"O maior inimigo da autoridade é o desprezo e a maneira mais segura de solapá-la é o riso." (Hannah Arendt 1906-1975)

terça-feira, 31 de dezembro de 2019

FINALMENTE UM VÍDEO IMPORTANTE SOBRE O BRASIL.

31 de Dezembro de 1877: Morre o pintor francês Gustave Courbet, mestre do realismo

31 de Dezembro de 1877: Morre o pintor francês Gustave Courbet, mestre do realismo:

Gustave Courbet, pintor, máximo representante do Realismo francês, morre em La Tour-du-Peilz, em 31 de Dezembro de 1877, devido a uma cirrose hepática, produto do consumo abusivo de bebidas alcoólicas. Para além das artes, era um comprometido activista democrático, republicano e muito próximo dos ideais do socialismo revolucionário.

Foi encarregado da administração dos museus da capital francesa durante a Comuna de Paris. Derrotada a Comuna, foi responsabilizado pelo governo no poder pela destruição da Coluna Vendôme, dedicada a Napoleão Bonaparte, sendo condenado a seis meses de prisão e a pagar uma multa de 300 mil francos. Depois de cumprida a sentença, Courbet  foge para a Suíça em 1873, evadindo-se do pagamento da multa, que era tão alta que só poderia ser paga em 30 anos.
Nasceu em 10 de Junho de 1819 numa localidade perto de Besançon, cuja paisagem reflectiu nas suas obras. Estudou na cidade e, em seguida, em Paris (1840). Os seus pais desejavam que empreendesse a carreira de Direito, porém ao chegar à capital inclinou-se inteiramente pela arte.

Como ele, as suas amizades eram contrárias ao academicismo artístico e literário; entre eles contam-se Baudelaire, Corot e Daumier. A partir da Revolução de 1848, Courbet foi marcado como "revolucionário perigoso".


Em 1845, expôs algumas das suas obras no Palácio das Artes da Exposição Universal de Paris, porém ao ver a rejeição do júri a alguns dos seus quadros decidiu inaugurar uma exposição individual localizada nas proximidades do Campo de Marte, baptizada de “Pavilhão do Realismo”. Entre as telas que exibiu cabe mencionar “O Atelier do Pintor”, em que retratava todas as pessoas que haviam exercido certa influência na sua vida.

Tinha fama de arrogante e sensacionalista. Afirmava que “se deixo de escandalizar, deixo de existir”. Alguns  acusavam-no de provocar escândalos somente para entreter as classes intelectuais e que, na realidade, a sua arte se mantinha fiel a um certo refinamento formal. No entanto, outras vozes, como Delacroix lamentavam que Courbet desperdiçasse a sua habilidade ao eleger temas sem um conteúdo elevado e de não depurar as suas telas de muitos detalhes desnecessários.

Apesar das polémicas, ele chegou a desfrutar de êxitos. Foi-lhe outorgada a medalha da Legião de Honra, que rejeitou. Afirmava que queria morrer “como homem livre, sem depender de nenhum poder nem religião”, se bem que concordou em participar do breve governo da Comuna de Paris de 1871. Dele, o filósofo Proudhon, pai do anarquismo, quis fazer um pintor proletário. Acreditava que a arte poderia sanar as contradições sociais. Admitia o seu compromisso com o socialismo e com o realismo quando afirmava: “Aceito com muito gosto esta denominação. Não somente sou socialista como também sou republicano. Numa palavra, partidário de qualquer revolução e, acima de tudo, um realista (…) realista significando sincero com a verdadeira verdade”.

Num primeiro momento, Courbet pintou paisagens, especialmente os bosques de Fontainebleau e retratos com alguns rasgos românticos. Todavia, a partir de 1849, torna-se decididamente realista. Foi de facto o “fundador” do realismo e a ele se atribuí a invenção de tal termo aplicado à pintura.

A sua técnica era rigorosa com o pincel plano e com a espátula, porém a sua maior inovação é a selecção de temas do dia a dia como motivos dignos dos grandes formatos, que até então eram reservados a “temas elevados”: religiosos, históricos, mitológicos e retratos de personalidades das classes abastadas. Reivindicava a honestidade e a capacidade de sacrifício do proletariado e afirmava que a arte devia estampar a realidade.
Courbet participou da Revolução de 1848, embora não intervindo em feitos sangrentos. A partir de 1849 torna-se realista. Rejeitaria a idealização da arte e a beleza arquetípica, nega-se a criar um mundo ideal à margem da vida.
Em 1867 expõe novamente na Exposição Universal de Paris. Influi e aconselha os primeiros impressionistas. A sua pintura reflete o trabalho e o trabalhador como novo herói, a vida ao ar livre, a cidade com as suas ruas, cafés e casas de dança, a mulher e a morte. Acreditava que a arte poderia resolver as contradições sociais. A sua pintura suscitou enormes polémicas de sectores conservadores da arte e da sociedade em virtude da selecção de “temas vulgares”.


O naturalismo combativo ficou patente nos seus nus femininos, em que evitava as texturas mascaradas e irreais tomadas da pintura e da escultura neoclássica. Reproduz formas mais carnais, que habitualmente eram omitidas nos nus académicos. Exemplo claro é a famosa tela “A Origem do Mundo”.

As suas referências foram os mestres do passado como Velazquez, Zurbarán ou Rembrandt.O seu realismo  converteu-se em modelo de expressão de muitos pintores, contribuindo, por exemplo, para o enriquecimento da obra do mestre Paul Cézanne.

Fontes: Opera Mundi

wikipedia (imagens)

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Gustave Courbert retratado por Nadar

 Enterro em Ornans -  Gustave Courbet
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segunda-feira, 30 de dezembro de 2019

VÍDEO - Vereador petista doutrinando estudantes 2019

O filme Dois Papas: enganador, leviano e até falso em relação a Bento XVI.

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 João Duarte Bleck, Observador:

O enorme apreço que mantenho pela pessoa de Joseph Ratzinger/Bento XVI e o profundo e sincero respeito que devo, enquanto católico que procura manter-se fiel à sua Igreja, ao Papa Francisco, levam-me a alertar para o perigo que representa o filme Dois Papas, do realizador Fernando Meirelles, estreado na Netflix a 20 de Dezembro e dias antes nos cinemas; e a defender, dentro das minhas possibilidades, a pessoa do Papa Bento. Não consigo calar a injustiça cometida contra a honra do Papa Emérito, mesmo que, com este comentário, publicite ainda mais o filme.

Vi o filme (por enquanto, uma só vez) já era madrugada, aderindo ao desafio do meu filho. À medida que me fui envolvendo na narrativa e nas belas imagens – o filme, de um ponto de vista cinematográfico, é muito atraente: os actores são óptimos, a fotografia belíssima, o guarda-roupa impecável, a montagem com excertos de imagens reais muito interessante e habilidosa, o intimismo de algumas cenas, chega mesmo a ser comovente, etc. – fui-me dando conta de quão perigosamente enganador ele é.

De facto, sendo o filme muito envolvente e até com alguns bons diálogos, pela intensidade humana e dramaticidade que atingem, embora totalmente ficcionados, é levianamente injusto e até falso na caracterização do Papa Bento e obviamente benévolo com o cardeal Bergoglio a quem se quer, claramente, fazer o “bom da fita”, confrontando-o com um claramente “mau”, neste caso, Bento XVI. E isso, não é bonito para ambos.

Em relação ao então cardeal Bergoglio, penso que o autor do guião não o deixa nada bem, particularmente na cena em que este ouve em confissão o então Papa, Bento XVI. O misericordioso e compassivo Bergoglio – e agora Papa Francisco, que nos tem sido dado a conhecer – no filme, não se porta nada assim com o seu penitente: ao contrário, fica até muito mal na cena, pois não é credível nele a atitude de escandalosa surpresa perante a confissão de Bento, nem uma tal rigidez na reacção, pelos modos como protesta, reclama e admoesta o pecador…

E aquele fugaz aviso no início da versão apresentada pela Netflix, «Inspired by true events / Inspirado em eventos verdadeiros», só me fez trazer à memória outras obras de absoluta ficção que se querem fazer passar por verdadeiras e históricas, mas que distorcem completa e intencionalmente o verdadeiro carácter dos personagens assim como os factos da História. E o teaser do filme, legendado em português, insiste que é «Inspirado em uma história real» (sic). Mas o contexto do confronto é tudo menos real: nunca o cardeal Bergoglio se reuniu com o Papa Bento XVI, em prolongados diálogos, antes da eleição do seu sucessor; nunca, obviamente, o Papa Bento antecipou a Bergoglio a intenção de resignar; e muito menos vaticinou e augurou que o seu sucessor fosse o cardeal Bergoglio.

O autor do guião, Anthony McCarten, já tinha aliás editado um livro sobre a mesma ficção, cuja tradução em português foi recentemente publicada pela editora Objectiva (ISBN: 9789896659172) repetindo a enganosa frase mágica na capa, onde se anuncia como «A história verídica que inspirou o filme» (sic); e cuja sinopse na Internet afirma, também mentirosamente, ser sobre «a história fascinante de dois homens muito diferentes a viver sob o mesmo tecto e de uma transferência de poder sem precedentes» (sic) – “transferência” essa que, sabe-se, nunca poderia ter jamais ocorrido e é impensável, conhecendo-se a biografia de Ratzinger.

No filme, não faltam, sobre Bento XVI, as estafadas referências aos chavões do «God’s Rottweiler» ou do «Dour traditionalist» que prefere o Latim; do homem com mau-feitio, algo obcecado; nem aos sapatos vermelhos; nem a ridícula alusão, em relação a um Papa, do homem que não podia sorrir ou dançar Tango; ou a do neurótico introvertido que prefere sentar-se à mesa sozinho, e vive apenas num mundo de livros e da escrita, etc. Isto, contraposto a Bergoglio, um homem popular e comum, que desce ao pasto onde vivem as esfomeadas ovelhas, que sabe dançar o Tango, usa sapatos velhos, gosta de futebol, come pizzas takeaway, que é afável e benevolente, etc.

É-nos impingida uma imagem de Bento XVI onde não se lhe reconhece nenhum traço do seu génio – creio que um dos maiores vultos europeus do trágico século XX. Estão completamente ausentes deste filme e do seu pseudo-personagem, a sua timidez ou modéstia, tão longe da agressividade de um Rottweiler; nem aparece um traço do seu génio intelectual; nem uma referência a uma prestigiada carreira académica; nem um aceno à sua paixão pela busca da verdade filosófica e teológica ou à defesa da doutrina católica, num tempo de aberta contestação e manifesta desobediência de tantos padres e até bispos; e ainda menos, a atitude grave institucional, bem consciente da mais elevada Cátedra eclesial que tão dignamente ocupou…

Todos os seus grandes temas: o amor, a verdade na caridade, a razão e a fé, a beleza, a sacralidade e o verdadeiro espírito da liturgia, a falta de fé que grassa, a urgência da reconversão do Ocidente, etc., etc., tudo isto fica ausente, é apagado, para que fiquemos com o retrato de um personagem rígido, amargurado, quase derrotado pela vida, e, pasme- se, onde não falta até uma suspeita crise de fé…

E o autor do guião e do referido livro, ainda teve a lata de se referir ao filme como: «It’s meant to be fair. It’s not meant to whitewash anyone […]». Meu Deus!

Mas como se as omissões não bastassem, note-se quão enviesado é este filme de reles e perigosa propaganda, que ainda se permite ser objectivamente insultuoso. Na cena em que os dois personagens se confessam um ao outro – já atrás me referi a quão mal é tratado o próprio Bergoglio – a ficcionada confissão do Papa Bento sobre o seu comportamento relativamente ao tarado e depravado fundador dos Legionários de Cristo, ao tempo em que tinha sido Prefeito de Congregação para a Doutrina da Fé, é verdadeiramente injuriosa para Ratzinger.

Só não sabe nem não quer saber: foi o cardeal Ratzinger que alterou os procedimentos a aplicar a padres predadores de menores; foi Ratzinger quem, em 2001, autorizou uma investigação às acusações contra o referido fundador dos Legionários de Cristo, o padre Marcial Maciel Degollado (1920-2008), que prosseguiu após a sua eleição para a Cátedra de Pedro, tendo-o até demitido, depois de concluída a investigação a que se seguiu uma profunda reforma dos Legionários, que Francisco continuou. E foi Ratzinger, já Papa, quem expulsou centenas de outros padres do estado clerical, pelo mesmo motivo.

A ideia que o filme, nesta abjecta cena da confissão, nos quer deixar, mentindo descaradamente, é que Ratzinger foi, no mínimo, negligente neste tenebroso escândalo da pedofilia e abuso sexual de menores. Não vale sequer a pena, a respeito deste tema, contrapor conhecidas atitudes do Papa Francisco. Pretende-se que fique assim como que completo o retrato do vilão Ratzinger/Bento XVI – o “mau da fita”.

É justo o que afirma em comentário a este filme, o padre jesuíta Nelson Faria, no Facebook:

«[…] Os protagonistas deste filme são caricaturas dos nossos Papas Francisco e BXVI. Principalmente Bento XVI, pois se quanto a Francisco é notório o trabalho de copy-paste de alguns dos seus soundbites (e a apresentação da sua biografia, ainda que novelesca, tem o seu mérito), há muito pouco de real quanto ao BXVI representado. Não só o seu pensamento merecia outra apresentação, mas sobretudo há duas falhas gravíssimas, crassas e injustificáveis: o ambicioso Ratzinger; [e] o compactuante com abusos [sexuais] BXVI. Dois factos:

1. É sobejamente conhecido o desejo de longa data de Ratzinger de se retirar de Roma para se dedicar em exclusivo à teologia.

2. BXVI é o grande responsável pelo início da reacção da Igreja no tema dos abusos, em particular o caso do P. Maciel».

E também o padre Andreas Lind, confrade jesuíta do anterior, apesar da benevolência geral do seu comentário em relação ao filme, escreveu no portal dos Jesuítas em Portugal, Ponto SJ, o seguinte:

«O problema do filme, a meu ver, é deixar transparecer um dualismo, um tanto ou quanto maniqueísta, entre os dois personagens e o que eles supostamente representam». […]

«O enredo de Meirelles sugere também um ditado, supostamente célebre, pelo menos entre os homens de Igreja, ou talvez entre os alemães, segundo o qual “Deus corrige sempre um papa presenteando outro papa ao mundo.” Afirmações como estas não mostram apenas o lado ficcional do filme: tais declarações explicitam o seu carácter ideológico». […]

«A preferência que o filme atribui a Bergoglio é, portanto, notória, nem que mais não seja pelo tempo atribuído à biografia do atual Sumo Pontífice, em claro contraste com os escassos minutos dedicados à vida do seu predecessor».

«E, para além do dualismo ideológico que os separa radicalmente, o carácter das duas personalidades também contrasta profundamente, como se Bergoglio, aquele que protagoniza uma autêntica mudança na Igreja, fosse o humilde, enquanto que os outros, os da Tradição, seriam sobretudo arrogantes, ambiciosos ou até rudes». […]

«Podemos “gostar do papa” Francisco, como Meirelles afirma. Mas, para expressarmos o nosso apreço por ele, não precisamos denegrir a imagem do predecessor.

Enfim, trata-se de um filme que promete ser um bom candidato a uma polémica semelhante à suscitada pelo livro de Dan Brown, The Da Vinci Code, aparecido em 2003, traduzido em mais de 40 línguas, entre as quais o português, embora cheio de incorrecções históricas, e que gerou justificadamente muita celeuma nos meios católicos.

Ao guionista Anthony McCarten, assim como ao realizador Fernando Meirelles, ficar- lhes-ia muito bem um pedido de desculpas ao nonagenário Papa Emérito.

Previsão Sul – Chance de chuva aumenta no PR e SC

Previsão Sul – Chance de chuva aumenta no PR e SC:



Boletim de previsão do tempo contendo informações sobre previsão, temperatura mínima e máxima prevista, além de destaques relevantes dos últimos dias.

30 de Dezembro de 1922: Uma Tragédia na História da Humanidade: Vladimir Ilitch Ulianov, Lenine, proclama a fundação da URSS

30 de Dezembro de 1922: Vladimir Ilitch Ulianov, Lenine, proclama a fundação da URSS:

No dia 30 de Dezembro de 1922, é fundada a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), incluindo a Rússia, a Ucrânia, a Bielorússia, repúblicas da Ásia Central e a Transcaucásia (subdividida em 1936 nas repúblicas da Geórgia, Arménia e Azerbaijão). O poder central estabelecido em Moscovo passa a comandar todos os órgãos da imensa nação soviética. O governo socialista instaura a “ditadura do proletariado” e  atribui a si a missão de destruir as antigas classes dominantes, a burguesia e a aristocracia.
Politicamente, a URSS esteve formada, de 1940 a 1991, por 15 repúblicas constituídas ou autónomas - Arménia, Azerbaijão, Bielorússia, Estónia, Geórgia, Cazaquistão, Quirguízia, Letónia, Lituânia, Moldávia, Rússia, Tadjiquistão, Turcoménia, Ucrânia e Uzbequistão – aparentemente agrupadas numa união federativa. Entretanto, até ao final da União Soviética, as repúblicas tinham realmente pouco poder. A Rússia - oficialmente, República Socialista Federal Soviética Russa (RSFSR) - era apenas uma das repúblicas constituintes, apesar de os termos “Rússia”, “URSS” e “União Soviética” serem utilizados nos noticiários indistintamente.
A União Soviética foi o primeiro Estado erigido com base no socialismo científico marxista e o primeiro Estado proletário da História. Até 1989, o Partido Comunista controlou indirectamente todos os níveis de governo; o Politburo efectivamente governava o país e o seu secretário-geral era o líder mais poderoso da nação. A economia soviética, propriedade do Estado, era dirigida centralizadamente pelos membros da máquina estatal que elaborava os planos de desenvolvimento. A agricultura era dividida em três tipos de propriedade: propriedades  estatais (sovkhozes), propriedades colectivas (kolkhozes) e pequenos lotes de propriedade privada.
A URSS foi o Estado que sucedeu ao império czarista russo e ao governo provisório de curta duração chefiado por Aleksandr Kerensky. Durante o período que se seguiu ao triunfo da revolução bolchevique em 1917, o novo regime teve de adoptar drásticas medidas para enfrentar a invasão de 13 países e do exército branco da burguesia interna para defender a sua revolução. Uma das providências mais duras foi a submissão forçada dos camponeses aos objectivos militares e em favor dos operários urbanos. Milhões de camponeses da região do rio Don, na Ucrânia, morreram de inanição entre 1918 e 1920, quando o exército confiscou os grãos necessários à manutenção dos trabalhadores nas cidades. Esta política que seria levada ao extremo num período posterior, o da colectivização forçada e da implementação dos planos quinquenais.
A URSS havia começado com a conquista do poder pelo Congresso dos Sovietes, dirigido pelo partido bolchevique. Toda a terra seria nacionalizada e seria constituido o Conselho dos Comissários do Povo , que actuaria como primeiro governo dos trabalhadores e dos camponeses presidido por Lenine. Os sovietes garantiram o direito à igualdade e à autodeterminação das inúmeras nacionalidades.
Mas as potências mundiais estrangeiras não viam com bons olhos o triunfo da revolução bolchevique e decidiram sufocá-la. Apesar dos reveses iniciais, os bolcheviques conseguiram repelir os ataques dos invasores e do exército branco no início de 1920, quando o incipiente Exército Vermelho iniciou a contra-ofensiva. A guerra com a Polónia terminou com a assinatura, em 1921, do Tratado de Riga, e a Guerra Civil, após a expulsão das tropas de ocupação japonesas da Sibéria Oriental, no final de 1922.
 Entre 1918 e 1921, num período denominado de “comunismo de guerra”, o Estado assumiu o controlo de toda a economia. Este processo e a inexperiência dos dirigentes provocaram ineficiência e confusão na economia. Em 1921, houve um retorno parcial à economia de mercado com a adopção da NEP (Nova Política Económica), que produziu um período de relativa estabilidade e prosperidade.
No plano político, o tratado de paz com a Polónia, as declarações de independência da Finlândia, Estónia, Letónia e Lituânia e a anexação da Bessarábia pela Roménia reduziram significativamente as dimensões do antigo Império Russo, estabelecendo o que os governos dos países da Europa Ocidental chamaram de "cordão sanitário", separando a Rússia comunista do restante da Europa. Lenine aceitou temporariamente essa quarentena e tratou de reparar os danos causados pela guerra civil.
Em 1922, a Alemanha reconheceu a União Soviética (Tratado de Rapallo), sendo seguida pela maioria dos Estados ocidentais - com excepção dos Estados Unidos, que só fizeram o mesmo passados dois anos. A constituição adoptada em 1924 baseava-se teoricamente na ditadura do proletariado e era economicamente fundada na propriedade pública da terra e dos meios de produção de acordo com a proclamação revolucionária de Outubro de 1917.
Só em 1928 teve início um período de economia planificada dirigido pelo Comité de Planificação Estatal (GosPlan, criado em 1921), colocando em prática o primeiro dos planos quinquenais aplicados por Estaline. Os objetcivos básicos eram transformar a URSS de um país agrícola numa potência industrializada, completar a colectivização da agricultura, transformar profundamente a natureza da sociedade e preparar-se militarmente contra agressões externas que se avizinhavam.
Fontes: Opera Mundi
wikipedia (imagens)

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A Bandeira da URSS


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domingo, 29 de dezembro de 2019

Previsão Sul – Volta a chover em Porto Alegre

Previsão Sul – Volta a chover em Porto Alegre:



Boletim de previsão do tempo contendo informações sobre previsão, temperatura mínima e máxima prevista, além de destaques relevantes dos últimos dias.

29 de Dezembro de 1903: Nasce o pintor brasileiro Cândido Portinari

29 de Dezembro de 1903: Nasce o pintor brasileiro Cândido Portinari:

Artista plástico brasileiro, Cândido Portinari, nasceu a 29 de Dezembro de 1903, numa plantação de café perto de Brodowski, aldeia do estado de São Paulo, Brasil.
Em 1918 parte para o Rio de Janeiro com a intenção de estudar. A par de trabalhos como empregado de uma pensão consegue estudar seguindo os cursos livres de desenho e pintura da Escola de Belas Artes.
A sua primeira obra exposta (1922), um retrato, não chamou a atenção mas, logo no ano seguinte, um outro retrato permitiu lhe obter um prémio. Em 1928, um outro retrato possibilitou lhe uma bolsa de viagem. Durante três anos viajou por França, Itália, Espanha e Inglaterra.
Regressado ao Brasil em 1933 e com poucos meios para sustentar a sua arte, serve se de lençóis como telas pintando o imaginário da sua aldeia natal. A sua arte começa a ser reconhecida a partir de 1935, quando recebe uma menção honrosa da Exposição Internacional de Arte Moderna do Instituto Carnegie em Nova Iorque. Inicia, no ano seguinte, a pintura de murais: os murais do Ministério da Educação e Cultura no Rio de Janeiro, nos quais trabalhou de 1937 a 1945; os murais da Biblioteca do Congresso de Washington (1942).
Ao longo dos anos a sua obra foi recebendo o reconhecido merecimento. A partir da sua primeira exposição individual no Rio de Janeiro, em 1939, nunca mais pararam os convites e Cândido Portinari expôs em Detroit e Nova Iorque (1940), Paris (1946 e 1957), Buenos Aires e Montevideu (1947).
A sua arte entrou, também, em igrejas. Portinari pintou uma série de frescos para várias igrejas e catedrais do Brasil.
Em 1954 é vítima de um envenenamento provocado pelas tintas e aconselhado pelos médicos a parar de pintar. Mas nunca deixou de o fazer e pintou até ao fim porque como ele próprio o disse, "a condição de um artista é ser um homem sensível. Não é possível que as emoções mais altas do mundo não toquem um homem normal. A injustiça humana, a miséria, as crianças famintas são um grito tão grande que não pode deixar de ser ouvido".
Cândido Portinari acaba por morrer vítima de novo envenenamento a 8 de Fevereiro de 1962.

Cândido Portinari. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2012.
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Da esquerda para a direita: Cândido Portinari, Antônio BentoMário de Andrade e Rodrigo Melo 

O Mestiço - Cândido Portinari
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sábado, 28 de dezembro de 2019

Rome, the ethernal city. by Nicolas Barison

Rome, the ethernal city. by Nicolas Barison:

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SUSPEITO: Militares venezuelanos são detidos em terra indígena de Roraima

SUSPEITO: Militares venezuelanos são detidos em terra indígena de Roraima: O
Itamaraty e o Ministério da Defesa confirmaram ter encontrado cinco militares venezuelanos durante uma missão de reconhecimento e patrulhamento do Exército na região de São Marcos, terra indígena em...

Previsão Sul – Pancadas de chuva no RS

Previsão Sul – Pancadas de chuva no RS:



Boletim de previsão do tempo contendo informações sobre previsão, temperatura mínima e máxima prevista, além de destaques relevantes dos últimos dias.

28 de Dezembro de 1895: Os irmãos Lumière promovem, nas caves do Grand Café de Paris, a primeira sessão de cinema

28 de Dezembro de 1895: Os irmãos Lumière promovem, nas caves do Grand Café de Paris, a primeira sessão de cinema:

Os irmãos Lumière realizaram a primeira projecção cinematográfica em Paris, no Salão Indiano do Grand Café do boulevard des Capucines, no dia  28 de Dezembro de 1895. O sucesso na estreia foi contido. No primeiro dia não havia mais de 20 espectadores para assistir ao  A Saída da Fábrica Lumière em Lyon ou O Regador Regado. Entretanto, em poucos dias as filas tornaram-se quilométricas para assistir a uma das vinte sessões diárias, de meia hora cada.


O filme foi rodado por Louis e Auguste Lumière, irmãos franceses que desenvolveram uma câmara-projector designada Cinematógrafo. Os dois  revelaram a sua invenção ao público em Março de 1895 com um curto filme mostrando trabalhadores  à saída de uma  fábrica. Só em Dezembro é que exibiram uma série de pequenas cenas da vida do dia-a-dia dos franceses. Pela primeira vez cobraram bilhete.

A tecnologia cinematográfica tem as suas raízes no começo dos anos 1830, quando Joseph Plateau da Bélgica e Simon Stampfer da Áustria desenvolveram simultaneamente um aparelho chamado Fenacistoscópio, que incorporava um disco cilíndrico giratório com ranhuras através das quais uma série de desenhos poderiam ser vistos criando o efeito de uma imagem simples  movendo-se. Ao Fenacistoscópio, considerado o precursor dos modernos projectores cinematográficos, seguiram-se décadas de avanços.

Em 1890, Thomas Edison e o seu assistente William Dickson desenvolveram a primeira câmara cinematográfica, à qual deram o nome de cinetógrafo. No ano seguinte, Edison inventou o cinetoscópio, uma máquina dotada de um orifício para observação que permitia a uma pessoa ver uma tira de filme movendo-se após passar por um feixe de luz.

Em 1894, Antoine Lumière, o pai de Auguste (1862-1954) e Louis (1864-1948), assistiu a uma demonstração do cinetoscópio de Thomas Edison. Ele ficou impressionado e, segundo se informa, contou aos seus filhos, que eram donos de uma fábrica bem-sucedida de chapas fotográficas em Lyon, França, as suas impressões. Os irmãos acharam que podiam fabricar algo melhor. O Cinematógrafo, patenteado em 1895, era uma combinação de câmara de cinema e projector que podia projectar imagens em movimento sobre uma tela grande e serem vistas por um público amplo. O Cinematógrafo era também menor, de luz mais intensa e usava menor quantidade de filme que o aparelho de Edison.

Os Lumière abriram  as salas de espetáculos, às quais deram o nome de cinema, em 1896 a fim de mostrar o seu trabalho além de enviar equipas  pelo mundo fora para filmar cenas e buscar novos materiais. A indústria do cinema rapidamente alçou voo. O The New York Times publicou em 1909 sua primeira coluna dedicada ao cinema, o filme “Pippa Passe” de D.W. Griffith. Em 1911, foi inaugurado o primeiro estúdio cinematográfico em Hollywood e em 1914, Charlie Chaplin fez sua estreia no cinema.

Além do Cinematógrafo, os irmãos Lumière desenvolveram o primeiro processo fotográfico a cores, a chapa Autochrome, lançada em 1907. 


Fontes: Opera Mundi

wikipedia (imagens)

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Auguste Lumière (esquerda) e Louis Lumière (direita)

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Poster de O Regador Regado

sexta-feira, 27 de dezembro de 2019

A esquerda “anti-fascista” tem muito em comum com os fascistas originais

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Artigo de Antony Mueller, publicado pelo Instituto Mises:

As ideias anti-capitalistas são hoje propagadas de maneira mais colérica por integrantes de movimentos ditos progressistas e "anti-fascistas".

Mas eis a grande ironia: embora estes auto-proclamados anti-capitalistas (e declarados "inimigos da direita") se rotulem de "anti-fascistas", a realidade é que, mais do que qualquer outra ideologia, o fascismo é exatamente o que caracteriza suas idéias.

Mas, afinal, o que é o fascismo e qual o conteúdo desta ideologia?

O "Manifesto Fascista"


Em seu panfleto, os autores defendiam a implantação de um salário mínimo estipulado pelo governo e de uma jornada de trabalho de apenas oito horas diárias (um valor pequeno à época). Defendiam também que os trabalhadores tivessem representantes no alto escalão administrativo das indústrias e que os sindicatos tivessem o mesmo poder decisório que os executivos do setor industrial e os funcionários públicos.

Os autores do Manifesto Fascista também exigiam um imposto de renda progressivo (alíquotas mais altas para quem ganhasse mais), seguro-invalidez bancado pelo estado, e outros tipos de benefícios sociais, além da redução da idade de aposentadoria.

Mais: o Manifesto exigia o confisco da propriedade de todas as instituições religiosas, bem como a estatização da indústria de armas.

E não parava por aí: os autores do Manifesto Fascista também defendiam a criação de um sistema corporativista de "Conselhos Nacionais" (semelhantes aos sovietes), os quais seriam formados por especialistas eleitos por suas respectivas organizações profissionais, os quais teriam poderes legislativos em suas respectivas áreas.

Finalmente, De Ambris e Marinetti exigiam um pesado imposto progressivo sobre os lucros e os ganhos de capital com o intuito de expropriar uma fatia de toda a riqueza dos capitalistas.

Em 1922, o socialista Benito Mussolini ascendeu ao poder na Itália sob o estandarte do fascismo, e prontamente colocou em prática grande parte deste programa fascista que havia sido proclamado no Manifesto alguns anos antes.

Comparado ao Manifesto Comunista

Uma comparação com o Manifesto do Partido Comunista, escrito por Marx e Engels, e publicado em 1848, revela a relação siamesa entre fascismo e comunismo.

O Manifesto Comunista de 170 anos atrás apresentava 10 medidas necessárias para que um país se tornasse socialista. Dentre elas:

* Imposto de renda fortemente progressivo.

* Centralização do crédito nas mãos do Estado, por meio de um banco nacional com capital do Estado usufruindo monopólio exclusivo.

* Centralização, nas mãos do Estado, de todos os meios de comunicação e transporte.

* Unificação do trabalho agrícola e industrial com o objetivo de eliminar gradualmente o contraste cidade e campo.

* Educação gratuita para todas as crianças nas escolas públicas, eliminação do trabalho infantil nas fábricas em sua forma atual, e unificação da educação com a produção industrial.

Todos estes itens foram implantados pelos fascistas.

Ainda de acordo com o Decálogo Comunista, os itens que faltavam para que o socialismo pleno fosse alcançado sob o fascismo eram:

* Expropriação da propriedade sobre a terra e aplicação de toda a renda obtida com a terra nas despesas do Estado. (Item 1)

* Confisco da propriedade de todos os emigrantes e rebeldes. (Item 4)

* Trabalho obrigatório para todos. Criação de exércitos industriais, em especial para a agricultura. (Item 8)

Mas melhora. Tanto os comunistas quanto os fascistas serviram de inspiração aos nazistas, que copiaram suas idéias no programa oficial do Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães, lançado em 1920.

As exigências do Partido Nazista

O próprio Adolf Hitler em pessoa estava presente quando os 25 pontos do programa do Partido Nazista foram anunciados no dia 24 de fevereiro de 1920. O termo nazismo já dizia tudo: era a abreviação de NSDAP, que significa Nationalsozialistische Deutsche Arbeiterpartei (Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães).

Em 1925, a Assembléia Geral do NSDAP declarou que o programa lançado em 1920 era "imutável". E, em 1941, Adolf Hitler determinou que todos os futuros líderes do Reich deveriam jurar obediência aos 25 pontos.

O Programa do Partido Nazista incluía demandas como:

* Socialização de empresas monopolistas

* Municipalização de grandes lojas de departamento

* Expropriação de terras para propósitos caritativos

* Proibição da especulação imobiliária

* Expansão de todo o sistema educacional estatal

* Um abrangente sistema de escolas públicas gratuitas, com generosos estipêndios e bolsas estudantis

* Defesa do meio ambiente em conjunto com a promoção da saúde e do preparo físico da população

* Em particular, o programa do Partido Nazista exigia:

* abolição do "rentismo", isto é, a renda fácil não-oriunda do trabalho (item 11)

* confisco dos lucros oriundos de atividades de guerra (item 12)

* estatização de todas as empresas monopolistas (item 13)

* distribuição dos lucros das grandes empresas (item 14)

* generosa expansão de pensões e aposentadorias (item 15)

* criação de uma classe média saudável (item 16)

* reforma agrária adaptada às necessidades nacionais; criação de uma lei para a livre expropriação de terras para propósitos caritativos. Abolição do consumo da terra e proibição de toda e qualquer especulação imobiliária (item 17)

No item 20, o programa do partido exigia que "o estado deve garantir que todo o nosso sistema educacional nacional seja completamente expandido" por meio de um amplo sistema de subsídios para a educação.

No item 21, o programa estipulava que "o estado tem o dever de ajudar a elevar o padrão da saúde nacional fornecendo centros de maternidade, proibindo o trabalho adolescente, aumentando a capacitação física por meio da introdução compulsória de jogos, olimpíadas e ginásticas, e encorajando ao máximo possível a formação de associações voltadas para a educação física dos jovens".

Os nazistas defendiam a criação de um "Exército Popular" — nada diferente daquilo que, mais tarde, os socialistas implantariam na Ásia e no Leste Europeu.

Não há diferença

Essa seleção de demandas existentes nas plataformas dos socialistas, fascistas e nazistas mostra o alto grau de similaridade entre as linhas de pensamento dessas três ideologias.

Aquilo que os socialistas expressam em seu slogan 'de cada qual, segundo suas capacidades; a cada qual, segundo suas necessidades' é igual à máxima nazista de que 'o bem comum vem antes do bem privado'('Gemeinnutz vor Eigennutz') e igual ao lema fascista do 'tudo dentro do estado, nada fora do estado, nada contra o estado'.

Não é surpresa nenhuma que governos socialistas, fascistas e nacional-socialistas tenham agido como regimes repressores que não geraram nem prosperidade e nem paz, mas sim miséria, supressão de direitos humanos básicos e guerras.

Os atuais movimentos socialistas, que se definem como progressistas e anti-fascistas, simplesmente utilizam uma falsa terminologia para esconder sua verdadeira agenda. Ao mesmo tempo em que se rotulam "anti-fascistas" e declaram que o fascismo é seu inimigo, esse movimento "anti-fascista" é, essencialmente, fascista. Seus membros não são oponentes do fascismo, mas sim seus genuínos representantes.

Conclusão

No final, comunismo, socialismo, nazismo e fascismo são rótulos que se unem sob o estandarte do anti-capitalismo e do anti-liberalismo. São contra o indivíduo, contra a propriedade privada, e contra a liberdade empreendedorial.

O movimento progressista "anti-fascista" é, em si mesmo, um movimento fascista. O inimigo desse movimento não é o fascismo, mas sim a liberdade, a paz e a prosperidade.

Not GuiltyAbraham Solomon, 1859

Not GuiltyAbraham Solomon, 1859:

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Not Guilty

Abraham Solomon, 1859

POLÍBIO BRAGA - Racista, o seguidor de Adeli Sell diz que vereadores judeus e cristãos não passam de lixo

Racista, o seguidor de Adeli Sell diz que vereadores judeus e cristãos não passam de lixo:


O site do líder lulopetista Adeli Sell, vereador do PT em Porto Alegre, registra com ira a foto na qual aparecem os vereadores João Carlos Nedel, Valter Nagelstein e Wambert Di Lorenzo.,

Valter Nagelstein, o do meio e com os punhos erguidos, demonstra contentamento diante da aprovação do seu projeto Escola sem Partidos, por 18 votos contra 1, semana passada.

A oposição lulopetista bobeou, saiu do plenário, mas não conseguiu derrubar o quorum de 20 vereadores.

Perdeu.

O que chama a atenção na página do vereador do PT é a declaração criminosa do seguidor de Adeli, Valdemar Garcia, no seguinte tom:

- Esta foto representa o lixo do legislativo de Porto Alegre, um "cristão" e um judeu.

Judeu, no caso, é o próprio Nagelstein, enquanto que os cristãos são Nedel e Wambert.

Adeli Sell não retirou o comentário racista.

O editor reproduz o fac simile acima.

27 de Dezembro de 537: O Imperador Justiniano I inaugura a nova basílica de Santa Sofia

27 de Dezembro de 537: O Imperador Justiniano I inaugura a nova basílica de Santa Sofia:

O imperador Justiniano I, juntamente com o patriarca Eutíquio de Constantinopla, inauguraram a basílica de Santa Sofia em 27 de Dezembro de 537 com pompa e circunstância.
Em 23 de Fevereiro de 532, apenas alguns dias depois da destruição da segunda basílica, Justiniano I decidiu construir uma terceira, completamente diferente, maior e muito mais majestosa que as suas antecessoras.
Justiniano escolheu o médico Isidoro de Mileto e o matemático Antémio de Trales como arquitectos, mas Antémio morreu ainda no primeiro ano da empreitada. A construção foi descrita na obra "Sobre Edifícios" do historiador bizantino Procópio. O imperador mandou buscar materiais de construção de todo o império - colunas helénicas retiradas do Templo de Artemis, em Éfeso - uma das Sete Maravilhas do Mundo - , grandes blocos de pórfiro de pedreiras no Egipto, mármores verdes da Tessália, pedras negras do Bósforo e amarelas da Síria. Mais de 10 mil pessoas foram empregadas na construção. A nova igreja foi logo reconhecida como um grande feito de engenharia e arquitectura. Santa Sofia tornou-se então a sede do Patriarcado Ecuménico de Constantinopla e o local preferido para realização de cerimónias oficiais do Império Bizantino.
A Basílica de Santa Sofia, também conhecida como Hagia Sophia (Sagrada Sabedoria) é um imponente edifício construído entre 532 e 537 pelo Império Bizantino para ser a catedral de Constantinopla, actual Istambul, Turquia. De 1204 a 1261 foi convertida em catedral católica romana durante o Patriarcado Latino de Constantinopla que se seguiu ao saque da capital imperial pela Quarta Cruzada. O edifício foi uma mesquita entre 1453 e 1931, quando foi secularizada. Reabriu como museu em 1 de Fevereiro de 1935.
A igreja foi dedicada ao Logos, a segunda pessoa da Santíssima Trindade, com a festa de dedicação realizada em 25 de Dezembro, data em que se comemora o Nascimento de Jesus, a encarnação do Logos em Cristo. Embora seja chamada de "Santa Sofia", como se fosse dedicada a Santa Sofia, sophia é a transliteração fonética em latim da palavra grega para "sabedoria".
Famosa principalmente pela sua enorme cúpula, é considerada o epítome da arquitectura bizantina e é tida como tendo "mudado a história da arquitectura." Foi a maior catedral do mundo por quase mil anos, até que a Catedral de Sevilha fosse completada em 1520.
A igreja continha uma grande colecção de relíquias e tinha, entre outras coisas, uma iconóstase de 15 metros de altura em prata. Era a sede do Patriarcado Ecuménico de Constantinopla e o ponto central da Igreja Ortodoxa por quase mil anos. Foi ali que o cardeal Humberto excomungou, em 1054, o patriarca Miguel I Cerulário, iniciando o Grande Cisma do Oriente, que perdura até hoje.
Em 1453, Constantinopla foi conquistada pelo Império Otomano chefiado pelo sultão Mehmed II que em seguida ordenou que o edifício fosse convertido numa mesquita. Os sinos, o altar, a iconóstase e os vasos sagrados foram removidos e diversos mosaicos, cobertos. Diversas características islâmicas, como o mihrab, o minbar e os quatro minaretes, foram adicionadas durante esse período. Permaneceu como mesquita até 1931, quando Kemal Ataturk ordenou que fosse secularizada. Permaneceu fechada ao público por quatro anos e reabriu em 1935 já como museu da recém-criada República da Turquia. Uma missão da Unesco em 1993 notou revestimentos de mármore sujos, janelas quebradas, pinturas decorativas danificadas pela humidade. Desde então a limpeza e o restauro têm sido empreendidos.


Fontes: Opera Mundi


wikipedia (imagens)
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O interior de Santa Sofia

quinta-feira, 26 de dezembro de 2019

26 de Dezembro de 1606: Estreia de "Rei Lear", de Shakespeare, na corte de Jaime I.

26 de Dezembro de 1606: Estreia de "Rei Lear", de Shakespeare, na corte de Jaime I.:

Rei Lear é uma tragédia de William Shakespeare escrita entre 1603 e 1606 e representada, pela primeira vez, em 26 de Dezembro de 1606. É apresentada em verso e prosa e constituída por cinco actos. Considerada uma das melhores tragédias do dramaturgo, a peça baseia-se na lenda do rei dos Bretões, Lear, cuja primeira versão foi escrita pelo historiador Geoffrey de Monmouth, no século XII.

A acção inicia-se com a decisão do rei em renunciar ao poder, dividindo o reino em três partes para distribuir cada uma pelas suas três filhas, Regan, Goneril e Cordélia. Antes da legação, Lear pede às filhas que deem provas do seu amor filial. As duas primeiras, Regan e Goneril, manifestam o seu pseudo amor pela adulação. Lear, satisfeito, entrega-lhes as partes do reino correspondentes a cada uma delas. Posteriormente, as jovens casam respetivamente com o Duque de Cornwall e o Duque de Albany.

Mas o rei destina o melhor território para a sua filha dileta, Cordélia, a mais nova das três irmãs. Esta afirma o seu amor filial com toda a simplicidade. Incompreendida, Lear, furioso, deserda-a. Por falta de dote, um dos seus pretendentes, o Duque de Burgundy, desinteressa-se por ela. No entanto, o rei de França, reconhecendo as virtudes e o carácter correto de Cordélia, casa com a jovem.

Afastado das funções régias, Lear conserva unicamente o título de rei e um séquito, que o acompanha quando visita Regan e Goneril. Aos poucos, começa a aperceber-se da falsidade destas filhas. À medida que envelhece, vai sentindo não só a decadência das suas condições físicas e mentais, como também o abandono de todos.

Tendo conhecimento de tal situação e da agitação provocada por vários nobres no seu antigo reino, Cordélia envia as tropas francesas em auxílio do pai, para salvá-lo das vicissitudes por que passava. Em vão. É capturada e enforcada por ordem da irmã Regan. Por rivalidades amorosas, esta acaba por ser envenenada por Goneril, que a seguir se suicida, apunhalando-se. Lear, ao saber da morte da filha Cordélia, morre de desgosto.

Destacam-se algumas realizações artísticas baseadas na obra: a abertura sinfónica O Rei Lear, composta, em 1831, por Hector Berlioz; a pintura de Willam Dyce, intitulada "King Lear and the fool in the storm" (tradução livre: Rei Lear e o bobo na tempestade); várias versões televisivas, como a de Peter Brook (1953), com interpretação de Orson Welles no papel de Lear, e a de Grigori Kozintsev (1970), e a de Michael Eliot (1983), na qual Lear é desempenhado por Laurence Olivier, e, ainda, a versão teatral realizada por Christian Liardet, em 1999.
Rei Lear. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2012. 
Wikipedia

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Goneril e Regan, por Edwin Austin Abbey

terça-feira, 24 de dezembro de 2019

FELIZ NATAL.

Hoje é aniversário de um sujeito que nasceu e morreu muito pobre. O parto foi “natural” porque não havia NENHUM médico para ajudar sua mãe; não porque as feministas de Nazaré quisessem. Animais estavam ao lado da parturiente porque eles viviam ali; não por causa de algum “programa do Ministério da Saúde Romano” que os colocava dentro do Hospital. O pai estava ao lado da mãe e da criança por AMOR; não em função do “alojamento conjunto”. Não houve “violência obstétrica” porque nem mesmo os romanos acusavam de violência um homem que ajuda uma mulher a dar à luz...O menino cresceu sem jamais fazer mal ou mentir para ninguém...NUNCA foi comunista, nem capitalista ou qualquer outra “ista” de que se tenha notícia..Ele jamais usou drogas ou “escolheu seu “gênero”.Ainda assim mudou toda História da Humanidade dizendo para “não fazer ao outro aquilo que não queremos para nós mesmos”…

Um Feliz Natal a todos os nossos caros amigos. Aos que não são médicos...e aos que são médicos de verdade…

Porto Alegre, 24/12/19. Milton Pires, Maria Luísa, Paulo Antônio e Laura.

24 de Dezembro de 1524: Morre em Cochim, na Índia, o navegador português Vasco da Gama, pioneiro do caminho marítimo para a Índia.

24 de Dezembro de 1524: Morre em Cochim, na Índia, o navegador português Vasco da Gama, pioneiro do caminho marítimo para a Índia.:

Navegador português, nasceu em Sines, por volta de 1468, filho de Estêvão da Gama, que em 1460 era cavaleiro da casa de D. Fernando de Portugal, Duque de Viseu e Mestre da Ordem de Cristo. D. Fernando nomeara-o alcaide-mor de Sines .
Sabe-se que em 1492, João II de Portugal enviou Vasco da Gama  ao porto de Setúbal,  para capturar navios franceses em retaliação por depredações feitas em tempo de paz contra a navegação portuguesa – uma tarefa que Vasco da Gama executou rápida e eficazmente. 
D. Manuel I nomeia-o comandante da frota que vai descobrir o caminho marítimo para a Índia. Faziam parte desta expedição três naus e um navio de mantimentos. A frota parte de Lisboa a 8 de Julho de 1497 e chega a Moçambique a 2 de Março de 1498. Segue depois para Melinde, onde obtém a ajuda de um piloto mouro, acabando por aportar a Calecute, na Índia, em Maio de 1498. Apesar do aparente bom acolhimento, aparecem as intrigas dos comerciantes árabes, que põem em perigo a estadia da frota portuguesa. Em Outubro de 1498 tem início a viagem de regresso, dando-se a chegada a Lisboa em Agosto de 1499.

Estava descoberto o caminho marítimo para a Índia há tanto tempo procurado, e era o culminar de tantos anos de esforços. Face aos problemas que entretanto surgem na Índia, Vasco da Gama volta lá em 1502 com uma armada de 20 navios, submetendo Quíloa e fazendo alianças com os reis de Cochim e Cananor, com o que deixa assegurado o domínio português no Oceano Índico. Regressa carregado de especiarias em 1504.

Tendo adquirido uma reputação de temível "solucionador" de problemas na Índia, Vasco da Gama foi enviado de novo para o subcontinente indiano em 1524. O objectivo era o de que ele substituísse  Duarte de Meneses, cujo governo se revelava desastroso, mas Vasco da Gama contraiu malária pouco depois de chegar a Goa. Como vice-rei actuou com rigidez e conseguiu impor a ordem, mas veio a falecer na cidade de Cochim, na véspera de Natal em 1524.

Foi sepultado na Igreja de São Francisco (Cochim). Em 1539 os seus restos mortais foram trasladados para Portugal, mais concretamente para a Igreja de um convento carmelita, conhecido actualmente como Quinta do Carmo (hoje propriedade privada), próximo da vila alentejana da Vidigueira, como conde da Vidigueira de juro e herdade (ou seja, a si e aos seus descendentes). Aqui estiveram até 1880, data em que ocorreu a trasladação para o Mosteiro dos Jerónimos. Há quem defenda, porém, que os ossos de Vasco da Gama ainda se encontram na vila alentejana. Como testemunho da trasladação das ossadas, em frente à estátua do navegador na Vidigueira, existe a antiga Escola Primária Vasco da Gama (cuja construção serviu de moeda de troca para obter permissão para efectuar a trasladação à época), onde se encontra instalado o Museu Municipal de Vidigueira.
Fontes: Infopédia
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Chegada de Vasco da Gama a Calecute, Índia  em 1498

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Túmulo de Vasco da Gama no Mosteiro dos Jerónimos, Lisboa

segunda-feira, 23 de dezembro de 2019

VAGABUNDOS PETISTAS DO "PORTA DOS FUNDOS" ESCULACHAM NATAL E VIDA DE JESUS EM MAIS UMA PUTARIA DA REDE GLOBO.

POLÍBIO BRAGA - Bebiano interpela Bolsonaro no STF. Ele foi acusado de armar a mão de Adélio Bispo no atentado de Minas.

Bebiano interpela Bolsonaro no STF. Ele foi acusado de armar a mão de Adélio Bispo no atentado de Minas.: O ex-ministro Gustavo Bebiano disse esta tarde que vai interpelar Bolsonaro no STF.

Ele quer saber se é ele o político que participou da conspirata que conduziu Adélio Bispo a empenhar a faca para matar o presidente, conforme entrevista publicada no final de semana pela revista Veja.

Bolsonaro não citou Bebiano, mas deu a entender que de fato referia-se ao ex-ministro.

23 de Dezembro de 1667: A Inquisição condena o padre António Vieira à reclusão e ao silêncio

23 de Dezembro de 1667: A Inquisição condena o padre António Vieira à reclusão e ao silêncio:

Notável prosador e o mais conhecido orador religioso português, o Padre António Vieira nasceu em 1608, em Lisboa, filho primogénito de um modesto casal burguês, e faleceu na Baía em 1697. Quando tinha apenas seis anos, os seus pais mudaram-se para a Baía, no Brasil, tendo aí iniciado os seus estudos.
Os jesuítas tinham sido desde sempre os portadores da cultura e civilização no Brasil, com relevo especial para os Padres José de Anchieta e Manuel de Nóbrega. Assim sendo, cursou Humanidades no colégio da Companhia de Jesus, onde revelou bem cedo dotes excecionais. Aos 15 anos, motivado pela sua fé na Virgem das Maravilhas na Sé baiana e por um sermão que ouviu sobre as torturas do Inferno, Vieira teve o seu famoso "estalo" e decidiu ingressar na Companhia de Jesus. Ante a oposição dos pais, Vieira fugiu de casa e prosseguiu a sua formação, em que predominavam as Humanidades Clássicas (principalmente o latim), a Filosofia e a Teologia, com especial relevo para a Sagrada Escritura. Guiado pelos pressupostos e práticas jesuíticas, que apontavam para o objetivo primordial da salvação do próximo através da pregação, exerceu a sua função evangelizadora junto dos indígenas de uma aldeia onde passou algum tempo.
Todavia, cedo regressou à capital de forma a continuar a sua formação. Ao entrar no segundo ano do seu noviciado, assistiu à brusca invasão dos holandeses na Baía, tendo de refugiar-se no interior da capitania. Começara, então, a Guerra Santa entre Portugal e os inimigos de Deus, a que Vieira não ficou alheio durante mais de 25 anos. Descrevendo estes eventos calamitosos do ano de 1624, na "Carta Ânua" ao Padre Geral em Roma, Vieira deixou claro que a sua atividade não se limitaria a ser meramente religiosa, pois os preceitos jesuíticos, que apontavam para a emulação e o instinto de luta, levavam-no a bater-se pela justiça.
Em 1625 António Vieira fez votos de pobreza, castidade e obediência e, propondo-se missionar entre os ameríndios e escravos negros, estudou a "língua geral" (tupi-guarani) e o quimbundo. Foi nomeado professor de Retórica no colégio dos Padres em Olinda, onde permaneceu dois ou três anos, tendo depois voltado à Baía com o fito de seguir os cursos de Filosofia e Teologia. Ordenado padre em dezembro de 1634, depressa se avolumou a sua fama de orador e se celebrizaram os seus sermões que refletiam as vicissitudes da Baía, em luta contra os holandeses, e criticavam a ganância, a injustiça e a corrupção. Em 1641, restaurada a independência, Vieira acompanhou o filho do governador, que vinha trazer a adesão do Brasil a D. João IV, à Metrópole. Em Lisboa, começou a pregar em S. Roque e logo o seu talento se espalhou pela cidade. Segundo o testemunho de D. Francisco Manuel de Melo, a afluência às pregações era tal que, como se de provérbio se tratara, corria a frase: "Manda lançar tapete de madrugada em S. Roque para ouvir o Padre António Vieira". Cativa o favor de D. João IV, que não tardou em convidá-lo a pregar na capela real, onde ele proferiu o seu primeiro sermão no dia 1 de janeiro de 1642. Dois anos depois foi nomeado pregador régio. Nos numerosos sermões desta época da sua vida, Vieira não se cansava de animar o auditório a perseverar na luta desigual com Castela e propunha medidas concretas para a solução de problemas, inclusive de ordem económica. A sua situação privilegiada dentro da corte teria contribuído para que fosse encarregue de diversas missões diplomáticas na Holanda, França e Itália, como foi o caso do casamento do príncipe Teodósio. Em 1644, António Vieira proferiu os votos definitivos, depois de ter feito o terceiro ano de noviciado em Lisboa. A Companhia de Jesus começou a ver com maus olhos a sua influência nos destinos do país, ameaçando-o de ser expulso da Companhia. A pedido da mesma, voltou ao Brasil em 1653, para o estado do Maranhão e aí assumiu um papel muito ativo nos conflitos entre jesuítas e colonos, como paladino dos direitos humanos, a propósito da exploração dos indígenas. No ano seguinte pregou o Sermão de Santo António aos Peixes. Foi expulso do Maranhão pelos colonos, em 1661, e regressou a Lisboa.De novo na capital, D. João IV, seu protetor, havia falecido e D. Afonso VI, instigado pelos inimigos do orador, desterrou-o para o Porto e, mais tarde, para Coimbra. Perfilhando as novas expectativas sebastianistas que encontrou no reino, que se baseavam no juramento de D. Afonso Henriques, nas cartas apócrifas de São Bernardo, nas profecias atribuídas a São Frei Gil e nas famosas trovas de Bandarra, escreveu o Sermão dos Bons Anos, em 1642. Foi nesta altura que a Inquisição o prendeu sob a acusação de que tomava a defesa dos judeus, acreditava nas possibilidades de um Quinto Império e nas profecias de Bandarra. Durou largo tempo o processo, porque a Inquisição não se dava por satisfeita e impunha que reconhecesse os seus erros, a que o padre jesuíta se recusou, e talvez se não salvasse da fogueira, se a Companhia o abandonasse à sua sorte, e o papa Alexandre VII não interviesse a recomendar-lhe que se retractasse. A sentença do tribunal foi proferida a 23 de Dezembro de 1667. Condenando Vieira a perder a voz activa e passiva, proibindo-lhe a predica, e ordenando lhe que se recolhesse a um colégio de noviços, ele ouviu a sentença de pé e imóvel durante duas horas com o olhar fito num crucifixo do tribunal, e isto depois de 27 meses de cárcere incomunicável.  Entretanto, a situação política alterou-se. Destituído D. Afonso, subiu ao trono D. Pedro II. António Vieira foi amnistiado e retomou as pregações em Lisboa. Em 1669 parte para Roma como diplomata e obtém grande sucesso como pregador, combatendo o Tribunal do Santo Ofício. Na Cidade Eterna, continuou a defesa acérrima dos judeus e ganhou grande reputação, encantando com a sua eloquência o Papa Clemente X e a rainha Cristina da Suécia. Regressou a Portugal em 1675; mas, agora sem apoios políticos e desiludido pela perseguição aos cristãos-novos (que tanto defendera), retirou-se de vez para a Baía em 1681 onde se entregou ao trabalho de compor e editar os seus Sermões. A sua prosa é vista como um modelo de estilo vigoroso e lógico, onde a construção frásica ultrapassa o mero virtuosismo barroco. A sua riqueza e propriedade verbais, os paradoxos e os efeitos persuasivos que ainda hoje exercem influência no leitor, a sedução dos seus raciocínios, o tom por vezes combativo, e ainda certas subtilezas irónicas, tornaram a arte de Vieira admirável. As obras Sermões, Cartas e História do Futuro ficam como testemunho dessa arte.
Padre António Vieira. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2013.
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Retrato do Padre António Vieira - Autor desconhecido, início do século XVIII