Ataque Aberto

"O maior inimigo da autoridade é o desprezo e a maneira mais segura de solapá-la é o riso." (Hannah Arendt 1906-1975)

terça-feira, 26 de março de 2019

Carta da Inglaterra

Chamberlain-out-Churchill-agrees-to-form

João Carlos Espada, publicado pelo Observador:

Para quem faz planos com alguma antecedência, o passado fim de semana seria o último antes do ‘Brexit’ (inicialmente previsto para 29 de Março). Em parte por esse motivo, escolhi esta data para uma visita ao Churchill Archives Centre, no Churchill College, Cambridge, para a qual tinha sido convidado em Novembro do ano passado. Escrevo agora, passado este fim de semana, e não faço a menor ideia sobre quando terá lugar o ‘Brexit’. Mas foi uma grande experiência, em qualquer caso.

Cheguei ao Churchill College na passada quarta-feira à noite. Tudo estava tranquilo e devidamente preparado, como previsto. No “Porter’s Lodge”, a senhora que me deu a chave do quarto e o mapa do colégio, amavelmente acrescentou: “Dizem-me que vai para o Oxford & Cambridge em Pall Mall, Londres, no sábado. Devo aconselhar que viaje cedo porque haverá uma manifestação nessa rua ao meio-dia”.

Não fazia ideia de que ia haver uma manifestação no sábado — anti-Brexit, de facto, soube mais tarde, porque a senhora não disse qual era o sinal político da manifestação. Ela apenas me aconselhou a viajar cedo. Nessa mesma noite, quando cheguei ao meu quarto no Churchill College, vi uma mensagem do Oxford & Cambridge Club de Londres avisando sobre essa mesma manifestação e sobre “road closure”. Comecei a pensar que era um assunto sério — e que a minha escolha de fim de semana talvez não tivesse sido a mais sábia.

No dia seguinte, quinta-feira, passei o dia tranquilamente, consultando o Churchill Archive. À noite, jantei na High Table, por amável convite do meu anfitrião, Allen Packwood, o jovem director do Churchill Archives Centre. Observei com prazer que todos usávamos gravata (ou, nalguns casos, laço), ao contrário do que pudera observar durante o dia no Colégio — onde todos, exceptuando os funcionários, pareciam fazer gala em usar trajes andrajosos e barba por fazer.

Durante a High-Table, as boas-maneiras britânicas foram observadas. Pude conjecturar que todos os “locals” eram contra o “Brexit”, mas ninguém disse isso claramente. Houve uma ameaça de conversa sobre o tema, mas foi rapidamente suspensa. “Não é apropriado discutir política na High Table”, disse um dos Fellows mais idosos.

No fim do jantar, a caminho da outra sala onde é servido vinho do Porto, o Fellow acima referido aproximou-se de mim cordialmente e disse-me: “Soube que vai no sábado para Londres e para Pall Mall. Desculpe a intromissão, mas sugiro que vá cedo e que não use bow-tie, nem ande com o Telegraph na mão. Eu sou um ‘Remainer’, mas lamento ter de o avisar de que alguns ‘Remainers’ podem ser extremistas e podem ver na sua bow-tie e no Telegraph um sinal Tory”. Agradeci enfaticamente. Ambos, em seguida, apreciámos conjuntamente excelentes variedades de Porto.

Passei a sexta-feira de novo embrenhado no Churchill Archive. No sábado, pus-me a caminho, de Cambridge para Londres, de acordo com os avisos recebidos: fui de madrugada, e sem bow-tie. O comboio estava de facto bastante cheio, mas foi pontual. E cheguei ao Clube em Pall Mall por volta das 10h da madrugada. Tudo estava tranquilo e fui informado de que poderia andar na rua até ao meio-dia, mas que talvez fosse preferível não andar em Pall Mall depois das 12h, por causa da dita manifestação.

Tomei boa nota. Fui às compras em St. James, e engraxei os sapatos numa das inúmeras lojas locais. O jovem engraxador usava um impecável uniforme, com gravata, e com duas bandeiras cruzadas na lapela: da Grã-Bretanha e do Bangladesh. Perguntei-lhe há quanto tempo vivia em Inglaterra. “Doze anos, sir”, respondeu orgulhosamente. Perguntei-lhe em seguida se sabia de uma manifestação que ia ocorrer em Pall Mall daí a pouco tempo. Com surpresa, ouvi o único discurso político sobre o tema em toda a minha viagem:

“Sim, claro que sei. Vai ser daqui a pouco. É uma manifestação contra o ‘Brexit’ e por um segundo referendo. É uma manifestação das elites europeias contra a democracia britânica. Nós votámos no referendo pela saída da União Europeia. Eles não aceitam a nossa escolha democrática e querem impor-nos o ‘Remain’”.

Bastante estupefato, perguntei então ao meu interlocutor: “O senhor votou no referendo?” E ele respondeu assertivamente: “Sim, com muito orgulho. Eu sou um cidadão britânico. E todos os que, como eu, vêm dos países de língua inglesa — Bangladesh, Índia, Austrália, Nova Zelândia — todos votámos pelo Brexit. A união Europeia impõe um sistema desleal de imigração no Reino Unido: os que vêm da Europa podem entrar sem demoras, mas nós, vindos da Commonwealth, temos imensos obstáculos” (que ele enumerou sem hesitações, mas de que eu não consegui tomar nota).

Preparava-me para continuar a conversa quando olhei para o relógio e reparei que tinha passado as 12h avisadas pelo Clube. Agradeci enfaticamente a apressei-me para Pall Mall.

A manifestação já começara e ocupava toda a rua, em direcção ao Parlamento. Eu ia em sentido contrário aos manifestantes, mas não senti a menor hostilidade (é certo que não usava bow-tie, nem o Telegraph). O grupo, bastante massivo e ininterrupto, pareceu-me simpático e bem disposto, embora não tão jovem como tinha sido anunciado. Os placards que transportavam eram em grande parte de produção caseira e bastante divertidos. O meu preferido dizia: ‘Fromage, not Farage’.

Quando cheguei ao Clube, onde a indiferença pela manifestação que passava à porta era total, perguntei se podia almoçar sem gravata. O impecável recepcionista, de gravata, respondeu que sim: de acordo com as novas regras, os sócios podiam não usar gravata até às 18h, aos fins de semana, até às 11h, durante a semana. Perguntei-lhe se ele gostava destas “regras modernas”. E ele respondeu, imperturbável : “I couldn’t possibly comment, sir.”

Resolvi envergar um dos meus Churchillian bow-ties. Pelo sim pelo não, levei para a mesa o suave Financial Times, em vez do Telegraph. Verifiquei que, na mesa em frente da minha, um sócio idoso lia ostensivamente o Telegraph. Pouco depois, na mesa ao lado da minha, sentou-se outro sócio idoso, este de tweed, lendo atentamente um livro de Michael Oakeshott.

O grande dilema surgiu a seguir. Quando o empregado trouxe o ‘Stilton & Port”, apresentou-me dois pratos de sobremesa, um de Oxford, outro de Cambridge, e perguntou-me qual preferia. Embaraçado, respondi: “bem, eu estudei em Oxford, mas acabo de chegar de Cambridge”. Após um silêncio, ele respondeu: “Talvez eu possa sugerir um compromisso, sir. Fica com os dois e usa um pouco de cada um enquanto aprecia o Stilton.”

Assim fiz. E o compromisso foi agradável.

26 de Março de 1827: Morre Ludwig van Beethoven, génio da música clássica

26 de Março de 1827: Morre Ludwig van Beethoven, génio da música clássica:

Ludwig van Beethoven morreu no dia 26 de Março de 1827, aos 56 anos, em Viena. Universalmente reconhecido como um dos maiores compositores de todos os tempos, a obra de Beethoven coroou o período clássico e iniciou efectivamente a era romântica na música. É dos pouquíssimos artistas que pode ser genuinamente considerado um revolucionário.

O génio musical inspirou momentos históricos em outros campos que não os da sua arte, sensibilizando estadistas, cientistas e artistas. Beethoven era um humanista que acreditava na força do carácter humano. Abraçou o Iluminismo e tornou-se defensor da Revolução Francesa, cujos ideais podem ser musicalmente notados na sua obra.

Nascido em Bona, Beethoven mostrou desde tenra idade notável talento. O pai, músico da corte,  submetia-o a um brutal regime, na expectativa, mal-sucedida, de explorá-lo como um menino prodígio. Estimulado pelos seus professores, o jovem Beethoven visitou Viena, à época o grande centro mundial da música, pela primeira vez em 1787, aos 16 anos. Apresentou-se a Mozart, que ficou bastante impressionado. Em 1792, Haydn  convidou-o para ser seu aluno. Beethoven retornou então a Viena, que passou a ser a sua residência permanente. Contudo, as suas ideias pouco ortodoxas ofenderam o velho mestre, as aulas terminaram e o génio de Beethoven  levou-o a construir o seu próprio caminho.

Tanto o impressionante virtuosismo pianístico quanto as suas notáveis composições conquistaram a simpatia da aristocracia vienense e ele pôde  valer-se de generosos apoios. Mecenas e aristocratas toleravam os seus modos notoriamente grosseiros, a sua aparência desleixada e acessos de fúria. A partir do final dos anos 1790, Beethoven já não  dependia de patrocínios devido à ampla aceitação da sua música.

O ano de 1800 marcou o início de sua trágica aflição, a surdez, que se tornou total em 1817 e foi revelada no seu famoso Testamento de Heiligenstadt: “Vocês, homens, que me têm como hostil, obstinado e insociável, como são injustos! Não conhecem as causas secretas que me fazem agir deste modo. (...) fui cruelmente repelido pela dolorosa experiência de ter a audição defeituosa! (...) – falem mais alto, gritem, porque estou surdo! Como poderia divulgar a todos a falta de um sentido que eu deveria possuir em grau ainda mais elevado do que qualquer outra pessoa. (...) Estas circunstâncias levaram-me à beira do desespero e pensei, mais de uma vez, em pôr fim aos meus dias. Somente a música me deteve!”

Não poder ouvir, impediria qualquer ser humano de trabalhar com sons, e em vez de condenar Beethoven ao silêncio fez dos seus 27 anos restantes de vida os mais revolucionários da história da música. Os seus últimos trabalhos, as sinfonias, os quartetos de cordas, as sonatas para piano, foram escritos por um homem que jamais os ouviu.


A obra de Beethoven pode ser dividida em três períodos bem distintos. As obras do 1º período incluem a Primeira (1800) e a Segunda Sinfonia (1802); os primeiros três concertos para piano (1795–1800); o primeiro grupo de quartetos de cordas (1800); e várias sonatas para piano, entre elas a Patética (1798) e a Serenata ao Luar (1801). Embora as composições do primeiro período já registassem a indiscutível amplitude de recursos sonoros e a vitalidade de Beethoven, eram ainda dominadas pela tradição de Mozart e Haydn.

No começo de 1802, a obra de Beethoven assume novas dimensões. A estreia em 1805 da Terceira Sinfonia, conhecida como A Eroica, tornou-se um marco na história da arte e da cultura. Assinala uma definitiva ruptura com o passado e o nascimento de uma nova era. A extensão, estrutura, harmonias e orquestração da Eroica rompiam as convenções formais da música clássica. Sem precedentes, incorpora o sentimento do potencial humano e da liberdade, inspirado na Revolução Francesa. A sinfonia foi dedicada originalmente a Napoleão em quem via o símbolo da libertação da humanidade. Contudo, quando Napoleão se auto-proclamou imperador, desiludido o compositor  renomeou-a como “Sinfonia heróica para celebrar a memória de um grande homem”.
Os trabalhos do período intermedio, o mais produtivo, incluem os Concertos para piano No. 4 (1806) e No. 5 (Imperador, 1809); os Quartetos Razumovsky (1806); a Sonata Kreutzer (1803); e o seu único concerto para violino (1806); da 4ª a 8ª Sinfonia (1806–12); diversas sonatas para piano, entre elas a Waldstein e a Apassionata, a  única ópera, Fidelio, e as Aberturas Leonore, Coriolano e Egmont.

O terceiro período tem início em 1816 e é caracterizado por obras de grande profundidade e complexidade. Inclui a monumental 9ª Sinfonia (1817–23) que termina com o coral baseado na Ode à Alegria de Schiller, e a Missa Solemnis (1818–23). Os últimos 5 Quartetos de Cordas e a Grande Fuga, compostos nos seus derradeiros anos, são considerados por críticos como as supremas criações de Beethoven e por muitos como a mais sublime música jamais composta.

O tema da marcha fúnebre (trauermarch) do segundo movimento da Eroica foi executado nas exéquias de Franklin Delano Roosevelt em 1945, nas de Arturo Toscanini, o maestro dos maestros, em 1957, nas honras fúnebres a Mendelsohn em 1847 e nos funerais que se seguiram ao massacre de Munique durante os Jogos Olímpicos de 1972. Toscanini regeu a 5ª Sinfonia em 8 de Maio em Nova Iorque em homenagem ao Dia da Vitória. A transmissão da rendição das tropas nazis na batalha de Estalinegrado, em Fevereiro de 1943, pelo comando militar em Berlim, teve como pano de fundo o Segundo Movimento da 5ª Sinfonia.    

Fontes: Opera Mundi
wikipedia (imagens)


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Retrato feito por Joseph Karl Stieler, em 1820

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Retrato feito por Joseph Willibrord Mähler 

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Testamento de  Heilingenstadt



segunda-feira, 25 de março de 2019

A REFORMA DA PREVIDÊNCIA E OS DONOS DO PODER.


Todos aqueles que falam das dificuldades de relacionamento entre o Governo e o Congresso para aprovar a Reforma da Previdência parecem não compreender o seguinte: não se trata de nada entre Bolsonaro e Rodrigo Maia. Se o Presidente da República fosse Fernando Haddad e o da Câmara fosse Marcelo Freixo, se estivéssemos tratando da “Reforma de Gênero”, estaria acontecendo EXATAMENTE A MESMA COISA. Essa “coisa” se chama CHANTAGEM. No Brasil ela recebeu o nome de “negociação política”. Trata-se de um princípio simples – ou o Governo distribui benefícios aos Deputados, ou NÃO TEM reforma alguma. Quem quiser entender isso precisa ler “Os Donos do Poder”, do Raymundo Faoro. Aí vai ficar claro que tudo isso não tem NADA a ver com Previdência, nem com “Esquerda”, nem “Direita” nem Bolsonaro ou Rodrigo Maia. Aí alguém vai dizer: tá, mas onde é que fica o caráter republicano das relações institucionais? Onde fica a preocupação com o futuro do Brasil?

Resposta: não fica em lugar nenhum. Isso NÃO EXISTE. É uma bobagem que VOCÊ acabou de inventar! 

(Milton Pires)

25 de Março de 1918: Morre o compositor francês Claude Debussy, mestre do impressionismo.

25 de Março de 1918: Morre o compositor francês Claude Debussy, mestre do impressionismo.:

Compositor francês, Claude Debussy teve uma enorme influência na música do século XX. Nasceu a 22 de Agosto de 1862, em Saint-Germain-en-Lay, em França, e morreu a 25  de Março de 1918, em Paris, vítima de cancro. Ficou conhecido por ter quebrado a tradição do romantismo alemão, desenvolvendo um sistema original de harmonia e de estrutura musicais que expressa, em muitos  aspectos, os ideais aspirados pelos pintores impressionistas e pelos poetas simbolistas do seu tempo. As suas composições mais conhecidas são: Claire de Lune (1890-1905), Prélude à l'aprés-midi d'un faune (1894), a ópera Pelléas et Mélisande (1902) e la Mer (1905).
Aos nove anos, Debussy revelou as suas qualidades de pianista e, depois de ter sido acompanhado por Madame Mauté de Fleurville, ingressou no Conservatório de Paris. Entretanto, viveu momentos de grande turbulência. Enquanto viveu com os seus pais, nos subúrbios de Paris, numa situação de extrema pobreza, nunca esperou ficar sob a  protecção de Nadezhda Filaretovna, uma milionária russa, tocando duetos com ela e com os seus filhos. Nessa altura, viajou por toda a Europa, o que o inspirou a compor uma das suas peças mais conhecidas, Claire de Lune. O título refere-se a uma música tradicional que acompanhava as cenas do amor de Pierrot na pantomina francesa. Mais tarde esse tema influenciou-o na composição do trabalho orquestral de Images (1912) e em Sonata for Cello and Piano (1915).
As maiores influências musicais no seu trabalho vieram de Richard Wagner, de Aleksandr Borodin e de Modest Mussorgski. Os seus primeiros trabalhos revelam uma certa afinidade com os pintores pré-rafaelistas ingleses, nomeadamente em La Demoiselle Élue (1888). Posteriormente, seguindo a  concepção artística da época, de libertação das respostas emocionais e da exteriorização dos sonhos escondidos, Debussy escreveu o poema sinfónico Prélude à l'aprés-midi d'un faune (1894). Em 1902 compôs a sua única ópera, Pelléas et Mélisande, que demonstrou como a técnica de Wagner pôde ser adaptada para retratar sujeitos como as figuras do pesadelo que, nessa ópera, foram condenadas à auto-destruição. Três anos mais tarde, inspirado no pintor inglês William Turner e no pintor francês Claude Monet, compôs La Mer. Nesse trabalho, Debussy revelou uma enorme ansiedade em reunir todas as regiões exploradas pela sua mente imaginativa. Em 1908 compôs Children's Corner, revelando uma natureza sensitiva, capaz de penetrar na mente das crianças.
Nos seus últimos trabalhos, as peças para piano En blanc et noir (1915) e Douze Études, Debussy expandiu o estilo tradicional de composição que, posteriormente, foi desenvolvido por Stravinsky e por Béla Bartók. O grande papel de Debussy na história da música é o de ter revolucionado a harmonia através da criação de novos acordes.
Claude Debussy. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2013. 

wikipedia (Imagens)


Arquivo: Claude Debussy ca 1908, foto av Félix Nadar.jpg
Claude Debussy ca 1908, por Felix Nadar


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Claude Debussy ao piano





domingo, 24 de março de 2019

A desordem veste saia preta

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Deonísio da Silva, via coluna do Augusto Nunes:

O Brasil é uma caixinha de surpresas. Tuitando na rede inquieto vaga-lume verde, eis que seu voo é ameaçado pelo desentendimento entre civis de ternos bem cortados e outros, de toga preta. Será questão de uniforme?

Muitas vezes fomos governados por profissionais uniformizados, desde a deposição do primeiro e único imperador brasileiro, o carioca Pedro II, nascido no bairro de São Cristóvão, no Rio.

Mas, ao contrário de Pedro II, nossos presidentes não têm nem garantem nenhuma estabilidade. A República segue a trancos e barrancos e está na prisão o vice que se tornara presidente com a deposição da presidente cuja chapa integrara. Está na prisão também o antecessor dos dois. Ela aguarda a sua vez de depor ou de ser presa antes para isso, como o foi seu vice na semana passada.

O Brasil agora é governado com trajes civis, mas tem um soldado na presidência da República, um capitão de Exército cercado de generais, recuperando os albores da nova ordem, uma vez que desde os primeiros mandatos muitos militares têm passado pela presidência da República e pelos ministérios.

Foi no governo de um deles que foi instalada a integração do Brasil pelas comunicações, primeiramente por micro-ondas e depois por satélite, antecipando a internet que ano passado levou o capitão Jair Bolsonaro à Presidência da República.

O ministro das Comunicações a quem o general Emílio Garrastazu Médici dera a missão de unificar o Brasil foi Hygino Corsetti, oficial de Exército e descendente de italianos. Ele cumpriu a missão e em 1972, a Festa da Uva, celebrada em Caixas do Sul, sua terra natal, inaugurava a transmissão em cores na televisão brasileira.

Hoje, outro descendente de italianos, o presidente e seus ministros mais solares podem vestir-se de civis, mas só disfarçam o uniforme. O poder, não. Em qualquer democracia, quem garante o Direito é a Força. E a Força está em quem pode garantir que seja cumprido o que foi determinado pela Lei.

Não precisam dizer isso e quando o fazem dá-se um estrago na mídia, mas foram eles que intervieram sempre que a lei precisou deles para consertar a bagunça e impor a ordem para o progresso, o lema que criaram ao garantir a República com os dois primeiros marechais, Deodoro e Floriano, e depois com outros generais. Aliás, no Brasil, vice assume, e o carma segue.

O que foi determinado nas ruas nas maciças movimentações populares que destituíram aqueles e levaram esses ao poder de novo? A Reforma da Previdência? O combate à corrupção? Bom, em primeiro lugar foi determinado quem seria o Presidente!

Essas substituições vêm de longe. De batina preta, o pároco substituiu o morubixaba, enfeitado de penas coloridas e altos penachos. Logo o médico, que havia pouco tinha substituído o barbeiro, substituiria também o pajé com outras feitiçarias. Foi assim que o Brasil começou e foi assim que se formou.

Se os prezados leitores estão gostando da salada deste texto, notem que os homens de saia estão lotando as prisões com presidiários civis. Mas estão divididos. Uns querem prender, outros querem soltar. As votações decisivas têm sido de 6 x 5 para um lado ou para outro na Suprema Corte, como chamam o STF.

Soltar ou prender deveria ser normal quando determinado por homens de saia. O problema é que, tal como os primeiros homens de saia, os atuais acham que não podem ser criticados. O morubixaba deles, aliás, já pariu o primeiro monstro, determinando que seja punido quem dele discordar.

Que é isso? Até hoje, este tipo de sobressalto vinha de comandantes uniformizados de verde. Agora, a desordem veste saia preta.

*Deonísio da Silva
Diretor do Instituto da Palavra & Professor
Titular Visitante da Universidade Estácio de Sá

Hans Maier e a relação entre totalitarismo e religião

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Estado da Arte,

Hans Maier
cientista político 

O eminente Prof. Dr. Hans Maier, nascido em 18 de junho de 1931 em Freiburg im Breisgau, Alemanha, é professor Emérito de Ciência Política e Teoria Religiosa e Cultural na Universidade de Munique. Entre 1970-1986 foi Ministro da Educação e Cultura da Baviera, e entre 1976-1988, Presidente do Comitê Central dos Católicos Alemães. Possui inúmeras publicações sobre a história da igreja, o Estado administrativo moderno e a teoria do totalitarismo e das religiões políticas. Recebeu vários prêmios e medalhas, dentre eles a Medalha Constitucional da Baviera, em ouro (1999), o Prêmio Cultura da Baviera (2005) e o Prêmio Karl Jaspers (2014).

Fundamental para a compreensão dos movimentos totalitários, Totalitarianism and Political Religions: concepts for the comparison of dictatorships é uma de suas obras fundamentais. Publicadas pela Routledge em 2004 e 2012, Maier organizou e editou a coleção de três volumes traduzidos do alemão para o inglês. As obras trazem a reflexão de vários autores sobre o tema das religiões políticas em várias perspectivas analíticas. A preocupação com esse trabalho foi não apenas distinguir o comunismo, fascismo, nacional-socialismo, maoísmo, mas precisamente encontrar as características comuns a eles e a reflexão sobre a pertinência dos conceitos de totalitarismo e religião política para o século XXI.

Dr. Maier, prestes a completar 88 anos, gentilmente nos concedeu uma breve entrevista por e-mail, brindando o leitor de O Estado da Arte com considerações fundamentais para a compreensão do mundo contemporâneo, relevantes inclusive para o momento político brasileiro:

Rodrigo Coppe e Adelaide Pimenta: As relações entre política e religião são imemoráveis. No Ocidente, a diferenciação das esferas políticas e religiosas foi alcançada pelo longo processo de secularização. Como o senhor compreende esse processo?

HM: Na minha opinião, há uma “secularidade cristã”. O cristianismo, longe de ser uma contrapartida da secularidade, é na sua origem um mundo “divinizador”, um elemento secularizante. (“Dê a César o que é de César e a Deus o que é de Deus”). Historicamente, ele dissolve a unidade autoevidente da religião e da política na antiguidade, supera os antigos cultos estatais, libera a política como um campo do homem. Através do seu conceito transcendente de Deus, o Cristianismo quebra o encanto da imanência político-religiosa. Além da polis, a civitas – a “igreja” da religião antiga – a comunidade cristã emerge como o povo dos redimidos; ela nega o culto dos deuses ao imperador e “exibe” o poder dos governantes terrenos em nome de Deus. A política se torna um “trabalho da humanidade” em um sentido radical na era cristã.

RC e AP: Poderíamos dizer que a ascensão das “religiões seculares”, para usar o conceito de Raymond Aron, é uma das consequências da secularização? Por quê?

HM: O mundo secular co-criado pelo cristianismo não é um mundo secularista. Da mesma maneira que o surgimento das modernas “religiões seculares” não é uma consequência do cristianismo. As principais diferenças: de acordo com a compreensão cristã, este mundo é criado, provisoriamente, final – não é o último, mas um penúltimo (enquanto na antiguidade o cosmos era autossuficiente). Então, “mundo” e “igreja” estão em um “relacionamento” dialético entre si – especialmente do ponto de vista de sua criatividade – eles interagem, competem um com o outro, como pode ser visto, entre outras coisas, na história dos direitos humanos, mas também do estado de bem-estar social.

RC e AP: Pode-se dizer que os totalitarismos do século XX são uma herança da modernidade? Formou-se algum tipo de “padrão” de totalitarismo para os dias atuais?

HM: Para mim, o totalitarismo não é uma herança da era moderna – no máximo, a consequência de uma modernidade reincidente e perversa, que recaiu na antiga desunião entre religião e política, e nega o divórcio cristão dos poderes. O termo “totalitarismo” foi desenvolvido no século XX (antes não faz sentido). Ele ainda está de pé hoje.

RC e AP: Podemos observar, nas discussões políticas, que grupos em choque acusam uns aos outros de “totalitários”, ou mesmo “fascistas”. Parece que distorcem os fatos e denominam o outro de “totalitário” utilizando-se dos mesmos argumentos. Esse é o tipo de distorção da realidade pensado por Eric Voegelin? O senhor pode, por favor, explicar mais sobre a “segunda realidade” como descrita por Voegelin?

HM: A ciência, no sentido estrito, só é possível se houver concordância entre os grupos opostos sobre os princípios do pensamento. Se não existir, nenhuma discussão é possível. O escolasticismo, por exemplo, dizia: Contra principia negantem non est disputandum. [não se deve discutir com alguém que nega os princípios]. Isto também se aplica aos totalitarismos modernos; nenhuma conversa é possível entre eles. Sistemas totalitários excluem ao oponente o pensar. Eles se absolutizam de uma maneira fetichista.

A ideologia cria a “segunda realidade” de que Eric Voegelin fala. A ideologia nada mais é que uma crença fanática, uma imitação perversa da ciência. Com a queda dos totalitarismos (nacional-socialismo, comunismo) também sua ideologia caiu, porque não era uma realidade “real”, mas sim uma “segunda” realidade.

RC e AP: Parece que o uso da palavra “fascismo” ficou banalizado. Tudo e todos contrários aos próprios ideais são chamados de “fascistas”. Como o senhor vê isso?

HM: Em minha opinião, deve-se distinguir cuidadosamente entre comunismo, fascismo, nacional-socialismo, de um lado, totalitarismo e religiões políticas, de outro.

O comunismo, o fascismo, o nacional-socialismo são entidades políticas que estão em sua ordem cronológica desde 1917. O totalitarismo e as religiões políticas são marcas conceituais sumárias de políticos e estudiosos (inclusive Amendola, Sturzo, Heller, Voegelin, Aron).

Embora o “fascismo” tenha se tornado um termo coletivo comumente usado para o fascismo italiano e o nacional-socialismo alemão, bem como para seus Movimentos Trabalhistas na Segunda Guerra Mundial, o fascismo histórico (italiano) se presta pouco a tal uso geral. O fascismo italiano e o nacional-socialismo alemão são claramente diferentes. O fascismo italiano tinha limites de expansão que faltam no nacional-socialismo alemão; ele era organizado pelo Estado, enquanto na Alemanha a sentença era: “O partido comanda o Estado”, e “o movimento” agia sem restrições, sem restrições como a monarquia e a igreja na Itália. Os “fascis” e os Camisas Negras de Mussolini, que são reminiscentes das tradições romanas, diferem claramente da cor marrom-terrosa [em referência aos “die Braunen” ou “Braunhemden” – “marrons” ou “Camisas Marrons” do nacional-socialismo, pela cor de seu uniforme] e das bandeiras esvoaçando ao vento, dos nacional-socialistas.

Em relação aos conceitos, deve-se dizer que o “totalitário”, no sentido de uma política ilimitada, era apenas o comunismo e o nacional-socialismo. O critério mais claro é o de uso de campos de concentração e assassinatos em massa. O fascismo italiano não atinge o mesmo grau de fusão do comunismo e do nacional-socialismo. Claro, ele também é uma “religião política” (vide a própria tentativa do calendário da “Marcha sobre Roma”!) [refere-se à manifestação que levou Mussolini ao poder, quando houve a tentativa de implantar um novo calendário na Itália: a proposta seria colocar o primeiro dia do ano zero, como o dia em que a “Marcha sobre Roma” teria supostamente ocorrido: 28 de outubro de 1922].

RC a AP: O senhor considera os conceitos de “totalitarismos” e “religiões políticas” válidos para alguns movimentos na atualidade ou algo já mudou? 

HM: Eu acho que os dois conceitos não podem ser dispensados na interpretação dos movimentos políticos contemporâneos. Quero apenas relembrar exemplos grosseiros de totalitarismos recentes, como o milhão de extermínios em massa na China Vermelha de Mao Tse Tung, e no Camboja de Pol Pot.

RC a AP: Qual seria a diferença entre um líder verdadeiro e um líder totalitarista?

HM: Um líder legítimo é obrigado pela lei e pela justiça – ele renuncia quando seu tempo acabou. Ele se move em uma normalidade calculável. Um líder totalitário, por outro lado, não reconhece nenhuma restrição legal; ele mantém o poder, que possui até o fim (Hitler, Stalin, Mao). Ele se move em uma política exaltada; o poder não está mais baseado na lei, mas na ponta das baionetas: todo conflito é dirigido para o existencial “Entweder-Oder”[no português, “ou…ou”: ou isso ou aquilo].

RC e AP: Como o senhor analisa o contexto político atual e o lugar da discussão sobre os totalitarismos?

HM: Sem dúvida, o mundo de hoje é mais transparente do que na época do surgimento das ditaduras modernas. Sistemas totalitários não podem ser estabelecidos tão facilmente como costumavam ser – as preparações não passam despercebidas. Na “aldeia global” todo mundo vê o outro em casa. Mas a globalização, em particular, tem suas desvantagens: é mais fácil de penetrar, é mais vulnerável do que o Estado-Nação clássico. Ela não só abre novos caminhos para o intercâmbio comercial e científico, mas também oferece oportunidades para o crime global. Assim, um novo totalitarismo não poderia permanecer um fenômeno local, mas atuaria e agiria em todo o mundo.

Os ataques terroristas em Nova York em 11 de setembro de 2001, bem como numerosas ações terroristas desde então, confrontaram o mundo – provavelmente pela primeira vez desde as guerras religiosas do início do período moderno – com perpetradores que confiavam em instruções religiosas, sob as “ordens de Deus”. Este é um novo fenômeno de fortalecimento de poder. Inquestionável, e com certeza você não pode ser assim no mundo atual. A riqueza continuará sendo o preço da liberdade também nos tempos futuros.

Rodrigo Coppe Caldeira é Historiador e professor do Programa de Pós-graduação em Ciências da Religião da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais.
Adelaide de Faria Pimenta é psicóloga e analista junguiana, doutoranda do Programa de Pós-graduação em Ciências da Religião da PUC Minas.

POLÍBIO BRAGA - Polícia Civil do RS não diz se morte do empresário e doleiro Antônio Carlos pode ser queima de arquivo

Polícia Civil do RS não diz se morte do empresário e doleiro Antônio Carlos pode ser queima de arquivo:

O irmão de Antônio Claudio, Athos, foi identificado na emblemática Caderneta do Diógenes, como Agnus Dei (Cordeiro de Deus). Na época, governo Olívio Dutra, PT, ele dirigia o poderoso sindicato das empreiteiras do RS, o Sicepot. A família toda é muito rica e tem forte inserção junto ao empresariado industrial. A Polícia Civil gaúcha ainda não informou se a morte do empresário e doleiro CONTINUE LENDO.

POLÍBIO BRAGA - Empresário, o doleiro Antônio Claudio, teria lavado dinheiro da Odebrecht para Eliseu Padilha

Empresário, o doleiro Antônio Claudio, teria lavado dinheiro da Odebrecht para Eliseu Padilha:

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Doleiro morto em Porto Alegre teria lavado dinheiro da Odebrecht para Padilha. A morte de Antônio Claudio ocorre 72 horas depois da prisão de Michel Temer (na foto com Padilha). O doleiro Antônio Claudio Albernaz Cordeiro, conhecido como Tonico, doleiro de família rica de empreiteiros de Porto Alegre, encontrado morto na Capital, foi protagonista de prisões da Operação Câmbio, CONTINUE LENDO.

POLÍBIO BRAGA - Irmão de Athos Cordeiro, o doleiro Antonio Claudio, foi encontrado morto, hoje, em Porto Alegre

Irmão de Athos Cordeiro, o doleiro Antonio Claudio, foi encontrado morto, hoje, em Porto Alegre:

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Ele era apontado como um dos lavadores de dinheiro sujo da Odebrecht. Gilmar Mendes libertou Antônio Claudio em junho, poucos dias depois da prisão. Irmão de Athos Cordeiro, ex-presidente do Sicepot (sindicato gaúcho das empreiteiras) e ex-diretor da Fiergs, Antônio Claudio Albernaz Cordeiro, conhecido como Tonico, foi encontrado morto dentro de sua casa, em Porto Alegre, na tarde deste CONTINUE LENDO

REVISTA ISTOÉ - “Zoológico sem jaulas”, diz Joice Hasselman sobre Congresso


“Zoológico sem jaulas”, diz Joice Hasselman sobre Congresso:

A deputada Joice Hasselmann (PSL-SP), líder do governo no Congresso, afirmou que o Congresso é um “zoológico sem jaulas” e que a postura dos “gênios do PSL” não ajuda na aprovação da reforma da Previdência. Segundo o jornal Folha de S.Paulo, declaração foi durante reunião com secretários-executivos e assessores parlamentares dos ministérios na última quinta-feira (21).

A deputada tenta conseguir convencer os demais parlamentares pela aprovação da proposta. Ela disse em entrevistas que procurará a oposição para discutir um eventual apoio e que a pauta demanda união de todos os partidos independente da posição política.

Procurada para comentar o relato, a deputada não se manifestou.

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"Cabin Dreams" by Kelly Needleman

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"Cabin Dreams" by Kelly Needleman:

N. Rimsky-Korsakov. Scheherazade. Movement 4

24 de Março de 1882: Robert Koch descobre o bacilo da tuberculose

24 de Março de 1882: Robert Koch descobre o bacilo da tuberculose:

No dia 24 de Março de 1882, o médico e microbiologista alemão Robert Koch anuncia ao Instituto de Fisiologia de Berlim uma descoberta que, anos depois, mudaria os rumos da história da ciência: o bacilo da tuberculose. Tratava-se de uma experiência científica capaz de demonstrar o carácter contagioso daquilo que então se considerava o “mal do século”.

“Em função das minhas inúmeras observações, considero provado que em todos os casos de tuberculose, em pessoas e animais, são encontrados o que chamei de bacilo da tuberculose. Um microorganismo que, por meio das suas características peculiares, diferencia-se de todas as outras bactérias conhecidas”, anunciava Koch, durante uma palestra no Instituo de Fisiologia de Berlim.


Por meio do telégrafo, a notícia percorreu o mundo.  A imprensa anunciava que a causa da tuberculose fora descoberta por um médico chamado Robert Koch. Foi necessário, porém, esperar até 18 de Julho de 1921 – 39 anos após o anúncio de Koch – para ver a tuberculose recuar verdadeiramente com o fabrico da vacina BCG – vacina do Bacilo de Calmette e Guérin.

Foi Koch, na época com 38 anos, que baptizou o causador da tuberculose como “bacilo da tuberculose”. Na época, além do facto de ser maligna e infecciosa, não se sabia muito mais sobre a doença, também conhecida como tísica pulmonar, capaz de matar um paciente em poucas semanas. Outros sofriam durante anos antes de falecer.

Trabalhando com técnicas de coloração, Koch procurava tornar visível o que ninguém havia conseguido até então. Inicialmente encontrou bacilos finos em forma de bastão com sinuosidades e, finalmente, descobriu que aquela cultura, criada fora dos hospedeiros, era a responsável pela tuberculose.

Em viagem ao Egipto e à Índia, nos anos seguintes, o médico descobriu também o Vibrio cholerae, agente da cólera. Em 1885, fundou a cátedra de higiene na Universidade de Berlim e, entre 1891 e 1904, foi director do Instituto Real Prussiano para Doenças Infecciosas, designado actualmente de Robert Koch Institut. Na década de 1890, organizou uma expedição a vários países para estudar a transmissão da malária. Pesquisou várias outras doenças que acometem o homem e os animais, entre elas a hanseníase, a peste bovina, a peste bubónica e a doença do sono.

Cinco anos após ter recebido o Prémio Nobel de Medicina, morre em Baden-Baden, no dia 27 de Maio de 1910.


Fontes: Opera Mundi

wikipedia (imagens)


Robert Koch (terceiro, da direita para a esquerda) na expedição médica alemã ao Egipto, para estudar a epidemia de cólera (1884)

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Robert Koch em 1900
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sábado, 23 de março de 2019

URGENTE: Presidente Bolsonaro retruca Rodrigo Maia, defende Forças Armadas e manda recado para a mídia

URGENTE: Presidente Bolsonaro retruca Rodrigo Maia, defende Forças Armadas e manda recado para a mídia:



O presidente da República, Jair Bolsonaro, foi enfático ao retrucar ataques de Rodrigo Maia, presidente da Câmara. Bolsonaro abordou não apenas a Reforma da Previdência, como também ataques de Maia às Forças Armadas.

"A bola está com ele. Não está comigo. Eu fiz a minha parte. O compromisso dele, regimental, é de despachar e fazer o projeto andar na Câmara (...) Ele está desprestigiando as Forças Armadas dessa maneira? Ele falou isso mesmo? Nós não falamos em guerra com ninguém. Em algum momento eu falei em guerra? Não falei. Ele está completamente desinformado. Eu até perdoo o Rodrigo Maia pela situação pessoal que ele está vivendo", afirmou o presidente Jair Bolsonaro. Moreira Franco, preso nesta semana na mesma operação que prendeu o ex-presidente Michel Temer, é sogro de Rodrigo Maia.

Bolsonaro ressaltou, ainda, a guinada ideológica que atravessa a América Latina, livrando-a das garras do comunismo e promovendo a liberdade individual e a prosperidade.

11 séries para ver na Netflix que ensinam mais que aulas de história

11 séries para ver na Netflix que ensinam mais que aulas de história:

11 séries para ver na Netflix que ensinam mais que aulas de história
Além de serem uma das
melhores opções de diversão e entretenimento para o tempo livre, as séries
também podem ser fonte de conhecimento. Dentre produções biográficas e ficções
ambientadas em grandes momentos da humanidade, é possível aprender muito sobre
história. A Revista Bula vasculhou o catálogo da Netflix e reuniu em uma lista dez
ótimas séries históricas. Entre elas, destacam-se “Versailles” (2015), de Simon Mirren e David Wolstencroft; e “The
Crown” (2016), dirigida por Peter Morgan
e Stephen Daldry. A seleção priorizou títulos que foram bem avaliados pela
crítica e pelos usuários do serviço de streaming. As séries estão organizadas
de acordo com o ano de lançamento.

Tróia: A Queda de Uma Cidade (2018), David Farr
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Paris, príncipe de Tróia, tem um encontro com a deusa Afrodite, que promete lhe dar a mulher mais bonita do mundo. Tempos depois, ao tentar um acordo diplomático com Esparta, Páris visita o palácio do Rei Menelau. O príncipe se apaixona por Helena, a rainha espartana, e resolve levá-la para Troía, deixando Menelau enfurecido. Assim, a paixão entre Páris e Helena dá início ao cerco dos gregos à cidade de Tróia, uma guerra que durou dez anos.
Knightfall (2017), Richard Piers Rayner e Don Handfield
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Durante a queda da cidade de Acre, em Israel, no ano de 1921, a Ordem dos Cavaleiros Templários tenta escoltar o Santo Graal para fora da cidade. O navio que carrega a relíquia é atingido, e o cálice sagrado se perde no fundo do mar. Assim, o grupo é derrotado e expulso da Terra Santa. Quinze anos depois, Landry, um ex-cavaleiro, recebe a notícia de que o Santo Graal reapareceu e se esforça para reestabelecer a Ordem.
Império Romano (2016), Jeremiah Murphy, Peter Sherman e Tim W. Kelly
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Baseados em fatos históricos, os episódios são mesclados entre drama e documentário. A série conta a história do reinado de Cômodo, imperador responsável pelo início da queda do Império Romano. Treinado por seu pai, o imperador Marco Aurélio, para sucedê-lo, Cômodo assume o reino, mas não agrada a todos e sofre uma traição que abala seu governo. A 2ª temporada aborda o reinado de Júlio César.
The Crown (2016), Peter Morgan e Stephen Daldry
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Filha do rei George VI, Elizabeth II sabe que não terá uma vida comum. Após a morte do pai, ela dá seus primeiros passos em direção ao trono inglês, começando pelas audiências semanais com os primeiros-ministros. Ao longo dos episódios, a série acompanha a jornada da rainha até os dias atuais. “The Crown” é o drama mais caro já produzido pela Netflix.
The Last Kingdom (2015), Stephen Butchard
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A série é ambientada em 872, quando muitos dos reinados que hoje compõem a Inglaterra são tomados pelos vikings. A história acompanha o jovem Uhtred, que nasce como um nobre, mas acaba sendo sequestrado pelos vikings depois de se tornar órfão. Após a morte da família que o criou, Uhtred precisa se decidir entre ficar com os vikings ou tentar reconquistar o reino que um dia foi seu.
Versailles (2015), Simon Mirren e David Wolstencroft
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A série é ambientada no ano de 1667. Aos 28 anos, o rei Luís XIV é assombrado pelo trauma das guerras civis que presenciou na infância. Quando os nobres de Paris começam a se rebelar contra a monarquia, ele decide mudar a corte para Versalhes, o antigo alojamento de caça de seu pai. Os episódios acompanham as intrigas e paixões de Luís XIV, enquanto ele transforma Versalhes no maior palácio do mundo.
Marco Polo (2014), John Fusco
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No século 13, o mercador italiano Marco Polo embarca com seu pai em uma jornada épica até a corte de Kublai Khan, conquistador mongol neto do grande Gengis Khan, que dominou o norte da China e fundou a Dinastia Yuan. O objetivo dos dois é conhecer novas terras e vender especiarias. Após ser traído pelo pai, que o abandona, Polo se torna um empregado de Kublai Khan.
Outlander (2014), Ronald D. Moore
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A série é baseada nos livros da autora Diana Gabalson. A trama acompanha Claire, uma enfermeira na Segunda Guerra Mundial. Após o fim do conflito, ela viaja com o marido, com o objetivo de se reaproximarem. Durante um passeio, Claire encontra um portal do tempo e é transportada para a Escócia de 1743. Nessa nova realidade, Claire se apaixona pelo jovem guerreiro escocês Jamie Fraser.
Reign (2013), Stephanie Sengupta e Laurie McCarthy
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A série acompanha a vida de Mary, a jovem rainha da Escócia. Após passar anos escondida em um convento, ela é enviada à França para se casar com o príncipe Francis, futuro rei do país, numa tentativa de unir as duas nações. Ao chegar na Corte Francesa, Mary descobre que sua estadia não será pacífica e precisa encontrar uma forma de salvar a si mesma em meio a um turbilhão de intrigas políticas e escândalos sexuais.
Vikings (2013), Michael Hirst
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A série é inspirada nas histórias de invasões, comércio e exploração da Escandinávia medieval, e no lendário viking Ragnar Lothbrok, um dos mais conhecidos heróis nórdicos. Após ataques bem-sucedidos na Inglaterra, Ragnar ascende ao poder e se torna o Rei da tribo dos Vikings. Para conquistar outras nações, ele conta com o apoio de outros guerreiros e de sua família, incluindo seu irmão, Rollo, e suas duas esposas, a escudeira Lagertha e a princesa Aslaug.
Spartacus (2010), Steven S. DeKnight
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A série é centrada em Spartacus, um escravo de guerra romano, que liderou uma revolução na Roma Antiga. Após ser capturado, ele é separado da sua esposa e filho, que são colocados à venda. Depois, Spartacus é condenado a morrer na arena de gladiadores, mas surpreendentemente vence os seus quatro oponentes. Tudo o que ele deseja é a sua família de volta, e vai lutar com todas as suas forças para recuperá-la.

POLÍBIO BRAGA - 12 juízes fazem ato público em Curitiba para apoiar o líder corrupto do PT, o prisioneiro Lula da Silva

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12 juízes fazem ato público em Curitiba para apoiar o líder corrupto do PT, o prisioneiro Lula da Silva:

Este juiz federal foi dar apoio a um notório corrupto, condenado a 25 anos de cadeia em dois julgamentos. No período da tarde, reservado às visitas, o juiz federal Edevaldo de Medeiros, titular da 1ª Vara de Itapeva (SP), conversou com o prisioneiro por corrupção. Nesta quinta-feira de manhã, uma comissão formada por 12 juízes federais, estaduais, do trabalho e desembargadores, esteve em Curitiba para manifestar apoio ao condenado por corrupção e lavagem de dinheiro Lula da Silva. 

Foi um espetáculo patético, ilegal e escandaloso. O CNJ vai punir todos eles.

No final da tarde, um tenente da PM abordou um dos líderes do movimento afirmando que teria “uma ordem judicial proibindo qualquer direito que tinha (sic) em relação às manifestações”. Disse ainda que, caso o evento fosse realizado, “eles seriam obrigados a prender os líderes”. Foi enfático na afirmação que “nesta noite não vai ter o boa noite Lula. Não vai ter”. Neste instante, o juiz federal Edevaldo de Medeiros se apresenta e diz que, “caso os manifestantes fossem presos, ele também teria de ser, uma vez que iria participar do ato”. Ao que o militar respondeu que “se tiver que ser preso o senhor sabe que vamos agir e depois procurar o direito de cada um”. 

O ato acabou sendo realizado.

REVISTA VEJA - O anexo zero

O anexo zero:

O embate entre procuradores da Lava-Jato e ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) parecia ter atingido seu ponto de ebulição quando o ministro Gilmar Mendes chamou os membros do Ministério Público de “cretinos” e “desqualificados” durante uma sessão da Corte. Na verdade, o conteúdo de uma proposta de delação premiada ainda sob sigilo tem potencial para aumentar muito mais a temperatura do conflito. VEJA apurou que o empresário Jacob Barata, conhecido como “rei do ônibus” no Rio de Janeiro, envolveu em sua delação o ministro Luiz Fux, do STF, ao informar que um ex-assessor do magistrado teria sido o destinatário de alguns milhões de reais para ajudar a influenciar uma decisão judicial. A acusação não trazia nenhum outro detalhe, mas os procuradores viram aí uma chance de alcançar um objetivo que perseguem desde os primórdios da Lava-­Jato: atingir o STF.

Acusado de pagar mais de 140 milhões de reais em propinas nas últimas três décadas, Barata começou a tentar um acordo de delação com o Ministério Público do Rio em 2017. Desde então, seus advogados já redigiram mais de três dezenas de “anexos”, como são chamados os capítulos que resumem os segredos que o colaborador pretende revelar. Em abril de 2018, apresentaram a primeira leva. O empresário se comprometia a revelar pagamentos de suborno e contribuições clandestinas de campanhas para vários agentes públicos. Os investigadores não demonstraram maior interesse pela delação porque a maioria dos casos e personagens que Barata desejava delatar já era conhecida. Os procuradores queriam nomes novos, ou, nas palavras de um dos negociadores do acordo, nomes de “pessoas importantes”, nomes de “autoridades do Judiciário”.

Durante as conversas, o Ministério Público jamais disse qual autoridade do Judiciário estava buscando, mas os negociadores entenderam: era Gilmar Mendes. Afinal, o ministro fora padrinho de casamento de uma das filhas de Barata e, nos oito meses anteriores, lhe concedera três habeas-corpus consecutivos para libertá-lo da prisão. Os procuradores, que pediram a suspeição de Gilmar nos processos envolvendo Barata, acreditavam que as ligações do ministro com o empresário iam além de uma festa de casamento. Mas Barata, mesmo querendo emplacar sua delação para reduzir a pena de prisão, nunca relatou nada que pudesse comprometer o ministro.

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DELAÇÃO – O empresário Jacob Barata: relato de reunião em que se discutiu propinaEstadão Conteúdo

Em agosto do ano passado, o empresário e seus advogados fizeram uma nova tentativa de acordo. Informaram que, finalmente, tinham algo que poderia interessar os procuradores. A história era a seguinte: em 2011, Barata participou de uma reunião do conselho de administração da Fetranspor, entidade que reúne os empresários de ônibus do Rio de Janeiro. Na ocasião, o então presidente do conselho da Fetranspor, José Carlos Lavouras, disse que precisava sacar dinheiro do caixa da entidade para repassá-lo a um assessor do ministro Luiz Fux. O objetivo, segundo Lavouras, seria “influenciar” decisões de interesse da Fetranspor. Só isso. Barata não sabia dizer qual o processo judicial que despertava o interesse da federação, não sabia o montante que teria sido sacado do caixa, nem mesmo se o pagamento teria sido realmente feito. No fim do anexo, seus advogados informaram que, na época do suposto repasse, o assessor do ministro chamava-se José Antônio Nicolao Salvador. Mesmo vaga, a história foi reunida em um anexo classificado como “confidencial” e apresentado à Procuradoria-Geral em Brasília. É o “anexo zero” da tentativa de delação de Barata.

Empossado no STF em março de 2011, o ministro Luiz Fux analisou apenas um processo que, aparentemente, poderia ser do interesse da Fetranspor. Ele discutia se o INSS estava ou não autorizado a cobrar das empresas a contribuição previdenciá­ria sobre o valor do vale-transporte pago em dinheiro. O STF, um ano antes, havia decidido a favor das empresas, mas a Fetranspor queria que a sentença deixasse claro que a medida era extensiva a quem usava vale-trans­porte em cartão. Em dezembro de 2011, quando Fux tinha apenas nove meses de tribunal, o plenário do STF confirmou a sentença a favor das empresas de ônibus por unanimidade. Especialistas consultados por VEJA dis­seram que a decisão era totalmente previsível. Por isso a acusação contra Fux não parece fazer sentido. Afinal, por que alguém pagaria “alguns milhões de reais” para “influenciar” uma decisão que já estava ganha?

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TESTEMUNHA - Lavouras, em imagem de TV, em Portugal: foragidoReprodução

De acordo com as investigações da Lava-Jato, José Carlos Lavouras, o sujeito que pediu para sacar dinheiro da Fetranspor, era um dos responsáveis pelo caixa do qual saíam as propinas pagas pela entidade a servidores públicos corruptos. Em 2017, Lavouras foi preso em Portugal, mas sua extradição para o Brasil foi negada, já que ele tem também cidadania portuguesa. Como Barata não tem prova alguma do suposto pagamento ao assessor de Fux, a confirmação da história depende agora exclusivamente de Lavouras — que continua vivendo fora do Brasil e não tem planos de voltar ao país, onde é procurado pela polícia. A Procuradoria-­Geral, questionada por VEJA, disse que não vai comentar o caso. Consultada, a defesa de Barata nega que esteja negociando uma delação.

A informação de que um anexo colocava o ministro Fux em situação suspeita chegou aos ministros do STF — e ali produziu a certeza de que a Lava-­Jato está promovendo uma orquestração para desacreditar a Corte. Em fevereiro, em entrevista à revista Época, Gilmar Mendes disse que um colega do STF estava sendo “chantageado” pelos procuradores, mas não revelou a identidade do ministro. Era Fux, que conversara com Gilmar depois de ouvir, ele próprio, alguns rumores sobre o conteúdo da delação de Barata. Na conversa, Gilmar, crítico mordaz dos métodos de investigação da Lava-Jato, alertou o colega. “Estão tentando te comprometer”, disse. E chamou sua atenção para a proliferação de notícias com insinuações de que novas delações realizadas no Rio envolveriam autoridades da Justiça.

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NO STJ –  Humberto Martins: filho do ministro é citado em proposta de delaçãoAgência Brasil

Procurado por VEJA, Fux confirmou a conversa com Gilmar Mendes, disse que de fato ouviu rumores mas garantiu que nunca foi “chantageado”. E completou: “Não se pode sujar o nome de um ministro assim. O Supremo precisa se unir e tomar uma posição incisiva contra esse tipo de ataque. A Corte e os ministros não podem ser desrespeitados dessa maneira”. Luiz Fux confirmou que trabalhou com Salvador por mais de duas décadas e que ele chegou a chefiar seu gabinete em Brasília, mas foi afastado em 2016. A demissão — embora tenha ocorrido cinco anos depois do suposto pagamento da Fetranspor — deixa no ar suspeitas incômodas. Diz o ministro: “Eu o demiti depois que funcionários denunciaram que ele parecia ostentar um padrão de vida superior ao que o seu salário permitia”. VEJA ouviu o ex-­assessor. Ele considerou a citação de seu nome no caso “uma viagem”, afirmou que não conhece Barata, não sabe o que é Fetranspor e que ouviu falar de Lavouras apenas pela televisão. Salvador também garantiu que não foi demitido. “Eu recebi um convite pa­ra ir para o Executivo. Esse foi o único motivo da minha saída”, disse, lembrando que tem grande admiração por Fux. “Ele é meu amigo. Tenho o maior carinho por ele. Devo um monte de coisa a ele.”

Há outro caso em que os procuradores parecem ter pressionado um delator a envolver o Judiciário. Preso em fevereiro de 2018 sob a acusação de corrupção e lavagem de dinheiro, Orlando Diniz, ex-presidente da Federação do Comércio do Rio, contou ter pago mais de 25 milhões de reais para “influenciar” decisões no Superior Tribunal de Justiça (STJ). Os procuradores acharam que, finalmente, o nome de algum magistrado seria envolvido, mas, na hora de descer aos detalhes, a delação emperrou. Diniz afirmou que não efetuou pagamento a nenhum ministro, mas sim a um escritório de advocacia em Brasília, cuja missão seria fazer o trabalho de “influência” no STJ. O escritório pertence ao ad­vogado Eduardo Martins, filho de Hum­berto Martins, ministro do STJ e corregedor nacional de Justiça. Para fecharem a delação, os procuradores queriam que Diniz reconhecesse que o pagamento ao advogado era, na verdade, destinado a Humberto Martins ou a outros juízes do STJ. Diniz disse que não tinha como saber. A delação melou. Naquela época, o processo de maior interesse da Fecomércio no tribunal se referia a uma disputa pelo comando do Sesc e do Senac do Rio. Diniz obteve uma decisão favorável. Humberto Martins não participou do julgamento, mas, no dia seguinte, Eduardo Martins recebeu parte dos honorários. Procurado, o ministro disse que não atua em nenhuma causa de seus filhos no tribunal.

Os esforços dos procuradores para chegar ao Judiciário não são recentes. Ex-presidente da OAS, o empreiteiro Léo Pinheiro, condenado a 37 anos de prisão, conseguiu fechar um acordo de delação depois de quase quatro anos de tentativas. Em 2015, o empreiteiro procurou o Ministério Público pela primeira vez. Ofereceu-se para confirmar, entre outras coisas, a história do sítio de Atibaia, que mais tarde custaria ao ex-presidente Lula uma condenação a doze anos e onze meses de cadeia. Em agosto de 2016, Léo Pinheiro fez uma nova tentativa. Na época, VEJA tinha revelado que o empreiteiro também entregara um anexo em separado, semelhante ao de Barata sobre o ex-assessor de Fux. O documento informava que o ministro Dias Tof­foli, atual presidente do STF, teria recebido um favor da OAS. Pinheiro contou que, certa vez, enviou uma equipe de técnicos da empreiteira para solucionar uma infiltração na residência do ministro. Quando a história veio à tona, as negociações foram encerradas. O anexo fora apresentado por exigência dos procuradores de Curitiba.

No acordo de colaboração de Léo Pinheiro, fechado recentemente, a citação ao presidente do STF sumiu. No entanto, segundo uma reportagem pu­blicada pelo jornal Folha de S.Paulo, um dos anexos envolve o Judiciário. O empreiteiro revelou ter pago 1 milhão de reais a Eduardo Martins — sim, o mesmo Eduardo Martins — para que ele conseguisse retirar da pauta de julgamento um processo que envolvia a empreiteira no STJ. O relator do caso, dessa vez, era o ministro Humberto Martins — e a retirada de pauta de fato ocorreu a pedido do ministro. Esse anexo não constava da proposta inicial de delação de Léo Pinheiro. Ele apareceu durante a negociação do acordo, agora bem-sucedido, entre os advogados e os procuradores.

Publicado em VEJA de 27 de março de 2019, edição nº 2627

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Será que Toffoli vai mandar investigar? Revista acusa ministro Fux de envolvimento com réu da Lava Jato

Será que Toffoli vai mandar investigar? Revista acusa ministro Fux de envolvimento com réu da Lava Jato:


A revista Veja publicou uma suposta denúncia envolvendo o ministro Luiz Fux, do STF …

Ninguém deu bola para a matéria da revista … nem a própria mídia marrom.

Segundo a publicação, uma delação de Jacob Barata (réu na Lava Jato) teria “envolvido o ministro Luiz Fux, ao informar que um ex-assessor do magistrado teria sido o destinatário de alguns milhões de reais para ajudar a influenciar uma decisão judicial. A acusação não trazia outros detalhes”.

O suposto vazamento da tal denúncia ocorre às vésperas do julgamento do STF que pode resultar na soltura de Lula (e de centenas de outros criminosos).

Será que Dias Toffoli vai mandar investigar a Veja e verificar quem seria o suposto vazador da tal informação?

Luiz Fux declarou que está “chocado com tamanha leviandade” e a tal informação não se baseia numa delação, mas numa proposta de delação.

Jacob Barata

Apelidado de ‘Rei do Ônibus’, o empresário teve sua prisão revogada 3 vezes pelo ministro Gilmar Mendes.

No último ano, o Estadão publicou uma matéria relatando que a força-tarefa da Lava Jato encontrou o número do telefone da esposa de Gilmar Mendes na agenda do celular de Jacob.

Deu pra entender a lógica da matéria da Veja, prezado internauta?

Será que alguém (de dentro do STF) vazou uma informação (falsa???) para tirar o foco de Gilmar e jogar os holofotes sobre o ministro Fux ???

E agora Toffoli ?






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ESTADÃO AFIRMA que "O Estado de Direito agredido" com a PRISÃO de TEMER

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Editorial do Estadão:

A possibilidade de que um juiz determine a prisão de uma pessoa simplesmente porque esse é seu desejo agride frontalmente o Estado Democrático de Direito. Em tese, esse risco não deveria existir no País, tendo em vista as garantias e liberdades asseguradas pela Constituição. No entanto, tal perigo não apenas existe, como vem se tornando assustadoramente frequente nos últimos anos. Magistrados têm decretado prisão preventiva sem que os requisitos legais estejam preenchidos, numa evidente configuração de abuso de poder. A lei processual é ignorada. Os fatos pouco importam. O que prevalece é o arbítrio do juiz.

Na quinta-feira passada, houve mais um caso de abuso da prisão preventiva. O ex-presidente Michel Temer, o ex-ministro Moreira Franco e outros investigados por suposta formação de cartel e pagamento de propina a executivos da Eletronuclear foram presos por ordem do juiz Marcelo Bretas, da 7.ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro, que não apontou nenhum elemento atual que justificasse a prisão preventiva. Ao longo de 46 páginas, fica evidente que o fundamento da medida é simplesmente a vontade do juiz de mandar prender.

De acordo com a lei, a destruição de provas por parte de uma pessoa investigada pode ser motivo para a decretação de sua prisão preventiva. No entanto, o Ministério Público não demonstrou a destruição de provas na investigação sobre a Eletronuclear. Ao decretar a prisão, o juiz Marcelo Bretas cita uma diligência, feita em maio de 2017, na qual “alguns escritórios da empresa passavam por limpeza diária, sendo os funcionários orientados a manter os ambientes vazios; além disso, o sistema de registro de imagens da empresa também não gravava a movimentação diária (ou eram apagadas)”.

A partir dessas informações, que sozinhas nada incriminam os principais envolvidos no episódio, o juiz da 7.ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro constrói o seguinte quadro: “Este fato parece indicar que os investigados estão agindo para ocultar ou destruir provas de condutas ilícitas, o que reforça a contemporaneidade dos fatos, bem como a necessidade da medida mais gravosa (a prisão)”. O que se vê é o oposto do que diz o magistrado. Não há nada a indicar a contemporaneidade dos fatos, já que, em relação à destruição de provas, o Ministério Público apresentou apenas uma diligência de 2017.

Não cabe mandar prender uma pessoa porque um fato “parece indicar” determinada conduta. Deve haver maior solidez probatória. Na decisão, o juiz Marcelo Bretas utiliza 18 vezes o verbo parecer – “parecem ter feito”, “parecem estar vinculados”, etc. –, deixando em evidência a frágil ligação entre os fatos investigados e as conclusões a que o Ministério Público deseja chegar, como a existência da tal organização criminosa de quatro décadas, chefiada por Michel Temer. Se de fato existiu essa organização, é dever do Ministério Público apresentar as provas – e não apenas ilações.

É preocupante que as instituições do sistema de Justiça, Ministério Público incluído, estejam trabalhando com tão pouco rigor técnico e tão sobrado arbítrio, numa confusão entre realidade e ficção. O próprio juiz reconhece que a “análise (...) sobre o comportamento de cada um dos requeridos é ainda superficial”. Como se pode decretar prisão – ainda mais sem prazo determinado – com base em análise superficial?

O caso baseia-se na delação de José Antunes Sobrinho, que narrou “pagamentos indevidos” em 2014 e que contariam com a anuência do ex-presidente Michel Temer. Trata-se de uma história que o Ministério Público tem o dever de apurar. Caso contrário, ele terá apenas uma delação, que, como se sabe, é insuficiente para condenar uma pessoa. 

Na tentativa de suprir a ausência dos requisitos legais para a prisão preventiva, a decisão do juiz Bretas é pródiga em condenar a gravidade dos supostos crimes, num falatório que mais parece um comício. Não há dúvida de que a corrupção produz muitos danos ao País e deve ser combatida com diligência. Precisamente por isso, é necessário que a Justiça trabalhe seriamente e dentro da lei. Em vez de trazer paz e segurança, o arbítrio judicial é grave usurpação do poder estatal para fins alheios à ordem jurídica. Merece, assim, a mais cabal reprovação.