"O maior inimigo da autoridade é o desprezo e a maneira mais segura de solapá-la é o riso." (Hannah Arendt 1906-1975)

quinta-feira, 2 de março de 2017

"Eu era o otário do governo; eu era o bobo da corte", diz Odebrecht

"Eu era o otário do governo; eu era o bobo da corte", diz Odebrecht:

No depoimento que prestou na quarta-feira à Justiça Eleitoral, o empresário Marcelo Odebrech t disse que se sentia o "bobo da corte" do governo federal. Ao falar sobre a situação da empreiteira baiana que leva seu sobrenome, o ex-presidente do conglomerado demonstrou descontentamento por ser obrigado a entrar em projetos e empreendimentos que não desejava e bancar repasses às campanhas eleitorais, sem receber as contrapartidas que julgava necessárias.

Marcelo Odebrecht declarou que mantinha contato frequente com o alto escalão do governo — como Guido Mantega, ex-ministro da Fazenda do governo Dilma Rousseff, com quem disse negociar repasses a campanhas eleitorais.

— Eu não era o dono do governo, eu era o otário do governo. Eu era o bobo da corte do governo — afirmou Marcelo Odebrecht.

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O empresário também se mostrou incomodado por divergências com seu pai, patriarca e presidente do Conselho de Administração do Grupo Odebrecht, Emílio Odebrecht, na forma de apoio ao governo.

No depoimento, Marcelo Odebrecht falou com "naturalidade" do caixa 2 nas campanhas eleitorais, defendeu a legalização do lobby e disse que a Odebrecht não era a única empresa a usar doações para conquistar apoios políticos. Segundo ele, o uso de dinheiro de caixa 2 em campanhas eleitorais é algo "natural", mas que, de alguma forma, envolve também o pagamento de propinas.

Condenação

Em março do ano passado, Marcelo Odebrecht foi condenado pelo juiz federal Sergio Moro, que conduz a Operação Lava-Jato na primeira instância da Justiça, a 19 anos e 4 meses de prisão pelos crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e associação criminosa no esquema de desvios na Petrobras.

Anexos originais:
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