em ações. Ninguém se conhece mais, ninguém entende o elemento em que se movimenta e atua, ninguém [conhece mais] a matéria que tem em mãos […]. Os jovens são excitados demasiadamente cedo e depois arrastados ao turbilhão dos tempos”.
(O que diria o poeta em face da “excitação” que redes sociais e mídias digitais exercem hoje sobre as pessoas?)

Goethe tem em mente aqui a epidemia do “velocífero” (neologismo que criou a partir do latim velocitas e de “luciferino”), do ritmo frenético do Time is Money, da “impaciência”: “E mais maldita ainda, a paciência!”, já desabafara o doutor Fausto na cena “Quarto de trabalho”; ele tem em mente a aceleração extrema de todas as formas de comunicação humana, como vem à tona na continuação da carta:
“Riqueza e rapidez, eis o que o mundo admira e o que todos almejam. Ferrovias, correio expresso, navios a vapor e todas as possíveis facilidades de comunicação são as coisas que o mundo culto ambiciona a fim de sofisticar sua formação e, desse modo, persistir na mediocridade. […] Atenhamo-nos tanto quanto possível à mentalidade da qual viemos: com talvez mais alguns poucos, seremos os últimos de uma época que tão cedo não retornará”.
Se a “epidemia” que se apresenta nestas formulações se reveste de sentido figurado, ela também entra na obra goethiana de maneira bastante concreta, como nas cartas que tratavam do surto de cólera. Ou na magnífica cena “Diante da porta da cidade”, no Fausto I, que nos descortina o passeio que o doutor Fausto faz ao lado de seu fâmulo Wagner numa primaveril manhã de Páscoa. Estamos em pleno contexto da chamada “Tragédia do Conhecimento”, e em tempos passados o jovem Fausto atuara ao lado de seu pai — um alquimista e “obscuro homem de bem”, na recordação do filho — no combate à pandemia, sendo por isso aclamado entusiasticamente pela multidão, o que faz Wagner estabelecer uma comparação com a devoção que se prestava ao corpo do Senhor, simbolizado pela hóstia: “Em peso a multidão se ajunta, / E, pouco falta, cairia ajoelhada, / Como se visse a hóstia sagrada”. Mas o doutor, chegando a uma pedra onde costumava orar naqueles sinistros anos (momento captado magistralmente pela arte de Eugène Delacroix), apresenta o mais amargurado balanço de sua atuação no combate à peste. O remédio que ele preparava com o pai no laboratório alquímico — chamado de “jovem rainha no cristal”, resultante da união do “leão rubro” (óxido de mercúrio) com a “flor-de-lis” (ácido clorídrico), na poética linguagem dos alquimistas — não só era ineficaz, como levava antes à morte do que à cura dos doentes:
“Era o remédio, faleciam os pacientes, / Sem que alguém indagasse: e quem sarou do mal? / Assim, com drogas infernais, mais males / Causamos nesses morros, vales, / Do que da peste as feras lidas. / Dei eu próprio a milhares o veneno, / Foram-se; devo eu ver, sereno, / Que honram os torpes homicidas”.
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Uma das raras ilustrações de Delacroix a Fausto
Se a devastadora pandemia desponta nessa cena do Fausto em flashback, apenas na recordação do atormentado doutor, valeria observar que no célebre filme expressionista de Murnau (Fausto. Uma saga popular alemã, 1926) esse motivo ocupa posição central, pois a peste é provocada pelo próprio diabo (uma constelação que se repetirá na magistral novela suíça A Aranha Negra, de Jeremias Gotthelf) a fim de constranger o doutor ao selamento do pacto.

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Mefisto disseminando a peste em Fausto (adapt. de F. W. Murnau, 1926).
Cerca de trinta anos após ter redigido esses magníficos versos sobre a luta dos alquimistas contra a peste, Goethe voltou ao motivo da epidemia na última fase da trajetória terrena do pactário, no complexo dramático conhecido como “Tragédia do Desenvolvimento”. Após ter conquistado vastos espaços ao mar e de tê-los arroteado a fim de erigir uma nova civilização, o velho colonizador se vê confrontado com a tarefa colossal de drenar extensa área pantanosa para evitar a irrupção de um surto epidêmico que se anuncia no horizonte:
“Do pé da serra forma um brejo o marco, / Toda a área conquistada infecta; / Drenar o apodrecido charco, / Seria isso a obra máxima, completa. / Espaço abro a milhões — lá a massa humana viva, / Se não segura, ao menos livre e ativa”.
A epidemia que se delineia nesses últimos instantes do colonizador Fausto, cegado na cena anterior pela Apreensão, parece referir-se em primeiro lugar à malária, de cuja letalidade Goethe pôde inteirar-se concretamente ao percorrer em 1787 os Pântanos Pontinos, nas proximidades de Roma, conforme os relatos que fez em sua Viagem à Itália. Mas também seria possível pensar no cholera morbus, com tão forte presença na correspondência entre Goethe e Zelter no momento em que essas cenas eram escritas. Pois é em regiões pantanosas que o vibrio cholerae origina-se e prospera, conforme assinalará também Thomas Mann 80 anos mais tarde na novela A morte em Veneza, ao relatar as origens da epidemia na Ásia, “nos pântanos quentes do delta do Ganges, fomentada pelo hálito mefítico desse mundo antediluviano de ilhas exuberantes, inúteis, inabitáveis, em cujos emaranhados bambuzais espreita o tigre”. (Ainda numa carta de 15 de março de 1832, uma semana antes da morte, Goethe irá se referir ao “monstro asiático”.)

Será que em seus últimos instantes de vida — antes de pronunciar as palavras que, pelas cláusulas do pacto fechado quase dez mil versos antes, dariam a vitória a Mefistófeles — Fausto se revela efetivamente um líder consciencioso, preocupado com a devastação que um surto de malária ou cólera poderia acarretar a seu povo? Nos limites destas considerações sobre o motivo da pandemia na obra de Goethe não é possível aprofundar-se na extrema complexidade da “Tragédia do Desenvolvimento” configurada no final do Fausto II. De todo modo, no nível mais evidente do texto, essas cenas mostram um líder buscando proteger a “massa humana”, habitando e labutando nos novos espaços conquistados ao mar, da destruição que pode advir do “monstro que ama os pântanos”, na imagem citada.

O que o colonizador propõe como defesa perante essa ameaça é, concretamente, aquilo que Maquiavel, no 25º capítulo de seu Príncipe, aconselha em linguagem figurada (e no âmbito da virtù) como proteção perante as vicissitudes da fortuna: a construção de barreiras e diques que possam fazer frente a todos os “rios ruinosos” — inundações, terremotos, invasões inimigas, mas também epidemias — que trazem o aniquilamento.

Contudo, para o sempre “muito bem informado” Mefistófeles (como ele dissera de si mesmo no início do drama), essa luta já está decidida, pois diques e barragens de nada valerão: “À ruína estais mesmo fadados; — / Conosco os elementos conjurados, / E a destruição é sempre o fim”.

Sucumbirá o império fáustico — magistral figuração da “velocífera” sociedade industrial — às investidas dos elementos e a ameaças como a que desponta nas últimas palavras do colonizador? Ou seu legado está destinado a perdurar pelos séculos vindouros? Se o octogenário Goethe, concluindo a obra em que trabalhou ao longo de 60 anos, deixa essa questão em aberto, nela também se espelham hoje as incertezas de um mundo confrontado com ameaças como aquecimento global, mudanças climáticas, extinções de espécies ou irrupção de pandemias devastadoras. Foi, portanto, com plena procedência, que o sociólogo Iring Fetscher postulou que “talvez somente hoje, por intermédio da crise ecológica da sociedade industrial, possamos avaliar todo o realismo e extensão da perspicácia de Goethe”.

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Goethe ditando a seu secretário John (Johann Schmeller, 1834).
Referências:

BERMAN, Marshall. All that is solid melts into air: the experience of modernity. Nova York: Simon & Schuster, 1982.
__________. Tudo o que é sólido desmancha no ar. São Paulo: Companhia das Letras, 2007.
FETSCHER, Iring. “Postscript”, in BINSWANGER, Hans Christoph, Money and Magic – A critique of the modern economy in the light of Goethe’s Faust. Chicago: University of Chicago Press, 1994. [Ed. brasileira: Dinheiro e magia: uma crítica da economia moderna à luz do Fausto de Goe­the. Rio de Janeiro: Zahar, 2011.]
GOETHE, Johann Wolfgang von. Fausto: Uma tragédia – Primeira parte. São Paulo: Editora 34, 2020, 7ª ed. revista e ampliada.
__________. Fausto: Uma tragédia – Segunda parte. São Paulo: Editora 34, 2020, 6ª ed. revista e ampliada.
__________. Viagem à Itália. São Paulo: Editora UNESP, 2017.
Gotthelf, Jeremias. A aranha negra. São Paulo: Editora 34, 2020, 2ª ed.
MANN, Thomas. A morte em Veneza. São Paulo: Companhia das Letras, 2015.
MAQUIAVEL, Nicolau. O Príncipe. São Paulo: Editora 34, 2017.

Marcus Vinicius Mazzari é professor de Teoria Literária e Literatura Comparada na Universidade de São Paulo. Traduziu para o português textos de Adelbert von Chamisso, Bertolt Brecht, Gottfried Keller, Heinrich Heine, Karl Marx, Walter Benjamin, Jeremias Gotthelf e outros. Entre suas publicações estão Romance de Formação em Perspectiva Histórica (1999), Labirintos da Aprendizagem (2010) e A Dupla Noite das Tílias. História e Natureza no Fausto de Goethe (2019). Elaborou comentários, notas, apresentações e posfácios para o Fausto de Goethe (Primeira e Segunda Parte), em tradução de Jenny Klabin Segall.

Sul é única região a manter aceleração de mortes por COVID-19

Sul é única região a manter aceleração de mortes por COVID-19:


O Sul é a única região com média móvel de mortes por COVID-19 ainda em aceleração...
Reportagem do UOL analisou os dados levantados pelo consórcio de imprensa.

No domingo (2), a região Sul apresentou aceleração de 37% na variação dos últimos 14 dias. Houve aumento no número de mortes nos três Estados da região.

O aumento foi de 25% no Paraná, 39% no Rio Grande do Sul e 51% em Santa Catarina.

No mesmo período, a oscilação do Centro-Oeste caiu para +11%, o que indica estabilidade, assim como o Sudeste (-3%).

Norte (-36%) e Nordeste (-16%) se mantiveram como as únicas duas regiões em queda.

Leia este conteúdo na integra em: Sul é única região a manter aceleração de mortes por COVID-19

Previsão Sul – Tempo firme na Região

Previsão Sul – Tempo firme na Região:



Boletim de previsão do tempo contendo informações sobre previsão, temperatura mínima e máxima prevista, além de destaques relevantes dos últimos dias.

03 de Agosto de 2004: Morre o Fotógrafo francês Henri Cartier-Bresson

03 de Agosto de 2004: Morre o Fotógrafo francês Henri Cartier-Bresson:

Fotógrafo francês, Henri Cartier-Bresson nasceu a 22 de Agosto de 1908, em Chateloup, na França, e faleceu a 3 de Agosto de 2004, em Céreste, também na França. Embora só tivesse começado a fotografar em 1931, a formação para a imagem de Cartier-Bresson teve o seu início num espaço de tempo que vai de 1927 a 1929, quando estudou pintura com o artista plástico André Lothe.
Em 1932 expõe as suas fotografias na galeria de Julien Levy em Nova Iorque. A partir desta data é contratado pela revista Harper's Bazaar, este facto leva-o a realizar reportagens e a adoptar a profissão de fotojornalista.
Numa das suas várias viagens a diversos pontos do Mundo, conhece Paul Strand nos Estados Unidos da América. Este fotógrafo americano introduz Cartier-Bresson na fotografia de cinema. Quando regressa a França, assiste o cineasta Jean Renoir e realiza alguns documentários. Outra faceta na obra de Cartier-Bresson são os comoventes retratos de artistas da época, como Matisse, Braque, Truman Capote, Claudel, entre outros, que faz sob encomenda. Relevante também, na vida de Cartier-Bresson, é a fundação, juntamente com os fotógrafos G. Rodgers, R. Capa e D. Seymour da agência cooperativa Magnum. Esta cooperativa tinha como objectivo principal a preservação dos direitos dos fotojornalistas sobre as suas imagens.
Aposentado da fotografia nos anos 70, Cartier-Bresson dedicou-se definitivamente àquela que foi desde sempre a sua grande paixão, a pintura.
Cartier-Bresson. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2012. 

wikipedia 
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domingo, 2 de agosto de 2020

Como pensa um Brasileiro “normal” em Relação a:

1. Racismo – Eu não tenho NADA contra negros. Tenho contra POBRE. SE a pessoa é pobre, não adianta ser branca, nem preta nem azul nem coisa alguma. Eu NÃO vou respeitar. Se for rica, pode ser de qualquer cor. Eu vou respeitar SEMPRE.

2. Bater em Mulher – eu bato em mulher por que ela é fraca e não consegue reagir. Não tem NADA a ver com FATO de ser mulher. Se for uma mulher que luta no MMA aí eu não vou bater nela porque ela pode acabar me matando de tanta porrada.

3. Gays – Veja meu raciocínio sobre racismo e negro pobre e negro rico. Eu sei lá se é bicha ou não é. Quero saber se tem dinheiro. Se tiver, é a pessoa mais querida do Mundo. Caso contrário, posso bater nela à vontade.

4. Fake News – eu não quero saber o que é verdade ou mentira. Quero acreditar naquilo que é melhor pra mim. Azar da Notícia.

5. Cloroquina – Eu sei lá se funciona ou não. Eu PRECISO dizer que funciona para que o Brasil inteiro saia do isolamento e o Governo do meu querido presidente, Jair Mussolini, não seja prejudicado economicamente. Só isso. Não tem NADA a ver com salvar a vida de ninguém. Vida que IMPORTA é a MINHA e da minha família.

“Bons estudos mostram que a hidroxicloroquina não é eficaz”, diz Fauci

“Bons estudos mostram que a hidroxicloroquina não é eficaz”, diz Fauci:


Anthony Fauci, diretor do Instituto de Alergias e Doenças Infecciosas dos Estados Unidos, foi questionado pela BBC sobre o uso da hidroxicloroquina no tratamento da Covid-19.

“Sabemos que bons estudos, e por bom estudo quero dizer um com controle aleatório no qual os dados são confiáveis, nos fornecem dados que mostram que o uso da hidroxicloroquina não é eficaz no tratamento da Covid-19.”

Na semana passada, Donald Trump compartilhou um vídeo originalmente postado pelo filho mais velho, Donald Trump Jr., que promovia o medicamento como cura para a doença.

A mensagem de Trump foi considerada “enganosa e potencialmente nociva” pelo Twitter, que apagou a publicação.

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ÁUDIO: MINISTROS DO STF COM MALAS PRONTAS PARA FUGIR - É QUE O SERVIÇO SECRETO ...

Bolsonaro pergunta preço de cloroquina em farmácia

Bolsonaro pergunta preço de cloroquina em farmácia:


Jair Bolsonaro foi a uma farmácia na manhã deste domingo, no Lago Norte, em Brasília.

Segundo o site Metrópoles, o presidente perguntou a um atendente o preço da hidroxicloroquina.

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Ohio's Pharmacy Board Bans Sale of Hydroxychloroquine

Ohio's Pharmacy Board Bans Sale of Hydroxychloroquine:

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Under the new rule, which took effect today, pharmacies and prescriber clinics can't sell or dispense hydroxychloroquine or chloroquine for COVID-19 without approval from the Ohio Board of Pharmacy.

WebMD Health News

Carvalhosa vai pedir impeachment de Aras

Carvalhosa vai pedir impeachment de Aras:


Modesto Carvalhosa, em live do Vem Pra Rua, disse neste sábado que vai entrar com pedido de impeachment do Procurador-Geral da República Augusto Aras na próxima segunda-feira.

“Ele agiu de modo incompatível...

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Bolsonaro, o pacto dos opacos e a ascensão da mediocridade

Bolsonaro, o pacto dos opacos e a ascensão da mediocridade:

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Nelson Rodrigues disse, certa vez, que “o grande acontecimento do século foi a ascensão espantosa e fulminante do idiota”.

Se o genial dramaturgo vivesse esse início de século XXI, talvez reescrevesse seu pensamento, fazendo uma pequena e sutil adequação às realidades do nosso tempo, substituindo o idiota pelo medíocre, em sua já célebre frase.

Talvez esse triste fenômeno, da ascensão dos medíocres, nos faça entender melhor escândalos como o dos dossiês contra antifascistas, que teria sido supostamente produzido pela SEOPI – Secretaria de Operações Integradas SEOPI, do Ministério da Justiça e Segurança Pública.

Fatos como a mudança da chefia da unidade da Polícia Federal no Rio de Janeiro, ocorrida imediatamente após as exonerações, de seus respectivos postos, do ex-ministro Sergio Moro e do ex-diretor geral da Polícia Federal Mauricio Valeixo, as saídas de Luiz Henrique Mandetta e Nelson Teich, bem como a existência de um general – e não de um médico – no comando do Ministério da Saúde, em plena pandemia do novo coronavírus, podem também ser entendidas sob a ótica dessa escalada vertiginosa da mediocridade.

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A escolha de profissionais com perfil mediano, para chefias e comandos de unidades vitais da máquina pública, facilita a linha de comando, mas, em contrapartida, produz um profundo apequenamento das instituições, dando origem a uma república liliputiana, repleta de anões em funções de relevo.

É o abominável pacto da mediocridade, que obriga a todos os seus signatários a se perfilarem à imagem e semelhança do chefe maior.

Tudo se amesquinha e se reduz.

E o que se vê, ao final, são cargos de ministros de Estado, de diretores, secretários, cada vez menores, mais manietados, e subdimensionados em importância e atuação.

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Daí estamos assistindo a um interminável desfile de acanhados e de cumpridores de ordens… E por que escolhem quase sempre os medíocres? O fazem pois estes rarissimamente contestam e tampouco esboçam qualquer posicionamento critico.

É por isso que vemos inúmeros medíocres quebrando records de permanência e tantos medianos considerados “imexíveis”.

E aquele que teve trajetória nula e carreira opaca, quando empoderado, consequentemente se cercará de profissionais com o mesmo perfil. Nasce ali toda uma linhagem norteada pela mediocridade.

Afinal, alguém tem que fazer o trabalho sujo.


Anexos:

Previsão Sul – Temperatura em elevação

Previsão Sul – Temperatura em elevação:



Boletim de previsão do tempo contendo informações sobre previsão, temperatura mínima e máxima prevista, além de destaques relevantes dos últimos dias.

02 de Agosto de 216 a. C. : O general cartaginês Aníbal, vence os romanos na Batalha de Canas

02 de Agosto de 216 a. C. : O general cartaginês Aníbal, vence os romanos na Batalha de Canas:
A Segunda Guerra Púnica durava já quase dois anos e o exército cartaginês estava impaciente com a carência de recursos provocada pela campanha prolongada. Para resolver a situação, Aníbal decidiu instalar-se no forte  abandonado pelos romanos na cidade de Canas, situada no monte do mesmo nome ao sul da península itálica.
Canas era uma região muito estimada pelos romanos. A perda material aliada ao orgulho ferido provocou uma forte reacção do Senado que, decidido a terminar com a ameaça cartaginesa definitivamente, resolveu enviar oito legiões inteiras - chefiadas pelos cônsules daquele ano (Caius Terentius Varro e Lucius Aemilius Paulus) - para combater o exército de Aníbal. Numa época em que normalmente se recrutava quatro legiões por ano e dificilmente se empregava todas juntas numa única campanha, esse movimento era perigoso. Se Roma fosse derrotada estaria completamente vulnerável. Mas apesar disso, a vantagem romana era grande. As oito legiões (cerca de 80.000 homens a pé e 6.000 homens a cavalo entre romanos e aliados latinos) - provavelmente o máximo de soldados que Roma dispunha, colocava o exército de Aníbal numa enorme inferioridade numérica, visto que este dispunha apenas de 50.000 homens. 
O que os romanos não sabiam é que, apesar do quadro desfavorável, Aníbal havia planeado tudo, inclusive o envio das legiões pelo Senado. A ocupação de Canas destinava-se não só a suprir o seu exército com víveres e armas, mas também a obrigar Roma - que evitava as batalhas campais devido às esmagadoras derrotas sofridas nas mãos dos cartagineses - a reagir num combate directo.

Junto ao rio Aufidus, perto da cidade de Canas, os exércitos entraram em confronto.
As legiões romanas eram a melhor unidade militar de sua época.  Mas um exército sozinho não ganha batalhas, precisa de bons comandantes e a longa linha de brilhantes líderes militares de Roma ainda estava para surgir.
O exército cartaginês estava em significativa desvantagem numérica, as suas armas e armaduras eram inferiores às do oponente mas o seu comandante, Aníbal, era um estratego brilhante.
No dia anterior havia ocorrido um ataque cartaginês infrutífero às linhas romanas e Aníbal, percebendo que o exército estava com a moral baixa, convocou os seus generais para uma reunião.Tentou convencê-los de que estavam em vantagem: as legiões romanas, que se encontravam acampadas à frente, tinham acabado de ser convocadas e ainda eram inexperientes (os soldados veteranos haviam sido dizimados em batalhas anteriores); os cônsules em comando nunca tinham estado juntos num campo de batalha; e o terreno plano proporcionava uma enorme vantagem às manobras de cavalaria.
A batalha começou com os romanos direccionados para o sul e os cartagineses para o norte, ambos tentando evitar lutar olhando directamente para o sol. 
Nesta época da história todas as batalhas ocorriam de forma frontal com o objectivo de quebrar a linha de frente do inimigo e era assim que os romanos pretendiam lutar em Canas. A infantaria foi alinhada e a cavalaria disposta nas duas laterais com a missão primordial de proteger os flancos.
Seguindo a sua táctica, os soldados romanos marcharam à frente buscando um confronto frontal. O primeiro contacto, entre as infantarias leves, terminou inconclusivo e Aníbal enviou sua tropa montada para um combate directo com a cavalaria romana.
A infantaria pesada de legionários avançou, mas somente os soldados ao centro encontraram os mercenários iberos e celtas, devido à disposição convexa das tropas cartaginesas. Como as unidades romanas nas extremidades estavam ansiosas para entrar em combate e as linhas inimigas eram excessivamente afinadas, seguiram instintivamente em direcção ao centro afunilando a linha de frente.
O exército romano, confiando na superioridade numérica e técnica dos seus legionários avançou para as linhas inimigas ignorando as manobras tácticas cartaginesas.
Na sua pior derrota até então as tropas romanas foram massacradas. Segundo o historiador romano Tito Lívio, 50 mil soldados tombaram no campo de batalha - incluindo 80 senadores e 29 tribunos militares (quase a totalidade da oficialidade legionária) -, 19 mil foram tomados como prisioneiros e 15 mil conseguiram fugir.
O destaque vai para a genialidade de Aníbal que transformou a batalha de Canas numa obra-prima das tácticas de guerra, obrigando o adversário a lutar simultaneamente em várias frentes. A partir daí, a visão apenas frontal de um conflito armado caiu gradativamente em desuso e os combatentes a cavalo ganharam mais importância.
A genialidade de Aníbal e a precisão de seu exército permitiram a vitória na batalha de Canas.
Fontes: Batalha de Canas. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2013
wikipedia (Imagens)
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Batalhas da Segunda Guerra Púnica - Canas

Ficheiro:Hannibal Slodtz Louvre MR2093.jpg

Aníbal contando os anéis dos cavaleiros romanos caídos na Batalha de Canas
Arquivo: A batalha de Cannae.jpg
Representação medieval da Batalha de Canas

sábado, 1 de agosto de 2020

Neonazistas e milhares de manifestantes vão às ruas de Berlim

Neonazistas e milhares de manifestantes vão às ruas de Berlim:



Convocadas por diversos grupos, entre eles da extrema direita, milhares de pessoas foram às ruas de Berlim nesse sábado 1º para protestar contra as medidas restritivas de circulação para evitar a disseminação do novo coronavírus. Os protestos ocorreram após Peter Altmaier, ministro da Economia da Alemanha, afirmar que “quem deliberadamente coloca em risco os outros tem de ter noção que isto terá sérias consequências”. A manifestação foi caracterizada por participantes sem máscaras de proteção e desrespeitando amplamente o recomendado distanciamento social de 1,5 metro. Entre os presentes, estavam pequenos comerciantes que temem ter de fechar seus negócios com novos lockdowns.

De acordo com a emissora de televisão pública RBB Fernsehen, mais de 7 mil pessoas participaram do evento por considerarem as medidas de restrição um atentado à liberdade de escolha de ir e vir. Faixas com mensagens contra a vacina criticavam supostos movimentos conspiratórios da indústria farmacêutica e exigiam a queda da chanceler alemã, Angela Merkel. O que mais chamou a atenção foi o slogan da campanha: “O fim da pandemia – Dia da liberdade”. De acordo com organizadores, a frase é uma alusão ao filme “Dia da liberdade”, sobre o exército alemão feito pela cineasta nazista Leni Riefenstahl em 1935. Além disso, cartazes traziam dizeres como “Somos a segunda onda”, “A máscara é a Estrela de David nazista dos não-vacinados” e “A maior teoria da conspiração é a pandemia da Corona”. O grupo neonazista “Querdenken 711” estaria entre os organizadores.

Diante da notícia de que outros movimentos vão às ruas protestar contra as manifestações de direita, agentes da força de segurança foram reforçados para fazer a segurança das ruas, cerca de 1.100 policiais. Além disso, a política de Berlim divulgou pelo Twitter que processará organizadores pelo desrespeito “às regras de higiene”. No início da pandemia do novo coronavírus, a chanceler alemã, Angela Merkel, foi considerada um exemplo no combate à crise sanitária por ter feito isolamentos sociais rígidos e testagens em massa que diminuíram o número de casos no país. “Para alguém como eu, para quem a liberdade de movimento foi um direito pelo qual lutei muito, essas restrições só podem ser justificadas por sua necessidade absoluta”, disse em março em pronunciamento histórico em transmissão nacional por vídeo, em um raro discurso.

Cinco meses depois, no entanto, Merkel se depara com milhares de manifestantes nas ruas contra as medidas de combate à Covid-19 diante do aumento do número de casos no país. Dados da agência governamental Instituto Robert Koch mostram recordes de mais de 900 infectados nas últimas 24 horas – em junho, esse número tinha caído para 300. Além do aumento do número de infectados no país, na quinta-feira 30 foi anunciada uma retração histórica no PIB da Alemanha, de 10,1% no 2º trimestre de 2020. “Agora é questão de impedir  que o vírus se espalhe novamente de maneira rápida e descontrolada”, disse Lothar Wiele, presidente da instituição, em conferência de imprensa no dia 28 de julho.

Covid-19: Brasil registra 1.088 mortes em 24 horas, diz Saúde

Covid-19: Brasil registra 1.088 mortes em 24 horas, diz Saúde:



O Brasil registrou 1.088 mortes por Covid-19 nas últimas 24 horas, segundo o Ministério da Saúde. Com isso, subiu para 93.563 o número de vítimas...

Leia este conteúdo na integra em: Covid-19: Brasil registra 1.088 mortes em 24 horas, diz Saúde

VÍDEO: Dra. Akemi Shiba: Disforia de Gênero na Infância e Adolescência

VÍDEO - Allan dos Santos acusa ministros do STF de terem conhecimento de espiona...

“Deixei o país. Se alguma coisa acontecer comigo, foi o Barroso ou o Moraes” diz Allan dos Santos

“Deixei o país. Se alguma coisa acontecer comigo, foi o Barroso ou o Moraes” diz Allan dos Santos:

“O jornalista Allan dos Santos informou, numa live na madrugada desta sexta, que está fora do país. O dono do Terça Livre não especificou sua localização. A transmissão foi organizada pela deputada Bia Kicis, e teve a participação de Bernardo Küster e do americano Ryan Hartwig”.

Küster a Allan são investigados no inquérito inconstitucional das fake news no STF.

Ambos tiveram suas contas bloqueadas internacionalmente no Twitter a mando do ministro Alexandre de Moraes.

Allan acusou Luís Roberto Barroso de “prevaricação”, pois o ministro estaria ciente de que as embaixadas da China e da Coréia do Norte estão espionando o telefone pessoal do presidente Bolsonaro, mas não notificou o Palácio do Planalto.

“A esposa do Barroso tem data para fugir do Brasil”

“Se alguma coisa acontecer comigo ou com minha família, vem da embaixada da China em Brasília, da embaixada da Coreia do Norte, do Kakay, do Partido dos Trabalhadores, do Barroso ou do Alexandre de Moraes” disse Allan.

O jornalista do Terça Livre argumentou que existe uma intenção deliberada por parte do TSE de promover a cassação do mandato de Bolsonaro, ainda que o presidente não tenha cometido qualquer crime eleitoral.

Três membros do tribunal, que também são membros da suprema corte, já teriam seus votos prontos pela cassação da chapa: Edson Fachin, Luiz Roberto Barroso e Alexandre de Moraes.

Fuga de Luiz Roberto Barroso

Outra informação trazida por Allan diz respeito a uma ‘suposta’ existência de um plano de fuga dos ministros do STF após a cassação do mandato de Bolsonaro.

Luiz Roberto Barroso, Alexandre de Moraes e Edson Fachin já teriam elaborado um plano de fuga do Brasil para o mesmo dia em que for votada a cassação da chapa de Bolsonaro/Mourão.

Allan foi enfático em dizer que existe um golpe de estado em andamento no Brasil.

O jornalista lembra também que caso sejam tomadas quaisquer medidas para prender integrantes do STF, é necessário que o mundo compreenda as razões, uma vez que não há mecanismos outros em nosso ordenamento jurídico e em nossa Constituição capazes de proteger a democracia brasileira contra a ação dos integrantes da suprema corte.

Confira nos vídeos abaixo:

Olha aí a realidade batendo na porta #FreeAllan pic.twitter.com/gUB1JcvBcd
— Nivânia Rosa (@NivaniaRosa) July 31, 2020
Allan dos Santos saiu do Brasil e denúncia golpe em curso contra Bolsonaro. pic.twitter.com/4pCozRaEDr
— Patriotas (@PATRIOTASBR38) July 31, 2020

Ex-funcionários de redes sociais denunciam conspiração contra Bolsonaro

Ex-funcionários de redes sociais denunciam conspiração contra Bolsonaro:




O portal Terça Livre teve acesso, nesta quinta-feira, 30, a uma carta conjunta de denúncia assinada por um ex-funcionário do Google e outros dois ex-funcionários do Facebook, endereçada aos membros do Comitê Judiciário da Câmara dos Estados Unidos.

O documento de seis páginas aponta uma série de acusações para redes sociais por censura aplicada aos conservadores ou liberais “mais alinhados à direita”.

Zach McElroy, ex-moderador de conteúdo do Facebook, Zach Vorhies, ex-engenheiro de software do Google e Ryan Hartwig, ex-criador de conteúdo do Google, afirma que a censura “não é apenas uma pessoa doméstica”, mas uma pandemia global que infecta o mundo de uma maneira importante”.

“Inclusive no Brasil, onde o judiciário federal está conspirando com o Facebook e o Twitter contra o presidente brasileiro Jair Bolsonaro”, diz um trecho da carta.
Em outro trecho da carta, o ex-funcionário do Google afirmou ainda que existe um projeto de censura por parte de grandes empresas da Internet.

“Eu me demiti no Google depois de descobrir um amplo projeto de censura chamado ‘Equidade de aprendizado de máquina’. Este projeto e seus subcomponentes representam um regime de censura que transforma o sistema de internet aberto da América em um sistema de internet censurado no estilo chinês”, afirma na carta.

Embora este esteja longe de ser o único exemplo, mostra o grau em que o Google está disposto a declarar publicamente a neutralidade, enquanto produz internamente uma imparcialidade absoluta.

“No último mês, tive a oportunidade de fazer entrevistas na mídia com mais de 20 veículos de notícias diferentes, nos EUA e no exterior.”

Em minhas entrevistas na Espanha, Canadá e Colômbia, observei que os cidadãos estão preocupados com o alcance e a influência do Facebook em suas economias ”, diz ainda Ryan Hartwig.

Os conservadores desses países também sofrem censura política. Isto não é apenas uma preocupação doméstica, é uma pandemia global; uma censura política infectar o mundo de maneira importante …

… inclusive no Brasil, onde o judiciário federal está conspirando com o Facebook e o Twitter contra o presidente brasileiro Jair Bolsonaro.
O Facebook e o Twitter se dobram rapidamente quando são fortemente armados por uma multidão federal corrupta (equivalente à grande mídia nos Estados Unidos) puramente para fins políticos. Triste, de fato.

“Viés político significa excluir vídeos de apoiadores de Trump sendo vitimados e atacados. Preconceito político significa proteger certos denunciantes e ativistas ambientais ”, disse.

“Peço fortemente aos membros do Congresso que tomem medidas, seja por meio de leis de direitos autorais ou de outra legislação, para limitar o poder do Facebook de reprimir uma expressão política”, finaliza a carta.

Outro ponto polêmico relatado pela carta é o fato de que o viés político da instituição não está permitindo que organismos como a Antifa, por exemplo, sejam classificadas como uma organização criminosa, apesar de existirem várias evidências sobre isso.






Allan joga mais mer#$ no ventilador e publica supostas provas

Allan joga mais mer#$ no ventilador e publica supostas provas:

Exilado, o jornalista Allan dos Santos publicou o seguinte nas redes sociais:

“A pressa da mídia brasileira ao dizer que não tenho provas é uma confissão do conluio para DERRUBAR o Presidente Jair Bolsonaro.”
Junto com a declaração, Allan anexou a imagem abaixo:



No documento acima é possível observar a identificação da empresa ‘Rohde e Schwarz’, aos cuidados de Igor Tobias.

De acordo com Allan, através desta empresa, grampos de telefone (com o intuito espionar o presidente Jair Bolsonaro) foram encontrados.

Igor Tobias, segundo Allan, teria sido a pessoa que contratou a empresa para verificar se existiriam os tais grampos de telefones.

“A pedido de IGOR TOBIAS MARIANO, funcionário do TSE, a empresa Rohde & Schwarz fez uma varredura em Brasília e descobriu maletas de escuta telefônica na Embaixada da Coréia do Norte, Embaixada da China e na casa do Kakay. O alvo: presidente Bolsonaro. […] Barroso e Moraes prevaricaram. Isso é golpe de estado”, disse Allan.
Em outra publicação, o JORNALISTA anexou uma espécie de mapa (onde aparece o endereço Tribunal Superior Eleitoral), apontando para locais onde estariam os supostos dispositivos de espionagem.

Confira:






[Comment] Political and institutional perils of Brazil's COVID-19 crisis




Political scientists would presume that during a pandemic, political leaders will seek to use the situation to increase their power and electability. In the case of Brazil, however, President Jair Bolsonaro has not been able to achieve this, partly due to the government's poor policy response to COVID-19, which is shaped by Bolsonaro's political ideology. Yet Bolsonaro operates within a strong democratic institutional context that limits his policy authority. Brazil's Federal Supreme Court, for example, consistently upholds state physical distancing policies that the Bolsonaro administration opposes.State-level health systems investments, such as efforts to rapidly expand emergency bed capacity in intensive care units, have also sustained Brazil's universal public health system in the context of weak federal coordination and management.2

Since his election into office in 2018, President Bolsonaro has shown an authoritarian leadership style and emphasised traditional family values, Judeo-Christian morals, and a strong economy. 3
4 He has questioned the role, efficacy, and legitimacy of democratic institutions, including the National Congress of Brazil, the Federal Supreme Court, and political parties, 5 reinforced by his past history of repeatedly switching parties and currently not having any party affiliation. Bolsonaro's unwavering principles that economic growth and prosperity trump other policy priorities have influenced the response to COVID-19. Bolsonaro has said he views unemployment as worse than COVID-19 itself. 6 To prioritise opening the economy sooner and garner support for his views, Bolsonaro stated that there would be chaos from unemployment and food shortages at home due to school and work closures. 7 This strategy supports his aims to rejuvenate the economy, sustain business community support, and, above all, secure re-election in 2022.

These fear tactics have not helped to consolidate his power. Bolsonaro's general approval rating is low. 8 Opposition parties have accused him of obstructing justice over a federal police investigation into his family and associates' dissemination of disinformation and fake news during his presidential campaign. 9 Playing to the public's fears during a pandemic does not seem to have strengthened his political support and authority. Although Bolsonaro maintains a strong following in favour of his approach to COVID-19, his adherents make up about a third of the population. Without a congressional majority, Bolsonaro and his administration have had to resort to negotiating political favours to gain the support of centre-right parties.10

Bolsonaro has repeatedly resisted recommendations made by scientific experts and governors to engage in physical distancing while his administration initially restricted testing to only the worst COVID-19 cases and patients who were hospitalised. 11,  12 In April, Bolsonaro fired his Minister of Health, Luiz Henrique Mandetta, after disagreeing over physical distancing policies. 13 His next Minister of Health, Nelson Teich, resigned from office by mid-May after policy disagreements and refusing to yield to Bolsonaro's pressures with respect to the use of hydroxychloroquine as a COVID-19 treatment. 14 Worse still, Bolsonaro appointed Eduardo Pazuello, a former Army General with no medical experience, as the interim Minister of Health, a post he has held since early June.

Bolsonaro and his administration's response to COVID-19 reveals ongoing political realities in Brazil. He is not the first president to politicise the Ministry of Health: previous presidents, including Fernando H Cardoso, Luiz Inácio “Lula” da Silva, Dilma Rousseff, and Michel Temer, used the appointment of health ministers for political compromise and coalitions. 15 To help avoid these challenges, civil society needs to pressure elected politicians for greater autonomy and technical expertise to be ceded to Brazil's Ministry of Health.

The impact of COVID-19 has been devastating in Brazil, with more than 87 000 deaths and 2·42 million confirmed cases as of July 26, 2020, 16 second only to the USA. 17 Yet the country's democratic and health institutions have taken measures to protect society. Alongside consistently voicing opposition to Bolsonaro's COVID-19 policies, the legislative and judicial branches of government have resisted attempts to pursue the president's impeachment; this helps authorities and different agencies remain focused on the business of government. The Federal Supreme Court has consistently recognised the legality of physical distancing policies imposed by state and municipal governments. 1 This decision was important in the early months of the pandemic because it limited Bolsonaro's attempts to weaken workplace closures.

Brazil is a large middle-income country characterised by deep social and economic inequalities, but it has a reasonably well structured universal health-care system. 18 Although its infrastructure is unevenly distributed and there have been continued cuts in health spending, 19 the public health system has continued to function during the COVID-19 pandemic. In many cases, this is because state governments have worked to increase intensive care units in the public health system or in emergency field hospitals, transfer cases from metropolitan to other locations where there is a lower demand for health services and vice versa, and even resorted to routing patients with COVID-19 to the private health system where there is additional intensive care unit availability.20

The COVID-19 pandemic is likely to continue to exact a heavy toll on human lives in Brazil during the coming months. Now is the moment for democratic institutions to be resilient and to work with society and the scientific community to protect the health of the nation and overcome a president and administration that are failing to effectively lead in the political arena and in the response to COVID-19. Despite Bolsonaro's recent diagnosis with COVID-19, this has not motivated him to alter his policy position. 21 There is still a need in Brazil for more testing, contact tracing, and isolation. State and municipal governments must not shirk from their responsibility to protect local populations given that the nation's president seems determined to abstain from this role.

We declare no competing interests.

References
1.
Supremo Tribunal Federal
Medida Cautelar na Ação Direta de Inconstitucionalidade 6.341 Distrito Federal. http://www.stf.jus.br/arquivo/cms/noticiaNoticiaStf/anexo/ADI6341.pdf Date: 2020 Date accessed: July 15, 2020

2. Barberia L Krieger JE Garbayo L et al.ICU hospital bed capacity federal and state governments investments in Brazil. Policy brief number 9.Rede de Pesquisa Solidária de Políticas Públicas e Sociedade, São Paulo2020

3. Thomas G “We are God-fearing men”: Brazil's President a friend to Trump and biblical values.CBN News. March 20, 2019; https://www1.cbn.com/cbnnews/us/2019/march/exclusive-interview-we-are-god-fearing-men-brazils-president-is-a-friend-to-president-trump-and-biblical-values Date accessed: July 27, 2020

4. MacDonald SB Bolsonaro's first year: balancing the economy and cultural wars. Center for Strategic and International Studies. https://www.csis.org/analysis/bolsonaros-first-year-balancing-economy-and-cultural-wars Date: Jan 17, 2020
Date accessed: July 27, 2020

5. Hunter W Power TJ Bolsonaro and Brazil's illiberal backlash.J Democracy. 2019; 30: 68-82

6. Agência Estado “Desemprego e crise muito pior do que coronavírus”, diz Bolsonaro. Correio Braziliense. https://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/politica/2020/03/22/interna_politica,835990/desemprego-e-crise-muito-pior-do-que-coronavirus-diz-bolsonaro.shtml Date: March 22, 2020 Date accessed: July 15, 2020

7. Friedman U The coronavirus-denial movement now has a leader.The Atlantic. March 27, 2020;

8. Datafolha Bolsonaro é aprovado por 33%, e 45% apoiam processo de impeachment.Datafolha, April 28, 2020 https://datafolha.folha.uol.com.br/opiniaopublica/2020/04/1988698-bolsonaro-e-aprovado-por-33-e-45-apoiam-processo-de-impeachment.shtml Date accessed: July 15, 2020

9. Heuser C Could Bolsonaro profit from COVID-19?.International Politics and Society. May 7, 2020; https://www.ips-journal.eu/regions/latin-america/article/show/could-bolsonaro-profit-from-covid-19-4338/ Date accessed: July 15, 2020

10. Poder360 Centrão ganhou ao menos 17 cargos depois de aproximação com Bolsonaro.Poder360, June 19, 2020 https://www.poder360.com.br/infograficos/centrao-ganhou-ao-menos-17-cargos-depois-de-aproximacao-com-bolsonaro/ Date accessed: July 27, 2020

11. Fraser B How anti-science attitudes have impacted the coronavirus pandemic in Brazil.Sci Am. May 27, 2020; View in Article 

12.
Fonseca P McGeever J Brazil's Sao Paulo braces for two-week coronavirus shutdown, Bolsonaro blasts “hysteria”.Reuters, March 21, 2020 https://www.reuters.com/article/uk-health-coronavirus-brazil/brazils-sao-paulo-braces-for-two-week-coronavirus-shutdown-bolsonaro-blasts-hysteria-idUKKBN2180WT
Date accessed: July 27, 2020

13. Granato L Mandetta demitido: o que fazer quando você não concorda com o chefe? Exame.
Date: April 14, 2020
Date accessed: July 28, 2020

14. UOL Paciente deve entender riscos ao autorizar uso de cloroquina, diz Teich.UOL, May 12, 2020

15. Machado CV Lima LDd Baptista TWdF Políticas de saúde no Brasil em tempos contraditórios: caminhos e tropeços na construção de um sistema universal.Cad Saude Publica. 2017; 33e00129616

16. Ministério da Saúde Painel de casos de doença pelo coronavírus 2019 (COVID-19) no Brasil pelo. https://covid.saude.gov.br/ Date: July 26, 2020 Date accessed: July 27, 2020

17. US Centers for Disease Control and Prevention Coronavirus disease 2019 (COVID-19).
Date: July 26, 2020
Date accessed: July 27, 2020

18. Barreto ML Rasella D Machado DB et al. Monitoring and evaluating progress towards universal health coverage in Brazil.PLoS Med. 2014; 11e1001692

19. Massuda A Hone T Leles FAG et al. The Brazilian health system at crossroads: progress, crisis and resilience.BMJ Glob Health. 2018; 3: 1-8

20. Cruz I Público e privado: a disputa por leitos de UTI na pandemia.NEXO, May 6, 2020
Date accessed: July 15, 2020

21. Fox M Why is Brazil's Bolsonaro peddling hydroxychloroquine despite the science? The World.
Date: July 22, 2020
Date accessed: July 28, 2020