"O maior inimigo da autoridade é o desprezo e a maneira mais segura de solapá-la é o riso." (Hannah Arendt 1906-1975)

sábado, 25 de fevereiro de 2017

Soltura do goleiro Bruno, concedida por Marco Aurélio para afrontar Moro, “foi um desafio a ordem social”, diz jurista

Fonte: CESAR WEIS

25/02/2017

Soltura do goleiro Bruno, concedida por Marco Aurélio para afrontar Moro, “foi um desafio a ordem social”, diz jurista

Preso desde 2010, condenado pelo assassinato de Eliza Samudio, além de ocultação de cadáver, o goleiro Bruno conseguiu sua liberdade por meio de um habeas corpus concedido pelo ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal. O alvará de soltura foi emitido noite da última quinta-feira. Bruno foi solto na sexta. Bruno saiu da cadeia rindo.

Marco Aurélio soltou Bruno para afrontar o juiz Sérgio Moro e dramatizar sua oposição as prisões provisórias que tem sido a base de sustentação da Lava Jato. O ministro, que é primo de Fernando Collor, não se importou em soltar um assassino perigoso, que matou e esquartejou a mãe de seu filho para enfatizar sua tese. A prisão de Bruno, apesar das fartas evidências de culpa também tem caráter provisório.

O jurista Modesto Carvalhosa considera a soltura de Bruno "um acinte". "Estamos realmente diante de um desafio para a ordem social. Soltar um criminoso com esse requinte de perversidade é uma ofensa à sociedade."
O jurista contesta a interpretação de Marco Aurélio Mello, que mais cedo disse o seguinte a O Globo: "O homicídio geralmente é praticado por um agente episódico, por motivação na base da emoção, da paixão".

"O que Bruno cometeu não foi crime passional. Crime passional coisa nenhuma. O que Bruno cometeu foi crime de bando. Ele reuniu várias pessoas para matar e depois esconder o cadáver. Não tem nada de passional nisso. Bruno é um criminoso absolutamente perigoso."O deputado Edson Moreira da Silva, do PR de Minas Gerais, que foi o delegado do caso da morte de Eliza Samudio, conversou com o jornal Estado de Minas sobre a decisão de soltar Bruno:

"Com o Bruno solto é que esse cadáver nunca mais vai ser encontrado. Pode ter certeza disso, ele não vai deixar."

"Fico pensando é na família da vítima que não teve sequer um cadáver para enterrar. A mensagem que essa soltura passa é de que o crime compensa. Que se pode fazer de tudo: matar, estuprar, trucidar uma família, pois não se ficará preso o suficiente.”De Lúcio Adolfo, advogado de Bruno, ao Estadão:

“Sei que tem propostas de trabalho em alguns times de futebol até para jogar campeonatos estaduais por aí e ele vai tomar o caminho que achar melhor. Ele vai se dedicar, está com 30 anos, tem aí um bom período, se conseguir superar as dificuldades do retorno à vida social."

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