Ataque Aberto

"O maior inimigo da autoridade é o desprezo e a maneira mais segura de solapá-la é o riso." (Hannah Arendt 1906-1975)

terça-feira, 12 de novembro de 2019

CFM defende o Revalida e se posiciona contra o PL nº 2.842/2019 do FILHO DO PRESIDENTE cuja VIDA os MÉDICOS BRASILEIROS SALVARAM.


Qui, 16 de Maio de 2019 17:31

Em nota encaminhada aos médicos brasileiros, o Conselho Federal de Medicina (CFM) reiterou o apoio ao Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos (Revalida), como única forma de acesso dos portadores de diplomas de Medicina obtidos no exterior ao mercado brasileiro. Para o CFM, o exame reduz o risco de exposição de pacientes a profissionais sem a devida qualificação "ao exigir dos candidatos a aprovação em etapas que contemplem a avaliação de seus documentos e a realização de provas práticas e teóricas que, de modo justo, idôneo e transparente, mensurem seu conhecimentos, habilidades e atitudes".

A entidade ainda se posicionou contra o PL nº 2.842/2019, que priva o Brasil de contar com um sistema de revalidação de diplomas médicos obtidos exterior, com qualidade e caráter técnico.

Confira a íntegra da manifestação do Conselho Federal de Medicina abaixo ou acesse aqui o documento em PDF.

NOTA EM APOIO AO REVALIDA

O Conselho Federal de Medicina (CFM) reitera, publicamente, seu apoio ao Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos (Revalida), realizado pelo Ministério da Educação, como única forma de acesso dos portadores de diplomas de Medicina obtidos no exterior ao mercado brasileiro.

O Revalida, no formato defendido pelo CFM, reduz o risco de exposição de pacientes a profissionais sem a devida qualificação ao exigir dos candidatos a aprovação em etapas que contemplem a avaliação de seus documentos e a realização de provas práticas e teóricas que, de modo justo, idôneo e transparente, mensurem seu conhecimentos, habilidades e atitudes.

Para o CFM, a legitimação do Revalida passa pela aprovação do Projeto de Lei nº 4.067/2015, que se encontra na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados, pronto para ser votado em caráter terminativo, sendo que, se aprovado, seguirá para a sanção presidencial.

Esse PL, que conta com o apoio de todas as entidades médicas e já tramita há quatro anos na Câmara dos Deputados, dialoga com os compromissos assumidos pelo presidente Jair Bolsonaro, durante sua campanha eleitoral, os quais foram reafirmados em recente reunião dele com a diretoria do CFM, no Palácio do Planalto.

Finalmente, o CFM se posiciona contra o PL nº 2.842/2019, cujo teor contraria o PL nº 4.067/2015, não tem o apoio das entidades médicas e priva o Brasil de contar com um sistema de revalidação de diplomas médicos obtidos exterior, com qualidade e caráter técnico, nos moldes dos que já existem e são utilizados em países como Estados Unidos, Canadá, França, Inglaterra e Itália.

Brasília, 16 de maio de 2019.

CONSELHO FEDERAL DE MEDICINA

segunda-feira, 20 de maio de 2019

ANTAGONISTA - Bolsonaro compartilha panfleto de convocação para protestos

Bolsonaro compartilha panfleto de convocação para protestos:

Jair Bolsonaro compartilhou hoje à tarde, por WhatsApp, panfleto convocando apoiadores para uma "marcha" a Brasília, no dia 26...

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Generais e outros oficiais do Clube Militar apoiam Bolsonaro e convocam para dia 26

Generais e outros oficiais do Clube Militar apoiam Bolsonaro e convocam para dia 26:

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Imagem: Produção Ilustrativa / Folha Política
O Clube Militar divulgou uma convocação ao povo brasileiro para que participem das manifestações do próximo dia 26 de maio, que vêm sendo organizadas pela população. O texto da convocação diz: “O Clube Militar, tradicionalmente preocupado com os assuntos atinentes ao desenvolvimento da Nação Brasileira, vem convocar seu Quadro Social e convidados a participarem das manifestações a serem levadas a efeito em todo o território nacional, apoiando o Governo Federal na implementação das reformas necessárias à governabilidade. Participe em sua cidade!”.
Mais informações »


As tetas secaram

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Alexandre Garcia, Gazeta do Povo:

Estive na minha cidade-natal, Cachoeira do Sul, e visitei um olival que tem 66 oliveiras com 126 anos. Quando elas foram encontradas, na fronteira com o Uruguai, já não produziam olivas, porque a terra se esgotara. Foram transplantadas para solo com acidez corrigida e nutrientes, e eu pude trazer para Brasília uma amostra do azeite retirado das azeitonas que as centenárias voltaram a produzir com exuberância. Oliveiras do passado se tornaram árvores do presente e do futuro, com o manejo correto.

O estado brasileiro está na fase do esgotamento. A Constituição de 1988 previa uma quantidade de frutos muito além do que poderia ser produzido, e foi se esgotando. A “Constituição Cidadã” está cheia de direitos – inclusive para os fora-da-lei – e benesses, mas com deveres insuficientes para equilibrar dos dois pratos da balança. Ao longo desses 31 anos os débitos foram consumindo os créditos. Os governos foram gastando – Collor, Itamar, FHC, Lula, Dilma, Temer… agora chegou Bolsonaro e não tem mais dinheiro.

Como não tem mais dinheiro, se pagamos uma terrível carga fiscal? Trabalhamos cinco meses por ano só para pagar impostos. E o estado gasta quase tudo consigo mesmo. Inchado, ineficiente, lento. Atrapalha quem quer investir, crescer, empregar. É que o estado foi aparelhado pelos que queriam se manter no poder.

Agradar com o dinheiro dos impostos. Fazer caridade com o dinheiro dos que trabalham e suam. No total, o estado sustenta hoje 93 milhões de pessoas, entre bolsas, salários e aposentadorias privilegiadas. O estado gastou mais com bolsas e outras benesses do que com o ensino e a capacitação profissional. Cuidou do passado e não do futuro.

Como as tetas secaram, é preciso reformar a principal fonte de déficit, que é a Previdência, mas também reformar o estado, que precisa de músculo para prestar serviço, e não da gordura sedentária que quer lagosta no cardápio. Mas é preciso secar também a burocracia pesada, que atrapalha.

E reformar os tributos, para torná-los mais simples e pagáveis. Estado não cria riqueza, mas pode gerar pobreza, causando inflação, que tira de todos, em especial os mais pobres. Queremos que o Brasil seja o país do futuro e não nos livramos de estruturas e métodos do passado.

CONEXÃO POLÍTICA - Kajuru: “Quem está impedindo o presidente de governar?”

Kajuru: “Quem está impedindo o presidente de governar?”:

O senador Jorge Kajuru (PSB-GO) vai protocolar um requerimento ao ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, pedindo que o presidente Jair Bolsonaro explique e detalhe críticas feitas ao Congresso, de acordo com O Antagonista.

No ofício, o senador faz 4 perguntas ao presidente. São elas:

“1. Que conchavos são estes propostos ao presidente e aos seus articuladores políticos?
2. Que partidos e/ou parlamentares estariam agindo de forma não republicana na relação com o Executivo?
3. Quem está, no Congresso Nacional, defendendo o ‘toma lá, dá cá’?
4. Quem está impedindo o presidente de governar?”

O senador ainda diz que não coloca em dúvida o que é dito por Jair Bolsonaro, mas pede esclarecimentos, argumentando que “os parlamentares honestos não podem ser jogados na vala comum em que chafurdam deputados e senadores que colocam seus interesses pessoais acima das obrigações institucionais”.

Confira o texto do requerimento, que o site O Antagonista teve acesso:

“Senhor Presidente,

Requeiro, nos termos do art.50 da Constituição Federal e do art. 216 do Regimento Interno do Senado Federal, que sejam prestadas, pelo Senhor Ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, informações sobre o endosso do Senhor Presidente da República, Jair Bolsonaro, a texto tornado público no último dia 17 de maio, que situa o Brasil como ‘ingovernável’ fora de conchavos políticos.

Nesses termos, requisita-se:

1. Que conchavos são estes propostos ao presidente e aos seus articuladores políticos?
2. Que partidos e/ou parlamentares estariam agindo de forma não republicana na relação com o Executivo?
3. Quem está, no Congresso Nacional, defendendo o ‘toma lá, dá cá’?
4. Quem está impedindo o presidente de governar?

JUSTIFICAÇÃO

O Ministro-chefe da Casa Civil é o responsável por assistir diretamente o Presidente da República no desempenho de suas atribuições, especialmente, na condução do relacionamento do Governo Federal com o Congresso Nacional e com os partidos políticos.

Por esta razão estamos solicitando informações sobre o texto tornado público no último dia 17 de maio pelo Senhor Presidente da República, Jair Bolsonaro. No texto consta que o Brasil seria ‘ingovernável’ fora de conchavos políticos.

Sem colocar em dúvida o que diz o Presidente da República, consideramos que esclarecimentos são necessários, para que haja a devida separação entre o joio e o trigo. É essencial que o todo, no caso o Congresso Nacional, não pague pelas partes.

Os parlamentares honestos – entre os quais eu me incluo – não podem ser jogados na vala comum em que chafurdam deputados e senadores que colocam seus interesses acima das obrigações institucionais. No meu caso, desafio Vossa Excelência a informar quando fiz algum tipo de proposta não republicana a qualquer integrante do Executivo.

As explicações, Senhor Ministro, são fundamentais para a transparência das relações entre o Executivo e o Legislativo. Quem é que está impedindo o Presidente de governar? A sociedade tem o direito de saber!

Sala das Sessões, 20 de maio de 2019.

Senador Jorge Kajuru”

Imagem: Reprodução/O Antagonista


Imagem: Reprodução/O Antagonista
Imagem: Reprodução/O Antagonista

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JORNAL DA CIDADE ONLINE - Como esperado, OAB ataca e quer derrubar o Pacote Anticrime de Sérgio Moro

Como esperado, OAB ataca e quer derrubar o Pacote Anticrime de Sérgio Moro: A OAB entrou com tudo contra o
pacote Anticrime do ministro Sérgio Moro.

O posicionamento da entidade
foi entregue nesta segunda-feira (20) ao presidente da Câmara dos
Deputados, Rodrigo Maia.

ANTAGONISTA - Janaina Paschoal ameaça deixar bancada do PSL

Janaina Paschoal ameaça deixar bancada do PSL:

Janaina Paschoal deixou o grupo de WhatsApp dos parlamentares do PSL na Assembleia Legislativa de São Paulo e está ameaçando deixar a própria bancada...

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OAB bombardeia pacote anticrime

OAB bombardeia pacote anticrime:

A Ordem dos Advogados do Brasil entregou hoje a Rodrigo Maia um estudo que manifesta "expressa oposição" aos principais pontos do pacote anticrime de Sergio Moro propostos para vencer a impunidade.

A OAB quer derrubar, por exemplo, a prisão em segunda instância e a prisão em primeira instância por homicídios dolosos após condenação pelo Tribunal do Júri...

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POLÍBIO BRAGA - Vulgaridade da linguagem do preso por corrupção Lula da Silva nos oprime e diminui

Vulgaridade da linguagem do preso por corrupção Lula da Silva nos oprime e diminui:

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O texto original é de Claudia Laitano, Zero Hora de hoje. O editor apenas trocou o nome Bolsonaro, usado impropriamente por Laitano, identificando o verdadeiro personagem do artigo. 

Você pode achar que a vulgaridade da linguagem é o menor dos problemas do réu condenado por corrupção e lavagem de dinheiro Lula da Silva, mas há falhas muito mais graves para efeitos de examinar o que diz e faz este vulgar líder das esquerda brasileiras, fundador e presidente de honra do PT.

Sabemos, agora, que o episódio noivado com uma garota que ele conhece "há dezenas de anos", embora ela tenha apenas 40 anos, foi apenas o primeiro jato (perdão...) de incontinência verbal do presidente, desdobramento natural do comportamento do líder nacional das esquerdas e do PT que, ao contrário das apostas mais otimistas, não melhorou com a prisão de Curitiba e as novas companhias de cadeia.

Lula da Silva vai passar um dia, mas cada justificativa mentirosa para explicar seus crimes e roubos, obra deghost writers de quinta série; cada referência escatológica, cada ofensa à inteligência dos brasileiros ou fanático seguidor que o saúda com o ridículo e patético "bom dia, presidente Lula" justificará gravada para sempre nos arquivos históricos e na memória dos seus contemporâneos. Como a porta de um banheiro público, nossa História foi vandalizada pela vulgaridade do lulopetismo e dos que o apoiam direta ou obliquamente. E ela nos diminui e oprime.

CLIQUE AQUI para ler mais.

Congresso gradeado

Congresso gradeado:

Depois de alguns meses “livre”, o Congresso voltou a ser cercado por grades.

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VAI FICAR SEM RESPOSTA - “Quem está impedindo o presidente de governar?”, pergunta senador em requerimento

“Quem está impedindo o presidente de governar?”, pergunta senador em requerimento:

O senador Jorge Kajuru, do PSB de Goiás, vai protocolar em instantes um requerimento ao ministro Onyx Lorenzoni, pedindo que Jair Bolsonaro explique e detalhe críticas feitas ao Congresso.

No ofício ao qual O Antagonista teve acesso em primeira mão, Kajuru faz 4 perguntas a partir de um texto publicado pelo presidente nas redes sociais na última sexta-feira. São elas...

“1. Que conchavos são estes propostos ao presidente e aos seus articuladores políticos?

2. Que partidos e/ou parlamentares estariam agindo de forma não republicana na relação com o Executivo?

3. Quem está, no Congresso Nacional, defendendo o ‘toma lá, dá cá’?

4. Quem está impedindo o presidente de governar?”

“Os parlamentares honestos, entre os quais eu me incluo, não podem ser jogados na vala comum em que chafurdam deputados e senadores que colocam seus interesses pessoais acima das obrigações institucionais”, argumenta Kajuru, na justificativa do ofício.

O senador Omar Aziz, do PSD de Amazonas, também promete apresentar requerimento com igual teor nesta semana.


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A tumba de Kafka

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Mário Vargas Llosa, publicado pelo El País:

Está no novo cemitério judaico de Praga, no bairro de Strasnice, enterrado junto a seus pais e suas três irmãs, que morreram nos campos de extermínio nazistas. Na verdade, esta bela cidade é praticamente um monumento ao mais ilustre de seus escritores. Toma todo um dia visitar as esculturas a ele dedicadas, as casas onde viveu, os cafés que frequentava e o magnífico museu, e em todos estes lugares coincido com bandos de turistas que tiram fotos e compram seus livros e souvenires. Eu também o faço: dos escritores que admiro, colecionaria até seus ossos.

Comove-me ver, no Museu Franz Kafka, muitas páginas da sua Carta ao Pai, que nunca enviou. Tinha uma letra arrevesada e saltitante, que, às vezes, pareciam desenhinhos de HQs. Essa enorme carta foi a primeira coisa que li dele, quando era adolescente. Eu me dava muito mal com meu pai, de quem tinha um medo pânico, e me senti totalmente identificado com esse texto desde as primeiras linhas, sobretudo quando Kafkaacusa seu progenitor de tê-lo tornado inseguro, desconfiado de todos, de si mesmo e da sua própria vocação. Recordo com um calafrio aquela frase em que Kafka explica sua insegurança a ponto, diz, de não confiar em mais ninguém e mais nada, exceto o pedacinho de terra que seus pés pisam.

Este museu, diga-se de passagem, é o melhor que já vi dedicado a um escritor. Sua penumbra, seus corredores labirínticos, seus hologramas, os filmes arruinados da Praga do seu tempo, as grandes gavetas misteriosas que não podem ser abertas, e até a tenra canção em iídiche entoada por uma moça que parece de carne e osso (mas não é) não podem ser mais kafkianos. Tudo o que se sabe dele está exposto ali, e de maneira sutil e inteligente. As fotos mostram a trajetória fugaz dos quarenta e um anos que viveu; aparece quando menino, quando jovem e quando adulto, a figurinha estilizada, o olhar penetrante e suas grandes orelhas curvas de lobo da estepe.

Há um texto maravilhoso escrito quando, recém-formado advogado, acaba de começar a trabalhar numa companhia de seguros (de oito a nove horas por dia, seis dias por semana), afirmando que esse trabalho matará sua vocação, porque como poderia chegar a ser um escritor alguém que dedica todo seu tempo a um estúpido afazer alimentício? Exceto os rentistas, todos os escritores do mundo se fizeram perguntas parecidas. Mas este fez o que a maioria deles não costuma fazer: escrever quase sem parar, em todos os momentos livres que tinha, e, embora tenha publicado muito pouco em vida, deixar uma obra que, incluídas suas cartas, é de longuíssimo fôlego.

Nada me parece mais triste que alguém que sentia intensamente essa vocação e que, como Kafka, foi capaz de escrever tantos livros jamais tenha sido reconhecido enquanto vivia, e só postumamente se notasse que foi um dos grandes escrivinhadores de todos os tempos (W.H. Auden o comparou a Dante, Shakespeare e Goethe e disse que ele, como aqueles, era a síntese e o emblema de sua época). As coisas que publicou em vida passaram praticamente despercebidas, e isso que entre elas figurava A Metamorfose. O pedido a seu amigo Max Brod para que queimasse seus inéditos revela que acreditava ter fracassado como escritor, embora talvez restasse alguma esperança, porque, do contrário, ele mesmo os teria queimado.

A propósito de Max Brod, um dos poucos contemporâneos que acreditavam no talento de Kafka, há agora, por motivo da aparição do livro Kafka’s Last Trial, de Benjamin Balint, uma ressurreição dos ataques que já lhe fizeram no passado, inclusive críticos e intelectuais tão respeitáveis como Walter Benjamin e Hannah Arendt. Que injustiça! O mundo deveria estar para sempre grato a Max Brod, por ter, em vez de acatado a decisão do amigo a quem estimava e admirava, salvado para os leitores do futuro uma das obras mais originais da literatura. Em sua biografia e em seus ensaios sobre Kafka, Brod pode ter exagerado a influência que o misticismo judaico exerceu sobre ele, e talvez tenha se equivocado ao deixar em seu testamento à senhora Esther Hoffe os inéditos que ainda restavam, razão pela qual o Estado judaico e a Alemanha passaram muitos anos litigando por aqueles textos (finamente foi Israel que ficou com eles), tema sobre o qual versa o por outro lado estrambótico livro de Benjamin Balint. Ninguém que desfrute verdadeiramente lendo Kafka deveria lê-lo. Os que o atacam teriam que estar conscientes de que nada do que dizem em suas análises sobre Kafka seria possível sem a decisão extraordinariamente sagaz de Max Brod de resgatar esta obra essencial.

Hermann Kafka, o destinatário da impressionante carta que seu filho nunca lhe enviou, era um judeu humilde, que não teve contato nenhum com a literatura. Dedicou-se ao comércio, abrindo lojinhas de armarinhos que tiveram certo êxito e elevaram os níveis de vida da família. Mas havia nele algum germe de excentricidade kafkiana, porque como é possível que passasse a vida mudando de apartamento, inclusive dentro de um mesmo quarteirão? Os guias dizem que se mudou doze vezes de residência, e que não menos mudanças experimentaram suas lojas. A família se considerava judia e falava alemão, como a maioria dos tchecos de então, e não era particularmente religiosa. Kafka tampouco o foi, pelo menos até que chegasse a Praga aquela companhia de teatro em iídiche que tanto o impressionou. O museu documenta muito bem os efeitos dessa experiência, o empenho com que se pôs a estudar hebraico (que nunca chegou a aprender), a ler livros sobre o hassidismo e outros movimentos místicos, assim como o belíssimo texto que escreveu sobre aqueles atores e atrizes que faziam teatro em iídiche, sobrevivendo com as miseráveis gorjetas que o público lhes atirava na rua ou nos cafés onde atuavam.

O museu também dá detalhes sobre as quatro namoradas que Kafka chegou a ter e sobre como eram complicadas suas relações sentimentais. Apaixonava-se, sem dúvida, e era um amante tenaz, monopolizador, e lhes propunha casamento. Mas, assim que aceitavam, recuava, aterrorizado por ter chegado tão longe. A insegurança o perseguia também no amor. Pelo menos três dessas namoradas sofreram com esses desplantes; com uma delas, Felicia Bauer, celebrou o noivado com uma festa, poucos dias antes de rompê-lo. Com a amizade era muito mais constante. Seu melhor amigo foi sem dúvida Max Brod, que, naqueles anos, já tinha um nome literário e havia publicado alguns livros. Foi um dos primeiros em perceber o gênio de Kafka e o estimulou sem trégua a escrever e a acreditar em si mesmo, algo que efetivamente ocorreu, pois Kafka, pelo menos quando escrevia, perdia a insegurança da qual sempre padeceu e se tornava um insólito e seguro fazedor de pessoas e histórias. Uma tuberculose galopante acabou com sua existência, no começo da maturidade. Hitler deu cabo do resto da família.

ANTAGONISTA TRAZ A PIADA DO DIA - Deputado do PSL "suspeita" que universidades estejam bancando eventos partidários

Deputado do PSL suspeita que universidades estejam bancando eventos partidários:

O deputado Carlos Jordy (PSL), vice-líder do governo na Câmara, pedirá à Comissão de Fiscalização Financeira e Controle que apure eventuais gastos de universidades federais com eventos político-partidários nas dependências das instituições.

Ele também pretende acionar a CGU.

Jordy afirma suspeitar que verbas destinadas para a educação estejam impulsionando eventos de entidades como UNE e MST.

“Manifestações recentes, muitas ocorridas dentro de universidades, levantam suspeitas quanto ao uso de dinheiro público em eventos político-partidários. É uma temeridade e irregularidade que precisamos combater. O ambiente acadêmico é para transmissão de conhecimento, não para fazer proselitismo político com dinheiro do pagador de impostos.”

VÍDEO - OLAVO DE CARVALHO - Que é o PT ao contrário?

Hora decisiva da Revolução Cidadã

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Hora decisiva da Revolução Cidadã:

Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Luiz Eduardo Rocha Paiva

Está chegando, se é que já não chegou, o momento decisivo da Revolução Cidadã iniciada em março de 2015. As grandes manifestações de rua, a pressão das massas e a eleição de 2018 mostraram que a nação não suporta mais as lideranças carcomidas dos Poderes Legislativo e Judiciário, tendo mudado radicalmente a do Executivo, na esperança de concretizar o discurso de mudanças de Jair Bolsonaro.

Esses cinco meses comprovaram a forte reação às transformações sonhadas. Ela emana de conhecidos ministros do STF e de um numeroso grupo político, todos aliados e comprometidos com a velha política e com a desacreditada (in)justiça do alto escalão, ambas extensamente patrimonialistas, fisiológicas e corrompidas. Essa nefasta aliança de "vampiros e chacais" domina e consome a seiva da nação, que deveria suprir as necessidades da sociedade.

Hoje, o "Centrão", que nunca foi um centro democrático, o tal "Democratas", outras infelizes legendas políticas, até mesmo, vários traidores do PSL e da aliança, que navegou no capital político de Bolsonaro para chegar ao Congresso Nacional, vêm impondo derrotas ao governo e jogando por terra a esperança de mudanças que a nação exige. O STF não fica atrás, mas instâncias inferiores em Porto Alegre, Curitiba e no Rio de Janeiro têm demonstrado que, por aí, o caminho não será tão fácil.
Não adianta renovar a representação política se os novos não tiverem coragem de enfrentar as antigas lideranças do tipo Renan e Rodrigo Maia ou se elevarem a esse nível seus pupilos como, por exemplo, Alcolumbre - mais do mesmo. Está faltando a muitos políticos novos, com quem tanto contávamos, a pegada firme demonstrada por outros recém-eleitos como Hatten, Joyce Hasselman e Kim Kataguiri. Não se substituirá a velha liderança sem o combate firme, corajoso e permanente. Saiam de suas trincheiras e deixem pra depois as medidas de grande necessidade, pois um "valor mais alto se alevanta" e, se ele não for alcançado, de nada adiantarão belas ideias e inciativas. A hora é de combater!

E ao Presidente, concito manter seus sonhos, mas saber a quem ouvir. Olavo de Carvalho foi importante para destruir intelectualmente a esquerda radical, mas não contribuirá para pacificar e unir a nação. Radicalismo de cá não se justifica, pois ele não conquista corações e mentes, sendo também, mais do mesmo apenas com o "sinal trocado".

É PELO CENTRO ONDE ESTÃO PRINCÍPIOS E VALORES, QUE SE UNIRÁ A NAÇÃO. OS RADICAIS CONTINUARÃO EM SUA GUERRA IDIOTA E AUTODESTRUTIVA, MAS, EMBORA SEJAM MINORIAS, PODERÃO PARALISAR O GOVERNO. NÃO SE JUNTE A NENHUM DESSES DOIS LADOS CORROSIVOS, PRESIDENTE. O SENHOR ESTÁ SENDO ENGOLIDO POR RADICAIS DITOS DE DIREITA. NÃO FORAM ELES QUE O ELEGERAM E SIM A MAIORIA DE CENTRO E DE BOM SENSO. SER DE CENTRO NÃO SIGNIFICA FICAR EM CIMA DO MURO, POIS SE FOR NECESSÁRIO DEFENDER NOSSOS PRINCÍPIOS E VALORES, IREMOS PARA AS RUAS E, NUMA ESCALDA DE VIOLÊNCIAS, ESTAREMOS DISPOSTOS A PEGAR EM ARMAS PARA DEFENDER A LIBERDADE E A JUSTIÇA.

É chegada a hora do Presidente ir a público, inclusive na mídia tradicional, para esclarecer sobre as manobras do submundo de nossa política. Diga o que eles pedem em troca de seus votos pútridos, cobre o apoio dos políticos, ditos aliados e inexplicavelmente calados. Que eles mostrem quem são os deputados que estão "negociando" seus votos. Entrem em choque com as lideranças corruptas e fisiológicas.

Chegou o momento de o senhor mesmo liderar o povo nas ruas para, disciplinada e pacificamente, mas com toda a firmeza exigir: a reforma da previdência sem os cortes que a desfigurem; o pacote anticorrupção e antiviolência de Moro; a desideologização do ensino e o desmonte da carapaça marxista que empolga a estrutura do Estado. O Presidente está fazendo o possível para governar com o Legislativo e o Judiciário, mas a resposta de suas lideranças tem sido no sentido de enfraquecer, desmoralizar e mesmo desestabilizar o governo, na esperança de manterem seus privilégios e posições.

Bolsonaro não precisa ser um estadista. Basta valorizar sua assessoria de alto nível e, de acordo com sua reconhecida intuição e visão política decidir por si próprio. Porém, é preciso ter a humildade dos líderes iluminados, que identificam, entre os que os cercam, quem defende os interesses da nação e abdicam de posições pessoais ou grupais.

É a hora do povo mostrar o que quer e a quem quer ver na sua liderança. Só a nação poderá salvar-se a si mesma, demolindo a "Bastilha" da política e da (in)justiça, ambas pútridas, que ainda a dominam e farão o possível para se manter.

Luiz Eduardo Rocha Paiva é General de Divisão na reserva.

Winter is coming - by Tobias Hägg

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20 de Maio de 1799: Nasce Honoré de Balzac

20 de Maio de 1799: Nasce Honoré de Balzac:

Escritor francês, nasceu a 20 de maio de 1799, em Tours, e morreu a 18 de agosto de 1850, na Rua Fortunée (hoje Rua de Balzac), em Paris. Quando Balzac nasceu, o pai tinha 53 anos e a mãe 21. Foi mandado para o colégio entre os oito e os catorze anos. Com a queda do governo napoleónico a família mudou-se de Tours para Paris, local onde Balzac frequentou mais dois anos de escola e passou os três anos seguintes a trabalhar no escritório de um advogado. A personalidade de Balzac ficaria marcada pela ausência de afeto maternal. Todo o seu trabalho literário se desenvolveu no ambiente de uma família burguesa representativa da mutação dos tempos. O Antigo Regime tinha sido derrubado com a Revolução Francesa.

Honoré de Balzac decidiu aos vinte anos dedicar-se à literatura. Como escritor de Cromwell (1819) e outras trágicas peças não foi além de um insucesso absoluto. De seguida escreveu romances sob pseudónimos. Como as suas obras tinham pouco êxito, lança-se nos negócios em 1825. Associa-se a um livreiro e torna-se impressor, mas em 1828 acaba por arruinar a família. Esta experiência dolorosa vai influir na obra literária. Em 1829, a publicação de duas obras deram o mote para o início do sucesso da sua carreira: les Chouans, um romance de amor que conta a história da insurreição dos camponeses de Breton contra a França revolucionária de 1799, e la Physiologie du mariage, um ensaio humorístico e satírico. Um ano depois publica Scènes de la vie privée, obra que veio aumentar a sua reputação. Estas histórias contadas por Balzac eram, na sua maior parte, estudos psicológicos baseados em conflitos entre pais e filhos. É um escritor que observa muito detalhadamente a fachada social. É como um cientista, deve muito ao positivismo de Comte (observação e experiência). Escreve o que pensa da sociedade, mas de um modo desapaixonado.

Balzac passou a maioria do seu tempo em Paris. Frequentou os salões parisienses e investiu esforços para se tornar uma figura deslumbrante da cidade das luzes. Estava ávido de fama, fortuna e amor. Encetou um conjunto de relações amorosas com mulheres da aristocracia do seu tempo. Entre 1828 e 1834 teve uma existência verdadeiramente tumultuosa. A ostentação da vida social que cultivava era um modo de se descontrair da sua enorme capacidade de trabalho, cerca de 14 a 16 horas por dia, tempo passado a escrever com uma pena de ganso e vestido com uma toga branca, quase monástica, e sempre acompanhado pelo café, o seu vício. Estes anos foram também de intensa atividade jornalística. Entre 1832 e 1835 produziu mais de vinte trabalhos dos quais se destacam: le Médecin de campagne (1833), Eugénie Grandet (1833, Eugénia Grandet), l'Illustre Gaudissart (1833) e Père Goriot (1835, Pai Goriot) uma das suas obras-primas. Neste romance reaparecem pela primeira vez personagens de romances anteriores. Tenta construir um universo coerente de seres e situações que formem um todo. O ano de 1834 marca o clímax na carreira do escritor, quando decidiu publicar uma série de livros onde retrataria a sociedade do seu tempo dividida em três categorias de romances: em Etudes analytiques retrata os princípios que governam a vida e a sociedade, em Etudes philosophiques revela as causas do determinismo da ação humana e em Etudes de murs mostra os efeitos dessas causas e divide-as em seis scènes - privadas, provinciais, parisienses, políticas, militares e rurais. Este projeto resultou num total de 12 volumes escritos entre 1834/37. Em 1840 juntou todos os volumes e mais alguns escritos posteriores, reunindo-os numa obra que intitulou la Comédie humaine (A Comédia Humana). A edição definitiva, de 24 volumes, só foi editada entre 1869 e 1876.

No período entre 1836 e 1839 escreveu le Cabinet des Antiques (1839) e as primeiras duas partes de Illusions perdues, considerada uma obra-prima, que só ficou concluída em 1843. Este livro conta a história de um jovem provinciano que vem para Paris e que, ao confrontar-se com uma nova realidade, abala as suas ideias românticas. Não há tema mais balzaquiano do que o de um jovem provinciano ambicioso que luta no mundo competitivo e adverso da grande cidade de Paris. Balzac admira estes indivíduos e tem especial atração pelo tema que coloca em conflito o indivíduo com a sociedade. As personagens balzaquianas são continuamente afetadas pelas pressões derivadas das dificuldades materiais e das ambições sociais. Ainda durante a década de trinta escreveu alguns romances relacionados com psicologia, mística e temas eróticos. A variedade de temas transformou Balzac no supremo observador e cronista da sociedade francesa contemporânea. Os seus romances são inigualáveis quer na vitalidade e na diversidade narrativas, quer no interesse obsessivo pelas várias vertentes da vida, o contraste entre os hábitos e costumes da cidade e da província, a indústria, o comércio, a arte, a literatura, a cultura, a intriga política, o amor romântico, os escândalos na aristocracia e na alta burguesia. A maioria destes assuntos estavam ainda por explorar na ficção francesa.

A história que Balzac se propôs escrever é sobretudo uma história da sociedade burguesa, não negligenciando o indivíduo nos seus silêncios e nas suas elipses. Balzac tinha um extraordinário poder de observação, memória fotográfica e capacidade intuitiva para perceber as atitudes dos outros, os seus sentimentos e motivações. O romance balzaquiano faz com que o leitor descubra a alma e os sofrimentos incógnitos, em particular os sofrimentos de abandono e de humilhação. Os seus romances são interditos a leitores unidimensionais.
Honoré de Balzac. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2013.
wikipedia (Imagens)




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O jovem Balzac na década de 1820, desenho atribuído a Achille Devéria


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domingo, 19 de maio de 2019

As constelações da República

As constelações da República:

Os ministros de Bolsonaro
Lá se foram apenas 136 dias de governo Bolsonaro, e a disparidade das forças gravitacionais que cercam o presidente parecem cada vez mais claras.

Dos superministros Sergio Moro (Justiça e Segurança Pública) e Paulo Guedes (Economia) ao enrolado e investigado Marcelo Álvaro Antônio (Turismo), a Esplanada bolsonarista é dividida em cinco grupos – os políticos, os militares, os olavistas, os técnicos e a evangélica. O gráfico acima também mostra cinco ordens de grandeza – ou melhor, cinco níveis de influência e poder, nem sempre proporcional ao orçamento da pasta.

Ao lado de Moro e Guedes, cujas cartas-brancas já não são mais tão alvas assim, marcha no pelotão de frente do apreço de Bolsonaro o general da reserva Augusto Heleno, ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) da Presidência. Não fosse o veto do inexpressivo PRP, legenda à qual é filiado, Heleno seria hoje nada menos que vice-presidente da República – e não o general Hamilton Mourão, integrante do orgulhoso PRTB.

Antagonista do presidente durante o início do governo, Mourão está um degrau abaixo do de Moro, Guedes e Heleno em influência, assim como o também general da reserva Carlos Alberto dos Santos Cruz, da Secretaria de governo; o chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni; o ministro da Infraestrutura, Tarcísio Freitas; e o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, que tem status de ministro. Mourão, Santos Cruz e Heleno são os expoentes da ala militar palaciana que rivaliza com os pupilos do escritor e ex-astrólogo Olavo de Carvalho.

Os chamados olavistas, Ernesto Araújo (Relações Exteriores) e Abraham Weintraub (Educação), ficam relegados a um terceiro plano de poder. O chanceler, não falta quem o tutele: os militares, no caso da Venezuela, e Eduardo Bolsonaro, o filho Zero Três, na relação com os Estados Unidos e o conservadorismo – ou antiglobalismo, como prefere Araújo – mundial. Quanto a Weintraub, viram-se nas ruas, às centenas de milhares, os reflexos do modo desastrado como comunicou o bloqueio de recursos de universidades federais.

Compartilham o mesmo nível de poder que os olavistas os mandachuvas de pastas poderosas, como Luiz Henrique Mandetta (Saúde) e Tereza Cristina (Agricultura), ambos indicados politicamente por bancadas temáticas da Câmara; o general Fernando Azevedo e Silva, ministro da Defesa; o responsável pela pasta da Cidadania – e o Bolsa Família –, Osmar Terra; e a representante evangélica no primeiro escalão do governo: Damares Alves (Mulher, Família e Direitos Humanos).


Anexos originais:


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Correção: Bloqueio de verba foi superior a 40% em 300 projetos

Correção: Bloqueio de verba foi superior a 40% em 300 projetos:

A matéria enviada às 13h08 de hoje continha uma incorreção no quinto parágrafo. Em vez de Ministério da Infraestrutura, o ministério que teve bloqueados 44,2% das despesas de apoio a sistemas de drenagem e manejo de águas pluviais foi o Ministério do Desenvolvimento Regional. Segue o texto corrigido.

O governo federal congelou todo o Orçamento previsto neste ano para políticas em áreas sensíveis, como contenção de cheias e inundações, prevenção de uso de drogas, assistência à agricultura familiar e revitalização de bacias hidrográficas na região do São Francisco.

Sem poder cortar as despesas obrigatórias, como salários e aposentadorias, e com a reforma da Previdência tramitando lentamente, a guilhotina do governo teve de avançar sobre diversas políticas públicas. Estudo da Associação Contas Abertas, feito a pedido do jornal O Estado de São Paulo, mostra que cerca de 140 projetos de 11 ministérios estão com 100% de seus recursos bloqueados, a maioria deles na área de infraestrutura (ler mais ao lado).

Segundo os dados, coletados nos sistemas do governo, o contingenciamento de R$ 30 bilhões, anunciado em março, congelou também mais de 40% dos recursos de outros 300 projetos. Com piora da economia, um novo corte, dessa vez estimado em R$ 5 bilhões, será anunciado pela equipe econômica até quarta-feira, quando o governo tem de divulgar relatório com previsões para receitas e despesas deste ano.

O Orçamento da União é dividido em programas, que são subdivididos em quase duas mil ações orçamentárias, cada uma representando uma política pública. Uma das ações totalmente bloqueadas foi a que previa R$ 31,9 milhões para a realização de estudos, projetos e obras para contenção de cheias e inundações e para controle de erosões marinhas e fluviais. Os recursos estavam previstos no orçamento do Ministério do Desenvolvimento Regional.

Enquanto cidades como Rio de Janeiro e São Paulo sofrem com os estragos causados pelas chuvas, a pasta perdeu ainda metade do dinheiro destinado a ações de defesa civil, cerca de R$ 426,7 milhões. Já o Ministério do Desenvolvimento Regional teve bloqueadas 44,2% das despesas de apoio a sistemas de drenagem e manejo de águas pluviais em municípios considerados críticos.

“As águas de março já se foram. A leitura do governo é: vamos esperar até as próximas chuvas para que comecem a soltar recursos”, diz Gustavo Fernandes, professor de Administração Pública da FGV EAESP.

Após os recentes desastres ambientais enfrentados pelo País, caso de Brumadinho, a ação para aperfeiçoamento, modernização e expansão dos sistemas do Centro Nacional de Gerenciamento de Riscos e Desastres (Cenad) perdeu R$ 5,7 milhões, 74,4% do previsto. Um dos ministérios mais atingidos, Infraestrutura teve bloqueada ainda metade do orçamento para a construção da sede do Centro Nacional de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais (Prevfogo), R$ 1,08 milhão.

No Ministério do Meio Ambiente, 95,5% (R$ 11,274 milhões) da verba para implementação da Política Nacional sobre Mudança do Clima foi congelada. A pasta também perdeu 42,5% do orçamento do licenciamento ambiental federal.

Procurado, o Ministério da Economia afirmou que a limitação financeira é dada de forma global, mas a definição sobre qual política deve ser priorizada é sempre do ministro de cada pasta (ler mais abaixo).

‘Corte é no osso’, afirma Contas Abertas

Responsável pelo levantamento dos projetos atingidos pelo contingenciamento, o fundador da Associação Contas Abertas, Gil Castello Branco, afirma que os cortes na educação, que motivaram protestos em mais de 200 cidades do País na semana passada, são só “a ponta do iceberg”. “É um caos. Se há alguns anos o governo cortava gordura, nos últimos tempos veio cortando carne, e agora é corte no osso mesmo”, afirmou. “São contingenciamentos com efeitos colaterais gravíssimos. A situação é uma economia na UTI, e está sendo aplicada uma medicação com fortes efeitos colaterais.”

Segundo Castello Branco, foi a primeira vez que o governo tornou disponível no Siafi, sistema de contabilidade do Tesouro Nacional, o que foi contingenciado por programa e projeto. “Acho que o governo quer escancarar a crise fiscal e mostrar que a reforma da Previdência é inevitável”, afirmou.

A maioria das ações com o orçamento zerado é de construção e adequação de trechos de rodovias. Juntas, essas políticas perderam mais de R$ 1 bilhão. Tiveram todo o orçamento bloqueado, por exemplo, a adequação de ramais ferroviários em São Paulo, a construção de contorno rodoviário no entorno de Brasília (DF) e a adequação do anel rodoviário de Belo Horizonte (MG).

Também foi totalmente congelado o valor previsto (R$ 4,4 milhões) pelo Ministério da Justiça para prevenção de uso de drogas. Já o Ministério da Agricultura perdeu toda a verba calculada para assistência técnica para agricultura familiar (R$ 8 milhões) e para a reforma agrária (R$ 19,7 milhões).

No Ministério da Defesa, a previsão de recursos para operações de Garantia de Lei e Ordem (GLO) sofreu congelamento de 81% (R$ 38 milhões).

Ações para estimular governo também sofrem cortes

Mesmo com o aumento do número de pessoas à procura de trabalho, o governo contingenciou R$ 59,2 milhões em ações para estimular o emprego. De acordo com levantamento da Associação Contas Abertas, 25,2% dos recursos voltados para a área estão bloqueados.

O maior corte foi no orçamento destinado ao sistema de integração das ações de emprego, trabalho e renda, que perdeu R$ 44,8 milhões. Os recursos para cadastros públicos na área de trabalho e emprego foram reduzidos em de R$ 4,1 milhões.

O projeto de modernização e ampliação da rede de atendimento do programa do seguro-desemprego, no âmbito do Sistema Nacional de Emprego (Sine), perdeu R$ 9,6 milhões. Um dos principais projetos da equipe econômica na área envolve justamente a reformulação do Sine – a ideia é compartilhar a base de currículos com empresas para obter mais sucesso na alocação de trabalhadores nas vagas disponíveis. O professor da FGV Gustavo Fernandes afirma que parte das ações mais cortadas pelo governo são de médio e longo prazos, ou seja, não dão retorno imediato.

No centro de várias polêmicas, o Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos perdeu toda a verba destinada à publicidade de programas de utilidade pública, de R$ 475 mil. A pasta da ministra Damares Alves também ficou sem 45,9% da verba para implantação do Memorial da Anistia Política no Brasil. O ministério disse que não há espaço no orçamento para novos contingenciamentos. “A pasta como um todo não dispõe do necessário para dar continuidade aos programas já existentes e tampouco ampliar a execução de políticas públicas.”

Outro lado. Todos os ministérios citados foram procurados para comentar o tema. O da Infraestrutura afirmou que tem priorizado a conclusão de obras com elevado grau de execução, bem como os eixos de escoamento de produção agroindustrial. Já o de Minas e Energia informou que trabalha para manter a regularidade das atividades. O Ministério da Ciência e Tecnologia disse que atua para minimizar o impacto do corte.

Segundo o Ministério da Defesa, o bloqueio não impôs mudanças na operacionalidade da pasta neste momento. O Ministério da Educação informou que nenhum programa foi cancelado ou suspenso. O Ministério do Desenvolvimento Regional informou que optou por concentrar seus investimentos em ações de maio impacto para população. O Itamaraty disse que suas despesas serão adequadas ao cronograma de liberação orçamentária. Já a Presidência da República afirmou que o assunto deveria ser tratado com o Ministério da Economia. As demais pastas não responderam. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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Governo anunciará novos bloqueios no Orçamento na quarta

Governo anunciará novos bloqueios no Orçamento na quarta:

O Orçamento passará por um novo desafio na próxima quarta-feira (22). Em meio à desaceleração econômica, a Secretaria Especial de Fazenda do Ministério da Economia anunciará mais um contingenciamento (bloqueio temporário de verbas) na nova edição do Relatório Bimestral de Receitas e Despesas.

Publicado a cada dois meses, o relatório traz as atualizações das estimativas oficiais para a economia brasileira e o impacto dela nas previsões de receitas e despesas. Com base nas receitas, o governo revisa as despesas para garantir o cumprimento da meta de déficit primário (resultado negativo das contas do governo excluindo os juros da dívida pública) de R$ 139 bilhões e do teto de gastos federais.

Na última semana, o governo recebeu diversos sinais amarelos em relação à economia. O Boletim Focus, pesquisa com instituições financeiras divulgada pelo Banco Central (BC), indicou que o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB, soma das riquezas produzidas no país) fechará o ano em 1,45%. A previsão deve baixar no próximo boletim, a ser divulgado na segunda-feira (20).

Outro alerta foi dado pelo Índice de Atividade Econômica (IBC-Br) do Banco Central, que funciona como uma prévia do PIB. Famoso por antecipar tendências da economia, o indicador fechou o primeiro trimestre com queda de 0,68% em dados dessazonalizados (que desconsideram as oscilações típicas de determinadas épocas do ano).

A desaceleração da economia reduz a arrecadação de tributos, impactando a receita do governo. A queda de receita deve ser parcialmente neutralizada pela alta no preço internacional do petróleo, que está no maior nível em sete meses. Em audiência pública na Comissão Mista de Orçamento na última terça-feira (14), o secretário especial de Fazenda, Waldery Rodrigues, confirmou que o próximo relatório terá bloqueios adicionais de verbas.

No fim de março, a Secretaria Especial de Fazenda tinha anunciado o contingenciamento de quase R$ 30 bilhões do Orçamento. De lá para cá, o volume total bloqueado não foi alterado, mas o governo fez remanejamentos que retiraram recursos da educação e desencadearam uma onda de protestos na última quarta-feira (15) pela manutenção das verbas.

Pela lei, somente despesas discricionárias (não obrigatórias) podem ser contingenciadas. O volume de contingenciamento, no entanto, pode ser parcialmente reduzido se a equipe econômica reestimar reduções de gastos obrigatórios, geralmente reservas para cumprimento de decisões judiciais ou de gastos com o funcionalismo.

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ANTAGONISTA - Governo bloqueia recursos de 140 projetos

SALVARBrasil 19.05.19 20:40

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Um levantamento feito pela Associação Contas Abertas, a pedido do Estadão, mostra que o governo federal bloqueou 100% dos recursos de 140 projetos em 11 ministérios.

Além desses, outros 300 projetos tiveram mais de 40% das verbas congeladas.

Segundo o estudo, a pasta mais atingida foi a de Minas e Energia, que sofreu uma tesourada de 80%.

Como as despesas obrigatórias comprometem a maior parte do orçamento, não há o que fazer. O dinheiro acabou.

O governo só terá recursos se as reformas forem feitas, para a economia voltar a crescer de verdade e, assim, aumentar a arrecadação de impostos.

O resto é populismo.

Dez textos sobre vinhos de dez grandes autores da literatura mundial

Dez textos sobre vinhos de dez grandes autores da literatura mundial:

Dez textos sobre vinhos de dez grandes autores da literatura mundial
O que é bom na vida? Em uma infinidade de coisas todas dispostas para diferentes gostos e aptidões podemos citar, com absoluta certeza, que dentre elas estão: filmes, música, comida, viagens, livros e vinhos. Conan diria: “Esmagar os crânios dos meus inimigos”, mas ele é um bárbaro!

Um bom livro, assim como um bom vinho não pode ser relativizado, e os dois fornecem experiências igualmente fantásticas, limitadas apenas pelos sentidos específicos relacionados as suas afinidades. Com a diferença de que um livro leva uma pequena vantagem em relação ao vinho. Um bom livro pode ser lido mais de uma vez, enquanto um bom vinho parece ser uma experiência única. Lendo um livro pode-se conceber a auto realização de maneira solitária, isoladamente. Com raras exceções, Hemingway é uma delas — “Uma garrafa de vinho é uma ótima companhia” —, o vinho sugere companhia, conversa, comida bem preparada, em especial as metodicamente trabalhadas, como é o caso dos maravilhosos queijos. Essa harmonia é uma consequência ímpar, estatisticamente impossível de ser repetida, assim como é muito raro que dois raios caiam no mesmo lugar.

Para Robert Louis Stevenson, “Vinho é a única obra de arte que se pode beber”. A literatura criou momentos mais do que especiais para falar de vinhos. No livro, o “Evangelho Segundo Jesus Cristo”, por exemplo, a palavra vinho aparece 29 vezes e 22 em “Memórias de Adriano”, onde o tema é tão ricamente explorado que se torna difícil elencar os trechos mais importantes. Ambos nem competem com “Por Quem os Sinos Dobram”, de Ernest Hemingway, no qual o escritor com verdadeira veneração pelo vinho cita a palavra 104 vezes. Repete a dose com moderação em “Paris é Uma Festa” citando o vinho 48 vezes. A matemática não mente. O vinho tem um lugar privilegiado na literatura. E é, em sua capacidade de motivar narrativas, incrivelmente amplo. Pode-se intuir que a necessidade de correlacionar sentimentos, situações essencialmente introspectivas e momentos de profunda alegria e festividade incluem uma entidade eficaz, capaz de traduzir em uma única palavra todo um conjunto de diferentes sensações.

Existe algo mais civilizado que empunhar uma taça de cristal, observar o brilho do vinho que cintila e combinar harmoniosamente as sensações de olfato e paladar após a gloriosa degustação? Intimamente uma das artes capaz de materializar impressões é a literatura. A busca da escrita perfeita é, de alguma forma, a capacidade de passar para o papel, com robustez e valorosa performance, elegantemente numa disposição pensada e ordenada de palavras, a maneira intima de receber por meio dos sentidos uma sensação, dentre outras coisas. Para Paul Valéry, sobre a perfeição da escrita, “Eleva enfim uma página à potência do céu estrelado”. Trabalho árduo é esse do artista das letras que quer tornar sua escrita real, transportar o sabor do vinho e suas consequências para que outros degustem sensações alheais com fim de entretenimento e formação. Nas palavras de Enrique Villa-Matas “Pois seria necessária uma vida sem fim para guardar um único pobre segundo da lembrança, uma vida sem fim para lançar um único olhar de um segundo à profundidade do abismo do idioma”. Não seria difícil imaginar que um escritor se embrenhasse pelo quase exagero, referindo-se a importância do vinho, ao escrever coisa onde, virtualmente falando, um primitivo amante do vinho seria o indivíduo capaz de enunciar a seguinte frase: “Se me arrancassem do deserto portando a sede de todos os homens de todos os tempos e me perguntassem se para saciar-me eu preferiria água ou vinho eu trocaria todos os barris de água pura e doce por uma única taça de precioso vinho”.

O vinho estar inserido organicamente no texto é o objetivo. Como quando o jovem esposo em “Tia Julia e o Escrevinhador”, de Vargas Llosa, toma um gole de vinho direto do bico da garrafa omitindo a ela que é sua primeira vez, caracterizando um decente rito de passagem. O vinho não deve ser apenas citado, esta é regra, mas ser uma personagem essencial do texto e na altura da prosa ou do verso em que surge, ser obviamente protagonista.

Assim, é de sumo valor didático e potencialmente útil para uma conversa entre amigos, em companhia de vinhos, textos exímios de escritores imortais.

O Alfabeto
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Sirva-se. Existe sustento mais fino, carne mais apetitosa e mais fresca? Esses belos salmonetes não deram mais que um salto, da onda para o fogo. Nosso pescador trouxe-os para a cozinha, mal voltaram do mar. Você deve servir-se mais. É um prazer que você torne a se servir daquilo de que gosto. Quero ver nos seus olhos que lhe agrada aquilo que me agrada. Retiro o meu prazer do seu, apanho-o de seu rosto, e sigo, como que elevado ao segundo grau espiritual. Beba com esse peixe o vinho que lhe verto. Não passa de um modesto vinho fresco, jovem, e sem experiência; mas você logo provará um Siracusa que não tem menos de oitenta anos! Está no extremo de suas virtudes. Você notou como os vinhos muito veneráveis têm poder sobre as lembranças? São pessoas velhas e encantadoras cheias de histórias e de sabedoria. Cada gota dessas obras do tempo artista é maravilha complexa: ela desperta nos nossos sentidos todo um sistema de harmônicas.<br> Dir-se-ia que esses vinhos essenciais ficam e beijam, ao mesmo tempo, as diversas ninfas nervosas que têm seus mil pequenos antros na boca, na língua, nas narinas. É preciso bebê-los antes que morram. Um bom vinho tem sua vida durante a qual amadurece e sozinho se faz conserva. Isso confina com a magia. Há magia em todas as circunstâncias em que as coisas criam espírito.
A Irmandade da Uva
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Trinta e cinco quilômetros a leste de San Elmo o motor-home desacelerou enquanto Cavallaro fazia uma curva fechada à direita. Estávamos entrando nos vinhedos de Angelo Musso, solo sagrado para meu pai e seus amigos. Durante cinquenta anos eles haviam bebido o genial Chianti e o clarete das videiras dessas colinas rochosas. Não só eram fregueses de Angelo, eram na verdade seus escravos, angustiados quando sua colheita falhava, pois seu vinho era de fato o leite de sua segunda infância, entregue na porta dos fundos do consumidor em garrafões de um galão uma vez por mês, substituindo os cascos vazios que eram levados de volta para a vinícola. A cada cinco anos, mais ou menos, uma geada destruía os vinhedos, ou o vinho ficava inexplicavelmente azedo e os paisani tinham de mudar para outra marca. Isso lhes trazia desespero, insônia e reumatismo. Sem exceção, os fregueses de Angelo viviam apavorados de que ele morresse antes deles.
O Evangelho segundo Jesus Cristo
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Maria recebeu o choque em pleno rosto, suportou o olhar que a repelia, e, desta maneira colocando o filho entre a espada e a parede, rematou o desafio dizendo aos servidores, Fazei o que ele vos disser. Jesus viu a mãe afastar-se, não disse uma palavra, não fez um gesto para a reter, compreendera que o Senhor se havia servido dela como antes se serviu da tempestade ou da necessidade dos pescadores. Levantou o seu copo, onde ainda algum vinho ficara, e disse para os servidores, Enchei de água aquelas talhas, eram seis talhas de pedra que serviam para a purificação, e eles encheram-nas até cima, que cada uma delas levava duas ou três medidas, Chegai-mas cá, disse, e eles assim fizeram. Então Jesus verteu em cada talha uma parte do vinho que tinha no copo, e disse, Levai-as ao mordomo. Ora o mordomo, que não sabia donde lhe vinham as talhas, depois de provar a água que a pequena quantidade de vinho nem chegara a tingir, chamou o noivo e disse-lhe, Toda a gente serve primeiro o vinho bom, e, quando os convidados já beberam bem, serve então o pior, tu, porém, guardaste o vinho bom até agora. O noivo, que nunca em sua vida vira aquelas talhas servirem a vinho e, aliás, de mais sabia ele que o vinho se acabara, provou também e fez cara de quem, com mal fingida modéstia, se limita a confirmar o que tinha por certo, a excelente qualidade do néctar, por assim dizer um vintage. Se não fosse a voz do povo, representada, no caso, por uns servidores que no dia seguinte deram com a língua nos dentes, teria sido um milagre frustrado, pois o mordomo, se desconhecedor estava da transmutação, desconhecedor continuaria, ao noivo convinha, evidentemente, abotoar-se com o feito alheio, Jesus não era pessoa para andar dizendo por aí, Eu fiz os milagres tais e tais, Maria de Magdala, que desde o princípio participara do enredo, não iria pôr-se a fazer publicidades, Ele fez um milagre, ele fez um milagre, e Maria, a mãe, ainda menos, porque a questão fundamental era entre ela e o filho, o mais que aconteceu foi por acréscimo, em todos os sentidos da palavra, digam os convidados se não é assim, eles que voltaram a ter os copos cheios.
Lavoura Arcaica
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E o anfitrião, encenando sempre, encheu as taças, oferecendo uma ao faminto que a recebeu com vênia amável, levando-a em seguida aos lábios: “Que vinho sublime!” exclamou ele fechando de novo os olhos e estalando a língua. E mais vinho foi derramado nas taças, e outros supostos vinhos foram trazidos, de muitas espécies e sabores. Um e outro entremeavam a consumação, entregando-se ao jogo instável dos embriagados, pendulando lentamente a cabeça e meio-corpo, além de muitos outros trejeitos, até que todas as garrafas fossem provadas. E depois de ter deitado tanto vinho nos copos, o ancião interrompeu subitamente a falsa bebedeira, e, assumindo sua antiga simplicidade, a fisionomia de repente austera, falou com sobriedade ao faminto com quem dividira imaginariamente sua mesa: “Finalmente, à força de procurar muito pelo mundo todo, acabei por encontrar um homem que tem o espírito forte, o caráter firme, e que, sobretudo, revelou possuir a maior das virtudes de que um homem é capaz: a paciência. […] Senhor meu e louro da minha fronte, bem sabes que sou teu escravo, o teu escravo submisso, o homem que recebeste à tua mesa e a quem banqueteaste com iguarias dignas do maior rei, e a quem por fim mataste a sede com numerosos vinhos velhos. Que queres, senhor, o espírito do vinho subiu-me à cabeça e não posso responder pelo que fiz quando ergui a mão contra o meu benfeitor”.
Enclausurado
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Gosto de compartilhar uma taça com minha mãe. Você talvez nunca tenha experimentado, ou já terá esquecido, um bom Borgonha (o preferido dela) ou um bom Sancerre (também seu preferido) decantado através de uma placenta saudável. Antes mesmo que o vinho chegue — nessa noite um Jean-Max Roger Sancerre —, ao som da rolha ser retirada eu sinto no rosto como a carícia de uma brisa de verão. Sei que o álcool reduzirá minha inteligência. Reduz a inteligência de todo mundo. Mas, ah, um pinot noir alegre e rosado ou Sauvignon com toques de groselha me fazem dar saltos e cambalhotas em meu mar secreto, ricocheteando nas paredes de meu castelo, desse castelo elástico que é meu lar. Ou assim era quando eu tinha mais espaço. Agora usufruo meus prazeres de forma tranquila, e na segunda taça minhas especulações florescem com aquela liberdade chamada poesia. Meus pensamentos se desdobram em bem torneados pentâmetros, com frases cabendo em cada verso ou transbordando para o verso seguinte a fim de oferecer uma variedade agradável. Mas ela nunca toma uma terceira taça, o que me deixa furioso.
Tirza
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Abre uma nova garrafa de vinho. Gewürztraminer italiano. Escolheu esse vinho junto com Tirza. Sempre escolhe os vinhos com Tirza. Já há meses, anos. Ela prova e aprova, ele compra. […] Ele serve uma taça de vinho branco, ainda o Gewürztraminer italiano. Sempre o Gewürztraminer italiano.
Paris é Uma Festa
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Naquela minha temporada europeia, todo o mundo considerava o álcool tão normal e sadio como qualquer bom alimento, além de grande fonte de alegria e bem-estar. Beber vinho, por exemplo, não era forma de esnobismo ou sinal de sofisticação, nem uma espécie de culto. Era tão normal como comer e, para mim, tão necessário. Jamais me ocorrera fazer uma refeição sem tomar vinho, cidra ou cerveja. E eu gostava de todos os vinhos, exceto dos que eram doces ou encorpados, e não podia imaginar que o simples fato de Scott ter tomado comigo algumas garrafas daquele esplêndido Mácon branco, suave e seco pudesse produzir nele alterações químicas que o transformassem num imbecil.
Memórias de Adriano
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A Grécia era bastante superior nesse sentido: seu vinho resinoso, seu pão salpicado de sementes de gergelim, seus peixes assados na grelha, à beira-mar, escurecidos aqui e ali pelo fogo e temperados de quando em quando pelo estalido de um grão de areia, satisfaziam simplesmente o apetite sem cercar de excessivas complicações a mais pura das nossas alegrias. Saboreei numa sórdida espelunca de Egina ou de Falera alimentos tão frescos, que se conservavam divinamente puros, a despeito dos dedos imundos do moço da taverna. Eram escassos, mas tão saborosos que pareciam conter, sob a forma mais resumida, uma certa essência de imortalidade. A carne cozida nas noites das caçadas possuía uma espécie de qualidade sacramentai que nos levava muito longe, quase além das origens selvagens das raças. O vinho inicia-nos nos mistérios vulcânicos do solo e nas riquezas minerais ocultas. Uma taça de Samos degustada ao meio-dia, em pleno sol, ou, ao contrário, saboreada numa noite de inverno, num estado de fadiga tal que nos permita sentir no fundo do diafragma seu fluxo quente, sua abrasadora dispersão ao longo das artérias, é uma sensação quase sagrada e, por vezes, demasiado forte para um cérebro humano. Não reencontro essa sensação no mesmo estado de pureza nos vinhos numerados das adegas de Roma, e impacienta-me o pedantismo dos grandes conhecedores de vinhos. Mais primitivamente ainda, a água bebida na concha da mão ou na própria fonte faz correr em nós o sal mais secreto da terra e toda a chuva do céu. A água, ela mesma, é uma delícia da qual o doente que sou agora não deve usar senão com parcimônia. Não importa, mesmo na agonia e ainda que de mistura com o amargor das últimas poções, tentarei sentir sua fresca insipidez nos meus lábios. […] A Ásia introduzira nesse sangue, um tanto acre, o efeito da gota de mel que turva e ao mesmo tempo perfuma o vinho puro. […] Se as almas possuem identidade própria, podem elas permutar-se, ir de um ser a outro como o pedaço de um fruto ou o gole de vinho que dois amantes passam um ao outro num beijo?
Tia Julia e o Escrevinhador
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O negro demorou uns dez minutos, que pareceram anos, mas por fim voltou, com duas garrafas de vinha na mão. A cerimônia pôde continuar. Assim que as testemunhas assinaram, o prefeito fez tia Julia e eu assinarmos, abriu um código civil e, aproximando-o de uma vela, nos leu, tão devagar quanto escrevia, os artigos correspondentes às obrigações e deveres conjugais. Depois, nos estendeu uma certidão e disse que estávamos casados. Nos beijamos e então recebemos os abraços das testemunhas e do prefeito. O motorista arrancou com os dentes a rolha das garrafas de vinho. Não havia copos, de forma que bebemos na boca da garrafa, passando-as de mão em mão depois de cada gole. Na viagem de volta a Chincha — estávamos todos alegres e ao mesmo tempo sossegados — Javier tentou catastroficamente assobiar a marcha nupcial. […] Nos despedimos deles no ponto de lotação e voltamos ao Hotel Sudamericano, conversando como dois velhos esposos. Tia Julia estava se sentindo mal e achei que era por causa do vinho de Grocio Prado. Disse a ela que tinha achado o vinho excelente, mas não lhe contei que era a primeira vez em minha vida que eu tomava vinho.
O Outro, o Mesmo
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Já no bronze de Homero resplandece teu nome, negro vinho que alegras o coração do homem. Há séculos e séculos vais de mão em mão desde o rício do grego ao corno do germano. Na aurora já existias. Legaste às gerações ao longo do caminho teu fogo e teus leões. Junto àquele outro rio de noites e de dias corre aclamado o teu, por amigos e alegrias, vinho que como um Eufrates patriarcal e fundo vais escorregando ao longo da história do mundo.<br> Em teu vivo cristal por nossos olhos foi a vista uma rubra metáfora do sangue de Cristo. E nas arrebatadas estrofes do sufi tu és a cimitarra, a rosa e o rubi. Que outros em teu Leto bebam um triste olvido; eu em ti busco as festas do fervor repartido. Sésamo com o qual antigas noites abro e na dura escuridão, dádiva e candelabro. Vinho do mútuo amor ou da rubra peleja, um dia te invocarei. Que assim seja.

ANTAGONISTA - Mourão diz que texto divulgado por Bolsonaro reflete “angústias” de governar

SALVARBrasil 19.05.19 11:53

Em Pequim, o general Hamilton Mourão afirmou neste domingo que o texto compartilhado por Jair Bolsonaro na sexta-feira reflete “as angústias” de governar o país.

“Eu acho que o presidente apenas mostrou a parte das angústias que se vive quando você governa um país como o Brasil, com todas as suas variedade e o multilateralismo que tem lá dentro”, disse ao Globo.

“Acho que o presidente ali não quis dizer que ele julgue isso, ele apenas colocou aquele texto, só isso.”


Brasil, a Geni dos brasileiros.

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 Coluna de Guilherme Fiuza, via Gazeta do Povo:

Não há novidade alguma na obsessão brasileira pelo fracasso. Você não precisa ler nenhum sociólogo de passeata para constatar o fenômeno. Cada passo à frente corresponde a uns dez para trás – e andar de lado é progresso arrojado. Por uma razão miseravelmente simples: tacar pedra, aqui, é salvo-conduto.

Por que trabalhar dobrado para construir, num lugar onde destruir é muito mais charmoso, além de bem mais fácil? Você está cansado de saber que numa nação infantilizada fazer cara de nojo para governo é sucesso garantido. Arregaçar as mangas pelo bem comum e correr o risco de tomar uma chapa branca na testa? Deixa de ser otário.

Esse componente tão dramático quanto corriqueiro do caráter nacional já deu as caras, sem a menor inibição, inúmeras vezes. Uma das mais impressionantes se deu logo após a eleição de Lula, em 2002.

Desafiado publicamente por Pedro Malan a esclarecer se sua plataforma era a demagogia dos calotes e bravatas contra a elite malvada ou o cumprimento de contratos e a responsabilidade fiscal, Lula se comprometeu com a segunda opção. E cumpriu. Iniciou seu governo com uma equipe econômica de alto nível, chefiada por Antonio Palocci – cuja gestão foi reconhecida por dez entre dez expoentes do setor – e Henrique Meirelles no Banco Central.

Estavam dadas as condições para um novo ciclo virtuoso, depois das crises de energia (doméstica) e da Rússia (internacional) que travaram na virada do século a linha ascendente do Plano Real. Lula era um líder popular mostrando senso de pragmatismo para unir a estruturação econômica e o resgate social – enfim, para unir o país.

E o que fez o país? Fez o que faz sempre: sabotou.

A fritura de Palocci não demorou a começar e vinha de todos os lados (isso te lembra alguma coisa?). Corneteiros e cassandras brotavam no meio empresarial, na imprensa, nas artes, na política – inclusive no PT, o partido governante. Aliás, os tucanos fizeram a mesma coisa com Fernando Henrique e Malan – porque, como já foi dito, aqui fazer cara de nojo para governo é investimento. Mesmo se você estiver no governo.

O Plano Real triunfou apesar dos tucanos – que até o apoiaram majoritariamente na decolagem (covardia não é burrice), mas atrapalharam tanto no nascedouro quanto na sustentação. Malan passou oito anos sendo demitido na imprensa – e adivinha a origem dessas sementinhas? Uma equipe de abnegados executou o maior plano econômico da história enquanto o presidente era chamado todo dia de elitista, neoliberal (o fascista da época) e reacionário por ter se aliado a Antonio Carlos Magalhães, o Toninho Malvadeza. Identificou o padrão?

Voltando a Lula, aquela configuração que prometia unir o país (ahaha) logo virou tiro ao alvo: MST querendo mais grana, PT querendo mais cargo, PSOL nascendo para sua vida gloriosa de virgem do puteiro, tucano querendo o poder de volta, empresário “moderno” querendo dinheiro de graça e fritando o ministro da Fazenda que buscava a modernização. O vice-presidente, que era empresário, atacava dia sim, outro também, a política macroeconômica do seu próprio governo. Crise, teu nome é Brasil.

Segundo vários representantes da intelectualidade nacional, o presidente dos pobres estava vendendo a alma ao diabo. Veríssimo se declarava decepcionado com a adesão de Lula ao superávit primário… (Parece piada, e é, mas aconteceu). O país só se acalmou quando conseguiu interromper essa gestão virtuosa e abrir caminho para o maior assalto da história.

Aí sobreveio uma década de paz. Em meio à roubalheira e à depravação institucional não se viu nem passeata cenográfica pela educação.

Pega daí, caro leitor: boa equipe, chance de reconstrução, cara de nojo, decepção… Só continua chamando isso aqui de nação quem confunde rima com solução.

Nota antropológica: FHC e vários outros que combateram a praga nacional dos falsos virtuosos hoje estão na orquestra da crise. Que lugar está reservado para esses personagens na história do Brasil? Pergunta no Posto Ipiranga.