Ataque Aberto

"O maior inimigo da autoridade é o desprezo e a maneira mais segura de solapá-la é o riso." (Hannah Arendt 1906-1975)

domingo, 9 de agosto de 2020

A SEGUNDA TRAGÉDIA PROVOCADA POR BOLSONARO.


Grande Prof. José de Alcântara Vieira Souto e Magalhães, MD, PhD e FdP - Titular de Medicina Quântica Transcendental Hegemônica na USP, UFRGS e UFRJ e, ao mesmo tempo, Conselheiro do CFM em Brasília. Na primeira foto (à esquerda do leitor) está "passando round com alunos", na outra foi visto em Paris num café antes do "Show do Chico Buarque"...Ah, Tre bien! C'est la vie, mon ami!

(Milton Pires)


Que Jair Bolsonaro tem responsabilidade DIRETA, que ele deveria ser julgado por crime contra o povo brasileiro e imediatamente destituído da Presidência da República em virtude dos horrores, das barbaridades que disse, promoveu e fez durante a epidemia de Insuficiência Respiratória Aguda (é assim que eu vou chamar a COVID19, não gostou, não leia) que aterroriza o país não é coisa que pretendo discutir aqui.

Este artigo não trata dos cem mil brasileiros mortos, da responsabilidade que um fascista genocida como Bolsonaro tem nisso nem da força, do oxigênio, da sobrevida que isso constitui diretamente para Organizações Criminosas ligadas ao Tráfico de Cocaína e ao Terrorismo na América Latina que se apresentam como “PT”, “PSOL” ou “PC do B.”

Disso todo mundo já sabe e não me interessa se todo mundo concorda ou não. Azar de quem não concorda. Eu NUNCA escrevo coisas esperando “aprovação” e “aplausos” de quem lê...

O objetivo destas linhas é outro.

Eu quero aqui escrever sobre um segmento muito específico e muito poderoso que existe dentro da Sociedade Brasileira, um meio que até então vinha sendo muito pouco examinado no que dizia respeito ao seu papel político – o meio das ciências biológicas e exatas.

Nunca se falou tanto em “curva epidemiológica”, em “ensaio clínico” em “unidade de terapia intensiva”, “respiradores” e por aí vai…

O Brasil INTEIRO começou, ou pensa que começou, a discutir, de uma hora para outra, Medicina Intensiva, Farmacologia, Bioestatística e Epidemiologia Clínica.

Mais do que isso: começou a discutir os próprios fundamentos do método científico! Que chique, hein? Daqui a pouco teremos até comentarista de futebol e participante do BBB20 falando em Karl Popper!

Certa vez um cafajeste, um verme de esquerda formado em Medicina, que foi meu chefe dentro de uma UTI de um Hospital comandado pelo PC do B aqui em Portoalegrado, a Pyongyang dos Pampas, disse que tinha que “dar uma aula sobre Karl Popper e o Método Científico"...rss…

Pobre diabo...Mas valeu a lembrança: nunca mais me esqueci desse exemplo mostrando a ligação entre vermes da esquerda e a ciência...

Pois é...rss...mas onde eu estava mesmo? Ah, lembrei! Vamos ao que interessa!

O negócio é o seguinte – a maioria, a gigantesca maioria das pessoas que eu, em 26 anos como médico, conheci no Brasil e que está “mexendo com essas coisas de método científico” é de Esquerda!

Sim! É de Esquerda, sim! São médicos, biólogos, bioquímicos, físicos, matemáticos, enfim: gente que tem um perfil bem diferente dos maconheiros cabeludos com “opção de gênero alternativa” que nós todos conhecemos da Ciência Política, da História, da Filosofia...enfim: “das Humanas”…

Aí você, que já leu o texto até aqui, vai dizer o seguinte: “tá, mas e daí??”

Daí, meu amigo, é o seguinte:

O fato deles serem Vagabundos Petistas, deles terem votado em Haddad, Alexandre, Padilha, Maria do Rosário...de serem eternos eleitores da ralé, da escória do PSOL e do PC do B, NÃO faz deles pessoas “loucas o suficiente” para errarem nas coisas que estão dizendo sobre a COVID19, entendeu?

Sabe por quê? Porque o Vagabundo Petista dessa área, especificamente DESSA área, é de altíssimo nível! Ele é um Vagabundo Petista que vai no Show de Chico Buarque em Paris e vota no Lula aqui, merrmão...Ele é a favor de médico cubano COM Revalida, mas assina manifesto em “defesa da Dilma” - É...ele é o “crème de la crème” ...Não é pra qualquer um ser Vagabundo Petista nesse nível, hein?

Não entendeu?

Então vou explicar de outra forma. Anota aí: o que eles estão dizendo aos berros na mídia sobre isolamento social, máscara, sobre essa picaretagem toda de cloroquina e o delírio do ozônio é VERDADE!!!

Vou repetir: é VERDADE. Estas pessoas são cientistas, mas não deixam o seu Vagabundismo Petista, sua Militância Gay ou a favor da Maconha comprometer os fundamentos mais básicos das coisas que eles estudam e dominam correta e profundamente.

Em outras palavras: se o PT “mandar” estes petistas das exatas e da área de farmacologia “falsificarem” dados de pesquisa sobre a COVID19, eles NÃO vão fazer isso, não!

Eles vão dizer o seguinte: “opa, opa! Peraí, companheiro: falsificação da realidade é lá nas Humanas. Aqui a gente NÃO vai fazer isso! Primeiro porque fica chato pra gente, segundo porque não tem como a gente fazer isso com classe, tá entendendo?”

Aí você vai dizer: “Ah, mas e o “Lancetgate”??

Cara, não tem petista dentro do Lancet! Sinto muito eu lhe dizer isso...Eu sei que no seu delírio de “Terra Plana” e de “rock como manifestação demoníaca”, tem...mas na realidade NÃO tem…Você deveria procurar um psiquiatra e iniciar com medicação...Lamento lhe dizer isso...

O que isso que eu escrevi tem a ver com Bolsonaro? Por que eu estou chamando isso de “segunda tragédia”??

Porque a “primeira tragédia” foi o rumo que a loucura, o delírio fascista, a arrogância e a prepotência de Bolsonaro determinaram na condução das medidas de prevenção que ele tinha OBRIGAÇÃO de tomar e não tomou para proteger a vida dos brasileiros. Como consequência 100 mil morreram.

A segunda tragédia é a “munição científica” que este imbecil está dando aos Vagabundos Petistas dentro da Medicina e da Saúde Pública Brasileira que, neste caso (vou repetir: neste caso) estão dizendo a VERDADE sobre a COVID19.

Sabe o que o pessoal da Medicina, da Estatística, da Matemática, da Biologia que é Vagabundo Petista fanático vai fazer? Vai pegar todos os dados científicos irrefutáveis e vai entregar nas mãos dos amigos deles das “Humanas” dentro das Universidades. Quem vai fazer o trabalho político de colocar isso no papel são os maconheiros e loucos varridos da História, da Filosofia, da Ciência Política...enfim: gente que faz cocô no meio da rua...Pra essa gente vai ser um presente que o “Mito” de vocês, bolsofascitas fanáticos, está dando nas mãos.

Em 22 isso vai ser usado. Eu garanto a vocês: vai ser muito bem usado. Como consequência, 100 milhões de brasileiros vão querer votar nos Vagabundos Petistas, do PSOL e do PC do B. Ou, se acharem que eles são cabeludos demais, “gays demais” ou maconheiros demais, votam na “versão light” deles – votam na ralé do PSDB.

Essa é a “segunda tragédia” que o Psicopata Fascista, o “Mito” de vocês, está preparando para o Brasil, “talquei”?

Porto Alegre, 9 de agosto de 2020.

Coronavirus: Brazil passes 100,000 deaths as outbreak shows no sign of easing

Coronavirus: Brazil passes 100,000 deaths as outbreak shows no sign of easing:

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The Covid-19 outbreak shows no sign of easing but cities have already reopened shops and restaurants.

Brazil has recorded more 100,000 deaths linked to Covid-19, the world's second-highest figure, as the outbreak in the country shows no sign of easing.
The virus killed 50,000 people in three months, but that number doubled in just 50 days. There have been more than three million confirmed cases so far.
The pandemic is yet to peak but shops and restaurants have already reopened.
President Jair Bolsonaro has downplayed the impact of the virus and opposed measures that could hit the economy.
The far-right leader, who caught the disease himself and recovered, fought restrictions imposed by state governors to curb Covid-19, and has frequently joined crowds of supporters, at times without a face mask.
Experts have complained of a lack of a co-ordinated plan by the Bolsonaro government as local authorities now focus on restarting the economy, which is likely to boost the spread of the virus.
The federal government's response is being led by an army general who has no experience in public health. Two earlier health ministers, both physicians, left the job after disagreeing with the president over social distancing measures and the use of hydroxychloroquine as a treatment, though studies say it is ineffective and even dangerous.
President Bolsonaro - who has called Covid-19 a "little flu" and has been criticised at home and abroad for his response to the outbreak - said he recovered from his own infection thanks to the anti-malarial drug.



Media captionBrazil's former health minister speaks out

Brazil has had 100,477 virus-related deaths and 3,012,412 cases, according to the health ministry, though the numbers are believed to be much higher because of insufficient testing. Only the United States has higher figures.
"We should be living in despair, because this is a tragedy like a world war. But Brazil is under collective anaesthesia," Dr José Davi Urbaez, a senior member of the Infectious Diseases Society, told Reuters news agency.
"The government's message today is: 'Catch your coronavirus and if it's serious, there is intensive care.' That sums up our policy today."

A handout photo made available by the Brazilian presidency in which Brazilian President Jair Bolsonaro is received by hundreds of people on a visit to the city of Sao Raimundo NonatoImage copyrightEPA
Image captionPresident Bolsonaro greeted supporters in his first trip after recovering from Covid-19 last month

There are fears the disease is spreading faster in deprived neighbourhoods and remote areas, such as indigenous communities, where access to adequate health care is difficult.
In a tribute to victims on Saturday, the non-governmental group Rio de Paz placed crosses on the sand on Rio de Janeiro's famed Copacabana beach and released 1,000 red balloons into the sky.
Senate Speaker Davi Alcolumbre announced four days of mourning in Congress but President Bolsonaro has not yet commented. Earlier this week he said he was sorry for all the deaths but suggested "we should carry on with [our] lives".

Banner image reading 'more about coronavirus'


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Brazil accounts for nearly half of all coronavirus-related deaths recorded in Latin America and the Caribbean, where more than five million cases have been confirmed, according to Johns Hopkins University, which is tracking the disease globally.
Some of the other hard-hit countries include Mexico - which has the world's third-highest number of deaths with 52,000 and nearly 476,000 cases - Peru, Colombia and Chile.
Experts say a combination of overcrowded cities, poverty and ill-equipped health systems is contributing to the outbreak in the region.

Covid-19 já fez mais vítimas no BR do que homicídios, acidentes de trânsito e diabetes em um ano

Covid-19 já fez mais vítimas no BR do que homicídios, acidentes de trânsito e diabetes em um ano:

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As mortes causadas pelo novo coronavírus também já superam as por demência, doenças hepáticas e doenças renais, mas total pode ser muito maior por causa da subnotificação, como apontam diversos estudos.


Live Sábado: 100.000 mortos!! Até quando, Bolsonaro, abusarás da nossa p...

O casamento de conveniência entre PT, Centrão e bolsonaristas

O casamento de conveniência entre PT, Centrão e bolsonaristas:



Os ataques de Augusto Ara à Lava Jato estimularam o PT, o Centrão e os aliados de Jair Bolsonaro “a formarem um improvável casamento de conveniência para esvaziar a operação”, diz Fábio Zanini, na Folha.

“A aliança informal ganhou fôlego desde...

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Previsão Sul – Ar seco predomina

Previsão Sul – Ar seco predomina:



Boletim de previsão do tempo contendo informações sobre previsão, temperatura mínima e máxima prevista, além de destaques relevantes dos últimos dias.

09 de Agosto de 1945: Lançamento da bomba atómica, "Fat Man" sobre Nagasaki

09 de Agosto de 1945: Lançamento da bomba atómica, "Fat Man" sobre Nagasaki:

No dia 9 de Agosto de 1945, uma segunda bomba atómica é lançada no Japão pelos Estados Unidos sobre a cidade de Nagasaki. O ataque resultou  na rendição incondicional do exército nipónico.
Mais uma vez, os norte-americanos baptizaram-na com ironia: "fat man" (homem gordo). A bomba matou cerca de 70 mil pessoas e deixou 25 mil feridas. Segundo historiadores norte-americanos, o alto-comando dos Estados Unidos ameaçou atacar Tóquio caso o Japão não se rendesse. A destruição que um ataque nuclear causaria numa das maiores cidades do mundo seria incalculável.
A devastação causada em Hiroshima três dias antes não foi suficiente para convencer o Conselho de Guerra japonês a aceitar a exigência da Conferência de Potsdam de rendição incondicional. Os Estados Unidos já haviam planeado, unilateralmente e sem o conhecimento prévio dos Aliados, o lançamento de uma segunda bomba atómica. Ela estava programada inicialmente para 11 de Agosto, mas o mau tempo previsto para essa data antecipou o lançamento para 9 de Agosto.
À 01h56, um bombardeiro B-29, especialmente adaptado, baptizado de  Bockscar ,  levantou voo da ilha Tinian sob as ordens do major Charles W. Sweeney. Nagasaki era um importante centro de construção naval, um alvo, a juízo das autoridades militares norte-americanas, apropriado para ser destruído. A bomba foi lançada às 11h02 sobre a cidade e desencadeou uma energia equivalente a 22 mil toneladas de dinamite. As colinas que cercavam a cidade serviram para conter parcialmente a força destrutiva da bomba, mas o número estimado de mortos, quase instantaneamente, foi algo entre 60 e 80 mil pessoas. O número exacto  tornou-se impossível de quantificar, pois a explosão desfigurou corpos e desintegrou os registos.
O general Leslie R. Groves, responsável pela organização do projecto que produziu a explosão nuclear, chegou a alegar que outra bomba atómica estava disponível contra o Japão. A operação só não teria sido colocada em prática por falta de necessidade. O imperador Hiroito, a pedido de dois dos membros do Conselho ansiosos pelo fim da guerra, reuniu-se com o Conselho e declarou que “a continuidade da guerra pode apenas resultar na aniquilação do povo japonês”. O Imperador do País do Sol Nascente deu então a sua permissão para que se assinasse a rendição incondicional.
Fontes: Opera Mundi
wikipedia (imagens)
Nuvem atómica sobre a cidade de Nagasaki800px-Atomic_cloud_over_Nagasaki_from_Ko
 Bockscar e sua tripulação, que lançou a bomba atómica "Fat Man" sobre Nagasaki.
Réplica de "Fat Man" lançada em Nagasaki, Japão, em 9 de agosto de 1945

Réplica de "Fat Man" lançada em Nagasaki, Japão, em 9 de Agosto de 1945

sábado, 8 de agosto de 2020

COLEÇÃO DE FRASES DE BOLSONARO SOBRE A COVID19.

“Tem a questão do coronavírus também que, no meu entender, está superdimensionado o poder destruidor desse vírus." - 9 de março

“O número de pessoas que morreram de H1N1 foi mais de 800 pessoas. A previsão é não chegar aí a essa quantidade de óbitos no tocante ao coronavírus.” - 22 de março

“Pelo meu histórico de atleta, caso fosse contaminado pelo vírus, não precisaria me preocupar. Nada sentiria. Seria, quando muito, acometido de uma gripezinha ou resfriadinho, como bem disse aquele conhecido médico daquela conhecida televisão." - 24 de março

“O vírus tá aí, vamos ter de enfrentá-lo, mas enfrentar como homem, pô, não como moleque. Vamos enfrentar o vírus com a realidade. È a vida, todos nós vamos morrer um dia." - 29 de março

“O vírus é igual a uma chuva. Ela vem e você vai se molhar, mas não vai morrer afogado." - 01 de abril

“Quarenta dias depois, parece que está começando a ir embora a questão do vírus." - 12 de abril

“Ô, ô, ô, cara. Eu não sou coveiro, tá?" - 20 de abril

A ESQUERDA SE APROVEITANDO DO HORROR FASCISTA.


100.477 BRASILEIROS MORTOS EM MENOS DE 5 MESES.

Brasil tem mais de 3 milhões de casos de Covid-19:


São 3.012.412 casos confirmados no país, com 100.477 mortes.ia este conteúdo na integra em: Brasil tem mais de 3 milhões de casos de Covid-19

STF decreta luto de três dias pelas 100 mil mortes por Covid-19

STF decreta luto de três dias pelas 100 mil mortes por Covid-19:



O presidente do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli, decretou luto oficial de três dias na Corte em razão das 100 mil mortes por Covid-19 no país.

Em nota, o ministro manifestou, em nome do Poder Judiciário...

Leia este conteúdo na integra em: STF decreta luto de três dias pelas 100 mil mortes por Covid-19

Congresso decreta luto por 100 mil mortes de Covid-19

Congresso decreta luto por 100 mil mortes de Covid-19:



O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, decretou neste sábado luto oficial de quatro dias no Congresso Nacional em razão da marca de 100 mil mortes por Covid-19 no país.

“Hoje (8/08/2020) é um dos dias mais tristes da...

Leia este conteúdo na integra em: Congresso decreta luto por 100 mil mortes de Covid-19

NOTA PÚBLICA DA APRS.


NOTA DE REPÚDIO – REVALIDA

/ /  DESTAQUES

Jefferson Rudy/Agência Senado
A aprovação do Senado ao Projeto de Lei que simplifica a revalidação e o reconhecimento de diplomas de ensino superior expedidos por universidades estrangeiras é uma medida populista (que atende apenas a um pequeno grupo) que não gera benefícios à população, ao contrário do que afirmam seus proponentes. De forma oportunista, estão usando a pandemia de Coronavírus como pano de fundo para afrouxar o controle da qualidade de profissionais formados no exterior.
Sem dúvida, haverá quem aproveite o momento de crise sanitária para conseguir a revalidação do diploma que, de outra forma, não conseguiria. São 16 mil formados no exterior tentando se beneficiar em um momento de crise, quando o que a população precisa são médicos com formação comprovada.
Assim, repudiamos a posição do Senado e esperamos que tal medida seja revertida na Câmara dos Deputados.
Porto Alegre, 7 de agosto de 2020
Conselho Regional de Medicina do Rio Grande do Sul (Cremers)

VÍDEO - O esquema macabro para “anular” os processos do Lula.

O esquema macabro para “anular” os processos de Lula (veja o vídeo)

O esquema macabro para “anular” os processos de Lula (veja o vídeo):



Tudo está convergindo para a anulação dos processos contra o ex-presidente Lula. O argumento é sempre o mesmo perseguição da lava jato e parcialidade do então Juiz Sérgio Moro no julgamento dos proces...


EDITORIAL HISTÓRICO DO ESTADÃO - A construção de uma tragédia

Os graves desdobramentos da pandemia no Brasil são frutos de uma metódica construção por ações e omissões.

Notas & Informações, O Estado de S.Paulo

08 de agosto de 2020 | 03h00


Há cerca de um mês e meio, este jornal lamentava nesta página o fato de o País ter atingido a marca de 50 mil mortes por covid-19 (ver editorial Lições de uma tragédia, publicado em 21/6/2020). Pior do que a dor causada por tantas perdas de vidas, histórias e possibilidades, um prejuízo incalculável para o Brasil, era a constatação, já àquela altura, de que um novo marco lúgubre era questão de tempo, só não se sabia quanto. Pois agora passamos das 100 mil mortes ocasionadas pelo novo coronavírus e, mais uma vez, nada assegura que outras 50 mil vidas, ou mais, não serão perdidas em um futuro próximo.

Não se trata de um exercício de futurologia macabra, mas sim da constatação de um fato: os graves desdobramentos da pandemia no Brasil são frutos de uma metódica construção por ações e omissões. Não há como imaginar que melhores resultados hão de vir à frente quando comportamentos que os ensejariam não se mostram presentes, tanto no governo como na sociedade.

Construiu-se essa tragédia porque desde a eclosão da pandemia no País o presidente Jair Bolsonaro adotou um comportamento aviltante diante da maior dor sofrida pelos brasileiros em mais de um século. Por tudo o que se viu e ouviu, infortúnio maior não houve para a Nação do que ter na Presidência um líder tão incapaz e indiferente em momento tão grave da história nacional. Não se sabe se Jair Bolsonaro um dia sofrerá sanções políticas ou jurídicas por seu descaso. Mas ele deveria temer pelo que pode vir a sofrer se acaso experimentar um despertar de consciência adiante.

Construiu-se essa tragédia porque a todo tempo Bolsonaro se mostrou preocupado exclusivamente com seus interesses particulares, em especial seu inoportuno projeto de reeleição, pondo-se a afrontar as orientações das autoridades sanitárias por temer que reveses econômicos ocasionados por medidas protetivas, como o isolamento social, pudessem afetar a sua popularidade. Ao presidente da República cabia coordenar os esforços nacionais para o enfrentamento da crise.

Construiu-se essa tragédia porque o governo não soube aproveitar a janela de cerca de um mês para aprender com a experiência de outros países que já enfrentavam a covid-19 e, assim, preparar o Brasil para o que estava por vir. O Brasil é referência em planejamento e ação diante de emergências epidemiológicas, como H1N1, dengue e zica vírus, mas não se coordenou de pronto todo esse cabedal de conhecimento para preparar o SUS para lidar com a nova emergência.

Construiu-se essa tragédia porque, pelo mau exemplo dado pelo chefe do Executivo, milhões de brasileiros se sentiram seguros para furar a quarentena e provocar aglomerações porque, acreditando nele, não acreditaram na gravidade da doença ou confiaram no curandeirismo presidencial. O que dizer de um presidente que demitiu dois ministros da Saúde em meio à pandemia apenas porque ambos tiveram a ousadia de contrariar suas perigosas posições por prescrições com argumentos baseados na melhor ciência? O que dizer de um presidente que anda com uma caixa de cloroquina a tiracolo – medicamento ineficaz contra a covid-19 – ofertando-a até para uma ema como a panaceia de todos os males? Jair Bolsonaro pôde contar com o apoio do STF e do Congresso Nacional para adotar as melhores medidas de combate à pandemia, mas não o fez por cálculo político, frieza ou birra. Ou tudo isso junto.

Construiu-se essa tragédia porque muitos governadores e prefeitos sucumbiram às pressões de toda sorte para reabrir o comércio e espaços públicos antes que houvesse segurança para isso. Uns por negarem a gravidade da pandemia, como o presidente. Outros pelo receio das implicações eleitorais da manutenção das restrições.

Por fim, construiu-se essa tragédia porque falta a muitos cidadãos um espírito de coletividade, o reconhecimento do passado formador comum e a comunhão de aspirações ao futuro. Com tristeza, viu-se que não raras vezes a fruição imediata de alguns se sobrepôs ao recolhimento exigido para o bem de todos. Aí está o resultado.

REVISTA VEJA - Queiroz, o operador financeiro da família Bolsonaro

Queiroz, o operador financeiro da família Bolsonaro:

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Cada uma ao seu modo, e por motivos diversos, as primeiras-damas padecem tanto ou mais do que seus maridos por conta de encrencas em que eles se meteram e que elas desconheciam.  Isso é especialmente verdade no caso dos presidentes da República eleitos pelo voto direto de 1989 para cá.

O primeiro foi Fernando Collor. Seu tesoureiro de campanha, Paulo César Farias, certa vez disparou uma frase que se tornaria famosa: “Madame está gastando muito”. A madame Rosane Collor não sabia que seus gastos eram pagos pelo tesoureiro com sobras do dinheiro arrecadado para financiar a campanha do marido.

Collor foi derrubado por um pedido de impeachment. Antes de ser, sua última tentativa de manter-se no poder foi a desastrada Operação Uruguai, o falso empréstimo de 3,75 milhões de dólares contraído em Montevideo para justificar as elevadas despesas do casal e tirar da história PC Farias e as sobras de campanha.

Itamar Franco, que sucedeu Collor, foi um presidente solteiro. Ruth Cardoso soube pelo marido, Fernando Henrique, que ele tivera um caso amoroso com a jornalista Miriam Dutra e que era pai de um filho dela. O caso houve. Muitos anos depois, ficou provado que o filho, reconhecido pelo presidente, não era dele.

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Marisa Letícia Lula da Silva morreu de um aneurisma cerebral. Mas nos meses que antecederam sua morte sofria com a situação enfrentada pelos filhos com o avanço das investigações da Lava Jato sobre o marido. Cobrava que Lula não confrontasse a Justiça, adotando uma postura mais moderada. Não foi ouvida.

Dilma não tinha marido para chamar de “primeiro damo”. Marcela Temer, uma primeira-dama do lar, dedicada à criação do filho, foi surpreendida pela revelação de que o marido fora gravado dentro do palácio onde moravam, e depois duas vezes denunciado por corrupção. Livrou-se das denúncias, mas não de ser preso depois.

Como deverá sentir-se a primeira-dama Michelle Bolsonaro com a descoberta feita pelo Ministério Público do Rio de que sua conta bancária era abastecida com dinheiro depositado por Fabrício Queiroz, à época chefe de gabinete do então deputado estadual Flávio Bolsonaro? Talvez nem soubesse que usavam sua conta.

Foram 27 depósitos entre 2011 e 2016, num total de 89 mil reais. Em 2018, um relatório do Conselho de Atividades Financeiras apontou depósitos no valor de 24 mil. Nada transpirou, para a sorte do marido candidato. Quando transpirou, ele acabara de ser eleito. Seria pagamento de um empréstimo que fizera a Queiroz.

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Meses depois, Bolsonaro corrigiu-se. Disse que emprestara a Queiroz 40 mil. Agora, ainda não disse nada sobre os 89 mil reais, nem sobre o fato de que uma parcela desse dinheiro foi depositada na conta de Michelle por Márcia, mulher de Queiroz. Os dois estão em prisão domiciliar. Deverão ser ouvidos a respeito.

Depois dessa, é difícil que se sustente a desculpa do empréstimo. Pela conta bancária de Queiroz, no período entre 2007 e 2018 quando ele foi chefe de gabinete de Flávio, passaram mais de 6 milhões de reais – 1,6 milhão de salários pagos a ele, 2 milhões de depósitos de servidores do gabinete, 900 mil sem origem.

Por que um homem com tais rendimentos precisaria tomar um empréstimo de 40 mil reais a Bolsonaro? Por que servidores do gabinete depositaram na conta de Queiroz 2 milhões de reais? Só de despesas pessoais de Flávio e de sua mulher, está provado que Queiroz pagou 286 mil reais, e sempre em dinheiro vivo.

Suspeita o Ministério Público do Rio que Queiroz foi mais do que um financiador de Flávio, pagando despesas da família inteira. Como Paulo César Farias fez com parte dos Collor. Bolsonaro, o pai, conheceu Queiroz quando ainda servia ao Exército. Ficaram amigos. Foi ele que pôs Queiroz para cuidar de Flávio.

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Ao longo de quase três décadas, segundo levantamento do jornal O GLOBO, a família Bolsonaro teve 22 dos seus integrantes empregados nos quatro gabinetes de Jair, Flávio, Carlos, o vereador, e Eduardo, deputado federal. Nos de Jair, Flávio e Carlos, Queiroz empregou sete dos seus parentes desde 2006.

No slogan de sua campanha, que virou também uma marca do seu governo, o presidente Bolsonaro fala em Brasil acima de tudo, e Deus acima de todos. Está na hora de atualizá-lo para destacar também a importância da família.

Anexos:

Falemos então, com todas as aspas devidas, de "marxismo cultural" (1).

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 Sergio Barreto Costa, via Observador:

Quando somos confrontados com uma polémica em que num dos lados, numa posição relativamente solitária, temos Nuno Melo, um normalíssimo político português, e no outro, acompanhados por vastíssimas leituras, se encontram José Pacheco Pereira e António Guerreiro, talvez os mais importantes intelectuais públicos do país, manda o elementar bom senso que não se perca tempo e se dê o assunto por encerrado. Já a moral cristã, pelo contrário, impele-nos a ter alguma piedade pela parte mais fraca, ajudando-a, caso seja possível, a desenvencilhar-se do nó em que – voluntariamente, diga-se! – se envolveu. Como a moral cristã é uma das coisas que, alegadamente, o “marxismo cultural” pretende destruir, deixemos o bom senso de lado e alimentemos um pouco mais o debate.

Respeitando o “ar do tempo”, existe hoje em dia uma polarização sobre este conceito que deixa pouquíssimo espaço a quem não vê o “marxismo cultural” como uma ameaça totalitária e omnipresente e que, em simultâneo, também não o encara como uma mera teoria da conspiração nascida na última década do século XX e alimentada, na actualidade, com doses industriais de nutrientes saídos directamente dos silos da extrema-direita. Sendo esse o espaço em que me posiciono, tentarei, a partir destes textos, alargá-lo. Importa igualmente dizer, que acreditar na existência do “marxismo cultural” (é o meu caso) não implica negar a existência de fenómenos semelhantes no outro canto do ringue. Ainda agora, através do “caso” Nova SBE/Susana Peralta, que transpirou para os jornais, tivemos um exemplo de algo que facilmente pode ser enquadrado na categoria de “capitalismo cultural”. Mas concentremo-nos, por enquanto, no conceito que despertou a atenção do eurodeputado do CDS e dos dois colunistas do “Público”.

Nuno Melo, que não domina a teoria (e o jargão) marxista, deu o flanco logo nas primeiras linhas, citando Marx para explicar a “supremacia” que identificou no título do seu artigo. Pacheco Pereira, que domina ambos, viu a baliza aberta e chutou para golo, não resistindo a comemorá-lo na cara do adversário, de quem obviamente não gosta (está no seu direito), através da expressão “Ignorância Atrevida” que trazia estampada na t-shirt interior e que ficou à vista quando levantou, eufórico, a camisola oficial. O que deve fazer o árbitro perante uma situação destas? Cartão amarelo ou simples admoestação verbal?

Pacheco Pereira tem alguma razão quando afirma que Karl Marx, caso ressuscitasse, olharia para o Portugal de 2020 como um país em que a força material dominante é a da burguesia. O 25 de Abril de 1974 não levou à instalação e exercício de uma ditadura do proletariado, fase transitória imprescindível no caminho para o comunismo, e, por isso, estamos ainda no estádio anterior, em que os burgueses controlam os meios de produção com os quais exploram o povo. Assim sendo, e uma vez que, para Marx, “a classe que é a força material dominante da sociedade é, ao mesmo tempo, a sua força intelectual dominante”, é completamente impossível que a supremacia cultural esteja, neste momento, nas mãos da esquerda. Acontece que – e por isso atribuo “alguma” e não “toda a razão” a Pacheco Pereira –, se Karl Marx ressuscitasse agora, 172 anos depois da publicação do Manifesto que escreveu com Engels, perceberia, mais dia menos dia, algo que talvez fosse impossível de adivinhar em meados do século XIX: entre o capitalismo liberal oitocentista – chamemos-lhe “8” –, em que o Estado gastava dinheiro com as forças armadas e pouco mais, e a ditadura do proletariado – chamemos-lhe “80” –, em que a burguesia é liminarmente expropriada à força e tudo fica sob controlo do Estado, existem várias outras opções (setenta e uma, se a matemática não me falha), nomeadamente a que está em vigor em Portugal. É verdade que não houve uma Revolução, pelo menos ao estilo da que teve lugar na Rússia em 1917, mas ocorreram várias “revoluções” entre a publicação do Manifesto e a publicação do artigo de Nuno Melo que relativizam a utilização equívoca da palavra “supremacia”. Depois das alterações profundas provocadas pelo nascimento da Doutrina Social da Igreja, do Estado Social, do Keynesianismo, e perante um cenário em que o Estado controla directamente quase 50% do PIB e indirectamente mais uma boa fatia, dizer-se, em 2020, que a força material dominante no nosso país é a da burguesia é, no mínimo, tão duvidoso como a frase do eurodeputado do CDS.

Vamos, no entanto, esquecer este gigantesco pormenor, e fazer de conta que vivemos numa sociedade capitalista parecida com as que foram alvo da análise de Marx. Pacheco Pereira diz – e está certo ao dizê-lo – que a seta do poder, numa interpretação marxista, se faz a partir “de baixo”, da infraestrutura produtiva para a superestrutura, sendo a segunda (que inclui, entre outras realidades, o Estado, o Direito, a Moral e a Cultura) um mero reflexo da primeira. Logo, se a infraestrutura é dominada pela classe que detém o capital, nunca a cultura, que faz parte da superestrutura, pode estar a ser controlada pelos descendentes do barbudo filósofo germânico. Mas Pacheco Pereira afirma também, peremptoriamente, que nenhum dos grandes teóricos do marxismo, Antonio Gramsci e György Lukács incluídos, se afastou deste ponto essencial, e sobre essa asserção, relativa a dois senhores essenciais para debater o “marxismo cultural”, julgo necessário algum contraditório.

Não é essencial tomar posição sobre o carácter – ortodoxo ou revisionista, para não fugirmos à gíria – destes autores, uma discussão interminável, bastante estéril e tremendamente maniqueísta, para conseguirmos identificar as novas perspectivas que lançaram. Até porque as suas posições não se mantiveram estáticas ao longo da vida e, a utilizarmos demasiada rigidez na definição de “verdadeiro marxismo”, nem Lenine se safava.

Sobre o húngaro Lukács, para começarmos pelo mais velho, importa dizer que embora não tenha sido o primeiro socialista a olhar atenta e interessadamente para a cultura, foi possivelmente o primeiro a colocá-la no coração da batalha entre burgueses e proletários. Até aí, esse lugar era exclusivo do “modo de produção da vida material”, o tal puro terreno marxista da luta de classes. Lukács percebeu que considerar a estrutura económica como “motor da História” era, na melhor das hipóteses, uma teoria incompleta, pois havia, além do que vinha “de baixo”, muito trabalho a fazer a partir “de cima”.

A verdade é que, nos países considerados, sob o ponto de vista “científico” de Marx, maduros para a revolução socialista, esta teimava em não acontecer. Tivera lugar na Rússia, que, por ser uma sociedade agrária, quase feudal, não estava, de acordo com a teoria, pronta para tal evento; e, paradoxalmente, nas sociedades onde vigorava o capitalismo industrial avançado (Inglaterra ou Alemanha), países “cientificamente” no ponto certo, a fatalidade histórica, o destino inevitável, não se cumpria. Lukács, olhando para esta dupla falha da “ciência” marxista, reflectiu sobre o assunto e quase que o podemos imaginar, em frente ao espelho, a proferir em luísfilipevieirês um sonoro “Que passou-se?!”. A resposta (ou uma das respostas, que estes assuntos são sempre complexos o suficiente para não haver resposta única) chegou na forma de um défice: faltava às massas trabalhadoras, principalmente no desenvolvido Ocidente, “consciência de classe”, consciência revolucionária e consciência do processo histórico e do papel que lhes cabia nesse processo.

Infelizmente – para Lukács –, esta resposta não caiu bem em Moscovo, que já era, terminada que estava a guerra civil (1917-1923), totalmente vermelha por esses dias. Pacheco Pereira nega que o filósofo húngaro se tenha distanciado do materialismo marxista, mas as autoridades soviéticas não tiveram essa opinião, motivo pelo qual o acusaram de revisionismo e de, lá está, idealismo. Lukács aceitou a acusação e foi até à URSS submeter-se à tradicional sessão de autocrítica. Sim – afirmou –, os seus escritos eram idealistas e ele penitenciava-se por isso.

Recorde-se que, para Hegel (um dos expoentes da dialéctica e do idealismo), era a consciência dos seres humanos que impulsionava a evolução da sociedade, sendo essa consciência visível na religião, na moral, na cultura. Mas Marx, embora lhe tivesse pedido emprestada a dialéctica, não quis trazer o idealismo, substituindo-o pelo materialismo. A consciência não determina a vida, concluiu; é a vida – ou seja, o dia-a-dia dos homens e das mulheres – que determina a consciência. O que se vai passando na mente de um trabalhador fabril nasce daquilo que vai acontecendo na fábrica, e é por isso que a “consciência de classe”, vista a partir deste miradouro, é um dado mais ou menos adquirido, o que levou Engels e Marx a escreverem, em 1844 (!), no livro A Sagrada Família, que uma grande parte do proletariado, pressionado e oprimido pela sempre crescente exploração, já estava consciente da sua tarefa histórica e a caminho da acção revolucionária. Lukács, estranhando a demora de mais de sete décadas, percebeu que os operários andavam perdidos e anestesiados e que precisavam da orientação dos intelectuais e de serem por estes espicaçados. O trabalho a partir “de cima” era, assim, decisivo.

Há uma máxima famosa que situa o momento em que Karl Marx pega na dialéctica hegeliana e substitui o idealismo pelo materialismo: “Hegel fazia a humanidade caminhar sobre a cabeça; é preciso colocá-la de novo a caminhar com os pés”. Lukács, baralhando novamente esta marcha, divide-se entre cabeça (Hegel) e pés (Marx), entre ideias (o desenvolvimento do espírito) e matéria (a evolução económica). A cultura não é apenas um reflexo, como defende Marx; é também um local autónomo da batalha pela conquista da “consciência de classe”, que não é, de todo, um dado adquirido.

Pacheco Pereira acusa Nuno Melo de não perceber o “bê-á-bá da coisa”, sendo a “coisa” o marxismo. Ora, eu não ponho as minhas mãos no fogo pelas leituras de Nuno Melo. Mas ponho-as, sem hesitar, pelas de Pacheco Pereira. E sei, por isso, que ele sabe perfeitamente que nisto da “coisa”, que é constituída pelos dois pensamentos marxianos (o da juventude de Marx e o da maturidade) e pela história marxista (onde entra o pensamento dos seus discípulos e avatares, bem como as experiências reais do comunismo), não há bê-á-bás. Há, isso sim, pedindo emprestado o famoso título do arquitecto Robert Venturi, muita “complexidade e contradição”.

Falemos então, com todas as aspas devidas, de "marxismo cultural" (2).

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 Segunda parte do artigo de Sérgio Barreto Costa para o Observador (a primeira está aqui):

Lukács, a quem dirigimos a atenção na primeira parte deste texto, interrogava-se nos anos 20, quase em desespero, sobre “quem nos irá salvar da Civilização Ocidental?”. Por essa altura estava exilado em Viena, onde manteve contactos com a outra grande figura desta história, Antonio Gramsci, um italiano nascido na Sardenha que andava às voltas com a mesma pergunta. É difícil falar de Gramsci, principalmente se for para falar mal, sem sentir um certo constrangimento. Encarcerado por Mussolini aos 35 anos, passou as passas do Algarve numa cela, vendo a sua condição física a deteriorar-se até ao inimaginável antes de a morte o levar uma década depois. Ademais, apesar do sofrimento, conseguiu manter a força mental necessária para escrever, na prisão, milhares de páginas sobre inúmeros temas, numa atitude que faz corar de vergonha qualquer betinho que sofra da “angústia da folha em branco”. No entanto, apesar da dificuldade, farei um esforço.

Gramsci é talvez o comunista que mais influenciou as cabeças pensantes do Ocidente nas últimas décadas, não só as de esquerda mas também – e isso é relevante – as de direita. Tantas páginas dedicou ao papel dos intelectuais no rumo do mundo, que os intelectuais, agradecidos, lhe devolveram em dobro a atenção, absorvendo as suas palavras com método e diligência. Voltando ao “bê-á-bá de Marx”, a tal predominância da infra-estrutura económica sobre a superestrutura que Pacheco Pereira afirma não ter sido posta em causa por nenhum dos seus seguidores, julgo, pelo contrário, que Gramsci não só a pôs em causa, como a baralhou completamente. Mario Vargas Llosa, que passou muitos anos da sua vida mergulhado no marxismo e nos textos dos seus teóricos, sustenta, no seu recente ensaio O Apelo da Tribo, que o italiano conferiu à intelligentsia a função histórica que Marx atribuíra à classe operária, colocando, dessa forma, o marxismo de cabeça para baixo. Mas nem sequer é preciso ir tão longe no raciocínio como foi o escritor peruano para se valorizar adequadamente a “revolução” gramsciana.

A dupla falha da “ciência” marxista – a revolução socialista ocorria onde não era suposto (Rússia) e não avançava onde havia todas as condições objectivas necessárias (Alemanha, Inglaterra, etc.) – também atraiu, à semelhança de Lukács, a atenção de Gramsci, com o tempero adicional de este ter visto incontáveis pobres e remediados a apoiarem a ascensão do fascismo no seu próprio país. De resto, mais preocupante ainda, assistiu a esse apoio em Turim (para onde fora viver em 1911), que, por ser uma cidade industrial, carregada de proletários e de burgueses tayloristas, patrões da FIAT à cabeça, estava “cientificamente” destinada à revolução, não a envergar camisas negras.



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Foi por causa desta experiência histórica, certamente surpreendente e traumatizante para quem admirava as teorias de Marx, que Gramsci se dedicou a fazer-lhes uma revisão. Já o sucesso prático, tanto de Lenine como de Mussolini, levou-o a acreditar mais no papel dos “grandes homens”, na força de vontade e na força das ideias que os animam a partir “de cima”, do que no poder transformador, vindo “de baixo”, da evolução das relações e do modo de produção. É verdade que esta nova abordagem, para não chocar os mais ortodoxos, foi embrulhada em “marxês”, surgindo assim a revolução passiva e o bloco histórico, expressões de uma filosofia em forma de alicate, em que os intelectuais progressistas fazem força a partir da superestrutura e as massas fazem força a partir da infra-estrutura, quebrando assim a velha ordem como se fosse uma santola ou uma sapateira. Pacheco Pereira fala desta “acção recíproca” entre a base e o topo da pirâmide, mas sublinha que a mariscada se faz sempre a partir da “determinação” da base, uma certeza que tem toda a lógica se estivermos a falar de Marx, mas que é descabida em relação a Gramsci.

Não foi por capricho, mas sim por ter percebido a situação prática de bloqueio da revolução no Ocidente, que o filósofo italiano, mesmo depois de aprisionado, se entregou à tarefa de rever o pensamento do filósofo alemão. E o conceito decisivo para entender esse bloqueio é o de hegemonia cultural, o mecanismo que estava a permitir ao capitalismo resistir ao progresso histórico (Deus nos livre!, mas é assim que lhe chamam), sendo que a cultura, nesta concepção, deve ser considerada em sentido amplo e abrangente, incluindo não apenas a alta e a baixa cultura (ópera, literatura, cinema, folclore, telenovelas, etc.) mas também as mentalidades, os hábitos, as crenças, a moral, os costumes, as ideias, os valores, as tradições. O poder cultural hegemónico estava, segundo Gramsci, nas mãos da burguesia, e enquanto não ocorresse uma “revolução cultural” que libertasse a cabeça dos trabalhadores da sua influência, não existiria nova ordem social para ninguém. Ora, estando as massas da base hipnotizadas pelo enquadramento cultural que vem do topo, como é que a “determinação” pode partir “de baixo”? Impossível, não pode, nunca, e é esta a grande conclusão do italiano. A sua esperança, pelo contrário, é que as massas se unam atrás dos intelectuais comunistas, os verdadeiros promotores da revolução, e que estes, à semelhança de Álvaro Cunhal, passem a ser aceites pelo proletariado como seus filhos adoptivos. Algumas das “revoluções” dos anos 60, incluindo o Maio de 68, tentaram seguir por este caminho em que a universidade dos filhos da burguesia serve de vanguarda à fábrica dos operários, tendo essa receita gramsciana, apesar do forte desconforto do PCF e dos sindicatos e da vitória final dos gaullistas, obtido algumas conquistas.

A partir daqui, temos duas hipóteses: afastamos Gramsci – um dos fundadores do importantíssimo PCI, mártir e ídolo de milhões de comunistas durante décadas – da história do marxismo, ou aceitamos que “marxismo cultural”, pese embora as aspas, não é apenas uma teoria da conspiração ao serviço da direita mais radical e da extrema-direita.

António Guerreiro, no seu texto sobre este assunto, sublinha esse carácter conspirativo do conceito, colocando-o ao lado d’ Os Protocolos dos Sábios de Sião (o suposto plano dos judeus para dominar o mundo) e fazendo-o descendente afastado do “bolchevismo cultural”, termo criado pelo nazismo para denunciar a “arte degenerada” – que era, resumidamente, toda aquela que se afastava dos padrões estéticos superiormente definidos por Hitler, Rosenberg ou Ziegler. Para reforçar essa ligação, salienta a utilização da expressão pelo terrorista de extrema-direita Anders Breivik (que invocou a luta contra o “marxismo cultural” como um dos motivos para ter assassinado 70 pessoas com uma Glock 34), pelo atirador anti-semita Robert Bowers (que abateu 11 pessoas numa sinagoga com uma Colt AR-15) e pelo presidente brasileiro Jair Bolsonaro (que nos anda a tentar matar a todos com concertos de sanfona). Sobre estes exemplos concretos, nada a dizer. É um facto que o “marxismo cultural” tem sido utilizado como pretexto, espantalho e papão por todo o tipo de paranóicos e oportunistas, é um facto que grupos no Brasil ou nos EUA, impulsionados pelo discurso da cúpula do poder político, andam entretidos numa “caça ao marxista cultural” com um zelo e um exagero próprios do McCarthyismo, e é um facto que há elementos e ideólogos da extrema-direita que acreditam (ou dizem acreditar) numa acção concertada e metodicamente levada a cabo por um sinistro escol de esquerdistas (ligados à Escola de Frankfurt) com o objectivo de fazer implodir a civilização ocidental. Acontece que, tal como da existência de variadas teorias da conspiração relacionadas com as reuniões de Bilderberg não podemos retirar que elas – as reuniões – não ocorrem, também neste caso não devemos negar a existência do “marxismo cultural” por causa dos excessos, crimes, aproveitamentos ou maluquices dos seus detractores e adversários.

Tal como foi referido por António Guerreiro no início da sua coluna, esta “coisa” (a “coisa” aqui já não é o marxismo, mas sim o “marxismo cultural”) atravessou o Atlântico, vinda dos Estados Unidos, e foi sendo engordada por várias mãos. Porém, ao contrário do que é sugerido, não foi nenhum perigoso direitista que a trouxe ao mundo. Segundo consegui apurar – como costuma dizer o Dr. Marques Mendes aos Domingos à noite –, o termo aparece pela primeira vez em The Critique of Domination: The Origins and Development of Critical Theory, livro publicado em 1973 por um académico e activista já falecido, Trent Schroyer, que daria certamente umas voltas no túmulo se alguém o relacionasse com a direita. Não que a ideologia do pai da “coisa” seja determinante para a sua avaliação, mas o facto de Trent Schroyer ser de esquerda e ter ocupado parte substancial da sua vida a organizar cimeiras contra o capitalismo do G7 é muito pouco amigo da hipótese conspiratória. Alguém mais mauzinho poderá até sugerir que a tese que cataloga o “marxismo cultural” como uma teoria da conspiração lançada pela direita contra a esquerda é, ela própria, uma tese conspirativa lançada pela esquerda contra a direita. E a partir daí, tal como acontece nos filmes de espionagem em que há agentes duplos e triplos, está a confusão instalada.

Os “laboratórios da Escola de Frankfurt”, activos há quase um século, aparecem assim nesta história não pelas declarações paranóicas de um qualquer Breivik, mas pela pena de um respeitado estudioso de esquerda, um autor que, com a obra acima mencionada, foi até finalista do National Book Award. O seu interesse pela Teoria Crítica – e pelo Marxismo Ocidental em geral – leva-o a escrever uma espécie de apelo à libertação humana, teoricamente suportado na análise da exploração económica, da coacção psicológica, das restrições sociais à liberdade individual e – muito importante – do papel da cultura burguesa como instrumento de dominação. Já a Teoria Crítica, o objecto de estudo de Schroyer, foi sendo elaborada “em” Frankfurt através dos esforços conjuntos de várias disciplinas (psicologia, psicanálise, sociologia, história, economia, antropologia, filosofia), e pretendia, em resumo, renovar e actualizar o marxismo para as sociedades ocidentais dominadas pelo capitalismo avançado.

A ideia de domínio, sempre presente na Teoria Crítica, tinha o seu contraponto na emancipação – política, moral, social –, que foi, desde o início, a grande aspiração que os autores desta escola alimentavam em relação aos dominados. Daí a permanente interrogação: por que motivo os proletários não se tinham unido e transformado numa classe revolucionária? E quem diz proletários diz outro grupo qualquer de oprimidos. Ou então, como fazem questão de afirmar os opositores desta forma de ver o mundo, de “oprimidos”, entre muitas aspas, pois, como quase sempre acontece, o diabo está nos detalhes. A emancipação, como princípio, é nobre e desejável; os métodos aplicados para a atingir e os critérios utilizados para classificar quem são os dominados e quem são os dominadores é que podem ser discutíveis. E devem ser discutidos. (Continua).

Foro de S. Paulo, 30 anos: que importância os políticos do país dão à organização de esquerda?

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Olavo Soares para a Gazeta:

O Foro de São Paulo, agrupamento de partidos de esquerda da América Latina, celebrou 30 anos em uma live, no último dia 28, com a presença de representantes do PT e dos governos ditatoriais de Cuba, Venezuela e Nicarágua. A transmissão gerou pouca repercussão: não foi divulgada e nem comentada pela presidente do PT, a deputada Gleisi Hoffmann (PR), e tampouco citada pelo presidente Jair Bolsonaro e seus filhos, que até ano passado mencionavam habitualmente o Foro como um inimigo a ser combatido.

A transmissão ao vivo e seu pequeno impacto exemplificam o status do Foro nos dias atuais. A entidade, criada pelo ex-presidente do Brasil Luiz Inácio Lula da Silva e pelo ditador cubano Fidel Castro em 1990, entrou em definitivo no centro do debate político nacional nos últimos anos, com a ascensão das forças conservadoras e de direita.

O escritor Olavo de Carvalho define o grupo com o "inimigo número 1" do Brasil e diz que sua influência foi mascarada durante anos. "O Foro de São Paulo foi escondido pela mídia nacional durante 16 anos, foi a maior fraude jornalística da história humana", disse Olavo em entrevista à BBC Brasil em maio.

O Foro de hoje não é, entretanto, uma entidade secreta. A reunião transmitida via Youtube com lideranças de vários países se soma a um website acessível a qualquer internauta e a menções frequentes à entidade nas páginas de partidos brasileiros como PT, PSB e PCdoB.

O que se pode definir como imprecisa é a real importância e influência do Foro de São Paulo na política brasileira. Entre apoiadores e opositores da esquerda nacional se encontram opiniões distintas: para alguns, o Foro é um agrupamento de peso que deve ser respeitado (ou combatido), e para outros não passa de um símbolo de ideologias que ficaram no passado.

De todo modo, os holofotes destinados ao Foro neste ano de 2020 são no mínimo menores do que os enviados ao grupo em anos recentes, quando se fortaleceu o grupo político hoje no poder do Brasil. As redes sociais de Jair Bolsonaro são um indicativo – o Foro de São Paulo foi mencionado pelo presidente em seu perfil no Twitter seis vezes ao longo de 2019, e apenas uma em 2020. Os filhos Flávio, Eduardo e Carlos também têm abordado a instituição com menos interesse neste ano.

Ainda assim, o Foro pode ser alvo de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Câmara. Deputados bolsonaristas buscam a coleta das 171 assinaturas necessárias para formalizar o pedido de abertura do colegiado. Quem lidera a iniciativa hoje é Chris Tonietto (PSL-RJ), ao lado de Eduardo Bolsonaro (PSL-RJ).

"O maior inimigo do Brasil" ou "um movimento para o debate social"?

"O Foro é ainda, sim, um adversário de peso. Não está mais com o poder que já teve, mas ainda detém muitos pontos estratégicos. Há evidências de sua organização para tentar tomar o poder e empregar uma ideologia comunista", avalia o deputado bolsonarista Junio Amaral (PSL-MG).

O parlamentar apresenta um ponto de vista ainda presente em parte da direita brasileira, que endossa as palavras de Olavo de Carvalho e identifica no Foro de São Paulo um inimigo a ser combatido. Para Olavo, o Foro representa uma aliança ideológica que se ramifica para além da política partidária e que tem como objetivo a instalação do comunismo na América Latina.

Nessa ótica, o Foro de São Paulo não só é um grupo com visões opostas, mas é uma entidade com poder para influenciar o jogo político de diferentes países. Vice-presidente nacional do DEM, o ex-deputado federal José Carlos Aleluia (BA) cita os protestos recentes do Chile como exemplo. "Naqueles protestos, se via nitidamente que eles tinham uma estruturação feita, algo criado por especialistas de fora do Chile, que tinham como objetivo desestabilizar o governo [de Sebastián Piñera, de direita ou menos de centro-direita]", declara.

Aleluia foi deputado federal entre 1991 e 2011, período que inclui os dois mandatos do ex-presidente Lula (2003-2010). Para ele, no período a influência do Foro na gestão pública brasileira era determinante, em especial na política internacional. "O que se fez com a política externa na época foi deplorável", afirma Aleluia. A meta ali era colocar o Foro de São Paulo em primeiro lugar, e o Brasil em segundo."

A principal crítica dos integrantes da direita em relação à política externa das gestões de Lula e Dilma Rousseff se dá pelo apoio do Brasil a regimes como os de Venezuela e Cuba, que acumulam acusações de violação de direitos humanos.

Presidente nacional do PDT, partido que participa do Foro de São Paulo na condição de convidado, o ex-ministro Carlos Lupi rejeita a hipótese de que a instituição fomente qualquer ótica autoritária. "O mundo de hoje não permite a existência de qualquer regime autoritário. Mas quem tenta fomentar o autoritarismo é a direita autoritária. Se há, hoje, uma ameaça à democracia no mundo é a direita representada pelos presidentes Donald Trump (EUA) e Jair Bolsonaro", declarou.

Lupi considera o Foro um "um movimento para o debate social". "É algo que se contrapõe ao capitalismo mundial. Existem muitas instituições em defesa do capital financeiro, então o que é o Foro? É um grupo para debater visões estratégicas, benefícios sociais, algo importantíssimo para a sociedade", afirma o pedetista. O ex-ministro apontou que o seu partido envia representantes anualmente às reuniões do Foro.

Foro, algo que "ter ou não ter é a mesma coisa" e que "não assusta o Brasil"

Se o PDT de Lupi participa do Foro de São Paulo na condição de convidado, o PT é o principal braço brasileiro da instituição. Isso, no entanto, não aproxima o Foro de um petista histórico, o senador Paulo Paim (RS): "Só tenho sabido do Foro de São Paulo depois que o Olavo de Carvalho começou a falar a respeito", brinca.

Paim afirma que "no mundo real" o Foro não faz parte de seu cotidiano político, e tampouco das discussões habituais do PT. O senador relembra que em sua última campanha eleitoral, a de 2018, participou de um debate em que foi "provocado" por um oponente que o ficou questionando sobre o Foro de São Paulo. "Ele parecia apaixonado pelo Foro, e tive que dizer a ele que ele resolveria aquilo pelo lado psicológico", ironizou.

A questão do "mundo real" é também levantada por um adversário do PT, o deputado estadual Arthur Moledo do Val (Patriota-SP), conhecido como "Mamãe Falei". "Prefiro olhar para as coisas de uma forma mais pragmática. Não acho que exista uma conspiração mundial para se implantar o comunismo no mundo", afirma.

O parlamentar, que pertence ao Movimento Brasil Livre (MBL), afirma que questões ideológicas são foco de "uma pequena parcela da população". "Acho legítimo que exista uma pauta contra o Foro de São Paulo, que pessoas se oponham a ele. Mas não foi isso, nem coisas como o combate ao globalismo, ao George Soros, que elegeu o Bolsonaro em 2018", afirma.

Também rival do PT, o senador Alvaro Dias (Podemos-PR) é outro que desmerece a importância do Foro. Para ele, o grupo "fracassou" e "não assusta o Brasil". "É um grupo que está em franca decadência. Foi derrotado por conta de suas ideias, por ter implantado um populismo desbragado, com uma gestão precária, consagradamente incompetente e que praticou o abuso da corrupção", afirma.

Já o deputado federal Daniel Almeida (PCdoB-BA) resume o Foro como "um espaço para articular experiências conexas". "Todas as relações são globais, e por isso precisamos de um ambiente de debate. E o Foro não deve ir além disso. Não há nada nele de conspiração ou articulação de Estado. No Foro as coisas são feitas às claras, de modo transparente e aberto."

CPI do Foro é ideia do ano passado que pode voltar

A ideia da criação de uma CPI para investigar o Foro de São Paulo foi anunciada por Eduardo Bolsonaro ainda no primeiro semestre de 2019. A proposta influenciou em sua fracassada tentativa de se tornar o embaixador do Brasil nos EUA. À época das negociações, Olavo de Carvalho se manifestou dizendo que Eduardo seria mais importante articulando a CPI do que atuando como embaixador.

Mas o assunto acabou esfriando na segunda metade do ano passado e sumiu dos discursos dos bolsonaristas. Nesse ano, reapareceu em algumas abordagens. Atualmente, a deputada Tonietto busca a coleta das assinaturas necessárias.

À Gazeta do Povo, a assessoria da parlamentar informou que o trabalho de obtenção dos apoios foi prejudicado com a deflagração da pandemia de coronavírus e que o projeto busca o endosso inclusive de integrantes da Câmara que não apoiam o governo Bolsonaro.