"O maior inimigo da autoridade é o desprezo e a maneira mais segura de solapá-la é o riso." (Hannah Arendt 1906-1975)

sábado, 4 de março de 2017

Médicos e Malandragem ideológica

Médicos e Malandragem ideológica:



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Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Renato Sant’Ana

O Brasil já pagou mais de R$ 8 bilhões a Cuba com o "Mais Médicos". Mas não é esse o problema. A malandragem é a seguinte: o governo de Dilma Rousseff celebrou contrato com a Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), que recebe o dinheiro e repassa a Cuba, que, por sua vez, manda os profissionais para cá. E a maldade está em que, ao surgimento do programa, enquanto outros médicos estrangeiros recebiam R$ 11 mil do Brasil, os cubanos levavam só 10% desse montante, porque a Opas entregava os restantes 90% ao ditador Raul Castro.

O Site Diário do Poder informa que, embora muito pouco, a situação mudou depois que a TV Bandeirantes, em 2015, flagrou representantes do Ministério da Saúde e da Opas discutindo um meio de dar aparência de legitimidade ao esquema. Agora os médicos cubanos estão recebendo aproximadamente 25% daquilo que ganham outros profissionais estrangeiros.

A Opas tem sido acusada de ser apenas uma fachada para que o governo cubano (autoproclamado "revolucionário") receba aporte financeiro de "regimes amigos" (ainda não se sabe quanto dinheiro o regime bolivariano comandado pelo PT mandou para Cuba, e nunca se saberá, aliás, se não houver uma devassa no BNDES).

Pode mudar? Ao que parece, o governo de Michel Temer pretende substituir gradativamente a mão-de-obra estrangeira por nacional, extinguindo o contrato com a Opas. Entretanto, o ministro da Saúde, Ricardo Barros, anunciou em setembro do ano passado a prorrogação do convênio com a Opas por mais três anos. Estima-se que, não havendo nova prorrogação, no final do convênio a Opas, que, só em 2016, recebeu R$ 2,7 bilhões, poderá ter embolsado mais de R$ 17 bilhões.

Agora, imaginemos situação similar, em que um prefeito ou governador contratasse uma empresa privada, a qual pagasse a cada empregado apenas 10% do recebido "per capita". Nesse caso haveria um escândalo: além dos que hoje estão denunciando a Opas, haveria também o protesto barulhento dos salvacionistas da esquerda, que nunca se manifestaram em favor dos médicos cubanos porque sua função é sacralizar o lulo-petismo.

O "espírito da coisa"

É melhor compreender que brigar com os fatos. Na lógica revolucionária, um ser humano é só o parafuso de uma engrenagem. E se não se ajustar ao sistema, será eliminado. Assim, por mais flagrante que seja a exploração, por maior que seja o sofrimento, por mais que a pessoa seja aniquilada nos atributos da personalidade, se for para o bem da revolução estará tudo certo. É nessa lógica que o cubano é mandado para trabalhar como médico noutro país: ele é propriedade do Estado cubano, que dele pode servir-se como e o quanto queira.

Claro, para dar certo, é preciso que o ex-indivíduo haja passado por um processo de lavagem cerebral e imunização cognitiva. Do contrário, ao ver-se longe das garras do regime, ele fugiria e pediria asilo na embaixada de alguma nação democrática. Com efeito, vários médicos cubanos já se refugiaram noutros países. Mas a maioria acaba mesmo se submetendo, seja por estar domesticada pela imposição ideológica, seja pelo temor de que seus familiares (que ficaram em Cuba) venham a sofrer a perseguição do regime.

Esse é o retrato da proteção que trabalhadores poderiam esperar do PT. Essa é a ignomínia que o Brasil vem patrocinando. Será que Michel Temer vai mesmo romper com isso? E se for, por que fazê-lo lentamente? Qual seria o motivo de o Brasil não exigir que, no contrato com a Opas, haja uma cláusula que resguarde a dignidade do "trabalhador cubano"?



Renato Sant'Ana é Psicólogo e Bacharel em Direito.

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