"O maior inimigo da autoridade é o desprezo e a maneira mais segura de solapá-la é o riso." (Hannah Arendt 1906-1975)

sexta-feira, 30 de novembro de 2018

SUSISMO - A RELIGIÃO DO SUS NO BRASIL.




*Adriana Lisboa

Pense comigo e responda com sinceridade: em que momento da história republicana nacional, você assistiu o governo defender algo que não fosse exclusivamente vantajoso apenas pro governo e seus membros? Hããã...

Pois é. Quando o governo vem a público para defender um “programa social”, um “direito da sociedade”, uma “medida para ampliar os benefícios dos mais necessitados”, torna-se necessária uma tecla SAP, para traduzir em português claro, o idioma oficial dos burocratas do governo. Todas essas frases, no conjunto administrativo da governança pública, querem apenas dizer: VOU ARRANCAR MAIS DINHEIRO DE VOCÊS, SEM DAR NADA OBJETIVO OU ÚTIL EM TROCA.

Vejamos o SUS. Maravilhoso. No papel. É bom pro paciente? Não. É bom pro médico? Não. É bom pra equipe de enfermagem? Não. É bom pro hospital? Não. É bom pra quem então? 

O SUS na concepção atual, não serve a ninguém. Serve apenas e tão somente, como mera desculpa útil para o governo tomar dinheiro da sociedade, sem dar nada em troca. 

“Malévola! Coxinha! Insensível!” 

Não. Realista. Não estou aqui dizendo que a saúde pública e gratuita deve acabar. Não mesmo. Estou dizendo que o SUS é ruim e deve ser profundamente reformulado ou extinto. 

Enquanto não colocamos o dedo na ferida, a nobre casta dos “homens do governo”, continua a gastar desmedidamente, como se não houvesse amanhã. E certamente não haverá. 

Enquanto nos enchemos de pudores, evitando a realidade, vivemos um mundo onírico, onde o governo finge que nos beneficia, enquanto o resto vive o pesadelo de pagar a conta. Cada vez mais alta. Para um serviço cada vez pior.

*Médica em Santa Catarina

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE PSIQUIATRIA e CFM publicam nota contra descriminalização do cultivo da cannabis sativa


Sex, 30 de Novembro de 2018 16:11

A Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) e o Conselho Federal de Medicina (CFM) publicaram, nesta sexta-feira (30), uma nota oficial denunciando a desnecessidade do Projeto de Lei do Senado (PLS) n° 514, de 2017, pelo risco da utilização de produtos não padronizados de qualquer natureza. O PLS foi aprovado ontem pela Comissão de Assuntos Sociais (CAS).

Apresentado pela Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH), o projeto altera o Art. 28 da Lei nº 11.343, de 23 de agosto de 2006, para descriminalização do cultivo da cannabis sativa para uso pessoal terapêutico.

Leia a íntegra do documento abaixo ou clique aqui para fazer o download.

Nota oficial ABP e CFM

Rio de Janeiro – RJ, 30 de novembro de 2018

A Comissão de Assuntos Sociais aprovou ontem (28/11) o relatório, em forma de substitutivo, da senadora Marta Suplicy que apoia o Projeto de Lei do Senado (PLS) 514/2017, apresentado pela Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH), que pretende que a União libere “a importação de plantas e sementes, o plantio, a cultura e a colheita da cannabis sativa exclusivamente para fins medicinais ou científicos, em local e prazo pré-determinados, mediante fiscalização”.

O substitutivo da senadora também altera a Lei de Drogas (Lei 11.343, de 2006) e passa a liberar “o semeio, o cultivo e a colheita da cannabis, visando o uso pessoal terapêutico, por associações de pacientes ou familiares de pacientes que fazem o uso medicinal da substância, criadas especificamente com esta finalidade, em quantidade não mais que a suficiente ao tratamento segundo a prescrição médica”.

O senador Eduardo Amorim posicionou-se abertamente contra o projeto. Como médico, ressaltou que, do ponto de vista sanitário e de segurança do paciente, a proposta mais adequada é exigir que os gestores do SUS, nas três esferas federativas, tomem as medidas para fornecer os produtos farmacêuticos a base de cannabis sativa necessários aos pacientes que dele necessitam, e não o paciente ter em casa uma plantação e um laboratório produtores de psicotrópicos, sem controle farmacológico, farmacêutico, de dosagem e quantidade.

A categoria profissional médica, por não legislar, pode se manifestar e denunciar a desnecessidade do projeto pelo risco da utilização de produtos não padronizados de qualquer natureza. Feitos de forma caseira, sem nenhum controle de teores de canabidiol, podendo colocar em risco a vida dos pacientes, uma vez que não existirá padrão farmacológico garantido, que possa direcionar dosagens seguras.

Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP)

Conselho Federal de Medicina (CFM)

CCR afirma que "AMANTE" recebeu 3 milhões de reais no caixa 2


CCR afirma que Gleisi recebeu 3 milhões de reais no caixa 2:

A Folha de S. Paulo noticia que a CCR, no acordo de leniência firmado com o Ministério Público paulista, declarou que Gleisi Hoffmann recebeu da empresa uma doação de 3 milhões de reais no caixa dois, para a campanha da petista ao Senado em 2010...

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Olavo de Carvalho, capa de Veja: "sou o segundo governo".

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Aviso ao leitor: este editor publicou a matéria sem ter lido. Do ponto de vista filosófico ela é a complexa demais para minha formação. Só consigo ler coisas mais simples como Immanuel Kant, Gilbert Chesterton, Hannah Arendt, Isahia Berlin...Revista VEJA é muito complicado.

A revista Veja que estará nas bancas neste final de semana traz reportagem de capa com o filósofo Olavo de Carvalho, que conseguiu colocar dois nomes no governo eleito e é assim apresentado: "quem é o guru da direita que conquista fiéis com cursos on-line e vocabulário obsceno, ensinará filosofia a parlamentares e indica ministros para Bolsonaro":

Em 2014, de sua casa de dois andares na cidade de Carson, no estado americano da Virgínia, Olavo de Carvalho, hoje aos 71 anos, gastava parte de seu tempo tentando insuflar, nas redes sociais, a candidatura à Presidência da advogada Denise Abreu, ex-diretora da Agência Nacional de Aviação Civil que ganhou fama ao dar declarações incendiárias durante o caos aéreo entre 2006 e 2007. A empreitada presidencial de Denise naufragou, mas o apoio de Olavo de Carvalho não esmoreceu: persistiu quando ela decidiu, no mesmo ano, sair candidata a deputada federal — outra tentativa fracassada. Quatro anos depois, o ex-astrólogo, jornalista e filósofo, autor de 27 livros e pai de oito filhos, fez a aposta política mais certeira. Apoiou, pediu votos, forneceu o lastro ideológico para a campanha de Jair Bolsonaro à Presidência e, após a vitória, emplacou dois ministros no governo: Ernesto Araújo, diplomata, e Ricardo Vélez Rodriguez, professor. Dispor de tamanha influência em um governo eleito com mais de 57 milhões de votos alça o filósofo — que jamais cursou ensino superior em filosofia — a uma posição singular no governo de Bolsonaro, apesar de nunca ter encontrado o presidente eleito ao vivo. Conhece pessoalmente só seus filhos Eduardo e Flavio, deputado federal e senador eleitos.

“Professor Olavo”, como o guru é conhecido nas redes, não desmerece o poderio recém-alcançado. A VEJA, explica a importância de sua contribuição intelectual, recorrendo a Alexander Soljenítsin (1918-2008), autor de Arquipélago Gulag, radiografia dos campos de concentração comunistas na Rússia soviética: “Essa influência que eu exerci está explicada em uma frase do Soljenítsin: ‘O grande escritor é como se fosse um segundo governo’. Entende por que eu não quero nenhum cargo público? Porque eu já sou esse segundo governo. A influência intelectual é uma coisa, assim, que transcende e engloba a política. E eu já estou neste posto e estou muito contente com ele. Era o que eu queria ser quando crescesse. Já cresci e já sou”.


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O professor diz que, para chegar lá, não fez muito esforço. Segundo ele, a admiração por Bolsonaro veio a partir de seus discursos na Câmara, que circulavam no início dos anos 2010 em seletos rincões da internet. “Engraçado” e “sincero” são alguns dos adjetivos usados pelo filósofo para se referir ao presidente eleito. A aproximação com o clã só se deu em 2012, quando Flavio, entusiasta da produção literária do professor Olavo, foi até a Virgínia entregar-lhe a Medalha Tiradentes, honraria do governo do Rio de Janeiro a personalidades que prestaram serviços ao estado — onde o filósofo morou de 1991 a 1999. Daí por diante, os laços se estreitaram. Para convencer Eduardo a lançar-se pela primeira vez candidato a deputado, em 2014, Bolsonaro presenteou o filho com O Mínimo que Você Precisa Saber para Não Ser um Idiota, best-seller de Olavo, lançado em 2013, que vendeu mais de 300 000 exemplares (veja o quadro na pág. 52). Eduardo gostou tanto do que leu que se matriculou no curso on-line de Olavo, cujas aulas em formato livesão ministradas por ele semanalmente da biblioteca de sua casa em Petersburg, cidade onde vive hoje, também na Virgínia. Nesse período, a prole organizou dois hangouts com Olavo com a presença do próprio Jair. “Bolsonaro teve a prudência de se apegar a mim porque sou um bom conselheiro”, diz o professor ao discorrer sobre seus méritos.

Das conversas virtuais à indicação de ministros, um imenso rio transcorreu. Um dos alunos mais devotos de Olavo e seu principal escudeiro nas redes sociais, Filipe Garcia Martins, de 30 anos, aproximou-se de Eduardo ainda em 2014 e desde então tornou-se não só amigo do deputado mas também o principal interlocutor do professor dentro do clã. Bacharel em relações internacionais pela Universidade de Brasília (UnB), Martins entrou oficialmente na campanha em 2018 para cuidar da área “internacional” do PSL, partido do presidente eleito. Uma de suas atribuições era colocar a campanha em contato com Steve Bannon, ex-estrategista de Donald Trump e idealizador do grupo nacionalista Movimento, que tem se referido a Bolsonaro como “o tipo de líder que só aparece a cada duas gerações”. Martins também foi responsável por apresentar o diplomata Araújo e o professor Vélez Rodriguez aos Bolsonaro. Enquanto vivia em Washington, Araújo visitou Olavo, a quem mostrou textos de sua autoria. “Vi que é um homem de intelecto gigante, capaz de analisar as coisas da política externa em um nível filosófico que ninguém na mídia brasileira consegue”, diz Olavo. Araújo, pouco a pouco, vem revelando nuances da genialidade que o filósofo diz ver em seus escritos. Em artigo no jornal Gazeta do Povo, publicado no dia 26, escreveu que trabalhará contra o “alarmismo climático” — o nome que dá ao aquecimento global — e a adesão a “pautas abortistas e anticristãs”. Já Vélez, de quem Olavo conhece teses acadêmicas, mas com quem se encontrou poucas vezes no Brasil, é alguém que “vai colocar os interesses da nação acima de suas ideias”, avalia o guru.

As duas indicações foram formuladas, segundo Olavo, depois que ele ouviu rumores de que “um cidadão ligado a um governo globalista e ao George Soros (investidor húngaro radicado nos Estados Unidos)” chefiaria o Ministério da Educação. “Se entrasse um cara desses, estaria tudo acabado”, afirmou. Aproveitou a deixa para sugerir não só Vélez, mas também Araújo. As apresentações dos ministros aos Bolsonaro ficaram a cargo de Martins, que também cuidará para que cerca de vinte deputados do PSL viajem para a Virgínia para ter aulas de filosofia com o professor.


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Olavo com o poeta Bruno Tolentino e o maestro João Carlos Martins.

Até tornar-se conselheiro presidencial, Olavo teve uma vida irrequieta. Filho de um advogado e uma operária da indústria gráfica que se divorciaram quando ele ainda era criança, saiu de casa e da escola aos 15 anos para ganhar a vida. Diz ter desistido do ensino formal quando uma professora de português pediu que lesse Joaquim Manuel de Macedo e ele se recusou, afirmando estar muito ocupado lendo obras do escritor alemão Johann Wolfgang von Goethe. Tornou-se um leitor voraz, embora seja um crítico de qualquer método de educação convencional — tanto que a primogênita de seus oito filhos, Heloisa, se envolveu em uma briga pública com o pai ao alegar não ter sido escolarizada durante a infância. Sem aptidão para os esportes e inclinado a paixões platônicas, Olavo era conhecido por ser “bom de papo”. Na adolescência, tinha fascinação pela obra de Karl Marx e Antonio Gramsci, autores contra os quais hoje destila repulsa. “O Olavo era comunista. Tinha uma turminha de comunistas no colégio, e ele fazia parte. Ficava buzinando na minha orelha para eu virar comunista, mas eu só queria jogar bola”, lembra o amigo Valentino Bergamo Filho.

Depois de deixar a escola, Olavo recorreu ao jornalismo para sobreviver — primeiro trabalhou no jornal Notícias Populares, entrevistando “p… e delegado”, em suas palavras, e depois no Jornal da Tarde, no qual revisava textos dos repórteres. Desse período, colegas se recordam dele como alguém discreto e reservado, mas Olavo carrega lembranças de ter sido humilhado, como na ocasião em que, escalado para fazer a cobertura do palácio do governo de São Paulo, foi ignorado pelos setoristas mais experientes: quando havia entrevistas coletivas, ele não era avisado. Incomodava-­o ainda o fato de, como copidesque do Jornal da Tarde, ter de corrigir textos de repórteres com diploma na profissão que eram considerados por ele intelectualmente inferiores.

Quando jornalista iniciante, também foi um militante de esquerda. Foi membro de um grupo de guerrilha urbana organizado nos tempos da ditadura militar. Na época, Olavo chegou a dividir o teto com os hoje petistas José Dirceu e Rui Falcão na Casa do Estudante, que abrigava alunos do curso de direito da USP. Mas decepcionou-se com a esquerda no início dos anos 1970. Diz ter se assustado quando integrantes da organização lhe pediram que ajudasse a colocar em cárcere privado um membro do grupo cuja namorada era suspeita de ser agente do Dops, o braço da ditadura que zelava pela “ordem política e social”. Olavo afastou-se do grupo, mas antes cumpriu a missão.

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Olavo com a mulher e os dois filhos caçulas.

Nos anos 1970, ainda jornalista, interessou-se por astrologia, alquimia e esoterismo. Dedicou-se a esses assuntos anos a fio. Ministrou cursos sobre os temas em uma sala nos Jardins, em São Paulo, à qual deu o nome de Escola Júpiter. Nesse período, Olavo não costumava escrever suas opiniões na imprensa. Isso só passou a ocorrer em meados dos anos 1990, depois que publicou seu primeiro livro de repercussão, O Imbecil Coletivo, em que ataca uma obsessão: a classe intelectual “dominada pelo marxismo”. Jornalistas e acadêmicos, justamente aquelas categorias profissionais que não o acolheram como esperava, tornaram-se seu principal alvo. Sua tese era que, fracassado o socialismo, a esquerda teria adotado a estratégia gramsciana de “povoar a cultura” para depois infiltrar-se na política. Por isso, diz ele, “comunistas” começaram a ocupar espaços nas universidades, na imprensa e em todas as áreas do conhecimento. Quando O Imbecil Coletivo foi lançado, Olavo já havia publicado dez livros (de Aristóteles a astrologia), mas todos passaram em branco. Com O Imbecil, ganhou certa fama de polemista e começou a integrar o panteão dos escritores “de direita”. Colaborou com as revistas Bravo!, República,Primeira Leitura e Época e teve uma coluna no jornal O Globo, do qual foi demitido em 2005, ano em que se mudou para os Estados Unidos como correspondente do Diário do Comércio. Desde então, jamais voltou a pisar no Brasil.

Teve três mulheres: aos 21 anos, Eugênia, mãe de seus quatro primeiros filhos; Silvana, com quem teve dois; e Roxane, mãe dos dois mais jovens e com quem é casado até hoje. Católico praticante depois de passear pelo misticismo e pelo sufismo, Olavo é crítico fervoroso do aborto e não se diz entusiasta de métodos contraceptivos. Seu passatempo preferido é “dar uns tiros” no jardim de sua casa com uma Steyr-­Mannlicher calibre .375 H&H, sua arma de caça favorita. Nutre aversão visceral aos filósofos brasileiros da USP, que ele classifica de “imbecis”, e é plenamente correspondido. Elogia poucos intelectuais, entre eles o poeta Bruno Tolentino, de quem foi amigo, o economista Roberto Campos e o escritor Ariano Suassuna — todos falecidos. Na Virgínia, criou um curso on-­line de filosofia que até hoje, segundo suas contas, já lhe garantiu 20 000 alunos, que pagam até 640 reais por ano para baixar suas aulas. Olavo não diz quanto ganha com os cursos e a venda dos livros, mas afirma receber “mais que professor universitário e que a maioria dos jornalistas, exceto os que sobem na vida puxando o saco do patrão”. Recluso, não tira férias e só sai de casa se é estritamente necessário. O cineasta pernambucano Josias Teófilo, expelido do meio intelectual depois de tornar-se admirador de Olavo e lançar um documentário sobre sua vida, intitulado O Jardim das Aflições, conta que o filósofo carrega sempre um livro para onde vai e é capaz de sacá-lo no meio de um jantar e começar a ler enquanto os demais conversam.

Sua relação com os alunos mais devotos tende a ser mercurial. Quando obedecem a seus ensinamentos e lhe dão o devido crédito, são gênios. Quando os contestam, são expulsos dos grupos de estudo e, não raro, atacados nas redes sociais pelos fiéis, também chamados de “olavetes”. O economista Rodrigo Constantino, que não chegou a fazer o curso mas já foi alvo da fúria de Olavo na internet, afirma que a dificuldade do professor em lidar com o contraditório vem do medo de ser “ofuscado”. “Ele briga com qualquer pessoa que se destaca nesse meio liberal conservador e que represente algum risco de dividir a atenção. Só não briga com aqueles que se mantêm submissos e prestam referência de que ele é o seu guru”, diz Constantino, que, apesar de tudo, afirma respeitar a obra do filósofo. A persona de Olavo nas redes faz uso constante de termos vulgares, sob o pretexto de que “qualquer palavrão” dito por ele “é mais decente do que oração em latim recitada por padre comunista”. Mais do que as ideias persistentes de Olavo de Carvalho, foi o inimigo em comum com Bolsonaro que o aproximou do hoje presidente eleito. Será curioso ver de que lado Olavo ficará quando o novo mandatário sentir as dores reais do poder, muito mais nocivas que os fantasmas da Guerra Fria.

O governo de Jair Bolsonaro, antes mesmo da posse, está vivendo um intenso love affair com a Casa Branca. Na quinta-feira 29, o conselheiro para assuntos de segurança dos Estados Unidos, John Bolton, a caminho da reunião do G20 em Buenos Aires, aproveitou para se reunir com Jair Bolsonaro em sua casa no Rio de Janeiro. O presidente eleito disse que a conversa foi “producente e grata”. O assessor da Casa Branca informou apenas que foram discutidos “interesses bilaterais” — e transmitiu ao presidente eleito um convite de Donald Trump para visitar Washington. Tão conhecido pelas posições radicais e um tanto belicistas quanto pelo seu farto bigode de morsa, Bolton defende um ataque militar à Coreia do Norte e duras sanções contra a Venezuela. Em uma entrevista recente, disse que vai propor ao Brasil parceria para combater o terrorismo.

Enquanto Bolton estava no Brasil, o deputado Eduardo Bolsonaro, o terceiro filho do presidente eleito, visitava os Estados Unidos. Foi recebido na Casa Branca por Jared Kushner, genro de Trump e um de seus principais conselheiros (veja em Radar, na pág. 40). Na saída, posou para fotos usando o boné da reeleição de Trump em 2020. O motivo da visita é tentar “resgatar a credibilidade brasileira no país”, segundo ele. Também houve um encontro com senadores do Partido Republicano, conversas com investidores e visita ao presidente da Organização dos Estados Americanos, Luis Almagro.

Na terça-feira, o deputado foi um dos convidados para o jantar de aniversário de Steve Bannon, o ex-estrategista da campanha de Trump e líder de um movimento direitista internacional. Depois do encontro, o deputado postou nas redes sociais uma foto dos dois e classificou Bannon como “um ícone no combate ao marxismo cultural”. Ao postar a imagem em seu perfil no Twitter, Eduardo divulgou uma conta falsa de Bannon. Foi uma gafe com reciprocidade, digamos assim. Em recente entrevista ao jornal inglês The Guardian, Bannon chamou o presidente Bolsonaro de “Botolini”.

A próxima missão “diplomática” de Eduardo é impedir que a Cúpula Conservadora das Américas, um evento que pretende reunir na próxima semana em Foz do Iguaçu os expoentes da direita latino-americana, se transforme num fiasco. A ideia dos organizadores é fazer um contraponto ao Foro de São Paulo, entidade que agrega os partidos e organizações de esquerda da região. Até agora nenhum chefe de Estado confirmou participação. O próprio Jair Bolsonaro não sabe se comparecerá. Olavo de Carvalho, um dos palestrantes da Cúpula, também já disse que não estará fisicamente presente. Participará por videoconferência.

Ao fazer uma transmissão ao vivo após a vitória, em 28 de outubro, Jair Bolsonaro exibiu duas obras de não ficção na mesa de sua casa: o livro O Mínimo que Você Precisa Saber para Não Ser um Idiota, reunião de artigos de Olavo de Carvalho organizados por Felipe Moura Brasil, e o segundo volume das memórias de Winston Churchill. A exposição alçou ambos às listas de mais vendidos, o que significa que pelo menos 1 000 unidades foram comercializadas em uma semana. Foi a primeira vez que o livro de Churchill atingiu tal patamar no país.

A produção literária de Olavo de Carvalho tem sentido mais intensamente as delícias de contar com um leitor como Bolsonaro. Ao ser relançado pela Editora Record no Brasil às vésperas da eleição, O Imbecil Coletivo foi comprado por 40 000 leitores — Homo Deus, best-seller de Yuval Harari, vendeu 49 000 cópias no país em 2018. Já O Mínimo, cuja primeira edição é de 2013, teve saída de mais de 18 000 unidades após a “live da vitória” — e mais de 300 000 no total, quase o mesmo patamar da autobiografia de Rita Lee, lançada em novembro de 2016 pela Globo Livros e que até o momento vendeu 350 000 exemplares.

A influência de Bolsonaro e a redescoberta da direita têm favorecido não só as obras de Olavo, mas também as de outros autores que abordam temas similares. Deputado eleito pelo mesmo partido do presidente, o príncipe Luiz Philippe Orleans e Bragança, em sua obra inaugural, Por que o Brasil É um País Atrasado?,lançada pela Novo Conceito, comercializou mais de 10 000 unidades apenas em 2018. Para a Câmara Brasileira do Livro, um título que vende um total de 15 000 exemplares pode ser chamado de best-seller.

Segundo dados da Record, que hoje edita os livros de Olavo no Brasil, independentemente do boom editorial atrelado a Bolsonaro, o filósofo é considerado um dos autores mais populares do selo, com vendas mensais de 2 000 unidades, em média. É um dos raros autores brasileiros capazes de viver de direitos autorais — ele recebe, em média, 10% do valor de capa. Nada mau para um escritor autodidata que nem concluiu o ensino médio.

Publicado em VEJA de 5 de dezembro de 2018, edição nº 2611.

Joice Hasselmann diz que recebeu cabeça de porco com peruca e ameaça de morte

Joice Hasselmann diz que recebeu cabeça de porco com peruca e ameaça de morte:

Joice Hasselmann diz que acaba de receber "uma cesta com uma cabeça de porco, uma peruca loira e um bilhete com a frase 'vai sofrer e vai morrer...

Leia este conteúdo na integra em: Joice Hasselmann diz que recebeu cabeça de porco com peruca e ameaça de morte

Deputada mais votada da Câmara diz ter recebido “cesta com cabeça de porco”

Deputada. Joice ainda não postou foto do "presente" que diz ter recebido
Deputada mais votada da Câmara diz ter recebido “cesta com cabeça de porco”:

A deputada eleita Joice Hasselmann (PSL-SP) afirmou em suas redes sociais ter recebido, nesta sexta-feira (30), uma encomenda com cabeça de porco, peruca loura e um bilhete com ameaça de morte. Candidata mais votada da história da Câmara, ela disse já ter encaminhado o “presente” à polícia, e dá a entender que ele não teve o remetente identificado.

“Acabo de receber de ‘presente’: uma cesta com uma cabeça de porco, uma peruca loura e um bilhete com a frase ‘vai sofrer e vai morrer’. Adianto que já chamei a polícia e q esse ‘presentinho’ NÃO MUDA 1 MIN DO MEU DIA! Tenho mto trabalho, sigo a agenda e Não tenho medo de BANDIDO”, escreveu Joice, apoiadora do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) e famosa pelas polêmicas que protagoniza nas redes sociais.

Embora alguns de seus seguidores tenham pedido foto da encomenda, a deputada eleita ainda não havia veiculado qualquer registro até a publicação desta reportagem. Joice sequer respondeu a quem lhe pediu para postar uma imagem do tal “presente”.

(Atualização de informações às 16h52: a deputada eleita veiculou um vídeo para mostrar a encomenda. Veja abaixo)

Acabo de receber de “presente”: uma cesta com uma cabeça de porco, uma peruca loura e um bilhete com a frase “vai sofrer e vai morrer”. Adianto que já chamei a polícia e q esse “presentinho” NÃO MUDA 1 MIN DO MEU DIA! Tenho mto trabalho, sigo a agenda e Não tenho medo de BANDIDO
— Joice Hasselmann (@joicehasselmann) 30 de novembro de 2018


Tão curiosa quanto a postagem são as reações dos seguidores de Joice no Twitter. Até a publicação desta reportagem, o post tinha recebido mais de 6 mil curtidas.

Grande parte das mensagens encaminha palavras de encorajamento e até citações religiosas em defesa de Joice, que é evangélica. Mas há quem também faça graça com a situação. “Faz uma feijoada”, sugere um internauta identificado como “Teixeirização”. “E chama nóis“, emenda outro seguidor.

“A cesta serve pro lixo, a peruca vc doa para um careca, a cabeça de porco joga no feijão ou doa pra cesta básica e o bilete vc usa pra limpar o caquinha do cachorro rsrs”, registrou a “Gauchinha Patriota”.

Já o internauta Matheus Sants postou um gif (imagem em movimento repetido) muito usado nas redes para manifestar contrariedade, com conotação de impaciência, em relação a uma publicação.

#1Cabo2SoldadosResolvem Querem intimidar a Joice ??? Mas são muito inocentes mesmo !!!! ��✌pic.twitter.com/mYRmbhYRbw
— Matheus Sants (@Matheuesley9) 30 de novembro de 2018


Já a seguidora de nome Liege Pazinato usou a figura de um cachorro para manifestar espanto. E exclamou: “Deus é mais!”.

— Liege Pazinato (@PazinatoLiege) 30 de novembro de 2018


Veja o vídeo com a “encomenda”:

A polícia acaba de levar a “encomenda” que foi deixada para mim no meu prédio com uma ameaça. Acionei a polícia IMEDIATAMENTE. Repito: NÃO TENHO MEDO DE AMEAÇAS, DE BANDIDOS, DE BILHETES, DE BICHO MORTO. Aviso: as imagens das câmeras de segurança já foram solicitadas. pic.twitter.com/lZysc1zVVK
— Joice Hasselmann (@joicehasselmann) 30 de novembro de 2018

POLÍBIO BRAGA - MPF denuncia RBS por ter usado a família Nardes para amolecer multa de R$ 500 milhões no Cade

MPF denuncia RBS por ter usado a família Nardes para amolecer multa de R$ 500 milhões no Cade:

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A Operação Zelotes voltou a incomodar a RBS nesta sexta-feira, porque o MPF apresentou mais uma denúncia, desta vez com a dona do jornal Zero Hora, Rádio Gaúcha e TBS TV. A Operação Zelotes desmontou esquema de corrupção no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf). O MPF denuncia a empresa da família Sirotsky, revelando que o grupo RBS tentou nular uma multa tributária de meio de meio bilhão de reais. Segundo o MPF, a RBS pediu ajudare do ministro do TCU Augusto Nardes, então deputado federal, e de seu sobrinho Carlos Juliano Ribeiro Nardes – que acabou denunciado. Os dois receberam juntos R$ 2,5 milhões – o ministro ficou com R$ 1,6 milhão.  Por ter foro especial, a investigação contra Nardes subiu para a PGR, que ainda não o denunciou.

OPERAÇÃO ZELOTES: MARGINAIS DA RBS PAGARAM 2,5 MILHÕES A MINISTRO DO TCU E SOBRINHO NO CARF

ZELOTES: RBS PAGOU 2,5 MILHÕES A MINISTRO DO TCU E SOBRINHO NO CARF:

O MPF apresentou hoje mais uma denúncia derivada das investigações da Operação Zelotes, que desmontou esquema de corrupção no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf).4

O alvo dessa vez é o grupo RBS, que tentava anular uma multa tributária de meio bilhão de reais...

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CPI do Mais Médicos só em 2019

Qualquer "CPI do Mais Médicos" precisa começar com a PRISÃO de Dilma Rousseff e Alexandre Padilha.

CPI do Mais Médicos só em 2019:

A Crusoé informa que a CPI do Mais Médicos ficará para 2019.

O seu idealizador, Jerônimo Georgen, nem apresentou o pedido a Rodrigo Maia...

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Médicos cubanos querem processar o braço da ONU que foi laranja da ditadura

Só é aconselhável fazer isso se são médicos cubanos que estão fora de Cuba. SE fizerem isso lá dentro,vãoser assassinados pelo Governo Cubano.

Médicos cubanos querem processar o braço da ONU que foi laranja da ditadura:

Na Crusoé, Duda Teixeira informa que um grupo de médicos cubanos quer processar a Opa, da ONU, que funcionou como laranja da ditadura de Raúl Castro no Mais Médicos.

Leia...Leia este conteúdo na integra em: Médicos cubanos querem processar o braço da ONU que foi laranja da ditadura

Almirante é confirmado para Minas e Energia e é o sexto militar indicado por Bolsonaro


Almirante é confirmado para Minas e Energia e é o sexto militar indicado por Bolsonaro:

O presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) anunciou na manhã desta sexta-feira (30) o almirante de esquadra Bento Costa Lima Leite de Albuquerque Junior como futuro ministro de Minas e Energia. O anúncio foi feito pelo perfil no Twitter de Bolsonaro.

Hoje o almirante é diretor-geral de desenvolvimento nuclear e tecnológico da Marinha. A expectativa é de que o governo de que a composição da futura Esplanada seja concluída ainda nesta sexta. Com a indicação desta sexta-feira, já são vinte ministro confirmados por Bolsonaro. Desses, seis são militares:

O futuro ministro nasceu no Rio de Janeiro e começou sua carreira na Marinha em 1973 e já ocupou diversos cargos no Brasil e no exterior até chegar a sua atual posição. Eis alguns deles:

  •  observador militar das forças de paz da Organização das Nações Unidas nos Setores: de Sarajevo, na Bósnia e Herzegovina; e de Dubrovnik, na Croácia, ex-Iugoslávia;
  • assessor parlamentar do gabinete do ministro da Marinha no Congresso Nacional;
  • comandante dos submarinos “Tamoio” e “Tonelero”;
  • encarregado dos estudos de planejamento militar, de jogos de guerra, e de política e estratégia da Escola de Guerra Naval;
  • comandante da base de submarinos “Almirante Castro e Silva”;
  • chefe de gabinete do chefe do Estado-Maior da Armada;
  • assessor-chefe parlamentar do gabinete do comandante da Marinha;
  • comandante da força de submarinos;
  • chefe do gabinete do comandante da Marinha;
  • diretor-geral da Junta Interamericana de Defesa;
  • comandante em Chefe da Esquadra;
  • Secretário de Ciência, Tecnologia e Inovação da Marinha;
Além de cursar o colégio e a escola Natal, o almirante é pós-graduado em Ciências Políticas pela Universidade de Brasília (UnB), possui MBA em Gestão Internacional pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ); MBA em Gestão Pública pela Fundação Getúlio Vargas (FGV); curso de Aperfeiçoamento de Submarinos para Oficiais; curso de Comando e Estado-Maior; Curso Superior de Guerra Naval; e Curso de Altos Estudos de Política e Estratégia da Escola Superior de Guerra.

A escolha do almirante foi elogiada pelo atual ministro de Minas e Energia, Moreira Franco:

Pres. Bolsonaro acertou na indicação do Almirante Bento p/ o MME. Muito bem preparado p/ as responsabilidades técnicas e de comando do setor. Conhece o funcionamento e os desafios da convivência no parlamento e é de uma família de super dotados. Ricardo Paes e Barros é seu irmão.
— Moreira Franco (@MoreiraFranco) 30 de novembro de 2018
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POLÍBIO BRAGA - STF poderá soltar Lula na semana que vem

STF poderá soltar Lula na semana que vem: O julgamento ocorrerá na terça-feira. A Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) vai julgar na terça-feira da próxima semana um habeas corpus em que a defesa pede a liberdade do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Além de Fachin e Lewandowski, integram o colegiado os ministros Gilmar Mendes, Cármen Lúcia e Celso de Mello. O resultado será definido por maioria de votos. Entre Entre ministros do STF, a expectativa é de que Lula não seja libertado nesse julgamento. Em votações penais, Cármen, Fachin e Celso de Mello costumam se alinhar no sentido de manter as prisões determinadas pela primeira instância.No pedido, os advogados disseram que o ex-juiz federal Sérgio Moro “revelou clara parcialidade e motivação política” nos processos contra o ex-presidente. Um dos elementos apontados pela defesa é o fato de Moro ter aceitado o convite do presidente eleito Jair Bolsonaro para ser ministro da Justiça.Em parecer entregue ao STF, a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, defendeu a atuação de Moro e pediu que o habeas corpus seja rejeitado. 

O grito uníssono: "não aceito corrupção"!

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Roberto Livianu, no Estadão


Há um ano causou perplexidade geral a canetada presidencial que concedia indulto Black Friday natalino aos presos, por incluir liquidação de 80% das penas de corruptos - punir criminoso poderoso no Brasil sempre foi tarefa quase tão difícil como fazer elefante passar por buraco de agulha.

Alta subnotificação dos crimes, até por medo, obstáculos processuais, prescrição (a retroativa só há no Brasil), e por aí vai. Denunciado criminalmente por corrupção duas vezes, o presidente, hoje com a água chegando a ele no caso dos portos, quis indultar corruptos, o que implicaria perder todo o trabalho da Justiça Criminal nos poucos casos que chegam até ela.

O Supremo Tribunal Federal (STF) barrou a concessão em liminar e agora julga o mérito do caso, cujo desfecho certamente impactará a percepção geral em relação à impunidade, já expressiva, uma vez que o indulto existe para fins humanitários quando há excesso de encarceramento. Em matéria de crimes contra os colarinhos-brancos, temos o oposto, a exiguidade. Além disso, indultar multas pecuniárias, só mesmo se o condenado for muitíssimo pobre.

A verdade é que a luta contra a corrupção no Brasil lembra corrida de obstáculos, mas com eles parecendo infinitos. Quando alguns são transpostos, novos aparecem, como a questão da cláusula de barreira para os partidos, que surpreendente e positivamente foi aprovada pelo Congresso em 1995 para vigorar a partir de 2007. Mas eis que em dezembro de 2006 o STF negativamente a afastou e no ano passado, no praticamente único saldo positivo da reforma política, foi de novo aprovada no Congresso.

Em função disso, a partir do ano que vem 14 partidos poderão deixar de existir, eis que deixarão de receber seu repasse do Fundo Partidário, a única verdadeira razão da existência de 35 partidos, hoje, que nas eleições de 2018, conforme anunciou o Movimento Transparência Partidária no 6.º Congresso Nacional do Movimento do Ministério Público Democrático, repassaram recursos a candidatos à reeleição dez vezes mais que a candidatos sem mandato.

Isso ajuda a explicar o quadro de degradação dos partidos no Brasil, que segundo a Latinobarómetro 2018 são confiáveis para apenas 6% dos brasileiros ouvidos (o pior índice entre os 18 países pesquisados). Além disso, 73% dos brasileiros votam sem conexão com o partido do candidato (votam na pessoa), bem acima da média nos países latino-americanos pesquisados (58%), confiando mais na Igreja (73%) e nas Forças Armadas (58%), cada vez menos acreditando na democracia (34%), abaixo da média da região, que é de 48%, com o pior grau de satisfação nela - apenas 9% (no Uruguai é de 47%).

Talvez um dos números mais estarrecedores da pesquisa seja o que aponta que, para os brasileiros, apenas 7% dos detentores do poder o usam para o bem comum, bem ilustrado por fato revelado esta semana: deputados do PP - partido muito implicado na Lava Jato, mas que conservou a terceira maior bancada da Câmara - estariam pressionando o presidente da Casa para pautar o PL 9.054/17, quiçá uma nova versão da pretensão contida no indulto Black Friday de 2017. Pretende o projeto a suavização na execução das penas criminais, até mesmo para os corruptos.

Repito: não cabe suavização para punição de corruptos, mas, sim, agravamento para prevenir. Os deputados, conforme a notícia, condicionam o voto no presidente da Câmara, candidato à reeleição, à decisão dele de pautar o projeto. Enquanto ele prometeu pensar, no seu Rio de Janeiro o governador Pezão foi preso em pleno palácio, igualando-se à condição de seu antecessor e padrinho, Sérgio Cabral, na cadeia desde 2016 e já contando 180 anos de condenações, assim como seu antecessor no cargo de presidente da Câmara, Eduardo Cunha, todos agora na prisão.

Mas o índice de 93% dos que não servem, apenas se servem do poder, é impulsionado por múltiplos fatores, incluída a aprovação na Câmara do PL 6.621/16, mandado agora para o Senado, que desmonta a Lei das Estatais. Pretende-se o retrocesso e a instauração legal da cultura do compadrio, permitindo a escolha por coronéis de partidos de seus cupinchas políticos para dirigir estatais, o que foi proibido pela Lei 13.303/16.

Isso logo após se ter conseguido a vitória de arquivar projeto de senador ficha-suja que pretendia sintomaticamente enfraquecer a Lei da Ficha Limpa. Conseguiu-se também uma vitória importante com a aprovação na Comissão de Desenvolvimento Econômico do PL 10.044/18, que pretende dificultar a vida dos “sócios laranjas” criados em instrumentos particulares, bem como de corruptos e lavadores de dinheiro, revolucionando a sistemática jurídica de criação de empresas, com a formação de um banco de dados, sem custos para a sociedade, que permitirá ao Ministério Público, à magistratura e à Polícia Federal ter informações reunidas sobre os atos de constituição e encerramento de firmas.

Compreende-se, assim, olhando além da árvore, mirando a floresta toda, o teor das declarações do ex-todo-poderoso e hoje condenado a 40 anos de prisão, mas solto por enquanto, José Dirceu, divulgadas durante esta última campanha eleitoral, de que o Judiciário não é Poder e o Ministério Público não deve poder investigar.

O desmonte proposto da tripartição do poder de Montesquieu, pretendendo Executivo e Legislativo sem controle para valer e Ministério Público sem força para a defesa da coletividade, é o sonho dourado dos transgressores da lei, dos componentes da cleptocracia em que se transformou o Brasil.

Nosso caminho é a união da sociedade exigindo o fim do foro privilegiado, a reforma política para valer, a punição efetiva do caixa 2 eleitoral, a asfixia econômica das organizações criminosas, a pena da perda do controle acionário para empresários corruptos, visando à preservação da empresa, o grito uníssono: “Não aceito corrupção!”.

Dilma pode até se livrar da cadeia, mas não do hospício.

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Só Dilma Rousseff fala dilmês ─ um estranhíssimo subdialeto que não faz sentido por ser uma procissão de falatórios sem pé nem cabeça. Algumas frases começam mas não terminam. Outras terminam sem ter começado. Muitas são interrompidas por pausas bêbadas que precedem mudanças de assunto, de tom, de direção. Nenhuma frase diz coisa com coisa. Só Dilma, ou nem ela, sabe o que quis dizer, mas não foi dito, porque alguma coisa acontece entre a ordem dada pelo cérebro deserto de neurônios e o que sai pela boca.

Como esse assombro linguístico é falado apenas por quem o inventou, o dilmês não tem tradutores nem intérpretes. Não pode ser traduzido o que ninguém entende. Feita a constatação, vem a pergunta inevitável: agora que Dilma virou ré, como fará a Justiça para decifrar depoimentos em dilmês? Se o juiz quiser, por exemplo, pedir-lhe explicações sobre contratos da Petrobras superfaturados em 30%, poderá ouvir uma preciosidade que há muito tempo faz sucesso na internet.

“A Petrobras tem o direito a 30% de uma parcela de 25% a 30%. É isso que é o pré-sal. Tirar a Petrobras de 30% não é tirar de 30%, é tirar de 7,5% ou 12,5%. E, com isso, é um desconhecimento porque poucas empresas do mundo a Petrobras é uma”. Parece mentira, mas é isso o que Dilma aparece dizendo no vídeo antológico.

Com declarações desse teor, ela pode até livrar-se da cadeia. Mas não vai escapar de uma longa temporada em algum hospício.

Dilma escapa da cadeia por pedaladas

Dilma escapa da cadeia por pedaladas:

Dilma Rousseff escapou da cadeia pelas pedaladas fiscais porque seu crime prescreveu.

O juiz Francisco Codevila mostrou-se indignado por ter de corroborar a impunidade. Sua decisão exemplar, reproduzida aqui, tem de ser lida por Jair Bolsonaro e Sergio Moro, que se preparam para apresentar um pacote endurecendo as leis.

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Palocci delata mais uma vez Lula e Dilma

Palocci delata mais uma vez Lula e Dilma:

Uma nova delação premiada de Antonio Palocci foi homologada por Edson Fachin.

"O despacho em que o ministro valida o acordo", diz o Valor, "está em segredo de Justiça, mas a assinatura é de 28 de outubro. Nesta colaboração, Palocci descreve uma suposta organização criminosa instaurada nos governos dos ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff envolvendo fraudes no sistema financeiro nacional e em fundos de pensão.”

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VÍDEO - Que dignidade é essa?

30 de Novembro de 1874:Nasce o político britânico Winston Churchill, líder Conservador, duas vezes primeiro-ministro, Prémio Nobel de Literatura em 1953.

30 de Novembro de 1874:Nasce o político britânico Winston Churchill, líder Conservador, duas vezes primeiro-ministro, Prémio Nobel de Literatura em 1953.:

Sir Winston Leonard Spencer Churchill nasceu a 30 de Novembro de 1874, oriundo de uma família da aristocracia britânica, a família do Duque de Marlborough. O seu pai, Lord Randolph Churchill, foi um carismático político, tendo servido como Ministro da Fazenda. Antes de alcançar o cargo de Primeiro Ministro, Churchill esteve em cargos proeminentes na política do Reino Unido por quatro décadas. Foi eleito como deputado conservador em 1900, mas juntou-se aos liberais, obtendo o cargo de ministro do Comércio em 1908 e de ministro do Interior em 1910. Prosseguiu uma carreira política, aliando-se depois aos conservadores ao recear a emergência do Comunismo russo. É eleito deputado em 1924, sendo dos poucos a preconizar uma política firme contra a Alemanha hitleriana. De 1940 a 1945 torna-se o primeiro-ministro de um governo de união nacional. Revela-se então um verdadeiro estratega, um grande chefe de Estado e um símbolo da oposição britânica face ao nazismo. Promoveu a assinatura do Tratado do Atlântico Norte (NATO) e foi o primeiro a insurgir-se contra a "cortina de ferro" que entretanto se abatera sobre o Leste europeu. Apesar do imenso prestígio alcançado, é derrotado pelos trabalhistas nas eleições de 1945. Regressa ao poder em 1951, mas retira-se quatro anos depois por razões de saúde. Veio a falecer em Londres a 24 de Janeiro de 1965. Para além de um grande estadista, foi também escritor, pintor e memorialista e a sua obra, nomeadamente as Memórias de Guerra (1948-1954) valeu-lhe o Prémio Nobel da Literatura em 1953.
Fontes:
Winston Churchill. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2012.
Lukacs, John. Churchill: visionário, estadista, historiador, 2002

Wikipedia (Imagem)



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Winston Churchill (esquerda) na Conferência de Ialta com Franklin Roosevelt e Estaline (direita)



quinta-feira, 29 de novembro de 2018

Jerusalém, a capital disputada.

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 Texto de Carlos Ramalhete, colunista da Gazeta do Povo:


Bolsonaro prometeu mudar a embaixada brasileira em Israel para sua capital, Jerusalém. A medida, a princípio, faz todo o sentido do mundo; afinal, é lá que fica o governo junto ao qual os diplomatas brasileiros são credenciados para cuidar de nossos interesses. O que está em disputa, contudo, é algo muito maior que a mera praticidade de o embaixador não ter de pegar duas ou três horas de estrada para sair de Tel-Aviv, a “capital” de fancaria onde hoje fica nossa embaixada, para ir ter com os governantes em Jerusalém.

Jerusalém – onde o batucador destas mal-traçadas já teve o prazer de morar – é provavelmente a cidade mais famosa do mundo. Até a Era Moderna, ela era literalmente considerada o “umbigo do mundo”. O mundo girava em torno de Jerusalém, que ocupava o centro de todos os mapas. Os cruzados lutaram por séculos por aquela terra. O reino cruzado de Jerusalém, que durou 192 anos (1099–1291), persistiu como um enclave cristão num oceano muçulmano por quase três vezes o tempo que perdura o Estado judeu que hoje cava a duras penas a sua persistência no mesmo ambiente inóspito.

Foi lá que Melquisedeque ofereceu o sacrifício de pão e vinho e recebeu de Abraão o dízimo. Foi lá que morreu e ressuscitou Nosso Senhor Jesus Cristo. Foi lá que o povo bíblico de Israel construiu seus templos. Teria sido lá que Maomé teria feito uma viagem celestial. A cidade foi destruída pelo menos duas vezes, sitiada 23 vezes, atacada 52 e capturada 44 vezes. Ela é considerada a cidade mais sagrada pelos judeus, a terceira mais sagrada pelos muçulmanos e, pelos cristãos, é o centro deste mundo – sendo que o foco maior é no outro mundo, na Jerusalém Celeste de que a terrestre é pálida figura. Para os pagãos romanos ela se tornou alvo justamente pela sua sacralidade para os judeus; o Império Romano a destruiu para punir os judeus por sua revolta contra a dominação romana.

Em suma, a luta por Jerusalém é e sempre foi constante, e perdurará até a Parusia. Conquistar e dominar Jerusalém, para enorme parcela da população do mundo, é um sonho e uma maneira de manter e respeitar a sacralidade de um lugar conspurcado ao permanecer nas mãos de seguidores de outra religião. Atualmente, a cidade é a capital do Estado judeu, mas a população árabe tradicional do local, dividida em cristãos e muçulmanos, ambiciona tê-la como capital de um Estado árabe não confessional (ou mesmo, para os muçulmanos, confessional). A ONU, apoiada pela imensa maior parte dos países – com a exceção dos EUA –, desejaria ver a cidade dividida, com a parte oriental capital de um Estado árabe e a ocidental, capital do judeu.

Israel não é a Israel bíblica, com que em comum só tem o nome. É um país artificial, mas necessário, inventado em 1948 por mandato da ONU para dar uma terra própria aos judeus, então recentemente objeto do infernal genocídio perpetrado por Hitler e seus seguidores. Teria sido, sem dúvida, melhor se houvesse sido feito em outro lugar tal Estado, justamente para eliminar as dificuldades desnecessárias advindas da peculiar importância espiritual da cidade e da região – a Terra Santa – para os seguidores das três grandes religiões monoteístas. Mas, se lá foi feito e lá está, é com esta realidade que temos de conviver. Foi um país construído pela força; assim que sua independência foi declarada, o território foi atacado pelos exércitos de todos os países da região. Os judeus sobreviventes do Holocausto desembarcavam dos navios e recebiam uma arma, aprendiam algumas poucas palavras – avançar, recuar, esquerda, direita, atirar, cessar-fogo – e lançavam-se à batalha. Todo o território do país foi assim arrancado das mãos de seus habitantes e dos ditadores dos países em seu entorno, repetindo de uma certa maneira o que ocorrera quase mil anos antes, na conquista cruzada daquela mesma sacratíssima região.

O Estado judeu nunca teve paz. O serviço militar lá é obrigatório para homens e mulheres, e até a meia-idade todos têm de voltar ao Exército para treinamentos anuais. Os fuzis e uniformes ficam guardados na casa dos reservistas, que são a quase totalidade da população. As guerras lá se sucedem constantemente, e mesmo quando não há guerra aberta os cidadãos sofrem com ataques de mísseis e homens-bomba.

De todos os países do mundo, os Estados Unidos são o único que apoia abertamente Israel. No século passado, o Estado judeu tinha ainda o apoio do governo branco da África do Sul, mas este felizmente foi substituído por um governo negro que se alinha com as forças anti-israelenses. O apoio americano, contudo, mais que compensa a falta de apoio dos demais países. Os auxílios monetários dos EUA – que no século passado, quando lá vivi, eram na faixa de US$ 4 milhões por cidadão israelense por ano – auxiliam enormemente o Estado de Israel, e é a diplomacia americana que conseguiu construir a insólita parceria entre o Estado judeu e o Estado muçulmano sunita radical saudita.

Esta é a situação em que Bolsonaro prometeu mudar a embaixada brasileira. É um imenso vespeiro. Nenhum outro país com alguma significância geopolítica, com a exceção dos EUA, respeita a realidade dos fatos segundo a qual é em Jerusalém que se situa o governo. Todos os demais mantêm – como o Brasil até agora, e os próprios EUA até a entrada de Trump na Casa Branca – embaixadas em Tel-Aviv, a cidade que foi a capital de Israel até a conquista pelas armas de Jerusalém, quase 20 anos após a invenção do país. A mudança da embaixada, prometida pelo nosso futuro presidente e confirmada recentemente por seu filho ao visitar a Casa Branca – de onde saiu com um boné de campanha do Trump –, será inevitavelmente lida como um alinhamento fortíssimo do Brasil aos EUA, em primeiro lugar, e em segundo como uma mudança radical na linha cuidadosamente costurada da diplomacia brasileira, que sempre pisou em ovos para manter boas relações tanto com os países árabes quanto com o judeu.

Muitos lerão a mudança de embaixada como significando apoio do Brasil à manutenção de Jerusalém como capital indivisível do Estado judeu. Isto, para os países árabes, será percebido como uma afronta direta e uma negação aberta de seu sonho de – não conseguindo conquistá-la por completo pela força das armas – dividir a cidade santa e manter nela duas capitais. O resultado imediato há de ser um corte radical nas relações comerciais do Brasil, especialmente na exportação de carne, que conta mais de dezena de bilhões de dólares para nossa balança comercial.

A cidade é santa. Os que nela habitam, todavia, de ambos os lados, árabes e judeus, cristãos, muçulmanos e israelitas – todos descendentes espirituais do mesmo pai Abraão –, não são nada santos. Como escrevi acima, o povo israelense não é o Povo de Israel bíblico. Suas políticas para com os árabes, em muitos aspectos, são asquerosas, com uma legislação que trata os não judeus como, na melhor das hipóteses, cidadãos de segunda classe e com constantes e repetidos homicídios propositais perpetrados por snipers do exército israelense, com um estado de sítio permanente dos habitantes da Faixa de Gaza, no sudoeste israelense, e outras práticas nada morais. Do lado árabe, os atentados e mísseis fazem a sua parte no festival de iniquidades que assola a região.

Os países árabes que ficarão ofendidos com a mudança da embaixada também entram nisso. São, quase sem exceção, ditaduras ferocíssimas. O dinheiro que para eles vai cai todo nas garras dos inescrupulosos governantes, não da população. A meu ver, não há razão alguma para dar valor a tais regimes; convenhamos que a moral, por vezes, pode e deve sobrepujar os interesses comerciais mais estritos, e é lamentável que tratemos tais regimes como se fossem o equivalente das democracias europeias. Além disso, a carne que o Brasil exporta para esses países é, por exigência deles mesmos, de animais abatidos segundo o ritual sacrificial muçulmano. Em outras palavras, nossos abatedouros dedicados à exportação não apenas matam as galinhas, vacas e ovelhas, mas as sacrificam a um deus que demanda sangue de cristãos, ao mesmo deus que justificaria os horrendos atentados controlados a partir da região que assolam a Europa e outras partes do mundo. Existe, assim, o perigo de atrair esses mesmos atentados para o nosso território.

Sopesando tudo isso, sou a favor da mudança da embaixada, mesmo não valendo absolutamente nada a minha opinião. Israel, com todos os seus problemas, tem em Jerusalém a sua capital e é uma palhaçada diplomática, para não dizer uma mentira, sustentar a ficção absurda de que sua capital seria Tel-Aviv. Nossos diplomatas podem e devem estar próximos fisicamente do governo junto ao qual representam nossos interesses. Além disso, a mudança da embaixada apertará os laços de amizade que unem Brasil e Israel, país que tem muitíssimos habitantes de origem brasileira. Não se trata, repito mais uma vez, de confundir o Estado judeu atual com a Israel bíblica, sim de sustentar os interesses de nossos compatriotas que para lá se mudaram, de reconhecer o direito dos judeus a ter um Estado próprio, especialmente depois dos horrores perpetrados contra eles no século passado, e de reconhecer a situação de fato: Jerusalém é a capital do Estado de Israel, como foi a do Reino cristão de Jerusalém, e, se é lá o governo, lá devem ser as embaixadas.

A oposição à mudança da embaixada, do mesmo modo, vem de países cujos regimes de governo não merecem em nada o nosso respeito. Não há razão alguma para apaziguar ditadores sanguinários que, se pudessem, nos matariam todos em nome do seu Alá. Finalmente, será para o Brasil uma coisa excelente, do ponto de vista espiritual, deixar de ter, ou ao menos diminuir radicalmente, a oferta de milhares, quiçá milhões, de vítimas animais a um deus sequioso de sangue cristão.

Em suma, quem defende a mudança da capital em geral o faz por razões erradas. Seja por confundir a Israel bíblica com seu homônimo geopolítico atual, seja por mero instinto de imitação dos EUA, o que não falta é gente querendo fazer a coisa certa pelas razões erradas. Do outro lado, os argumentos comerciais, a meu ver, de nada valem diante do panorama espiritual e geopolítico em que o alinhamento do Brasil com regimes ditatoriais e inimigos da Cristandade deveria ser-nos causa de vergonha, não de orgulho.

Que seja mudada a embaixada, preferencialmente para um lugar que mesmo os que defendem a partição de Jerusalém considerem território judeu. Que se deixe de sacrificar bichos a um falso deus em nosso território. Que se reforcem os laços de amizade entre o Brasil e o Estado judeu, que com todos os seus inúmeros problemas é ainda bem menos mau que os Estados muçulmanos que o circundam. Será, sem dúvida, um sacrifício para nosso país, mas creio que ao fim lhe será algo benéfico.

Segunda Turma do STF julgará habeas de Lula na terça-feira.

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A Segunda Turma doSupremo Tribunal Federal(STF) vai julgar na terça-feira da próxima semana um habeas corpus em que a defesa pede a liberdade do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Na terça-feira, o relator do processo, ministro Edson Fachin, tinha liberado o caso para a pauta. No mesmo dia, o presidente da Segunda Turma, ministro Ricardo Lewandowski, disse que deveria agendar o julgamento para o começo de dezembro.

Além de Fachin e Lewandowski, integram o colegiado os ministros Gilmar Mendes, Cármen Lúcia e Celso de Mello. O resultado será definido por maioria de votos. Entre ministros do STF, a expectativa é de que Lula não seja libertado nesse julgamento. Em votações penais, Cármen, Fachin e Celso de Mello costumam se alinhar no sentido de manter as prisões determinadas pela primeira instância.

No pedido, os advogados disseram que o ex-juiz federal Sérgio Moro “revelou clara parcialidade e motivação política” nos processos contra o ex-presidente. Um dos elementos apontados pela defesa é o fato de Moro ter aceitado o convite do presidente eleito Jair Bolsonaro para ser ministro da Justiça.

Os advogados consideram que o magistrado atuou para impedir o ex-presidente de ser candidato, o que teria beneficiado Bolsonaro. Depois que aceitou o convite, Moro anunciou que não conduziria a Lava-Jato. O juiz tirou férias e depois pediu exoneração.

Lula foi condenado por Moro, em julho do ano passado, a nove anos e meio de prisão, por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, no caso do triplex do Guarujá (SP). Em janeiro, a sentença foi confirmada pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4), que aumentou a pena para 12 anos e um mês. O ex-presidente foi preso em abril. (O Globo).

Palocci escancara os segredos de Lula & Dilma

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Merval Pereira no jornal O Globo:

Quem desdenhava da delação premiada que o ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci fez à Polícia Federal, inclusive os procuradores de Curitiba, que consideraram incipientes as denúncias, agora não tem mais dúvidas de que o depoimento dele é o mais cheio de informações sobre os ex-presidentes Lula e Dilma.

Hoje Palocci deve ir para casa, de tornozeleira eletrônica, mas em prisão domiciliar em regime semiaberto, o que lhe permitirá trabalhar durante o dia. O TRF-4 considerou, por maioria, que a delação premiada foi efetiva para as investigações.

A 8ª Turma ainda reduziu sua pena para nove anos e 10 dias, por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, ele que fora condenado pelo juiz Sérgio Moro a 12 anos, dois meses e 20 dias de reclusão em regime fechado. 

Palocci admitiu que administrou o caixa 2 que a Odebrecht colocou à disposição do PT, e também que era o "Italiano" ou "Itália" das planilhas da Odebrecht. Um dos dois principais ministros do primeiro governo Lula – o outro foi José Dirceu, que ontem teve sua pena confirmada em segunda instância – Palocci incriminou os ex-presidentes Lula e Dilma, de cuja campanha presidencial foi coordenador.

Segundo seu depoimento, parte do dinheiro da empreiteira Odebrecht seria destinada a gastos pessoais do ex-presidente, inclusive a compra de um imóvel para o Instituto Lula, que nunca foi usado para isso. Essas denúncias corroboram outras, que fizeram de Lula réu em processo da Juíza Gabriela Hardt sobre o Instituto Lula, e o do chamado quadrilhão do PT, pelo juiz Vallisney de Souza, em que Lula e Dilma estão denunciados como réus, além do próprio Palocci, entre outros.

Palocci, nas várias denúncias, contou que o então presidente Lula envolvia-se diretamente em alguns pedidos de propinas. Citou um fato que ocorreu antes mesmo de Lula ser eleito presidente, em 2002, envolvendo o delegado do PT no fundo de pensão da Petrobras, o Petros.

Já naquela época, Emilio, o presidente da Odebrecht, pediu ajuda a Lula, pois estava encontrando dificuldades com esse representante petista na Brasken, que tinha sociedade com os fundos.

Outro momento da delação de Palocci que atinge diretamente Lula foi a revelação de que o ex-presidente Lula mandou que o então presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, encomendasse a construção de 40 sondas de exploração de petróleo para arrecadar propina para campanha de Dilma Rousseff à Presidência naquele ano.

Pallocci relatou uma reunião em 2010 na biblioteca do Palácio do Alvorada, com a presença também de Lula, Dilma, e José Sérgio Gabrielli, em que foram acertadas as compras que serviriam para financiar a campanha de Dilma naquele ano. Gabrielli, por sinal, está indiciado em outro processo, em que se investiga a construção de uma sede da Petrobras em Salvador, onde atuava politicamente.

Ao confirmarem a validade da delação de Palocci, os juízes do TRF-4 denotaram que a base das denuncias está sendo confirmada, ou que Palocci deu indicações firmes que poderão gerar novas investigações.

Indulto

Pelo andar dos votos e comentários paralelos de alguns juízes, é possível prever que o resultado final do julgamento do indulto do presidente Temer de 2017, que deve se encerrar hoje, será favorável à liberdade completa dos presidentes de concederem indulto a quem quiserem, na base que bem entenderem.

Isso vai dar a Temer a condição de aumentar as benesses no indulto deste ano. Uma questão ficou clara, no entanto, nas discussões paralelas. O ministro Celso de Mello, que deve votar a favor do presidente, contou que o então presidente Sarney o consultou sobre a amplitude do indulto, pois queria retirar dele os crimes contra a economia popular.

O decano comentou que era uma época em que a hiperinflação sangrava a economia e o Plano Cruzado tentava contê-la. Uma situação daquele momento, que Sarney levou em conta na hora do indulto.

Agora, vê-se pela generosidade do indulto do presidente Temer, que ele não se incomoda com o momento atual, em que a sociedade exige um combate forte à corrupção e aos crimes de colarinho branco.

Com a permissão do Supremo, Temer poderá favorecer, mesmo que o indulto seja genérico e não pessoal, vários políticos, como Eduardo Cunha, a se livrarem da cadeia.

POLÍBIO BRAGA - STF suspende julgamento e continua valendo liminar de Barroso que limita alcance do decreto de indulto de 2017

STF suspende julgamento e continua valendo liminar de Barroso que limita alcance do decreto de indulto de 2017: O editor acompanhou atento todo o julgamento da segunda parte da sessão, a que tratou da cassação da cautelar concedida por Barroso. A sessão terminou agora, 18h24min.

O ministro Luiz Fux pediu vistas, mas o plenário, decidiu em seguida se deveria ou não cassar a cautelar concedida em dezembro pelo ministro Barroso, que estabeleceu algumas regras mais duras. Neste caso, também houve pedido de


GRAÇAS A DEUS, Ex-secretários de Saúde do DF são presos

Ex-secretários de Saúde do DF são presos:

Os ex-secretários de Saúde do Distrito Federal Rafael Barbosa e Elias Miziara foram presos nesta quinta-feira durante uma operação de combate à corrupção na pasta.

Ao todo, são 12 mandados de prisão e 44 mandados de busca e apreensão.

O grupo é investigado por peculato, corrupção ativa e passiva, fraude em licitação e organização criminosa.

Segundo o Ministério Público do DF, um grupo de empresas que fraudou licitações no Rio de Janeiro durante a gestão de Sérgio Cabral replicou o esquema no DF.
Leia este conteúdo na integra em: Ex-secretários de Saúde do DF são presos

POLÍBIO BRAGA - João Gabbardo, atual presidente do IPE, será secretário-executivo do Ministério da Saúde


João Gabbardo, atual presidente do IPE, será secretário-executivo do Ministério da Saúde:

João Gabbardo, atual presidente do IPE e ex-secretário da Saúde de Sartori, será o secretário-executivo do ministério da Saúde.A função é chave. Gabbardo esteve cotado para ocupar a importante função de Secretário de Atenção a Saúde, que maneja 70% das verbas do ministério, mas não emplacou. O atual presidente do IPE protagonizou uma atrapalhada saída e reentrada no governo estadual, porque demitiu-se para assumir funções numa multinacional com escritórios em SP, mas não se acertou nos termos do contrato, que entre outras coisas exigiam conhecimento fluente do inglês. Em função do desacerto, voltou ao RS e foi nomeado presidente do IPE por Sartori.

PF faz buscas nos palácios Laranjeiras e Guanabara, em Piraí e até na casa da mãe de Pezão

PF faz buscas nos palácios Laranjeiras e Guanabara, em Piraí e até na casa da mãe de Pezão: RIO — Pelo menos cinco endereços de Luiz Fernando Pezão foram alvos das equipes da Polícia Federal nesta quinta-feira. Além dos palácios Laranjeiras e Guanabara — residência oficial do governador e sede do governo estadual, respectivamente —,...


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