"O maior inimigo da autoridade é o desprezo e a maneira mais segura de solapá-la é o riso." (Hannah Arendt 1906-1975)

sexta-feira, 30 de junho de 2017

Em Porto Alegre, manifestantes bloquearam avenidas e impediram trens e ônibus de circular

Em Porto Alegre, manifestantes bloquearam avenidas e impediram trens e ônibus de circular:

Eduardo Amaral
Greve Geral em Porto Alegre paralisou o transporte público e levou manifestantes para as ruas
 


Por Eduardo Amaral especial para o Congresso em Foco

A greve geral convocada para está sexta-feira (30), em todo o país, começou com impactos significativos em Porto Alegre (RS). O transporte público​ foi o que sofreu o maior abalo durante a manhã pela greve convocada por centrais sindicais e movimentos sociais. Os manifestantes protestam contra as reformas trabalhista e previdenciária, além de pedir a saída do presidente Michel Temer e eleições diretas. Ainda na madrugada, manifestantes bloquearam a saída das garagens de empresas de ônibus da capital gaúcha.

Mesmo sem o aval do sindicato dos rodoviários​, sete das 11 empresas responsáveis pelo transporte de ônibus na cidade tiveram as garagens bloqueadas. No entanto, os bloqueios nas garagens não duraram muito, o pelotão de choque da Brigada Militar (BM) disparou bombas de gás lacrimogêneo para dispersar os manifestantes.

A primeira ação ocorreu na empresa Nortran, responsável pelas linhas da zona norte da cidade. Às 5h30 ônibus da empresa já circulavam. A BM também usou bombas de gás para acabar com o bloqueio na empresa Carris. Diversos artefatos foram disparados contra o grupo de aproximadamente 300 pessoas. Nas outras garagens a saída​ foi negociada e os locais liberados sem uso de bombas.

Além do transporte por ônibus, o Trensurb (empresa de trens urbanos), que faz a ligação entre Porto Alegre e Novo Hamburgo, no Vale dos Sinos, também não funcionou no início da manhã. Diferente dos rodoviários, o sindicato dos metroviários anunciou adesão ao movimento, o que foi cumprido até às 6h30, quando as estações começaram a funcionar. O funcionamento ocorreu cerca de uma hora mais tarde do que em dias normais.

Uma decisão judicial  determinou que  a os trens funcionassem nos horários de pico. Para evitar que os trens circulassem, os manifestantes ocuparam os trilhos ao longo do percurso. Após negociação, os trilhos foram liberados.

Ruas bloqueadas e negociações tensas

Nas proximidades da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) estudantes organizaram protestos e bloquearam as ruas próximas. O primeiro atrito ocorreu após os manifestantes colocarem fogo em pneus para bloquear uma das ruas. Mais uma vez, a Brigada Militar utilizou bombas de gás lacrimogêneo para dispersar a manifestação.

Logo depois da primeira dispersão, o grupo se reuniu em outra rua próxima, bloqueando a via. Uma negociação foi aberta entre manifestantes e BM. Ficou acordado que a cada cinco minutos bloqueada, os manifestantes liberariam por um minuto uma pista da avenida.

O diálogo entre as partes foi tenso e terminou com acusações. “Se atacar o pelotão nos atacamos”, afirmou o major que fazia a negociação. Um dos manifestantes respondeu prontamente. “Não foi o que aconteceu. Temos imagens.” O policial defendeu a ação da BM. “Nós também temos imagens do crime que vocês cometeram”, afirmou em referência a queima de pneus.

Na zona leste, três pessoas foram presas. Dois homens foram detidos na Rua dos Burgueses por depredar ônibus da Carris que saiam da garagem. O outro homem foi detido na na Avenida Bento Gonçalves, por portar rojões e pedras. De acordo com a BM, os rojões foram utilizados contra o choque.

Após essa conversa o grupo seguiu na via, mas outro brigadiano anunciou que eles deveriam deixar uma das pistas livres e teriam cinco minutos para fazer o protesto. O grupo seguiu na via, e menos de dois minutos depois os manifestantes correram para dentro do prédio da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Ao longo da manhã, o grupo com cerca de 100 pessoas fazia bloqueios pontuais nas ruas do entorno dos prédios da UFRGS no centro.

Em Porto Alegre, escolas municipais e estaduais, bancos e a Justiça do Trabalho aderiram ao movimento e paralisaram as atividades devido à greve geral.

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