"O maior inimigo da autoridade é o desprezo e a maneira mais segura de solapá-la é o riso." (Hannah Arendt 1906-1975)

domingo, 15 de janeiro de 2017

Líderes da rebelião no RN são ligados ao PCC

Líderes da rebelião no RN são ligados ao PCCRicardo Araújo , 
Especial para O Estado
15 Janeiro 2017 | 12h47
NATAL - Pelo menos seis homens, pertencentes à facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), foram identificados como os responsáveis pela rebelião que destruiu parcialmente a Penitenciária Estadual de Alcaçuz e o Pavilhão Rogério Coutinho Madruga, na região metropolitana de Natal. A rebelião foi controlada no início da manhã deste domingo, 15, por policiais militares e agentes penitenciários. Há ao menos 10 detentos mortos. 
Foto: Ney Douglas/EFE
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Polícia retomou o controle da penitenciária de Alcaçuz neste domingo, 15
Em coletiva de imprensa realizada no final da manhã deste domingo, o secretário de Estado da Justiça e da Cidadania do Rio Grande do Norte, Wallber Virgolino Ferreira da Silva, afirmou que a rebelião foi a maior já registrada no complexo prisional, fundado no final da década de 1990. "É a maior rebelião em número de mortos, mas não iremos superar Roraima", afirmou o secretário. 
Questionado sobre a ligação das rebeliões deste fim de semana com os casos registrados em Manaus e Roraima, que levou à morte cerca de 93 presos, Wallber Virgolino poupou palavras. "A situação do norte estimulou aqui. Mas são coisas diferentes", assegurou. Desde março de 2015, o sistema prisional potiguar enfrenta uma séria crise estrutural. A população carcerária do Estado gira em torno de 7,7 mil pessoas. O deficit de vagas se aproxima das quatro mil.
O Governo do Estado mantém o número de 10 mortos durante a rebelião que durou 14 horas. Informações extra-oficiais dão conta de um quantitativo maior de vítimas fatais. A maioria delas foi decapitada. "Inicialmente, é prematuro falar em número de mortos. Só teremos esse dado após a contenção de toda a unidade prisional", relatou Wallber Virgolino. Ele confirmou que os homens identificados como líderes da rebelião serão transferidos para unidades penitenciárias estaduais ou federais. 
O secretário de Estado da Segurança Pública e da Defesa Social, Caio Bezerra, destacou que a ação de retomada de controle da unidade prisional foi positiva. "Os presos não reagiram e estamos avançando na contenção de todos os pavilhões", frisou. Ele também evitou falar no possível número de mortos, mas destacou que todas as informações serão repassadas no momento oportuno. Outra coletiva de imprensa será realizada no fim da tarde deste domingo para atualização dos dados.

Rebelião em maior presídeo do Rio Grande do Norte

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Reconhecimento dos corpos. O Rio Grande do Norte não dispõe de um Instituto Médico Legal (IML), mas sim de um Instituto Técnico de Perícia (Itep). Todos os corpos a serem recolhidos da Penitenciária de Alcaçuz serão transferidos para a sede do Itep, situada na zona portuária de Natal, cerca de 25 quilômetros distante do presídio. Uma força tarefa foi montada para a identificação das vítimas fatais. 
"Teremos três legistas, cinco necropspiloscopostas, três odontologistas legais e quatro peritos criminais irão fazer a perícia no local do crime. Já alugamos uma câmara frigorífica para a acomodação dos corpos", disse o diretor do Itep, Marcos Brandão. A sede do órgão, fundado há mais de 70 anos, não dispõe de estrutura capaz de receber elevado número de cadáveres. 
Para o atendimento aos familiares dos presos mortos, uma central de informações com atendimento de psicólogos e assistentes sociais será montada nas proximidades do Itep. Até o início da tarde deste domingo, nenhum dos corpos das vítimas da guerra de facções no estado potiguar havia sido recolhido da Penitenciária de Alcaçuz. "Tem muita decapitação. Precisamos identificar todas as cabeças e corpos para depois remontá-los", disse Marcos Brandão.

O governador do Rio Grande do Norte, Robinson Faria (PSD), não participou da entrevista. 

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