"O maior inimigo da autoridade é o desprezo e a maneira mais segura de solapá-la é o riso." (Hannah Arendt 1906-1975)

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2019

Depois de Ilona, mais um progressista sai do Ministério da Justiça


Depois de Ilona, mais um progressista sai do Ministério da Justiça:

Ainda hoje o nome de Ilona Szabó foi revogado do Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária (CNPCP). Depois da polêmica nomeação e pressão popular de internautas, o ministro Sérgio Moro voltou atrás em sua nomeação.

A revogação da abortista pró-drogas causal efeito cascata. O diretor-presidente do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Renato Sérgio de Lima, em ofício, pediu seu desligamento do Conselho Nacional de Segurança Pública e Defesa Social: “[…] em solidariedade à cientista política Ilona Szabó de Carvalho, que foi colocada em uma situação constrangedora no episódio da nomeação e posterior revogação da mesma para uma vaga no CNPCP, fruto da pressão de grupos nas redes sociais […]”.

Renato é um ativista desarmamentista e havia sido indicado para o Conselho no governo Temer, dentro da lei que criou o Sistema Único de Segurança Pública (SUSP).

Com informações de Caneta.

O post Depois de Ilona, mais um progressista sai do Ministério da Justiça apareceu primeiro em Conexão Política.

21 fotografias históricas que você não viu na escola

21 fotografias históricas que você não viu na escola:

21 fotografias históricas que você não viu na escola
Desde o seu surgimento, no início do século 19, a fotografia tem se mostrado um instrumento importante para a investigação da história. Dizer que “uma imagem vale mais que mil palavras”, pode até ser clichê, mas realmente faz sentido quando analisamos algumas fotos que ajudam a contar a história do mundo. A Revista Bula pesquisou arquivos de imagens na web e reuniu em uma lista 21 fotos impressionantes que nos ajudam a enxergar o passado com uma nova perspectiva. Algumas fotografias retratam personalidades importantes na ciência e na arte, outras apresentam pessoas comuns que se tornaram a representação de períodos determinantes na história mundial.

Sigmund Freud e Carl Jung depois sair da sauna
14.jpg?w=610&ssl=1
A foto, tirada em 1907, mostra o psiquiatra Carl Jung e o psicanalista Freud descansando após a sauna. Os dois se encontraram pela primeira vez naquele ano e se tornaram grandes amigos.
O homem mais alto do mundo
1.jpg?w=610&ssl=1
Robert Wadlow, o homem mais alto já registrado e confirmado. Também conhecido como “O Gigante de Illinois”, ele media 2,72m. A foto foi tirada em 1939, um ano antes da morte de Wadlow.
O interior do bunker de Hitler em 1945
2.jpg?w=610&ssl=1
Hitler se refugiava em um bunker, um abrigo subterrâneo a cinco metros de profundidade. A fotografia mostra o estado do local após a derrota do líder nazista. Hitler e sua mulher, Eva Braun, cometeram suicídio dentro do bunker.
Vladimir Lênin lidera o Exército Vermelho
4.jpg?w=610&ssl=1
Vladimir Lênin, o líder dos bolcheviques, se dirige aos soldados do Exército Vermelho, que estão prestes a partir para a guerra polaco-soviética, em 1920. Em pé, do lado direito do palanque, está Leon Trótski, intelectual marxista.
Homem alemão se nega a saudar Hitler
6.jpg?w=610&ssl=1
Nessa foto histórica, tirada em 1936, August Landmesser se nega a saudar Adolf Hitler. Ele era contra o nazismo por ter sido proibido de se casar com Irma Eckler, uma judia que posteriormente foi morta em um campo de concentração.
O pequeno Ernest Hemingway pescando
8.jpg?w=610&ssl=1
Em 1904, Ernest Hemingway, aos cinco anos, foi retratado pescando. A pesca sempre foi importante na vida do escritor, que ganhou o Nobel de Literatura em 1954.
Freud e sua assistente, Jofi
10.jpg?w=610&ssl=1
O pai da psicanálise, Freud, acreditava que os cachorros ajudavam a acalmar as pessoas e, por isso, atendia seus pacientes acompanhado de Jofi, sua cadela da raça Chow Chow.
Albert Einstein na praia
9.jpg?w=610&ssl=1
A foto, tirada em 1939, retrata o físico alemão Albert Einstein em uma praia de Long Island, em Nova York. Einstein desenvolveu a teoria da relatividade geral, um dos pilares da física moderna.
Hemingway e o atum
11.jpg?w=610&ssl=1
Como já visto, Ernest Hemingway gostava de pescar desde a infância. Nesta fotografia, tirada em 1935, o escritor exibe um atum pescado por ele. O peixe pesava cerca de uma tonelada.
Howard Carter abre o túmulo do Faraó
3.jpg?w=610&ssl=1
O arqueólogo Howard Carter abre o túmulo do Faraó Tutancâmon, em 1922. Esta foi a tumba faraônica mais bem conservada e intacta já encontrada no Vale dos Reis, no Egito.
Albert Einstein e seus colegas em 1903
12.jpg?w=610&ssl=1
Da esquerda para a direita, estão os cientistas: Conrad Habicht, Maurice Solovine e Albert Einstein. Juntos, eles criaram a Academia Olímpia, grupo que se reunia para discutir ciência e filosofia.
Walt Disney desenhando o Mickey Mouse
13.jpg?w=610&ssl=1
Walter Elias Disney foi o fundador da “The Walt Disney Company”, e tornou-se famoso por seu pioneirismo no ramo das animações. O personagem Mickey Mouse foi criado por ele em 1928 e se tornou o maior símbolo de sua empresa.
Alice Liddell, a garotinha que inspirou “Alice no País das Maravilhas”
23.jpg?w=610&ssl=1
A pequena Alice era filha de Harry Liddell, um amigo próximo do escritor Lewis Carroll. Essa foto, mostra a garota aos seis anos de idade, em 1858. Para escrever “Alice no País das Maravilhas”, Carroll se inspirou em Alice Liddell.
Abbey Road ao contrário
7.jpg?w=610&ssl=1
A foto dos Beatles atravessando a Abbey Road, em Londres, é mundialmente conhecida. O que poucos sabem é que existem seis fotos da banda no mesmo local. O fusca branco que aparece nas imagens foi leiloado em 1986 por 23 mil dólares.
Soldado americano e seu amigo canguru
15.jpg?w=610&ssl=1
Na foto, um soldado americano brinca com um canguru, no norte da Austrália, em 1942. Naquela época, a Austrália era um local estratégico para o treinamento das forças militares dos Estados Unidos.
Duke Kahanamoku, o pai do Surf
22.jpg?w=610&ssl=1
Duke Kahanamoku foi um atleta olímpico havaiano muito famoso no início do século 20. Ele foi o responsável por popularizar o surf em todo o mundo. A foto foi tirada no Havaí, em 1920.
Mulheres presas por usarem trajes de banho indecentes
17.jpg?w=610&ssl=1
Em 1920, a polícia de Nova Jersey prendeu algumas mulheres alegando que os trajes de banho que elas usavam eram muito indecentes.
A mãe migrante
18.jpg?w=610&ssl=1
A foto, tirada pela fotojornalista Dorothea Lange, em 1936, se tornou um ícone da depressão nos Estados Unidos. A mulher retratada na imagem é Florence Owens Thompson. Aos 32 anos de idade, ela era mãe de seis filhos e passava por necessidades em um acampamento de imigrantes.
Medição de trajes de banho
19.jpg?w=610&ssl=1
Em 1920, um homem mede o tamanho dos maiôs das mulheres. Se as roupas de banho fossem consideradas muito curtas, elas poderiam ser multadas.
Órfão austríaco ganha sapatos novos após a 2ª Guerra Mundial
20.jpg?w=610&ssl=1
Com o fim da 2ª Guerra Mundial, a Europa viveu um longo período de escassez. Na foto, Werfel, um garoto que vivia em um orfanato da Áustria, abraça um novo par de sapatos que ganhou da Cruz Vermelha Americana. A cena foi capturada pelo fotógrafo Gerald Waller, em 1946.
Martin Luther King removendo uma cruz queimada de seu quintal
Martin-Luther-King-1.jpg?w=610&ssl=1
Ao lado de seu filho, o pastor e ativista Martin Luther King retira uma cruz queimada de seu quintal. O objeto provavelmente foi plantado por racistas ligados à Ku Klux Klan, grupo que pregava a supremacia branca.

Salsichas acadêmicas: o caso do dossiê sobre lesbocídio.

lesbocidio-900x506.jpg

No Brasil, os crimes homofóbicos são como as salsichas: melhor não saber como são fabricados. Texto de Flávio Gordon, publicado pela Gazeta do Povo:

“Os intelectuais são, no estrito senso que estamos vendo, fundamentalmente inconsequentes às exigências do mundo externo.” (Thomas Sowell, Os Intelectuais e a Sociedade)

Naquele fim de tarde, o estudante universitário Daniel Reynaldo subiu, determinado, as escadarias do prédio do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais (IFCS) da UFRJ, localizado no Largo de São Francisco de Paula, centro do Rio de Janeiro. Seu objetivo era acompanhar a apresentação dos resultados de uma pesquisa acadêmica intitulada Dossiê sobre Lesbocídio no Brasil de 2014 a 2017, de autoria das pesquisadoras Maria Clara Dias (professora do Departamento de Filosofia e coordenadora do estudo), Milena Cristina Carneiro Peres e Suane Felippe Soares, e desenvolvida no âmbito do Grupo de Pesquisa “Lesbocídio – As histórias que ninguém conta”, iniciativa do Núcleo de Inclusão Social (NIS) e do Nós: Dissidências Feministas, ambos vinculados àquela universidade. Tendo tido conhecimento prévio do estudo, pretendia questionar as autoras sobre o que lhe pareceram falhas metodológicas e conclusões infundadas da pesquisa. Mas não tardaria a descobrir que, nos dias de hoje, há coisas que não se deve perguntar dentro de uma universidade, pois o que está em jogo ali é militância político-ideológica, não ciência. O que se relata a seguir é baseado em entrevista por mim realizada com Daniel (que já havia publicizado o ocorrido em seu blog e página do Facebook), bem como nos áudios por ele gravados no dia do incidente.

É o dia 7 de março de 2018. Numa sala tomada por ativistas de extrema-esquerda – membros de variados “coletivos” entoando de quando em quando seus gritos de guerra tribais –, e na qual uma atmosfera de exacerbada comoção substitui o espírito acadêmico de debate racional e crítica, as pesquisadoras apresentam resumidamente os objetivos e resultados do dossiê. Após ouvir pacientemente a exposição, quando então se abre inscrição para perguntas da plateia, Daniel faz estes dois questionamentos, com toda a educação:

1. Para o ano de 2017, a pesquisa registrara 17 casos de suicídios de lésbicas no Brasil. Naquele mesmo ano, houve aproximadamente 11 mil suicídios em geral. Diante dessa proporção, não seria exagerado qualificar como alarmante o número de suicídios de lésbicas?

2. Embora a pesquisa listasse vários casos explícitos de lesbocídio, as informações veiculadas na imprensa sobre a maior parte deles não davam prova de motivação lesbofóbica. As autoras poderiam explicar melhor os critérios adotados para se chegar às conclusões?

Já na segunda pergunta, as vaias começam. Daniel passa a ser violentamente hostilizado e ofendido. “Lesbofóbico! Asqueroso! Babaca! Palhaço!” são algumas das ofensas (as mais leves) que sofre. Por várias vezes, ordenam-lhe que cale a boca. A segurança do prédio é chamada com o objetivo de expulsá-lo dali. Convicto de seu direito de estar naquele espaço público, e ademais sendo aluno da universidade, ele se recusa a sair, e tenta explicar a situação para os seguranças, sempre em meio a ofensas. O evento prossegue em clima tenso. Ao fim, Daniel dirige-se à saída e começa a ser empurrado pelas costas. Recebe chutes e safanões, ainda que sem gravidade.

Eis que, em meio ao rebuliço que encerrava o evento, aparece um personagem curioso, mas deveras típico na fauna acadêmica nacional. Dirigindo-se rispidamente a Daniel, e não à turba hostil, o funcionário da universidade começa a gritar com voz estridente e pastosa: “Sem agressão! Sem agressão!” Junto aos seguranças, conduz o pária para fora do recinto. “Vai embora, seu asqueroso” – grita uma mulher ao fundo. “Vai, vai, vai por aqui” – o homem indica o caminho aos seguranças. Mais uma vez, Daniel tenta argumentar com um deles. Transtornado, o funcionário recém-chegado interrompe-o aos berros, com palavras de baixo calão: “Olha só, o senhor cale a sua boca. Ninguém fala nada. Eu sou o diretor desta porra, hein? Cale a sua boca! Cale a sua boca!”.

Daniel questiona: “O senhor é diretor do IFCS?” A resposta é a mesma: “Cale a sua boca”. Daniel reage com ironia: “Desculpe, eu não sabia que você era o diretor do IFCS”. “Desculpa é o caralho!” – torna o homem. Insiste-se na pergunta, e o sujeito (que não era diretor do instituto coisa alguma, mas apenas um diretor administrativo) responde: “Não tenho obrigação de te responder isso não, parceiro. Não tenho obrigação de te responder essa porra, não”.

Levado para uma sala e mantido em cárcere privado por cerca de meia hora, Daniel tem o celular apreendido pela segurança. Ao perguntar se poderia reaver o seu aparelho, recebe a resposta, sempre gritada, do autoproclamado diretor: “Não pode pegar porra nenhuma! Não pode pegar porra nenhuma aqui”. Depois de algum tempo, o sujeito dá voz de prisão a Daniel, e o apresenta a policiais militares estacionados na porta do instituto. Todos são levados para a delegacia para prestar esclarecimentos. Ali, professores, alunos e funcionários da faculdade (incluindo, segundo nosso entrevistado, a então diretora do IFCS) acusam Daniel de agressão verbal, desacato e ameaça, tentando fazer com que fosse preso em flagrante. As acusações são rejeitadas pela Polícia Civil. O dia se encerra. Mas o imbróglio está só começando.

Daniel não fora desprevenido ao lançamento do dossiê. Como admite numa de suas perguntas, já vinha analisando os dados da pesquisa por algum tempo. Uma vez que as pesquisadoras haviam adotado como metodologia o clipping de notícias sobre mortes de lésbicas na internet – chegando ao número total de 126 entre os anos de 2014 e 2017 (número esse que passou a ser tomado como verdade absoluta pela imprensa) –, nosso entrevistado decidira procurar pelo nome das falecidas listadas, a data e o local do ocorrido, de modo a verificar qual fora a causa da morte noticiada na imprensa. O que descobriu foi que muitos casos computados no dossiê como lesbocídio – definido pelas pesquisadoras como “morte de lésbicas por motivo de lesbofobia ou ódio, repulsa e discriminação contra a existência lésbica” – tinham, na verdade, causas muito distintas. Seguem alguns exemplos.

Em 25 de dezembro de 2017, no município paulistano de Riolândia, a jovem Vitória Graciano Ramos foi acidentalmente atropelada por um parente ao escorregar do capô do carro em movimento no qual se sentara depois de abrir uma porteira. Para as pesquisadoras da UFRJ, Vitória foi vítima inequívoca de lesbocídio. Em 21 de setembro de 2017, na zona norte de Manaus, a assaltante Fabíola Oliveira Menezes morreu em troca de tiros com a polícia. Junto com dois comparsas também armados, havia roubado um Corsa preto, utilizado na fuga. Para as pesquisadoras da UFRJ, Fabíola foi vítima inequívoca de lesbocídio. Em 13 de julho de 2017, a cabeleireira e empresária Micaela Ferreira Avelino, 26 anos, foi baleada e morta em assalto a banco ao lado de sua barbearia num shopping da Grande Natal. Para as pesquisadoras da UFRJ, Micaela foi vítima inequívoca de lesbocídio. Em 24 de setembro de 2015, em Prata (MG), Talita Evelin Ribeiro Araújo, 21 anos, foi morta e incendiada pela namorada Eliane Alves, 36 anos. Para as pesquisadoras da UFRJ, Talita foi vítima inequívoca de lesbocídio. E assim sucessivamente…

Até que Daniel começasse a criticar a utilização dos dados da pesquisa, as autoras mantinham uma lista das vítimas de lesbocídio em três domínios virtuais, um blog no WordPress, uma página no Facebook, e outra no Twitter. Foi dessa lista, aliás, que o nosso entrevistado retirou os nomes das pretensas vítimas de lesbocídio citados no parágrafo anterior, pesquisando por eles nos meios de comunicação. Assim que começou a divulgar na internet as circunstâncias reais dessas mortes, o conteúdo das páginas foi apagado, tornando inacessível a base de dados utilizada para a conclusão de que, entre 2014 e 2017, houve no Brasil 126 vítimas de lesbocídio – ou seja, lésbicas mortas por serem lésbicas. Contudo, Daniel ainda teve tempo de tirar print de parte do material contido na página no Twitter.

Depois do incidente no IFCS, e com base na Lei de Acesso à Informação, Daniel decidiu requerer diretamente à UFRJ, e em seguida ao MEC, a lista com os nomes e os links acessados para verificação das circunstâncias das mortes. De início, a universidade nem sequer respondeu. Depois, forçada a dar alguma resposta pela Controladoria-Geral da União (CGU), sob pena de processo por improbidade administrativa, saiu-se com explicações pouco convincentes.

Assinada pela coordenadora do dossiê, a professora Maria Clara Dias, a primeira resposta foi negativa. Alegava-se que, por não ter recebido recursos governamentais, a pesquisa não estava sujeita à referida lei. Ocorre que a alegação contradizia o próprio documento oficial do estudo, em que se agradecia à Faperj e à Capes por haverem financiado a publicação do dossiê. Ademais, tendo utilizado recursos humanos e materiais da UFRJ, uma autarquia federal, ficava claro que os dados que fundamentaram a pesquisa eram de interesse público, sendo, portanto, objeto da Lei de Transparência.

Derrubado esse primeiro argumento em prol do sigilo sobre a base de dados, a UFRJ rejeitou um segundo recurso do requerente. Em resposta assinada pelo reitor Roberto Leher (aquele mesmo, filiado ao PSol, em cuja gestão o Museu Nacional extinguiu-se em chamas), recorria-se, agora, para negar o acesso às informações solicitadas, sob o pretexto da ética de pesquisa e da preservação da imagem das vítimas e de seus parentes. A alegação também não ficava de pé, todavia. Segundo a metodologia adotada pelas pesquisadoras, os dados levados em conta para a conclusão do dossiê já eram públicos, tendo sido retirados de sites e portais de notícias na internet.

Depois dessas negativas, a CGU terminou por conceder provimento parcial do recurso, de modo que fossem disponibilizados ao requerente os dados coletados no âmbito da pesquisa, mas apenas – essa era a ressalva – “em relação a idade da vítima, cidade/estado/região onde o caso ocorreu, a profissão da vítima, o método do assassinato, o vínculo com o assassino, o sexo do assassino, o tipo de lésbica e a raça/etnia da lésbica assassinada, bem como o número do processo judicial aos quais os crimes se referem, vedando-se a identificação das vítimas e dos assassinos”. O parecer não incluía a exigência de publicidade dos nomes das 126 pessoas mortas e dos links das matérias acessadas pelas pesquisadoras. Firme na convicção de obtê-los, contudo, Daniel entrou com recurso de última instância junto à Comissão Mista de Reavaliação de Informações (CMRI), mas, até o momento em que escrevo, o processo ainda está em andamento.

O estranho comportamento das pesquisadoras (e, por extensão, da própria universidade) em relação à divulgação dos dados não ficou só nisso. Como, depois do incidente no IFCS, Daniel houvesse feito críticas incisivas à pesquisa, acusando-a de “fraudulenta” e “mentirosa” – acusações que, todavia, a divulgação da base de dados talvez pudesse desmentir –, as autoras moveram-lhe uma ação de indenização por danos morais. Dizendo-se vítimas de agressão, perseguição, bullying virtual, assédio e terror psicológico, as autoras acusam o réu de atacar a população LGBT, entreter ideias nazistas e incitar o ódio. Na ação, exigiam em caráter liminar a remoção, suspensão e bloqueio integral das páginas na internet em que Daniel criticava a pesquisa; a proibição, sob pena de multa diária, de que o réu voltasse a tratar do caso; e, por fim, uma indenização por danos morais no valor de 20 salários mínimos.

Por incrível que pareça, a Justiça do Rio de Janeiro acatou o pedido das autoras – de início, até mesmo a suspensão das páginas (posteriormente liberadas por nova decisão do Tribunal de Justiça) –, condenando Daniel (que já recorreu) ao pagamento da indenização. Num dos trechos da sentença condenatória, a juíza do TJ-RJ responsável pelo caso argumenta: “Acrescente-se que o objeto da pesquisa das autoras é a morte violenta de uma parcela da população LGBTI, ou seja, as lésbicas, notoriamente discriminadas como minoria. O Brasil lidera ranking mundial de mortes por homofobia, segundo dados amplamente divulgados na imprensa. Diante de tal quadro, toda e qualquer forma de estímulo à violência, seja física ou simbólica, contra a população LGBTI deve ser combatida e sancionada, para se superar o comportamento estigmatizante e excludente”.

Note-se que o raciocínio (para não falar do vocabulário) da juíza aproxima-se perturbadoramente ao da militância LGBT(I?) mais inflamada, como aquela que hostilizou Daniel dentro da universidade. Mais ainda: como fundamento da sentença, a doutora dá de barato uma informação – a de que o Brasil lidera ranking mundial de mortes por homofobia – que, justamente, parece ser baseada em pesquisas metodologicamente imprecisas, tal como a que aqui se discute.

É realmente alarmante a possibilidade de que magistrados (incluindo aí os ministros ultraprogressistas do STF) possam estar proferindo decisões judiciais com base em conclusões acadêmicas infundadas. O que prova, por si só, a importância de se dar ampla publicidade à base de dados de onde se extraem essas conclusões. Caso contrário, cria-se um mecanismo nocivo de retroalimentação, uma caixa preta em que o mérito jamais é discutido (afinal, no caso em litígio, as 126 mortes foram ou não realmente motivadas por “lesbofobia”?), mas sempre pressuposto. Para condenar Daniel, a juíza tomou como fato inquestionável justamente aquilo que seria preciso debater de maneira transparente, mas que não tem sido graças à confusão reinante entre ativismo político (e jurídico) e pesquisa científica.

Fora da esfera judicial, a comunidade acadêmica agiu no caso como de costume: corporativa e ideologicamente. Publicaram-se um sem-número de manifestos coletivos de desagravo às autoras do dossiê e ataques coordenados contra a reputação de Daniel (ver exemplo), julgado e condenado pelo crime de exigir transparência, bem como rigor metodológico, de pesquisadoras universitárias financiadas com verba pública. Semanas após o incidente no IFCS, num paroxismo de irresponsabilidade e inversão de valores, o colegiado do Departamento de Filosofia – sob os protestos heroicos (mas inúteis) de um único professor – decidiu conceder uma menção de louvor àquele funcionário que, apresentando-se como “diretor desta porra” (leia-se, do instituto), interpelou Daniel aos berros, mantendo-o, ademais, em cárcere privado dentro da faculdade. Premiado por conduta imprópria a um funcionário público, o sujeito decerto não hesitará em reexibir o seu desequilíbrio numa nova oportunidade.

É, portanto, nesse ambiente de insanidade oficializada, do qual a discussão sobre a realidade concreta foi banida por meio de gritos histéricos e retórica sentimentalista, que a proposta de criminalização da homofobia tem sido decidida no Brasil por ministros da suprema corte que se portam como militantes, falam como militantes e se baseiam em dados colhidos exclusivamente em pesquisas conduzidas por militantes. Pesquisas que, como se viu no caso aqui relatado, jamais podem ser questionadas, muito menos esmiuçadas, tendo como único fundamento (sagrado e interdito) a palavra final do ativismo político. No Brasil, os crimes homofóbicos são como as salsichas: melhor não saber como são fabricados.

O desprezo pela plebe: um retrato da esquerda portuguesa (e brasileira).


colunista_ptunhas_467-200x200.png
Perante o ditador Maduro, que empreendeu uma guerra contra o seu próprio povo, gente simpática como Francisco Louçã ou Joana Mortágua é tomada por um horror sagrado face... ao imperialismo americano, escreve o professor Paulo Tunhas no Observador (qualquer semelhança dos Louçã e Mortágua com Gleisi e a ralé ideológica esquerdista do PT e PSOL não é mera coincidência):


Face ao ditador Maduro, que empreendeu uma guerra contra o seu próprio povo, obrigando quase três milhões e meio de venezuelanos a abandonarem o país nos últimos anos, gente simpática como Dilma Rousseff, Gleisi Hoffmann, Francisco Louçã ou Joana Mortágua é tomada por um horror sagrado face ao imperialismo americano. Trump arranjará maneira, por um método qualquer, de pôr a mão na Venezuela e de impor um seu fantoche, tendencialmente sanguinário. Nada de surpreendente, é claro. Os velhos ódios, como os velhos amores, morrem dificilmente. Mas o facto de não ser surpreendente, muito exactamente, convida a alguma reflexão.

A facilidade em saltar para os hipotéticos males futuros, desvalorizando alegremente os reais males presentes, é ajudada por duas características salientes: a incapacidade de olhar os factos com um mínimo de despreendimento relativamente a um quadro teórico geral no qual cresceram e de que nunca se afastaram por um milímetro – e um profundo desprezo pela plebe. Estas duas características encontram-se, de resto, ligadas uma à outra.

Convém não esquecer que uma boa parte da esquerda (incluindo uma grossa fatia do PS) vive no interior de um mito. O mito generosamente garante sentido a tudo. Ou melhor, garante o sentido todo àquilo que permite pensar e, simultaneamente, cria uma fronteira intransponível entre o sentido e o sem-sentido, que pertence às trevas exteriores. O que é que o mito, genericamente, diz? Diz que há uma direcção bem determinada da história, na qual, sabendo-o ou não, caminhamos, e que essa direcção conduz ao socialismo e ao comunismo. Quem segue nessa direcção está no bom caminho, quem marcha em sentido contrário está no caminho errado. Não ver isto é laborar no sem-sentido, que só pode resultar de uma resistência voluntária ao sentido da história ou da pura e simples ignorância.

Toda a gente está a par desta doutrina, que outrora recebeu desenvolvimentos filosóficos apreciáveis, bem como elaborações de uma rusticidade extraordinária. O que se tende a ignorar é a que ponto ela continua a trabalhar os espíritos e a fornecer o mobiliário mental fundamental de gente que aparenta alguma sofisticação intelectual. O núcleo essencial do mito permanece intacto naquelas cabeças, aconteça o que acontecer, e se, por um instante ou outro, a crença se torna menos aparente, é para reaparecer logo a seguir, magicamente intacta e não menos poderosa. Não há desmentidos de qualquer espécie, empíricos ou teóricos, que a possam pôr em causa, como nada há que consiga tornar mais porosa a fronteira entre sentido e sem-sentido. Isso manifesta-se tanto nas mais gerais como nas mais ínfimas e ridículas questões. O mito perdura, eternamente fechado em si mesmo.

Percebe-se assim que Joana Mortágua ou Francisco Louçã, em artigos publicados no esquerda.net, não vejam o que qualquer pessoa que não viva no interior do mito vê com toda a nitidez possível. Por exemplo, que o regime “bolivariano” é um regime que, desde o primeiro momento (desde Chávez), estava condenado a tornar-se numa ditadura e que Guaidó, valha ele o que valer, representa efectivamente a voz possível de uma sociedade humilhada e miserável, submetida à crueldade de uma casta corrupta. Aí onde o ridículo e o grotesco anunciavam com razoável antecipação o horror, nada viam. O ridículo e o grotesco escaparam-lhes por inteiro, e tal colossal falta de sensibilidade diz muito daquelas cabeças. Certamente que agora se distanciam parcialmente de Maduro, que manifestamente não pode já encarnar o sentido da história. Maduro tornou-se incómodo, de mau gosto. Mas essa sensibilidade de superfície – que os distingue do PC, que tem a pele mais dura — não chega, é claro, para olhar a realidade de frente e medir o real sofrimento das pessoas. Cada milímetro de distância de Maduro é compensado com metros de repúdio dos Estados Unidos, finalmente os únicos efectivos fautores da desgraça dos venezualanos. Sempre foi assim. É um ritual que o mito ordena.

Mesmo assim… Como se pode ser tão imune à informação amplamente disponível sobre a miséria venezuelana? Bom, a imunidade à informação sobre o terror tem uma larga história e também aqui não se pode falar propriamente de novidade. Mas, sobretudo, é preciso ter em conta que o mito obriga a uma extraordinária selectividade no uso da compaixão. Se as criaturas humanas não encaixarem bem no esquema que o mito oferece, não gozarão sem dúvida da mesma piedade que merecem aquelas que nele encaixam. Formam uma plebe indistinta que não comove. Não se anda longe do desprezo.

É este desprezo, mais explícito ou mais implícito, que essencialmente fere. É o desprezo a que o mito obriga em relação a tudo o que escapa ao seu fechamento, a tudo o que não cabe no seu sentido. Aquela gente que foge da Venezuela ou que por lá se deixa morrer, pura e simplesmente não faz sentido. Joana Mortágua e Francisco Louçã preferem falar dos Estados Unidos e dos sinistros planos do Império. Conhecendo um pouco aquela maneira de pensar, faz todo o sentido: um sentido que tem uma triste e longa história.

Cotas nas universidades: uma política irracional e insensata.

VESTIBULAR%2BREITOR%2B13JC-ID000002-1200

 Artigo do professor Carlos Adriano Ferraz, publicado pela Gazeta do Povo:
Eu tenho um sonho de que meus quatro filhinhos, um dia, viverão numa nação onde não serão julgados pela cor de sua pele e sim pelo conteúdo de seu caráter”. Martin Luther King
“Todos têm perguntado ... ‘que devemos fazer com o negro?’ Eu tenho apenas uma resposta desde o início. Não façam coisa alguma para nós! Vocês terem feito algo para nós já nos causou dano. Não nos façam coisa alguma! (...) se o negro não puder se apoiar em suas próprias pernas, então o deixe cair”. Frederick Douglass 
A Gazeta do Povo publicou recentemente um artigo (“Eu me declaro pardo”: reprovados por comitê de cotas, alunos protestam contra UFPE”) que reacende o problema insolúvel das cotas nas Universidades. Por que insolúvel? Ora, porque a questão das cotas é motivada não por razões, mas por uma ideologia. E por essa razão cotas deveriam ser banidas: não há como resolver racionalmente essa questão, uma vez que ela está corrompida em sua origem. Em verdade, as cotas mesmas são uma política ineficiente, irracional e insensata, como já foi demonstrado, de forma amplamente justificada e documentada, por autores como Thomas Sowell, Walter Williams, Richard Sander e Stuart Taylor.

Assim, o tema das cotas faz parte dos dogmas adotados por nossas universidades, juntamente com os mantras da “diversidade”, da “inclusão”, etc. Tais são apenas alguns dos dogmas dos quais partem nossos gestores, os quais eles simplesmente não questionam (afinal, são dogmas). Assim, ao evocarem seus dogmas, nossos ungidos “justiceiros sociais” (geralmente parte de uma “elite” acadêmica branca de esquerda), desde dentro da universidade, recorrem a uma forma de atuação cujo propósito é simplesmente manipular o público mediante o apelo emotivo, especialmente na defesa de políticas e ideias destinadas ao fracasso (como o sistema de cotas). Dessa maneira, eles partem desses dogmas e, ao invés de se deixarem orientar por argumentos racionais voltados para a verdade (que deveria, aliás, ser o propósito mais elevado de uma Universidade), imergem em apelos emotivos, deixando de lado qualquer resquício de razoabilidade.

Um desses dogmas é o das “cotas”, especialmente (mas não apenas) o das “cotas raciais”. Aliás, um dogma de tal forma enraizado no universo acadêmico que qualquer um que o questione será imediatamente chamado de ‘racista’ (ou, como mais na moda atualmente, de ‘fascista’ e ‘intolerante’). 

Dessa maneira, temos sido reiteradamente ensinados, em nossas Universidades, que o sistema de “cotas” é a solução para o problema das assim chamadas “minorias”. Atualmente vários grupos são beneficiados com essa denominação. Mas cabe perguntarmos: tal sistema é, realmente, eficiente? Não apenas isso, é ele justo? Ou, ainda: essa política visa realmente beneficiar as chamadas “minorias” ou assegurar a promoção daqueles “posers de moralidade” (a “elite” acadêmica branca de esquerda) que adotam tais “minorias” como ‘mascotes’ para seu próprio proveito?

Bom, a questão da eficiência é, aqui, irrelevante. Não apenas o termo “eficiência” é politicamente incorreto em nossas universidades, como também elas têm sido tradicionalmente geridas pela esquerda. Ou seja: são administradas por quem não precisa pensar em ideias que as tornem eficientes. Como disse Thomas Sowell, “não deveríamos ficar surpresos por encontrar a esquerda em instituições nas quais as ideias não precisam funcionar para sobreviver”. Assim, dado o dogma da “imaculidade da universidade” (concebida sem o “pecado original” do aliciamento pelo mercado), segundo o qual ela não pode se imiscuir com interesses de mercado e com a ideia de empreendedorismo, falar em “eficiência” das políticas adotadas nas universidades é uma heresia acadêmica (uma heresia que, felizmente, vem sendo cometida por algumas áreas em particular, por seu mérito e virtude).

E quanto à (in)justiça de tais políticas? 

Eu diria, primeiramente, que quando o que importa é ser “politicamente correto” e perpetuar o discurso emotivo, pouco importa considerações racionais (e, mesmo, fatos) atinentes à legitimidade de tais políticas. Mas, embora nossos gestores sejam cegos para elas, essas considerações existem. Dois estudos seminais esclarecem, de forma persuasiva e amplamente documentada, não apenas a injustiça dessas políticas, mas também seu destino ao fracasso. Refiro-me às obras “Ações Afirmativas ao redor do mundo” (2004), de Thomas Sowell, e “Mismatch: How Affirmative Action hurts students It is intended to help, and why Universities won’t admit It” (2012), de Richard Sander e Stuart Taylor. 

Essas são duas obras fundamentais para analisarmos racionalmente a questão, sem sentimentalismos tóxicos, sem demagogia e sem populismo. Urge o estudo de tais estudos, especialmente nesse momento em que ações ditas “afirmativas” se impuseram dogmaticamente desde nossas universidades. 

Com efeito, um dos dogmas solapados pelos autores dessas obras é o dogma dos efeitos positivos das ações afirmativas. A obra de Thomas Sowell, por exemplo, nos oferece um estudo empírico que revela toda a hipocrisia e demagogia por detrás das ações afirmativas. Ele analisa circunstanciadamente os resultados empíricos das políticas preferenciais implantadas em países como Índia, Malásia, Nigéria, USA, etc, chegando a conclusões que certamente seriam aplicáveis ao Brasil. Em resumo, em lugar algum do mundo as ações afirmativas funcionaram como uma política pública minimamente razoável. Ou seja, nossas universidades (mediante seus gestores) estão tão atrasadas (e desligadas da ideia de eficiência) que não apenas recorrem a ideias fracassadas: elas o fazem mesmo havendo exemplos que demonstram o fracasso dessas ideias. 

Como constatado pelos autores dos livros referidos (e por Frederick Douglass no século XIX), os negros, por exemplo, nunca foram beneficiados pelo assistencialismo (do qual fazem parte as ações afirmativas). Em verdade, eles não foram beneficiados por qualquer programa de assistência social. A economia de mercado (capitalismo) sempre foi o mecanismo mais eficiente para assegurar a prosperidade geral (inclusive das “minorias”). 

Nesse sentido, Sowell ataca duramente a dominante “mentalidade vitimista”. No contexto de suas abordagens acerca da ação afirmativa ele demonstra que o racismo (ou a escravidão) nunca foi causa de pobreza, criminalidade e desempenho medíocre nos estudos. Dentre as causas estão, por exemplo, a dissolução da estrutura familiar (algo observado inclusive pelo Senador estadunidense de esquerda, Daniel Patrick Moynihan, ainda nos anos 1960, ao demonstrar que a então crescente dissolução da família negra seria causa de caos e miséria), o relativismo moral, a ideia de que todas as culturas têm o mesmo valor, o vitimismo, um ensino elementar medíocre (que impede a igualdade de largada), etc. 

E qual a alternativa diante desse quadro? Ora, a alternativa seria, dentre outras coisas, a rejeição do estado de bem-estar social, o fim do monopólio da educação pública (adesão à ideia de um sistema de vouchers, por exemplo) e, claro, a adoção de um comportamento autônomo, responsável. Não apenas isso, seria preciso reconhecermos, contra o “multiculturalismo”, que há, sim, culturas melhores que outras, culturas que asseguram de forma mais eficiente a autorrealização individual e a prosperidade social. Ou seja, culturas que prezam valores como individualidade, liberdade, propriedade privada, empreendedorismo e, claro, livre mercado, bem como que protegem a estrutura familiar, evitando sua dissolução. 

Outro ponto que pode ser extraído de ambos os livros é o seguinte: quando “incluímos” na universidade estudantes tendo em vista aspectos que não sejam suas qualificações intelectuais, causamos dano ao indivíduo (que muito provavelmente fracassará caso as disciplinas mantenham sua exigência) e à própria instituição, que decairá inevitavelmente (o que terá impacto social, econômico, etc.). Parece óbvio para qualquer pessoa que pense um pouco a respeito, mas nossos atuais gestores jamais o admitirão. Eles não admitirão que tais ações “afirmativas” causam nos indivíduos a perda da confiança, fazendo com que tenham um desempenho cada vez mais baixo, o que consolida o abjeto preconceito segundo o qual eles são estudantes inerentemente medíocres se comparados ao que não ingressaram pelo sistema de cotas. 

Com dados ainda mais atualizados do que os de Sowell, os autores de ‘Mismatch’ corroboram as teses de Sowell e oferecem evidências esmagadoras quanto ao dano que as ações afirmativas causam às “minorias” estudantis. Observem, por exemplo, que hoje escutamos discussões sobre “políticas de permanência” na Universidade. Ou seja, temos as “ações afirmativas” para incluir e consideramos “políticas de permanência” para assegurar que os “incluídos” receberão, ao final, seu diploma. Em breve teremos, além das “ações afirmativas”, “avaliações afirmativas”. Na verdade, elas talvez já estejam ocorrendo, o que explica estarmos formando estudantes que sequer são alfabetizados proficientemente (algo mensurado por pesquisas como aquela intitulada “Estudo especial sobre alfabetismo e mundo do trabalho”, do Instituto Paulo Montenegro, a qual descobriu que apenas 22% dos que estão em vias de concluir – ou que recém concluíram – um curso “superior” são proficientemente alfabetizados). 

Eis um dos grandes embustes que se consolidou em nossas Universidades mediante políticas destinadas ao fracasso. 

Mas finalizemos com um exemplo polêmico e preocupante, a saber: talvez estejamos admitindo na medicina, mediante cotas, alunos que estariam qualificados para cursar, quem sabe, alguma licenciatura cuja exigência para acesso seja mais flexível. Ou talvez estejamos incluindo alunos que não estariam qualificados para a universidade de forma alguma, o que não é demérito: poderiam desempenhar atividades importantes e rentáveis que não exigem curso superior algum. Afinal, a universidade não é para todos.

Não obstante, estamos autorizando indivíduos com habilidades controvertidas a cuidarem da saúde de outras pessoas. E aqui podemos citar um caso paradigmático, a saber, o de Patrick Chavis. Admitido na Faculdade de Medicina da Universidade da Califórnia em 1973, Chavis foi beneficiado pelas “ações afirmativas”. Por anos ele foi o “modelo” brilhante e midiático do suposto sucesso das “ações afirmativas” nos USA. Com o diploma de médico ele voltou às comunidades negras para servir como exemplo e para cuidar da saúde das pessoas. No entanto, também por anos se ocultou algo terrível: diversos de seus pacientes morriam de forma suspeita. Resultado: após muitas mortes e sofrimento em diversos outros pacientes, a verdade emergiu. Patrick Chavis não era sequer capaz de realizar procedimentos médicos básicos. Após uma investigação que durou um ano sua licença foi revogada. 

E seu exemplo não foi algo isolado. Ainda nos anos 1970 um Professor da Harvard Medical School declarou que Harvard estava permitindo que estudantes negros se graduassem sem que tivessem atingido certos padrões mínimos para ingresso e permanência no curso. Ele foi obviamente acusado de fazer declarações racistas, embora sua preocupação não fosse com os estudantes negros, mas com todo estudante não qualificado para ingressar e concluir o curso de medicina. Isso seria, segundo ele, “permitir que pacientes que confiam em nós paguem pela nossa irresponsabilidade”.

Assim, temos atualmente uma abrangente defesa das ações afirmativas, especialmente na forma de ‘cotas raciais’. Elas seguem avançando cegamente nas Universidades. Mas o ponto é que a ação afirmativa se impôs como um ‘dogma’, o que significa dizer: ela foi estipulada sem uma discussão sobre sua legitimidade e, mesmo, sobre seus efeitos (individuais e sociais) em longo prazo. Em verdade, ela se apresenta hoje quase de forma inquestionável (daí seu status de ‘dogma’). Assume-se que ela é legítima e disso se depreendem diversas ações com o propósito apenas de assegurá-la (mediante cotas em concursos, cotas na graduação, cotas na pós-graduação, etc.). Questioná-las não é, como sabemos, bem visto, de tal forma que o discurso sobre sua [suposta] importância ganha força especialmente na fala de demagogos sem grande envergadura intelectual, os quais pervertem nossas Universidades.

Resgatemos, pois, as visões de negros como Martin Luther King e Frederick Douglass, homens judiciosos e excepcionais cuja visão asseguraria a todos uma prosperidade fundada na dignidade da pessoa humana. 

* Graduado em Filosofia pela Universidade Federal de Pelotas (UFPEL), Mestre em Filosofia pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), doutor em Filosofia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), com estágio doutoral na State University of New York (SUNY). Foi Professor Visitante na Universidade Harvard (2010). Atualmente é professor da Universidade Federal de Pelotas (UFPEL) na graduação e no Programa de Pós-Graduação em Filosofia, no qual orienta dissertações e teses com foco em ética, filosofia política e filosofia do direito.

Após crítica de bolsonaristas, Moro volta atrás em nomeação de Ilona Szabó


Após crítica de bolsonaristas, Moro volta atrás em nomeação de Ilona Szabó:

O ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, decidiu nesta quinta-feira, 28, revogar a nomeação da cientista política Ilona Szabó de Carvalho para assumir uma suplência no Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária (CNPCP).

A decisão do ministro foi tomada depois de uma intensa repercussão negativa da escolha de Ilona entre apoiadores do presidente Jair Bolsonaro (PSL), que se voltaram contra o ministro depois da escolha da cientista política, especialista em segurança pública e diretora do instituto Igarapé, em virtude de posições suas contras pautas do bolsonarismo, como a flexibilização da posse e do porte de armas.

A decisão foi divulgada por Moro em uma nota na qual o juiz deixa transparecer sua insatisfação com a situação. O Ministério da Justiça pediu escusas à Ilona pela situação e reforçou que ela havia sido escolhida pelos “relevantes conhecimentos da nomeada na área de segurança pública” e “pela notoriedade e qualidade dos serviços prestados pelo Instituto Igarapé”.
Na nota, a pasta informa que a cientista política foi comunicada da decisão e admite que esta se deveu à “repercussão negativa em alguns segmentos”.

Entre as mensagens que se destacavam no Twitter, onde a hashtag #IlonaNão chegou aos temas mais comentados, estavam as compartilhadas pelo ativista pelo armamento Bene Barbosa, do Movimento Viva Brasil (MVB), que a colocava como “inimiga do governo Jair Bolsonaro”, e a do deputado Paulo Martins (PSC-PR), que classificava como “decepcionante” a escolha da especialista pelo ministro.

URGENTE! MORO RECUA EM NOMEAÇÃO DE ILONA SZABÓS


 28.02.19 18:38

Sergio Moro recuou na nomeação de Ilona Szabó para o Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária.

Em nota, Moro pede “escusas” à ativista e explica que a indicação teve “repercussão negativa entre certos segmentos”.

Cabral diz que esquema de propina envolvia religiosos católicos


Cabral diz que esquema de propina envolvia religiosos católicos:

O ex-governador Sérgio Cabral afirmou hoje (26), durante depoimento ao juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal Criminal, que membros da cúpula da Igreja Católica do Rio de Janeiro participaram de transações envolvendo pagamentos de propinas. Cabral citou nominalmente o arcebispo do Rio, cardeal dom Orani Tempesta, e um outro padre, identificado como dom Paulo. O depoimento foi registrado em vídeo ao qual a Agência Brasil teve acesso.

As propinas teriam a ver, segundo o ex-governador, com a organização social (OS) Pró-Saúde, que administra hospitais no Rio de Jasneiro e em outros estados. O depoimento de Cabral foi pedido por ele e fez parte do último ato da Operação Fatura Exposta, que investigou pagamentos de propinas do setor de saúde a agentes públicos.

“Eu não tenho dúvida de que deve ter havido esquema de propina com a OS da Igreja Católica, da Pró-Saúde. Eu não tenho dúvida. O dom Orani devia ter interesse nisso, com todo respeito ao dom Orani, mas ele tinha interesse nisso. Tinha o dom Paulo, que era padre, e tinha interesse nisso. E o Sérgio Côrtes nomeou a pessoa que era o gestor do Hospital São Francisco. Essa Pró Saúde certamente tinha esquema de recursos que envolvia religiosos. Não tenho a menor dúvida”, disse Cabral a Bretas, que em breve determinará as sentenças aos envolvidos.

Outro lado

A Igreja Católica respondeu em nota: “Sobre o depoimento do ex-governador, podemos afirmar que a Igreja Católica no Rio de Janeiro e seu arcebispo têm o único interesse que organizações sociais cumpram seus objetivos, na forma da lei, em vista do bem comum”.

A organização social Pró-Saúde disse em nota que colabora com a investigação: “A Pró-Saúde tem colaborado com as investigações e, em virtude do sigilo do processo, não se manifestará sobre os fatos. A entidade filantrópica reafirma neste momento o seu compromisso com ações de fortalecimento de sua integridade institucional, bem como com a prestação de um importante serviço à saúde do Brasil”.

Solidariedade

Em outro trecho de seu depoimento, Cabral revelou que houve pagamento ao partido Solidariedade, para que este apoiasse, em 2014, a eleição de Luiz Fernando Pezão, que era vice-governador e secretário de Obras.

“Na campanha de 2014 eu pedi dinheiro para pagar o Solidariedade. É uma outra história. O Solidariedade foi, de certa maneira, comprado para apoiar o Pezão em 2014, mas esta é uma outra situação, que o Miguel Iskin [empresário do ramo de produtos médicos, envolvido e preso] ajudou também, pagando por dentro e me deu um dinheiro por fora”, disse Cabral.

O Solidariedade negou. “O Partido Solidariedade repudia as declarações do ex-governador Sérgio Cabral. O partido integrava a base de apoio do seu governo e a decisão de apoiar a reeleição do governador Pezão foi apenas uma continuidade do posicionamento existente. As doações recebidas foram devidamente registradas e as contas aprovadas pelo TSE”, disse em nota.

O post Cabral diz que esquema de propina envolvia religiosos católicos apareceu primeiro em ISTOÉ Independente.

Cabral diz que esquema de desvio de recursos da saúde envolvia religiosos

Cabral diz que esquema de desvio de recursos da saúde envolvia religiosos:

O ex-governador do Rio, Sérgio Cabral Filho (MDB), disse que o esquema de desvio de recursos na saúde pública do Rio também envolvia religiosos. Ele citou os contratos do Estado com a Organização Social Pró-Saúde, que é administrada por padres da Igreja Católica, e o cardeal D. Orani João Tempesta, arcebispo da Arquidiocese do Rio.

“Não tenho dúvida de que deve ter havido esquema de propina com a O.S. da Igreja Católica, da Pró-Saúde. O dom Orani devia ter interesse nisso, com todo respeito ao dom Orani, mas ele tinha interesse nisso. Tinha o dom Paulo, que era padre, e tinha interesse nisso. E o Sérgio Côrtes nomeou a pessoa que era o gestor do Hospital São Francisco. Essa Pró-Saúde certamente tinha esquema de recursos que envolvia religiosos. Não tenho a menor dúvida”, afirmou.

Outro lado

Em nota, a Arquidiocese do Rio respondeu que a Igreja Católica no Rio de Janeiro e seu arcebispo “têm o único interesse que organizações sociais cumpram seus objetivos, na forma da lei, em vista do bem comum”.

Procurada no início da noite, a Pró-Saúde não respondeu sobre o depoimento de Cabral e afirmou que só poderá falar nesta quarta-feira, 27, em horário comercial. A organização é uma das maiores entidades de gestão de serviços de saúde e administração hospitalar do País e tem sob sua responsabilidade mais de 2.068 leitos e cerca de 16 mil profissionais.

“A atuação da Pró-Saúde, entidade sem fins lucrativos, se alinha aos esforços da sociedade para o aperfeiçoamento dos serviços públicos de saúde. Como organização alicerçada na ética cristã e na vasta experiência católica de trabalho social, voltada aos mais diversos públicos, nas mais distintas realidades, a Pró-Saúde prima pela valorização da vida e pela defesa das condições essenciais para o desenvolvimento das pessoas”, diz a organização, em nota publicada no seu site.

Ex-procuradores

Cabral também disse, em depoimento ao Ministério Público Federal do Rio em 21 de fevereiro, que fez um acordo com o ex-procurador geral de Justiça do Rio, Marfan Vieira, para que este arquivasse processos relacionados a ele. Em troca, Cabral disse que atuaria para a recondução de Marfan à chefia do Ministério Público Estadual do Rio. O ex-procurador rebateu as acusações do ex-governador, afirmando não haver nexo entre os motivos alegados por Cabral e a sua nomeação.

Cabral contou que o ex-secretário da Casa Civil do Rio, Régis Fichtner, teria intermediado o acordo. Ele disse que ele e Marfan estavam brigados, e Fichtner teria atuado para resolver esse “problema”, porque existiam processos recíprocos entre eles. O procurador teria pedido ao então secretário que o reaproximasse de Cabral a fim de que, se ele fosse reeleito, o reconduzisse ao cargo de procurador-geral de Justiça.

“Eles fizeram as pazes, retiraram os processos e foi prometida a recondução”, diz a transcrição do depoimento de Cabral ao MPF.

Cabral disse que o também fez acordo com o ex-procurador de Justiça Cláudio Lopes relacionado à privatização da Companhia Estadual de Água e Esgoto (Cedae). Neste caso, estava pendente uma investigação no MPE sobre a companhia. Lopes teria dito a Cabral que tinha condições de arquivar o processo, desde que ele se tornasse procurador-geral de Justiça.

Preso desde novembro de 2016 e já condenado a 197 anos e 11 meses de prisão, Cabral admitiu pela primeira vez em depoimento à Justiça que recebeu propina durante suas gestões como governador. A mudança de discurso ocorre após a troca de advogado – Marcio Delambert assumiu a defesa de Cabral em 3 de janeiro deste ano. Por enquanto não foi firmado acordo de delação premiada. Cabral é tratado pelo MPF como réu confesso.

Ao longo do depoimento, que foi sigiloso, o ex-governador admitiu que recebeu propina. O suborno, segundo ele, foi pago por empreiteiras, como a Queiroz Galvão e a Odebrecht, e por empresários, como Arthur Menezes Soares Filho conhecido como “Rei Arthur” e dono de empresas que mantiveram contratos milionários com o governo do Estado nas gestões de Cabral (2007-2010 e 2011-2014).

Cabral disse que definia a porcentagem que queria receber, conforme a obra, e avisava Regis Fichtner, que foi chefe da Casa Civil durante suas gestões e está preso desde 15 de fevereiro. Segundo Cabral, cabia a Fichtner, que classificou como “primeiro-ministro” de seu governo, negociar a propina com as empresas que firmavam contratos com o governo.

Defesa

O ex-procurador-geral Marfan Martins Vieira afirmou em nota que, “no dia 30 de abril de 2003, há quase dezesseis anos, portanto, ingressei com ação de responsabilidade civil por danos morais contra o então senador Sérgio Cabral Filho, em razão de ofensas por ele assacadas contra mim pela imprensa. Cerca de um ano depois, fui procurado por Regis Fitchner, que à época chefiava o gabinete do então senador, o qual me pediu que não prosseguisse na demanda contra Cabral, uma vez que o episódio causador do litígio já se achava inteiramente superado e sem consequências danosas para o ofendido. Como se tratava de processo referente a interesse exclusivamente pessoal, decidi acolher o pleito e orientei meu advogado a não prosseguir na causa.”

“A cronologia dos fatos, no entanto, é muito importante para a exata compreensão do ocorrido. Na verdade, a extinção do aludido processo ocorreu no ano de 2004, quando eu ainda ocupava a função de presidente da Associação do Ministério Público. Em realidade, meu primeiro mandato como Procurador-Geral de Justiça somente veio a ocorrer em 2005 e quem me nomeou para o cargo foi a então governadora Rosinha Garotinho. Ainda no que tange à cronologia, é relevante observar que Cabral só se tornou governador do Estado do Rio de Janeiro no ano de 2007, após candidatura formalizada no ano de 2006, o que, por si só, torna inverossímil a estória de um suposto acordo de recondução celebrado em 2004, quando Cabral não era sequer candidato ao governo do Estado e eu tampouco ocupava a chefia institucional do Ministério Público.”

A defesa de Régis Fichtner respondeu que só vai se manifestar quando tiver acesso ao depoimento do ex-governador. A reportagem não localizou a defesa de Lopes.

Ex-padre vira delator e confessa participação em esquema no Rio, diz revista

Ex-padre vira delator e confessa participação em esquema no Rio, diz revista:

Um ex-padre, que durante anos foi braço direito do arcebispo do Rio de Janeiro, o cardeal dom Orani Tempesta, admitiu participar de esquema de corrupção na Saúde do governo Sérgio Cabral e se tornou delator premiado, informa a Época...

Leia este conteúdo na integra em: Ex-padre vira delator e confessa participação em esquema no Rio, diz revista

Ex-padre participou de desvio de R$ 52 milhões envolvendo a Igreja no Rio de Janeiro

Ex-padre participou de desvio de R$ 52 milhões envolvendo a Igreja no Rio de Janeiro: O ex-padre Wagner Augusto Portugal foi, durante anos, o braço direito do cardeal arcebispo do Rio de Janeiro, Dom Orani Tempesta. Portugal, que perdeu o direito de usar a batina, agora, é um dos principais colaboradores da Operação S.O.S. — um dos...


SOBRE SÉRGIO MORO.

Não existe NENHUMA Democracia do Mundo onde as noções, os mais rudimentares conceitos políticos de “esquerda” E de “direita”,  não influenciem o DIREITO, a EDUCAÇÃO, a MEDICINA, enfim: toda CULTURA do país – isso é inevitável e é, eu diria, até certo ponto, saudável para Democracia.

O que NÃO é justo, nem SAUDÁVEL nem INEVITÁVEL é eleger um Governo acreditando que ele é de “Direita” que tem lá dentro um Ministro da Justiça de Esquerda. O ato de Sérgio Moro, que agora já ficou claro para todos nós – é um homem de ESQUERDA – não é o ato de um “Homem” nem de um “Juiz de Direito”. Se fosse, seria inevitável a influência de suas convicções pessoais.

 O ato dele é um ATO DE GOVERNO e, nesse caso, ele não tem, NÃO, qualquer espécie de “direito” NEM de justificativa “técnica” para agir como um homem de Esquerda. O que ele fez NÃO TEM DEFESA.

O Brasil INTEIRO acreditou que PRENDER LULA faria de Sérgio Moro um "homem de Direita" - não faz. Agora já sabemos.

Uma História do Samba – Lira Neto

Uma História do Samba – Lira Neto:

Depois da aclamada trilogia biográfica de Getúlio Vargas, Lira Neto se lançou ao desafio de contar a história do samba urbano. Em sua nova empreitada (de fôlego!), o escritor cearense pretende retraçar, com sua verve narrativa singular, o percurso completo desse ritmo sincopado que é um dos sinônimos da brasilidade. Em virtude da riqueza e da amplitude do material compilado, recheado de documentos inéditos e registros fotográficos, o projeto será desdobrado em três volumes — neste primeiro, Lira leva o leitor das origens do samba até o desfile inicial das escolas de samba no Rio. O samba carioca nasceu no início do século XX a partir da gradativa adaptação do samba rural do Recôncavo baiano ao ambiente urbano da então capital federal. Descendente das batidas afro-brasileiras, mas igualmente devedor da polca dançante, o gênero encontrou terreno fértil nos festejos do Carnaval de rua. Nas décadas de 1920 e 1930, com o aprimoramento do mercado fonográfico e da radiodifusão, consolidou seu duradouro sucesso popular, simbolizado pelo surgimento das primeiras estrelas do gênero e pela fundação das escolas de samba.

danse lapone by Agnès Perrodon

v2?webp=true&sig=d9ad197219fa00e615693cb

danse lapone by Agnès Perrodon:

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2019

O que faz o Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária


Criado em 1980, o Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária é um órgão de consulta do governo para formulação de projetos na área de segurança...Criado em 1980, o Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária é um órgão de consulta do governo para formulação de projetos na área de segurança.

Produz informações e análises voltadas principalmente para a prevenção da criminalidade e a cada 4 anos, elabora um plano nacional, que fixa as diretrizes — a última edição é de 2015.

Com foco especial na situação penitenciária, realiza inspeções periódicas nos presídios e cadeias do país — a visita mais recente, de junho, ocorreu em estabelecimentos do Maranhão.

É também o órgão que propõe regras para o indulto, o perdão da pena que o presidente da República pode conceder a presos condenados.

A composição tem 26 membros (13 titulares e 13 suplentes), todos especialistas, de origem acadêmica ou profissional, ligados ao direito penal, processual penal, penitenciário, bem como representantes da sociedade civil e de ministérios da área social.



A Lei É Clara: Escolha De Membros Do Conselho Criminal É Prerrogativa Do Ministro

A existência do Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária está prevista pela Lei de Execução Penal, Lei No 7.210 de 11/07/1984 em seu Capítulo II, Artigos 62 e seguintes. A íntegra da lei pode ser vista nesse link aqui. Em particular, o artigo que fala da formação do conselho diz:
Art. 63. O Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária será integrado por 13 (treze) membros designados através de ato do Ministério da Justiça, dentre professores e profissionais da área do Direito Penal, Processual Penal, Penitenciário e ciências correlatas, bem como por representantes da comunidade e dos Ministérios da área social. (grifo nosso)
Note-se que a lei fala vagamente em representantes da comunidade, não dizendo em nenhum momento que tais representantes devam ser membros de ONGs ou de qualquer entidade. Portanto, é falsa a afirmação de que Sergio Moro teria a obrigação por lei de nomear Ilona Szabó como suposta representante da comunidade.
Textos de lei elaborados conforme acima são feitos justamente para abrir brechas para que os lobbies de ONGs globalistas possam ocupar legalmente posições no aparelho de Estado, sob pretexto de serem representantes da comunidade. Mas a brecha pode ser fechada, pois o caráter vago do trecho referente a representantes da comunidade permite ao Ministro da Justiça escolher quem ele bem entender, sem precisa ceder ao lobby de ONGs globalistas.
Portanto, Sergio Moro nomeou Ilona Szabó e o fez unicamente por ter cedido ao lobby de uma ONG desarmamentista, e não por imposição legal, uma vez que tal imposição não existe. E ao fazer isso o ministro agiu contrariamente às diretrizes do Presidente Jair Bolsonaro no que tange essa matéria. O ministro tem, portanto, a obrigação moral de cancelar essa nomeação e indicar outro nome, após ouvir o Presidente da República.#CriticaNacional #TrueNews #RealNews

Ministro do STJ manda soltar funcionários da Vale presos após tragédia de Brumadinho

Ministro do STJ manda soltar funcionários da Vale presos após tragédia de Brumadinho:

nefi-brumadinho.png
Imagem: Produção Ilustrativa / Folha Política
O ministro Nefi Cordeiro, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), concedeu um habeas corpus para a soltura de oito funcionários da Vale presos no último dia 15, por ordem da Justiça de Minas Gerais, a pedido do Ministério Público estadual.
Mais informações »


Sergio Moro nomeia diretora de ONG financiada por Soros


Sergio Moro nomeia diretora de ONG financiada por Soros:

O ministro da Justiça e Segurança Pública Sérgio Moro nomeou Ilona Szabó de Carvalho para compor o Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária.

A decisão foi publicada no Diário Oficial da União desta quarta-feira (27).

A nomeação de Ilona causou grande repercussão negativa nas redes sociais, sobretudo porque ela é diretora executiva do Instituto Igarapé, co-roteirista do documentário Quebrando o Tabu, colunista da Folha de S. Paulo, comentarista convidada do programa Estúdio i, da Globo News, entre outras coisas.

Em suas colunas e publicações também é possível perceber que Ilona é ativista das causas pró-desencarceramento, pró-desarmamento e pró-drogas, políticas que são totalmente contrárias às reverberadas pelo presidente Jair Bolsonaro.

No momento do fechamento desta matéria, a hashtag #IlonaNão liderava entre os assuntos mais comentados no Twitter.

O post Sergio Moro nomeia diretora de ONG financiada por Soros apareceu primeiro em Conexão Política.

Ilona Szabó em foto com Lula em 2015.

Melhor não tê-los: o caso dos sem-filhos por motivo ambiental.

mundo-eua-alexandria-ocasio-cortez-20181

Vilma Gryzinski:

Não multiplicai-vos nem enchei a terra é o lema antibíblico de uma corrente de adultos jovens tão apavorados com as mudanças ambientais que chegam ao extremo de ligar as trompas ou fazer vasectomia como um ato de ecologismo radical.

O movimento “child-free” existe há mais de uma década, mas ganhou exposição mundial através da falante Alexandria Ocasio-Cortez, a deputada americana que virou heroína, literalmente (vai ter uma história em quadrinhos para ela), de todos os progressistas.

Enquanto descascava uma batata doce na cozinha de seu apartamento funcional e fazia uma live pelo Instagram, ela mencionou casualmente o assunto.

“Nosso planeta vai acabar em desastre se não mudarmos de rumo e é tipo um consenso científico que a vida das crianças vai ser muito difícil”, disse, ecoando o alarmismo maluco que passa por ciência.

“Isso leva o pessoal jovem a ter uma dúvida legítima, tipo ainda é ok ter filhos?”.

Tudo que Alexandria faz vira moda e o “monólogo da batata doce” ecoou pelo planeta.

Nesse caso, excepcionalmente, a deputada que propôs acabar com os combustíveis fósseis, eliminar carros e aviões e reconstruir todas as edificações dos Estados Unidos para adaptá-las a formas limpas de energia (de onde sairão não é problema dela) está um pouco atrasada.

Em vários países avançados, mulheres e homens em plena idade reprodutiva já se colocaram a pergunta. E responderam “não”.

Não se trata absolutamente do caso das mulheres que preferem não ser mães e, pela primeira vez na história conhecida do mundo, podem fazer isso sem sofrer opróbio social ou se trancar num convento, num mosteiro budista ou alguma outra instituição religiosa que sublime o celibato.

Existe até uma sigla em inglês para os sem-filhos mais extremistas, VHEMENT, o Movimento pela Extinção Voluntária da Humanidade.

A pronúncia em inglês equivale a “veemente”. E haja veemência. Alguns invocam até uma visão distorcida da nobre causa da defesa dos direitos dos animais.

“Os recém-nascidos recebem onze vacinas obrigatórias que são testadas em animais”, disse ao VICE um francês de 34 anos identificado apenas como David. Ele fez vasectomia no ano passado.

“As crianças são obrigadas a tomar leite, comer a carne toda para ficar fortes e se adaptar às normas. Pesquisamos soja transgênica para alimentar os animais que as crianças comerão antes de ficar doentes. A qualidade de vida que ofereceremos a elas não é digna de ser vivida.”

Sem contar que os animais de corte são responsáveis por 14,5% do efeito estufa – a flatulência dos bovinos também foi um assunto abordado inicialmente pela deputada Ocasio-Cortez na sua proposta de acabar com a economia americana tal como a conhecemos.

Outro entrevistado pelo VICE, Lou, 27 anos, igualmente vasectomizado, compartilha a visão soturna: “Os recursos vão desaparecer rapidamente e não quero administrar a educação de uma criança nessa situação”.

Além do alarmismo ambiental, as mulheres que ligam as trompas para não aumentar a pegada ecológica geralmente também rejeitam os efeitos de métodos como a pílula anticoncepcional e o DIU.

Muitos médicos se recusam a fazer a esterilização em pessoas jovens, mesmo quando as leis não estabelecem limites de idades.

Falando ao Guardian, Gwynn Mackellen contou que demorou cinco anos para conseguir a intervenção. Aos 31, conseguiu.

“Nossa cultura é muito natalista”, disse ela. Trabalhando em São Francisco com reciclagem de lixo, Gwynn acredita que as pessoas “não são más, são muitas”, produzindo efeitos avassaladores para a natureza pela mera existência.

Os antinatalistas prosperam exatamente nos países ricos que já passam por crescimento populacional muito baixo ou negativo, com consequências comprovadamente deletérias para a manutenção das redes de proteção social.

A visão apocalíptica do futuro é tão comum entre diferentes culturas que parece estar embutida no software humano.

No mundo ocidental, a preocupação com o planeta ocupa em muitos sentidos o espaço deixado pela religião. No auge da guerra fria, também vicejou a ideia de que era crueldade ter filhos para ser incinerados no holocausto nuclear – outra imagem tirada do ritos religiosos.

A esterilização precoce pode ser até comparada aos sacrifícios da carne em favor do aperfeiçoamento espiritual, presentes em muitos sistemas de crença.

Com todo seu radicalismo, os defensores da extinção voluntária têm pelo menos a vantagem de expor em toda sua crueza os dilemas da superpopulação, geralmente subdimensionados em favor de uma visão otimista segundo a qual diminuir a emissão de gases, andar de bicicleta e comer menos ou nenhuma carne podem “nos salvar”.

Todo mundo conhece a história de que a raça humana levou 200 mil anos para chegar a um bilhão de pessoas, em 1804; dobrou de tamanho em 1927; foi para três bilhões em 1959; dobrou de novo em 1999 e agora está em 7,7 bilhões – e aumentando.

Ao contrário dos militaristas que largavam a vida mundana, faziam penitências e esperavam o fim dos tempos quando a era cristã se aproximava do ano 1000, os defensores da autoextinção em geral sabem que não farão diferença nenhuma na carga populacional do planeta.

Querem ter a consciência em paz. Ou apenas o gostinho da superioridade moral, como os veganos ou cicloativistas ou ambos.

Talvez só pensem de novo no assunto se Alexandria Ocasio-Cortez ficar grávida e fizer uma live do parto.