"O maior inimigo da autoridade é o desprezo e a maneira mais segura de solapá-la é o riso." (Hannah Arendt 1906-1975)

segunda-feira, 26 de junho de 2017

Avião com mais de 600 quilos de cocaína decolou de fazenda da família de Blairo Maggi

Avião com mais de 600 quilos de cocaína decolou de fazenda da família de Blairo Maggi:

Avião com mais de 600 quilos de cocaína decolou de fazenda da família de Blairo Maggi
A Força Aérea Brasileira (FAB) afirmou, por meio de nota, que o avião interceptado com 653,1 quilos de cocaína no domingo (25) decolou da Fazenda Itamarati Norte, no município de Campo Novo do Parecis (MT). A Itamarati Norte pertence ao Grupo Amaggi, empresa da família do ministro da Agricultura, Blairo Maggi, segundo informações publicadas no site do grupo. Conforme a FAB, a localização de partida foi informada pelo piloto da aeronave que carregava a droga "durante a aplicação das medidas de policiamento do espaço aéreo".

A informação inicial era de cerca de 500 quilos de cocaína. Segundo a Polícia Militar (PM) de Goiás, foi a maior apreensão da droga no Estado. O volume foi avaliado em R$ 13 milhões e, após o refino, poderia quintuplicar a quantidade inicial.

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Segundo a FAB, o avião bimotor, matrícula PT-IIJ, decolou da Fazenda Itamarati Norte com destino a Santo Antonio Leverger (MT). Quando a informação chegou à imprensa, a assessoria de imprensa do ministro afirmou que divulgaria uma nota sobre o assunto em seguida.

A interceptação da aeronave se deu na Operação Ostium. A investigação é coordenada pelo Comando de Operações Aeroespaciais (Comae), da Aeronáutica, em conjunto com a Polícia Federal e outros órgãos de segurança e mira voos irregulares que possam estar ligados a crimes como o narcotráfico.

A ação aconteceu no início da tarde de domingo. Segundo informações do Comae, a aeronave, em um primeiro momento, seguiu as instruções da defesa aérea, mas em vez de pousar no local indicado, arremeteu.

Um piloto da Força Aérea comandou a mudança de rota e solicitou novo pouso, mas não foi respondido. Com a negativa, um tiro de aviso foi disparado pela FAB. Após não responder, novamente, às solicitações da defesa aérea, o avião pousou na zona rural do município de Jussara, interior de Goiás, onde foi apreendido.

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Contrapontos


O que diz o ministro da Fazenda, Blairo Maggi:

Por meio de sua conta oficial no Twitter, o ministro afirmou que está companhando as investigações policiais. Conforme Maggi, a fazenda arrendada pela Amaggi é extensa e enfrenta "a ação vulnerável do tráfico".

"MT é um estado continental, vulnerável à ação do tráfico internacional pelas fronteiras que possui", escreveu o ministro nas redes sociais.

Local da decolagem da aeronave na fazenda arrendada pela #AMAGGI será investigado. Piloto, que está desaparecido, tem que prestar informação
— Blairo Maggi (@blairomaggi) June 26, 2017
O que diz o Grupo Amaggi:

Em nota, o grupo Amaggi disse que o "local exato da decolagem da aeronave interceptada ainda será objeto da devida investigação, uma vez que a procedência divulgada até então foi apenas declarada pelo piloto durante abordagem do policiamento aéreo".

A empresa nega qualquer ligação com a aeronave e não emitiu autorização para pouso ou decolagem em uma das duas pistas. A Fazenda Itamarati tem 11 pistas, conforme o grupo, autorizadas para pousos eventuais, usadas para operação de aviões agrícolas, e que não demandam vigilância permanente.

De acordo com o grupo, a região de Campo Novo do Parecis "tem sido vulnerável à ação de grupos do tráfico internacional de drogas, dada a dua proximidade com a fronteira do Estado de Mato Grosso com a Bolívia".

Em abril deste ano, a empresa informou ter cooperado com a Polícia Federal quando uma aeronave clandestina tentou pousar com cerca de 400 quilos de drogas em uma das pistas auxiliares. O bimotor foi interceptado por um avião A-29 Super Tucano da FAB, como parte da Operação Ostium para coibir ilícitos transfronteiriços, na qual atuam em conjunto Polícia Federal (PF) e órgãos de segurança pública. 


Anexos originais:


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