"O maior inimigo da autoridade é o desprezo e a maneira mais segura de solapá-la é o riso." (Hannah Arendt 1906-1975)

quinta-feira, 24 de março de 2016

MARCELO AIQUEL - RESPOSTA AO LUÍS FERNANDO VERÍSSIMO

Prezado senhor Luis Fernando Veríssimo, 

Apesar de eu não ter o dissabor de ler (ou saber de) mais nenhum tipo de opinião sua, já há algum tempo; Apesar de hoje ser um dia sagrado para a religião que sigo;
Apesar de eu haver prometido a mim mesmo e às pessoas que me amam (sim, eu tenho gente que me ama de verdade), que não iria mais gastar tempo para lhe escrever;

Recebi, de um amigo, uma cópia da sua coluna de ZH, publicada nesta data, e estou - sem o escudo do anonimato que outras pessoas teriam supostamente se servido para lhe fazer ameaçasaliás, método covarde que nunca utilizei, nem pretendo um dia utilizar - lhe enviando este singelo e-mail para exprimir a minha (e que acredito ser também de muitas pessoas) estranheza com um fato que passo a lhe narrar:

O senhor se declara espantado pela demonstração de ÓDIO que foi vista em um cartaz bem elaborado, durante as manifestações (que o senhor refere como "gigantescas" – mesmo que os integrantes da cúpula do partido/quadrilha que tem sua simpatia, buscassem menosprezá-las) contra o atual governo do nosso país. Pois, me causou PROFUNDA ADMIRAÇÃO E MUITA ESTRANHEZA (perdão por repetir esta palavra, mas, no meu dicionário não encontrei outra que definisse com tanta similitude o meu sentimento) foi o fato de não haver tomado conhecimento de nenhuma palavra, sinal, ou mesmo um simples suspiro, de sua autoria, condenando a incitação pública de guerra (ÓDIO PURO, MISTURADO COM DOSES DE NITROGLICERINA) feita pelo seu líder, o ex-presidente Lula, recentemente. Imbuído no espírito de parcialidade absoluta e indiscutível que a sua opinião vem seguindo, e na cega fidelidade ao seu PT, o senhor surpreende a todos os cidadãos que tem mais de dois neurônios (os seres “ditos” pensantes) ao protestar publicamente contra uma frase anônima que denota ÓDIO,  e ficar absolutamente omisso com relação à uma conclamação pública de ÓDIO, esta de autoria do seu líder. Como todo bom petista, o senhor também deve exercitar o princípio de “o que serve para eles, não servirá jamais para os nossos”. Não é assim que funciona a sua visão de justiça, senhor Veríssimo? Ou seja, o senhor aplica a regra de dois pesos e duas medidas para os fatos, conforme seu interesse. Logo o senhor, um apaixonado pela cultura da França, inspirada no lema (egalité, fraternité, liberté) integrante da Constituição da República Francesa. Quanto às ameaças que o senhor DIZ TER RECEBIDO, cumpre informar que o caminho natural para este tipo de queixa é o da Delegacia de Polícia da sua região (quiçá o Plantão Policial do Palácio de Polícia), e não o de se travestir de vítima perante os seus leitores. Se a sua atitude visava adquirir a piedade e o compadecimento dos seus leitores, com certeza o senhor escolheu a data oportuna para assumir o papel de vítima: a Quinta-feira da Paixão de Cristo; o dia do lava-pés, na religião católica.

Parabéns, mais uma vez, pela sua – já costumeira – desfaçatez.

Marcelo Aiquel – advogado, P. Alegre.

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