"O maior inimigo da autoridade é o desprezo e a maneira mais segura de solapá-la é o riso." (Hannah Arendt 1906-1975)

sábado, 14 de janeiro de 2017

HORROR EM REBELIÃO NO RIO GRANDE DO NORTE

14/01/2017 20h22 - Atualizado em 14/01/2017 20h22

Polícia vai esperar até o amanhecer para intervir na rebelião em Alcaçuz

As saídas foram bloqueadas e barricadas feitas no exterior do presídio.
Mulheres dos presos se reuniram e tentaram furar o bloqueio.

Do G1 RN

Rebelião na Penitenciária Estadual de Alcaçuz (Foto: Andréa Tavares/G1)Luz foi cortada na Penitenciária de Alcaçuz (Foto: Andréa Tavares/G1)













Policiais militares e agentes penitenciários vão esperar até o dia amanhecer para entrar nos pavilhões da Penitenciária Estadual de Alcaçuz, onde acontece uma rebelião desde a tarde deste sábado (14). A área externa de Alcaçuz já está sob o controle das autoridades, segundo a Polícia Militar. As saídas foram bloqueadas e o Corpo de Bombeiros está fazendo barricadas no local.
“A intervenção é impossível agora. No momento estão todos soltos lá dentro, e armados. Nossa missão é evitar que ele saiam”, declarou o major Camilo, da PM.
Do lado de fora do presídio, que está às escuras, se ouvem muitos tiros e é possível ver muita fumaça. Segundo a Polícia Militar, a rebelião começou às 15h40, depois do horário de visitas das famílias.
Os familiares dos presos que estão no local dizem que detentos de Alcaçuz que não estão envolvidos na rixa entre as facções estão pedindo socorro. Um grupo de mulheres das famílias dos presos se reuniu e tentou furar o bloqueio, sem sucesso

Rebelião foi confirmada pelo coordenador da administração penitenciária. Segundo a PM, houve invasão de presos entre pavilhões.
Presos se rebelaram na tarde deste sábado (14), em Alcaçuz 
FOTO: DIVULGAÇÃO PM
Os presos da Penitenciária Estadual de Alcaçuz, na Grande Natal, se rebelaram na tarde deste sábado (14). Segundo o coordenador da administração penitenciária, Zemilton Silva, a rebelião é "de grandes proporções". O major Eduardo Franco, da comunicação da Polícia Militar do Rio Grande do Norte, disse que o motim começou por volta das 16h30 (de Natal) e houve invasão de presos do pavilhão 3 e 5 no pavilhão 4, onde estão internos de uma facção criminosa rival. Ainda não há confirmação de fuga. Alcaçuz é o maior presídio do estado.
Zemilton Silva disse ainda não saber se os presos dos outros pavilhões também se rebelaram. O chamado pavilhão 5 é o presídio Rogério Coutinho Madruga, que fica anexo à Alcaçuz, em Nísia Floresta. Há separação entre presos de facções criminosas entre esses dois presídios. A penitenciária de Alcaçuz tem cerca de 1150 presos e capacidade para 620 detentos, segundo a Secretaria de Justiça e Cidadania (Sejuc).
A repórter Michelle Rincon, da Inter TV Cabugi, esteve na área externa de Alcaçuz. Segundo ela, há fumaça na parte interna, barulhos de tiros e de quebra-quebra no local.
A última rebelião em Alcaçuz foi registrada em novembro de 2015. No dia daquele mês, houve quebra-quebra após a descoberta de um túnel escavado a partir do pavilhão 2. "Assim que acabou a visita social, por volta das 15h, os presos se amotinaram", disse o secretário de Justiça da época, Cristiano Feitosa.
No ano passado, foram registradas 14 fugas de Alcaçuz. Mais de 100 presos conseguiram escapar do presídio. A maioria deixou o presídio por meio de túneis escavados a partir dos pavilhões ou por buracos abertos no pé do muro, sempre sob uma guarita desativada ou sem vigilância.
Na segunda-feira (9), o Ministério da Justiça prorrogou por mais 60 dias a presença da Força Nacional no Rio Grande do Norte. Os policiais enviados pelo governo federal estão atuando no patrulhamento das ruas e podem atuar na segurança do perímetro externo das unidades prisionais localizadas na Grande Natal. A Força Nacional chegou ao estado em março de 2015 durante a série de motins iniciada no sistema prisional do estado.? A prorrogação foi publicada no Diário Oficial da União (DOU) desta segunda-feira (9). O prazo de apoio da Força Nacional de Segurança Pública ao Rio Grande do Norte ainda poderá ser prorrogado caso haja necessidade.?
Calamidade Pública
O sistema penitenciário potiguar entrou em calamidade pública em março de 2015, logo após uma série de rebeliões em várias unidades prisionais. Na ocasião, o governo pediu ajuda à Força Nacional. Para a recuperação de 14 presídios (todos depredados durante os motins), foram gastos mais de R$ 7 milhões. Tudo em vão. As melhorias feitas foram novamente destruídas. Atualmente, em várias unidades, as celas não possuem grades e os presos circulam livremente dentro dos pavilhões.
Déficit carcerário
Segundo a Secretaria de Justiça e da Cidadania (Sejuc), órgão responsável pelo sistema prisional do estado, o Rio Grande do Norte possui 33 unidades prisionais. Juntas, elas oferecem 3,5 mil vagas para uma população carcerária de 8 mil presos, ou seja, deficit de 4,5 mil vagas.
Acre e Amazonas
Na quinta-feira (12), presos apontados pelos setores de inteligência do Acre e do Amazonas como líderes de facções criminosas chegaram à penitenciária federal de Mossoró, na regiões Oeste do Rio Grande do Norte. Ao todo, foram 19 detentos que foram trazidos em uma operação especial para o presídio potiguar - 14 do Acre e 5 do Amazonas. A ação para entrega dos presos só foi concluída na madrugada da sexta-feira (13).
fonte - GAZETA WEB

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