Ataque Aberto

"O maior inimigo da autoridade é o desprezo e a maneira mais segura de solapá-la é o riso." (Hannah Arendt 1906-1975)

quarta-feira, 26 de junho de 2019

Justiça da Chinelândia, a República dos Chinelões, autoriza férias no Caribe para Vagabundo com cargo de Senador que está em Prisão Domiciliar.

Justiça autoriza férias no Caribe para senador em prisão domiciliar:

Enquanto cumpre pena de 4 anos e 6 meses, por crime contra o sistema financeiro, o senador Acir Gurgacz (PDT-RO) obteve na justiça autorização para passar férias no Caribe.

Por decisão do juiz de direito Fernando Luiz de Lacerda Messere, do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios, Gurgacz poderá passar de 17 de julho a 3 de agosto em um hotel resort e cassino em Aruba, ilha que fica relativamente próxima à Venezuela. Segundo o juiz, o Ministério Público concordou com o pedido do condenado.

O senador viajará com familiares, em um grupo de ao menos quatro pessoas. O pedetista disse à reportagem, em ligação telefônica, que será uma “viagem de férias, dentro da legalidade, um costume da família”. Alegando-se inocente, afirmou que não vê problema em realizar esta viagem. “Estão fazendo um carnaval sobre esse troço”, opinou.


Vista do Renaissance Aruba Resort & Casino; hotel onde 
senador condenado à "prisão domiciliar"- Acir Gurgacz - deve
 ficar hospedado — Foto: Divulgação

“Se eu tivesse cometido crime tudo bem, mas não tem desvio de verba pública, nem nada. Não sou criminoso. Estou seguindo tudo que foi determinado, rigorosamente, e nesse caso não foi diferente. Ainda há um recurso”, afirmou.

De acordo com a acusação criminal da Procuradoria-Geral da República, o senador se apropriou de R$ 525 mil de verba de R$ 1,5 milhão liberada pelo Banco da Amazônia para renovação da frota de ônibus de uma empresa de transporte da qual o próprio Gurgacz era gestor. A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal o condenou não por desvio de recursos, mas por desvio de finalidade de recursos provenientes de financiamento concedido por instituição financeira oficial.

A reserva para uma pessoa por 16 dias nesse hotel, no período entre 17 de julho e 3 de agosto, de acordo com pesquisa livre feita no site do estabelecimento, custaria US$ 6.622,70, equivalente a R$ 26.490,80 na cotação desta quarta-feira, 26.

Acir Gurgacz, que não foi afastado pelos companheiros de legislativo apesar da condenação no Supremo, deverá se apresentar à justiça do Distrito Federal durante a primeira semana de agosto, de acordo com a decisão. A pena ficará suspensa nos dias em que se ausentar. Pela modalidade da prisão domiciliar, em regime aberto, ele tem a obrigação de estar em casa das 22h às 6h.

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ORGANIZAÇÃO CRIMINOSA QUE CONTROLA O STF NÃO QUER MEXER COM AS MALETAS DE SENADOR CANGACEIRO.

Maletas antigrampo do Senado dividem ministros do Supremo:

Edson Fachin e Alexandre de Moraes divergiram hoje no Supremo sobre a possibilidade de a Procuradoria Geral da República investigar o conteúdo de maletas antigrampo do Senado apreendidas em 2016 na Operação Métis

Fachin quer permitir a perícia dos equipamentos, usados por policiais legislativos para desmontar grampos telefônicos e escutas ambientais nos gabinetes dos senadores, numa tentativa de blindá-los da Lava Jato.

Moraes quer impedir de imediato a análise do material e invalidá-lo como prova, sob o argumento de que a apreensão das maletas foi ordenada pelo juiz Vallisney Souza Oliveira, de primeira instância e sem competência para investigar autoridades com foro privilegiado.

Leia este conteúdo na integra em: Maletas antigrampo do Senado dividem ministros do Supremo

AGRADECIMENTO DO EDITOR.


Com máxima alegria acuso, na minha casa, o recebimento do
segundo volume de “Ordem e História – O Mundo da Pólis”, do filósofo e professor, gigante do Pensamento Ocidental, Eric Voegelin, e que a mim me foi dado de presente pela querida amiga do longínquo estado do Espírito Santo – Rita de Cássia Lanschi Bonesi - Agradeço de todo coração lembrando sempre: “Cada pessoa que me dá um livro abre uma porta na cela da Ignorância dentro da qual todos nós nascemos presos.”
Muito obrigado.

(Milton Pires, 26 de junho de 2019)

Foi Bolsonaro eleito para ser rainha da Inglaterra?


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José Nêumanne, em artigo publicado pelo Estadão:


Irritado com modificações feitas na gestão das agências regulatórias pela Câmara dos Deputados, o presidente Jair Bolsonaro acabou por se dar conta de que seu poder de chefe do Executivo tem encolhido ao ponto de ele se perguntar se estaria se tornando uma espécie de “rainha da Inglaterra”, e não por causa disso. Na mais antiga democracia do mundo, cabe à soberana papel, se não decorativo, no mínimo, simbólico, de chefe de Estado, enquanto o Parlamento preside o governo desde sempre. A Constituição federal não repetiu nestes tristes trópicos a monarquia parlamentarista britânica, mas instaurou um regime que responde pela denominação híbrida de “presidencialismo de coalizão”.

A particularidade deveu-se ao desvio de rota durante a votação no Congresso Constituinte, que se encaminhava no rumo do parlamentarismo em dispositivos constitucionais votados sob a liderança dos tucanos Mário Covas, José Serra e Fernando Henrique, com intromissões do relator Bernardo Cabral. Só que, na aprovação específica do regime de governo, o então presidente José Sarney e o chamado à época multipresidente Ulysses Guimarães (do PMDB e da Câmara) lhe pespegaram o rótulo presidencialista tout court, mas dependente de barganha.

O ex-ministro da Justiça José Paulo Cavalcanti Filho, em sua coluna no Jornal do Commercio, do Recife, em 21 de junho, dedicou um parágrafo de seu artigo dirigido ao Congresso Nacional, sob o título de Respeitem o povo, senhores!, a deixar clara a rejeição popular ao parlamentarismo: “Foram dois plebiscitos. Ambos decididos contra o parlamentarismo. O primeiro, em 6/1/1963, com 82% dos votos. E o segundo, em 21/4/1993, com 69,2%. Nos dois casos indicando, claramente, que não queremos deputados e senadores escolhendo quem vai dirigir o País. Exigimos ter nós mesmos, povo, esse direito. Até para errar. Quatro anos atrás, houvesse parlamentarismo, e primeiro-ministro seria Eduardo Cunha. Ou Renan Calheiros. Queremos isso?”. A questão deveria encerrar o debate, mas não é o caso.

A Constituição, debatida, votada e aprovada não por uma assembleia exclusiva, o que seria certo, mas por congressistas que se arvoraram ao papel de confeccioná-la e depois permanecer, per omnia saecula saeculorum, amém, fazendo e desfazendo leis a seu bel prazer. Protegidos pela reeleição permanente e pelo foro de prerrogativa de função, deputados e senadores derrubaram Dilma Rousseff e garantiram ao vice eleito com ela, Michel Temer, o gozo da impunidade plena. Impediram que ele fosse processado por crimes que o levaram, fora da Presidência, duas vezes a temporadas em privilegiadas salas isoladas de repartições públicas e quartéis, reservadas aos ex sem foro, entre eles o petista Lula da Silva.

Em janeiro de 2018 vislumbrei numa campanha popular contra a reeleição de todos os mandatários da República a única chance de interromper esse presidencialismo de cumplicidade, muito mais do que de coalizão. Mas os chefes das organizações partidárias contaminadas pela presença em cargos de comando de acusados, processados, condenados e suspeitos investigados pela Operação Lava Jato e congêneres organizaram de tal forma a sucessão presidencial que só conseguiram lhes escapar ao controle o sindicalista bombeiro Cabo Daciolo e o ex-capitão do Exército Jair Bolsonaro. Este levou a eleição de roldão atropelando todos os adversários, que eram sócios e aliados ou fingidores de oposicionistas da roubalheira do PT, PMDB, PR, PDT e muitas outras siglas, além do PSDB.

Bolsonaro conseguiu encarnar a bandeira invencível de eleições no Brasil pós-Lava Jato, o antipetismo. E, embora ainda não tenha compreendido isso, talvez por mera deficiência de sinapse, sobrevive a uma administração atabalhoada e muitas vezes desastrosa e mantém o apoio da maior parte do eleitorado. Talvez porque os adversários, como ele, também nada perceberam.

Diante da inércia de um partido absolutamente amorfo, que lhe cedeu a legenda para candidatar-se, um tal de PSL, quase um PFL às antigas, o chefe do Executivo não parece sequer se posicionar diante dos golpes que tem sofrido dos Adélios Bispos do Legislativo. O ex-deputado não conseguiu ainda atinar para o fato de que a Câmara é presidida por Rodrigo Maia e o Senado, por Davi Alcolumbre, ambos do DEM, legenda do chefe de sua Casa Civil, Onyx Lorenzoni, ao qual paga com permanência a chamada fidelidade de primeira hora. O presidente do Senado perdeu a última eleição majoritária que disputou para o governo do Amapá, território federal recentemente promovido a Estado por benemerência legislativa, e responde por crimes de contabilidade na Justiça Eleitoral. O Brasil inteiro testemunhou a fraude de sua vitória sobre Renan Calheiros, mas ele teve a suprema desfaçatez de arquivar a investigação com a cumplicidade do colega Roberto Rocha, do PSDB (ora, vejam só!) do Maranhão. Descendente do clã Maia de Catolé do Rocha, no sertão da Paraíba, o presidente da Câmara foi eleito nos estertores da contagem, mercê do milagre da multiplicação dos votos do sistema proporcional.

Juntos, desengavetaram delírios golpistas de Eduardo Cunha e Renan Calheiros, veteranos do crime na política. Usaram a expressão “orçamento impositivo”, em teoria necessário, mas no caso tupiniquim uma forma de entregar o Orçamento à rapina dos abutres de sempre. Na votação, praticamente unânime, dessa facada pelas costas dos 57 milhões e mais de 700 mil eleitores que sufragaram o presidente, o filho deste, Eduardo, não apenas repetiu Brutus, que apunhalou César na escadaria do Senado romano, mas ainda recorreu à aprovação do pai à propositura do tempo em que estavam na oposição. Ficou clara uma das razões para o ocorrido: nem o rebento do presidente consegue diferenciar governo de oposição. Daí à mudança de gestões das agências foi dado apenas um passo atrás.

Mentes fechadas

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En 1987 el filósofo Allan David Bloom publicó The closing of the American Mind, alertando de un fenómeno grave y novedoso: la corrección política estaba arrasando en las universidades norteamericanas. Muerto en 1992, Bloom no pudo ver hasta qué punto lo que detectó entonces se ha convertido en algo mucho más extendido, represivo e intelectualmente letal. 

En las universidades españolas, aunque esto no haya sido demasiado comentado en los medios de comunicación, también hay, como en EE.UU., departamentos que vigilan a los profesores y reciben denuncias sobre las “incorrecciones” en las que hayan podido incurrir en clase. 

Los alumnos no sólo vigilan a los profesores sino que se vigilan mutuamente, para denunciar cualquier idea inconveniente; Bloom lo llamó “una mezcla de moralina y egocentrismo”. Y los profesores, los escritores, los intelectuales, no pueden decir abiertamente algo que esté en contra de los códigos del pensamiento único.

Saul Bellow anotó en el prólogo del libro que el buen escritor debería ser “inmune al ruido de la historia”. Lo malo es que si eso resulta complicado siempre, quizá lo es más en la actualidad, con la multiplicación de la capacidad comunicativa mediante las redes sociales, donde inmediatamente cualquiera puede ser crucificado por la izquierda con la etiqueta de “fascista” —algo realmente curioso y llamativo, considerando los puntos en común que enlazan al fascismo y a la misma izquierda.

Como dice Robin Harris, el antifascismo fue un señuelo de los comunistas para extender sus apoyos, y ocultar sus crímenes. Sólo en septiembre de 2017 se cambió el nombre de la Plaza de Tito en Zagreb, retirándose una placa que decía: “Plaza Mariscal Tito. Josep Broz Tito, político, líder del movimiento antifascista, presidente de la República Popular Federal de Yugoslavia, 1945-1980”. 

Dice el periodista canadiense Jonathan Kay en Standpoint que si hay esperanzas es entre las personas cuya historia personal desafía las teorías unidimensionales de la persecución en la sociedad. Fue precisamente el caso de Allan David Bloom, que era judío, homosexual, e hijo de padres perseguidos por el antisemitismo europeo. Esto no le parece casual a Kay, que añade que tampoco resulta una coincidencia que muchos críticos de la ortodoxia socialdemócrata hayan sido también judíos: Richard Bernstein, Alan Dershowitz, John Podhoretz, Jonah Goldberg, Andrew Breitbart, David Brooks, Christoher Hitcherns, Charles Krauthammer, William Safire y Ben Shapiro: “Desde el 11-S, en particular, han sido desproporcionadamente judíos (y a veces hombres y mujeres homosexuales) quienes más han sonado las alarmas contra la normalización del antisemitismo, la misoginia y la homofobia islamistas”. 

Bloom escribió: “La verdadera comunidad humana es la comunidad de quienes buscan la verdad, de sus potenciales conocedores, de todas las personas en la medida en que anhelen saber”. Ante tanto pensamiento único, no lo olvidemos y mantengamos las mentes abiertas.

Este artículo fue publicado originalmente en Expansión (España) el 18 de junio de 2019.

26 de Junho de 1963: Guerra Fria, John F. Kennedy, presidente dos EUA, visita Berlim e proclama, junto ao Muro, "Ich bin Berliner".

26 de Junho de 1963: Guerra Fria, John F. Kennedy, presidente dos EUA, visita Berlim e proclama, junto ao Muro, "Ich bin Berliner".:

No dia 26 de Junho de 1963, o presidente norte-americano John F. Kennedy encerrou em Berlim uma visita de quatro dias à Alemanha Ocidental. Foi lá que ele pronunciou a famosa frase: “Ich Bin ein berliner!” (eu sou um berlinense!).
A recepção ao presidente John F. Kennedy foi uma das maiores festas populares da então Berlim Ocidental. Cerca de um milhão e meio de pessoas gritavam nas ruas o nome do presidente norte-americano. Berlim, além de dividida desde Agosto de 1961 por um muro construído pela Alemanha Oriental, ainda ficava encravada dentro desse território.
A segurança da visita era garantida pelos soldados da França, do Reino Unido e dos Estados Unidos, potências ocidentais vencedoras da Segunda Guerra. O discurso de Kennedy, em inglês, continha quatro palavras em alemão que sintetizavam o significado da presença do líder norte-americano na capital dividida.
- Há 2 mil anos, a frase mais orgulhosa que se podia dizer era "eu sou um romano". Hoje, a frase de maior orgulho que alguém no mundo livre pode dizer é: "ich bin ein Berliner!" (eu sou um berlinense!).
Em carro aberto, Kennedy passeou pela cidade e visitou os seus símbolos, com uma breve paragem diante do muro que dividia a cidade e do Checkpoint Charlie, o posto de controle na passagem a Berlim Oriental.
Na visita, o chefe do governo norte-americano foi acompanhado por Willy Brandt, então Presidente da Câmara de Berlim (que mais tarde se tornaria chanceler da República Federal da Alemanha) e pelo chefe do governo alemão-ocidental, Konrad Adenauer, já com 87 anos.
Encerrando o seu pronunciamento, outra vez, conscientemente e para expressar solidariedade e esperança aos Estados alemães divididos, Kennedy repetiu a famosa frase, em alemão e bem alto:
– Ich bin ein Berliner!
Fonte: DW
wikipedia (imagens)


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O Presidente Kennedy  dirige-se aos berlinenses, 26 de junho de 1963

terça-feira, 25 de junho de 2019

Toda a obra de Emily Dickinson para download gratuito

Toda a obra de Emily Dickinson para download gratuito:

Toda a obra de Emily Dickinson para download gratuito
Emily Dickinson foi uma poeta norte-americana. Ela nasceu na
cidade de Amherst, em 1830. Começou seus estudos em uma escola local e chegou a
se matricular em um seminário feminino, mas abandonou a instituição após se
recusar, publicamente, a declarar sua fé. Assim, Dickinson voltou para a casa
de seus pais, onde viveu reclusa, dedicando-se à poesia até o fim de sua vida.

Em torno da escritora, construiu-se um mito acerca de sua
personalidade solitária. Dickinson tinha poucos amigos, com os quais se
comunicava apenas por correspondência, e raramente saía de casa. Ela nunca se
casou, embora tenha vivido uma paixão platônica pelo reverendo Charles
Wadsworth, para quem escreveu muitos poemas de amor.

Dickinson morreu em 1885, com nefrite, uma inflamação dos
rins. Em toda sua vida, ela publicou apenas dez poemas e teve sua obra
reconhecida só após a morte, quando sua família encontrou entre seus pertences
mais de 1750 escritos. Dickinson foi considerada inovadora para sua época pelo
desprezo à gramática e às técnicas da literatura convencional.

Para disseminar a obra da escritora norte-americana, a
Universidade de Adelaide, uma das instituições de ensino mais antigas da
Austrália, disponibilizou online todos os seus poemas para download gratuito.
Ao todo, são três compilações que podem ser baixadas em três formatos: Zip,
ePub e Kindle (para dispositivos Amazon). As obras estão em inglês. Para fazer o download, basta
clicar sobre o título e escolher a opção “download”.

Clique aqui para acessar: Toda a obra de Emily Dickinson para download gratuito

IV. Time and Eternity.

I.

This world is not conclusion;
  A sequel stands beyond,
Invisible, as music,
  But positive, as sound.
It beckons and it baffles;
  Philosophies don’t know,
And through a riddle, at the last,
  Sagacity must go.
To guess it puzzles scholars;
  To gain it, men have shown
Contempt of generations,
  And crucifixion known.
Tempo e Eternidade

(em tradução livre
por Milton Pires) 

Esse mundo não é uma certeza;
Uma sequela permanece em pé
Invisível como a música, mas
real no som como é.

Ela acena e desafia; Filosofias
a desconhecem, no final através
de um Enigma, as inteligências
desaparecem.

Adivinhá-la confunde eruditos
Para obtê-la homens mostraram
o desprezo das gerações.

E as frequentes crucificações.

*para Rose, com saudades

Porto Alegre, junho de 2019.

BBC - STF analisa pedido de habeas corpus de Lula

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STF analisa pedido de habeas corpus de Lula:

A Segunda Turma do Supremo julga pedidos apresentados pela defesa do ex-presidente. A defesa de Lula argumenta que o ex-juiz federal e hoje ministro da Justiça, Sergio Moro, é 'inimigo' do ex-presidente e, por isso, não estaria apto a julgá-lo.

"Democracia em vertigem": o retrato de uma geração verdadeiramente perdida.

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 Paulo Polzonoff Jr, via Gazeta do Povo:


Ao ver os créditos de Democracia em Vertigem, sobre o ocaso de Lula, Dilma e PT, sobre o “golpe”, sobre o inescrupuloso Sergio Moro “treinado nos Estados Unidos”, sobre a ascensão do neofascismo tupiniquim, etc., a vontade que senti foi a de me juntar à Turma do Óbvio e apontar os vários equívocos do documentário. A começar pela voz soporífera da narradora, roteirista, diretora, produtora e pessoa-cheia-de-boas-intenções Petra Costa. Depois, fui tomado pelo desejo de expor toda a hipocrisia da narrativa ao retratar uma esquerda que insiste na vitimização e na exaltação de virtudes que não resistem a um escrutínio.

Muito mais desafiador e interessante, contudo, é ver, analisar e exaltar o lado bom do documentário. E ele tem mais de um. A começar pela narrativa em primeira pessoa da própria cineasta que, com a voz mais humilde possível, tenta se passar por uma pobre filha de nobres e abnegados trabalhadores de classe média transformados em guerrilheiros e que lutaram bravamente contra a ditadura militar para que ele, o líder das massas, o imaculado Luiz Inácio, chegasse ao poder e matasse a fome de todos.

É cena, claro. Petra Costa é filha de uma multimilionária herdeira do Grupo Andrade Gutierrez, Marília Andrade, e, por consequência, neta de Gabriel Andrade, um dos fundadores da empreiteira. Marília, aliás, foi casada com Luis Favre, franco-argentino que ficou famoso por ter sido o pivô da separação de Marta e Eduardo Suplicy, mas cuja atuação na esquerda brasileira remonta aos anos 1980.

Aqui e ali, Petra Costa acaba por confessar sua origem oligárquica, até porque não teria como escondê-la hoje em dia. Mas, como disse, a forma como ela tangencia , deturpa e intencionalmente ignora esses detalhes autobiográficos tem lá seu lado bom. Porque revela como pensam e se veem milhares de ricos militantes petistas que insistem nos velhos ideais do marxismo e que, por inércia, repetem os novos slogans desta ideologia há 150 anos revolucionária e assassina. Do conforto de seus apartamentos em Paris ou Nova York, herdeiros de conglomerados capitalistas se veem como escolhidos capazes de levar a Humanidade a um outro patamar – patamar este que eles mesmos estabelecem e que são por princípio nobres e justos, desde que não ameacem seus luxos. Para essas pessoas, a vida é uma narrativa e a sociedade é um experimento no qual o indivíduo é mero tubo de ensaio.

Não tenho nada contra o fato de Petra Costa ser rica. Muito pelo contrário. Estou entre os que defendem que não seja cobrado qualquer imposto sobre herança ou grandes fortunas, por exemplo. Apenas ressalto aqui o caráter privilegiado da cineasta-narradora para demonstrar algo que, de Mencken a Roberto Campos, passando por Rothbard, Orwell e até Millôr Fernandes, outros já demonstraram com mais talento e profundidade: o socialismo, seja como realização de um projeto seja como narrativa, é um luxo. E, no final das contas, Democracia em Vertigem nada mais é do que lamúria pelo parquinho de diversão perdido. (O parquinho, neste caso, é o Brasil).

Paz e compaixão sincera

Outro lado bom é que Democracia em Vertigem transmite certa paz ao espectador sensato. A paz de perceber que, por ser incapaz de fugir ao pensamento simplista e maniqueísta para o qual a ação humana é determinada por vilões e heróis muito bem delimitados, por não conseguir compreender a menor das nuanças e insistir em ver o mundo como uma luta entre opressores e oprimidos, a esquerda se mostra inapta a aprender com os erros e, por consequência, a reconstruir um ideal que um dia os possa levar de volta ao poder.

Por fim, o terceiro lado bom de se passar duas horas diante da televisão assistindo a Democracia em Vertigem é que o documentário é capaz de exercitar o combalido músculo da compaixão – naqueles que ainda o têm, claro. Não, não estou sendo irônico. O maior mérito do filme é, de fato, substituir no espectador a onipresente e pervasiva raiva por uma sincera compaixão.

Porque Petra Costa, com sua narrativa cheia de lugares-comuns, delírios conspiratórios e pieguice, acaba por explicar como nasce e se desenvolve e se consolida a mente petista-revolucionária. E é um processo inquestionavelmente duro e sofrido, por mais que se tenha apartamentos em Paris e por mais que se receba uma bela mesada pela iniciativa capitalista bem-sucedida do vovô.

O processo todo começa com boas intenções catalisadas por uma ou mais tragédias. No caso de Petra, essa combinação estava nos pais, guerrilheiros marxistas que viram seus mentores serem assassinados pela ditadura. Dessa mistura nasceu a menina já com a estrela vermelha no peito, fadada ao romantismo da causa operária, inabalável em seu bom-mocismo, por mais que paredões e Mensalões provassem o contrário.

Me compadeço, sim. Porque, em Democracia em Vertigem, fica claro que Petra Costa não teve escolha. Muito antes de as redes sociais darem origem a uma legião de zumbis viciados em política, os pais da cineasta já arriscavam a vida em nome dessa coisa intangível e demoníaca, o que, evidentemente, corrompeu para sempre a visão que ela tinha de liberdade. Ela só pôde seguir os passos de seus genitores e acreditar na santidade de um líder popular – a realização de um ideal aprendido nos melhores bancos escolares, com os piores professores.

E este é o verdadeiro drama do documentário. Democracia em Vertigem talvez pretenda, como andei lendo por aí, consolidar uma narrativa mentirosa e até mesmo santificar um líder corrupto. Sem querer, contudo, o filme mostra toda uma geração corrompida por pais, professores e líderes inescrupulosos, levada a acreditar na superioridade do coletivo sobre o indivíduo, do material sobre o espiritual, da igualdade sobre a diferença, etc. Uma geração para a qual a realidade tem que se adaptar a uma história oblíqua contada por uma narradora de voz tão infantil quanto sua percepção de mundo a fim de que nessa realidade se encaixem seus sonhos e frustrações.

Uma geração verdadeiramente perdida.

Defesa pede que Lula seja solto se STF não concluir julgamentos hoje

Defesa pede que Lula seja solto se STF não concluir julgamentos hoje:

Em sustentação na sessão da Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) nesta terça-feira, 25, o advogado Cristiano Zanin Martins, defensor do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, pediu aos ministros que concedam uma liminar para que o petista deixe a cadeia caso o colegiado não conclua hoje o julgamento de dois habeas corpus da defesa – um deles a respeito da parcialidade do ex-juiz Sergio Moro no caso do tríplex do Guarujá (SP). A sessão desta terça é a última da Segunda Turma antes do recesso do Judiciário, que só termina em agosto.

A manifestação de Zanin se deu no âmbito do recurso dos advogados de Lula contra uma decisão do ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Felix Fischer, relator da Operação Lava Jato no tribunal. Embora o julgamento do habeas corpus que trata da suspeição de Moro já tenha sido iniciado em dezembro na Segunda Turma, quando foi suspenso por um pedido de vista do ministro Gilmar Mendes, a sessão de hoje foi iniciada pela ação contra a decisão de Fischer.

Neste caso, os defensores do ex-presidente alegam que o ministro do STJ não poderia ter negado monocraticamente, ou seja, em decisão individual, um recurso contra a condenação de Lula no Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4). Em abril, a Quinta Turma do STJ, da qual Felix Fischer faz parte, julgou e condenou o petista no processo do tríplex, mas reduziu sua pena de 12 anos e 1 mês de prisão para 8 anos, 10 meses e 20 dias.

Primeiro a votar na sessão de hoje, o relator da Lava Jato no Supremo, ministro Edson Fachin, votou por negar o habeas corpus contra a decisão de Fischer. Para Fachin, o ministro do STJ poderia ter decidido monocraticamente. “Não reconheço a invalidade do ato apontado pelo coator pelo alegado vício de fundamentação. Não se demonstra irregularidade na atuação unilateral ora vergastada. Justa ou injusta, correta ou incorreta, a decisão se reveste de um proceder que está processualmente autorizado”, decidiu.

Além de Edson Fachin, a Segunda Turma do Supremo tem como membros os ministros Cármen Lúcia, Gilmar Mendes, Celso de Mello e Ricardo Lewandowski. Somente depois dos votos deles nesta primeira ação é que o colegiado poderá voltar à análise da parcialidade ou não do ex-juiz Sergio Moro.

O julgamento sobre a suspeição de Moro foi iniciado em dezembro, quando acabou sendo interrompido pelo pedido de vista de Gilmar Mendes. Àquela altura, já haviam votado Fachin e Cármen, ambos contrários ao habeas corpus – ambos podem alterar suas posições na retomada da análise do caso. Críticos de aspectos da Lava Jato e integrantes da ala “garantista” do STF, Gilmar e Lewandowski devem votar a favor de Lula. Se essas posições se confirmarem, o voto de desempate seria de Mello, decano da Corte.

A análise da parcialidade ou não de Sergio Moro pelo Supremo ganhou relevância e polêmica depois da revelação, pelo site The Intercept Brasil, de mensagens trocadas entre o ex-juiz e o procurador da República Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa da Lava Jato no Paraná. Em uma petição ao STF, a defesa de Lula cita os diálogos e pede que eles sejam levados em consideração no julgamento.

Nas mensagens, trocadas pelo aplicativo Telegram entre 2015 e 2018, Moro aparece cooperando com Deltan: ele orienta uma investigação da força-tarefa da operação sobre Lula, por meio da indicação de um possível informante, cobra a deflagração de novas ações, antecipa decisões e manifesta temor quanto a “melindrar” o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), um “apoio importante” à Lava Jato, com investigações que, a seu ver, baseavam-se em indícios “muito fracos”.

Sergio Moro atribui o vazamento das informações à atuação de hackers. O The Intercept Brasil afirma que recebeu o material de uma fonte anônima.

Segunda Turma do STF faz intervalo em julgamento do 1º pedido de liberdade de Lula

Segunda Turma do STF faz intervalo em julgamento do 1º pedido de liberdade de Lula:

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A 2ª Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu fazer um intervalo no julgamento de um dos ...


FOLHA POLÍTICA - 'Colocar Lula na rua é escarrar no rosto do País', diz Magno Malta: 'esse país vai parar'

'Colocar Lula na rua é escarrar no rosto do País', diz Magno Malta: 'esse país vai parar':

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Imagem: Produção Ilustrativa / Folha Política
O ex-senador Magno Malta divulgou um vídeo comentando a decisão da Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal, de iniciar o julgamento de dois habeas corpus do ex-presidente Lula, após o ministro Gilmar Mendes sugerir soltar o condenado para que aguarde a decisão em liberdade. Na descrição do vídeo, Malta afirma: “Estou muito preocupado com essa sessão do STF. Se soltarem o Lula, esse país vai parar”. 
Mais informações »


ANTAGONISTA - Sessão da Segunda Turma só para Lula

Sessão da Segunda Turma só para Lula:

Embora não estivessem pautados para a sessão de hoje, a Segunda Turma vai julgar somente os habeas corpus de Lula, liberados para decisão por Gilmar Mendes...

Leia este conteúdo na integra em: Sessão da Segunda Turma só para Lula

ANTAGONISTA - Relator do projeto de abuso de autoridade confirma mordaça a magistrados e membros do MP

Relator do projeto de abuso de autoridade confirma mordaça a magistrados e membros do MP:

Na última parte da entrevista exclusiva concedida mais cedo pelo senador Rodrigo Pacheco (DEM) a O Antagonista, o relator do projeto de abuso de autoridade -- que poderá ser votado em definitivo amanhã -- confirma que manteve em seu relatório uma mordaça a magistrados e membros do Ministério Público, que não poderão emitir qualquer opinião sobre casos que não tenham sido concluídos, sob risco de serem encarados como criminosos...

Leia este conteúdo na integra em: Relator do projeto de abuso de autoridade confirma mordaça a magistrados e membros do MP

THE INTERCEPT diz que "A Vaza Jato é um abalo na extrema direita: só se derrota o autoritarismo desnudando suas entranhas"

A Vaza Jato é um abalo na extrema direita: só se derrota o autoritarismo desnudando suas entranhas:

A Vaza Jato tem trazido à tona a falta de ética e a parcialidade presentes na mais importante operação anticorrupção da história do Brasil. Não é novidade para ninguém que conchavos e relações corruptas institucionais atravessam o sistema político e legal brasileiro. O que surpreende, contudo, é até onde uma parte da população e da sociedade civil está disposta a compactuar com a imoralidade. Como disse recentemente o antropólogo Eduardo Viveiros de Castro em seu Twitter, é a tragédia da verdade: “ainda que eles não possam impedir que a verdade seja revelada, eles podem fazer com que ela tenha pouca ou nenhuma consequência”.

A Vaza Jato atua como um divisor de águas no plano moral. Se por algum tempo foi possível se apegar a um verniz de honestidade e às boas intenções da operação, as conversas vazadas não deixam dúvidas de que houve conluio na prisão de Lula. Aqueles que ainda sustentam o argumento de que a atuação de Sergio Moro no processo se deu dentro da normalidade – ou que compram a tese do juiz de que toda a repercussão das conversas é puro “sensacionalismo” – estão fazendo uma opção ética e política de não abandonar o barco.

Minhas lições diárias sobre como um tipo de brasileiro mediano reage diante das informações Vaza Jato vem do grupo de WhatsApp do meu condomínio. Diferentemente de outros grupos bolsonaristas que participei no passado para fins acadêmicos, o grupo do prédio me parece um bom termômetro, pois reúne pessoas de camadas médias de vários posicionamentos políticos.

Os fins justificam os meios sujos da Lava Jato porque, há tempos, a questão em jogo não é a justiça, mas um comportamento de torcida.
No grupo, parece persistir um acordo tácito da imoralidade, que ignora o conteúdo das conversas e defende Sergio Moro a qualquer preço. A lógica desses fiéis escudeiros é totalmente contraditória: os mesmos que dizem que os fins justificam os meios (tudo bem fazer uns acordos por Telegram para prender “uma organização criminosa” – o PT) não dão credibilidade à Vaza Jato e ao conteúdo nefasto por ela revelado justamente por acreditar que os “meios” são ilegais e criminosos – mesmo que o Intercept nunca tenha revelado sua fonte.

Os fins justificam os meios sujos da Lava Jato porque, há tempos, a questão em jogo não é a justiça, mas um comportamento de torcida marcado pelo fanatismo em uma cruzada do “bem” contra o “mal”.

No grupo, abundam mensagens de Moro como justiceiro que fez o que tinha que fazer para detonar “a quadrilha”. No país em que linchamentos ainda ocorrem com frequência e que execuções da polícia são aplaudidas pelo presidente eleito, não deveria surpreender que a Lava Jato seja vista por muitos como um aparato justiceiro personalista. Na sanha antipetista, quanto mais vazam conversas que demonstram a parcialidade de Moro, mais se admira o herói que age sozinho contra o PT e o Lula desenhados, nos últimos anos, como os responsáveis por todos os males do país.

No livro “Como Morrem as Democracias”, Steven Levitsky e Daniel Ziblatt nos lembram que quando demagogos e autoritários governam um país o que resta das instituições democráticas é apenas uma carcaça: por dentro foi tudo corroído por políticos que intimidam a imprensa, rejeitam o resultado das eleições e tratam rivais como terroristas a serem eliminados.

Por fora, a atuação de Sérgio Moro na Lava Jato é instrumento democrático anticorrupção de transparência política, mas, por dentro, se revela como um mecanismo de erosão da democracia, do esgotamento dos parâmetros legais, do ataque à imprensa livre e da justaposição de valores ideológicos que visam punir oponentes e proteger aliados.

Mas a casa caiu. E até a carcaça democrática – na qual boa parte da imprensa hegemônica se apegava para defender a operação – colapsou. Por muito tempo, o Jornal Nacional, por exemplo, podia alegar neutralidade na cobertura da operação, cuja lisura se colocava acima de qualquer suspeita. Sob o ponto de vista político e legal, sempre houve reivindicações de que o processo de Lula era ideológico, mas é igualmente verdade que juristas estavam divididos na interpretação de evidências do caso. Tal suposta postura de imparcialidade agora não é mais possível de ser mantida porque os diálogos estão acessíveis a todos. E os espectadores podem ver com mais clareza as opções editoriais, o que é dito, como é dito e, principalmente, o que não é dito.

Semana passada, Sergio Moro declarou, em sessão no Senado Federal, que não havia pedido afastamento da procuradora Laura Tessler da equipe da audiência com Lula. Moro reclamou ao chefe da força-tarefa, Deltan Dallagnol, que o desempenho em inquirições de Tessler não era bom, e Dallagnol encaminhou o comentário ao procurador Carlos Fernando Lima, conforme revelou o jornalista Reinaldo Azevedo, em parceria com o Intercept. Laura Tessler deixou o caso Lula após a troca de mensagens. Na repercussão dos diálogos, o Jornal Nacional optou por omitir o fato mais importante da história: Tessler foi, sim, afastada do depoimento. A emissora está fazendo uma opção – que não é inédita na história – em apoiar o autoritarismo.

O problema de posicionamentos como o do Jornal Nacional é que eles são também responsáveis não apenas pela apatia moral do grupo do WhatsApp do condomínio, como também pelas hordas fanáticas bolsonaristas. São responsáveis por não fazer nada para barrar o crescimento desses grupos.

Ao observar a repercussão da Vaza Jato, não me restam dúvidas de que o maior desafio que hoje tempos no campo progressista é conseguir medir a extensão do núcleo duro bolsonarista. É justamente esse núcleo, disposto a tudo em sua saga ensandecida contra o “mal”, que precisa retrair e voltar a ser inexpressivo.

Otimista incurável que sou, penso que a Vaza Jato é um antídoto contra o autoritarismo.
Só é possível derrotar a extrema direita constrangendo-a e a deixando isolada. Desnudar as artimanhas do ministro da Justiça – que até então conseguia ainda manter uma aura de lisura ética – é uma arma fundamental nessa batalha que visa a disputar politicamente quem ainda é disputável. É para essas pessoas que precisamos falar.

Disputar não significa brigar com o vizinho que enviou o meme de Moro herói no condomínio, mas conseguir falar com aquele que não respondeu. É tentar atingir milhões de brasileiros que podem não ter conhecimento formal acerca do papel dos operadores do direito, mas que entendem que juiz deveria ser imparcial. É para essas pessoas que precisamos falar.

Disputa se faz com informação. Otimista incurável que sou, penso que a Vaza Jato é um antídoto contra o autoritarismo, que hoje se fortalece por meio de táticas que incluem uma ampla cooperação entre diversos meios. Se a estrutura institucional legal está sendo corroída aos poucos, é também a conta-gotas que o conteúdo das conversas vai sendo divulgado, reconquistando a confiança no jornalismo e ajudando a formar um cordão democrático que revele a verdade e ajude a reconstruir a parte do tecido social que foi rompida nos últimos anos.

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Anexos originais:


Áudio revela bronca de Dilma Rousseff em assessor

ANTAGONISTA - Alcolumbre: “Se fosse deputado ou senador, Moro já estava cassado ou preso”

Alcolumbre: “Se fosse deputado ou senador, Moro já estava cassado ou preso”:

Davi Alcolumbre disse que Sergio Moro, "se fosse deputado ou senador, estava no Conselho de Ética, cassado ou preso"...

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25 de Junho de 1950: Início da Guerra da Coreia

25 de Junho de 1950: Início da Guerra da Coreia:

Guerra travada, entre 1950 e 1953, entre a Coreia do Norte e a Coreia do Sul. Tratou-se, no fundo, de um confronto indirecto entre as grandes potências que dominavam a cena política internacional durante a chamada Guerra Fria. A Coreia do Norte, liderada por Kim Il-Sung, tentou submeter a Coreia do Sul, pró-ocidental, ao seu regime socialista de partido único.Em 1950, a Coreia do Norte, com o apoio da União Soviética, planeou e executou o ataque. No dia 25 de Junho de 1950, alegando uma suposta transgressão do Paralelo 38º, o exército da Coréia do Norte invade o Sul.

Reunido de emergência o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas, foi aprovada uma resolução (devido à abstenção da URSS e à falta de comparência da China) que condenava a Coreia do Norte como agressora. No dia 27 de Junho de 1950, o presidente norte-americano Harry Truman decidiu declarar guerra à Coreia do Norte, ordenando que fosse prestada assistência militar à Coreia do Sul (sem pedir autorização ao Congresso) em nome das Nações Unidas. 
Ao lado da Coreia do Norte estiveram as forças da China.Estima-se que tenham perdido a vida no conflito cerca de 3 milhões de pessoas. Deu-se também a fuga de muitos milhares de cidadãos coreanos, que se tornaram refugiados noutros países. A Coreia do Norte ficou completamente destruída pelas bombas norte-americanas e a Coreia do Sul ficou com o seu aparelho produtivo gravemente danificado. O armistício teve lugar em 1953, dando-se então o reconhecimento das fronteiras entre as duas Coreias, seguido do repatriamento dos prisioneiros.
Fontes: Guerra da Coreia. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2013. 
www.infoescola.com

wikipedia (Imagens)

A group of soldiers readying a large gun in some brush

Ficheiro:Anti-Trusteeship Campaign.jpg
Cidadãos sul-coreanos protestando contra a ocupação das Coreias por potências estrangeiras, em 
Dezembro de 1945

segunda-feira, 24 de junho de 2019

ANTAGONISTA - Projeto contra abuso de autoridade permite que organização criminosa processe juízes e procuradores

Projeto contra abuso de autoridade permite que organização criminosa processe juízes e procuradores:

A proposta contra o abuso de autoridade pronto para ser votado no Senado permite que organizações criminosas processem juízes e procuradores O alerta foi feito em nota divulgada hoje pelas principais associações das duas categorias (CNPG, Frentas, AMB, Conamp, Anamatra, Ajufe, ANMPM e ANPR).

“O PLC 27/2017 destrói o sistema penal acusatório, expressamente adotado pela Constituição Federal, ao transferir a titularidade da ação penal nos crimes de abuso de autoridade para instituições diversas do Ministério Público, e até para associações. Pode-se chegar ao absurdo, caso aprovado o referido projeto, de uma organização criminosa valer-se de associação para ingressar com ação penal contra membros do Ministério Público e do Poder Judiciário, como forma de perseguição a agentes públicos no cumprimento do seu dever constitucional.”

As associações também dizem que o texto inibe autoridades, que poderiam ser processadas por violarem prerrogativas de advogados com base numa redação “aberta, genérica e passível de interpretações as mais imprecisas possíveis”.

Outro problema é a imposição de uma “Lei da Mordaça”, “silenciando os agentes do Estado incumbidos da defesa do cidadão, de modo a ferir o direito de informação, a publicidade dos atos administrativos e a transparência”.

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CONEXÃO POLÍTICA - Bolsonaro vai cair pelas mãos dos LGBT’s, afirma David Miranda

Bolsonaro vai cair pelas mãos dos LGBT’s, afirma David Miranda:

O deputado federal David Miranda (PSOL-RJ) esteve presente na 23ª edição da Parada Gay, que ocorreu neste último domingo (23), em São Paulo.

O parlamentar, que assumiu mandato na Câmara Federal após a renúncia de Jean Wyllys, atacou o presidente Jair Bolsonaro.

Para David, a Parada Gay acontece num “momento crucial”.

“Temos hoje um presidente que é um nêmesis contra a nossa população, ele é LGBTfóbico. Estamos resistindo na rua, mas com alegria, com famílias, amigos e irmãos, mas com o punho cerrado e mandando o recado: Ei, Bolsonaro, você vai cair pelas mãos dos LGBTs”, declarou.

O deputado federal é companheiro de Glenn Greenwald, dono do site responsável pelo vazamento de mensagens roubadas que foram atribuídas a membros da Operação Lava Jato.




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CONEXÃO POLÍTICA - STF suspende medida de Bolsonaro que transfere demarcações para a Agricultura

STF suspende medida de Bolsonaro que transfere demarcações para a Agricultura:

Nesta segunda-feira (24), o ministro Luís Roberto Barrosso (Supremo Tribunal Federal), em decisão monocrática, concedeu uma liminar suspendendo a validade da medida provisória do presidente Jair Bolsonaro que transferiu para o Ministério da Agricultura a demarcação de terras indígenas.

A medida provisória agora suspensa pelo STF havia sido assinada na última quarta-feira (19).

Em janeiro, uma primeira MP que mudava a estrutura ministerial já transferia para a pasta da Agricultura a responsabilidade da demarcação de terras indígenas.

A assessoria de imprensa do Planalto informou que não vai comentar sobre o assunto.

Por se tratar de mérito ainda nã

Mais informações em instantes.


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ANTAGONISTA - Escandaloso: CNJ abole a Justiça


Escandaloso: CNJ abole a Justiça:

Deu a louca no Conselho Nacional de Justiça, aquele soviete criado pelo PT.

Humberto Martins, corregedor nacional de Justiça, publicou uma recomendação aos Tribunais de Justiça, Regionais Federais, Trabalhistas e Militares para que "deem cumprimento aos atos normativos e às decisões proferidas pela Corregedoria Nacional de Justiça...ainda que exista decisão judicial em sentido diverso, salvo se advinda do Supremo Tribunal Federal”.

Sim, é isso mesmo, o Corregedor Nacional de Justiça acaba de abolir a Justiça, afirmando que o CNJ está acima de todos os tribunais, incluindo o STJ, com exceção do STF.

Exemplo: no limite, se o CNJ achar por bem relaxar uma prisão, por causa de um alegado vício administrativo tendo por base uma resolução do conselho, poderá fazê-lo, mesmo que a prisão tenha sido chancelada por tribunal superior.

Criaram uma instância paralela, o que equivale a abolir a Justiça.

Se isso não é abuso de autoridade, é o quê?

Trata-se de um escândalo.

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LULA MANDA CARTA PARA CELSO AMORIM

Querido amigo,

A cada dia fico mais preocupado com o que está acontecendo em nosso Brasil. As notícias que recebo são de desemprego, crise nas escolas e hospitais, a redução e até mesmo o fim dos programas que ajudam o povo, a volta da fome. Sei que estão entregando as riquezas do país aos estrangeiros, destruindo ou privatizando o que nossa gente construiu com tanto sacrifício. Traindo a soberania nacional.

É difícil manter a esperança numa situação como essa, mas o brasileiro não desiste nunca, não é verdade? Não perco a fé no nosso povo, o que me ajuda a não fraquejar na prisão injusta em que estou faz mais de um ano. Você deve se lembrar que no dia 7 de abril de 2018, ao me despedir dos companheiros em São Bernardo, falei que estava cumprindo a decisão do juiz, mas certo de que minha inocência ainda seria reconhecida. E que seria anulada a farsa montada para me prender sem ter cometido crime. Continuo acreditando.

Todos os dias acordo pensando que estou mais perto da libertação, porque o meu caso não tem mistério. É só ler as provas que os advogados reuniram: que o tal tríplex nunca foi meu, nem de fato nem de direito, e que nem na construção nem a reforma entrou dinheiro de contratos com a Petrobrás. São fatos que o próprio Sergio Moro reconheceu quando teve de responder o recurso da defesa.

É só analisar o processo com imparcialidade para ver que o Moro estava decidido a me condenar antes mesmo de receber a denúncia dos procuradores. Ele mandou invadir minha casa e me levar à força pra depor sem nunca ter me intimado. Mandou grampear meus telefonemas, da minha mulher, meus filhos e até dos meus advogados, o que é gravíssimo numa democracia. Dirigia os interrogatórios, como se fosse o meu acusador, e não deixava a defesa fazer perguntas. Era um juiz que tinha lado, o lado da acusação.

A denúncia contra mim era tão falsa e inconsistente que, para me condenar, o Moro mudou as acusações feitas pelos promotores. Me acusaram de ter recebido um imóvel em troca de favor mas, como viram que não era meu, ele me condenou dizendo que foi “atribuído” a mim. Me acusaram de ter feito atos para beneficiar uma empresa. Mas nunca houve ato nenhum e aí ele me condenou por “atos indeterminados”. Isso não existe na lei nem no direito, só na cabeça de quem queria condenar de qualquer jeito.

A parcialidade dele se confirmou até pelo que fez depois de me condenar e prender. Em julho do ano passado, quando um desembargador do TRF-4 mandou me soltar, o Moro interrompeu as férias para acionar outro desembargador, amigo dele, que anulou a decisão. Em setembro, ele fez de tudo para proibir que eu desse uma entrevista. Pensei que fosse pura mesquinharia, mas entendi a razão quando ele divulgou, na véspera da eleição, um depoimento do Palocci que de tão falso nem serviu para o processo. O que o Moro queria era prejudicar nosso candidato e ajudar o dele.

Se alguém ainda tinha dúvida sobre de que lado o juiz sempre esteve e qual era o motivo de me perseguir, a dúvida acabou quando ele aceitou ser ministro da Justiça do Bolsonaro. E toda a verdade ficou clara: fui acusado, julgado e condenado sem provas para não disputar as eleições. Essa era única forma do candidato dele vencer.

A Constituição e a lei determinam que um processo é nulo se o juiz não for imparcial e independente. Se o juiz tem interesse pessoal ou político num caso, se tem amizade ou inimizade com a pessoa a ser julgada, ele tem de se declarar suspeito e impedido. É o que fazem os magistrados honestos, de caráter. Mas o Moro, não. Ele sempre recusou se declarar impedido no meu caso, apesar de todas as evidências de que era meu inimigo político.

Meus advogados recorreram ao Supremo Tribunal Federal, para que eu tenha finalmente um processo e um julgamento justos, o que nunca tive nas mãos de Sergio Moro. Muita gente poderosa, no Brasil e até de outros países, quer impedir essa decisão, ou continuar adiando, o que dá no mesmo para quem está preso injustamente.

Alguns dizem que ao anular meu processo estarão anulando todas as decisões da Lava Jato, o que é uma grande mentira pois na Justiça cada caso é um caso. Também tentam confundir, dizendo que meu caso só poderia ser julgado depois de uma investigação sobre as mensagens entre Moro e os procuradores que estão sendo reveladas nos últimos dias. Acontece que nós entramos com a ação em novembro do ano passado, muito antes dos jornalistas do Intercept divulgarem essas notícias. Já apresentamos provas suficientes de que o juiz é suspeito e não foi imparcial.

Tudo que espero, caro amigo, é que a justiça finalmente seja feita. Tudo o que quero é ter direito a um julgamento justo, por um juiz imparcial, para poder demonstrar com fatos que sou inocente de tudo o que me acusaram. Quero ser julgado dentro do processo legal, com base em provas, e não em convicções. Quero ser julgado pelas leis do meu país, e não pelas manchetes dos jornais.

A pergunta que faço todos os dias aqui onde estou é uma só: por que tanto medo da verdade? A resposta não interessa apenas a mim, mas a todos que esperam por Justiça.

Quero me despedir dizendo até breve, meu amigo. Até o dia da verdade libertadora. Um grande abraço do

Lula

ANTAGONISTA - A Coreia do Norte da magistratura pode?

A Coreia do Norte da magistratura pode?:

O Órgão Especial do Tribunal Regional do Trabalho do Rio Grande do Sul, em sessão realizada no dia 14 de junho passado, dispensou a juíza do trabalho Valdete Souto Severo de exercer a sua atividade pela qual é paga pelos contribuintes, a fim de presidir a AJD – Associação Juízes para a Democracia...

Trata-se de uma espécie de Coreia do Norte da magistratura, em termos de posições ultraesquerdistas. A AJD, recentemente, expediu notas atacando o ministro da Justiça, Sergio Moro, e exigindo a liberdade de Lula. Também mandou representantes que atestaram a lisura das últimas eleições na Venezuela.

A liberação viola decisão anterior do próprio CNJ, que não admite o afastamento remunerado de magistrados para presidir entidades que não se enquadrem estritamente no conceito de “associação de classe”, como é o caso da AJD.

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“O Segundo Encontro”



O Segundo Encontro”

Milton Pires

Imagine o caro leitor, apenas por um momento, uma dessas pequenas cidades que os colonizadores açorianos fundaram no interior do Rio Grande do Sul e que só não está parada no tempo porque o tempo não existe e a história da humanidade, como disse Voegelin, é um “eterno presente sob Deus”.

Não se tratava de uma noite chuvosa de inverno. O que tínhamos ali era uma mistura de muito frio e pouca chuva que se manifesta numa terceira coisa terrível chamada então de "umidade" – terror da mãe do guri que costumava dizer que "em noite assim nem mesmo um cachorro sai para rua” e drama de quem, ainda por cima, morava numa casa na frente de um lago.

O guri em questão, então com dez ou doze anos de idade, folheava as páginas da saudosa Enciclopédia Barsa quando tocou o telefone da casa. Era uma “chamada” para o pai.

O pai do guri era médico na pequena cidade e cada chamado para atender um paciente era uma aventura para o menino. Ele não acompanhava o pai por ter vontade de ser médico. O que o atraía era entrar em casas diferentes da sua. A profusão, o caleidoscópio de sons, a sinfonia de cores e a luminosidade dos novos cheiros eram, para o guri que não conhecia as teorias de Breuer nem os efeitos do haloperidol, um mundo sempre novo – por isso ele jamais recusava, mesmo nas “noites de cachorro” diagnosticadas pela mãe que não era médica, fazer companhia ao pai.

Nesta noite a casa do paciente, outro menino da idade do nosso herói, não reservava novidade nenhuma. Não havia livros, armários com navios em miniatura, não se notava a presença de cachorros chineses nem de aquários iluminados. O guri escolheu uma poltrona enorme, lembrança da fronteira com a Argentina trazida pelo avô da criança doente, fechou os olhos e, enquanto o pai examinava o pacientezinho, dormiu e começou a sonhar.

Sonhou que estava num bairro de Buenos Aires muito pobre, mas diferente de Maldonado, com esgoto a céu aberto no ano de 1910, mas que o cometa ainda não havia passado próximo à Terra – promessa que ele, cometa, invariavelmente cumpre até hoje a cada setenta e seis anos porque jamais foi eleito Presidente do Espaço Sideral e não tem promessas a serem violadas. Não é um estuprador da verdade.

Sonhou o guri que ele mesmo era argentino e que, num sábado pela manhã, foi convidado por um primo com mais dinheiro para visitar uma fazenda próxima cujo caminho mais curto podia ser percorrido pelo trem.

Chegaram na fazenda - assim me contaram os espíritos - naquelas horas em que o que permanece vivo nega-se a morrer e os mortos ainda não se fazem escutar. O cheiro do churrasco assando, cachorros latindo e o violão dedilhado no tango triste que encabula as putas e evoca, na consciência dos assassinos, este sentimento estranho que alguns chamam de remorso, apresentaram-se kantianamente ao guri na forma aperceptiva da percepção.

Nesse ambiente de farra e bravatas, de histórias de guerra que revelavam a resistência das mulheres e a ternura dos cavalos, o guri, projeto de filósofo aborrecido pelo mundo infantil dos adultos, aventurou-se casa grande adentro.

Caminhando por salas escuras, móveis europeus de couro e pesados livros cuja encadernação era tão severa que seriam capazes de constranger Aristóteles, o guri, de súbito, depara-se com enorme armário de vidro.

Dentro do armário as mais terríveis facas, elas mesmas retratos de uma argentina história. Eram Lembranças de 1810 e da Revolução de Maio que ensinou ao Rei de Espanha os limites de seus poderes transcendentais. Mesmerizado, sonâmbulo nas suas impressões em relação àquele “universo de los cutijos”, o guri foi despertado pela gritaria que começava lá fora. Iniciavam-se os acertos para o duelo. Depois do churrasco, do vinho e do carteado, duelos de faca eram o “final feliz” nas histórias daquele tempo.

Sim, digo que Maneco desafiou Duncan, sim! Digo que sua faca, aquela que tinha um gavião entalhado no cabo e que era infinitamente maior do que a escolhida por Duncan, fez, no coração do último, uma Calle Florida de um dia de outono.

Berros e gemidos, prenúncios de Las Locas de La Plaza de Mayo, foram escutados pelo guri que pensava, sozinho no meio de tudo aquilo - “engraçado, a mim me parece que as facas tinham vida própria...É como se tivessem contas para acertar sozinhas, contas que ficaram abertas em outras vidas..estranho como as pessoas se vão e as coisas ficam...”

O guri se acordou com o pai consolando a mãe do pequeno paciente que, diga-se de passagem, não tinha nada de grave. A mulher chorava a morte do próprio pai, falecido uns dias atrás na capital do Rio Grande do Sul. Morrera delirando, coitado. Dizia que pretendia voltar e tal promessa assustava a mulher, enfermeira formada no Brasil do Norte, esposa de um marido alcoólatra e, ainda assim,  kardecista na forma exata possível – aquela em que não se precisa estudar nada a respeito da Doutrina.

Nem as coisas nem as pessoas, pensou o menino bocejando de sono e lembrando que tinha prova na escola pública marcada para o dia seguinte. O mundo sempre esteve (e vai estar) cheio de espíritos por toda parte.

À memória de Jorge Luís Borges
(1899-1986) que escreveu tudo isso
antes de nascer quando ele era um
anjo e ainda estava no Céu.

Porto Alegre, 24 de janeiro de 2019.

Julgamento de habeas corpus de Lula no STF ficará para agosto

Julgamento de habeas corpus de Lula no STF ficará para agosto:

O julgamento de um habeas corpus do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva pela 2ª Turma do Supremo Tribunal Federal, marcado para esta terça-feira, 25, não será concluído neste semestre.

Mais informações em instantes.

24 de JUNHO de 2019 - EDITOR DO ATAQUE ABERTO PEDE A LIBERDADE DE LULA.

SE o preço que a Sociedade Brasileira deve pagar para entender que tipo de gente, que tipo de "Instituições"  são o Congresso e o STF, é a liberdade de Lula e o Fim da Operação Lava Jato, então SIM: eu sou a favor da Liberdade de Lula e do Fim da Operação Lava Jato. Lula Livre amanhã! Lula Livre Já ! 

Milton Pires