"O maior inimigo da autoridade é o desprezo e a maneira mais segura de solapá-la é o riso." (Hannah Arendt 1906-1975)

sábado, 31 de agosto de 2019

SOBRE O "ISENTISMO"

Isentismo – Subs.Abstrato. Neologismo. Palavra derivada do conceito de “isenção” ou, ainda, do adjetivo “isento” - aquele que se encontra “livre” ou “desembaraçado”. Isentismo é uma palavra usada tanto por Vagabundos Petistas como Milicianos Evangélicos Bolsonaristas no sentido pejorativo, ofensivo e que tem intenção de dizer que o praticante do “isentismo” não quer ser “nem bolsonarista NEM vagabundo petista." O isentismo tem sua raiz filosófica no maniqueísmo: a doutrina em que você tem OBRIGAÇÃO MORAL de ser ou uma coisa ou outra. Chamar Vagabundos Petistas de ladrões, psicopatas, pederastas e maconheiros e AO MESMO tempo dizer que Boslsonaro é um PSICOPATA CORRUPTO defendido por milicianos evangélicos e ladrões assassinos do RJ passou a ser visto com “isentismo”. Os brasileiros que hoje querem se comprometer com a VERDADE e com a JUSTIÇA passaram a ser chamados ofensivamente de “isentões”.

Bolsonaro diz não tem ‘nenhum compromisso’ com Moro no STF

Bolsonaro diz não tem ‘nenhum compromisso’ com Moro no STF:

O presidente Jair Bolsonaro voltou a colocar em dúvida, neste sábado, 31, a possibilidade de indicar o ex-juiz e atual ministro da Justiça, Sergio Moro, a uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF), e acenou para outro auxiliar cotado, o advogado-geral da União, André Mendonça. Até o fim de seu mandato, o presidente terá ao menos duas vagas na Corte para preencher.

“Não existe nenhum compromisso meu com Moro”, afirmou o presidente, em almoço no quartel-general do Exército, em Brasília. “Tem que ver. Como o Senado avaliaria ele hoje?”, questionou. Também neste sábado, Bolsonaro disse que o ex-juiz federal é “ingênuo” e que lhe falta “malícia”. As declarações ocorrem no momento em que Moro passa por um processo de fritura no governo.

O presidente participou de um churrasco no quartel-general do Exército, em Brasília. Pouco depois de entrar, o presidente mandou os seguranças convidarem um grupo de jornalistas e motoristas da imprensa que o esperavam na porta para participar do evento. Ele conversou por cerca de uma hora e meia com seis jornalistas.

Enquanto diz não ter compromisso em indicar Moro ao STF, Bolsonaro tem dito que pretende reservar uma das vagas a alguém “terrivelmente evangélico”. Questionado durante o almoço se este nome seria o do AGU, André Mendonça, que é reverendo da Igreja Presbiteriana Esperança de Brasília, o presidente disse que o auxiliar é “terrivelmente supremável”. Outro nome sempre lembrado para a vaga é o do juiz Marcelo Bretas, responsável pela Lava Jato no Rio, que também é evangélico.

A indicação de ministros do Supremo é uma atribuição do presidente da República, que depois precisa ser aprovada pelo Senado, após  a realização de uma sabatina.

Em maio, em uma entrevista à Rádio Bandeirantes, Bolsonaro chegou a afirmar que, ao convidar Moro para integrar sua equipe de ministros, comprometeu-se a indicá-lo para a primeira vaga que fosse aberta no STF. Dias depois, porém, voltou atrás e disse que não houve um acordo, mas sim que gostaria de alguém com o perfil do ex-juiz da Lava Jato na Corte. O ministro também sempre negou que houvesse qualquer compromisso.

O primeiro ministro do Supremo que deve deixar a corte é o decano Celso de Mello, que completa 75 anos – a idade de aposentadoria obrigatória – em novembro de 2020. A segunda vaga no STF deve ficar disponível com a aposentadoria de Marco Aurélio Mello, em julho de 2021.

(Com Estadão Conteúdo)


Anexos originais:
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Humorista Gustavo Mendes tem show interrompido por causa de críticas à Bolsonaro

Humorista Gustavo Mendes tem show interrompido por causa de críticas à Bolsonaro:

Minas Gerais – O humorista Gustavo Mendes, conhecido por interpretar a ex-presidente Dilma Rousseff no YouTube, teve o seu stand up “Di Uma Vez Por Todas” interrompido após fazer críticas à Bolsonaro, nesta sexta-feira, em Teofilo Otoni, município do interior de Minas Gerais. Parte do público saiu do teatro no meio do espetáculo e reivindicou o dinheiro do ingresso.
De acordo com o advogado e professor universitário João Gabriel Prates, de 26 anos, que estava presente na plateia, o artista foi hostilizado com expressões racistas, como “vai fazer show na África” e outras cobrando a devolução do dinheiro, como “eu te paguei para fazer piada, para de fazer política”.
“Ele faz o personagem da Dilma sem ser depreciativo e as pessoas estavam reagindo ao que ele falava, rindo e criticando também. Até que alguns telespectadores contrários ao posicionamento que ele adota no show reagiram de forma mais pesada às críticas ao Bolsonaro. O Gustavo parou o show e disse que ia devolver o dinheiro”, conta.
João Gabriel também afirmou que as pessoas tentaram censurar o espetáculo, acionando a Polícia Militar.
“Os produtores estavam do lado de fora pegando os nomes de quem queria o dinheiro de volta e parte dessas pessoas queria voltar para atrapalhar o show. A Polícia Militar foi chamada numa tentativa deles de acabar com o stand up. O Gustavo ficou abalado com a situação, mas deu continuidade ao espetáculo depois da confusão e recebeu as pessoas para tirar foto no final”.
De acordo com a Polícia Militar de Teófilo Otoni, os policiais militares foram acionados por volta das 21h35 e houve registro de um boletim de ocorrência. A assessoria de Gustavo Mendes não foi localizada para comentar o caso.
Humorista Gustavo Mendes discute com plateia após fala sobre Bolsonaro. Eu lembro quando o @LiloVLOG nos alertou sobre ele. pic.twitter.com/1HK1WtnvG9
— Matheus A. de Amaral (@madeamaral) August 31, 2019
Humorista Gustavo Mendes durante show em Teófilo Otoni Mg discute com mais da metade da plateia pq foi falar mal de Bolsonaro a plateia queimou na hora.mais da metade saíram do show pic.twitter.com/lDM8YZcTRa
— Domingos santana (@Domingosfsanta1) August 31, 2019
Nas redes sociais, vídeos sobre o episódio viralizaram no Twitter e o assunto foi um dos mais comentados na plataforma durante a manhã deste sábado.
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VÍDEO - Gustavo Mendes e a tentativa de censura dos Bolsonaristas

Toda a obra de Shakespeare para download gratuito

Toda a obra de Shakespeare para download gratuito:

Toda a obra de Shakespeare para download gratuito
Famoso por obras como “Hamlet” (1601) e “Romeu e Julieta” (1595), William Shakespeare é considerado o maior escritor do idioma inglês, além de ser o autor mais citado de todos os tempos. Mesmo tendo-se passado séculos, sua produção de 37 peças, 154 sonetos e poemas esparsos é uma das mais aclamadas ainda nos dias de hoje.

Shakespeare nasceu em 1564, em Stratford-Avon, na Inglaterra, e produziu a maior parte de sua obra entre os anos de 1590 e 1613. Suas primeiras peças eram principalmente comédias, gênero que ele levou ao ápice da sofisticação com seu talento artístico. Posteriormente, se dedicou à escrita de tragédias, como “Hamlet” (1601), sua peça mais longa, e “Macbeth” (1607). Entre 1608 e 1613, trabalhou em tragicomédias e romances.

Conhecido como “Poeta nacional da Inglaterra”, Shakespeare foi um artista respeitado em sua época, mas sua reputação atingiu o auge apenas no século 19. Ele morreu em 1616, em sua cidade natal. Segundo os últimos estudos, o autor foi vítima de um tumor nos olhos. Para os que desejam se aprofundar na obra do dramaturgo, a Universidade de Adelaide, uma das instituições de ensino mais antigas da Austrália, disponibiliza toda a sua obra para download gratuito.

Ao todo são 38 peças, divididas em Comédias, Histórias, Romances e Tragédias. Segundo o site, é importante lembrar que as comédias, na época de Shakespeare, eram diferentes das atuais. Também estão disponíveis coleções de sonetos e poesias. Os livros podem ser baixados em três formatos: Zip, ePub e Kindle (para dispositivos Amazon). Todos estão em inglês. Para fazer o download, basta clicar sobre o título e escolher a opção “download”.

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SOBRE A TEORIA DO CONHECIMENTO.


31 de Agosto de 1867: Morre o poeta francês Charles Baudelaire

31 de Agosto de 1867: Morre o poeta francês Charles Baudelaire:

Charles Pierre Baudelaire, poeta e escritor francês, nasceu em Paris a 9 de Abril de 1821 e morreu a 31 de Agosto 1867, nessa mesma cidade. Herdeiro do Romantismo , conseguiu exprimir a tragédia do destino humano e dar uma visão mística do universo. Durante os seus estudos no liceu tornou-se viciado em ópio e haxixe, contraindo ainda doenças venéreas que viriam, mais tarde, a ser a causa da sua morte. O pai era um homem de cultura e um amante de pintura, e levava-o, com apenas quatro ou cinco anos de idade, a apreciar a beleza das formas e das linhas. Pouco tempo depois, em 1827, perdeu o pai. Mas o que mais lhe atormentou a infância foi o facto de a mãe ter casado com o general Aupick, que o enviaria para uma viagem por mar até à Índia, promovida para o fazer esquecer a carreira das Letras. Pelo contrário, regressou cheio de imaginação e determinado a ser poeta. Desenvolveu também uma tendência para um estado de espírito de intensa melancolia e de natureza solitária. Com o capital herdado do pai, viveu como um típico dândi. Em 1844 juntou-se a Jeanne Duval, relação que lhe trouxe muita infelicidade, ao ponto de se sentir tentado a suicidar-se. Mesmo assim, Jeanne foi motivo de inspiração dos poemas eróticos de Charles Baudelaire. Baudelaire torna-se conhecido como crítico de artes plásticas em revistas onde formula a sua conceção daquilo que deve ser a arte moderna. Em 1847 escreve o seu único romance, autobiográfico, La Fanfarlo . Em 1852 descobre a escrita de Edgar Poe e decide traduzi-la. Ocupa-se deste escritor até 1865. Em Poe descobre pela primeira vez alguém com quem se identifica espiritualmente. As traduções e as críticas de arte aumentaram a sua reputação e levaram-no a publicar os primeiros poemas numa revista que era considerada o bastião conservador do Romantismo, o que motivou acusações de obscenidade. Na Primavera de 1857, saíram nove poemas em "La Revue Française" e três em"L'Artiste", e em Junho publica o seu primeiro livro, Les Fleurs du Mal , alvo de um escândalo na época, devido ao erotismo de algumas poesias. Esta obra valeu-lhe um processo judicial por ultraje à moral pública e às boas maneiras. Para pagar as despesas do tribunal colaborou em diversas revistas. Ainda em 1857 escreve Petits Poèmes en Prose . Em 1861 publicou a segunda edição alargada e engrandecida de Les Fleurs du Mal mas omitindo os poemas banidos, publicados na Bélgica. Uma terceira edição viria a ser publicada em 1966. Em 1862 Baudelaire tinha declarado falência e as dificuldades económicas levaram-no ao desespero. Para escapar aos credores fez uma viagem à Bélgica em 1864. Em Fevereiro de 1866, ainda na Bélgica, encontrava-se gravemente doente. Regressou a Paris e viria a falecer nos braços da mãe, em Agosto do ano seguinte. A existência literária de Baudelaire é marcada por dois sonetos: Correspondances e L'Albatros . No primeiro prenuncia o simbolismo e todas as sinestesias do imaginário moderno, descobrindo "misteriosas correspondências". L'Albatros representa a condição terrena do poeta, que não sabe viver nem acomodar-se na sua existência. Em 1868 é publicada a sua obra crítica, Art Romantique . Estes trabalhos de Baudelaire são a fonte da poesia moderna. Os seus escritos representam uma combinação perfeita entre ritmo e música. Foi perseguido por obscenidade e blasfémia e mesmo depois da sua morte continuou a ser identificado pela opinião pública como símbolo de depravação e vício. Rejeitou a posição dos românticos e voltou-se para o seu interior numa poesia introspectiva em busca de Deus, sem uma crença religiosa, procurando em qualquer manifestação da vida, como a cor de uma flor ou o olhar cerrado de uma prostituta, a sua verdade significante. Com Deus e com as pessoas, tem um movimento de atração e rebeldia, uma espécie de ressentimento contra o criador. Baudelaire é um crítico da condição humana do mundo moderno. E moderna, foi a sua recusa em admitir restrições à escolha dos temas para poesia. Escreveu em prosa as obras: Les Paradis Artificiels , Opium e Haschisch ; Petits Poèmes en Prose ; Curiosités Esthétiques ; Art Romantique ; Le Spleen de Paris , entre outras. Dos seus desencontros nasce o tédio infinito, o tema dominante em Le Spleen de Paris , que se torna desejo atormentador de viajar em busca de coisas novas. Chamada pelo amor iludido, surge insistente a imagem da morte, também ela odiada e galanteada como a personificação maior da pequena morte do amor. Teme a morte e deseja-a como a única libertação e o reencontro consigo mesmo. Depois do desaparecimento físico de Charles Baudelaire, as opiniões começaram a mudar e muitos poetas tornaram-se seguidores do movimento simbolista. No século XX tornou-se reconhecido como um grande poeta francês do século XIX, tendo contribuído para revolucionar a sensibilidade e a maneira de pensar da Europa Ocidental.


Charles Baudelaire. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2013.

wikipedia (Imagens)


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Retrato de Charles Baudelaire - Gustave Coubert

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Charles Baudelaire em 1863

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sexta-feira, 30 de agosto de 2019

Os recados de Queiroz

Os recados de Queiroz:

A Veja "descobriu" onde está Fabrício Queiroz. No Morumbi, em São Paulo. Mas nada de entrevista...A Época, por sua vez, “obteve” um áudio de Whatsapp, no qual Queiroz “lamenta ter sido abandonado”: “Eu não vejo ninguém mover nada para tentar me ajudar aí”.

Leia este conteúdo na integra em: Os recados de Queiroz

Se manda, Moro, vai embora.

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No fim de semana, o presidente Jair Bolsonaro recebeu na página oficial de presidente da República o seguinte apelo de um internauta identificado como Bunny: “Jair Messias Bolsonaro, cuide bem do ministro Moro, você sabe que votamos em um governo composto por você, ele e o Paulo Guedes”. E respondeu: “Com todo o respeito a ele, mas o mesmo não esteve comigo durante a campanha, até que, como juiz, não poderia”.

O recado foi dado no noticiário de fim de semana e, a meu ver, não merecia o destaque que mereceu, mesmo sem levar em conta a extrema miséria do vernáculo a que foi reduzido. Afinal, se se considerar que até que possa ser um simulacro de porque a sentença capenga não configura uma tentativa sibilina de desautorizar, desmoralizar ou apequenar um ministro de Estado. Nem sequer mais uma das várias farpas que o chefe do governo tem disparado no ministro da Justiça e da Segurança Pública, com a qual ele parece oferecer corda para o ex-juiz se enforcar sem querer se dar ao trabalho sequer de lhe pôr o laço no pescoço.

Pode-se argumentar que no teor da enigmática resposta o signatário reconheceu que, na condição de autor de uma sentença condenatória contra um pretendente à Presidência, certame do qual ele saiu vencedor, o auxiliar não ter sido companheiro de campanha seria compreensível. Mas o argumento foi explicitado de tal forma que não é de todo improvável que venha a ser usado pela defesa de Lula, o candidato que perdeu a disputa sob o pseudônimo de Haddad, como reforço da hipótese de que Moro tenha interferido mesmo no triunfo que seu atual chefe conseguiu nas urnas.

O que o ocupante do posto mais poderoso da República expôs em seu confuso arrazoado foi equívoco de outra natureza. Embora a Constituição, que rege nosso Estado de Direito, esclareça que, ao tomar posse, o vencedor do pleito passa a governar para todos os brasileiros, sem distinção de quem o apoiou ou nele votou, e tenha assumido essa obrigação no discurso de posse, ele atua como se estivesse desobrigado dele por capricho. O candidato do PSL governa para o núcleo familiar e alguns prosélitos dos perfis sociais do próprio (ou do “mesmo”, em linguagem de elevador, como prefere). Muitos dos quais não passam de robôs controlados pelo desorientado vereador do Rio de Janeiro, seu filho chamado de 02, Carlos Bolsonaro. Moro, que não pertence a essa exlusivíssima grei, é tratado como se não desafeto, no mínimo, alheio a ela.

Antes de tomar posse, o vencedor mentiu para o seu desconhecido que convidou para a pasta mais antiga e para a cidadania que o elegeu, ao prometer que lhe daria carta branca no combate ao crime organizado e à corrupção. E também para os fãs de Moro acenou com sua possível indicação para a vaga no Supremo Tribunal Federal (STF) a ser preenchida em 15 meses com a aposentadoria do decano Celso de Mello.

Moro foi contemplado com toda essa atenção por preencher duas condições básicas para atender aos dois apelos sem os quais não se elegeria o candidato sem tempo na TV, que não participou de debates com outros pretendentes e foi expulso das ruas pela facada que quase lhe tirou a vida. A primeira e mais objetiva delas é a garantia de que a luta contra a bandalheira com recursos públicos e o banditismo comum teria no seu maior símbolo um representante com ministério e carta branca. A segunda, sub-reptícia, mas não muito, é que ninguém no Brasil todo representa mais o antipetismo do que Moro, que condenou o ídolo máximo do PT. Bolsonaro só conseguiu os votos suficientes para ganhar porque era o único candidato sem nenhum pingo de lama exposto pela Lava Jato e ainda por, ao contrário dos oponentes todos, nunca ter sido acusado em alguma delação premiada de pertencer ao propinoduto da Petrobrás e das grandes empreiteiras corrupteiras. Quase um Pilatos no Credo, digamos.

Ao aceitar o convite e acreditar nas promessas de Bolsonaro, o implacável carrasco dos ladravazes do esquema montado pelos petistas, seus aliados e pretensos adversários tucanos, contudo, não tomou o devido cuidado de se informar sobre eventuais deslizes do clã do pretendente a chefe. Talvez o tenha feito por se deixar ofuscar pelas perspectivas de comandar o bom combate de um posto muito mais elevado que a 13.ª Vara Criminal Federal de Curitiba, na qual se tornou herói nacional. Errou feio e agora paga pelo deslize. Talvez um papo no cafezinho com juízes e procuradores do Rio pudesse tê-lo deixado a par das pilantragens, para ser ameno, do primogênito do ex-deputado de longuíssimo mandato e mínima produção. Talvez ele, que tem resistido à difamação do IntercePT, não desprezasse as evidências se tivesse ouvido tais relatos.

A notícia do Estado sobre a movimentação atípica flagrada pelo Conselho de Controle de Administração Financeira (Coaf) de R$ 1,2 milhão nas contas de Fabrício Queiroz, “amigão” de Jair, ex-motorista de Flávio e parente de servidores abrigados no gabinete de Carlos na Câmara Municipal do Rio, foi publicada em 2018. O furo de Fausto Macedo foi publicado a tempo de Moro ler e pular fora antes de afundar o pé na lama em que se meteu o clã Bolsonaro, que já não gozava do anonimato de antes do poder maior, pois este não tinha ainda assumido a Presidência. Nem Moro havia levado o martelo para a Esplanada dos Ministérios. À época da notícia, é verdade, o fedor não era tão óbvio, mas era público. De lá para cá piorou muito. Principalmente quando se soube do cheque depositado pelo desaparecido Fabrício na conta da primeira-dama, Michelle Bolsonaro. Será que Moro acreditou na desculpa dada pelo chefe do tal empréstimo ao amigo? É, pode ser. Mas…

De dezembro, quando foi publicada a informação do Coaf, para cá se passaram oito meses e tudo só piorou. Flávio nunca, em momento algum, se dispôs a submeter-se a um inquérito. Ao contrário, tentou o tempo todo obstruir qualquer devassa sobre a contabilidade de seu gabinete na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). Bateu com a cara na parede em todas as tentativas até o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, atender ao pedido de sua defesa de paralisar a investigação do Ministério Público. O ministro aproveitou a oportunosa ensancha para estender a mordaça à movimentação financeira das bancas de sua mulher, Roberta Rangel, e da consorte do colega Gilmar Mendes. Oportunosa à beça, hein? Pois então.

E aí, de repente, não mais que de repente, como cunhou o poeta Vinicius, Bolsonaro pai esqueceu-se da promessa que fizera ao público (e não a Moro), preterindo-o por um fiel vassalo do sempre advogadinho do PT a vaga que só deverá aparecer no horizonte em 456 dias. Deus do Céu! Quantos elogios, além da condição de “terrivelmente evangélico”, terá o soit-disant cristão, mas nem por isso protestante, marido de Michelle para apregoar as vantagens do advogado-geral da União, André Mendonça para preencher o requisito adicionado à lisura e ao notório saber previstos?

Do depósito na conta de madame (ou conjunta com o maridão, conforme a versão deste) até o momento em que estas linhas são escritas se passaram mais de oito meses. De lá para cá já se descobriu que a avó dela é traficante, um tio é miliciano e outro tio, estuprador, mas nada disso importa, pois ninguém responde por atos e delitos de parentes, ascendentes ou descendentes. Também se sabe que o casal mora no mesmo condomínio habitado pelo acusado do assassinato de Marielle Franco, mas isso não vem ao caso. Há, contudo, outros acontecimentos mais perturbadores. Todos protagonizados não por Michelle, mas por Jair Messias e seus filhotes.

Sexta-feira 23, em seu artigo quinzenal no Estado Fernando Gabeira perguntou por que cargas d’água o presidente da República se interessa tanto pela delegacia no porto de Itaguaí, no Grande Rio, que, segundo o colega, exporta drogas e importa armas. E de minha perplexidade também sobre isso sobram outras indagações. Será que o chefe dos chefes pensa apenas em forçar Moro a pedir demissão quando põe o Coaf para girar na roda-gigante da especulação, passando do Ministério da Fazenda para o da Justiça, deste para o da Economia e agora para o Banco Central?

Os botões do colete querem saber por que Bolsonaro cita a Constituição, como se não bastasse, para justificar não consultar Moro para demitir o diretor da Polícia Federal, Maurício Valeixo. Um botão, quase caindo, vai além e me lembra que ele nomeou para o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) peixinhos de Davi Alcolumbre, do Centrão, ignorando o ministro. Só que nada é mais importante a saber do que o que diabo este faz no meio das pilantragens do clã Bolsonaro. Ouve Benjor, véi: se manda, Moro, vai embora!

Queiroz está em São Paulo e faz tratamento no Albert Einstein contra um câncer no intestino, diz revista

Queiroz está em São Paulo e faz tratamento no Albert Einstein contra um câncer no intestino, diz revista:

São Paulo – Fabrício Queiroz, ex-assessor do senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) e protagonista do primeiro escândalo da gestão de Jair Bolsonaro, foi localizado pela reportagem da revista Veja no hospital Albert Einstein, no bairro do Morumbi, na zona oeste de São Paulo, onde realiza tratamento para combater um câncer no intestino.


No final do ano passado, ele realizou uma cirurgia no mesmo hospital, pouco antes de estourar o escândalo da movimentação suspeita de R$ 1,2 milhão em sua conta. Queiroz também está morando no mesmo bairro do hospital para facilitar os deslocamentos até lá.

Apesar de ter celebrado o sucesso de uma cirurgia para retirada do tumor, dançando em um vídeo no início de janeiro, a Veja afirma que a operação não resolveu o problema, que foi agravado em função das “férias forçadas” que teria tirado para se manter longe dos holofotes nos últimos meses. Segundo a revista, um de seus amigos, o deputado estadual Rodrigo Amorim (PSL-RJ), trocou mensagens com Queiroz há alguns meses. “Ele escreveu que ainda estava baqueado”, conta o deputado.

O sumiço de Queiroz, desde janeiro deste ano, tornou popular o bordão “cadê o Queiroz?” entre políticos da oposição e nas redes sociais sempre que querem provocar o governo e seus apoiadores. Ao ser perguntado sobre o tema, o senador Flávio Bolsonaro respondeu que também gostaria de saber onde está o ex-assessor.

De acordo com a publicação, apesar do sumiço, não há nenhuma ordem de prisão contra ele nem mesmo uma determinação para que deponha. “Queiroz, sua mulher, suas filhas e Flávio Bolsonaro alegaram diferentes razões para não comparecer ao MP, mas nenhum deles foi denunciado à Justiça por isso. Os promotores também não chegaram a pedir a prisão temporária ou preventiva dos investigados”, complementa a Veja. Procurado pela revista, Queiroz não quis se pronunciar. “Por enquanto, permanece calado.”
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Fabrício Queiroz é localizado em bairro nobre de São Paulo

Fabrício Queiroz é localizado em bairro nobre de São Paulo:

A VEJA encontrou Fabrício Queiroz, o ex-assessor do senador Flávio Bolsonaro, no último dia 26 de agosto.

De acordo com a revista, Queiroz está residindo no Morumbi, bairro de classe alta em São Paulo, mesmo bairro onde se encontra o Hospital Albert Einstein.

Diagnosticado com câncer no intestino, o ex-assessor de Flávio Bolsonaro segue fazendo intensos tratamentos contra a doença.

Antes mesmo de vir à tona o suposto caso de movimentação atípica, no valor de R$ 1,2 milhão (600 mil entrando e 600 mil saindo) em sua conta na época em que trabalhava para Flávio Bolsonaro, Queiroz foi submetido a uma cirurgia no final do ano passado.

Sua última aparição pública foi justamente no Einstein, no dia 12 de janeiro.

É importante para o Brasil saber onde foi que Macri errou

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Dólar a mais de 60 pesos, inflação a mais de 100%, risco país a mais de 2 200 pontos e “reperfilamento” da dívida externa, um jeito mais elegante de dizer que a Argentina não tem como pagar.

Vai dar calote. Não tem como pagar 101 bilhões de dólares, para o FMI e outros credores.

Quantas vezes isso já aconteceu antes? Nove.

Desvalorizações catastróficas?

O economista americano Steve H. Hanke enumerou os anos em que houve “colapsos importantes” do peso argentino: 1876, 1890, 1914, 1930, 1952, 1958, 1967, 1975, 1985, 1989, 2001 e 2018.

Nada surpreendentemente, muitos desses anos coincidem com governos naufragados, golpes de estado, presidentes em fuga ou entregando o mandato antes da hora, eleições que trouxeram um “salvador da pátria” que, obviamente, não salvou nada.

Entre outras qualificações, Hanke dirige o autoexplicativo Projeto Moedas Problemáticas do Cato Institute.

Ele defende a dolarização, já que os argentinos a usam na prática, fugindo do peso na tentativa de sobreviver a cada derretimento da moeda, o abismo que devora tudo o que as pessoas têm e o que não têm também, inclusive a comida na mesa.

Desde que a chapa criada por Cristina Kirchner, com ela como candidata a vice e Alberto Fernández na cabeça, ganhou as eleições primárias por uma diferença considerada inalcançável, de 15 pontos, na eleição de outubro, o peso teve mais de 20% de desvalorização.

Num ciclo cruel, quanto mais a vitória peronista parece consagrada, pior fica a vida de Mauricio Macri. E do país inteiro, evidentemente.

O breve intervalo aberto pelo diálogo entre Macri e Fernández para estabilizar a crise, nada surpreendentemente, durou pouco. Fatos são mais expressivos do que boas intenções, reais ou fingidas.

Fernández e sua turma tentam não rir demais nem esfregar as mãos em público, mas está difícil.

Cristina Kirchner sumiu no meio da crise. Foi para Cuba, visitar a filha, Florencia, que tem uma doença devastadora: linfedema sem causa conhecida nas pernas.

A doença é mais conhecida pelos efeitos que causa em mulheres com câncer de mama que tiram os gânglios linfáticos e ficam expostas ao inchaço extremo do braço envolvido.

A relação entre mãe e filha sofreu com as investigações e as ações penais por corrupção, lavagem de dinheiro e outros conhecidos crimes do gênero, inclusive nos negócios da família.

Cristina e o filho e operador, Maximo Kirchner, são protegidos pela imunidade parlamentar dos mandados de prisão, Florencia não.

Enquanto Alberto Fernández procura passar a imagem de moderado – comparativamente, claro – que não vai fazer loucuras na economia e quer que a loja chegue aberta até outubro, o pessoal de Maximo Kirchner toca o terror com protestos de rua.

Choque de “gradualismo”

A corrente liderada por Maximo se chama La Cámpora. Só isso já dá uma ideia dos choques internos que estão por vir.

Héctor Cámpora foi o mais conhecido poste da história da Argentina, eleito presidente em 1973 porque Juan Domingo Perón ainda estava proibido de se candidatar.

Cámpora, um dentista alinhado com uma das muitas correntes esquerdistas da peronismo, renunciou em um mês e meio.

Em menos de dois anos, sucederam-se os seguintes fatos: Perón voltou, foi eleito presidente, morreu, sua mulher e vice assumiu, esquerdistas e direitistas (estes sob controle do guru do casal) começaram a se matar nas ruas. Em 24 de março de 1976, os militares deram o golpe.

Com todo o histórico de catástrofes desencadeadas por dirigentes peronistas, é importante tentar entender, na crise atual, o que é herança do passado, o que foi açulado pelo prognóstico de vitória de Fernández-Kirchner e o que pode ser colocado na conta de Macri.

A derrota tem muitos culpados. As críticas, pela direita, ao presidente são, agora, praticamente unânimes: não fez o que tinha que fazer, não procurou equilibrar o déficit público, não aplicou os remédios liberais clássicos.

Ficou preso no “imobilismo reformista” ou no “gradualismo”, duas designações comportadas. Fazer mais do mesmo prendeu seu governo numa armadilha.

O economista espanhol Juan Rallo resumiu implacavelmente as etapas do percurso perdedor de Macri.

Primeiro, levantou o controle cambial sem tocar no déficit público, com o resultado de acelerar a desvalorização da moeda e a inflação herdada do cristinismo, já alta, embora maquiada.

Depois, voltou a buscar financiamento nos mercados globais, ajudado pela imagem positiva, racional e afinada com a realidade.

Imagem ajuda, mas não paga contas. O pedido de ajuda ao FMI incentivou a deterioração dos prognósticos sobre a capacidade argentina de se manter acima da linha d’água.

“Inflação alta, depreciação cambial e recessão econômica foram as ‘medalhas’ com que Macri disputou as eleições: uma combinação perfeita para perder frente à oposição peronista”, descreveu Juan Rallo.

“Teve a oportunidade de desmontar a estrutura clientelista-peronista, vai embora com o rabo entre as pernas devido ao fracasso de sua política econômica.”

Claro que, pelo ângulo crítico da esquerda, Macri foi “neoliberal”.

É profundamente doloroso ver a Argentina afundar em outra crise.

E ainda por cima com Mauricio Macri, um multimilionário que, obviamente, queria fazer o melhor, romper o quebranto histórico que amarra nossos países, ser reeleito, se não da forma inebriante da primeira vez, pelo menos como garantia de que a história não vai ficar se repetindo.

Macri tem conhecimento dos fatos essenciais, trânsito nas elites globais e o respeito de muitos argentinos.

Se não deu certo, quais as chances de outros?

Sensibilizado, Macri chorou de novo quando uma manifestação de improviso o levou, de noite e sem microfones, ao balcão da Casa Rosada, ao lado da mulher linda e chiquérrima.

“Não voltarão” e “Cristina presa”, gritava a multidão.

Adivinhem quem está planejando que a vingança será maligna.

“O PT é uma linha auxiliar do bolsonarismo”

“O PT é uma linha auxiliar do bolsonarismo”:

Denis Lerrer Rosenfield, em entrevista à Crusoé, analisou a possibilidade de o PT retornar ao poder:

“É muito difícil isso acontecer. O PT não tem projeto nenhum para a sociedade brasileira. Está completamente atrelado à figura do Lula, que está preso e condenado...

Leia este conteúdo na integra em: “O PT é uma linha auxiliar do bolsonarismo”

30 de Agosto de 1797: Nasce a escritora britânica Mary Shelley, autora de "Frankenstein".

30 de Agosto de 1797: Nasce a escritora britânica Mary Shelley, autora de "Frankenstein".:

Mary Wollstonecraft Godwin nasceu a 30 de Agosto de 1797 em Londres e faleceu a 1 de Fevereiro de 1851. É geralmente lembrada por uma única obra de grande sucesso, intitulada "Frankenstein". Mary Shelley foi autora de contos, dramaturga, ensaísta, biógrafa e escritora de literatura de viagens. Ela também editou e promoveu os trabalhos do seu marido, o poeta romântico e filósofo Percy Bysshe Shelley.

Mary Shelley era filha de Mary Wollstonecraft, considerada uma das primeiras feministas e que, faleceu dez dias após o nascimento da filha. Ela ficou conhecida pela publicação das obras “A Reivindicação dos Direitos da Mulher (1792)” e “Os Erros da Mulher”. O pai de Mary Shelley, William Godwin, era jornalista, escritor e teórico anarquista. Publicou a obra “Uma Investigação Concernente à Justiça Política” (1793).

Mary publicou o seu primeiro poema aos dez anos de idade e aos dezasseis fugiu de casa para viver com Percy Bysshe Shelley, apenas cinco anos mais velho, mas já bastante famoso .Poeta romântico, Percy tinha casado em primeiras núpcias com Harriet Westbrook com quem tivera dois filhos. Após o suicídio de Harriet, Mary e Percy  casaram-se, em 1816 e Mary adoptou o sobrenome do seu marido passando a chamar-se Mary Wollstonecraft Shelley.
A fuga de ambos  levou-os a  encontrarem-se com Lord Byron em Genebra, com quem manteriam bastante contacto e que teria sido o responsável por instigar Mary a escrever a sua obra mais famosa. Mary e Percy Shelley, Claire Clairmont e Lord Byron estavam juntos na Suiça quando Byron propôs a Mary que escrevesse a mais terrível história que pudesse. Encorajada por Percy, um ano depois Mary publicaria a sua obra intitulada “Frankenstein, ou  O Moderno Prometeu”.
Mas, ao contrário do que muitos pensam, e do que se tornaram os filmes que, mais tarde, tentariam reproduzir a belíssima história de Mary Shelley, Frankenstein não é uma história de terror. Frankenstein fala da história de um cientista (Victor Frankenstein) que obcecado por tentar recriar a vida, fica horrorizado ao ver que cometera um erro. A dada altura da narrativa o cientista reflecte sobre a sua responsabilidade em relação ao que fizera e à criatura a quem dera  vida.
Os Shelleys deixam a Grã-Bretanha em 1818 e foram para a Itália, onde o segundo e o terceiro filhos do casal morreram antes do nascimento do seu último e único filho sobrevivente. Em 1822, Percy Shelley  afogou-se na baía de  Spezia, próximo de LivornoMary retornou a Inglaterra e dedicou-se a publicar as obras do seu marido, sem contudo deixar de escrever.
Algumas obras de Mary Shelley foram “Faulkner” (1937), “Mathilde” (publicada em 1959), “Lodore” (1835), “Valperga” (1823) e “O Último Homem” (1826), considerada pela crítica como sua melhor obra e que teve grande influência sobre a ficção científica. 
wikipedia (Imagens)


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Retrato de Mary Shelley - Richard Rothwell
Arquivo: Retrato de Percy Bysshe Shelley por Curran, 1819.jpg
 Percy Bysshe Shelley
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Manuscrito de  Frankenstein

quinta-feira, 29 de agosto de 2019

VÍDEO - O MEU DIREITO DE FALAR - MARCELO MADUREIRA

THE INTERCEPT - Dallagnol mentiu: Lava Jato vazou sim informações das investigações para a imprensa — às vezes para intimidar suspeitos e manipular delações

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Dallagnol mentiu: Lava Jato vazou sim informações das investigações para a imprensa — às vezes para intimidar suspeitos e manipular delações:

Procuradores da força-tarefa da Lava Jato usaram vazamentos com o objetivo de manipular suspeitos, fazendo-os acreditar que sua denúncia era inevitável, mesmo quando não era. O intuito, eles disseram explicitamente em chats do Telegram, era intimidar seus alvos para que eles fizessem delações.

Além de eticamente questionável, esse tipo de vazamento prova que o coordenador da Lava Jato, Deltan Dallagnol, mentiu ao público ao negar categoricamente que agentes públicos passassem informações da operação. Dallagnol participou de grupos nos quais os vazamentos foram planejados, discutidos e realizados. Em um deles, o próprio coordenador efetuou o tipo exato de vazamento que ele negou publicamente que partisse da força-tarefa.

Um exemplo ilustrativo desse método ocorreu relativamente cedo nas operações. Em 21 de junho de 2015, o procurador da Lava Jato Orlando Martello enviou a seguinte pergunta ao colega Carlos Fernando Santos Lima, no grupo FT MPF Curitiba 2, que reúne membros da força-tarefa: “qual foi a estratégia de revelar os próximos passos na Eletrobrás etc?”. Santos Lima disse não saber do que Martello estava falando, mas, com escancarada franqueza, afirmou: “meus vazamentos objetivam sempre fazer com que pensem que as investigações são inevitáveis e incentivar a colaboração.”

Pela lei das organizações criminosas (que estipulou regras para as delações premiadas), o acordo só pode ser aceito caso a pessoa tenha colaborado “efetiva e voluntariamente”. Mas o procurador confessou aos colegas que usava a imprensa para forjar um ambiente hostil e, com isso, conseguir delações por meio de manipulação — o que interfere em seu caráter voluntário.

21 de junho de 2015 – Grupo FT MPF Curitiba 2
Orlando Martello – 09:03:04 – CF(leaks) qual foi a estratégia de revelar os próximos passos na Eletrobrás etc?
Carlos Fernando dos Santos Lima – 09:10:08 – http://m.politica.estadao.com.br/noticias/geral,na-mira-do-chefe-,1710379
Santos Lima – 09:12:21 – Nem sei do que está falando, mas meus vazamentos objetivam sempre fazer com que pensem que as investigações são inevitáveis e incentivar a colaboração.
Santos Lima – 09:15:37 – Li a notícia do Flores na outra lista. Apenas noticia requentada.
Santos Lima – 09:18:16 – Aliás, o Moro me disse que vai ter que usar esta semana o termo do Avancini sobre Angra
Martello – 09:25:33 – CFleaks, não queremos fazer baem Angra e Eletrobrás? Pq alertou para este fato na coletiva?
Martello – 09:26:00 – Para não perder o costume?



A conversa ocorreu dois dias depois da 14ª fase da Lava Jato (voltada às empreiteiras Odebrecht e Andrade Gutierrez). Os procuradores estavam debatendo estratégias para conseguir um acordo de delação com Bernardo Freiburghaus, apontado como operador de propinas da Odebrecht. Freiburghaus escapou da operação, porque havia se mudado para a Suíça em 2014 e já havia contra ele uma ordem de prisão preventiva com alerta da Interpol.

No chat, Santos Lima assume, sem qualquer constrangimento, que vazava informações para a imprensa. Além disso, o seu próprio comentário, insinua que se tratava de uma prática habitual, dado que ele se refere aos vazamentos no plural — “meus vazamentos”. E o procurador afirma com aparente orgulho e convicção que agia assim com objetivos bem definidos: induzir os suspeitos a agirem de acordo com seus interesses.



Carlos Santos Lima no seminário sobre Ética, Mídia e Transparência


Carlos Fernando dos Santos Lima, quando era membro da Lava Jato: ‘meus vazamentos objetivam sempre fazer com que pensem que as investigações são inevitáveis e incentivar a colaboração’.

Foto: Adriano Vizoni/Folhapress
É relevante ressaltar que o comentário do procurador não suscitou qualquer manifestação dos outros membros da Lava Jato. No decorrer das conversas, os demais membros do grupo permaneceram calados.

No mesmo dia, Deltan e Orlando anunciaram no chat terem vazado a informação de que os Estados Unidos iriam ajudar a investigar Bernardo para repórteres do Estadão, como forma de pressionar o investigado. Eles estavam antecipando a um jornalista uma movimentação da investigação. Foi Dallagnol o responsável pelo vazamento, como mostra sua conversa como o repórter do jornal.



21 de junho de 2015 – Chat privado
Deltan Dallagnol – 11:43:49 – O operador da Odebrecht era o Bernardo, que está na Suíça. Os EUA atuarão a nosso pedido, porque as transações passaram pelos EUA. Já até fizemos um pedido de cooperação pros EUA relacionado aos depósitos recebidos por PRC. Isso é novidade. Vc tem interesse de publicar isso hoje ou amanhã,SUPRIMIDO, mantendo meu nome em off? Pode falar fonte no MPF. Na coletiva, o Igor disse que há difusão vermelha para prendê-lo, e há mesmo. Pode ser preso em qualquer lugar do mundo. Agora com os EUA em ação, o que é novidade, vamos ver se conseguimos fazer como caso FIFA com o Bernardo, o que nos inspirou.
SUPRIMIDO – 11:45:44 – Putz sensacional! !!!! Publico hj!!!!!!!



A conversa prossegue, e o repórter avisa que a matéria sobre a ajuda dos americanos no caso Odebrecht (que não estava formalizada à época) seria manchete do Estadão no dia seguinte.

De volta ao grupo FT MPF Curitiba 2, uma conversa entre os dias 21 e 22 detalha as intenções da força-tarefa em relação a Bernardo:



21 de junho de 2015 – Grupo FT MPF Curitiba 2
Deltan Dallagnol – 20:33:52 – Amanhã cooperação com EUA pro Bernardo é manchete do Estadão
Dallagnol – 20:34:00 – Confirmado
Carlos Fernando dos Santos Lima – 20:55:16 – Tentei ler, mas não deu. Amanhã vejo. Vamos controlar a mídia de perto. Tenho um espaço na FSP, quem sabe possamos usar se precisar.



A informação vazada pela força-tarefa de fato virou manchete do jornal, e os métodos de pressão sobre o delator são retomados pouco depois, no mesmo chat:



22 de junho de 2015 – Grupo FT MPF Curitiba 2
Deltan Dallagnol – 01:56:40 – Acho que temos que aditar para bloquear os bens dele na Suíça
Dallagnol – 01:56:48 – Conta, Imóvel e outros ativos
Dallagnol – 01:57:00 – Ir lá e dizer que ele perderá tudo
Dallagnol – 01:57:20 – Colocar ele de joelhos e oferecer redenção. Não tem como ele não pegar







Capa do jornal Estado de S. Paulo em 22 de junho de 2015.
No fim das contas, a estratégia fracassou, e Bernardo Freiburghaus não delatou.

O que faz disso ainda mais relevante é que Dallagnol tem negado publicamente que os membros da Lava Jato tenham feito qualquer vazamento. Numa entrevista para a BBC Brasil, após um discurso que ele proferiu em Harvard, em abril de 2017, Dallagnol “disse que agentes públicos não vazam informações — a brecha estaria no acesso inevitável a dados secretos por réus e seus defensores”. Quando perguntado diretamente se a força-tarefa havia cometido vazamentos, o procurador respondeu: “Nos casos em que apenas os agentes públicos tinham acesso aos dados, as informações não vazaram”.

A assessoria de imprensa da Lava Jato negou que os procuradores tenham vazado informações no caso do Estadão, dizendo ao Intercept que a força-tarefa “jamais vazou informações sigilosas para a imprensa, ao contrário do que sugere o questionamento recebido”. Para justificar essa negativa, a força-tarefa argumenta que uma informação passada à imprensa deve ser ilegal ou violar uma ordem judicial para ser caracterizada como “vazamento”. Nesse sentido, a força-tarefa argumenta que o material enviado por Dallagnol ao Estadão não violou, na sua visão, nem a lei nem ordem judicial, e que por isso não pode ser considerado vazamento.

Entretanto, essa reportagem não alega nem sugere que Dallagnol ou Santos Lima tenham cometido o crime de violação do sigilo funcional ou desobedecido ordens judiciais ao vazar para a imprensa informações que não eram de conhecimento público. O argumento da reportagem é que eles fizeram exatamente o que Dallagnol afirmou à BBC que nunca faziam: vazaram informações privilegiadas sobre as investigações que o público e a mídia desconheciam para atingir seus objetivos.

‘Alguma chance de soltarmos a notícia da GOL?’
Para defender Dallagnol das evidências claras de que ele mentiu, a força-tarefa está tentando inventar uma nova definição de “vazamento”, um significado que só considera vazamento o que envolve uma violação da lei ou de uma ordem judicial. Mas não é isso que a maioria das pessoas entende como vazamento. Em sua entrevista à BBC Brasil, Dallagnol não negou que a força-tarefa realizasse vazamentos ilegais: ele negou que a força-tarefa tenha realizado quaisquer vazamentos: “agentes públicos não vazam informações”, ele disse, completando: “Nos casos em que apenas os agentes públicos tinham acesso aos dados, as informações não vazaram”.

A insistência da força-tarefa de que nunca realizou nenhum vazamento é especialmente bizarra tendo em vista que o próprio Santos Lima alardeou ter feito exatamente isso, usando a justamente palavra vazamento: “meus vazamentos objetivam sempre fazer com que pensem que as investigações são inevitáveis e incentivar a colaboração”, escreveu, o que demonstra que nem os próprios procuradores entendem a palavra “vazamento” da forma que eles agora definem. Além disso, em sua conversa com o repórter do Estadão, Dallagnol descreveu a informação que ele estava enviando, sobre a proposta de colaboração com os EUA, como “novidade”, e por essa razão insistiu que a informação que ele enviou só poderia ser publicada “mantendo meu nome em off”. Se a informação já era pública, como defende a Lava Jato por meio de sua assessoria, por que pedir off?

Além disso, a própria nota enviada ao Intercept admite que os procuradores adiantaram uma ação da investigação ao Estadão – uma informação privilegiada, portanto, ainda que não protegida por sigilo judicial formalizado. “O único caso mencionado na consulta à força-tarefa se refere a uma reportagem do Estadão que combinava dados disponíveis em processos públicos e uma informação nova, igualmente sem sigilo, sobre possíveis estratégias que se cogitavam adotar no futuro, em relação à formulação de pedido de cooperação a ser enviado, o que não caracteriza vazamento”, diz a nota. De fato, a colaboração com a Suíça citada na reportagem era pública, mas a “informação nova” (o pedido de ajuda aos EUA que foi a manchete do jornal) não era pública porque nem sequer havia sido formalizada até a publicação do texto.

Dessa forma, a negativa da força-tarefa de que os procuradores fizeram exatamente o que Deltan falsamente insistiu que nunca fizeram — vazar para a mídia informações que não eram de conhecimento público — é desmentida pelas próprias palavras dos procuradores, conforme publicadas no chat acima, em que eles mesmos descrevem suas ações como “vazamentos”. É também desmentida pela insistência de Dallagnol ao repórter que as informações passadas ao Estadão não fossem atribuídas a ele. É desmentida ainda pelos repetidos episódios em que os procuradores admitem ter vazado à mídia informações sobre as investigações, quase sempre usando especificamente a palavra “vazamentos” que eles agora buscam redefinir. E é desmentida, por fim, pela nota enviada ao Intercept.






Deltan Dallagnol à BBC: ‘Nos casos em que apenas os agentes públicos tinham acesso aos dados, as informações não vazaram’.

Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
Esses vazamentos não eram casos isolados. Em 2016, procuradores da Lava Jato falavam abertamente sobre o uso de “vazamento seletivo” para mídia com a intenção de influenciar e manipular um suposto pedido de liberdade para o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha:



12 de dezembro de 2016 – Grupo Filhos do Januario 1
Carlos Fernando dos Santos Lima – 18:45:31 – Recebi do russo : Off recebi uma notícia que não sei se é verdadeira que haveria uma articulação no STF para soltura do Cunha amanhã
Roberson Pozzobon – 18:51:49 – Essa info está circulando aqui a PGR tb
Paulo Roberto Galvão – 18:57:24 – O Stf seria depredado. Não acredito
Athayde Ribeiro Costa – 18:57:40 –toffi, lewa e gm. nao duvido
Santos Lima – 18:58:37 – É preciso ver quem vai fazer a sessão.
Jerusa Viecilli – 18:58:39 – Pqp
Santos Lima –19:00:58 – Alguma chance de soltarmos a notícia da GOL?
Costa – 19:01:35 – vazamento seletivo …



Os diálogos provam que ele mentiu à BBC. A negativa aconteceu depois de Dallagnol ter participado de várias conversas nas quais seus colegas de força-tarefa discutiram explicitamente fazer aquilo que ele negava publicamente. Isto é, promover vazamentos e usar a mídia para seus próprios interesses. Ironicamente, o próprio Dallagnol observou à BBC o quão complexa é a tarefa de provar que houve vazamentos, pois, segundo ele, os envolvidos sempre negam: “É muito difícil identificar qual é o ponto (de origem do vazamento), porque se você ouvir essas pessoas, elas vão negar”, afirmou.

As conversas fazem parte de um pacote de mensagens que o Intercept começou a revelar em 9 de junho — série conhecida como Vaza Jato. Os arquivos reúnem chats, fotos, áudios e documentos de procuradores da Lava Jato compartilhados em vários grupos e chats privados do aplicativo Telegram. A declaração conjunta dos editores do The Intercept e do Intercept Brasil (clique para ler o texto completo) explica os critérios editoriais usados para publicar esses materiais.

João Felipe Linhares colaborou com pesquisa nesta reportagem.

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Anexos originais:



REVISTA ISTOÉ - Dallagnol e procuradores da Lava Jato vazaram informações à imprensa, diz site

Dallagnol e procuradores da Lava Jato vazaram informações à imprensa, diz site:

Em diálogos obtidos pelo site The Intercept Brasil e publicados nesta quinta-feira (29), Deltan Dallagnol, coordenador da Operação Lava Jato, mentiu ao negar que agentes repassavam informações das investigações à imprensa. Conversas no aplicativo Telegram mostram que procuradores confessam “vazamentos” para forçar delações de investigados. As informações são do UOL.

A matéria mostra que Dallagnol participou de um grupo em que vazamentos eram debatidos, planejados e executados. Em junho de 2015, o procurador Orlando Martello enviou mensagens ao colega Carlos Fernando Santos Lima questionando “qual foi a estratégia de revelar os próximos passos na Eletrobrás?”. Santos Lima afirmou: “Meus vazamentos objetivam sempre fazer com que pensem que as investigações são inevitáveis e incentivar a colaboração”.

No mesmo dia, Dallagnol e Martello contaram aos integrantes do grupo que vazaram informação que os Estados Unidos ajudariam na investigação de Bernardo Freiburghaus, apontado como operador de propinas da Odebrecht. A informação virou manchete do jornal O Estado de S. Paulo. Procurado pelo UOL, o jornal afirmou que não vai se posicionar.

Questionado sobre vazamentos pela BBC em 2017, Dallagnol afirmou que “nos casos em que apenas os agentes públicos tinham acesso aos dados, as informações não vazaram. Para não dizer que não vazaram, vazaram em apenas um caso e com dedicação e alguns lances de sortes foi possível identificar a origem do vazamento”.

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on the way to by Paulo Nogueira

on the way to by Paulo Nogueira:

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old Train by Matthias Phuong

old Train by Matthias Phuong:

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O PT VAI VOLTAR A GOVERNAR O BRASIL.


O Positivismo Histérico de Reinaldo Azevedo e o Niilismo Cínico de Juremir Machado da Silva tem em comum o desprezo absoluto por aquilo que Leo Strauss chamou de “interpretação clássica” do Direito Natural. Para Reinaldo, só existe verdade se ela estiver na Lei, ou seja, não existe NENHUM Direito Natural e para Juremir não existe verdade alguma, nem mesmo na Lei – só a Revolução Cultural que transformou todo Direito Natural Moderno em Ideologia. Os dois são apóstolos de uma Ciência Social que seja “isenta de qualquer juízo de valor.” Triste é ver a legião de imbecis fanáticos apoiadores do “Mito” acreditar que existe no Governo dele uma Reserva Espiritual suficiente para fazer a defesa da Filosofia Política e garantir a Liberdade no Brasil. O Governo Bolsonaro é um Governo de Fracos. José Dirceu sabe disso e tem mais: MENTIU que o PT um dia “retornaria ao Poder.” O PT jamais vai “voltar ao Poder” porque ele NUNCA saiu dele. Vai voltar é a Governar o Brasil e terá em Bolsonaro e no Exército Brasileiro o caminho livre para fazê-lo.
 (Milton Pires)

Delator preso pela Lava Jato diz ter lavado dinheiro para Grupo Silvio Santos

Delator preso pela Lava Jato diz ter lavado dinheiro para Grupo Silvio Santos: ?Preso e depois delator da Lava Jato, o operador financeiro Adir Assad afirma que lavou milhões de reais para o Grupo Silvio Santos por meio de contratos fraudados de patrocínio esportivo.
Leia mais (08/29/2019 - 02h00)


O conteúdo do socialismo

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Paulo Tunhas Observador:

No outro dia, passou-me pela cabeça uma pergunta que parecerá ociosa: será que o PS é “socialista”? O nome traz consigo a memória do marxismo, que vagamente o inspirou nas suas origens, embora de um marxismo convenientemente amputado de um dos seus elementos fundamentais. Com efeito, para o marxismo, o socialismo representa uma etapa histórica que se inicia com a mítica revolução do proletariado e conduz ao comunismo. Ora, essa parte do vetusto credo não se encontra no discurso do PS. De um ponto de vista marxista, o PC deveria ser, por assim dizer, a verdade final do PS. Do ponto de vista do PS, é bom de ver que não. Em princípio, se é que “socialismo” quer dizer alguma coisa, fica-se a meio-caminho entre o capitalismo e o comunismo. E já é muito bom.

Para um grande número de cabeças pensantes, o socialismo é visto como sinónimo de libertação. Não entro nos detalhes, que ocuparam inúmeros tratados, dessa libertação: libertação de quê?, e de quem?, e por quem?, e para quem? Fiquemo-nos por um ponto. Com alguma boa vontade, o projecto socialista entronca na tradição iluminista, ou, pelo menos, sob certos aspectos é coerente com ela. Quer dizer que o socialismo é visto como um meio de desenvolver a autonomia humana, a nossa capacidade de pensarmos e agirmos em liberdade. Mas, sublinho, apenas sob certos aspectos. Porque, sob outros, o socialismo faz-se contra o iluminismo. Com efeito, as críticas da tradição iluminista, que é uma tradição que, na sua conflitualidade interna, faz todo o sentido, são tanto de direita quanto de esquerda. Acontece que as críticas de direita são hoje em dia perfeitamente minoritárias, enquanto que as de esquerda – pense-se na influente maneira de pensar oriunda de um filósofo como Adorno – se encontram bem vivas e presentes em diversas correntes de pensamento e movimentos globais. Não quero fazer aqui o processo da falsa perspicácia dessas críticas, apenas assinalar a dimensão que tomam hoje em dia.

Consciente ou inconscientemente, tais críticas conduzem à ideia de revolução, isto é, de uma transformação súbita e radical da organização da sociedade. O mito da revolução é um mito poderoso e seria pura ingenuidade pensar que, pelo facto de a palavra não tomar a dianteira nos discursos políticos, o mito se encontra adormecido. Ele está acordadíssimo e muito activo. E com ele vem o desejo de uma democracia dotada de uma maior legitimidade do que a mera “democracia formal”, uma democracia que transcenda a democracia formal e, pelo caminho, a anule, ou apenas guarde dela certos aspectos. Vem também com o mito da revolução a ideia de uma regulação milimétrica de toda a sociedade pelo Estado. De facto, uma tal regulação transformou-se no único conteúdo substantivo que a palavra “socialismo” apresenta.

O socialismo, independentemente da vontade de muitos, representa exclusivamente a doutrina da regulação total da sociedade pelo Estado. Não há nele, a não ser marginalmente e mais como ornamento discursivo do que outra coisa, qualquer compromisso com a tradição iluminista da busca e do desenvolvimento de uma sociedade autónoma composta por indivíduos autónomos, capazes de deliberarem de acordo com as suas luzes próprias, como coisa distinta de obedecerem a uma fé cega. Muito pelo contrário, o socialismo envolve a sociedade no mito, ou numa série de camadas de mitos que supostamente são dotados de sentido mas que, de facto, funcionam como encobrimento do real. Dito de outra maneira, e para falar sobre estas coisas como se falava dantes, são pura ideologia. O socialismo enquanto projecto dos nossos dias é uma má tradução do projecto original de libertação iluminista, que se pensou exactamente contra o regime tutorial que representa, nos nossos dias, o único conteúdo efectivo do socialismo.

E o PS, no meio disto tudo? É “socialista” ou não? Não estou a ver António Costa a sonhar em S. Bento com a revolução ou a desenhar planos para o controle estatal completo dos “meios de produção” para definitivamente pôr termo à “anarquia do mercado”. Ou a planear a abolição da “democracia formal” com vista à sua substituição por uma luminosa democracia “aprofundada”. Mas, deixando António Costa de lado para não lhe atribuir pensamentos que poderão não ser os dele, conheço muitos votantes PS que nutrem especial carinho pela ideia de revolução (tenham com eles uma conversa sobre Cuba, por exemplo) e, abominando a “anarquia dos mercados”, aplaudem de todo o coração qualquer passo em direcção ao aprofundamento de um regime tutelar em que o comportamento individual seja cada vez mais controlado, nos seus mínimos passos, pelo Estado. E a corrupção e a troca de favores em que o PS se tornou exímio, bem como a irreprimível convicção da ilegitimidade última de qualquer governo de direita e a tendência a eliminar tudo o que ponha em causa o seu poder, não são mais do que a realização possível do sonho de uma legalidade que transcende a “democracia formal”, alicerçada numa superioridade moral que por definição absolve os culpados de qualquer culpa. Querem “ordem” (contra os “mercados”), mas uma ordem que pessoalmente lhes convenha.

Sim, atendendo aos únicos conteúdos discerníveis da palavra “socialismo” – o PS é socialista.

29 de Agosto de 1842: O Tratado de Nanquim encerra a primeira Guerra do Ópio entre chineses e britânicos

29 de Agosto de 1842: O Tratado de Nanquim encerra a primeira Guerra do Ópio entre chineses e britânicos:

No dia 29 de Agosto de 1842, o Tratado de Nanquim pôs fim à primeira Guerra do Ópio entre a China e a Grã - Bretanha. Algumas décadas antes, em 1793, o grande imperador Qianlong havia rejeitado as tentativas britânicas de aumentar o comércio com o Império do Meio.
Os mercadores da Companhia Inglesa das Índias Orientais e o governo de Londres receberam muito mal a indisposição do imperador em encontrá-los. Não deixaram de difundir fortemente em toda a Europa o desprezo que lhes inspirava essa China, outrora tão elogiada, hoje arcaica, imóvel, voltada para si mesma.
O seu despeito era ainda maior visto que continuavam a comprar à China o chá que os britânicos consumiam bastante, bem como muitos outros produtos de luxo – porcelanas, pedrarias e sedas.
Para tentar equilibrar uma balança comercial pesadamente deficitária, a Companhia das Índias pôs em acção um “comércio triangular” tão pouco recomendável quanto era o tráfico de escravos. A companhia desenvolveu nas Índias a cultura do pavot – toda planta papaverácea do género Papaver, agrupando diversas espécies que produzem flores indo da papoila (Papaver rhoeas) ao pavot a ópio (Papaver somniferum) — e de modo totalmente ilegal, inicia os chineses no consumo do ópio.
As vendas ilegais de ópio na China passaram de 100 toneladas para 2.000 toneladas em 1838.
Em 1839, o novo governador de Cantão, exasperado, manda apreender e queimar 20 mil caixas de ópio. Em resposta, os ingleses bombardeiam Cantão enquanto uma esquadra sobe o rio Yangzi Jiang  obrigando o imperador Daoguang a capitular.
Esta “diplomacia através dos canhões” desembocou no Tratado de Nanquim pelo qual os vencedores ganharam o direito de comercializar livremente em cinco portos chineses. A Grã - Bretanha obtém, a ilha de Hong Kong na foz do rio das Pérolas e a riquíssima região de Cantão.
Cúmulo da humilhação, o imperador teve de conceder um privilégio de extra-territorialidade aos britânicos e pagar-lhes 21 milhões de libras esterlinas. Os franceses e norte-americanos apressaram-se em exigir vantagens equivalentes.
A humilhação sofrida pelos chineses com o Tratado de Nanquim está na origem dos levantamentos populares contra a dinastia manchu dos Qing, o mais notável deles a insurreição de Taiping.
Fontes: Opera Mundi
Blogue Estórias da História
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Assinatura do Tratado de Nanquim

POLÍBIO BRAGA - 32 professores, servidores e bolsistas da Ufrgs são denunciados pelo MPF na Justiça Federal

32 professores, servidores e bolsistas da Ufrgs são denunciados pelo MPF na Justiça Federal:

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32 professores, servidores públicos e bolsistas foram denunciadas pelo Ministério Público Federal no âmbito do inquérito que apurou fraude envolvendo a concessão de bolsas de estudo da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Foi tudo resultado da Operação PhD, da Polícia Federal (PF), deflagrada em dezembro de 2016. O juiz da 22ª Vara Federal de Porto Alegre, Adel Americo Dias de Oliveira, abriu prazo para manifestação dos denunciados. Os crimes são de formação de quadrilha ou bando, estelionato, peculato (crime praticado por servidores públicos), e falsidade ideológica. O grupo que coordenava projetos relacionados à área de saúde da UFRGS utilizava-se dessa condição para incluir bolsistas que, muitas vezes, não reuniam os requisitos para serem contemplados.

Os principais acusados: a ex-responsável pela administração do setor de bolsas em programa de pós-graduação da UFRGS, Marisa Behn Rolim; Ricardo Burg Ceccim, que chegou a coordenar o Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva (PPGCol) da Escola de Enfermagem da instituição; Alcindo Ferla, professor da Escola de Enfermagem; o médico Hêider Aurélio Pinto, ex-secretário de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde do ministério da Saúde e Simone Edi Chaves, doutora em Educação pela UFRGS.

quarta-feira, 28 de agosto de 2019

Com base no caso Bendine, Lula pede ao STF anulação de três ações

Com base no caso Bendine, Lula pede ao STF anulação de três ações:

Com base na decisão da 2.ª Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) desta terça-feira, 27, que anulou a condenação do ex-presidente da Petrobras Aldemir Bendine, a defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu à Corte que anule suas condenações e uma ação que ainda tramita na Operação Lava Jato. A defesa também pede que o petista seja posto em liberdade.

O pedido do advogado Cristiano Zanin Martins, que defende o ex-presidente, abarca a sentença do petista a 12 anos e 11 meses de prisão, imposta pela juíza Gabriela Hardt, no âmbito da Operação Lava Jato, no processo do sítio de Atibaia, e a condenação imposta pelo ex-juiz Sergio Moro, a 9 anos e 6 meses no caso triplex – a pena foi reduzida pelo Superior Tribunal de Justiça a 8 anos e 10 meses.

A defesa ainda requer a nulidade da ação em que o petista é acusado de receber supostas propinas de R$ 12,5 milhões da Odebrecht.

Zanin afirma que “não é preciso qualquer esforço hermenêutico para divisar, claramente, a ocorrência de constrangimento ilegal na assinatura de prazo comum para apresentação das alegações finais por parte de corréus e corréus delatores, já que os últimos podem apresentar carga incriminatória-surpresa contra os primeiros – com acordo de colaboração firmado ou não”.

“É que, por mandamento constitucional, o contraditório e a ampla defesa devem ensejar ao acusado em juízo – necessariamente e sempre – a possibilidade plena de se contrapor a todas as cargas acusatórias contra ele direcionadas, inclusive as chamadas de corréus, gênero de que são espécie as alegações escritas de delatores que, inevitavelmente, veiculam forte conteúdo de natureza incriminadora, a exigir o crivo do contraditório”, sustenta.

O caso Bendine

A defesa do ex-presidente Lula ressalta que deve “ser aplicado” ao petista “o mesmo entendimento firmado ontem (27/08/2019) pela 2ª. Turma desse Supremo Tribunal Federal no julgamento do HC 157.627/PR”, movido pelo advogado Alberto Zacharias Toron, que defende o ex-presidente da Petrobras Aldemir Bendine.

No caso Bendine, a maioria dos ministros acolheu a argumentação da defesa, que criticou o fato de o ex-presidente da petrolífera ter sido obrigado por Moro a entregar seus memoriais (alegações finais) ao mesmo tempo que delatores da Odebrecht apresentaram o mesmo documento – contendo acusações ao petista.

O ex-presidente da estatal, que já teve a condenação por corrupção e lavagem de dinheiro confirmada pelo Tribunal Regional Federal da 4.ª Região – reduzida de 11 anos para 7 anos e 9 meses -, escapou do cumprimento da pena. Ele era acusado de receber R$ 3 milhões da Odebrecht.

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